{"id":44349,"date":"2025-08-12T18:16:59","date_gmt":"2025-08-12T21:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/o-que-alguns-marxistas-nos-dizem-sobre-as-drogas\/"},"modified":"2025-08-12T18:16:59","modified_gmt":"2025-08-12T21:16:59","slug":"o-que-alguns-marxistas-nos-dizem-sobre-as-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-alguns-marxistas-nos-dizem-sobre-as-drogas\/","title":{"rendered":"O que alguns marxistas nos dizem sobre as drogas?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"370\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Marx02.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Marx02.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Marx02-300x159.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\"><figcaption>Arte: \u201cMem\u00f3rias de um Oper\u00e1rio sobre Karl Marx\u201d, de Friedrich Lessner<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O debate sobre as drogas normalmente gera pol\u00eamicas e controv\u00e9rsias. O marxismo, enquanto m\u00e9todo de an\u00e1lise, permite apontar alguns caminhos para compreender esse fen\u00f4meno social. Uma an\u00e1lise marxista aponta para as contradi\u00e7\u00f5es que permeiam esse debate e como ele deve estar embasado n\u00e3o em opini\u00f5es que visam uma propaganda pol\u00edtica, mas a compreens\u00e3o da realidade hist\u00f3rica e social que permeia a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os cl\u00e1ssicos do marxismo, n\u00e3o h\u00e1 um grande ac\u00famulo acerca da pol\u00edtica de drogas, se resumindo a alguns coment\u00e1rios esparsos, geralmente acerca da situa\u00e7\u00e3o de alcoolismo dos trabalhadores. O debate acerca da descriminaliza\u00e7\u00e3o e da legaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco presente entre os autores marxistas cl\u00e1ssicos, na medida em que no per\u00edodo em que viveram \u201cpraticamente nenhuma droga, de uso medicamentoso ou n\u00e3o, era sequer objeto de controle, quanto mais de criminaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>1<\/sup> Em Marx, al\u00e9m da r\u00e1pida men\u00e7\u00e3o em <em>O capital<\/em> de algumas drogas como mercadorias, em outro texto encontra-se uma passagem bastante conhecida acerca da China, escrita em setembro de 1858:<\/p>\n<p>\u201cA fuga constante da prata causada pelas importa\u00e7\u00f5es de \u00f3pio tinha come\u00e7ado a afetar o Tesouro p\u00fablico e a circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria do Imp\u00e9rio do Sol. Hsu Naichi, um homem de estado chin\u00eas dos mais distintos, prop\u00f4s a legaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de \u00f3pio para fazer dinheiro com isso; mas, depois de grande discuss\u00e3o, na qual participaram todos os altos funcion\u00e1rios do imp\u00e9rio e que se estendeu por um per\u00edodo de mais de um ano, o Governo chin\u00eas decidiu que, \u2018por causa dos males que infligia ao povo, o tr\u00e1fico nefasto n\u00e3o deveria ser legalizado\u2019\u201d.<sup>2<\/sup><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/MATERIA-GERAL-9.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/MATERIA-GERAL-9.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Essa passagem parece ter um car\u00e1ter muito mais de cr\u00f4nica do que de an\u00e1lise. Pouco \u00e0 frente, no mesmo texto, demonstrando uma poss\u00edvel simpatia com a pol\u00edtica de descriminaliza\u00e7\u00e3o, Marx afirma: \u201cperseguindo o consumo do \u00f3pio como uma heresia, o imperador deu a esse tr\u00e1fico todas as vantagens de uma propaganda religiosa\u201d.<sup>3<\/sup> Contudo, essas passagens acabam tendo muito mais um car\u00e1ter de cr\u00f4nica acerca das rela\u00e7\u00f5es mercantis estabelecidas pela China do que uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o das drogas na sociedade.<\/p>\n<p>Possivelmente, o primeiro estudo marxista que discute com mais densidade o impacto das drogas na sociedade \u00e9 a obra de Friedrich Engels,\u00a0<em>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora da Inglaterra<\/em>, publicada em 1844. Nessa obra, Engels mostra o processo de explora\u00e7\u00e3o do proletariado no in\u00edcio do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista na Inglaterra, analisando as condi\u00e7\u00f5es gerais de vida dos trabalhadores, desde a situa\u00e7\u00e3o de moradia e de alimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 seu estado f\u00edsico e mental e o impacto do alcoolismo. Conforme procura demonstrar,<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c[\u2026] a depend\u00eancia se converteu em um fen\u00f4meno social desde o come\u00e7o do capitalismo. O nascimento desse fen\u00f4meno est\u00e1 estreitamente ligado com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, o come\u00e7o da ci\u00eancia e as migra\u00e7\u00f5es massivas de camponeses para as cidades, assim como o processo de proletariza\u00e7\u00e3o que o acompanhou\u201d.<sup>4<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Engels, nesta obra, analisou e discutiu o problema do abuso do \u00e1lcool entre os oper\u00e1rios, entendido como forma de consolo e lazer, diante da necessidade de suportar a desumaniza\u00e7\u00e3o causada pelo seu pr\u00f3prio trabalho. Engels chamava a aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o do alcoolismo, relacionando isso \u00e0 situa\u00e7\u00e3o a que estavam submetidos os trabalhadores:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cTodas as ilus\u00f5es e tenta\u00e7\u00f5es se juntam para induzir os trabalhadores ao alcoolismo. A aguardente \u00e9 para eles a \u00fanica fonte de prazer e tudo concorre para que a tenham \u00e0 m\u00e3o. O trabalhador retorna \u00e0 casa fatigado e exausto; encontra uma habita\u00e7\u00e3o sem nenhuma comodidade, \u00famida, desagrad\u00e1vel e suja; tem a urgente necessidade de distrair-se; precisa de qualquer coisa que fa\u00e7a seu trabalho valer a pena, que torne suport\u00e1vel a perspectiva do amargo dia seguinte. Fica acabrunhado, insatisfeito, sente-se mal, \u00e9 levado \u00e0 hipocondria; esse estado de \u00e2nimo se deve principalmente \u00e0s suas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, \u00e0 sua m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e9 exacerbado at\u00e9 o intoler\u00e1vel pela incerteza de sua exist\u00eancia, pela absoluta depend\u00eancia do acaso e por sua incapacidade de pessoalmente fazer algo para dar alguma seguran\u00e7a \u00e0 sua vida. Seu corpo enfraquecido pela atmosfera insalubre e pela m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o requer imperiosamente um estimulante externo; a necessidade de companhia s\u00f3 pode ser satisfeita numa taberna, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro lugar para encontrar os amigos\u201d.<sup>5<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Engels, portanto, compreende a quest\u00e3o das drogas como um problema social, relacionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas vividas pelas pessoas, e n\u00e3o uma quest\u00e3o individual. Segundo Engels,<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c[\u2026] nesse caso, o alcoolismo deixa de ser um v\u00edcio de responsabilidade individual; torna-se um fen\u00f4meno, uma consequ\u00eancia necess\u00e1ria e inelut\u00e1vel de determinadas circunst\u00e2ncias que agem sobre um sujeito que \u2014 pelo menos no que diz respeito a elas \u2014 n\u00e3o possui vontade pr\u00f3pria, que se tornou \u2014 diante delas \u2014 um objeto; aqui, a responsabilidade cabe aos que fizeram do trabalhador um simples objeto\u201d.<sup>6<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para Engels, o consumo de drogas, em grande medida, est\u00e1 associado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais da exist\u00eancia, podendo-se afirmar que \u201co uso de subst\u00e2ncias expressa a necessidade interna de escapar da irrefre\u00e1vel press\u00e3o de uma realidade pessoal e social que o viciado n\u00e3o pode tolerar\u201d.<sup>7<\/sup> Cabe destacar, de forma complementar, que:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] esse cen\u00e1rio fica ainda mais complexo na atualidade, diante da massifica\u00e7\u00e3o e da diversifica\u00e7\u00e3o dos tipos de drogas. O uso recreativo se consolidou como uma resposta do indiv\u00edduo diante dos problemas e dificuldades a que est\u00e1 submetido, fazendo uso dessas subst\u00e2ncias com vistas ao relaxamento ou \u00e0 distra\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>8<\/sup><\/p>\n<p>No per\u00edodo vivenciado por Marx e Engels, o capitalismo ainda vivia seu per\u00edodo de expans\u00e3o e crescimento. Contudo, no final do s\u00e9culo XIX, a expans\u00e3o do capital financeiro e a consolida\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios colocaram em cena o desenvolvimento do imperialismo, marcado pela exporta\u00e7\u00e3o de capitais. Nesse cen\u00e1rio, as drogas e mesmo o proibicionismo deixam de ser um problema local e mesmo pontual, como observado por Marx e Engels, e se colocaram como um componente na expans\u00e3o imperialista. Sabe-se que \u201ca proibi\u00e7\u00e3o mundial das drogas foi uma das inven\u00e7\u00f5es imperialistas que mais permitiu especula\u00e7\u00e3o financeira e policiamento repressivo das popula\u00e7\u00f5es no s\u00e9culo XX\u201d.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>No come\u00e7o do s\u00e9culo XX, os revolucion\u00e1rios russos vivenciaram a Lei Seca decretada pelo czar, em 31 de julho de 1914. O decreto baniu a cria\u00e7\u00e3o e a venda de \u00e1lcool na R\u00fassia, originalmente devido \u00e0 entrada na Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, o direito de banir o \u00e1lcool foi entregue pelo governo central \u00e0s autoridades locais, fazendo com que, em algumas cidades, fosse permitida a venda de vinho e cerveja, embora a de vodca tenha permanecido banida. Depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, o banimento de \u00e1lcool permaneceu em vigor, sendo a proibi\u00e7\u00e3o abolida em 1925. Posteriormente, em maio de 1935, foi emitido um novo decreto, com o t\u00edtulo \u201cSobre a intensifica\u00e7\u00e3o da luta contra embriaguez e alcoolismo e a erradica\u00e7\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o de vodca artesanal\u201d, que daria in\u00edcio a uma ampla campanha antialco\u00f3lica.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o cen\u00e1rio em que Trotsky discutiu a quest\u00e3o do alcoolismo, ainda no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1920. Segundo Trotsky, somente depois da conquista do poder pelos trabalhadores \u201cque a luta do governo contra o alcoolismo, luta ao mesmo tempo cultural, educativa e coerciva, adquire toda a significa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d.<sup>10<\/sup> Para Trotsky, o fato de a interdi\u00e7\u00e3o da venda ter sido justificada pela guerra imperialista n\u00e3o \u201cmodifica o fato fundamental de que a liquida\u00e7\u00e3o do alcoolismo vem acrescentar-se ao invent\u00e1rio das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>11<\/sup> Trotsky aponta como tarefas \u201cdesenvolver, refor\u00e7ar, organizar, conduzir com \u00eaxito uma pol\u00edtica antialco\u00f3lica no pa\u00eds do trabalho renascente\u201d.<sup>12<\/sup><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930, o militante comunista italiano Antonio Gramsci discutiu a quest\u00e3o das drogas a partir de outra perspectiva. Em sua an\u00e1lise do fordismo, aponta a exig\u00eancia feita pela vida industrial de que o trabalhador apresente determinadas caracter\u00edsticas psicof\u00edsicas, adaptadas a condi\u00e7\u00f5es de trabalho espec\u00edficas, referentes a condi\u00e7\u00f5es de \u201cnutri\u00e7\u00e3o, de habita\u00e7\u00e3o, de costumes etc.\u201d.<sup>13<\/sup> Um dos aspectos desse processo analisado por Gramsci est\u00e1 intrinsecamente ligado ao proibicionismo, cujo objetivo passa por controlar a vida \u00edntima dos oper\u00e1rios e impor certa moralidade enquanto necessidades do m\u00e9todo racionalizado da produ\u00e7\u00e3o e do trabalho. Para tanto, por um lado, seria necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cnova \u00e9tica sexual\u201d, impondo uma \u201cr\u00edgida disciplina dos instintos sexuais\u201d pela regulamenta\u00e7\u00e3o e estabilidade das rela\u00e7\u00f5es sociais por meio do fortalecimento da fam\u00edlia.<sup>14<\/sup> Por outro lado, entrou em pauta o combate contra o uso do \u00e1lcool, que passou a ser entendido pelos capitalistas como \u201co mais perigoso agente de destrui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de trabalho\u201d.<sup>15<\/sup> Nesse sentido, na interpreta\u00e7\u00e3o acerca do fordismo feita por Gramsci, a racionaliza\u00e7\u00e3o e o proibicionismo teriam por objetivo \u201cmanter a continuidade de efici\u00eancia f\u00edsica do trabalhador, de sua efici\u00eancia muscular-nervosa\u201d.<sup>16<\/sup><\/p>\n<p>Contudo, deve-se destacar que essas percep\u00e7\u00f5es acerca do problema das drogas, em sua manifesta\u00e7\u00e3o concreta no debate do \u00e1lcool, s\u00e3o express\u00e3o de momentos bastante distintos. Marx, discutindo um caso bem espec\u00edfico, procurou mostrar a rela\u00e7\u00e3o entre drogas e a expans\u00e3o colonial em torno da \u00c1sia. Engels, por sua vez, analisou a degrada\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria diante da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Para Trotsky, que defendia a proibi\u00e7\u00e3o no seu contexto espec\u00edfico, estava em jogo a concretiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que pudessem levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Desse modo, o governo sovi\u00e9tico acabou elegendo o \u00e1lcool como um inimigo a ser combatido, na medida em que poderia afetar a vida dos trabalhadores. Gramsci, por sua vez, denunciava a postura dos capitalistas no sentido de obter uma maior produtividade na explora\u00e7\u00e3o do trabalho, mostrando de que forma a burguesia acaba por utilizar o proibicionismo para ter trabalhadores que alcancem o m\u00e1ximo de desempenho psicof\u00edsico nas atividades laborais.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o existe entre autores cl\u00e1ssicos do marxismo uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica acerca da quest\u00e3o das drogas, mas respostas pontuais a problemas que se colocaram em suas elabora\u00e7\u00f5es. Contudo, parece haver um relativo consenso sobre o papel delet\u00e9rio que podem ter as drogas sobre a classe trabalhadora, ainda que isso n\u00e3o signifique que defendam em qualquer situa\u00e7\u00e3o uma pol\u00edtica de proibi\u00e7\u00e3o por parte do Estado.<\/p>\n<p>O marxismo n\u00e3o pode fechar uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em torno dessa quest\u00e3o, mas ser utilizado como m\u00e9todo para analisar as contradi\u00e7\u00f5es que permeiam a sociedade e os impactos do capitalismo sobre esse processo. Nas posi\u00e7\u00f5es desenvolvidas atualmente em torno do tema, inclusive entre os setores que se reivindicam marxistas, est\u00e3o presentes muitos elementos subjetivos ou mesmo morais que se sobrep\u00f5em \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o da realidade. O fen\u00f4meno, com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode ser resumido a uma disputa entre favor\u00e1vel e contr\u00e1rio, mas entendido em sua complexidade e as pol\u00edticas p\u00fablicas a ele relacionadas devem ser pensadas a partir da sua historicidade e de suas determina\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 82.<\/p>\n<p>2 MARX, Karl. El comercio del opio. In. MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Acerca del colonialismo. Moscou: Progresso,1981, p. 107-8.<\/p>\n<p>3 MARX, Karl. El comercio del opio. In. MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Acerca del colonialismo. Moscou: Progresso,1981, p 108.<\/p>\n<p>4 MATSAS, Katerina. La dial\u00e9ctica de la dependencia y la libertad. Em Defensa del Marxismo, n\u00ba 24, 1999, p. 11.<\/p>\n<p>5 ENGELS, Friedrich. A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008, p. 142.<\/p>\n<p>6 ENGELS, Friedrich. A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008, p. 142-3.<\/p>\n<p>7 MATSAS, Katerina. La dial\u00e9ctica de la dependencia y la libertad. Em Defensa del Marxismo, n\u00ba 24, 1999, p. 14.<\/p>\n<p>8 SILVA, Michel Goulart da. \u201cNotas sobre a sa\u00fade mental no capitalismo\u201d. Boletim de Conjuntura (BOCA), n\u00ba 37, 2023, p. 49.<\/p>\n<p>9 CARNEIRO, Henrique. As necessidades humanas e o proibicionismo das drogas no s\u00e9culo XX. Outubro, n. 6, p. 115-28, 2002, p. 128.<\/p>\n<p>10 TROTSKY, Leon. Quest\u00f5es do modo de vida. S\u00e3o Paulo: Sunderman, 2009, p. 34-5.<\/p>\n<p>11 TROTSKY, Leon. Quest\u00f5es do modo de vida. S\u00e3o Paulo: Sunderman, 2009, p. 45.<\/p>\n<p>12 TROTSKY, Leon. Quest\u00f5es do modo de vida. S\u00e3o Paulo: Sunderman, 2009, p. 45.<\/p>\n<p>13 GRAMSCI, Antonio. Cadernos do c\u00e1rcere. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2001, vol. 4, p. 251.<\/p>\n<p>14 GRAMSCI, Antonio. Cadernos do c\u00e1rcere. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2001, vol. 4, p. 269.<\/p>\n<p>15 GRAMSCI, Antonio. Cadernos do c\u00e1rcere. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2001, vol. 4, p. 267.<\/p>\n<p>16 GRAMSCI, Antonio. Cadernos do c\u00e1rcere. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2001, vol. 4, p. 266.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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E Trotsky acreditava na pol\u00edtica antialco\u00f3lica como  necess\u00e1ria para a revolu\u00e7\u00e3o\u2026 <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/o-que-alguns-marxistas-nos-dizem-sobre-as-drogas\/\">O que alguns marxistas nos dizem sobre as drogas?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44350,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13810,13811,13812,13813,5488,13814,13815],"tags":[],"class_list":["post-44349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-a-situacao-da-classe-trabalhadora-da-inglaterra","category-alcoolismo","category-antonio-gramsci","category-controle-psicofisico","category-historia-e-memoria","category-marxismo-e-drogas","category-politica-antialcool"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44349\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}