{"id":45712,"date":"2025-08-19T10:44:47","date_gmt":"2025-08-19T13:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/um-ano-apos-enchentes-devastadoras-agricultores-gauchos-vivem-com-dividas-e-medo\/"},"modified":"2025-08-19T10:44:47","modified_gmt":"2025-08-19T13:44:47","slug":"um-ano-apos-enchentes-devastadoras-agricultores-gauchos-vivem-com-dividas-e-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-ano-apos-enchentes-devastadoras-agricultores-gauchos-vivem-com-dividas-e-medo\/","title":{"rendered":"Um ano ap\u00f3s enchentes devastadoras, agricultores ga\u00fachos vivem com d\u00edvidas e medo"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-20.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-20-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-20-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-20-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-20.jpg 1400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Mauro Vieira Marques no munic\u00edpio ga\u00facho de Encantado em maio de 2024. Agricultor aguardou um ano para que a prefeitura removesse os entulhos de sua propriedade e nivelasse o terreno danificado pela enchente. Foto: Anna Ortega \/ Dialogue Earth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por S\u00edlvia Lisboa<br \/>Do Dialogue Earth<\/em><\/p>\n<p>Um galp\u00e3o com o teto desabado, que antes abrigava 500 su\u00ednos de corte, n\u00e3o deixa o criador Gustavo Lorenzon se esquecer da enchente catastr\u00f3fica de maio de 2024, no Rio Grande do Sul, estado do extremo sul do Brasil. Um ano depois, ele ainda n\u00e3o tem recursos para consert\u00e1-lo, mesmo que isso represente uma redu\u00e7\u00e3o de 30% em seu faturamento anual. \u201cUma reforma ia custar caro e achamos prudente aguardar. N\u00e3o \u00e9 hora de fazer mais uma d\u00edvida\u201d, disse Lorenzon ao\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>\u00a0em abril.\u00a0<\/p>\n<p>Terceira gera\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de suinocultores, Lorenzon disse que, em 2022, investiu R$ 1,3 milh\u00e3o para modernizar seus pavilh\u00f5es. O cr\u00e9dito rural do governo previa dois anos de car\u00eancia, que ele come\u00e7ou a pagar em 2024. Por\u00e9m, as cheias daquele ano derrubaram drasticamente sua produ\u00e7\u00e3o, for\u00e7ando-o a apertar o or\u00e7amento familiar. \u201cTiramos do nosso pr\u00f3prio sal\u00e1rio para honrar a parcela de R$ 210 mil anual\u201d, explicou Lorenzon.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/LyHVHKHzm67CwpvcWPKPwTm\/\">chuvas torrenciais<\/a>\u00a0provocaram a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/LyHVHKHzm67CwpvcWPKPwTm\/\">pior trag\u00e9dia clim\u00e1tica da hist\u00f3ria do estado<\/a>. O Vale do Taquari, onde fica a granja dos Lorenzon, foi uma das regi\u00f5es mais afetadas pelo transbordamento do rio hom\u00f4nimo e seus afluentes e por deslizamentos de encostas.\u00a0<\/p>\n<p>O desastre, provocado pelo fen\u00f4meno El Ni\u00f1o e\u00a0<a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2024\/05\/1831311#:~:text=O%20per%C3%ADodo%20entre%20o%20final,o%20Rio%20Grande%20do%20Sul.\">agravado<\/a>\u00a0pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, arrasou a agropecu\u00e1ria ga\u00facha. Dados da Emater, a ag\u00eancia federal de assist\u00eancia t\u00e9cnica rural, mostram que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.emater.tche.br\/site\/arquivos_pdf\/safra\/safraTabela_04062024.pdf\">206 mil propriedades<\/a>\u00a0perderam lavouras, animais e instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2024, a equipe do\u00a0<em>Dialogue Earth\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/clima\/secas-cheias-produtores-gauchos-crise-climatica\/\">percorreu<\/a>\u00a0as regi\u00f5es mais afetadas pelas chuvas \u2014 as plan\u00edcies dos vales do Taquari e Ca\u00ed e da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre \u2014 e se deparou com perdas devastadoras, hist\u00f3rias de resist\u00eancia e pedidos urgentes de apoio.\u00a0<\/p>\n<p>Ao retornar quase um ano depois, a equipe encontrou agricultores traumatizados, endividados e com medo de investir em sua produ\u00e7\u00e3o diante dos extremos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cFiquei limpando a casa, consertando as coisas, vendo como retomar a produ\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o queria parar para pensar no que havia ocorrido\u201d, narrou a agricultora Roselei dos Santos Porto, com um jeito s\u00f4frego como se estivesse revivendo o ocorrido.\u00a0<\/p>\n<p>Por 15 dias, a casa e a planta\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as da fam\u00edlia Porto permaneceram debaixo d\u2019\u00e1gua no assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no munic\u00edpio de\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2024\/05\/13\/sem-hospital-escola-ou-quartel-a-cidade-que-ficou-completamente-sob-a-agua-nas-enchentes-no-sul.ghtml\">Eldorado do Sul.<\/a><\/p>\n<p>A 150 quil\u00f4metros a norte dali, no munic\u00edpio de Encantado, o agricultor Mauro Vieira Marques e sua esposa, Ivete Justina, passaram um ano diante das \u00e1rvores tombadas e da terra revirada pela for\u00e7a da enchente em sua propriedade. Apenas em abril deste ano que a prefeitura enviou m\u00e1quinas para nivelar o terreno e remover os entulhos.\u00a0<\/p>\n<p>Agora, eles planejam replantar o pomar com laranjas-do-c\u00e9u, limas, mam\u00e3o e caqui. Depois da trag\u00e9dia, apenas uma bananeira sobreviveu.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-21.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-21-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-21-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-21-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-21-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-21.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Roselei dos Santos Porto em sua propriedade em Eldorado do Sul em maio de 2024. Menos de dois meses ap\u00f3s a enchente, o solo j\u00e1 estava pronto para o replantio. Foto: Anna Ortega \/ Dialogue Earth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-22.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-22-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-22-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-22-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-22-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-22.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Em Encantado, Marques e sua esposa j\u00e1 conseguiram produzir ab\u00f3boras, temperos, al\u00e9m de alguns p\u00e9s de milho e ainda pretendem replantar seu pomar. Foto: Anna Ortega \/ Dialogue Earth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A correnteza tamb\u00e9m destruiu as instala\u00e7\u00f5es onde o casal produzia queijos artesanais e ovos para vender na feira local. Elas n\u00e3o foram reconstru\u00eddas. \u201cS\u00f3 consegui plantar ab\u00f3boras, alguns temperos e uns p\u00e9s de milho para fazer farinha. Estamos voltando aos pouquinhos\u201d, disse Marques.\u00a0<\/p>\n<p>Para complementar a renda, Justina come\u00e7ou a trabalhar como cuidadora de idosos. O casal ainda mora na casa que foi inundada, restaurada com o apoio de doa\u00e7\u00f5es, mas aguarda apoio p\u00fablico para construir uma nova resid\u00eancia em uma colina.<\/p>\n<h2>Como tornar setor resiliente ao clima<\/h2>\n<p>Um ano ap\u00f3s as chuvas, a perplexidade persiste entre os moradores da regi\u00e3o e nubla o enorme desafio de tornar a agropecu\u00e1ria local resiliente aos extremos clim\u00e1ticos. Depois da enchente, o ano de 2025 trouxe outro desafio: o solo quebradi\u00e7o por falta de \u00e1gua. Sob efeito do fen\u00f4meno La Ni\u00f1a, a estiagem e as ondas de calor\u00a0<a href=\"https:\/\/casamilitar-rs.com.br\/estiagem-dados\/\">levaram<\/a>\u00a060% dos munic\u00edpios do Rio Grande do Sul a decretar situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>A altern\u00e2ncia entre estiagens e enchentes tornou-se parte da realidade do Rio Grande do Sul \u2014 um dos maiores produtores de\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202410\/rio-grande-do-sul-deve-ter-a-maior-producao-de-graos-da-sua-historia-estima-conab\">arroz<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/forbes.com.br\/forbesagro\/2025\/03\/safra-de-soja-do-rs-tem-corte-de-30\/#:~:text=A%20safra%20de%20soja%202024,em%20agosto%20do%20ano%20passado.\">soja<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/atlassocioeconomico.rs.gov.br\/suinos\">su\u00ednos<\/a>\u00a0do pa\u00eds \u2014 desde 2020. A Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul)\u00a0<a href=\"https:\/\/www.farsul.org.br\/destaque\/farsul-divulga-impacto-das-estiagens-na-economia,450797.jhtml\">estima<\/a>\u00a0que a agropecu\u00e1ria ga\u00facha tenha perdido mais de R$ 106 bilh\u00f5es com a seca entre 2020 e 2024.<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pelo\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>\u00a0concordam que esse debate ainda n\u00e3o foi levado suficientemente a s\u00e9rio pelo governo estadual. \u201cA partir de um certo momento, houve uma naturaliza\u00e7\u00e3o da hecatombe que sofremos\u201d, disse S\u00e9rgio Schneider, professor da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>Schneider apontou que a reabertura do aeroporto em 21 de outubro de 2024 \u2014 ap\u00f3s sete meses fechado por impactos das chuvas \u2014 trouxe a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo havia voltado ao normal, de que a enchente fora apenas um evento excepcional, e \u201cn\u00e3o parte do novo normal\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Diante da dimens\u00e3o da trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul, espera-se que o tema\u00a0<a href=\"https:\/\/cop30.br\/en\/news-about-cop30-amazonia\/floods-in-rio-grande-do-sul-exposed-the-climate-crisis?\">esteja na pauta da confer\u00eancia clim\u00e1tica COP30<\/a>, marcada para novembro em Bel\u00e9m do Par\u00e1. Segundo Schneider, o desastre pode servir de exemplo para compartilhar aprendizados e refor\u00e7ar a urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es que envolvam justi\u00e7a clim\u00e1tica, financiamento para perdas e danos e apoio a comunidades vulner\u00e1veis. Mas ele diz que o estado perdeu a chance de se tornar um exemplo de governan\u00e7a clim\u00e1tica na c\u00fapula da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-23.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-23-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-23-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-23-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-23-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-23.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Telhado destru\u00eddo pelas fortes chuvas no Vale do Taquari, uma das regi\u00f5es mais afetadas pelas enchentes de 2024. Desde ent\u00e3o, o estado do Rio Grande do Sul arrecadou bilh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de novas casas e infraestrutura. Foto: Anna Ortega \/ Dialogue Earth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cN\u00e3o aprendemos a li\u00e7\u00e3o\u201d, disse Schneider. \u201cPoder\u00edamos ter feito muito mais e melhor, como criar uma secretaria de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, que reunisse academia, governo e empresas para planejar pol\u00edticas p\u00fablicas, mas essas inst\u00e2ncias ainda n\u00e3o est\u00e3o alinhadas\u201d.<\/p>\n<p>Schneider compara a ina\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul \u00e0 das pr\u00f3prias COPs: h\u00e1 boa vontade e massa cr\u00edtica, mas o que prevalece \u00e9 a \u201cprocrastina\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cEstamos lidando com uma emerg\u00eancia de forma muito lenta\u201d, afirmou ele, que tamb\u00e9m \u00e9 consultor da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O governo ga\u00facho informou ao\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>\u00a0que at\u00e9 criou um comit\u00ea de cientistas para assessorar a Secretaria de Reconstru\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise de projetos de resili\u00eancia clim\u00e1tica \u2014 entre eles, uma proposta de gest\u00e3o h\u00eddrica para reduzir os impactos de secas e enchentes constantes. O projeto, no entanto, ainda est\u00e1 em fase de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, algo vital e estrat\u00e9gico para o pa\u00eds, \u00e9 essencial repensar o modelo agr\u00edcola para que o Brasil cumpra suas metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es: hoje, a agropecu\u00e1ria\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/producao-de-comida-responde-por-74-das-emissoes-do-brasil\/#:~:text=Um%20estudo%20in%C3%A9dito%20do%20Observat%C3%B3rio,lan%C3%A7adas%20pelo%20pa%C3%ADs%20na%20atmosfera.\">responde<\/a>\u00a0por quase 74% das emiss\u00f5es do pa\u00eds, principalmente devido \u00e0 convers\u00e3o do solo em monoculturas, segundo o Observat\u00f3rio do Clima.\u00a0<\/p>\n<p>O manejo inadequado reduz a capacidade do solo de reter carbono e transforma a terra em um agente da crise clim\u00e1tica. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/solo-perde-mais-carbono-virando-monocultura-do-que-pegando-fogo\/?utm_source=Matinal&amp;utm_campaign=121d188d00-EMAIL_CAMPAIGN_2025_03_24_08_21_COPY_01&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_-bccf8b544c-572337732\">estudo\u00a0<\/a>do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia mostra que solos cultivados por mais de uma d\u00e9cada com uma \u00fanica esp\u00e9cie perdem 38% de seus estoques de carbono \u2014 o dobro da perda sofrida pelos solos que enfrentam queimadas recorrentes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta termos plantas mais resistentes \u00e0 seca se n\u00e3o fizermos o manejo correto do solo\u201d, disse a agr\u00f4noma Francislene Angelotti, pesquisadora especializada em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa). Ela cita t\u00e9cnicas como a altern\u00e2ncia de culturas para preservar nutrientes, o plantio de diferentes esp\u00e9cies no mesmo espa\u00e7o, a cobertura do solo com restos de plantas para conservar a umidade e o cultivo sem arar a terra, para evitar a perda de nutrientes.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o Brasil j\u00e1 tem uma pol\u00edtica capaz de dar conta desse desafio, traduzida no<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/tema-agricultura-de-baixo-carbono\/sobre-o-tema#:~:text=O%20Plano%20ABC%20%C3%A9%20uma,e%20combate%20ao%20aquecimento%20global.\">\u00a0plano ABC<\/a>, sigla para Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono.\u00a0<\/p>\n<p>O governo estadual disse ao\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>\u00a0estar comprometido com o Plano ABC e tem equipado t\u00e9cnicos para medir as emiss\u00f5es das lavouras \u2013 e planejar a redu\u00e7\u00e3o. No entanto, o grave endividamento no campo ga\u00facho tem adiado essas a\u00e7\u00f5es de longo prazo.<\/p>\n<h2>\u2018O problema do campo \u00e9 financeiro\u2019<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a trag\u00e9dia de 2024, o Rio Grande do Sul angariou bilh\u00f5es para sua reconstru\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, o Congresso Nacional\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estado.rs.gov.br\/governo-federal-sanciona-lei-que-suspende-pagamento-da-divida-publica-do-estado-por-36-meses#:~:text=O%20governo%20federal%20sancionou%2C%20na,2024%20a%20abril%20de%202027.\">suspendeu<\/a>\u00a0por tr\u00eas anos a cobran\u00e7a de R$ 11,7 bilh\u00f5es em d\u00edvidas do estado com a Uni\u00e3o. A maior parte dos recursos at\u00e9 agora foi investida no apoio emergencial \u00e0s v\u00edtimas e na constru\u00e7\u00e3o de novas casas e obras de infraestrutura \u2014 dez pontes tombaram, mais de oito mil quil\u00f4metros de estradas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.daer.rs.gov.br\/um-ano-apos-enchente-estado-investe-mais-de-r-2-8-bilhoes-na-recuperacao-de-estradas-pontes-e-hidrovias#:~:text=Em%20maio%20de%202024%2C%20o,malha%20hidrovi%C3%A1ria%20tamb%C3%A9m%20foi%20comprometida.\">foram<\/a>\u00a0danificados, e houve preju\u00edzos \u00e0 malha hidrovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>O governo federal tamb\u00e9m depositou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.matinaljornalismo.com.br\/matinal\/reportagem-matinal\/com-65-bilhoes-de-reais-para-obras-de-protecao-contra-cheias-parados-governo-leite-nao-apresentou-projetos\/\">R$ 6,5 bilh\u00f5es<\/a>\u00a0para obras de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como a constru\u00e7\u00e3o de diques contra as cheias nas \u00e1reas mais vulner\u00e1veis. At\u00e9 o momento, o governo de Eduardo Leite\u00a0<a href=\"https:\/\/www.matinaljornalismo.com.br\/matinal\/reportagem-matinal\/dique-previsto-para-eldorado-do-sul-exclui-assentamento-do-mst-com-350-familias\/\">abriu a licita\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0do primeiro projeto para Eldorado. No entanto, os diques\u00a0<a href=\"https:\/\/www.matinaljornalismo.com.br\/matinal\/reportagem-matinal\/dique-previsto-para-eldorado-do-sul-exclui-assentamento-do-mst-com-350-familias\/\">n\u00e3o chegam at\u00e9 o bairro onde ficam os sete assentamentos<\/a>\u00a0do MST, e agricultores relatam viver com medo sempre que o n\u00edvel do rio sobe.<\/p>\n<p>\u201cCorremos n\u00e3o apenas o risco de perder nossa produ\u00e7\u00e3o, mas de perder nossa vida\u201d, disse Marcia Riva, produtora agroecol\u00f3gica de cogumelos shimeji e s\u00f3cia da agroind\u00fastria P\u00e3o na Terra, sediada no mesmo assentamento do MST da fam\u00edlia Porto.\u00a0<\/p>\n<p>Quando as \u00e1guas da enchente baixaram, restaram fendas nos morros, o solo rachado e agricultores endividados e sem saber como retomar a produ\u00e7\u00e3o. Com apoio dos irm\u00e3os e recursos arrecadados pelo pr\u00f3prio MST, Riva reconstruiu a cozinha industrial para fabricar p\u00e3es e bolos. A estufa de shimeji, no entanto, voltou menor.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho como investir mais\u201d, disse ela. \u201cN\u00e3o acessamos nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica porque ainda estamos em uma \u00e1rea que pode ser alagada novamente\u201d, disse, referindo-se \u00e0 precariedade na infraestrutura de prote\u00e7\u00e3o contra cheias que, um ano depois,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.matinaljornalismo.com.br\/matinal\/reportagem-matinal\/com-65-bilhoes-de-reais-para-obras-de-protecao-contra-cheias-parados-governo-leite-nao-apresentou-projetos\/\">pouco saiu do papel.<\/a><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-24.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-24-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-24-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-24-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-24-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-24.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Jovem carrega caixa com bananas em um assentamento do MST em Eldorado do Sul em maio de 2024. Muitos produtores ga\u00fachos enfrentaram dificuldades financeiras ap\u00f3s o desastre do ano passado, incluindo cerca de R$ 28 bilh\u00f5es em d\u00edvidas com vencimento em 2025. Foto: Anna Ortega \/ Dialogue Earth<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 2024, um comit\u00ea formado por minist\u00e9rios em Bras\u00edlia renegociou 140 mil contratos de cr\u00e9dito do Pronaf e do Pronamp \u2014 programas federais voltados \u00e0 agricultura familiar e a m\u00e9dios produtores \u2014 com descontos que chegaram a quase R$ 1 bilh\u00e3o. No entanto, os agricultores e os t\u00e9cnicos da Emater ouvidos pelo\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>\u00a0sustentam que a ajuda financeira continua aqu\u00e9m do necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O governo ga\u00facho estima que as d\u00edvidas dos produtores locais com vencimento em 2025\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/1151859-produtores-rurais-gauchos-apelam-a-deputados-para-resolver-crise-de-endividamento-apos-secas-e-enchentes\/#:~:text=Secret%C3%A1rio%20de%20Desenvolvimento%20Rural%20do,por%20meio%20do%20Plano%20Safra\">alcancem<\/a>\u00a0R$ 28 bilh\u00f5es. \u201cO maior problema do campo agora \u00e9 financeiro\u201d, disse M\u00e1rcio Madalena, secret\u00e1rio adjunto da Secretaria Estadual de Agricultura. \u201cA pr\u00f3xima safra [entre 2025-26] nos preocupa muito\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O governo do estado tamb\u00e9m sugeriu ao Minist\u00e9rio da Fazenda o\u00a0<a href=\"https:\/\/globorural.globo.com\/economia\/noticia\/2025\/03\/governo-do-rs-defende-uso-do-fundo-do-pre-sal-para-apoiar-agro-gaucho.ghtml\">uso do Fundo Social do Pr\u00e9-Sal<\/a>, criado para distribuir parte das receitas do petr\u00f3leo das camadas profundas do pr\u00e9-sal em \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 pobreza, mas que tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2010\/Lei\/L12351.htm\">prev\u00ea apoio<\/a>\u00a0a estados afetados por eventos extremos. Os recursos do fundo est\u00e3o dispon\u00edveis e n\u00e3o gerariam impacto fiscal. As negocia\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, ainda n\u00e3o avan\u00e7aram, segundo Madalena, e a recupera\u00e7\u00e3o do setor segue em risco.<\/p>\n<p>Para a agricultora Riva, mais do que as d\u00edvidas, \u00e9 o trauma dos agricultores que demanda maior aten\u00e7\u00e3o: \u201cEstamos ainda muito abalados. Ainda bem que somos um grupo unido, mas precisamos de toda ajuda poss\u00edvel\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A maioria dos produtores entrevistados pelo\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>\u00a0disse ter precisado de medica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica para ansiedade e depress\u00e3o ap\u00f3s a trag\u00e9dia de 2024. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanwpc\/article\/PIIS2666-6065(24)00081-6\/fulltext\">estudo<\/a>\u00a0recente publicado na\u00a0<em>Lancet<\/em>\u00a0aponta que eventos clim\u00e1ticos extremos est\u00e3o ligados ao agravamento da sa\u00fade mental \u2014 impacto ainda maior entre popula\u00e7\u00f5es de baixa e m\u00e9dia renda, como grande parte da\u00a0<a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/clima\/crise-climatica-afeta-saude-mental-de-latino-americanos\/\">popula\u00e7\u00e3o latino-americana<\/a>.<\/p>\n<h2>Paisagem transformada<\/h2>\n<p>Na zona rural, a paisagem come\u00e7a a se transformar ap\u00f3s a trag\u00e9dia de 2024. No Vale do Taquari \u2014 onde predominam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/inter\/a\/7RNBNycbMPr3RfygNs4Z4nL\/\">pequenas propriedades<\/a>, em m\u00e9dia de 16 hectares \u2014 as lavouras de milho e hortali\u00e7as est\u00e3o sendo recuadas das margens dos rios e afluentes, por orienta\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos da Emater.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>A ideia \u00e9 n\u00e3o usar mais a \u00e1rea inundada e deixar a mata ciliar se recompor. A natureza j\u00e1 nos deu uma li\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o fazer<\/em>\u201c<\/p>\n<p><cite>Cristiano Carlos Laste, gerente da Emater em Lajeado<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>O desmatamento das encostas contribuiu diretamente para agravar a trag\u00e9dia, segundo uma an\u00e1lise de Eduardo V\u00e9lez, da plataforma Mapbiomas, compartilhada com o\u00a0<em>Dialogue Earth<\/em>. A Bacia Hidrogr\u00e1fica do Gua\u00edba, onde se concentraram os maiores preju\u00edzos da enchente, perdeu 26% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa desde 1985. A redu\u00e7\u00e3o da cobertura dificultou a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo e facilitou seu escoamento, aprofundando os impactos.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 n\u00e3o usar mais a \u00e1rea inundada para deixar a mata ciliar se recompor\u201d, disse Cristiano Carlos Laste, gerente da Emater no munic\u00edpio de Lajeado. \u201cA natureza j\u00e1 nos deu uma li\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o fazer\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infoteca.cnptia.embrapa.br\/infoteca\/bitstream\/doc\/1167392\/1\/Impactos-das-enchentes-no-setor-lacteo-do-RS.pdf\">cadeia leiteira<\/a>\u00a0da regi\u00e3o, duramente afetada pela enchente, n\u00e3o se recuperou. Propriedades que perderam total ou parcialmente suas instala\u00e7\u00f5es deixaram de criar vacas leiteiras. As \u00e1reas foram convertidas para o cultivo de gr\u00e3os e folhas forrageiras, para alimentar o rebanho de fazendas menos atingidas.<\/p>\n<p>A m\u00e9dio prazo, Emater e Embrapa planejam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/98535274\/manejo-e-conservacao-do-solo-e-da-agua-representam-principais-oportunidades-de-recuperacao-rural-do-rs?p_auth=qJtYXK20\">implantar<\/a>\u00a0Unidades de Refer\u00eancia Tecnol\u00f3gica (URTs) nas regi\u00f5es mais afetadas. As URTs\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/clima-temperado\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/99161181\/primeira-unidade-de-referencia-tecnologica-do-programa-recupera-rural-rs-sera-apresentada-durante-dia-de-campo-em-sinimburs?p_auth=xdpVazOU\">funcionam<\/a>\u00a0como propriedades-modelo, onde s\u00e3o testadas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas sustent\u00e1veis e adaptadas ao clima. O objetivo \u00e9 promover o di\u00e1logo com os agricultores e incentivar a constru\u00e7\u00e3o de paisagens mais resilientes a eventos extremos.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-25.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-25-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-25-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-25-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-25-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-25.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Hortali\u00e7as em terreno da fam\u00edlia Porto em abril de 2025. Com solo livre de contamina\u00e7\u00e3o, vegetais org\u00e2nicos voltaram a ser vendidos em feira local. Foto: S\u00edlvia Lisboa<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para Ernestino Guarino, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, o foco nas URTs reflete a necessidade de que a recupera\u00e7\u00e3o passe por um redesenho da paisagem rural \u2014 \u201cum novo acordo entre homem e natureza\u201d, como define. Ele ressalta, no entanto, que \u201cessa inflex\u00e3o leva tempo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A fam\u00edlia Porto, de Eldorado do Sul, conseguiu manter a certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da planta\u00e7\u00e3o submersa na trag\u00e9dia de um ano atr\u00e1s. Segundo os agricultores, an\u00e1lises do solo feitas por professores da UFRGS e t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria n\u00e3o identificaram contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos ou outros res\u00edduos.<\/p>\n<p>Assim, um m\u00eas e meio ap\u00f3s a enchente, o solo da propriedade j\u00e1 estava pronto para o replantio. \u201cGanhamos 15 mil mudas de restaurantes parceiros e come\u00e7amos tudo de novo\u201d, lembra Roselei Porto.\u00a0<\/p>\n<p>Para garantir a confian\u00e7a dos clientes, a fam\u00edlia exp\u00f4s os resultados das an\u00e1lises do solo livre de contamina\u00e7\u00e3o ao lado dos pre\u00e7os dos org\u00e2nicos em uma tradicional feira de Porto Alegre. Sempre que algu\u00e9m parava na banca, aproveitavam para explicar melhor a situa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o imagina a felicidade quando os clientes come\u00e7aram a voltar\u201d, disse ela.\u00a0<\/p>\n<p>Mas a retomada logo esbarrou em um novo obst\u00e1culo: mais uma estiagem. Nos assentamentos do MST na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, a seca do \u00faltimo ver\u00e3o comprometeu a produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as e temperos.<\/p>\n<p>\u201cA impress\u00e3o que tenho \u00e9 que n\u00e3o temos mais um ano agr\u00edcola completo, plantando o ano inteiro\u201d, comentou a agricultora Marcia Riva, vizinha da fam\u00edlia Porto. \u201cPrecisamos de novas alternativas de produ\u00e7\u00e3o e de muita ajuda\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/08\/19\/um-ano-apos-enchentes-devastadoras-agricultores-gauchos-vivem-com-dividas-e-medo\/\">Um ano ap\u00f3s enchentes devastadoras, agricultores ga\u00fachos vivem com d\u00edvidas e medo<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/papa-leao-14-denuncia-catastrofes-sociais-e-ambientais-ligadas-a-logica-de-exploracao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cq5damthumbnailcropped1000563-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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