{"id":49021,"date":"2025-09-02T12:04:27","date_gmt":"2025-09-02T15:04:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/nem-privados-nem-publicos-os-bens-sao-comuns\/"},"modified":"2025-09-02T12:04:27","modified_gmt":"2025-09-02T15:04:27","slug":"nem-privados-nem-publicos-os-bens-sao-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nem-privados-nem-publicos-os-bens-sao-comuns\/","title":{"rendered":"Nem privados nem p\u00fablicos. Os bens s\u00e3o comuns"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"341\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1-1024x341.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1-300x100.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1-768x256.jpg 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Porapak Apichodilok\/Pexels<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Marco Ventura <\/em><br \/><em>Do La Lettura \/ IHU<\/em><\/p>\n<p>Parisiense, matem\u00e1tico, economista e jesu\u00edta de 55 anos, Ga\u00ebl Giraud publicou o livro Composer un monde en commun. Uma th\u00e9ologie politique de l\u2019anthropoc\u00e8ne (Seuil, 2022) h\u00e1 tr\u00eas anos para propor os \u201cbens comuns\u201d como alternativa \u00e0 tend\u00eancia, por ele denunciada, de uma privatiza\u00e7\u00e3o sem limites. O livro nasce da tese de doutorado defendida em 2020 nas Universidades dos Jesu\u00edtas de Paris. A primeira parte do texto ser\u00e1 publicada na It\u00e1lia em 9 de setembro, em coedi\u00e7\u00e3o entre a Piemme e a Libreria Editrice Vaticana, sob o t\u00edtulo \u201cCostruire un mondo comune. E Dio non benedisse la propriet\u00e0 privata\u201d (Construir um mundo comum. E Deus n\u00e3o aben\u00e7oou a propriedade privada, em tradu\u00e7\u00e3o livre, com pref\u00e1cio de Carlo Petrini, tradu\u00e7\u00e3o de Pier Maria Mazzola). Um segundo volume, contendo o restante do livro franc\u00eas, est\u00e1 previsto para 2026. O autor conversa online com \u201cla Lettura\u201d de Bruxelas, onde trabalha para a representa\u00e7\u00e3o jesu\u00edta junto \u00e0s autoridades europeias e assessora o Padre Geral dos jesu\u00edta em quest\u00f5es de justi\u00e7a ambiental.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 de Marco Ventura, publicada por la Lettura, 31-08-2025. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Luisa Rabolini.<\/p>\n<h2>Eis a entrevista.<\/h2>\n<p><strong>Por que esse livro? Por que promover os\u00a0bens comuns?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de quarenta anos, o\u00a0Ocidente\u00a0se move, na pol\u00edtica, na sociedade e na cultura, em dire\u00e7\u00e3o a uma\u00a0privatiza\u00e7\u00e3o\u00a0cada vez maior do mundo. H\u00e1 uma tend\u00eancia a privatizar tudo o que pode ser privatizado: a\u00a0propriedade intelectual, o fundo do oceano, a biodiversidade, o clima, a sa\u00fade. Ora, no debate cl\u00e1ssico, a categoria oposta \u00e0 da privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a coisa p\u00fablica. A\u00a0<em>res publica<\/em>\u00a0do direito romano. Mas eu proponho outra categoria, a dos \u2018comuns\u2019.<\/p>\n<p><strong>Essa categoria tamb\u00e9m remonta ao direito romano.<\/strong><\/p>\n<p>Na\u00a0Roma antiga, a\u00a0<em>res communis<\/em>\u00a0era o tipo de propriedade mais nobre, mais elevada, acima da res publica. Porque a res communis \u00e9 aquilo que pertence a todos e pela qual todos somos respons\u00e1veis. Reabilitar os bens comuns, os \u2018comuns\u2019, \u00e9 uma resposta pol\u00edtica, social, mas tamb\u00e9m jur\u00eddica e, em \u00faltima an\u00e1lise, espiritual \u00e0\u00a0crise ecol\u00f3gica\u00a0e \u00e0 crise da pr\u00f3pria\u00a0democracia.<\/p>\n<p><strong>Os \u201ccomuns\u201d, escreve o senhor, s\u00e3o os bens cujo destino devemos decidir juntos, em comum, precisamente.<\/strong><\/p>\n<p>Existe a\u00a0propriedade privada: se possuo algo, tenho o direito de excluir qualquer outra pessoa de us\u00e1-lo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a propriedade p\u00fablica, a do Estado. Depois, h\u00e1 a coisa comum da qual \u00e9 propriet\u00e1ria uma comunidade. No livro, tento explicar que, para compreender as v\u00e1rias categorias, devemos levar em considera\u00e7\u00e3o o estatuto hermen\u00eautico \u2014 isto \u00e9, a forma de interpreta\u00e7\u00e3o \u2014 das regras que uma comunidade adota para gerir um recurso.<\/p>\n<p><strong>Em que sentido?<\/strong><\/p>\n<p>Se essas regras s\u00e3o submetidas \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, se podem ser questionadas por todos os membros da comunidade, ent\u00e3o elas se tornam um \u2018comum hermen\u00eautico\u2019. Minha tese \u00e9 que \u00e9 precisamente isso que caracteriza os bens comuns: s\u00e3o tais todos os recursos simb\u00f3licos, culturais, materiais e ecol\u00f3gicos que queremos gerir em conjunto por meio de regras que s\u00e3o, elas pr\u00f3prias, submetidas \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o. Os\u00a0bens comuns\u00a0est\u00e3o, portanto, vinculados a um estatuto de \u2019comum hermen\u00eautico\u2019, no qual pode ser identificado o pr\u00f3prio fundamento da\u00a0democracia.<\/p>\n<p><strong>De onde vem essa reflex\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Comecei pelo estudo da matem\u00e1tica e da economia. Trabalhei como consultor de bancos, especialista em mercados financeiros. Antes de me tornar jesu\u00edta. Mas o projeto de ser jesu\u00edta \u00e9 antigo. Tenho mantido as duas dimens\u00f5es unidas h\u00e1 muito tempo. Ser padre e jesu\u00edta significa interessar-se por todo o ser humano, por toda a humanidade, por toda a cria\u00e7\u00e3o. E hoje a economia assumiu um lugar muito importante. N\u00e3o posso, como padre e como jesu\u00edta, deixar de me interessar tamb\u00e9m pelas quest\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><strong>A interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia \u00e9 fundamental em seu livro. O senhor se concentra em particular na Ascens\u00e3o de Jesus ressuscitado ao c\u00e9u.<\/strong><\/p>\n<p>No Novo Testamento, encontramos um duplo relato da Ascens\u00e3o. No final do\u00a0Evangelho de Lucas\u00a0e no in\u00edcio dos\u00a0Atos dos Ap\u00f3stolos, dos quais\u00a0Lucas\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 o autor. \u00c9 surpreendente que, apesar dessa insist\u00eancia, o epis\u00f3dio tenha sido pouco comentado pelos\u00a0Padres da Igreja\u00a0e pelos te\u00f3logos. Para mim, por\u00e9m, parece absolutamente fundamental para n\u00f3s hoje, e tentei oferecer uma interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure>\n<div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p><strong>Qual?<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio dos\u00a0Atos, os ap\u00f3stolos perguntam ao Cristo ressuscitado se ele agora restabelecer\u00e1 o Reino de\u00a0Davi. Deve-se lembrar que o programa messi\u00e2nico na\u00a0Palestina\u00a0daquela \u00e9poca era expulsar os romanos e restabelecer o\u00a0Reino de Davi, o Reino de Israel. Cristo limita-se a dizer: \u2018N\u00e3o vos compete saber os tempos ou as \u00e9pocas que o Pai estabeleceu pela sua pr\u00f3pria autoridade, mas recebereis o poder\u2019, o Esp\u00edrito Santo, e tendo dito isso, desaparece no c\u00e9u. Ele, portanto, deixa vazio o trono de Davi.<\/p>\n<p><strong>Como interpreta o epis\u00f3dio?<\/strong><\/p>\n<p>Uma primeira interpreta\u00e7\u00e3o diz: Cristo foi sentar-se no trono do Pai e cumpriu sua miss\u00e3o, a reden\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano. Portanto, em certo sentido, fechou a hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria est\u00e1 terminada. Eu chamo essa interpreta\u00e7\u00e3o de \u2018gloriosa\u2019 porque v\u00ea a Ascens\u00e3o como uma apoteose. No entanto, levanta um problema teol\u00f3gico: se a hist\u00f3ria que nos separa daquele evento n\u00e3o interessa mais, se tudo j\u00e1 foi cumprido, por que nos enviar o\u00a0Esp\u00edrito Santo?\u201d<\/p>\n<p><strong>O senhor prefere uma segunda interpreta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Cristo recusou-se a sentar-se no trono de\u00a0Davi\u00a0para deix\u00e1-lo vazio. Na\u00a0Europa Oriental, mas tamb\u00e9m em muitas igrejas na\u00a0It\u00e1lia, existe uma iconografia que retrata o trono do ju\u00edzo vazio. Isso indica que Cristo ainda n\u00e3o se sentou no trono em que sentar\u00e1 no fim dos tempos. Isso d\u00e1 uma profundidade hist\u00f3rica ao tempo em que estamos agora. Proponho, ent\u00e3o, pensar que Cristo se recusa a sentar-se no trono de Davi para nos dar tempo de inventar aquelas figuras do v\u00ednculo social, aquelas figuras pol\u00edticas, que se sentam no trono de Davi no lugar de Cristo.<\/p>\n<p><strong>A responsabilidade do governo recai sobre n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a defini\u00e7\u00e3o de santidade mencionada no\u00a0livro do Apocalipse, quando diz que aqueles que passaram no teste da santidade ir\u00e3o sentar-se no trono do Pai juntamente com Cristo. O poder absoluto de Deus Pai \u00e9 compartilhado; Deus quer compartilhar seu poder conosco, mas precisamos aprender a faz\u00ea-lo. Mas, em vez disso, n\u00e3o queremos. Em vez disso, eu quero sentar-me naquele trono, mas sozinho. Sem Cristo, sem a Cruz. Portanto, o tempo em que nos encontramos, que \u00e9 o tempo do Esp\u00edrito, \u00e9 um tempo de prepara\u00e7\u00e3o, de aprendizado, no qual aprendemos, pouco a pouco, a consentir nos sentarmos no trono do Pai com Cristo.<\/p>\n<p><strong>Como vincula essa interpreta\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o dos \u201ccomuns\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>A conex\u00e3o reside nas diversas figuras do v\u00ednculo social que podemos imaginar para ocupar aquele trono de\u00a0Davi\u00a0que Jesus deixou vazio. E aqui retornamos \u00e0s diferentes categorias. \u00c0\u00a0<em>res privata<\/em>, \u00e0\u00a0<em>res publica<\/em>, \u00e0\u00a0<em>res communis<\/em>. E a categoria por excel\u00eancia do\u00a0cristianismo, creio eu, \u00e9 a dos bens comuns.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Nos\u00a0Atos dos Ap\u00f3stolos,\u00a0Lucas\u00a0descreve a Igreja primitiva nestes termos: \u2018colocavam tudo em comum\u2019, \u2018compartilhavam tudo\u2019. Esse aprendizado de compartilhar \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, o aprendizado do compartilhamento do poder com Deus. E \u00e9 tamb\u00e9m o aprendizado da democracia, das regras da conviv\u00eancia que nos damos, mas que tamb\u00e9m s\u00e3o submetidas \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o. For\u00e7ando um pouco a quest\u00e3o, eu diria que a\u00a0Ascens\u00e3o\u00a0\u00e9 o ato fundador crist\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s examinar as Escrituras, sua investiga\u00e7\u00e3o se direciona para os te\u00f3logos.<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Tom\u00e1s\u00a0diz claramente que a propriedade mais nobre \u00e9 a\u00a0<em>res communis<\/em>. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para os humanos: \u00e9 preciso discutir, chegar a acordos. Ent\u00e3o, se concede a propriedade privada, no entanto, precisamente por ser concess\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de direito natural. A\u00a0<em>res communis<\/em>\u00a0\u00e9 de direito natural. Enquanto a propriedade privada \u00e9 de direito positivo.<\/p>\n<p><strong>Em 1891, a \u201c<em>Rerum novarum<\/em>\u201d de Le\u00e3o XIII parece, em vez disso, aben\u00e7oar a propriedade privada.<\/strong><\/p>\n<p>A enc\u00edclica\u00a0<em>Rerum novarum<\/em>\u00a0\u00e9 como um tecido com dois tipos de fios. Um fio vem de\u00a0Tom\u00e1s de Aquino, que celebra a\u00a0<em>res communis<\/em>\u00a0e apresenta a propriedade privada como uma concess\u00e3o \u00e0 finitude da natureza humana. O outro fio vem de\u00a0John Locke, que proclama a propriedade privada como um direito inalien\u00e1vel e sagrado. A\u00a0<em>Rerum novarum<\/em>\u00a0\u00e9 uma esp\u00e9cie de compromisso que une as duas vis\u00f5es. Com esse compromisso, continuamos a viver na Igreja.<\/p>\n<figure>\n<div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p><strong>Pode fornecer um esclarecimento?<\/strong><\/p>\n<p>Tento argumentar que o Papa\u00a0Francisco, mesmo sem o dizer explicitamente, tentou promover novamente os \u2018comuns\u2019 nos grandes textos como\u00a0Laudato si\u2019,\u00a0Fratelli tutti,\u00a0Laudate Deum\u00a0e\u00a0Querida Amaz\u00f4nia. Como podemos imaginar que a\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0se torne um \u2018comum\u2019\u00a0global? Como podemos garantir que a \u00e1gua se torne um \u2018comum\u2019? Estamos avan\u00e7ando na Igreja, mas tamb\u00e9m fora dela, na promo\u00e7\u00e3o dos \u2018comuns\u2019. N\u00e3o para substituir a propriedade privada, certamente n\u00e3o para aboli-la, mas para dar aos \u2018comuns\u2019 aquele lugar que nos permita resolver os grandes problemas de hoje.<\/p>\n<p><strong>Confia, portanto, no legado do Papa Francisco.<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0Papa Francisco\u00a0iniciou em grande parte o trabalho n\u00e3o apenas nos grandes textos que mencionei, mas tamb\u00e9m no\u00a0S\u00ednodo sobre a sinodalidade. A\u00a0sinodalidade, em \u00faltima an\u00e1lise, reintroduz o \u2018comum hermen\u00eautico\u2019 em nossa Igreja. Deixa as grandes decis\u00f5es que devemos tomar para a delibera\u00e7\u00e3o comum dentro da Igreja.<\/p>\n<p><strong>E Le\u00e3o XIV?<\/strong><\/p>\n<p>Desde sua primeira apari\u00e7\u00e3o na sacada,\u00a0Le\u00e3o XIV\u00a0mencionou a\u00a0sinodalidade. Acredito, portanto, que continuar\u00e1 nessa dire\u00e7\u00e3o. Onde podemos esperar uma inova\u00e7\u00e3o de sua parte \u00e9 no direito can\u00f4nico. Ao contr\u00e1rio do\u00a0Papa Francisco, o Papa Le\u00e3o \u00e9 um canonista. Ele pode empreender, creio que j\u00e1 come\u00e7ou, uma revis\u00e3o do direito can\u00f4nico para que se abra \u00e0 sinodalidade e se torne um \u2018comum hermen\u00eautico\u2019, enquanto, em vez disso, como apresento no livro, o\u00a0direito can\u00f4nico\u00a0atual ainda \u00e9 o herdeiro da reforma gregoriana, portanto da Igreja como res publica, como Estado.<\/p>\n<p><strong>Em 1925, exatamente cem anos atr\u00e1s, Pio XI instituiu a festa de Cristo Rei.<\/strong><\/p>\n<p>A festa de Cristo Rei \u00e9 a festa de um Deus crist\u00e3o que quer compartilhar seu poder.<\/p>\n<p><strong>O senhor critica a absolutiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-liberal do privado, mas tamb\u00e9m a absolutiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-democr\u00e1tica do p\u00fablico.<\/strong><\/p>\n<p>Vamos olhar novamente para os\u00a0Atos dos Ap\u00f3stolos. No cap\u00edtulo 5, h\u00e1 a hist\u00f3ria de\u00a0Ananias\u00a0e\u00a0Safira, um casal rico que n\u00e3o deu tudo \u00e0 comunidade. Bem, eles caem imediatamente mortos. Depois, no cap\u00edtulo 12, encontramos o\u00a0Rei Herodes\u00a0que se senta no trono \u2013 ele sim, ao contr\u00e1rio de Jesus \u2013 e se faz aclamar como se fosse Deus. Ele tamb\u00e9m \u00e9 imediatamente morto. A Igreja primitiva nos alerta. A absolutiza\u00e7\u00e3o da\u00a0propriedade privada\u00a0\u00e9 muito grave, mas a absolutiza\u00e7\u00e3o da propriedade p\u00fablica tamb\u00e9m o \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Tem certeza de que sua \u201cteologia pol\u00edtica\u201d n\u00e3o \u00e9 um convite ao comunismo?<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0comunismo\u00a0\u00e9 a absor\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo na esfera p\u00fablica. Tudo se torna p\u00fablico. \u00c9 Herodes. \u00c9 o totalitarismo. Os bens comuns s\u00e3o uma terceira via. N\u00e3o \u00e9 o Estado que \u00e9 propriet\u00e1rio. O comunismo n\u00e3o tem nada a ver. As comunidades de energia que visitei na\u00a0It\u00e1lia\u00a0n\u00e3o s\u00e3o\u00a0comunismo. S\u00e3o comunidades da sociedade civil que re\u00fanem determinados recursos. O verdadeiro ator da\u00a0<em>res communis<\/em>\u00a0\u00e9 a sociedade civil, n\u00e3o o Estado. Qualquer um que me criticasse por apoiar um\u00a0cristianismo\u00a0criptocomunista n\u00e3o estaria entendendo justamente a quest\u00e3o. O que proponho \u00e9 uma terceira via: nem tudo privado, nem tudo p\u00fablico, mas a sociedade civil na linha de frente para a inven\u00e7\u00e3o dos \u2018comuns\u2019.<\/p>\n<p><strong>Em seu cristianismo dos \u201ccomuns\u201d, n\u00e3o h\u00e1 o risco de perder a transcend\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0sinodalidade\u00a0n\u00e3o vale apenas para a Igreja. Vale tamb\u00e9m para a\u00a0democracia. A transcend\u00eancia est\u00e1 presente quando sentimos a necessidade, para chegar a um acordo, de uma refer\u00eancia que, embora n\u00e3o se chame Deus, nos supera a todos e \u00e9 comum a todos.<\/p>\n<figure>\n<div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/09\/02\/nem-privados-nem-publicos-os-bens-sao-comuns\/\">Nem privados nem p\u00fablicos. Os bens s\u00e3o comuns<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/capoeira-angola-perde-um-dos-seus-principais-nomes-mestre-peixe-de-caxias\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Capoeira Angola perde um dos seus principais nomes...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/divida-publica-dos-eua-ultrapassa-us-36-trilhoes-estabelecendo-novo-recorde\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">D\u00edvida p\u00fablica dos EUA ultrapassa US$ 36 trilh\u00f5es,...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/celular-de-vorcaro-expoe-videos-intimos-e-fotos-de-caciques-do-centrao-na-cpmi-do-inss\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Celular de Vorcaro exp\u00f5e v\u00eddeos \u00edntimos e fotos de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/congresso-de-servidores-da-educacao-federal-em-porto-alegre-aprova-agenda-de-lutas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image-1-32-150x92.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Congresso de servidores da educa\u00e7\u00e3o federal em Por...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Porapak Apichodilok\/Pexels Por Marco Ventura Do La Lettura \/ IHU Parisiense, matem\u00e1tico, economista e jesu\u00edta de 55 anos, Ga\u00ebl Giraud publicou o livro Composer un monde en commun. Uma th\u00e9ologie politique de l\u2019anthropoc\u00e8ne (Seuil, 2022) h\u00e1 tr\u00eas anos para propor os \u201cbens comuns\u201d como alternativa \u00e0 tend\u00eancia, por ele denunciada, de uma privatiza\u00e7\u00e3o sem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[17443,17444,978,6853,573,191],"tags":[],"class_list":["post-49021","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bens-comuns","category-bens-da-natureza","category-capitalismo","category-cristianismo","category-entrevistas","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49021\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}