{"id":48344,"date":"2025-08-29T16:42:24","date_gmt":"2025-08-29T19:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/palestina-o-silencio-consente-o-medo-oprime-destaca-lina-meruane\/"},"modified":"2025-08-29T16:42:24","modified_gmt":"2025-08-29T19:42:24","slug":"palestina-o-silencio-consente-o-medo-oprime-destaca-lina-meruane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/palestina-o-silencio-consente-o-medo-oprime-destaca-lina-meruane\/","title":{"rendered":"Palestina: \u2018O sil\u00eancio consente, o medo oprime\u2019, destaca Lina Meruane"},"content":{"rendered":"<p>Em um mundo atravessado por crises humanit\u00e1rias, narrativas de ex\u00edlio e pela ascens\u00e3o de discursos de \u00f3dio, a obra da escritora Lina Meruane se destaca por abordar justamente esses temas. Com ra\u00edzes que se conectam \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/fomeri\/2025\/08\/28\/genocidio-e-a-fome-em-gaza-o-que-e-mais-preciso-para-o-cessar-fogo\/\">Palestina<\/a> e ao Chile, ela utiliza a pr\u00f3pria biografia como uma ferramenta de investiga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, tra\u00e7ando um percurso onde se cruzam a mem\u00f3ria pessoal e os traumas coletivos.<\/p>\n<p>\u201cEste n\u00e3o \u00e9 o momento do medo, e n\u00e3o \u00e9 o momento do sil\u00eancio. O sil\u00eancio consente, e o medo \u00e9 a ferramenta da opress\u00e3o\u201d, destaca a escritora em entrevista exclusiva ao <strong>Brasil de Fato RS<\/strong>. Na conversa, Meruane reflete sobre sua inf\u00e2ncia durante a ditadura chilena e a luta do povo palestino, temas que permeiam livros como <em>Tornar-se Palestina<\/em>, j\u00e1 publicado no Brasil.<\/p>\n<p>No momento em que o genoc\u00eddio registra, de acordo com Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de Gaza, mais de 62 mil palestinos mortos desde o in\u00edcio da guerra em outubro de 2023, que <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/08\/27\/enquanto-10-pessoas-entre-elas-2-criancas-morrem-de-fome-em-24h-israel-nega-desnutricao-em-gaza\/\">313 pessoas<\/a> morreram de fome, sendo 119 crian\u00e7as, e que<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2025-08\/israel-matou-mais-jornalistas-que-qualquer-guerra-da-historia-mundial\"> 246 jornalistas<\/a> foram assassinados, Meruane demonstra como a escrita pode se tornar um territ\u00f3rio de afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, para confrontar o medo e transformar afetos em consci\u00eancia cr\u00edtica. Nascida no Chile, pa\u00eds latino-americano com a a maior comunidade de palestinos fora do mundo \u00e1rabe, a escritora visitou o territ\u00f3rio atacado e ocupado nos anos 2013 e 2014.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"766\" height=\"641\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Lina-Meruane_foto-Magdalena-Siedlecki-766x553-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/Lina-Meruane_foto-Magdalena-Siedlecki-300x251.png 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/Lina-Meruane_foto-Magdalena-Siedlecki-750x536.png 750w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Lina-Meruane_foto-Magdalena-Siedlecki-766x553-1.png 766w\" sizes=\"auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px\"><figcaption>Foto: Magdalena Siedlecki<\/figcaption><\/figure>\n<p>Abaixo, a entrevista completa:<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato RS \u2013 Voc\u00ea tem ra\u00edzes tanto palestinas quanto chilenas, dois territ\u00f3rios marcados pela viol\u00eancia de Estado, pelos apagamentos e pelas resist\u00eancias. Como essas experi\u00eancias moldaram a sua escrita e a sua vis\u00e3o pol\u00edtica? Que paralelos voc\u00ea tra\u00e7a entre o Chile da ditadura e a Palestina ocupada, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao medo, ao sil\u00eancio e ao \u201cn\u00e3o querer saber\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lina Meruane \u2013<\/strong> Para mim, a Palestina, e a situa\u00e7\u00e3o da ditadura no Chile e o colonialismo interno sobre o povo Mapuche s\u00e3o quest\u00f5es que surgiram na minha vida adulta. Tive uma inf\u00e2ncia muito protegida, de classe m\u00e9dia, assustada. Antes de tudo, e sobre isso escrevi em <em>Sinais de N\u00f3s<\/em>, eu n\u00e3o entendia, n\u00e3o sabia que est\u00e1vamos em uma ditadura at\u00e9 por volta dos 15 anos. Foi quando comecei a entender e a rejeitar a informa\u00e7\u00e3o que vinha de fora, porque meu contexto mais pessoal, familiar, escolar e tamb\u00e9m a imprensa, ocultava esses fatos. Ocultava-se a evid\u00eancia da ditadura, dos desaparecimentos, dos corpos assassinados, tudo isso.<\/p>\n<figure><a href=\"https:\/\/plebiscitopopular.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"851\" height=\"175\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-7-66.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/image-7-300x62.png 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/image-7-768x158.png 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/image-7-750x175.png 750w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-7-66.png 851w\" sizes=\"auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px\"><\/a><\/figure>\n<p>Eu mesma passei por um per\u00edodo de nega\u00e7\u00e3o, porque haviam duas vers\u00f5es muito opostas, e eu confiava justamente na falsa. Essa experi\u00eancia me marcou profundamente em rela\u00e7\u00e3o a como opera esse \u201cn\u00e3o saber\u201d, esse \u201cn\u00e3o querer saber\u201d e essa desconfian\u00e7a na informa\u00e7\u00e3o verdadeira. \u00c9 sobre isso que trata o livro <em>Sinais de N\u00f3s<\/em>. Essa experi\u00eancia, que foi dif\u00edcil de contar por me fazer sentir culpada por ter sido uma jovem que negava o que acontecia, me preparou para o meu grande projeto de escrita: que \u00e9 o meu projeto de <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/24\/chega-a-516-numero-de-mortos-por-israel-durante-entrega-de-ajuda-humanitaria-em-gaza\/\">escritura palestina<\/a>.<\/p>\n<p>Dentro dele, h\u00e1 um livro publicado no Brasil, <em>Tornar-se Palestina<\/em> (publicado pela editora Relic\u00e1rio), que demorei 10 anos para escrever, al\u00e9m de um que sair\u00e1 em breve, <em>Matarlo Todo<\/em> \u2014 todos textos escritos sob a sombra do genoc\u00eddio. Foi essa reflex\u00e3o que me permitiu pensar como operam essas verdades opostas, como funciona a evid\u00eancia e como os afetos influenciam a decis\u00e3o de abandonar uma vers\u00e3o dos fatos para admitir, com a for\u00e7a da evid\u00eancia, as outras. <\/p>\n<p>O que exige esse se dar conta, querer saber ativo, em termos de ativismo, que responsabilidade o saber exige? Porque saber e ver exigem uma resposta. Ignorar \u00e9 pura comodidade. \u00c9 comodidade e tamb\u00e9m \u00e9 medo, mas \u00e9 um medo c\u00f4modo, porque realmente, neste momento, manifestar contra o genoc\u00eddio que est\u00e1 acontecendo, que se est\u00e1 infligindo sobre a popula\u00e7\u00e3o palestina em Gaza, \u00e9 tanto pior que qualquer coisa que pudesse nos fazer a n\u00f3s por manifestar.<\/p>\n<p>Em confer\u00eancias, decidi escrever tamb\u00e9m em ingl\u00eas, seguindo a provoca\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edward_Said\">Edward Said <\/a>(intelectual palestino autor de <em>Orientalismo<\/em>): falar a verdade ao poder em sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/frente-capa-Sinais-de-nos_Lina-Meruane.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Sinais-de-nos_Lina-Meruane-209x300.jpeg 209w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Sinais-de-nos_Lina-Meruane-712x1024.jpeg 712w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Sinais-de-nos_Lina-Meruane-768x1105.jpeg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Sinais-de-nos_Lina-Meruane-750x1079.jpeg 750w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/frente-capa-Sinais-de-nos_Lina-Meruane.jpeg 890w\" sizes=\"auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px\"><figcaption>\u201cSempre me interessou olhar para a inf\u00e2ncia n\u00e3o como um espa\u00e7o de inoc\u00eancia, mas como um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de afetos\u201d \u2013 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Em <em>Sinais de N\u00f3s<\/em>, voc\u00ea revisita a inf\u00e2ncia durante a ditadura chilena, rompendo com a ideia de inoc\u00eancia. Como foi transformar mem\u00f3rias pessoais em mat\u00e9ria pol\u00edtica e liter\u00e1ria? E de que forma a mem\u00f3ria, pessoal e coletiva, se torna central em sua escrita, especialmente ao abordar hist\u00f3rias interrompidas, distorcidas ou apagadas?<\/strong><\/p>\n<p>Esse livro me custou muito escrever e <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/09\/09\/a-brutalidade-de-pinochet-e-uma-ferida-aberta-na-sociedade-chilena\/\">s\u00f3 consegui public\u00e1-lo depois dos 50 anos<\/a>. Nele, adotei o g\u00eanero do ensaio autobiogr\u00e1fico para revisitar quem fui e quem fomos n\u00f3s, crian\u00e7as de classe m\u00e9dia ou m\u00e9dia alta do Chile daquela \u00e9poca: meninos superprotegidos, que n\u00e3o enfrentavam diretamente a viol\u00eancia da ditadura, nem em nossos corpos nem em nossas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Parecia-me importante tomar aquilo que poderia ser apenas uma anedota da inf\u00e2ncia e transform\u00e1-la numa oportunidade de pensar: quem fomos? Por que nos aconteceu o que nos aconteceu? Por que nos posicionamos politicamente de determinada forma? Sempre me interessou olhar para a inf\u00e2ncia n\u00e3o como um espa\u00e7o de inoc\u00eancia, mas como um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de afetos, de ideias e de condutas.<\/p>\n<p>De certa forma, esse livro retoma uma reflex\u00e3o que j\u00e1 havia feito em <em>Las infantas<\/em>: a de pensar a inf\u00e2ncia como lugar de forma\u00e7\u00e3o de cumplicidades. E n\u00e3o falo apenas das conscientes, mas tamb\u00e9m das inconscientes, involunt\u00e1rias , que mesmo assim est\u00e3o l\u00e1 e, quando adultos, exigem de n\u00f3s um olhar direto. Exigem que nos responsabilizemos por elas e, de alguma maneira, que as reparemos. Escrever <em>Sinais de N\u00f3 <\/em>foi uma forma de encarar essa cumplicidade silenciosa e de tentar sair dela com muita for\u00e7a.7<\/p>\n<p><strong>Diante da intensifica\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o israelense e do massacre na Faixa de Gaza, como voc\u00ea est\u00e1 vivendo este momento? Qual o papel da palavra e da literatura diante dessa cat\u00e1strofe?<\/strong><\/p>\n<p>Estou vivendo este momento com enorme desola\u00e7\u00e3o, porque vi desmoronar todo um marco legal criado ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial para evitar outro genoc\u00eddio. Um marco que dizia \u201cnunca mais\u201d o mundo permitir\u00e1 que se fa\u00e7a isso, essa viol\u00eancia, esse massacre a nenhum grupo \u00e9tnico. E o que vimos \u00e9 que essa promessa n\u00e3o valeu nada. Os antigos imp\u00e9rios coloniais europeus e os Estados Unidos faltaram com sua pr\u00f3pria palavra, ao seu pr\u00f3prio protocolo legal, como se as vidas palestinas valessem menos, negando-lhes a humanidade.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 grav\u00edssimo e angustiante, porque, uma vez que esse marco legal cai, ele n\u00e3o cai apenas para os palestinos, mas para todos os outros grupos vulner\u00e1veis do nosso planeta.<\/p>\n<p>Agora, o papel da palavra e da literatura continua sendo muito importante. No momento em que um acordo legal se desfaz, o que nos resta \u00e9 a outra palavra: a palavra cidad\u00e3 e a que se escreve nos livros contra o genoc\u00eddio. \u00c9 claro que um livro, ou muitos, dificilmente podem mudar o curso macropol\u00edtico dos eventos, mas eles realizam um trabalho micropol\u00edtico: mudar cora\u00e7\u00f5es, mudar consci\u00eancias, explicar aos leitores o que realmente est\u00e1 acontecendo, fornecendo-lhes provas e, sobretudo, an\u00e1lise.<\/p>\n<p>A escrita exige tempo e reflex\u00e3o, e o leitor tem esse tempo para pensar. Al\u00e9m disso, a literatura tem um efeito nos afetos, e s\u00e3o os afetos que movem politicamente os cora\u00e7\u00f5es e as consci\u00eancias.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO n\u00e3o saber nada, o n\u00e3o querer saber, cobria o pa\u00eds como um escudo e como o privil\u00e9gio de ter sabido, mas preferido n\u00e3o saber\u201d, trecho do livro <em>Sinais de N\u00f3s<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Em sua obra, especialmente em <em>Tornar-se Palestina<\/em>, h\u00e1 uma reflex\u00e3o sobre colonialismo n\u00e3o apenas como ocupa\u00e7\u00e3o territorial, mas tamb\u00e9m sobre l\u00ednguas, corpos e narrativas. Como a escrita e a escolha do idioma atuam como resist\u00eancia ao apagamento e ao controle simb\u00f3lico?<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto escrevia este livro, ao longo de 10 anos, compreendi que havia optado pelo castelhano, que \u00e9 minha l\u00edngua natal, porque n\u00e3o falo \u00e1rabe. Ent\u00e3o, eu tinha que escrever meu livro em castelhano, filtrado por minha experi\u00eancia como Lina Meruane chilena. Mas tamb\u00e9m percebi que havia recorrido ao ingl\u00eas, que \u00e9 a chamada l\u00edngua da diplomacia, mas tamb\u00e9m l\u00edngua da guerra, l\u00edngua em que as pessoas se entendem ou se desentendem em Israel e Palestina, nos territ\u00f3rios ocupados palestinos.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>O ingl\u00eas ganhou privil\u00e9gio quando aparecia como segunda l\u00edngua, borrando n\u00e3o s\u00f3 o hebreu, que n\u00e3o entendo, mas tamb\u00e9m o \u00e1rabe, no qual eu n\u00e3o falo. Ent\u00e3o, enquanto escrevia a \u00faltima parte do livro, que se agregou agora, percebi que era importante resgatar, sobretudo, o \u00e1rabe, que estava perdido. Esse foi o trabalho de reflex\u00e3o: recuperar a l\u00edngua que estava perdida em minha fam\u00edlia devido a uma assimila\u00e7\u00e3o imposta pelas no\u00e7\u00f5es de na\u00e7\u00e3o que exigem que os imigrantes percam sua l\u00edngua natal e adotem a l\u00edngua do pa\u00eds em que vivem.<\/p>\n<p>Por isso, o livro termina escrito em \u00e1rabe, n\u00e3o mais transliterado, mas em sua pr\u00f3pria caligrafia. E me dei conta, diante do genoc\u00eddio acelerado, que continuar escrevendo em espanhol era uma forma de me proteger frente \u00e0s amea\u00e7as que se cernem sobre quem se manifesta contra o genoc\u00eddio, porque o ingl\u00eas \u00e9 a l\u00edngua dominante e nela h\u00e1 uma vigil\u00e2ncia muito intensa.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13-300x200.jpg 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13-768x512.jpg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13-750x536.jpg 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13-1140x800.jpg 1140w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13-600x400.jpg 600w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/bdf-20250827-175212-c32a13.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>A ONU declarou oficialmente que h\u00e1 fome em Gaza em 22 de agosto \u2013 Foto: AFP | AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O corpo, feminino, migrante, racializado, enfermo, emerge em sua literatura como um territ\u00f3rio de disputa. De que maneira a escrita se torna uma forma de habitar ou resistir nesse corpo?<\/strong><\/p>\n<p>O corpo sempre foi territ\u00f3rio de disputa, e n\u00e3o s\u00f3 isso, foi tamb\u00e9m objeto priorit\u00e1rio do poder. Isso diz Michel Foucault em seu maravilhoso livro <em>Vigiar e punir<\/em>. E, de fato, \u00e9 a\u00ed que o poder coloca o olho: no corpo, para exercer sua coer\u00e7\u00e3o, sua vigil\u00e2ncia, sua viol\u00eancia. Exigindo que seja um corpo que sirva ao poder.<\/p>\n<p>Esse corpo aparece como um corpo masculino, branco, s\u00e3o, um corpo heterossexual, um corpo estabelecido. E a\u00ed est\u00e1 o outro corpo que me interessa: o feminino, o migrante, o racializado, o enfermo, que voc\u00ea menciona. Minha escrita recorre a todos esses corpos. E agora come\u00e7a tamb\u00e9m a recorrer ao corpo animal, que est\u00e1 fora do corpo antropoc\u00eantrico.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pergunta como a escrita se torna uma forma de habitar e resistir. Pois bem: \u00e9 exatamente a\u00ed que eu estou, habitando, resistindo e reivindicando esse corpo como um corpo v\u00e1lido, um corpo que deve ser considerado, protegido e dignificado, com os mesmos direitos que qualquer outro corpo.<\/p>\n<p>Porque esses corpos sobre os quais escrevo s\u00e3o justamente aqueles que foram marginalizados, tornados vulner\u00e1veis e considerados descart\u00e1veis. O que a escrita faz \u00e9 repor esses corpos no centro do discurso, como corpos que fazem hist\u00f3ria, corpos que t\u00eam poder e que reivindicam seu lugar na sociedade e na na\u00e7\u00e3o. Isso me parece realmente muito importante.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"697\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/frente-capa-Tornar-se-Palestina-2aed-ampl.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Tornar-se-Palestina-2aed-ampl-204x300.jpeg 204w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Tornar-se-Palestina-2aed-ampl-697x1024.jpeg 697w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Tornar-se-Palestina-2aed-ampl-768x1129.jpeg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/08\/frente-capa-Tornar-se-Palestina-2aed-ampl-750x1102.jpeg 750w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/frente-capa-Tornar-se-Palestina-2aed-ampl.jpeg 871w\" sizes=\"auto, (max-width: 697px) 100vw, 697px\"><figcaption> \u201c\u00c9 claro que um livro, ou muitos, dificilmente podem mudar o curso macropol\u00edtico dos eventos, mas eles realizam um trabalho micropol\u00edtico\u201d \u2013 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como a migra\u00e7\u00e3o, como condi\u00e7\u00e3o e heran\u00e7a, atravessa sua rela\u00e7\u00e3o com o idioma e com o ato de escrever?<\/strong><\/p>\n<p>Na minha fam\u00edlia, se perdeu a l\u00edngua materna do meu pai, que \u00e9 o \u00e1rabe, e a l\u00edngua materna da minha m\u00e3e , ou da minha av\u00f3, que \u00e9 o italiano. Ou seja, h\u00e1 duas l\u00ednguas perdidas que eu n\u00e3o aprendi.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a, viajei para os Estados Unidos, esqueci o castelhano e aprendi a ler e escrever em ingl\u00eas. Ao voltar para o Chile, esqueci o ingl\u00eas para reaprender o castelhano. No meu percurso, h\u00e1 quatro l\u00ednguas que se perderam por diferentes motivos: pela assimila\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas durante a migra\u00e7\u00e3o dos meus pais e pelas minhas pr\u00f3prias perdas e recupera\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas em minhas migra\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 pouco \u2014 e ainda assim eu tenho peda\u00e7os de cada uma delas que vivem no meu DNA, e que minha escrita tenta resgatar.<\/p>\n<p>Sinto que o lugar pol\u00edtico da minha escrita trabalha justamente com a beleza dessas l\u00ednguas: com suas perdas, suas aquisi\u00e7\u00f5es, seus jogos, seus ritmos e o que evocam em mim. Esse \u00e9 um dos grandes temas do meu trabalho: o resgate e o jogo com essas l\u00ednguas perdidas. Por isso <em>Tornar-se Palestina <\/em>\u00e9 um livro t\u00e3o importante para mim: porque fala das ru\u00ednas da migra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m das aquisi\u00e7\u00f5es, das conquistas e das maneiras de pensar politicamente todo esse percurso das l\u00ednguas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA literatura tem um efeito nos afetos, e s\u00e3o os afetos que movem politicamente os cora\u00e7\u00f5es e as consci\u00eancias\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Que perguntas pol\u00edticas ou liter\u00e1rias te inquietam hoje? E como elas se conectam com sua perspectiva feminista cr\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da grande pergunta sobre o devir palestino, que \u00e9 mais do que uma pergunta, \u00e9 um grito, porque realmente \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o atroz e desesperante, outras perguntas que tenho, relacionadas ao meu feminismo, dizem respeito \u00e0 minha posi\u00e7\u00e3o como feminista interseccional. Como nos encarregamos de tantas realidades ao mesmo tempo, g\u00eanero, ra\u00e7a, capacitismo, idade, comunidades queer e trans?<\/p>\n<p>Hoje, e ao longo da minha escrita, penso que precisamos encarar essas quest\u00f5es n\u00e3o como separadas, mas como efeitos de um mesmo sistema: um sistema bin\u00e1rio, que j\u00e1 descrevi antes, masculino, viril, branco, capacitista, dono da sa\u00fade, heteronormativo, idealizado. O feminismo que me interessa se situa no extremo oposto desse ideal, questionando-o, mostrando suas fissuras, erodindo-o aos poucos.<\/p>\n<p>Essas perguntas s\u00e3o disparadoras de textos. Por exemplo, elas impulsionaram trabalhos anteriores, como o livro <em>Coloquio de las Quiltras<\/em>, que ser\u00e1 publicado no pr\u00f3ximo ano, ou aparecem na novela que estou escrevendo, <em>Pie de Guerra<\/em>. \u00c9 a primeira vez que escrevo uma novela protagonizada por homens, mas trata-se de um tipo espec\u00edfico de homens que me interessa: n\u00e3o os que representam o ideal masculino.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, estou escrevendo um ensaio liter\u00e1rio chamado <em>Prolifera\u00e7\u00e3o<\/em>, em que volto sobre quest\u00f5es da maternidade e da acelera\u00e7\u00e3o capitalista, e como isso afeta o corpo das mulheres, n\u00e3o apenas o corpo reprodutivo, mas tamb\u00e9m as mulheres ao redor e as pessoas que cuidam delas.<\/p>\n<p>Para mim, essas perguntas pol\u00edticas s\u00e3o centrais na escrita, mesmo que minhas novelas n\u00e3o sejam novelas de tese nem busquem provar algo. Como voc\u00ea disse, o que me interessa \u00e9 que essas perguntas n\u00e3o se fecham como respostas, mas se exploram, se desdobram, e isso faz parte de um processo de reflex\u00e3o e de emo\u00e7\u00e3o, que \u00e9, para mim, o que representa a literatura.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPercebi que havia recorrido ao ingl\u00eas, que \u00e9 a chamada l\u00edngua da diplomacia, mas tamb\u00e9m l\u00edngua da guerra, l\u00edngua em que as pessoas se entendem ou se desentendem em Israel e Palestina, nos territ\u00f3rios ocupados palestinos\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o papel da escritura das mulheres latino-americanas no cen\u00e1rio liter\u00e1rio e pol\u00edtico atual?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que \u00e9 uma escritura que emergiu com muita for\u00e7a, porque s\u00e3o escrituras muito propositivas. Elas impugnam os modos de fazer pol\u00edtica, a forma como se tratam as mulheres e os sujeitos mais vulner\u00e1veis, e at\u00e9 como algumas comunidades queer \u2014 inclusive alguns homens homossexuais, t\u00eam exibido uma misoginia not\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sei disso porque escrevi um livro sobre a representa\u00e7\u00e3o da AIDS na literatura latino-americana. As mulheres estavam completamente exclu\u00eddas desse corpus. E quando eram inclu\u00eddas, eram personagens de papel\u00e3o, em posi\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o, e n\u00e3o de ag\u00eancia. Ou seja, reproduziam estere\u00f3tipos femininos em narrativas da doen\u00e7a, que, pontualmente, eram escritas por homens homossexuais, com algumas exce\u00e7\u00f5es not\u00e1veis, como <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Severo_Sarduy\">Severo Sarduy<\/a> (escritor cubano) e <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pedro_Lemebel\">Pedro Lemebel<\/a> (escritor e artista chileno).<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o sendo todas as escritoras iguais , h\u00e1 diferen\u00e7as entre seus projetos, existe um grupo muito interessante que est\u00e1 realmente derrubando normas e heteronormas de longa data. Colocaria na vanguarda dessas escritoras a mexicana Cristina Rivera Garza. Ela n\u00e3o \u00e9 apenas uma grande ensa\u00edsta, mas tamb\u00e9m uma excelente romancista e poeta, e \u00e9 uma pensadora chave da minha gera\u00e7\u00e3o. Seu \u00faltimo livro, <em><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/23\/defensoria-faz-acao-com-bancos-vermelhos-com-intuito-de-chamar-atencao-para-violencia-de-genero\/\">O Invenc\u00edvel Ver\u00e3o de Liliana<\/a><\/em> (publicado no Brasil pela Aut\u00eantica Contempor\u00e2nea), \u00e9 extremamente importante. Ele aborda o feminic\u00eddio de sua irm\u00e3 e \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o muito significativa para a literatura latino-americana contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Que mensagem ou reflex\u00e3o voc\u00ea gostaria de deixar para leitores brasileiros, especialmente aqueles que est\u00e3o descobrindo sua obra?<\/strong><\/p>\n<p>Eu diria aos leitores e leitoras de ensaio, de literatura, de poesia, de teatro, que este n\u00e3o \u00e9 o momento do medo, e n\u00e3o \u00e9 o momento do sil\u00eancio. O sil\u00eancio consente, e o medo \u00e9 a ferramenta da opress\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso se atrever a levantar a voz, e para isso vale a pena ler. Porque a leitura, qualquer que seja, sempre \u00e9 um gatilho para a reflex\u00e3o, para o afeto. A leitura tamb\u00e9m nos fornece ferramentas, como se um livro fosse uma caixa de ferramentas. Ent\u00e3o, que mergulhem na leitura, na leitura das vozes que importam, das vozes que est\u00e3o fazendo uma reflex\u00e3o pol\u00edtica importante.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c\u2019Gaza \u00e9 uma grande pris\u00e3o ao ar livre, cercada de muros de concreto intercalados por torres de vigil\u00e2ncia e arame farpado, vigiada por ar, mar e terra. \u00c9 um dos territ\u00f3rios mais densamente povoados do mundo, e muito pobre\u2019, me respondeu Ankar em uma mensagem em fevereiro, quando lhe perguntei sobre a possibilidade de entrar na cidade. \u2018\u00c9 praticamente imposs\u00edvel, a menos que voc\u00ea venha com autoriza\u00e7\u00e3o especial de uma miss\u00e3o internacional com lealdade comprovada a Israel ou disponha de muitos contatos no Ex\u00e9rcito, do lado de fora, e tenha um familiar doente, correndo risco de morte, do lado de dentro. As frotas de ativistas do mundo todo s\u00e3o uma das duas \u00fanicas formas de entrar e levar comida, rem\u00e9dio ou materiais de constru\u00e7\u00e3o (embora correndo o risco de sofrer um ataque do Ex\u00e9rcito israelense, que \u00e9 quase como um ataque do pr\u00f3prio Deus)\u2019\u201d, trecho do livro Tornar-se Palestina<\/p>\n<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/08\/29\/palestina-o-silencio-consente-o-medo-oprime-destaca-lina-meruane\/\">Palestina: \u2018O sil\u00eancio consente, o medo oprime\u2019, destaca Lina Meruane<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/\">Brasil de Fato<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/confira-o-resultado-da-mega-da-virada-2025-numeros-foram-sorteados-nesta-quinta-apos-adiamento-por-problemas-tecnicos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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