{"id":47889,"date":"2025-08-27T19:05:58","date_gmt":"2025-08-27T22:05:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/os-intelectuais-judeus-contra-o-sionismo\/"},"modified":"2025-08-27T19:05:58","modified_gmt":"2025-08-27T22:05:58","slug":"os-intelectuais-judeus-contra-o-sionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/os-intelectuais-judeus-contra-o-sionismo\/","title":{"rendered":"Os intelectuais judeus contra o sionismo"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"890\" height=\"492\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/250827-AntissionistasB.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/250827-AntissionistasB.jpg 890w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/250827-AntissionistasB-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/250827-AntissionistasB-768x425.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/250827-AntissionistasB-700x387.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/250827-AntissionistasB-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Roberto Montoya<\/strong>, em <em>El Salto | <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><em><\/p>\n<p><\/em>Albert Einstein (1879\u20131955), alem\u00e3o de origem judaica, Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 1921, entusiasmou-se nos anos 20 e 30 do s\u00e9culo passado com o projeto judaico de criar um lar na Palestina ap\u00f3s ver o avan\u00e7o impar\u00e1vel do antissemitismo em seu pa\u00eds e na Europa. Mas acreditava enxergar no sionismo algo muito diferente do que ele realmente foi. Dizia em 1931, em <em>Minha Vis\u00e3o do Mundo<\/em>, uma compila\u00e7\u00e3o de artigos: \u201cNosso objetivo n\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade pol\u00edtica, mas, conforme a tradi\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo, uma meta cultural no sentido mais amplo da palavra. Para alcan\u00e7\u00e1-lo, devemos resolver com nobreza, abertamente e com dignidade, o problema da conviv\u00eancia com o povo irm\u00e3o dos \u00e1rabes (\u2026) Merecem especial aten\u00e7\u00e3o nossas rela\u00e7\u00f5es com o povo \u00e1rabe. Fomentando-as, poderemos evitar no futuro a forma\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es perigosas, que poder\u00e3o ser utilizadas para provocar ataques de nossos inimigos\u201d.<\/p>\n<p>Em 1932, o cientista foi morar nos Estados Unidos, um ano antes de Adolf Hitler chegar ao poder na Alemanha. Em outra de suas interven\u00e7\u00f5es sobre o sionismo, em 1938, Einstein deixava clara sua posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um Estado judeu com fronteiras e ex\u00e9rcito: \u201cDeixando de lado as considera\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, minha concep\u00e7\u00e3o da natureza essencial do juda\u00edsmo op\u00f5e-se \u00e0 ideia de um Estado judeu com fronteiras, ex\u00e9rcito e um grau de poder temporal, por mais modesto que fosse. Estou espantado ao pensar no dano interno que o juda\u00edsmo sofrer\u00e1, sobretudo pelo desenvolvimento de um nacionalismo estreito no interior de nossas pr\u00f3prias fileiras, contra o qu\u00ea sempre fomos obrigados a lutar energicamente, mesmo sem um Estado judeu\u201d.<\/p>\n<p>A postura de Einstein tornou-se ainda muito mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao sionismo ao constatar o auge que as organiza\u00e7\u00f5es terroristas judaicas vinham tendo. Atacavam tanto a popula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone \u00e1rabe quanto as for\u00e7as do Mandato Brit\u00e2nico que ainda controlavam, na d\u00e9cada de 1940, o territ\u00f3rio da Palestina hist\u00f3rica. Investiam at\u00e9 mesmo contra setores da comunidade judaica que n\u00e3o compartilhavam suas ideias.<br \/>Em 22 de julho de 1946, comandos paramilitares sionistas do Irg\u00fan Tzva\u00ed Leum\u00ed, do Lehi e da Hagan\u00e1, atacaram o Hotel King David, em Jerusal\u00e9m, sede ent\u00e3o do Comando Militar do Mandato Brit\u00e2nico da Palestina e da Divis\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal, e mataram 91 brit\u00e2nicos.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/MATERIA--24.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/MATERIA--24.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A raz\u00e3o? O governo brit\u00e2nico do conservador Neville Chamberlain havia aprovado um Livro Branco para preparar o processo de independ\u00eancia da Palestina, no qual se propunha que, como passo pr\u00e9vio a ela, fossem incorporados ao pr\u00f3prio governo do Mandato Brit\u00e2nico representantes judeus e palestinos. Propunha-se essa f\u00f3rmula como uma experi\u00eancia para que ambos os povos pudessem conviver, no novo Estado que fosse eventualmente criado.<br \/>Para facilitar esse plano, o Livro Branco propunha tamb\u00e9m que se fixasse um limite \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o judaica na Palestina, para que esta n\u00e3o representasse mais do que um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o local total, a menos que os pr\u00f3prios habitantes \u00e1rabes consentissem expressamente. Mas o sionismo n\u00e3o podia consentir numa mudan\u00e7a t\u00e3o brusca da postura brit\u00e2nica e do esp\u00edrito colonialista da Declara\u00e7\u00e3o Balfour de 1917.<\/p>\n<p>Em abril de 1948, unidades do Irg\u00fan Tzva\u00ed Leum\u00ed e do Lehi cometeram outro massacre, desta vez na aldeia palestina de Deir Yassin, e assassinaram 120 pessoas. Einstein ficou chocado ao saber do massacre e, em 9 de abril, escreveu uma carta a Shepard Rifkin, diretor da organiza\u00e7\u00e3o estadunidense Amigos Americanos dos Combatentes pela Liberdade de Israel, que lhe havia pedido que se manifestasse publicamente a favor do sionismo e da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel: \u201cPrezado Senhor: Quando uma cat\u00e1strofe real e definitiva sobrevier \u00e0 Palestina, os primeiros respons\u00e1veis por ela ser\u00e3o os brit\u00e2nicos e os segundos respons\u00e1veis ser\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es terroristas criadas dentro de nossas pr\u00f3prias fileiras. N\u00e3o gostaria de ver ningu\u00e9m associado com essa gente desencaminhada e criminosa\u201d.<\/p>\n<p>Um m\u00eas depois, em 14 de maio de 1948, as for\u00e7as judaicas, com o consentimento das Na\u00e7\u00f5es Unidas, declaravam em Tel Aviv a cria\u00e7\u00e3o de um novo Estado, ao qual chamaram Israel e apoderaram-se n\u00e3o dos 56% do territ\u00f3rio da Palestina, como estava previsto inicialmente, mas de 77%. David Ben-Gurion, de origem polonesa e presidente da Ag\u00eancia Judaica, foi nomeado primeiro-ministro e tornou-se o art\u00edfice da expuls\u00e3o for\u00e7ada da Palestina de 750.000 palestinos, \u00eaxodo conhecido como a Nakba (\u00abdesastre\u00bb em \u00e1rabe).<\/p>\n<p>Uma das primeiras medidas de Ben-Gurion foi a cria\u00e7\u00e3o das For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI, ou Tz\u00e1hal, seu acr\u00f4nimo em hebraico). O n\u00facleo central com o qual foram postas em marcha as FDI \u2014 uma das institui\u00e7\u00f5es mais respeitadas pela popula\u00e7\u00e3o israelense e executoras do atual genoc\u00eddio em Gaza \u2014 foi a pr\u00f3pria estrutura e milit\u00e2ncia da Hagan\u00e1 e de outras organiza\u00e7\u00f5es terroristas sionistas.<\/p>\n<p><strong><br \/>Arendt, a ativista sionista que mudou de opini\u00e3o<\/p>\n<p><\/strong>Hannah Arendt tamb\u00e9m foi inicialmente uma entusiasta ativista do movimento sionista, primeiro em seu pa\u00eds natal, a Alemanha, nos anos 20 e in\u00edcio dos anos 30; e a partir de 1937 nos Estados Unidos, pa\u00eds no qual se refugiou fugindo do nazismo.<\/p>\n<p>Assim como Einstein, ela era uma fervorosa partid\u00e1ria da cria\u00e7\u00e3o de um lugar na Palestina para os judeus, mas n\u00e3o \u00e0s custas do despejo dos palestinos, e criticava tamb\u00e9m que o movimento sionista se esquecesse do resto dos judeus da di\u00e1spora, de judeus como ela ou Einstein, que viviam em outros pa\u00edses e n\u00e3o queriam viver na Palestina.<br \/>Os registros da emigra\u00e7\u00e3o judaica para a Palestina antes da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel mostram que, dos cerca de 40.000 que migraram entre 1904 e 1914, mais de 80% decidiu n\u00e3o ficar de fato. O destino preferido era majoritariamente os Estados Unidos.<br \/>Arendt criou nos EUA o Grupo Jovem Judeu em 1942, numa tentativa de ampliar o debate interno dentro do movimento sionista. Ela criticava que o movimento dependesse tanto de banqueiros como os Rothschild e outros magnatas. Sustentava que essa depend\u00eancia era sua \u201csegunda opress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Hannah Arendt distanciava-se daqueles que mantinham uma cren\u00e7a b\u00edblica \u2013 a de que o povo judeu era o \u201cpovo escolhido\u201d, com a qual se justificava tudo. Suas diferen\u00e7as com o projeto sionista acentuaram-se ap\u00f3s constatar que as teses do sionismo mais extremista e chauvinista impunham-se na Confer\u00eancia de Baltimore daquele ano.<\/p>\n<p>Em escritos como <em>A Crise do Sionismo<\/em>, que publicou naquele ano, e em trabalhos posteriores, Arendt distanciava-se cada vez mais daqueles que j\u00e1 n\u00e3o falavam de um \u201clar judeu\u201d, mas sim de um \u201cEstado judeu\u201d, e mostrou sua preocupa\u00e7\u00e3o com o desprezo com que se falava da popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria palestina, a qual n\u00e3o era inclu\u00edda em nenhum plano.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/circuito3anos-banner_outraspalavras-5.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/circuito3anos-banner_outraspalavras-5.jpg 729w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/circuito3anos-banner_outraspalavras-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px\" width=\"729\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Seu escrito <em>Sionismo Reconsiderado<\/em> provocaria uma grande pol\u00eamica no seio do movimento sionista. Nele, Arendt denunciava o \u201cnacionalismo radical\u201d: \u201cO movimento nacional judeu social-revolucion\u00e1rio acabou como a maioria dos movimentos desse tipo: dando seu apoio mais firme n\u00e3o mais a reivindica\u00e7\u00f5es nacionais, mas a reivindica\u00e7\u00f5es chauvinistas que, na realidade, n\u00e3o estavam contra os inimigos do povo judeu, mas contra seus amigos potenciais e seus vizinhos reais\u201d.<\/p>\n<p>Ela falava assim dos \u00e1rabes, \u201camigos potenciais\u201d, \u201cvizinhos reais\u201d, e, assim como Einstein, advogava por um Estado binacional judeu-palestino. E, em 1951, tr\u00eas anos ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, denunciava frontalmente a expuls\u00e3o, por parte do novo Estado, de centenas de milhares dos habitantes origin\u00e1rios da Palestina: \u201cDepois da guerra, resultou que a quest\u00e3o judaica, que havia sido considerada a \u00fanica insol\u00favel, estava sem d\u00favida resolvida, principalmente gra\u00e7as a um territ\u00f3rio primeiro colonizado e depois conquistado, mas isso n\u00e3o resolveu o problema das minorias e dos ap\u00e1tridas. Ao contr\u00e1rio, como virtualmente todos os demais acontecimentos de nosso s\u00e9culo, a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o judaica produziu uma nova categoria de refugiados, os \u00e1rabes, aumentando o n\u00famero de ap\u00e1tridas e de fora-da-lei em outras 700 ou 800 mil pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Hannah Arendt, que tanto havia lutado pelo sionismo, teve que suportar cr\u00edticas agressivas do sionismo radical, que acabou acusando-a de antissemita e at\u00e9 de colaboracionista por seu livro <em>Eichmann em Jerusal\u00e9m<\/em>. Nesse livro, ela falava sobre a banalidade do mal, pretendia ir al\u00e9m de uma condena\u00e7\u00e3o frontal ao Holocausto, tentava desvendar a mente de um personagem como o hierarca nazista. Buscava apontar como um cidad\u00e3o alem\u00e3o normal se transformava num monstro que, em seu julgamento, chegou a reivindicar ser um bom funcion\u00e1rio, ter cumprido \u00e0 risca as ordens recebidas. Obedi\u00eancia devida.<\/p>\n<p>Menachem Begin, um pr\u00f3cer para os sionistas, nascido como Ben-Gurion na Pol\u00f4nia e l\u00edder do Irg\u00fan, o grupo terrorista mais radical, viajou para os Estados Unidos em 1948 ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do artificial Estado de Israel e foi recebido com todas as honras pelo governo do democrata Harry Truman.<br \/>Foi ent\u00e3o que um grupo de 27 destacados intelectuais judeus residentes nos Estados Unidos \u2014 fil\u00f3sofos, rabinos e cientistas, entre os quais estavam Albert Einstein e Hannah Arendt \u2014 enviou uma carta aos editores do <em>New York Times, <\/em>datada de 2 de dezembro daquele ano, repudiando a visita e o projeto que representava. Foi publicada pelo di\u00e1rio nova-iorquino dois dias depois: \u201cUm dos fen\u00f4menos pol\u00edticos mais inquietantes de nosso tempo \u00e9 o aparecimento no rec\u00e9m-criado Estado de Israel do Tnuat Haherut (Partido da Liberdade), um partido pol\u00edtico muito parecido em sua organiza\u00e7\u00e3o, m\u00e9todos, filosofia pol\u00edtica e apelo social aos partidos nazista e fascista. Formou-se a partir de membros e seguidores do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, direitista e chauvinista da Palestina (\u2026) \u00c9 inconceb\u00edvel que aqueles que se op\u00f5em ao fascismo em todo o mundo, se devidamente informados sobre o hist\u00f3rico pol\u00edtico e as perspectivas do Sr. Begin, possam somar seus nomes e apoio ao movimento que ele representa\u201d.<\/p>\n<p>Na carta, assinada tamb\u00e9m por outros intelectuais judeus, como Isidore Abramovitz, o rabino Jessurun Cardozo, Sidney Hook, Samuel Shuman, ou Irma e Stefan Wolfe, denunciava-se a intoler\u00e2ncia de Begin e dos grupos terroristas que ele representava, que chegavam a aterrorizar a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o judaica que n\u00e3o se unia a eles: \u201cProfessores foram espancados por falar contra eles e adultos foram fuzilados por n\u00e3o permitir que seus filhos se unissem ao grupo. Por meio de m\u00e9todos de g\u00e2ngsteres, espancamentos, quebra de janelas e roubos generalizados, os terroristas intimidavam a popula\u00e7\u00e3o e exigiam dela um pesado tributo\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s outras considera\u00e7\u00f5es, os intelectuais judeus terminavam assim sua carta: \u201cPortanto, os abaixo-assinados utilizamos este meio para apresentar publicamente alguns fatos destacados sobre Begin e seu partido, e para exortar todos os interessados a n\u00e3o apoiar esta \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o do fascismo\u201d.<\/p>\n<p>Begin criaria em 1973 o partido Tnuat Haherut e lideraria o processo de fus\u00e3o deste com outras forma\u00e7\u00f5es da direita israelense, o que daria origem ao nascimento do Likud, o partido hoje liderado por Benjamin Netanyahu e o principal no governo ultradireitista israelense. Em 1979, Begin recebia o Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p><strong><br \/>Freud, cr\u00edtico <\/strong><strong>d<\/strong><strong>o fanatismo sionista<\/strong><\/p>\n<p>O caso de Sigmund Freud foi distinto ao de Einstein ou Arendt. O pai da psican\u00e1lise, austr\u00edaco de origem judaica mas declaradamente ateu, abordou em <em>Mois\u00e9s e o Monote\u00edsmo<\/em>, nos anos 30, o projeto de criar um \u201clar judeu\u201d na Palestina, perguntando-se: \u201cO que leva os judeus a se considerarem como \u2018o povo escolhido\u2019? Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias de manter tal narcisismo?\u201d.<\/p>\n<p>Em 26 de fevereiro de 1930, Freud escrevia uma carta ao doutor Chaim Koffer, que, em nome da Funda\u00e7\u00e3o para o Reassentamento dos Judeus na Palestina, pedia-lhe um pronunciamento a favor do sionismo e da migra\u00e7\u00e3o para a Palestina: \u201cN\u00e3o posso fazer o que o senhor deseja. Minha relut\u00e2ncia em interessar o p\u00fablico em minha pessoa \u00e9 intranspon\u00edvel e acredito que as circunst\u00e2ncias cr\u00edticas atuais n\u00e3o me incitam de forma alguma a faz\u00ea-lo (\u2026) Mas, por outro lado, n\u00e3o acredito que a Palestina possa um dia ser um Estado judeu, nem que tanto o mundo crist\u00e3o quanto o mundo isl\u00e2mico possam um dia estar dispostos a confiar seus lugares santos aos cuidados dos judeus\u201d.<\/p>\n<p>Freud mencionava tamb\u00e9m nessa carta sua rejei\u00e7\u00e3o em considerar o Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es o lugar sagrado mais importante para o juda\u00edsmo. \u201cN\u00e3o posso experimentar a menor simpatia por uma piedade sionista mal interpretada, que faz de um peda\u00e7o do muro de Herodes uma rel\u00edquia nacional e, por causa dela, ofende os sentimentos da popula\u00e7\u00e3o local\u201d.<\/p>\n<p>O pai da psican\u00e1lise, que em muitas ocasi\u00f5es criticou o nacionalismo e a xenofobia, mencionava tamb\u00e9m nessa carta sua desconfian\u00e7a sobre o apoio interessado de magnatas judeus \u00e0 ideia de criar o \u201clar judeu\u201d na Palestina: \u201cTeria me parecido mais prudente uma p\u00e1tria judaica em um solo historicamente n\u00e3o carregado; de fato, sei que, para um prop\u00f3sito t\u00e3o racional, nunca se teria podido suscitar o \u00eaxtase das massas nem a coopera\u00e7\u00e3o dos ricos. Admito tamb\u00e9m, com pesar, que o fanatismo pouco realista de nossos compatriotas tem sua parte de responsabilidade no despertar da desconfian\u00e7a dos \u00e1rabes\u201d.<\/p>\n<p>Em 1939, quando as organiza\u00e7\u00f5es terroristas sionistas atacavam diariamente as aldeias palestinas, advertiu: \u201cA maior calamidade seria um confronto permanente com o povo \u00e1rabe\u201d, lembrando que \u201cem tempos passados, nenhum povo mostrou maior amizade com os judeus que os antepassados desses \u00e1rabes\u201d.<\/p>\n<hr>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Como propuseram a paz com os \u00e1rabes e denunciaram, por terrorismo, o fundador do partido de Netanyahu<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/os-intelectuais-judeus-contra-o-sionismo\/\">Os intelectuais judeus contra o sionismo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":47890,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[16604,16605,5511,79,16606,16607,2687,16608,1819,16609,16610,8512,1115,16611,16612,16613,6077,1141,16614,2441,16615,10225,2243,16616],"tags":[],"class_list":["post-47889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-albert-einstein","category-arendt","category-capa","category-colonialismo","category-colonizacao-da-palestina","category-crimes-do-sionismo","category-crise-civilizatoria","category-einstein","category-fascismo","category-fascismo-sionista","category-freud","category-hannah-arendt","category-imperialismo","category-luta-contra-o-sionismo","category-mandato-britanico","category-mandato-britanico-na-palestina","category-nakba","category-ocidente","category-sigmund-freud","category-sionismo","category-sionismo-e-natkba","category-terror","category-terrorismo","category-terrorismo-sionista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47889\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}