{"id":45752,"date":"2025-08-19T12:00:00","date_gmt":"2025-08-19T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/avenida-liberdade-a-nova-via-de-belem-que-nao-nasceu-com-cop30\/"},"modified":"2025-08-19T12:00:00","modified_gmt":"2025-08-19T15:00:00","slug":"avenida-liberdade-a-nova-via-de-belem-que-nao-nasceu-com-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/avenida-liberdade-a-nova-via-de-belem-que-nao-nasceu-com-cop30\/","title":{"rendered":"Avenida Liberdade: a nova via de Bel\u00e9m que n\u00e3o nasceu com COP30"},"content":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas semanas, a Avenida Liberdade, uma das principais obras de infraestrutura e mobilidade urbana em curso na Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m, voltou ao centro do debate p\u00fablico, n\u00e3o por seu tra\u00e7ado de 13 quil\u00f4metros ou pelas promessas de desafogar o tr\u00e2nsito, mas por estar, de forma controversa, associada \u00e0 Confer\u00eancia do Clima da ONU, a COP30, que Bel\u00e9m sediar\u00e1 em novembro. A avenida virou alvo de cr\u00edticas sobre o verdadeiro legado p\u00f3s COP que Bel\u00e9m receber\u00e1.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas ao projeto surgem de diferentes movimentos sociais, que apontam incoer\u00eancias nos n\u00fameros e justificativas apresentadas pelo estado. <span>Entre elas, est\u00e3o a falta de consulta pr\u00e9via, livre e informada<\/span>, que \u00e9 um direito de toda comunidade tradicional de ser consultada sobre os projetos e pol\u00edticas p\u00fablicas que os atingem. <span>A obra tamb\u00e9m \u00e9 acusada de gerar um paradoxo ecol\u00f3gico, j\u00e1 que o estado est\u00e1 promovendo arboriza\u00e7\u00e3o artificial em outras \u00e1reas da cidade enquanto derruba vegeta\u00e7\u00e3o nativa para a estrada.<\/span><\/p>\n<p>Em redes sociais e reportagens, a via foi citada como parte de um suposto \u201cpacote de obras\u201d para a confer\u00eancia. Mas a hist\u00f3ria da Avenida Liberdade, de fato, come\u00e7ou bem antes de Bel\u00e9m se tornar vitrine global para as discuss\u00f5es clim\u00e1ticas e seu projeto inicial n\u00e3o faz parte do que foi divulgado como \u2018legado da COP\u2019.<\/p>\n<div>\n<div>\n    <strong>E a COP30 com isso?<\/strong>\n  <\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>\n        Apesar de n\u00e3o fazer parte do pacote oficial de investimentos para a COP, a avenida Liberdade \u00e9 uma obra considerada importante para a mobilidade urbana em Bel\u00e9m \u2013 um dos desafios log\u00edsticos associados \u00e0 confer\u00eancia clim\u00e1tica da ONU;\n      <\/li>\n<li>\n        Al\u00e9m do corte de mata preservada na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Bel\u00e9m, a estrada impacta comunidades ribeirinhas, que vivem do extrativismo e da pesca artesanal.\n      <\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>Avenida Liberdade: projeto antigo, promessa antiga<\/strong><\/h2>\n<p><span>O projeto da Avenida Liberdade nasceu em 2012, ainda sob o governo de Sim\u00e3o Jatene (PSDB).<\/span> A proposta era abrir um corredor entre Marituba, munic\u00edpio vizinho de Bel\u00e9m, e a Avenida Jo\u00e3o Paulo II, na capital, facilitando o fluxo de ve\u00edculos que congestionam as avenidas Almirante Barroso e M\u00e1rio Covas e desafogando a BR-316, principal via de entrada e sa\u00edda de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Mais de dez anos depois, a via reapareceu no discurso oficial do atual governo como resposta a engarrafamentos cr\u00f4nicos na sa\u00edda da capital pela BR-316. Em 2020, o projeto ganhou corpo nos estudos de mobilidade do governo estadual e foi lan\u00e7ado como Eco Rodovia Liberdade.<\/p>\n<p>Em 2023, vieram as audi\u00eancias p\u00fablicas, exigidas para o licenciamento ambiental. Moradores, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00f3rg\u00e3os ambientais participaram dos debates. O tra\u00e7ado acompanha um antigo corredor de linhas de transmiss\u00e3o de energia o que, segundo o governo, reduz a necessidade de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As obras se iniciaram em junho de 2024 e foram paralisadas por dois dias em outubro, ap\u00f3s protestos da comunidade que exigia ser consultada sobre a obra.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de julho deste ano, moradores destas mesmas comunidades interditaram a via e a passagem de m\u00e1quinas paralisando temporariamente a obra. Moradores e a Defensoria P\u00fablica denunciam que n\u00e3o houve consulta adequada e que o projeto ignora os protocolos previstos para obras que impactam comunidades quilombolas, como a Consulta Livre, Pr\u00e9via e Informada (CLPI), garantida pela Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que \u00e9 um instrumento fundamental para proteger os direitos de povos tradicionais, assegurando que tenham suas vozes ouvidas nos processos que os afetam diretamente.<\/p>\n<p>Em julho, a Defensoria P\u00fablica ingressou com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica solicitando a suspens\u00e3o das obras na \u00e1rea da comunidade at\u00e9 que o governo realize a consulta pr\u00e9via com os moradores, cadastre as fam\u00edlias afetadas e produza estudos sobre os impactos da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o \u00f3rg\u00e3o requer que o Estado indenize os ribeirinhos pelas perdas sofridas, reconhe\u00e7a a posse coletiva do territ\u00f3rio e avance no processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria da comunidade Nossa Senhora dos Navegantes, uma comunidade ribeirinha que fica nas margens do rio Guam\u00e1, dentro da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Bel\u00e9m, e ser\u00e1 impactada pelo projeto com a remo\u00e7\u00e3o de 120 resid\u00eancias.<\/p>\n<p><span>Al\u00e9m disso, a Avenida Liberdade ir\u00e1 cortar uma das \u00faltimas grandes \u00e1reas de floresta urbana da regi\u00e3o da Grande Bel\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p>O governo estadual afirma que a Avenida Liberdade trata-se de uma \u201cvia estruturante, planejada h\u00e1 anos, sem rela\u00e7\u00e3o com a COP30\u201d. A Secretaria de Infraestrutura afirma que a obra integra o Plano Estadual de Mobilidade e n\u00e3o o pacote de compromissos com a confer\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O projeto foi idealizado ao mesmo tempo do prolongamento da Avenida Independ\u00eancia, inaugurada em 2013. Via que soma nove quil\u00f4metros e liga Ananindeua a BR 316, custou R$ 150 milh\u00f5es e tamb\u00e9m trazia a promessa de desafogar o tr\u00e2nsito oferecendo uma nova rota de entrada e sa\u00edda da cidade.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"68a491f1274a5\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Constru\u00e7\u00e3o da Avenida Liberdade passa por uma das \u00faltimas grandes \u00e1reas de floresta urbana de Bel\u00e9m<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>\u201cUma grande mentira\u201d para abrir caminho ao lucro<\/strong><\/h2>\n<p>Para o ativista socioambiental Maur\u00edcio Santos, a Avenida Liberdade escancara uma contradi\u00e7\u00e3o que Bel\u00e9m repete h\u00e1 d\u00e9cadas: destruir o verde que resta em nome de uma suposta modernidade.<\/p>\n<p>\u201cO governo alega que a obra resolver\u00e1 congestionamentos na sa\u00edda de Bel\u00e9m (BR-316), mas na verdade \u00e9 um corredor para facilitar a vida das empresas de transporte de carga da Estrada Nova, ligando os portos privados direto \u00e0 Al\u00e7a Vi\u00e1ria. Os n\u00fameros de ve\u00edculos mudam o tempo todo. N\u00e3o tem estudo confi\u00e1vel. \u00c9 confundir a popula\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sito\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica de Santos se apoia em n\u00fameros que mudam conforme a vers\u00e3o oficial evolui: em 2020, o governo estimava que 5 mil ve\u00edculos iriam passar diariamente pela via finalizada. Poucos meses depois o n\u00famero subiu para 6 mil. Em 2024, o n\u00famero saltou para 23 mil. Em uma audi\u00eancia p\u00fablica em 2023, chegou a 100 mil ve\u00edculos ao dia.<\/p>\n<p>\u201cE n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o volume de tr\u00e1fego que causa desconfian\u00e7a. A maior promessa, a economia de tempo para quem cruza Bel\u00e9m, tamb\u00e9m se fragmenta sob a lupa de quem estuda mobilidade. A propaganda fala em reduzir 43 minutos de tr\u00e2nsito, mas simula\u00e7\u00f5es mostram que a economia real seria de 3 a 5 minutos em v\u00e1rios bairros ou at\u00e9 aumento de tempo em algumas rotas\u201d, rebate Santos.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9 Farias, pesquisador do N\u00facleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), os impactos imediatos da Avenida Liberdade incluem, por exemplo, o aumento consider\u00e1vel no transporte de cargas. Atualmente, mesmo com a Avenida Perimetral, j\u00e1 enfrentamos muitos problemas com o fluxo intenso de caminh\u00f5es que levam mercadorias para embarque no porto de Vila do Conde, usando a Bernardo Say\u00e3o como rota. Com a nova avenida, esse tr\u00e2nsito de cargas deve crescer ainda mais.<\/p>\n<p>\u201cEmbora o governo defenda a obra com o argumento de melhorar a mobilidade urbana, o verdadeiro objetivo por tr\u00e1s da constru\u00e7\u00e3o da Avenida Liberdade \u00e9 facilitar o escoamento de mercadorias. Na pr\u00e1tica, trata-se de criar uma rota mais curta, r\u00e1pida e barata para o transporte de produtos at\u00e9 o porto de Vila do Conde. No fim das contas, essa \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o real por tr\u00e1s da obra, n\u00e3o \u00e9 uma avenida feita para as pessoas, mas para atender aos interesses do mercado e da log\u00edstica de cargas\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<h2><strong>O verde que vira asfalto<\/strong><\/h2>\n<p><span>O maior custo, segundo ambientalistas, n\u00e3o cabe na planilha de obras: 68 hectares de floresta urbana, parte deles dentro da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental da Bacia do Una, ser\u00e3o cortados para abrir o tra\u00e7ado.<\/span> O governo promete compensa\u00e7\u00f5es: 30 passagens de fauna: viadutos e t\u00faneis para reduzir impactos sobre a fauna e\u00a0ciclovias de piso perme\u00e1vel. Para quem vive na cidade, a contradi\u00e7\u00e3o salta aos olhos.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e3o desmatar 68 hectares de floresta urbana, gastando R$ 400 milh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico enquanto vendem a obra como \u2018sustent\u00e1vel\u2019. \u00c9 pura propaganda verde. Fora o risco de contamina\u00e7\u00e3o do principal manancial que abastece Bel\u00e9m de \u00e1gua. \u201cO tra\u00e7ado passa perto dos lagos Bolonha e \u00c1gua Preta, que abastecem grande parte das torneiras de Bel\u00e9m. Um acidente com carga qu\u00edmica pode contaminar nossa \u00e1gua. E quem vai fiscalizar isso?\u201d, pergunta Santos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto ambiental, o projeto carrega outra marca que preocupa quem vive na rota da obra: a Avenida Liberdade ser\u00e1 uma rodovia de classe zero, ou seja, uma via expressa com pistas duplas e acesso totalmente controlado. Muretas e alambrados ser\u00e3o constru\u00eddos nas laterais, proibindo a entrada de pessoas, animais ou qualquer travessia. \u201cVoc\u00ea entra ali perto da UFRA [Universidade Federal Rural da Amaz\u00f4nia], na Avenida Perimetral, e s\u00f3 sai l\u00e1 na Al\u00e7a Vi\u00e1ria, n\u00e3o tem cruzamentos, n\u00e3o tem interliga\u00e7\u00e3o com os bairros vizinhos. Na pr\u00e1tica, quem mora ao longo do tra\u00e7ado poder\u00e1 ver a estrada passar pela janela, mas n\u00e3o ter\u00e1 como acess\u00e1-la. Ela ser\u00e1 uma via que corta, mas n\u00e3o conecta\u201d, alerta Santos.<\/p>\n<p>A nossa equipe entrou em contato com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e de Log\u00edstica do Par\u00e1 (SEINFRA) solicitando entrevista com o engenheiro respons\u00e1vel pela obra a fim de esclarecer as contradi\u00e7\u00f5es apontadas pelas nossas fontes. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem n\u00e3o tivemos resposta.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"68a491f12794a\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Enquanto Avenida Liberdade gera corte de floresta nos limites de Bel\u00e9m, oba da COP na capital tem arboriza\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>Avenida Liberdade interfere na liberdade de quilombolas e popula\u00e7\u00f5es tradicionais<\/strong><\/h2>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 que a Avenida Liberdade passe a cerca de um quil\u00f4metro do Quilombo Abacatal, onde vivem 121 fam\u00edlias, bloqueando a principal estrada de acesso \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Segundo lideran\u00e7as quilombolas, a rodovia ir\u00e1 passar por uma \u00e1rea que era o ber\u00e7\u00e1rio da fauna local. Eles denunciam que a obra j\u00e1 causou impactos no rio e que o desmatamento tem for\u00e7ado animais a invadirem planta\u00e7\u00f5es em busca de alimento, devido \u00e0 perda de seus habitats. Para Vanuza Cardoso, lideran\u00e7a da comunidade, o impacto da Avenida Liberdade \u00e9 mais um cap\u00edtulo de um hist\u00f3rico de viola\u00e7\u00f5es acumuladas pelo territ\u00f3rio, j\u00e1 pressionado por outros empreendimentos como linh\u00f5es de energia e grandes projetos de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA Avenida Liberdade, mesmo com o estudo de componente quilombola e o PBAQ [Programa de Melhoria da Qualidade do Ar] apontando impactos diretos, n\u00e3o teve compensa\u00e7\u00f5es executadas. Os animais est\u00e3o sendo atropelados, o calor aumentou muito, a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed e pupunha caiu, e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria j\u00e1 chega na porta\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Cardoso afirma que, al\u00e9m de ignorar o direito de consulta, o Estado n\u00e3o cumpriu nem mesmo as poucas compensa\u00e7\u00f5es prometidas, como expans\u00e3o do territ\u00f3rio, posto de sa\u00fade e infraestrutura b\u00e1sica. Para as fam\u00edlias, o projeto, que deveria ser discutido como legado sustent\u00e1vel, exp\u00f5e um racismo ambiental escancarado na Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m, atingindo diretamente a seguran\u00e7a alimentar, os modos de vida tradicionais e os direitos territoriais do quilombo, aprofundando desigualdades hist\u00f3ricas que as lideran\u00e7as se esfor\u00e7am para denunciar e resistir.<\/p>\n<p>Segundo ela, \u00e9 um projeto pensado pela via do capital, uma avenida que beneficia a iniciativa privada e que em nenhum momento respeitou o meio ambiente, mesmo no ano da COP30.<\/p>\n<h2><strong>Alternativas que n\u00e3o cortam \u00e1rvores<\/strong><\/h2>\n<p>Para o ativista Mauricio Santos, n\u00e3o faltam solu\u00e7\u00f5es mais baratas e que n\u00e3o devastam a floresta para a quest\u00e3o da mobilidade. A cr\u00edtica vai al\u00e9m do tra\u00e7ado: questiona o modelo de cidade que se repete e se esgota. Para ele, o planejamento vi\u00e1rio com terminais de cargas em Ananindeua, circula\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es fora do hor\u00e1rio de pico, uso das avenidas j\u00e1 existentes, melhoria no transporte p\u00fablico e uso da malha hidrovi\u00e1ria resolveria o problema sem abrir uma nova estrada.<\/p>\n<p>\u201cA gente precisa de uma cidade que pare de ficar de costa para o rio. Uma cidade que se volte para a preserva\u00e7\u00e3o dos rios, dos igarap\u00e9s, das suas florestas urbanas. E que utilize, inclusive, esses rios, os igarap\u00e9s, como meio de transporte. Uma cidade com mais sombra, com mais \u00e1rvores nas cal\u00e7adas, que permita que voc\u00ea ande, que voc\u00ea ande de bicicleta. N\u00f3s precisamos de uma Bel\u00e9m que pare de derrubar \u00e1rvores e comece a replant\u00e1-las\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O pesquisador Andr\u00e9 Farias diz que a constru\u00e7\u00e3o desta avenida n\u00e3o responde a demanda de mobilidade na cidade. Para ele, construir mais vias expressas s\u00f3 atrai mais carros, mais engarrafamento, mais destrui\u00e7\u00e3o. \u201cBel\u00e9m precisa de menos carro e mais \u00e1rea verde, mais transporte p\u00fablico decente, mais ciclovias, mais sombra. Precisamos andar a p\u00e9, usar o rio, parar de derrubar \u00e1rvore pra inventar obra. Enquanto n\u00f3s tivermos esse modal na Amaz\u00f4nia, que \u00e9 um modal rodovi\u00e1rio, os problemas de mobilidade urbana n\u00e3o v\u00e3o se resolver. N\u00f3s poder\u00edamos pensar as pol\u00edticas p\u00fablicas de modal misto, modal que tivesse rodovi\u00e1rio e hidrovi\u00e1rio, pelo menos\u201d, afirma.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tornado-no-parana-governo-federal-envia-ajuda-e-forca-nacional-do-sus\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/53720261907_64852d7fda_o-e1762698146252-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Tornado no Paran\u00e1: governo federal envia ajuda e f...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-ordem-nas-redacoes-da-grande-midia-e-se-lula-e-a-favor-do-brasil-nos-somos-contra\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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