{"id":49501,"date":"2025-09-03T19:23:11","date_gmt":"2025-09-03T22:23:11","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/a-esquerda-israelense-sob-fogo-cruzado\/"},"modified":"2025-09-03T19:23:11","modified_gmt":"2025-09-03T22:23:11","slug":"a-esquerda-israelense-sob-fogo-cruzado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-esquerda-israelense-sob-fogo-cruzado\/","title":{"rendered":"A esquerda israelense sob fogo cruzado"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"994\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250903-Genocidio.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250903-Genocidio.jpeg 994w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250903-Genocidio-300x180.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250903-Genocidio-768x460.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 994px) 100vw, 994px\"><figcaption>1<em>7\/8: Centenas de milhares protestam em Israel contra Netanyahu e o genoc\u00eddio. Parte das manifesta\u00e7\u00f5es foi convocada pelo \u201cStanding Together\u201d, que une israelenses e palestinos. Imagem: Shir Toren\/Reuters<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>D\u00e9bora F. Lerrer<\/strong><\/p>\n<p>No dia 17 de agosto, o F\u00f3rum das Fam\u00edlias dos sequestrados convocou uma Greve Geral que se tornou a maior manifesta\u00e7\u00e3o de Israel desde o 7 de outubro de 2023 e da mais longa guerra desencadeada nesta regi\u00e3o desde complexa e conflituosa funda\u00e7\u00e3o deste estado-na\u00e7\u00e3o. Mesmo n\u00e3o contando com o apoio da Hisdradut, a principal central sindical de Israel, o ato reuniu mais de 500 mil pessoas desesperadas contra a continuidade da guerra e, enfim, informadas da fome que se alastra por Gaza. At\u00e9 ent\u00e3o a m\u00eddia israelense n\u00e3o difundia as informa\u00e7\u00f5es espalhadas por todo globo terrestre sobre o desastre humanit\u00e1rio em curso no enclave palestino hoje praticamente destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Nesta \u00faltima ter\u00e7a, 2 de setembro, houve a maior convoca\u00e7\u00e3o de reservistas para o Ex\u00e9rcito de Israel desde o 7 de outubro, com o objetivo de invadir a Cidade de Gaza. No entanto, muitos reservistas pediram isen\u00e7\u00e3o e as unidades t\u00eam registrado menor comparecimento do que em convoca\u00e7\u00f5es anteriores. Os movimentos de recusa a servir nunca foram t\u00e3o grandes na hist\u00f3ria de Israel. O 900\u00ba soldado ca\u00eddo na guerra foi o brasileiro Ariel Lubliner, no dia 30 de agosto. E a foto de seu filho de 9 meses ao lado do local onde ele foi enterrado teve grande repercuss\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-GERAL-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-GERAL-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Atualmente, mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o israelense quer o fim da guerra, mas o governo extremista de Benjamin Netanyahu segue se fazendo de surdo. \u00c9 de fato muito dif\u00edcil tirar um governo de extrema-direita do poder, ainda mais que esta direita foi construindo sua hegemonia a partir do medo real de uma vizinhan\u00e7a historicamente pouco amistosa. E no territ\u00f3rio, onde nasceu h\u00e1 mil\u00eanios a explosiva combina\u00e7\u00e3o de monote\u00edsmo com messianismo, o fanatismo religioso pode ser ainda pior.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o do domingo, dia 17, s\u00f3 foi a maior at\u00e9 agora, mas \u00e9 fato que todas as semanas h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es contra a guerra e o governo isralense, geralmente nos s\u00e1bados \u00e0 noite, que \u00e9 dia de descanso. Domingo, que \u00e9 a segunda-feira deles, \u00e9 que requer um esfor\u00e7o consistente de mobiliza\u00e7\u00e3o. No caso do dia 17, para um pa\u00eds de 9 milh\u00f5es de pessoas, foi como se 10 milh\u00f5es de brasileiros tivessem ido para as ruas.<\/p>\n<p>Mas talvez a maior novidade no cen\u00e1rio israelense seja o movimento social <em>Standing Together<\/em>, que re\u00fane israelenses e palestinos. No dia 26 de agosto, ele reuniu mais de 100 mil pessoas em Tel Aviv, ap\u00f3s um dia de dist\u00farbios de Haifa a Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Vendo que os n\u00fameros nas ruas n\u00e3o fazem grande diferen\u00e7a para o governo Netanyahu, a tend\u00eancia \u00e9 que aumente a temperatura, visto que a esquerda israelense est\u00e1 em uma encruzilhada existencial. Jovens ativistas do <em>Standi<\/em><em>n<\/em><em>g Together<\/em>, por exemplo, invadiram a transmiss\u00e3o ao vivo do programa Big Brother israelense para protestar contra a guerra. Com seu pa\u00eds acusado internacionalmente de genoc\u00eddio por uma guerra que n\u00e3o apoiam, os israelenses de esquerda s\u00e3o um dos grupos mais isolado do mundo. E se n\u00e3o lutarem, n\u00e3o v\u00e3o sobreviver politicamente em um pa\u00eds cada vez mais dominando por uma direita criminosa, que \u00e9, de fato, o maior perigo existencial de Israel.<\/p>\n<p><strong>Freud, Arendt e Einstein: intelectuais anti-sionistas?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das formas mais manjadas de manipular informa\u00e7\u00f5es \u00e9 pin\u00e7ar frases fora de um contexto mais abrangente. Qualquer afirma\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o de intelectuais judeus de peso e influ\u00eancia mundial como Sigmund Freud, Albert Einstein e Hanna Arendt em rela\u00e7\u00e3o ao sionismo, quando se apoia em algumas cartas e escritos, apaga estas nuances. Este m\u00e9todo reproduz a forma de enquadramento da realidade que a chamada imprensa burguesa usa e abusa para noticiar, por exemplo, a luta pela reforma agr\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n<p>Como se sabe, os sem-terra geralmente s\u00e3o apresentados como foras-da-lei, porque o jornalismo brasileiro raramente informa a seus leitores e telespectadores que as terras que eles supostamente invadem n\u00e3o s\u00e3o nem privadas nem produtivas. A maioria dos im\u00f3veis rurais ocupados por movimentos de sem-terra, como o MST, ou s\u00e3o p\u00fablicas e irregulares, por serem griladas, ou s\u00e3o de propriet\u00e1rios endividados com o Banco do Brasil. E \u00f3bvio, todas s\u00e3o improdutivas, pelo \u00edndice de produtividade de 1975, ou arrendadas a terceiros, situa\u00e7\u00f5es que legitimam perante a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 as ocupa\u00e7\u00f5es destes im\u00f3veis para pressionar pela reforma agr\u00e1ria. Em suma, s\u00e3o terras usurpadas do Estado ou usadas para extrair renda por seus propriet\u00e1rios, mas n\u00e3o diretamente exploradas por eles. No entanto, o fato de a imprensa n\u00e3o acentuar em suas manchetes o roubo organizado promovido por uma associa\u00e7\u00e3o de donos de cart\u00f3rios, pol\u00edticos, ju\u00edzes e empres\u00e1rios de vastos dom\u00ednios territoriais desde a Lei de Terras de 1850, impede que a popula\u00e7\u00e3o brasileira mude sua perspectiva. Afinal, o Estado brasileiro se nega a criar uma governan\u00e7a fundi\u00e1ria e resolveu delegar a entes privados a ocupa\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio imenso, o que gera crimes ambientais e conflitos violentos, cujas v\u00edtimas preferenciais s\u00e3o os trabalhadores, lideran\u00e7as populares e ativistas.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/banner-outras-palavras-8m.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/banner-outras-palavras-8m.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/banner-outras-palavras-8m-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 mais ou menos este procedimento de elipses significativas que se baseia artigo de Roberto Montoya sobre os intelectuais que afirmou serem anti-sionistas. Por exemplo, o livro <em>Mois\u00e9s e o Monote\u00edsmo, Esbo\u00e7o de Psican\u00e1lise e outros trabalhos<\/em> (1937-1939) \u00e9 a \u00faltima obra do \u201cpai da psican\u00e1lise\u201d e re\u00fane textos de Freud escritos bem depois da carta que Montoya se utiliza para afirmar que Freud era anti-sionista, datada de 1930. Ou seja, antes de Hitler chegar ao poder e de Freud vivenciar os dist\u00farbios fascistas que ocorriam na \u00c1ustria, que culminaram com a ocupa\u00e7\u00e3o nazista em Viena e a fuga com sua fam\u00edlia para Londres. Importante destacar que, segundo nota do editor ingl\u00eas, ao contr\u00e1rio de outros trabalhos, <em>Mois\u00e9s e o Monote\u00edsmo<\/em> \u00e9 um texto irregular, que demorou quatro anos para ser finalizado por Freud, o qual tinha d\u00favidas se sua argumenta\u00e7\u00e3o estava equilibrada e n\u00e3o queria provocar a hierarquia cat\u00f3lico-romana.<\/p>\n<p>Ele mesmo admite isso na Nota Preliminar II, onde apresenta seu \u201cterceiro e conclusivo ensaio\u201d sobre Mois\u00e9s \u2014 para ele, um eg\u00edpcio \u2013, explicando que os dois pref\u00e1cios anteriores eram diferentes: se contradiziam e se anulavam porque \u201cocorreu uma mudan\u00e7a fundamental nas circunst\u00e2ncias do autor\u201d que at\u00e9 ent\u00e3o estava \u201cvivendo sob a prote\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica\u201d e, portanto, temia que a publica\u00e7\u00e3o deste ensaio \u201cresultasse na perda desta prote\u00e7\u00e3o e conjurasse uma proibi\u00e7\u00e3o sobre o trabalho dos adeptos e estudiosos da psican\u00e1lise na \u00c1ustria\u201d. Precisamente nesta terceira parte, Freud, que afirma n\u00e3o se sentir \u00e0 vontade no campo da psicologia grupal, tenta explicar o fen\u00f4meno intenso e permanente, que era \u201co \u00f3dio do povo pelos judeus\u201d. Uma de suas explica\u00e7\u00f5es fundamentais \u00e9 o fato de os povos do norte da Europa, como os germ\u00e2nicos, serem provavelmente \u201cmal batizados\u201d por terem sido convertidos ao cristianismo \u00e0 for\u00e7a. Como este processo foi feito a partir dos Evangelhos, uma hist\u00f3ria que se passa entre judeus, deslocaram esse ressentimento para o povo de onde se originava o cristianismo. Outra raz\u00e3o \u00e9 o fato de os judeus serem uma minoria nos pa\u00edses que viviam, e o \u00f3dio ao diferente fortalece o sentimento comunal de um grupo. Para agravar, n\u00e3o eram mais t\u00e3o diferentes assim dos povos entre os quais viviam h\u00e1 s\u00e9culos na Europa, provocando uma intoler\u00e2ncia mais intensa do que se houvesse diferen\u00e7as fundamentais. Algo que explica a extrema rivalidade existente entre colorados e gremistas no Rio Grande do Sul, ou entre paulistas e cariocas.<\/p>\n<p>Para Freud, os motivos mais profundos do \u00f3dio aos judeus estavam enraizados \u201cnas mais remotas eras passadas\u201d e operavam \u201cdesde o inconsciente dos povos\u201d, embora n\u00e3o parecessem razo\u00e1veis. Primeiro o rep\u00fadio \u00e0 circuncis\u00e3o, que lembra a \u201ctemida castra\u00e7\u00e3o\u201d e, a seguir, o ainda n\u00e3o superado \u201cci\u00fame para com o povo que se declarou o filho primog\u00eanito e favorito de Deus Pai\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, em sua \u00faltima obra, o ateu Freud se dedica a compreender as fontes do \u00f3dio coletivo crescente na Europa, que desembocaria na \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d dos nazistas para a \u201cquest\u00e3o judaica\u201d dois anos depois. Dif\u00edcil imaginar que, neste contexto, mantivesse a mesma posi\u00e7\u00e3o de uma carta de 9 anos antes. Afinal, naquele per\u00edodo, a grande massa de judeus da Europa n\u00e3o tinha para onde ir. Era um salve-se quem puder, como ele mesmo havia sentido na pele poucos meses antes. Freud podia rejeitar a ideia de um Estado judaico, mas n\u00e3o um canto mais ou menos pac\u00edfico para seus conterr\u00e2neos. Em que pese a ofensa que isso representava para os \u00e1rabes-palestinos, os judeus estavam engajados em construir uma sociedade diferente naquela esquina do mundo, baseada nos <em>kibutzin<\/em>, cooperativas agr\u00edcolas criadas por movimentos socialistas judaicos formados por jovens vindos sobretudo do Imp\u00e9rio Russo, que na \u00e9poca inclu\u00eda tamb\u00e9m a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>No caso de Einstein, Montoya usa cartas e manifesta\u00e7\u00f5es de diversos per\u00edodos, em que o f\u00edsico se declara contra a ideia de um Estado Judaico e repudia as atividades do Irgun, grupo terrorista liderado por Menahen Begin, que originou o Likud, partido de Netanyahu. Mas Begin n\u00e3o era um \u201cprocer\u201d do sionismo, ao contr\u00e1rio do que afirma Montoya. Ele era uma lideran\u00e7a terrorista, da extrema-direita judaica, que ocupava um lugar muito marginal no sionismo da \u00e9poca, dominado pelo Ben Gurion e o Partido Trabalhista de Israel, o Mapai. A primeira lista de parlamentares eleitos para o Knesset em 1948 era liderada pelo partido de Gurion e por outro mais \u00e0 esquerda, que representava os socialistas dos <em>kibutzi<\/em><em>n<\/em>. Ou seja, a maioria eleitoral entre os judeus na \u00e9poca era de esquerda. Foi Ben Gurion que resolveu compor o governo com outros partidos mais ao centro e \u00e0 direita, definindo a trajet\u00f3ria que desembocou no militarismo israelense. Por outro lado, a chegada dos 700 mil judeus vindos dos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e, mais recentemente, dos judeus russos, p\u00f3s-queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica empurrou o p\u00eandulo para a direita.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que Israel tomou mais terra do que havia previsto a partilha promovida pela ONU, depois que ganhou a Guerra de 1948. Tamb\u00e9m n\u00e3o permitiu que os 700 mil palestinos retornassem a suas casas. Tudo isso fez a animosidade crescer com o mundo \u00e1rabe e com os cl\u00e3s palestinos deslocados. Mas, na \u00e9poca, dentro da sociedade israelense foi como uma troca. Voc\u00eas expulsaram os judeus da sua vizinhan\u00e7a, e n\u00f3s os \u00e1rabes da nossa. Foram decis\u00f5es pol\u00edticas lament\u00e1veis, baseadas num nacionalismo \u00e9tnico importado da Europa e, portanto, racista.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que a declara\u00e7\u00e3o de Balfour foi muito mal recebida pela popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe porque suas lideran\u00e7as sonhavam com uma unidade territorial em toda a regi\u00e3o. Uma esp\u00e9cie de Grande S\u00edria agora n\u00e3o mais controlada pelo Imp\u00e9rio Turco, mas pelas lideran\u00e7as \u00e1rabes do Levante. Mas foram os franceses e os ingleses que impediram isso. Fato \u00e9 que a melhor forma de voc\u00ea dominar um territ\u00f3rio \u00e9 semeando a ciz\u00e2nia entre seus habitantes. Isso provocou a viol\u00eancia entre palestinos e judeus j\u00e1 nos anos 1920, insuflados por esta extrema-direita \u00e1rabe que organizou dois \u201cpogroms\u201d contra fam\u00edlias judias que viviam havia s\u00e9culos em Jerusal\u00e9m, Hebrom e Sefed (Sfat), em 1922 e 1929. S\u00f3 por conta destes dois epis\u00f3dios \u00e9 que a minoria judia que vivia na ent\u00e3o Palestina se bandeou para o sionismo ocidental e nacionalista de Ben Gurion. Havia, sim, um choque cultural entre os judeus oriundos da Europa Oriental, com a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e judia local.<\/p>\n<p>Outra aus\u00eancia importante do cen\u00e1rio do artigo de Montoya \u00e9 o levante palestino de 1936 contra o mandado brit\u00e2nico. Violentamente reprimido pelos ingleses, foi esta revolta que fez Londres adotar o \u201cLivro Branco\u201d. No entanto, esta vit\u00f3ria custou que a maior parte da lideran\u00e7a pol\u00edtica palestina fosse morta ou exilada. Enquanto isso, os judeus integraram ao Ex\u00e9rcito Brit\u00e2nico para lutar contra o nazismo. Os ingleses exigiam a participa\u00e7\u00e3o de \u00e1rabes nestas brigadas, mas a maioria desertava. Foi gra\u00e7as a esta curta experi\u00eancia e treino brit\u00e2nico que surgiu o embri\u00e3o das For\u00e7as de Defesa de Israel. Ok, eles hoje fazem uma guerra suja em Gaza. Mas \u00e9 fato que os judeus que viviam em Israel desde fins do s\u00e9culo XIX eram oriundos de pa\u00edses diferentes e n\u00e3o tinham experi\u00eancia militar. Quem controlava militarmente a regi\u00e3o eram os soldados ingleses e franceses. E demorou bastante para os ingleses toparem treinarem judeus. Na pr\u00e1tica, eles s\u00f3 entraram na guerra em 1944. Enquanto isso, o \u201cLivro Branco\u201d, que revogava a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Balfour\u201d, impedia a chegada e a compra de terras por judeus na Palestina, fechando mais uma alternativa para milhares deles se safarem dos massacres coletivos sofridos por comunidades judias ao longo do avan\u00e7o nazista pelo leste europeu e das c\u00e2maras de g\u00e1s. Afinal, o assassinato industrializado de 500 mil judeus h\u00fangaros em dois meses em Auschwitz ainda n\u00e3o foi superado por nenhum dos genoc\u00eddios recentes. Talvez o ocorrido em Ruanda seja o mais pr\u00f3ximo, mas ocorreu em quase quatro meses.<\/p>\n<p>Hanna Arendt, quando fugiu da Alemanha em 1933 e foi para Paris, dedicou-se a trabalhar em organiza\u00e7\u00f5es que ajudavam refugiados judeus a emigrar para a Palestina e proporcionava ajuda legal a antifascistas. Este per\u00edodo em que foi \u201cap\u00e1trida\u201d \u2013 pois s\u00f3 recebeu cidadania norte-americana em 1951 \u2013 foi o qual ela mais se engajou politicamente e seu foco era a pol\u00edtica judaica por que, como concluiu ela: \u201cquando uma pessoa \u00e9 atacada como judia, ela deve defender-se como judia\u201d. Arendt almejava ver florescer na p\u00e1tria dos judeus os elementos que formavam sua teoria pol\u00edtica: novas formas sociais, conselhos pol\u00edticos locais, uma federa\u00e7\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o internacional, longe do chauvinismo nacionalista que acabou se cristalizando em Israel. No final dos anos 40, ela se aliou a Judah Magnes, que fundou um partido na Palestina chamado \u201cIkhud\u201d (Unidade), em 1942, que defendia um Estado binacional, no qual nem judeus nem \u00e1rabes seriam minorias e ambos teriam direitos iguais. Depois de publicar <em>O sionismo reconsiderado<\/em>, em 1944, Arendt publicou em 1948, o artigo \u201cPara salvar a p\u00e1tria judaica, ainda h\u00e1 tempo\u201d. Ela, para quema organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do mundo p\u00f3s-guerra ou iria assumir a forma de imp\u00e9rios, ou de federa\u00e7\u00f5es, achava que os judeus s\u00f3 tinham oportunidade de sobreviv\u00eancia se fossem formadas federa\u00e7\u00f5es. Nesta \u00e9poca, para baixar a fervura na regi\u00e3o, Arendt passou a defender ideia de que uma curadoria tempor\u00e1ria da ONU, para antecipar a condi\u00e7\u00e3o de Estado, prevenindo a divis\u00e3o e detendo a ascend\u00eancia de terroristas judeus e \u00e1rabes ao poder, possibilitando, assim, o surgimento de uma federa\u00e7\u00e3o por acordos entre judeus e \u00e1rabes. Ou seja, Arendt defendia um corrente sionista que foi derrotada, o que n\u00e3o significa que tivesse deixado de defender a uma p\u00e1tria para os judeus.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Um dos movimentos re\u00fane israelenses e palestinos. Nossa colaboradora descreve a cena \u2013 e polemiza com artigo em que apontamos oposi\u00e7\u00e3o ao sionismo em Freud, Arendt e Einstein<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/a-esquerda-israelense-sob-fogo-cruzado\/\">A esquerda israelense sob fogo cruzado<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":49502,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[16604,17692,3248,16608,17693,16610,52,325,17694,2929,5700,17695,25,17696,238,54,16469,16614,2441],"tags":[],"class_list":["post-49501","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-albert-einstein","category-benyamin-netanyahu","category-cisjordania","category-einstein","category-esquerda-israelense","category-freud","category-gaza","category-genocidio","category-genocidio-dos-palestinos","category-genocidio-em-gaza","category-geopolitica-guerra","category-hannah-arandt","category-israel","category-kibutzin","category-oriente-medio","category-palestina","category-protestos-em-israel","category-sigmund-freud","category-sionismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49501\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49502"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}