{"id":46977,"date":"2025-08-24T05:00:00","date_gmt":"2025-08-24T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/adultizacao-infancia-negra-e-negligenciada-no-brasil-diz-pesquisador\/"},"modified":"2025-08-24T05:00:00","modified_gmt":"2025-08-24T08:00:00","slug":"adultizacao-infancia-negra-e-negligenciada-no-brasil-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/adultizacao-infancia-negra-e-negligenciada-no-brasil-diz-pesquisador\/","title":{"rendered":"Adultiza\u00e7\u00e3o: inf\u00e2ncia negra \u00e9 negligenciada no Brasil, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<p><strong>O YOUTUBER<\/strong> Felca retomou o debate sobre a chamada \u201cadultiza\u00e7\u00e3o\u201d de crian\u00e7as e adolescentes \u2014 a exposi\u00e7\u00e3o de pessoas com menos de 18 anos \u00e0 erotiza\u00e7\u00e3o precoce e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho nas redes.<\/p>\n<p>Segundo o professor Jo\u00e3o Marcos Bigon, Coordenador Regional do Equidade.Info e Mestre em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico Raciais pelo CEFET-RJ (Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica do Rio de Janeiro), h\u00e1 um recorte racial que n\u00e3o tem sido levado devidamente em conta nesse debate.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQuando falamos de adultiza\u00e7\u00e3o, a inf\u00e2ncia pensada \u00e9 sempre branca. As crian\u00e7as negras quase nunca entram nessa matem\u00e1tica\u201d, diz Bigon, em entrevista exclusiva \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> para marcar o Dia da Inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de serem cobradas a assumir responsabilidades, crian\u00e7as negras s\u00e3o levadas a trabalhar desde cedo e tamb\u00e9m est\u00e3o mais expostas \u00e0 sexualiza\u00e7\u00e3o precoce de seus corpos, um processo marcado pelo racismo estrutural.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Bigon afirma que a inf\u00e2ncia negra vem sendo historicamente negligenciada desde as primeiras leis abolicionistas, como a Lei do Ventre Livre (1871). Embora declarasse livres os filhos de pessoas escravizadas, a medida deixava as crian\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria sorte, sem prote\u00e7\u00e3o ou garantia de direitos.<\/p>\n<p>Mais de 100 anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, as crian\u00e7as negras ainda est\u00e3o em uma posi\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel do que as brancas. De acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios) Cont\u00ednua 2023, embora crian\u00e7as e adolescentes pretos e pardos representem 59,9% da popula\u00e7\u00e3o de 5 a 17 anos, eles correspondem a mais da metade (65,2%) daqueles em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil.<\/p>\n<p>A desigualdade se repete nas piores formas de trabalho infantil, segundo a PNAD: 67,5% das v\u00edtimas s\u00e3o negras. Al\u00e9m disso, crian\u00e7as negras recebem em m\u00e9dia menos pelo trabalho: R$ 707 por m\u00eas, contra R$ 875 das crian\u00e7as brancas.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1714129743963.jpg\" alt=\"O professor Jo\u00e3o Marcos Bigon \u00e9 Coordenador Regional do Equidade.Info e Mestre em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico Raciais pelo CEFET-RJ (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Redes Sociais)\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1714129743963.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1714129743963-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1714129743963-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>O professor Jo\u00e3o Marcos Bigon \u00e9 Coordenador Regional do Equidade.Info e Mestre em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico Raciais pelo CEFET-RJ (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Redes Sociais)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cPessoas negras s\u00e3o as mais expostas \u00e0 vulnerabilidade social, \u00e0 pobreza, \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 extrema pobreza e \u00e0s doen\u00e7as. Consequentemente, as crian\u00e7as provenientes desses contextos familiares ser\u00e3o afetadas por isso\u201d, explica Bigon.<\/p>\n<p>Leia\u00a0a entrevista na \u00edntegra.<\/p>\n<p><strong>O v\u00eddeo do Felca viralizou e reacendeu o debate sobre adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. O que voc\u00ea pode falar sobre a adultiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as negras nas redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p>A adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as negras em redes sociais se difere em alguns pontos espec\u00edficos com rela\u00e7\u00e3o a outras crian\u00e7as. Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 incomum ver em redes sociais conte\u00fado de crian\u00e7as negras em alguma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, e o conte\u00fado ser tratado no lugar da supera\u00e7\u00e3o, da como\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o [no lugar] de um olhar de cuidado com aquela crian\u00e7a, de um olhar para a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, h\u00e1 muito conte\u00fado tamb\u00e9m de crian\u00e7as trabalhando, por exemplo, vendendo bala na rua, e se criam certos discursos sobre aquela situa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o olham que aquilo \u00e9 um contexto de trabalho infantil.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a exposi\u00e7\u00e3o de meninas, sobretudo na fase da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Voc\u00ea abre os coment\u00e1rios e v\u00ea um abismo muito maior se ampliando: coment\u00e1rios de hipersexualiza\u00e7\u00e3o e que esbarram muito em coment\u00e1rios relacionados \u00e0 pedofilia. Quando se trata de meninos negros, h\u00e1 um fator muito interessante sobre o corpo, sobre o f\u00edsico deles. H\u00e1 coment\u00e1rios cl\u00e1ssicos, que as pessoas tamb\u00e9m fazem fora das redes sociais, como o \u201cvai dar trabalho\u201d, ou coment\u00e1rios relacionados \u00e0 virilidade masculina.<\/p>\n<p>Existe um universo de coment\u00e1rios, muitas vezes sutis, direcionados a crian\u00e7as e adolescentes negros em redes sociais que passam muito despercebidos, sobretudo porque eles s\u00e3o feitos tamb\u00e9m na vida real. N\u00e3o s\u00e3o coment\u00e1rios \u00fanica e exclusivamente feitos em rede social, mas s\u00e3o feitos abertamente pelas pessoas fora das redes sociais.<\/p>\n<p><strong>Como a adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as nas redes sociais afeta as crian\u00e7as negras? E qual a diferen\u00e7a para as demais crian\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>Quando se traz a ra\u00e7a para o centro da conversa, trazemos esse diferencial: \u00e9 preciso compreender que \u00e9 um problema que est\u00e1 fora da rede social, que a rede social incorpora e torna isso ainda mais exponencial.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a para as crian\u00e7as negras sendo adultizadas em rede social em rela\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as n\u00e3o negras \u00e9 que h\u00e1 uma como\u00e7\u00e3o diferente, uma naturaliza\u00e7\u00e3o de certas situa\u00e7\u00f5es quando essas crian\u00e7as s\u00e3o negras, e n\u00e3o h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que esse problema, que est\u00e1 sendo discutido a princ\u00edpio como um problema da rede social, \u00e9 um problema da sociedade, um problema fora da rede social.<\/p>\n<p><strong>Por que o recorte racial muitas vezes fica de fora desse debate?<\/strong><\/p>\n<p>O recorte racial muitas vezes fica de fora desse debate porque ele j\u00e1 est\u00e1 de fora do debate fora das redes sociais. Mesmo quando se discute a adultiza\u00e7\u00e3o, este \u00e9 um debate antigo dentro do universo da educa\u00e7\u00e3o e das paternidades e maternidades, sobretudo das maternidades. N\u00e3o \u00e9 uma conversa nova. Embora o Felca tenha uma proemin\u00eancia em debater isso no \u00e2mbito de uma an\u00e1lise de rede social, o debate sobre a adultiza\u00e7\u00e3o em si n\u00e3o \u00e9 algo in\u00e9dito.<\/p>\n<p>A conversa sobre ra\u00e7a fica fora do debate de adultiza\u00e7\u00e3o porque ele j\u00e1 \u00e9 um debate feito h\u00e1 muito tempo, a partir de uma mentalidade do \u201cser universal\u201d, que \u00e9 pensar a crian\u00e7a, a inf\u00e2ncia como uma inf\u00e2ncia sem cor, sem ra\u00e7a, uma inf\u00e2ncia branca. As crian\u00e7as negras n\u00e3o s\u00e3o enquadradas, e as crian\u00e7as ind\u00edgenas menos ainda, nessa matem\u00e1tica de se pensar a adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, seja dentro ou fora de rede social.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando a discuss\u00e3o vai para a rede social, j\u00e1 vai com toda essa carga de preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e invisibiliza\u00e7\u00e3o que existe do lado de fora das redes sociais. As crian\u00e7as negras n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddas na l\u00f3gica de se debater a adultiza\u00e7\u00e3o, e quando essa conversa vai para a rede social, vai junto com tudo que est\u00e1 fora, que \u00e9 invisibilizar a quest\u00e3o racial, torn\u00e1-la algo que talvez orbite o tema, mas que n\u00e3o \u00e9 central, mesmo considerando que o Brasil tem a maior popula\u00e7\u00e3o negra fora da \u00c1frica. Esse \u00e9 um tema que deveria ser central em todos os debates da sociedade, sobretudo quando se fala de inf\u00e2ncias.<\/p>\n<p><strong>O IBGE mostra que 65% das crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil s\u00e3o pretas ou pardas. Por que essa realidade atinge de forma t\u00e3o desigual as crian\u00e7as negras?<\/strong><\/p>\n<p>Essa realidade atinge as crian\u00e7as negras de forma t\u00e3o desigual porque as fam\u00edlias negras ou as crian\u00e7as negras s\u00e3o parte de fam\u00edlias que est\u00e3o protagonizando os \u00edndices de vulnerabilidade social no pa\u00eds. Pessoas negras s\u00e3o as mais expostas \u00e0 vulnerabilidade social, \u00e0 pobreza, \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 extrema pobreza e \u00e0s doen\u00e7as, e consequentemente as crian\u00e7as provenientes desses contextos familiares ser\u00e3o afetadas por isso. Por esse motivo, h\u00e1 um n\u00famero expressiv\u00edssimo (65% \u00e9 muita coisa) de crian\u00e7as negras em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil.<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 que, na hist\u00f3ria da cultura e da sociedade brasileira, no contexto de p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, as leis de aboli\u00e7\u00e3o, como a Lei do Ventre Livre, trouxeram um peso muito grande de \u201cdescarrilhamento\u201d da hist\u00f3ria da inf\u00e2ncia negra para o pa\u00eds. \u00c9 como se fosse o in\u00edcio de um modelo de inf\u00e2ncia negligenciada.<\/p>\n<p>Antes da Lei do Ventre Livre, as crian\u00e7as negras eram escravizadas, n\u00e3o tinham inf\u00e2ncia e n\u00e3o eram reconhecidas como seres humanos, estando diretamente ligadas ao trabalho duro, pesado, bra\u00e7al, ou ao trabalho de servi\u00e7o, de serventia, utilitarista. Depois, com a Lei do Ventre Livre, essas crian\u00e7as teoricamente livres foram \u201cjogadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte\u201d, muitas vezes sem seus respons\u00e1veis ou com seus pais ainda escravizados. Essa matem\u00e1tica n\u00e3o encaixa: se os pais eram escravizados e n\u00e3o livres cidad\u00e3os, quem criaria e educaria essas crian\u00e7as que estavam livres? Elas eram invis\u00edveis.<\/p>\n<p>Olhando para a funda\u00e7\u00e3o das escolas, as crian\u00e7as negras demoraram cerca de 200 anos para estudar de forma organizada nas escolas para todos, para serem inseridas no contexto da escola em constitui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>O IBGE tamb\u00e9m aponta que muitas dessas crian\u00e7as acabam com frequ\u00eancia escolar menor que a m\u00e9dia. Que impactos a adultiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as negras traz para a educa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento delas?<\/strong><\/p>\n<p>Temos uma taxa de 69,1% dos que mais evadem do sistema de educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o negros, com proemin\u00eancia no ensino m\u00e9dio. Isso est\u00e1 diretamente ligado ao fato de que s\u00e3o fam\u00edlias que vivem em extrema pobreza, em situa\u00e7\u00e3o de extrema precariza\u00e7\u00e3o da vida em todos os aspectos. Moram em casas prec\u00e1rias, com obras intermin\u00e1veis, em regi\u00f5es conflagradas por guerra entre pol\u00edcia e tr\u00e1fico, entre v\u00e1rios outros fatores. Esse \u00e9 um contexto mais urbano e do Sudeste, mas em contextos do Nordeste e Norte do pa\u00eds, pode-se falar tamb\u00e9m de ribeirinhos e quilombolas.<\/p>\n<p>Esse contexto faz com que a escola perca certo sentido na vida. E isso acontece por diversos motivos.\u00a0<\/p>\n<p>A escola trabalha com uma l\u00f3gica de m\u00e9dia e longa dura\u00e7\u00e3o (estudar para o futuro) que n\u00e3o faz sentido para a crian\u00e7a e o adolescente negro. Essas crian\u00e7as t\u00eam fome hoje,, n\u00e3o sabem o que ser\u00e1 da vida delas na semana que vem por causa de enchentes, guerras e, por conta disso, n\u00e3o podem ir \u00e0 escola, o que acontece com uma certa frequ\u00eancia na cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Todo esse contexto retira a ingenuidade, retira o mais essencial da inf\u00e2ncia, que \u00e9 n\u00e3o saber o que acontece ao seu entorno e simplesmente descobrir a vida. Quando essas crian\u00e7as e adolescentes negros s\u00e3o constantemente lembrados de que t\u00eam que sair com identidade, que n\u00e3o podem andar com determinada roupa em determinado lugar ou hor\u00e1rio, eles perdem a inoc\u00eancia de um momento importante da vida e passam a ter toda a mal\u00edcia, a estrat\u00e9gia, o olhar que n\u00f3s adultos temos para a realidade. Nesse momento, a adultiza\u00e7\u00e3o ocorre ali constantemente e se mescla com a rela\u00e7\u00e3o com a escola.<\/p>\n<p>Quando a crian\u00e7a olha para a realidade em que toda a sua fam\u00edlia trabalha muito, e que isso \u00e9 extremamente necess\u00e1rio para ter o que comer e viver, ela come\u00e7a a n\u00e3o entender qual a fun\u00e7\u00e3o da escola para ela. Ainda menos quando a escola \u00e9 longe, ou quando o curr\u00edculo escolar n\u00e3o contempla a crian\u00e7a ou o adolescente negro em seu panorama narrativo, n\u00e3o tem hist\u00f3rias sobre o povo negro, hist\u00f3rias de sucesso sobre o povo negro, ou uma perspectiva positiva sobre a hist\u00f3ria negra.<\/p>\n<p>Tudo isso vira um somat\u00f3rio de coisas que reflete obviamente na evas\u00e3o escolar. As crian\u00e7as v\u00e3o abandonando a escola, que \u00e9 um momento importante da vida para elas entenderem que s\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes, e para entenderem a l\u00f3gica da coletividade, conhecer o novo e conviver com o diferente. Ela perde tudo isso e se aproxima cada vez mais, n\u00e3o necessariamente de um mundo adulto, mas de um limbo existencial que faz com que a vida adulta seja antecipada n\u00e3o por uma quest\u00e3o l\u00f3gica e natural da vida, mas por necessidades que ocorrem ali.<\/p>\n<p><strong>A sexualiza\u00e7\u00e3o precoce tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de adultiza\u00e7\u00e3o. Como isso atinge meninas negras e quais caminhos podem ajudar a enfrentar o problema?<\/strong><\/p>\n<p>A sexualiza\u00e7\u00e3o precoce atinge meninas negras em meio a um assunto maior, que \u00e9 a hipersexualiza\u00e7\u00e3o de corpos de pessoas negras, sobretudo de mulheres, no pa\u00eds que \u00e9 o pa\u00eds do carnaval. Ao discutir isso, precisamos abordar assuntos espinhosos como o carnaval, o funk, estilos musicais ou elementos da nossa cultura que se perdem um pouco na conversa sobre inf\u00e2ncia e preserva\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 um problema social muito maior de um pa\u00eds que \u00e9 fruto de viol\u00eancia sexual contra mulheres, abuso, ass\u00e9dio e pedofilia. N\u00e3o podemos deixar de trazer esses assuntos como assuntos que fazem parte do pano de fundo da cultura brasileira. No per\u00edodo colonial, era muito comum que homens com idade para serem av\u00f4s de uma menina basicamente comprassem essa menina menor de idade para casar. At\u00e9 hoje, em determinados locais do pa\u00eds, h\u00e1 turismo sexual para estrangeiros, o que acontece com certa frequ\u00eancia no Norte e Nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A sexualiza\u00e7\u00e3o vem muito de m\u00e3os dadas com a adultiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 falando do corpo, mas partindo do princ\u00edpio: se a menina j\u00e1 est\u00e1 em casa fazendo comida, se ela j\u00e1 pode ir aos lugares sozinha, se ela j\u00e1 pode fazer isso e aquilo, logo ela j\u00e1 \u00e9 mulher, logo ela j\u00e1 pode ter rela\u00e7\u00f5es sexuais ou j\u00e1 pode ser olhada com um olhar malicioso de quem quer ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com essa menina.\u00a0<\/p>\n<p>O que precisamos urgentemente criar como caminho para enfrentar o problema \u00e9 pensar pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia com direcionamento espec\u00edfico. Como pol\u00edticas de combate \u00e0 pedofilia, de combate \u00e0 viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e todo tipo de viol\u00eancia contra crian\u00e7as negras. \u00c9 fundamental pensar nesse contexto, que estamos em um pa\u00eds que foi o \u00faltimo a abolir a escravid\u00e3o, e que existem outros mecanismos de viol\u00eancia que se perpetuam at\u00e9 hoje e s\u00e3o frutos da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qual o papel da internet hoje, tanto como risco quanto como ferramenta de prote\u00e7\u00e3o, na vida de crian\u00e7as negras?<\/strong><\/p>\n<p>A internet hoje desempenha dois pap\u00e9is importantes. O primeiro papel, como risco, est\u00e1 relacionado a um debate em Bras\u00edlia, at\u00e9 onde eu sei, sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o da faixa et\u00e1ria para uso de rede social. Qual idade esse adolescente deve ter para usar rede social? Primeiramente, h\u00e1 um problema s\u00e9rio de uma gera\u00e7\u00e3o de pais e respons\u00e1veis que n\u00e3o querem lidar com seus filhos e entregam o celular, deixando a crian\u00e7a sem nenhuma regulamenta\u00e7\u00e3o, sem controle de tela, usando sem tempo de vigil\u00e2ncia, acessando todo tipo de rede social, v\u00eddeo e conte\u00fado. \u00c9 preciso regulamentar uma faixa et\u00e1ria espec\u00edfica que pro\u00edba crian\u00e7as de criar e usar redes sociais que n\u00e3o s\u00e3o para crian\u00e7as, por exemplo. N\u00e3o se trata de n\u00e3o usar nenhuma rede social, mas de ter um tipo de conte\u00fado pr\u00f3prio para crian\u00e7a que seja regulamentado, vigiado, organizado e focal.<\/p>\n<p>Segundo, a rede social hoje \u00e9 um espa\u00e7o p\u00fablico. Diferente da rua, a rede social coloca o adolescente e a crian\u00e7a em contato com pessoas do outro lado do mundo, sem que se saiba quem s\u00e3o, qual a intencionalidade ou o uso que far\u00e3o da rede social. Se n\u00e3o h\u00e1 uma regulamenta\u00e7\u00e3o real, estamos falando de crian\u00e7as que est\u00e3o em seus quartos, na sala de casa, na varanda, conversando com pessoas em outra cidade ou pa\u00eds, sem saber quem s\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>A rede social \u00e9, atualmente, um espa\u00e7o p\u00fablico. Sem uma regulamenta\u00e7\u00e3o efetiva, crian\u00e7as podem estar em seus quartos, salas ou varandas conversando com pessoas em outras cidades ou pa\u00edses, sem conhecer suas identidades ou inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Quais pol\u00edticas p\u00fablicas ou iniciativas sociais s\u00e3o fundamentais para garantir o direito de ser crian\u00e7a \u00e0s crian\u00e7as negras?<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, eu desconhe\u00e7o pol\u00edtica p\u00fablica para crian\u00e7as negras. A gente tem leis voltadas para a educa\u00e7\u00e3o, mas elas s\u00e3o bem mais direcionadas para a gest\u00e3o escolar e para professores e professoras sobre como, de alguma forma, contemplar a inf\u00e2ncia negra do que necessariamente para essas crian\u00e7as. E a\u00ed, como professor, sou bem decepcionado com isso, porque o que a gente precisa \u00e9 de pol\u00edtica p\u00fablica direcionada para as crian\u00e7as, tendo elas como centro, n\u00e3o tendo elas como um resultado ou como objetivo final da pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<p>Iniciativas sociais, t\u00eam muitas. Ent\u00e3o, eu acho que espa\u00e7os de acolhimento para fam\u00edlias negras, de apoio e instru\u00e7\u00e3o, para fam\u00edlias negras ou fam\u00edlias que t\u00eam crian\u00e7as negras, s\u00e3o fundamentais. Isso inclui apoio para m\u00e3es negras, m\u00e3e solo, apoio para paternidade negra. Tamb\u00e9m s\u00e3o importantes espa\u00e7os instrucionais com apoio de psicopedagogas, de pedagogas, de pessoas da educa\u00e7\u00e3o, da psicologia, que pensem em inf\u00e2ncia, que tratem da inf\u00e2ncia, que tenham um olhar sens\u00edvel para a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O meu sonho, na verdade, \u00e9 que este pa\u00eds come\u00e7asse um plano urgente de constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica para crian\u00e7as negras. Porque a gente pode discutir tudo: a gente pode discutir as cotas na universidade, a gente pode discutir as cotas no servi\u00e7o p\u00fablico, a gente pode discutir ter o ministro negro no STF. Mas se a gente n\u00e3o discutir a inf\u00e2ncia negra, tudo isso vai ser um fim em si mesmo.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post Adultiza\u00e7\u00e3o: inf\u00e2ncia negra \u00e9 negligenciada no Brasil, diz pesquisador appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/campanha-maos-solidarias-do-mst-mobiliza-cozinhas-populares-para-apoiar-vitimas-das-chuvas-no-grande-recife\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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