{"id":45619,"date":"2025-08-18T16:50:46","date_gmt":"2025-08-18T19:50:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/as-fissuras-na-fortaleza-do-ocidente\/"},"modified":"2025-08-18T16:50:46","modified_gmt":"2025-08-18T19:50:46","slug":"as-fissuras-na-fortaleza-do-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/as-fissuras-na-fortaleza-do-ocidente\/","title":{"rendered":"As fissuras na fortaleza do Ocidente"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"575\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1745649449519.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1745649449519.jpeg 800w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1745649449519-300x216.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1745649449519-768x552.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Foto: Dado Ruvic\/Reuters <\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No site <u>Euronomade<\/u> e traduzido para o portugu\u00eas pelo\u00a0<u>Le Monde Diplomatique Brasil,<\/u> foi publicado um artigo importante, elaborado por Sandro Mezzadra e Sandro Chignola. O texto fala-nos duma mudan\u00e7a que imp\u00f5e uma nova leitura da fase atual na hist\u00f3ria do capitalismo.<\/p>\n<p>Os dois autores avan\u00e7am com a tese de que as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas j\u00e1 n\u00e3o nos permitem reconhecer no termo neoliberalismo o significante que descreve as tend\u00eancias e as tens\u00f5es que atravessam o \u201csistema-mundo\u201d. Muitos s\u00e3o os componentes que, na sua an\u00e1lise, revelam um afastamento dos princ\u00edpios que fundaram o pensamento dos te\u00f3ricos do neoliberalismo entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, bem como das pol\u00edticas que se desdobraram nas duas margens do Atl\u00e2ntico nos anos 70 e 80.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, e para n\u00e3o jogar fora o beb\u00ea com a \u00e1gua suja, os autores afirmam a perman\u00eancia de elementos que constituem, desde o in\u00edcio, uns dos alicerces do neoliberalismo. \u00c9 o caso da relev\u00e2ncia do \u201ccapital humano\u201d, descrita de forma incompar\u00e1vel por Foucault em <em>Nascimento da Biopol\u00edtica<\/em>. Esse componente, para Mezzadra e Chignola, continua ao cerne dos sistemas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social dos vivos em muitas partes do mundo, \u201capoiando a difus\u00e3o da forma empresarial nas rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d. Da mesma forma \u2014 real\u00e7am os autores \u2014 \u201cas pol\u00edticas urbanas e as pol\u00edticas educacionais\u201d desenvolvidas pelo neoliberalismo continuam a representar o padr\u00e3o de refer\u00eancia em muitas regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/MATERIA-3-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/MATERIA-3-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-3-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Tomando os \u201cregimes de guerra\u201d como eixo do processo de valoriza\u00e7\u00e3o do capital, no qual as inova\u00e7\u00f5es infraestruturais e tecnol\u00f3gicas ligadas \u00e0s plataformas e \u00e0 IA tornam-se centrais, os pontos salientados em apoio \u00e0quela tese s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO rearranjo contradit\u00f3rio e violento de poderes e processos de valoriza\u00e7\u00e3o\u201d, que h\u00e1 no uso de tarifas aduaneiras promulgadas por Trump o elemento mais claro;<\/li>\n<li>\u201cO entrela\u00e7amento sem precedentes de poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos em estruturas de comando olig\u00e1rquicas\u201d, favorecido pelo desenvolvimento de \u201cgrandes plataformas de infraestruturas\u201d;<\/li>\n<li>\u201cAs tens\u00f5es que atravessam o sistema monet\u00e1rio e, em particular, \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar como moeda de reserva e meio de pagamento no com\u00e9rcio internacional\u201d. Uma posi\u00e7\u00e3o questionada pelo surgimento de tend\u00eancias ao desprendimento do d\u00f3lar e dos seus sistemas de governo dos tr\u00e1fegos comerciais globais por parte de alguns pa\u00edses n\u00e3o ocidentais, como no caso dos BRICS+.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os tr\u00eas pontos p\u00f5em quest\u00f5es importantes, que levam os autores a reiterar um conceito j\u00e1 apresentado em outras circunst\u00e2ncias, e n\u00e3o apenas por eles. A crise \u2014 financeira, b\u00e9lica, ambiental, sanit\u00e1ria, entre outras \u2014 como elemento permanente da fase atual do capitalismo. A crise n\u00e3o \u00e9 entendida como estado de exce\u00e7\u00e3o, mas, sim, como normalidade e, neste sentido, como \u00e2mbito de evid\u00eancia dos elementos que marcam uma ruptura com o passado.<\/p>\n<p>Tendo em conta as quest\u00f5es levantadas e o seu entrela\u00e7amento com a natureza e fun\u00e7\u00e3o da crise, a quest\u00e3o que se pretende discutir nestas notas \u00e9, principalmente, mas n\u00e3o unicamente, a seguinte:<\/p>\n<p>Que declina\u00e7\u00f5es assume a crise, quando observada a partir daquela parte do mundo que habitualmente chamamos de \u201cSul global\u201d, mas que, para ser mais abrangente, se poderia designar como \u201cn\u00e3o-ocidental\u201d?<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata duma pergunta para a qual j\u00e1 se tenha uma resposta, pelo contr\u00e1rio. O que segue, portanto, s\u00e3o apenas reflex\u00f5es dispersas acerca de alguns elementos que parecem ter uma certa relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Para adquirir a postura epistemol\u00f3gica que permite ler a crise no seu ser imanente, \u00e9 necess\u00e1rio p\u00f4r ao centro da nossa aten\u00e7\u00e3o as \u201cpr\u00e1ticas\u201d que conduzem \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da crise e \u00e0s formas de lhe fazer face, conforme as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada contexto. Isto significa colocar de lado as teoriza\u00e7\u00f5es ocidentais \u2014 fazer como se n\u00e3o existissem \u2014 e deixar emergir o que poderia parecer novo, inusitado, desconcertantes.<\/p>\n<p>Num <u>artigo<\/u> no Di\u00e1rio de Not\u00edcias em mar\u00e7o de 2023 \u2014 um dos \u00faltimos antes de, justamente, cair em desgra\u00e7a devido a acusa\u00e7\u00f5es graves relativas ao seu comportamento para com as estudantes \u2014 o estudioso Boaventura de Sousa Santos falava do isolamento do Ocidente em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo. Segundo um estudo levado a cabo por um instituto da Universidade de Cambridge, a maioria esmagadora da popula\u00e7\u00e3o mundial \u2014 numa propor\u00e7\u00e3o de seis para um \u2014 avaliava negativamente a atua\u00e7\u00e3o do Ocidente, em particular dos EUA, no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com a China e outros pa\u00edses n\u00e3o-ocidentais, bem como ao apoio prestado \u00e0 Ucr\u00e2nia, ap\u00f3s a invas\u00e3o da R\u00fassia.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Na formula\u00e7\u00e3o deste ju\u00edzo, desempenha um papel importante o fato de a maioria dos pa\u00edses interessados pela pesquisa ter sido colonizados durante s\u00e9culos pelo Ocidente. Imaginemos at\u00e9 onde chegaria aquela propor\u00e7\u00e3o se o mesmo rastreio fosse realizado hoje, com um genoc\u00eddio em curso perpetuado \u2014 direta e indiretamente \u2014 pelo Ocidente e sob o fardo das tarifas aduaneiras impostas por Trump. Uma medida, essa \u00faltima, motivada pela defesa e recupera\u00e7\u00e3o do sistema produtivo dos EUA, e acompanhada por amea\u00e7as e chantagens pol\u00edticas dirigidas a alguns pa\u00edses, principalmente do Sul Global, como Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul. A\u00e7\u00f5es, essas, que querem impor as regras dum dom\u00ednio unilateral, anacr\u00f4nico e contestado de m\u00faltiplos lados, e recheado de fantasmas colonialistas.<\/p>\n<p>Se as coisas estiverem assim \u2014 e tudo indica que estejam mesmo \u2014 aquilo que, para o Ocidente, s\u00e3o crises espec\u00edficas \u2014 declinadas ora por um adjetivo, ora por outro \u2014 fora da\u00ed s\u00e3o lidas como express\u00f5es duma \u00fanica crise: a do padr\u00e3o ocidental de governo, de desenvolvimento, de conviv\u00eancia, de democracia, da \u00e9tica, da cultura. Em outras palavras, tudo o que, ap\u00f3s o fim formal do colonialismo, tornou-se ferramenta para gerar e refor\u00e7ar os sistemas de poder do neoliberalismo. A crise refere-se a uma ordem, cujas t\u00e9cnicas \u2014 pol\u00edticas, log\u00edsticas, b\u00e9licas, culturais \u2014 deixam o lugar a outras estrat\u00e9gias num cen\u00e1rio diferente.<\/p>\n<p>Neste novo cen\u00e1rio surgem tend\u00eancias e \u201cresist\u00eancias\u201d expressas em propostas e objetivos que, para o Ocidente, n\u00e3o passam de amea\u00e7as \u00e0 sua autoproclamada posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica na ordem global.<\/p>\n<p>S\u00e3o propostas que \u2014 na Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica \u2014 questionam sistemas monet\u00e1rios, aproveitamento dos recursos naturais, parcerias internacionais, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, regras comerciais.<\/p>\n<p>Para tentar compreender o que isso significa, escolheu-se como ponto de observa\u00e7\u00e3o a c\u00fapula dos BRICS+, ocorrida em Rio de Janeiro entre os dias 6 e 7 de julho deste ano.<\/p>\n<p>O 2025 \u00e9, de fato, o ano da presid\u00eancia do Brasil no BRICS+. As contradi\u00e7\u00f5es que atravessam o grupo (dez pa\u00edses hoje, com outros dez tendo apresentado pedido de ades\u00e3o) levaram ao adiamento da primeira c\u00fapula do grupo para julho. Isto significa que a presid\u00eancia brasileira, em vez de atuar durante 12 meses, ter\u00e1 apenas o segundo semestre do ano para desenvolver o seu trabalho e apresentar propostas.<\/p>\n<p>Trata-se dum acontecimento bastante importante, tanto pelos pontos que foram discutidos, quanto \u2014 ou sobretudo \u2014 pelo momento em que ocorreu: seis meses de presid\u00eancia Trump nos EUA, conotados por rumos alarmantes e duas guerras globais cujo fim ainda n\u00e3o se vislumbra.<\/p>\n<p>Houve um grande eco desta c\u00fapula no Brasil: uma das revistas que mais lhe deu espa\u00e7o \u00e9 <em>Outras Palavras<\/em>, onde se podem encontrar muitos artigos e um dossi\u00ea completo sobre os BRICS+, editado pela Rebrip (Rede Brasileira pela Integra\u00e7\u00e3o dos Povos) e titulado \u201c<em><u>BRICS+ e o futuro soberano do Sul Global<\/u><\/em>\u201d. \u00c9 mesmo a partir das contribui\u00e7\u00f5es contidas nesses trabalhos que se pretende reconstruir uma primeira \u2014 e provis\u00f3ria \u2014 resposta ao quesito formulado acima. Isso, por\u00e9m, tendo o cuidado de n\u00e3o interpretar aquelas contribui\u00e7\u00f5es, para n\u00e3o incorrer na tenta\u00e7\u00e3o de l\u00ea-las a partir duma perspectiva ocidental.<\/p>\n<p>Poderia ser \u00fatil tomar, como ponto de partida, as palavras que Graciela Rodriguez utilizou para encetar o seu artigo, <em>A crise do Ocidente e o desafio dos BRICS<\/em>, no <u>Outras Palavras<\/u>, que \u00e9 tamb\u00e9m o pref\u00e1cio do dito dossi\u00ea<em>.<\/em><\/p>\n<p>\u201cEm evento recente, no \u00e2mbito do G20 no Rio de Janeiro, o professor Ha-Joon Chang, autor do famoso livro <em>Chutando a escada<\/em>, comentou com surpresa que estava o tempo todo ouvindo os expositores e outras pessoas falando em crise; na crise civilizat\u00f3ria, econ\u00f4mica, clim\u00e1tica, alimentar, de sa\u00fade, e mais. \u2018Se voc\u00eas fossem ao Oriente e perguntassem \u00e0s pessoas sobre a crise, elas diriam: de que crise voc\u00ea est\u00e1 falando?\u2019\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com esta afirma\u00e7\u00e3o, nem compreender o que significa e as suas consequ\u00eancias. Surgem logo muitas d\u00favidas, sobretudo quanto ao nosso h\u00e1bito de ler tudo \u2014 e dificilmente poderia ser de outra forma \u2014 a partir da nossa posi\u00e7\u00e3o ocidental. \u201cPosi\u00e7\u00e3o ocidental\u201d n\u00e3o significa <em>filo-ocidental<\/em>, assim como pertencer \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 n\u00e3o implica abra\u00e7ar os seus valores. \u00c9 um dado de fato, mesmo que sejamos totalmente antagonistas ao modelo dominante no Ocidente. O nosso antagonismo \u00e9 tamb\u00e9m \u201cocidental\u201d: ele \u201cfala-nos\u201d enquanto ocidentais.<\/p>\n<p>O professor Chang \u2014 e Rodriguez tamb\u00e9m \u2014 parece defender uma evid\u00eancia que n\u00e3o deveria surpreender. A crise, como qualquer outro conceito, baseia-se numa estrutura epistemol\u00f3gica contextualizada. Assim como desenvolvimento, fracasso, obscenidade, pot\u00eancia, pervers\u00e3o, etc., a conceitualiza\u00e7\u00e3o de crise nasce num \u00e2mbito hist\u00f3rico e cultural que, neste caso, toma as fei\u00e7\u00f5es do Ocidente. Trata-se da crise no e do pr\u00f3prio Ocidente. A transposi\u00e7\u00e3o para outros contextos faz com que o nome crise tome um significado \u2014 ap\u00f3s o processo de descodifica\u00e7\u00e3o e recodifica\u00e7\u00e3o \u2014 que poderia tornar irreconhec\u00edvel, ou inaceit\u00e1vel, a sua conceptualiza\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impede que a palavra <em>crise<\/em> seja ami\u00fade utilizada nas contribui\u00e7\u00f5es contidas no dossi\u00ea e nos artigos que tratam da c\u00fapula no Rio para descrever o estado geral das rela\u00e7\u00f5es entre entidades de diferentes n\u00edveis. O que est\u00e1 em discuss\u00e3o \u00e9 a leitura das causas e consequ\u00eancias da crise, assim como os des\u00edgnios em que aqueles pa\u00edses pretendem focar-se para se posicionarestrategicamente no enredo global.<\/p>\n<p>Seria demasiado complicado \u2014 e talvez um pouco atrevido \u2014 resumir as an\u00e1lises setoriais desenvolvidas pelos autores dos textos sobre os t\u00f3picos que a c\u00fapula salientou e como essas an\u00e1lises se articulam com a crise. Mas, n\u00e3o querendo abdicar do objetivo dessas notas, tentemos uma abordagem mais simples.<\/p>\n<p>Antes disso, por\u00e9m, importa reiterar que n\u00e3o se pretende tomar uma posi\u00e7\u00e3o sobre o operado e as estrat\u00e9gias dos BRICS+. O que interessa \u00e9 apenas salientar, <em>sine ira et studio<\/em>, aqueles temas e medidas que t\u00eam um impacto mais acentuado sobre as tens\u00f5es que atravessam o globo e sobre as linhas de comando que a\u00ed se desdobam.<\/p>\n<p>Vale a pena fazer um breve balan\u00e7o dos termos que recorrem com mais frequ\u00eancia nas interven\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 c\u00fapula do Rio.<\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, multilateralismo e reforma das institui\u00e7\u00f5es locais, governa\u00e7\u00e3o global e fun\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es supranacionais (com destaque para ONU, OMC, OMS, IMF), soceidade civil e autonomia cultural, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para nova vaga de pol\u00edticas industriais, Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Arranjo Contingente de Reservas (ACR), soberania econ\u00f4mica e digital, pol\u00edtica e energ\u00e9tica, sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Susana Van der Ploeg e Rajnia de Vito Nunes Rodrigues, ao introduzir o seu trabalho \u201c<em>BRICS e a crise global da Sa\u00fade<\/em>\u201d contido no <u>dossi\u00ea da Rebrip<\/u>, escrevem assim:<\/p>\n<p>\u201cO BRICS tem a oportunidade de projetar uma nova ordem global com base na soberania, solidariedade e justi\u00e7a. Ao priorizar a coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses em desenvolvimento, o BRICS pode libertar-se do legado de depend\u00eancia e oferecer um modelo de desenvolvimento orientado pelo interesse p\u00fablico, e n\u00e3o pelos ditames do mercado, promovendo a autossufici\u00eancia econ\u00f4mica, o com\u00e9rcio mais justo e o progresso tecnol\u00f3gico compartilhado\u201d.<\/p>\n<p>Parece-nos que neste trecho cabem todos os temas acima listados. O destaque vai, inevitavelmente, para a <em>soberania<\/em>.<\/p>\n<p>A soberania, sempre que foi reivindicada pelos pa\u00edses do Sul Global nos anos 70, foi declarada inimiga do modelo de desenvolvimento neoliberal pelos seus te\u00f3ricos \u2014 como recordam Mezzadra e Chignola. A partir do fim do s\u00e9culo passado, por\u00e9m, a soberania tornou-se o estandarde das pol\u00edticas conservadoras no Ocidente, tendo como alvo as consequ\u00eancias ruins da globaliza\u00e7\u00e3o. No mesmo tempo, e de forma especular, foi associada \u2014 e por isso contrastada \u2014 pelas esquerdas ocidentais ao nacionalismo, ao racismo, \u00e0 xenofobia, \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias e partid\u00e1rias, que veem nos migrantes a amea\u00e7a principal aos \u201cvalores ocidentais\u201d.<\/p>\n<p>Bem diferente \u00e9 a m\u00fasica entoada pela soberania no Sul Global, ou no mundo n\u00e3o-ocidental, j\u00e1 a partir das lutas anticolonialistas e, com v\u00e1rias tonalidades, no per\u00edodo sucessivo \u00e0 Independ\u00eancia, at\u00e9 hoje. As refer\u00eancias \u00e0 p\u00e1tria, ao direito de escolher o pr\u00f3prio caminho pol\u00edtico, social e econ\u00f4mico, \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes culturais antecedentes ao colonialismo, entrecruzam a maioria dos pa\u00edses \u201ctricontinentais\u201d, com formas e objetivos diferentes.<\/p>\n<p>Dito de outra forma, a soberania \u2014 assim como \u201ccrise\u201d e os outros substantivos mencionados acima \u2014 \u00e9 o produto sem\u00e2ntico duma conceitualiza\u00e7\u00e3o enraizada em contextos geopol\u00edticos e hist\u00f3ricos definidos. N\u00e3o deveria surpreender, ent\u00e3o, que, nos textos que relatam sobre a c\u00fapula dos BRICS+ em Rio, vem associada \u00e0 solidariedade e \u00e0 justi\u00e7a, assim como \u00e0 autonomia cultural. Mas, sobretudo, a soberania \u00e9 apresentada como a condi\u00e7\u00e3o para um desenvolvimento econ\u00f4mico e energ\u00e9tico localmente definido e levado \u00e0 frente com os parceiros escolhidos, sem condicionamentos \u2014 amea\u00e7as e chantagens \u2014 ocidentais. Em s\u00edntese, os pa\u00edses que se referem aos BRICS+, e muitos outros do Sul, concebem a soberania como a <em>condi\u00e7\u00e3o de possibilidade<\/em> para alinhar autonomamente valores \u00e9ticos e objetivos econ\u00f4micos e financeiros.<\/p>\n<p>Marcelo Leal, no seu artigo <em><u>\u00c1frica: os pa\u00edses rebeldes j\u00e1 t\u00eam apoio dos Brics<\/u><\/em>, apresenta uma situa\u00e7\u00e3o pouco conhecida. Tr\u00eas pa\u00edses do Sahel, nomeadamente Burkina Faso, N\u00edger e Mali, escolheram um caminho pr\u00f3prio para tomar posi\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio internacional que os v\u00ea, por m\u00faltiplas raz\u00f5es, numa posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Desprenderam-se dos la\u00e7os \u2014 econ\u00f4micos, militares, monet\u00e1rios \u2014 que os uniam \u00e0 Fran\u00e7a como legado da altura colonial e criaram uma estrutura regional \u2014 a AES (Alian\u00e7a dos Estados do Sahel) \u2014 para enfrentarem os in\u00fameros problemas que afetam a regi\u00e3o. Os BRICS j\u00e1 ofereceram apoio \u00e0 nova estrutura, que est\u00e1 encontrando o interesse de outros pa\u00edses da \u00e1rea e, claro, das pot\u00eancias que j\u00e1 est\u00e3o presentes na \u00c1frica Central. Trata-se da R\u00fassia, com o envio da pr\u00f3pria mil\u00edcia ultra especializada \u2014 a \u00c1frica Corps, ex-Grupo Wagner \u2014, e da China, com uma potencialidade de investimentos econ\u00f4micos incontorn\u00e1veis. O pol\u00edcia mau e o pol\u00edcia bom.<\/p>\n<p>O que esta situa\u00e7\u00e3o nos mostra \u00e9 um dado bastante claro. Um crescente n\u00famero de pa\u00edses do Sul Global j\u00e1 n\u00e3o quer mais ver as caras branquelas dos europeus que os esfomearam e espoliaram ao longo dos \u00faltimos cinco s\u00e9culos e viraram os seus olhos noutra dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no caso dos tr\u00eas pa\u00edses africanos, o tema central continua a ser a procura de soberania nas escolhas que lhes interessam sob m\u00faltiplos aspectos. Para onde isso poder\u00e1 levar, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil prever.<\/p>\n<p>A crise est\u00e1 localizada no Ocidente: \u00e9 uma crise do comando capitalista sobre o mundo tal como se configurou desde o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ainda que as bases dessa ordem tenham sido estabelecidas, claramente, h\u00e1 s\u00e9culos com a imposi\u00e7\u00e3o do colonialismo europeu sobre o Sul do planeta. Em coer\u00eancia com essa hist\u00f3ria, o Ocidente equipa-se hoje com pol\u00edticas anti-imigra\u00e7\u00e3o que visam reduzir os direitos da for\u00e7a de trabalho que, por necessidade, os Estados Unidos e a Europa ter\u00e3o de importar de \u00c1frica, da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1sia. A ideia do Ocidente como uma fortaleza sitiada atravessa o hemisf\u00e9rio Norte, desde a fronteira entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico at\u00e9 o Donbass, onde, h\u00e1 tr\u00eas anos, decorre a guerra entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Os acontecimentos dos \u00faltimos seis meses indicam, no entanto, tamb\u00e9m um reajuste interno do poder no Ocidente. A golpes de tarifas alfandeg\u00e1rias, barreiras comerciais e amea\u00e7as de san\u00e7\u00f5es, os Estados Unidos do segundo mandato de Trump procuram descarregar pelo menos parte dos seus enormes problemas \u2014 desde uma d\u00edvida federal insustent\u00e1vel at\u00e9 \u00e0 perda do primado em todos os setores produtivos, com exce\u00e7\u00e3o do da tecnologia digital \u2014 sobre os seus d\u00f3ceis parceiros europeus. Problemas agravados pela crescente presen\u00e7a dos BRICS que, pelo simples fato de existirem e de reivindicarem o seu n\u00e3o alinhamento com o Ocidente, colocam a lideran\u00e7a americana perante uma crise de legitimidade at\u00e9 agora desconhecida. Basta, de fato, dizer que chegou o momento de se encontrar uma alternativa ao d\u00f3lar como moeda internacional para se expor ao mundo a fragilidade da divisa americana e do comando exercido pelos Estados Unidos sobre a economia e a pol\u00edtica mundiais.<\/p>\n<p>O Sul \u00e9 a zona do planeta onde existem outros pontos de vista e, potencialmente, outras abordagens \u00e0 situa\u00e7\u00e3o presente. N\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es de pouca import\u00e2ncia, por exemplo, nem a acusa\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddio apresentada pela \u00c1frica do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, nem a tranquila resist\u00eancia de Lula perante as amea\u00e7as de Trump. Mas o Sul global \u00e9 algo demasiado vasto para ser reduzido a dois pa\u00edses ou mesmo aos dez que integram o grupo BRICS (mais outros dez candidatos). \u00c9 necess\u00e1ria uma investiga\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel das situa\u00e7\u00f5es locais, uma pesquisa para identificar subjetividades n\u00e3o ocidentais ou antiocidentais. Subjetividades, claro est\u00e1, capazes de se expressar nos territ\u00f3rios, na esteira do que aprendemos, durante anos, no Rojava e nas comunidades zapatistas.<\/p>\n<p>Subjetividades que podem emergir no que, h\u00e1 treze anos, Robert J.C Young designou como \u201cquarto mundo\u201d. Trata-se dum espa\u00e7o n\u00e3o linear, nem circunscrito a uma \u00e1rea espec\u00edfica do globo. Atravessando todos os continentes, o quarto mundo \u00e9 habitado pelos \u201coutros\u201d, os invis\u00edveis, cuja \u201calteridade\u201d constitui tamb\u00e9m o alicerce do nosso \u201ceu\u201d, ocidental, branco, heterossexual e cada vez mais envelhecido.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem estruturas supranacionais que possam representar esse mundo e a conflitualidade que potencialmente exprime \u2014 nem sequer as que surgem no Sul Global. As lutas nos setores da log\u00edstica nos ensinam que as \u201ccadeias de abastecimento\u201d \u2014 seja qual for a sua natureza \u2014 s\u00e3o vulner\u00e1veis e podem ser atacadas em m\u00faltiplos lugares.<\/p>\n<p>Essa, talvez, seja a \u00fanica certeza que temos.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. 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Mas algo \u00e9 certo: \u00e0s crises permanentes no Norte, correspondem novos rearranjos pol\u00edticos, a partir do Sul Global. Os Brics s\u00e3o p\u00e1gina central desta transforma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/as-fissuras-na-fortaleza-do-ocidente\/\">As fissuras na fortaleza do Ocidente<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45620,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1140,2687,14965,14966,1102,14967,14968,14969,3132],"tags":[],"class_list":["post-45619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brics","category-crise-civilizatoria","category-crise-do-neoliberalismo","category-crises-permanentes","category-desdolarizacao","category-dominio-ocidental","category-sandro-chignola","category-sandro-mezzadra","category-soberania-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}