{"id":50061,"date":"2025-09-05T18:38:52","date_gmt":"2025-09-05T21:38:52","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/drogas-o-labirinto-da-esquerda\/"},"modified":"2025-09-05T18:38:52","modified_gmt":"2025-09-05T21:38:52","slug":"drogas-o-labirinto-da-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/drogas-o-labirinto-da-esquerda\/","title":{"rendered":"Drogas: O labirinto da esquerda"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"882\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Screenshot-2025-09-05-at-18-39-14-marchawebp-imagem-WEBP-1280-863-pixels-Redimensionada-68.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Screenshot-2025-09-05-at-18-39-14-marchawebp-imagem-WEBP-1280-863-pixels-Redimensionada-68.png 882w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Screenshot-2025-09-05-at-18-39-14-marcha.webp-imagem-WEBP-1280-\u00d7-863-pixels-Redimensionada-68-300x202.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Screenshot-2025-09-05-at-18-39-14-marcha.webp-imagem-WEBP-1280-\u00d7-863-pixels-Redimensionada-68-768x518.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Screenshot-2025-09-05-at-18-39-14-marcha.webp-imagem-WEBP-1280-\u00d7-863-pixels-Redimensionada-68-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 882px) 100vw, 882px\"><figcaption>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Senado<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O debate acerca da descriminaliza\u00e7\u00e3o e da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas tem gerado uma constante pol\u00eamica na sociedade, sendo poss\u00edvel ver opini\u00f5es que se dividem entre aquelas que defendem uma legaliza\u00e7\u00e3o ampla e outras que t\u00eam restri\u00e7\u00f5es mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Essas diverg\u00eancias s\u00e3o observadas at\u00e9 mesmo em organiza\u00e7\u00f5es marxistas.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Muitas das an\u00e1lises partem da compreens\u00e3o de que o proibicionismo se mostra uma pol\u00edtica que permeia a domina\u00e7\u00e3o de classes e a repress\u00e3o no capitalismo. Essas interpreta\u00e7\u00f5es partem do entendimento de que houve um \u201cabsoluto fracasso do proibicionismo em suas premissas de garantia da sa\u00fade p\u00fablica e a tamb\u00e9m evidente constata\u00e7\u00e3o de seu absoluto sucesso como m\u00e1quina de guerra, controle, segrega\u00e7\u00e3o, encarceramento, desinforma\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Outras organiza\u00e7\u00f5es marxistas defendem o proibicionismo. Essas posi\u00e7\u00f5es mostram uma avalia\u00e7\u00e3o que enfatize os elementos negativos de uma poss\u00edvel legaliza\u00e7\u00e3o das drogas, cuja disponibilidade comercial poderia levar ao crescimento do consumo. Por considerarem as drogas um mecanismo de aliena\u00e7\u00e3o das pessoas, entendem que as drogas n\u00e3o deveriam ter sua circula\u00e7\u00e3o facilitada por pol\u00edticas estatais, chegando, em alguns casos, at\u00e9 mesmo a criticar o consumo de subst\u00e2ncias legalizadas.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-5-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-5-4.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>O combate ao proibicionismo na esquerda<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, talvez a organiza\u00e7\u00e3o marxista que possui as posi\u00e7\u00f5es mais elaboradas acerca da pol\u00edtica de drogas seja o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), que durante muitos anos contou em suas fileiras com o militante antiproibicionista e pesquisador Henrique Carneiro. Com a sa\u00edda de Carneiro do PSTU, em grande medida suas contribui\u00e7\u00f5es foram incorporadas por um grupo produto de uma ruptura do PSTU, atualmente chamado Resist\u00eancia, que atuacomo tend\u00eancia interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em suas elabora\u00e7\u00f5es, o PSTU, em texto assinado por um de seus membros e publicado em sua p\u00e1gina na internet, aponta que:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] a pol\u00edtica proibicionista da maioria dos governos s\u00f3 alavanca os lucros dos grandes empres\u00e1rios do tr\u00e1fico. A ilegalidade desse mercado desonera produtores, comerciantes e consumidores do pagamento de quaisquer impostos ou taxas sobre a produ\u00e7\u00e3o e transa\u00e7\u00e3o da mercadoria droga. O custo da produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 muito abaixo do pre\u00e7o final da mercadoria, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhum controle de qualidade, nem fiscaliza\u00e7\u00e3o durante o processo produtivo\u201d.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Nessa passagem, o PSTU chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o com\u00e9rcio ilegal de drogas \u00e9 funcional ao pr\u00f3prio capitalismo, na medida em que permite \u00e0 burguesia envolvida com o setor a completa isen\u00e7\u00e3o de regras na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de produtos. O PSTU tamb\u00e9m destaca que:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] a persegui\u00e7\u00e3o aos usu\u00e1rios e a batalha contra o narcotr\u00e1fico s\u00e3o os alicerces da pol\u00edtica proibicionista do Estado brasileiro. Os grandes empres\u00e1rios do tr\u00e1fico continuam lavando os lucros do com\u00e9rcio ilegal das drogas no sistema financeiro internacional, enquanto o pequeno traficante, o polo varejista, \u00e9 brutalmente reprimido\u201d.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>O PSTU aponta que, apesar da pol\u00edtica de repress\u00e3o \u00e0s drogas, a persegui\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece aos maiores respons\u00e1veis pela distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, a burguesia que usa o sistema financeiro para lavar o dinheiro obtido com o tr\u00e1fico, mas contra os usu\u00e1rios e os pequenos vendedores. N\u00e3o se trata, contudo, apenas da persegui\u00e7\u00e3o individual aos usu\u00e1rios ou aos pequenos traficantes. Observa-se que \u201co recrudescimento do aparato punitivo estatal reflete-se claramente nas pol\u00edticas de drogas, elemento importante no crescimento do encarceramento dos setores pobres das popula\u00e7\u00f5es nacionais ao redor do planeta\u201d.<sup>5<\/sup> Em realidade, a guerra \u00e0s drogas pode ser considerada, segundo o PSTU:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] uma pol\u00edtica de controle social da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre, porque aprofunda a militariza\u00e7\u00e3o das periferias das grandes cidades, como podemos ver nos casos das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora nos morros cariocas. A classe trabalhadora \u00e9 o alvo mais atingido por esta guerra, pois fica ref\u00e9m da luta entre as fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico, mil\u00edcias e Pol\u00edcia\u201d.<sup>6<\/sup><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ADC30_Engels_anuncio_OP.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ADC30_Engels_anuncio_OP.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Conforme aponta a an\u00e1lise do PSTU, utiliza-se a ret\u00f3rica proibicionista como ferramenta de controle e repress\u00e3o aos mais pobres, estigmatizando essa parcela da popula\u00e7\u00e3o como bandidos e perigosos. Nesse processo, segundo um pesquisador do tema:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] a viol\u00eancia concentra-se no setor de varejo, onde os grupos criminosos disputam territ\u00f3rio e clientes e onde age a pol\u00edcia. A repress\u00e3o n\u00e3o chega nem perto dos grandes oligop\u00f3lios do narcotr\u00e1fico, dominadores de todas as etapas do tr\u00e1fico e os que realmente lucram com a proibi\u00e7\u00e3o das drogas\u201d.<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>O PSTU procura apresentar alternativas a essa situa\u00e7\u00e3o, afirmando que, \u201cal\u00e9m de descriminalizar o uso e o com\u00e9rcio das drogas il\u00edcitas, a legaliza\u00e7\u00e3o de todas as drogas, colocando a grande produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o sob o controle do Estado\u201d.<sup>8<\/sup> Segundo o PSTU, \u201cessa pol\u00edtica desarticularia o crime organizado e colocaria grandes barreiras ao com\u00e9rcio ilegal de drogas. Al\u00e9m disso, os governos deixariam de investir milh\u00f5es de reais em armamento e aparelhos repressivos\u201d.<sup>9<\/sup> O desmantelamento do mercado ilegal iria tamb\u00e9m desestruturar o crime organizado e atacaria os setores da burguesia que atualmente enriquecem por meio da lavagem de dinheiro das drogas ilegais. Portanto, refletindo sobre as pol\u00edticas vigentes, observa-se que \u201co resultado do proibicionismo foi provocar a hiperlucratividade, danos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica (devido \u00e0 falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o), a militariza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio de certas drogas e a intromiss\u00e3o do aparato de seguran\u00e7a em esferas da vida cotidiana\u201d.<sup>10<\/sup><\/p>\n<p>Essas posi\u00e7\u00f5es antiproibicionistas s\u00e3o tamb\u00e9m compartilhadas por outros segmentos da esquerda. Um exemplo \u00e9 a Democracia Socialistas (DS), que se constituiu como tend\u00eancia interna do Partido dos Trabalhadores (PT) desde a funda\u00e7\u00e3o do partido, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980. Em um de seus documentos, voltados \u00e0 interven\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o na juventude, a DS ressalta tamb\u00e9m o car\u00e1ter de opress\u00e3o da pol\u00edtica de repress\u00e3o \u00e0s drogas. Para essa organiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] a orienta\u00e7\u00e3o repressora dessa pol\u00edtica cerceia o direito de experimenta\u00e7\u00e3o da juventude e autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio corpo. Numa vis\u00e3o hip\u00f3crita, em que algumas subst\u00e2ncias s\u00e3o consideradas ilegais e outras n\u00e3o, sem necessariamente representarem riscos maiores aos indiv\u00edduos e \u00e0 coletividade, os setores conservadores da nossa sociedade utilizam-se do proibicionismo para impor valores morais hegem\u00f4nicos, n\u00e3o permitindo que as pessoas escolham por si mesmas se querem ou n\u00e3o usar tais ou quais subst\u00e2ncias\u201d.<sup>11<\/sup><\/p>\n<p>Em seu documento, a DS defende a descriminaliza\u00e7\u00e3o, relacionado ao processo de atua\u00e7\u00e3o do aparato repressivo do Estado. Para a DS:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] descriminalizar as drogas \u00e9 fundamental para combater o exterm\u00ednio da juventude negra, transferindo da esfera penal para o sistema de pol\u00edticas p\u00fablicas integradas \u00e0 tarefa de informar, conscientizar, reduzir danos e integrar os usu\u00e1rios de drogas, criando outras possibilidades mais eficazes na solu\u00e7\u00e3o desse problema\u201d.<sup>12<\/sup><\/p>\n<p>Defende tamb\u00e9m a necessidade de legalizar a maconha, regulamentando a sua produ\u00e7\u00e3o e o seu com\u00e9rcio. Para a DS:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] faltam argumentos s\u00f3lidos para sustentar a proibi\u00e7\u00e3o da maconha, principalmente, quando comparamos seus efeitos com os do \u00e1lcool e do tabaco, principais causadores de mortes dentre todas as drogas, l\u00edcitas e il\u00edcitas. A manuten\u00e7\u00e3o desta proibi\u00e7\u00e3o atende exclusivamente aos interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos do mercado ilegal de drogas, do lobby da ind\u00fastria farmac\u00eautica e do tabaco, e a uma concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica repressiva, que n\u00e3o respeita os direitos e, muito menos, os anseios da juventude brasileira\u201d.<sup>13<\/sup><\/p>\n<p>No PSOL o debate tamb\u00e9m aparece com frequ\u00eancia, sendo um de seus deputados federais o respons\u00e1vel por apresentar um projeto de lei na C\u00e2mara Federal, em 2014.<sup>14<\/sup> Renato Cinco, vereador pelo partido at\u00e9 2020, foi um dos principais defensores da proposta, no Rio de Janeiro. No per\u00edodo mais recente, em grande medida, o debate entre os marxistas no partido \u00e9 realizado pela Resist\u00eancia. Em livro publicado por um de seus membros, pelo seu selo editorial vinculado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, defende-se \u201ca prem\u00eancia de considerarmos a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas como um de nossos horizontes pol\u00edticos (e, portanto, n\u00e3o o final), de modo a propiciar novas formas de se conceber e relacionar com as drogas, nas esferas de produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e consumo\u201d.<sup>15<\/sup> O autor afirma que seria preciso \u201cpensarmos e debatermos o que chamamos de legaliza\u00e7\u00e3o e, mais especificamente, que tipo de legaliza\u00e7\u00e3o queremos, a partir da realidade brasileira\u201d.<sup>16<\/sup> No texto defende-se \u201cque a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas esteja envolta em um horizonte maior, o da transforma\u00e7\u00e3o radical de nossa sociabilidade \u2014 por n\u00f3s mesmos \u2014 e, por conseguinte, da emancipa\u00e7\u00e3o humana dos grilh\u00f5es que nos aprisionam\u201d.<sup>17<\/sup><\/p>\n<p>Esses s\u00e3o alguns elementos apresentados pelos segmentos da esquerda que defendem a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Esses setores elaboram sua compreens\u00e3o no sentido de defender o \u201cabsoluto fracasso do proibicionismo em suas premissas de garantia da sa\u00fade p\u00fablica e a tamb\u00e9m evidente constata\u00e7\u00e3o de seu absoluto sucesso como m\u00e1quina de guerra, controle, segrega\u00e7\u00e3o, encarceramento, desinforma\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>18<\/sup><\/p>\n<p><strong>A esquerda proibicionista<\/strong><\/p>\n<p>Embora a posi\u00e7\u00e3o mais comum na esquerda seja a antiproibicionista, existem organiza\u00e7\u00f5es marxistas que s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. As organiza\u00e7\u00f5es O Trabalho (OT), tend\u00eancia do PT, e a Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Internacionalista (OCI), anteriormente chamada Esquerda Marxista, uma ruptura da OT, destoam das elabora\u00e7\u00f5es comuns na esquerda.<\/p>\n<p>Em seus documentos, produzidos por seu bra\u00e7o de juventude, a OT chega a afirmar: \u201cSomos intransigentes no combate ao consumo e \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o das drogas\u201d.<sup>19<\/sup> Em outro texto, a OT afirma que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada de revolucion\u00e1rio em fumar maconha\u201d.<sup>20<\/sup> Para essa organiza\u00e7\u00e3o, \u201cas drogas n\u00e3o s\u00e3o nada mais do que a nega\u00e7\u00e3o de um futuro com vida saud\u00e1vel e estabilidade material para a juventude. Al\u00e9m disso, \u00e9 um instrumento do imperialismo para dopar a juventude e impedir a luta organizada pelos nossos direitos\u201d.<sup>21<\/sup> Explicam que sua posi\u00e7\u00e3o acerca das drogas parte \u201cda premissa que as drogas s\u00e3o instrumento de aliena\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da juventude e trabalhadores e servem para financiar o imperialismo, a ind\u00fastria b\u00e9lica, corrup\u00e7\u00e3o, lavagem de dinheiro, viol\u00eancia policial, e a matan\u00e7a de nossa juventude\u201d.<sup>22<\/sup><\/p>\n<p>Segundo a OT, as drogas se constituem em um mecanismo consciente da burguesia para destruir a juventude e os trabalhadores. Em seu texto, afirmam que \u201ca droga \u00e9 apenas um meio, e bem eficiente por sinal, da destrui\u00e7\u00e3o dos jovens na periferia pela burguesia, que quer oprimir, para continuar explorando m\u00e3o de obra barata e impedindo que os jovens se organizem, resistam e lutem para mudar sua realidade\u201d.<sup>23<\/sup><\/p>\n<p>Em suas elabora\u00e7\u00f5es, a OCI, ainda com o nome Esquerda Marxista, destoa em alguns elementos da OT, ainda que compartilhe muitas das an\u00e1lises expostas anteriormente, destacando o papel das drogas na sociedade. Para a OCI, em texto assinado por um de seus membros e publicado em sua p\u00e1gina na internet,<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] a droga nas suas formas legal e ilegal \u00e9 parte de uma a\u00e7\u00e3o organizada de destrui\u00e7\u00e3o da juventude oper\u00e1ria e da classe trabalhadora. Um instrumento utilizado pelo imperialismo para desmontar as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e destruir a consci\u00eancia de classe e qualquer tentativa de luta que possa se desenvolver na juventude trabalhadora\u201d.<sup>24<\/sup><\/p>\n<p>Ressaltando o papel contrarrevolucion\u00e1rio das drogas, a OCI aponta que a:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] dissemina\u00e7\u00e3o das drogas tem como consequ\u00eancia a destrui\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e suas formas organizativas, os militantes oper\u00e1rios devem abordar o problema das drogas como a defesa de direitos e conquistas, defesa de sua exist\u00eancia como classe incluindo a\u00ed sua pr\u00f3pria sa\u00fade. A droga \u00e9 contrarrevolucion\u00e1ria, uma arma de ataque contra a classe operaria e em especial a juventude oper\u00e1ria\u201d.<sup>25<\/sup><\/p>\n<p>Em outros textos, a OCI repete essas mesmas posi\u00e7\u00f5es. Em 2024, em seu jornal, um de seus membros afirmava que \u201cas drogas s\u00e3o uma arma que os capitalistas utilizam para enfraquecer os corpos e mentes dos trabalhadores e, assim, impedir que eles tenham a capacidade de se organizar\u201d.<sup>26<\/sup> Nesse texto, afirma que \u201cerroneamente, a maioria da esquerda defende a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas como forma de combater a repress\u00e3o, mesmo que a hist\u00f3ria demonstre como as drogas s\u00e3o armas eficientes para desorganizar os trabalhadores\u201d.<sup>27<\/sup> No texto, afirma que, \u201cquando se trata do com\u00e9rcio de drogas e do seu uso recreativo, \u00e9 necess\u00e1rio entender que as drogas s\u00e3o ferramentas de destrui\u00e7\u00e3o de mentes e corpos\u201d.<sup>28<\/sup><\/p>\n<p>A OCI destoa de alguns elementos das an\u00e1lises de sua organiza\u00e7\u00e3o de origem, n\u00e3o combatendo toda e qualquer droga. Em suas elabora\u00e7\u00f5es, a OCI aponta que em outros momentos as drogas tiveram outra fun\u00e7\u00e3o, de consumo local e em muitos casos vinculados as pr\u00e1ticas rituais e religiosas. Contudo, assumiu novas caracter\u00edsticas nos \u00faltimos s\u00e9culos. Segundo a OCI:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] o uso generalizado das drogas \u00e9 uma caracter\u00edstica da sociedade capitalista e s\u00f3 foi poss\u00edvel se desenvolver dessa forma quando a droga come\u00e7ou a ser produzida em grandes quantidades, ganhando condi\u00e7\u00f5es de armazenamento, conserva\u00e7\u00e3o e transporte. Ou seja, quando a droga se converteu em mercadoria\u201d.<sup>29<\/sup><\/p>\n<p>Quando ainda se chamava Esquerda Marxista, lan\u00e7ou um livreto tratando da tem\u00e1tica, assinado por um de seus dirigentes. No geral, essa publica\u00e7\u00e3o apenas sistematiza as posi\u00e7\u00f5es anteriormente apresentadas pela organiza\u00e7\u00e3o, atualizando dados com pesquisas mais recentes e trazendo como novidade a tem\u00e1tica do uso medicinal. No texto afirma-se que, \u201cembora rechacemos a ideia de buscar compreender melhor a realidade sob o efeito de drogas, reconhecemos sua validade para fins medicinais\u201d.<sup>30<\/sup><\/p>\n<p>Em s\u00edntese, essas posi\u00e7\u00f5es desenvolvidas pela OT e pela OCI mostram uma avalia\u00e7\u00e3o que enfatize os elementos negativos de uma poss\u00edvel legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Na compreens\u00e3o dessas organiza\u00e7\u00f5es, a disponibilidade comercial das drogas poderia levar \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do consumo. Por considerar as drogas um mecanismo de aliena\u00e7\u00e3o das pessoas, entendem que as drogas n\u00e3o deveriam ter sua circula\u00e7\u00e3o facilitada por pol\u00edticas estatais, chegando, em alguns casos, a criticar o consumo de subst\u00e2ncias legalizadas.<\/p>\n<p><strong>Os labirintos do debate<\/strong><\/p>\n<p>Embora os diferentes setores defendam firmemente suas posi\u00e7\u00f5es, a quest\u00e3o n\u00e3o deve se limitar \u00e0 ret\u00f3rica da disputa pol\u00edtica e sim ser discutida de forma cient\u00edfica e nos marcos da sa\u00fade coletiva. Em primeiro lugar, deve-se delimitar do que se trata, ou seja, o que seriam drogas. Entende-se drogas como qualquer subst\u00e2ncia capaz de modificar a fun\u00e7\u00e3o dos organismos vivos, resultando em mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas ou de comportamento, ou seja, \u201cs\u00e3o drogas tanto medicamentos quanto o tabaco, o \u00e1lcool e drogas il\u00edcitas como coca\u00edna, maconha, hero\u00edna\u201d.<sup>31<\/sup><\/p>\n<p>Outro aspecto que precisa ser levantado nessa discuss\u00e3o passa pela constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dessas formas de interdi\u00e7\u00e3o. O estatuto de ilegalidade de algumas drogas encontra explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos seus efeitos sobre o organismo, mas em aspectos econ\u00f4micos e pol\u00edticos, constru\u00eddos historicamente, n\u00e3o sendo poss\u00edvel ignorar o papel da ind\u00fastria farmac\u00eautica. O proibicionismo separou as ind\u00fastrias farmac\u00eautica, do tabaco e do \u00e1lcool, da ind\u00fastria clandestina das drogas proibidas, num mecanismo que resultou no crescimento exagerado do lucro no ramo das subst\u00e2ncias interditas.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a experi\u00eancia da Lei Seca (1920 a 1934) est\u00e1 marcada pelo surgimento das poderosas m\u00e1fias e do imenso aparelho policial unidos na explora\u00e7\u00e3o comum dos lucros de um com\u00e9rcio proibido. Essa experi\u00eancia viria a se repetir no final do s\u00e9culo XX, em escala global, com a dimens\u00e3o de um com\u00e9rcio de altos lucros, gerador de uma crescente viol\u00eancia. Nesse processo, \u201co consumo de drogas il\u00edcitas cresce n\u00e3o apesar do proibicionismo tamb\u00e9m crescente, mas exatamente devido ao mecanismo do proibicionismo\u201d.<sup>32<\/sup><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, observa-se a proibi\u00e7\u00e3o formal de certas subst\u00e2ncias e a aceita\u00e7\u00e3o de outras. Essa discrimina\u00e7\u00e3o de algumas subst\u00e2ncias obedece a elementos culturais e econ\u00f4micos. O \u00e1lcool, por exemplo, embora tenha sido proibido no come\u00e7o do s\u00e9culo nos Estados Unidos e na R\u00fassia, \u00e9 tolerado, em geral, nas sociedades ocidentais, bem como o tabaco, enquanto subst\u00e2ncias reconhecidamente menos nocivas, como os derivados da cannabis, s\u00e3o proibidas. Os crit\u00e9rios para a legitimidade ou n\u00e3o dessa proibi\u00e7\u00e3o s\u00e3o arbitrariamente estabelecidos, afinal algumas das subst\u00e2ncias mais perigosas s\u00e3o permitidas devido ao seu uso tradicional no Ocidente crist\u00e3o. S\u00e3o exemplos disso o que \u201cincorporou-se, desde a guerra da Crim\u00e9ia, \u00e0 ra\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos e aos h\u00e1bitos do povo. O ch\u00e1 e o \u00f3pio, \u00e0 dieta da Inglaterra vitoriana. E o \u00e1lcool, na forma do vinho, da cerveja e dos destilados, continua sendo a bebida nacional de muitos povos\u201d.<sup>33<\/sup><\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de interdi\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e do consumo de drogas como estrat\u00e9gia global s\u00e3o recentes historicamente, coincidindo com a defini\u00e7\u00e3o moral do que seriam drogas de uso il\u00edcito e drogas de uso livre. Cerca de um s\u00e9culo atr\u00e1s, \u201cpraticamente nenhuma droga, de uso medicamentoso ou n\u00e3o, era sequer objeto de controle, quanto mais de criminaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>34<\/sup> O processo de proibi\u00e7\u00e3o se deu em conjun\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento da ind\u00fastria farmac\u00eautica e com o crescimento da import\u00e2ncia social das atividades biom\u00e9dicas, passando as pol\u00edticas de repress\u00e3o a ter de usar a ret\u00f3rica m\u00e9dica e jur\u00eddica. Nesse processo, \u201ca proibi\u00e7\u00e3o oferece ao Estado uma importante justificativa para intervir na sociedade, atrav\u00e9s de uma repress\u00e3o que, em verdade, incide apenas sobre os usu\u00e1rios e traficantes varejistas\u201d.<sup>35<\/sup><\/p>\n<p>O tema da sa\u00fade p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas deve ser apresentado o melhor embasado poss\u00edvel. O uso equivocado ou moralista de determinados argumentos pode atrapalhar, inclusive, a possibilidade de avan\u00e7os na pesquisa ou mesmo no uso medicinal de algumas subst\u00e2ncias. Por outro lado, ao debater a proibi\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, \u00e9 bastante comum que se levante temas como o uso pol\u00edtico das drogas em outros momentos hist\u00f3ricos ou os interesses em abstrato do imperialismo, embora a prioridade devesse ser o impacto na sa\u00fade das pessoas. Deve-se considerar, independente da defesa do proibicionismo ou n\u00e3o, que, \u201csob as condi\u00e7\u00f5es impostas pelo capitalismo aos trabalhadores, estes n\u00e3o est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de moderar conscientemente o uso de droga alguma. A droga se torna um canal de fuga da persistente realidade cotidiana de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Cair no abuso \u00e9 quase inevit\u00e1vel\u201d.<sup>36<\/sup><\/p>\n<p>Um argumento presente em textos da esquerda para defender a proibi\u00e7\u00e3o das drogas atualmente ilegais seria o de que haveria um aumento do consumo, diante da possibilidade de distribui\u00e7\u00e3o massiva. Cabe destacar, em primeiro lugar, que atualmente j\u00e1 existe uma distribui\u00e7\u00e3o massiva de drogas, tanto legais como ilegais. Em um cen\u00e1rio de legaliza\u00e7\u00e3o, a \u00fanica diferen\u00e7a seria que uma parcela das drogas que atualmente s\u00e3o vendidas clandestinamente deveria seguir crit\u00e9rios de produ\u00e7\u00e3o definidos pelo Estado e seriam pass\u00edveis de cobran\u00e7a de impostos.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas necessariamente leva ao aumento do consumo. Pelo contr\u00e1rio, nos Estados Unidos se observou redu\u00e7\u00e3o no consumo de maconha entre adolescentes em algumas localidades onde houve a legaliza\u00e7\u00e3o.<sup>37<\/sup> Conclus\u00f5es semelhantes foram apontadas em estudos realizados acerca da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas em Portugal.<sup>38<\/sup> Contudo, uma tend\u00eancia contr\u00e1ria foi observada em outros pa\u00edses, mostrando que o debate \u00e9 muito mais complexo do que a mera apresenta\u00e7\u00e3o de dados parciais.<sup>39<\/sup> Nesse sentido, afirmar que a legaliza\u00e7\u00e3o necessariamente levar\u00e1 ao aumento ou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do consumo n\u00e3o passa de especula\u00e7\u00e3o, devendo se considerar outros fatores, como as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e culturais espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Entende-se legaliza\u00e7\u00e3o como a regulamenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e descriminaliza\u00e7\u00e3o da venda. No atual contexto, as drogas consideradas ilegais s\u00e3o produzidas e comercializadas sem qualquer crit\u00e9rio, com pre\u00e7os arbitrados pela pr\u00f3pria l\u00f3gica do com\u00e9rcio clandestino. Nesse sentido, a criminaliza\u00e7\u00e3o de algumas drogas, \u201cao produzir a clandestinidade, diminui a possibilidade de regulamenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica das transa\u00e7\u00f5es, refor\u00e7a a possibilidade de oligop\u00f3lios e cart\u00e9is, diminui a concorr\u00eancia e a prote\u00e7\u00e3o ao consumidor\u201d.<sup>40<\/sup> Esse mercado est\u00e1 normalmente relacionado a empresas que lavam o dinheiro, criando \u201cum mercado clandestino de grandes propor\u00e7\u00f5es e, juntamente com ele, o surgimento de traficantes e outros tipos de criminosos\u201d.<sup>41<\/sup><\/p>\n<p>Outra afirma\u00e7\u00e3o para ser contra a proposta de legaliza\u00e7\u00e3o das drogas passa pelo fato de setores empresariais defenderem essa medida. Pelas propostas defendidas por diferentes segmentos da sociedade, com a regulamenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da descriminaliza\u00e7\u00e3o do consumo, a comercializa\u00e7\u00e3o passa a ser descriminalizada. Nesse cen\u00e1rio, seria preciso que a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o seguissem regras estabelecidas pelo Estado, garantindo crit\u00e9rios de produ\u00e7\u00e3o. Contudo, diferente do que alegam setores da esquerda, isso n\u00e3o tiraria as drogas do tr\u00e1fico comandado pelo crime organizado, enquanto o com\u00e9rcio sem controle do Estado poderia seguir vigente, alimentado inclusive por setores empresariais do ramo. Essa contradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria resolvida nem pela legaliza\u00e7\u00e3o, nem pela perman\u00eancia da proibi\u00e7\u00e3o, na medida em que o Estado poderia ser um parceiro tanto das empresas que fabricariam essas drogas como do crime organizado na distribui\u00e7\u00e3o ilegal dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o proibicionismo seja prejudicial \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica ou mesmo que a legaliza\u00e7\u00e3o trar\u00e1 alguma melhoria. Contudo, ainda que o tema seja controverso, podem-se inferir alguns aspectos que apontam caminhos para uma pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas. Em primeiro lugar, a repress\u00e3o do Estado ao consumo \u00e9 um elemento que deve ser combatido, enquanto serve apenas para n\u00e3o encarar o problema das drogas como um tema de sa\u00fade p\u00fablica. Segundo, que o uso livre e indiscriminado de drogas \u00e9 nocivo, em muitos casos expressando problemas relacionados ao cotidiano das pessoas, sendo prejudicial a ampla disponibilidade tanto de drogas legais como ilegais. E, terceiro, que se trata de um problema a ser discutido e encaminhado a partir de uma ampla discuss\u00e3o na sociedade, embasado em evid\u00eancias cient\u00edficas e envolvendo diferentes \u00e1reas do conhecimento, sem recorrer a moralismos ou a especula\u00e7\u00f5es embasadas no senso comum.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1 Mostramos o que alguns te\u00f3ricos marxistas discutiram sobre drogas em texto anteriormente publicado no Outras Palavras, que pode ser lido em https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/o-que-alguns-marxistas-nos-dizem-sobre-as-drogas\/<\/p>\n<p>2 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 22.<\/p>\n<p>3 CRUZ, Diego. Legalizar as drogas: um passo contra a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e o genoc\u00eddio da juventude negra! PSTU. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.pstu.org.br\/legalizar-as-drogas-um-passo-contra-a-criminalizacao-da-pobreza-e-o-genocidio-da-juventude-negra\/<\/p>\n<p>4 CRUZ, Diego. Legalizar as drogas: um passo contra a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e o genoc\u00eddio da juventude negra! PSTU. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.pstu.org.br\/legalizar-as-drogas-um-passo-contra-a-criminalizacao-da-pobreza-e-o-genocidio-da-juventude-negra\/<\/p>\n<p>5 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 87.<\/p>\n<p>6 CRUZ, Diego. Legalizar as drogas: um passo contra a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e o genoc\u00eddio da juventude negra! PSTU. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.pstu.org.br\/legalizar-as-drogas-um-passo-contra-a-criminalizacao-da-pobreza-e-o-genocidio-da-juventude-negra\/<\/p>\n<p>7 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 30.<\/p>\n<p>8 CRUZ, Diego. Legalizar as drogas: um passo contra a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e o genoc\u00eddio da juventude negra! PSTU. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.pstu.org.br\/legalizar-as-drogas-um-passo-contra-a-criminalizacao-da-pobreza-e-o-genocidio-da-juventude-negra\/<\/p>\n<p>9 CRUZ, Diego. Legalizar as drogas: um passo contra a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e o genoc\u00eddio da juventude negra! PSTU. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.pstu.org.br\/legalizar-as-drogas-um-passo-contra-a-criminalizacao-da-pobreza-e-o-genocidio-da-juventude-negra\/<\/p>\n<p>10 CARNEIRO, Henrique. As necessidades humanas e o proibicionismo das drogas no s\u00e9culo XX. Outubro, n. 6, p. 115-28, 2002, p. 128.<\/p>\n<p>11 DEMOCRACIA SOCIALISTA. Resolu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do ativo de juventude da DS. Democracia Socialista. Dispon\u00edvel em https:\/\/democraciasocialista.org.br\/resolucoes-especificas-do-ativo-de-juventude-da-ds\/<\/p>\n<p>12 DEMOCRACIA SOCIALISTA. Resolu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do ativo de juventude da DS. Democracia Socialista. Dispon\u00edvel em https:\/\/democraciasocialista.org.br\/resolucoes-especificas-do-ativo-de-juventude-da-ds\/<\/p>\n<p>13 DEMOCRACIA SOCIALISTA. Resolu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do ativo de juventude da DS. Democracia Socialista. Dispon\u00edvel em https:\/\/democraciasocialista.org.br\/resolucoes-especificas-do-ativo-de-juventude-da-ds\/<\/p>\n<p>14 Trata-se do Projeto de Lei 7270\/2014, apresentado por Jean Wyllys, ent\u00e3o deputado federal do PSOL do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>15 COSTA, Pedro Henrique Antunes da Costa. Por um (outro) mundo com drogas: drogas, quest\u00e3o social e capitalismo. S\u00e3o Paulo: Usina Editorial, 2020, p. 219.<\/p>\n<p>16 COSTA, Pedro Henrique Antunes da Costa. Por um (outro) mundo com drogas: drogas, quest\u00e3o social e capitalismo. S\u00e3o Paulo: Usina Editorial, 2020, p. 219.<\/p>\n<p>17 COSTA, Pedro Henrique Antunes da Costa. Por um (outro) mundo com drogas: drogas, quest\u00e3o social e capitalismo. S\u00e3o Paulo: Usina Editorial, 2020, p. 222.<\/p>\n<p>18 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 22.<\/p>\n<p>19 HENRIQUE, Carlos. O STF e a descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas: a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger o usu\u00e1rio? Juventude Revolu\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em https:\/\/juventuderevolucao.com.br\/o-stf-e-a-descriminalizacao-das-drogas-a-intencao-e-proteger-o-usuario<\/p>\n<p>20 ZAZO. Juventude e trabalhadores n\u00e3o precisam da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Juventude Revolu\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em https:\/\/juventuderevolucao.com.br\/juventude-e-trabalhadores-nao-precisam-da-legalizacao-das-drogas-eles-querem-empregoeducacaosaude-diversao-e-arte\/<\/p>\n<p>21 HENRIQUE, Carlos. O STF e a descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas: a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger o usu\u00e1rio? Juventude Revolu\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em https:\/\/juventuderevolucao.com.br\/o-stf-e-a-descriminalizacao-das-drogas-a-intencao-e-proteger-o-usuario<\/p>\n<p>22 ZAZO. Juventude e trabalhadores n\u00e3o precisam da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Juventude Revolu\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em https:\/\/juventuderevolucao.com.br\/juventude-e-trabalhadores-nao-precisam-da-legalizacao-das-drogas-eles-querem-empregoeducacaosaude-diversao-e-arte\/<\/p>\n<p>23 ZAZO. Juventude e trabalhadores n\u00e3o precisam da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Juventude Revolu\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em https:\/\/juventuderevolucao.com.br\/juventude-e-trabalhadores-nao-precisam-da-legalizacao-das-drogas-eles-querem-empregoeducacaosaude-diversao-e-arte\/<\/p>\n<p>24 RAMIREZ, F\u00e1bio. Drogas: instrumento de destrui\u00e7\u00e3o da juventude e pilar de sustenta\u00e7\u00e3o do capitalismo. Marxismo. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.marxismo.org.br\/content\/drogas-instrumento-de-destruicao-da-juventude-e-pilar-de-sustentacao-do-capitalismo<\/p>\n<p>25 RAMIREZ, F\u00e1bio. Drogas: instrumento de destrui\u00e7\u00e3o da juventude e pilar de sustenta\u00e7\u00e3o do capitalismo. Marxismo. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.marxismo.org.br\/content\/drogas-instrumento-de-destruicao-da-juventude-e-pilar-de-sustentacao-do-capitalismo<\/p>\n<p>26 PAQUI, Iago Sartori. Drogas: uma das principais armas do capitalismo contra a juventude. O Comunismo, n\u00ba 4, ago. 2024, p. 8.<\/p>\n<p>27 PAQUI, Iago Sartori. Drogas: uma das principais armas do capitalismo contra a juventude. O Comunismo, n\u00ba 4, ago. 2024, p. 8.<\/p>\n<p>28 PAQUI, Iago Sartori. Drogas: uma das principais armas do capitalismo contra a juventude. O Comunismo, n\u00ba 4, ago. 2024, p. 9.<\/p>\n<p>29 RAMIREZ, F\u00e1bio. Drogas: instrumento de destrui\u00e7\u00e3o da juventude e pilar de sustenta\u00e7\u00e3o do capitalismo. Marxismo. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.marxismo.org.br\/content\/drogas-instrumento-de-destruicao-da-juventude-e-pilar-de-sustentacao-do-capitalismo<\/p>\n<p>30 DEZORZI, Caio. Drogas e luta de classes. S\u00e3o Paulo: Editora Marxista, 2019, p. 15.<\/p>\n<p>31 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 27.<\/p>\n<p>32 CARNEIRO, Henrique. As necessidades humanas e o proibicionismo das drogas no s\u00e9culo XX. Outubro, n. 6, p. 115-28, 2002, p. 116.<\/p>\n<p>33 CARNEIRO, Henrique. As necessidades humanas e o proibicionismo das drogas no s\u00e9culo XX. Outubro, n. 6, p. 115-28, 2002, p. 117.<\/p>\n<p>34 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 82.<\/p>\n<p>35 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 29.<\/p>\n<p>36 DEZORZI, Caio. Drogas e luta de classes. S\u00e3o Paulo: Editora Marxista, 2019, p. 31.<\/p>\n<p>37 GREENME. Nos Estados Unidos cai o consumo da maconha ap\u00f3s sua legaliza\u00e7\u00e3o. greenMe! Dispon\u00edvel em https:\/\/www.greenme.com.br\/viver\/costume-e-sociedade\/4874-estados-unidos-cai-o-consumo-da-maconha. Acesso em 10\/07\/2018.<\/p>\n<p>38 PLATONOW, Vladimir. Especialista diz que descriminaliza\u00e7\u00e3o reduziu consumo de drogas em Portugal. Ag\u00eancia Brasil. Dispon\u00edvel em http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/amphtml\/geral\/noticia\/2015-11\/especialista-diz-que-descriminalizacao-reduziu-consumo-de-drogas-em-portugal. Acesso em 10\/07\/2018.<\/p>\n<p>39 ONU. Legaliza\u00e7\u00e3o de cannabis aumentou o consumo di\u00e1rio, afirma estudo da ONU. ONU News. Dispon\u00edvel em https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2022\/06\/1793942. Acesso em 14\/05\/2024.<\/p>\n<p>40 DELMANTO, J\u00falio. Camaradas caretas: drogas e esquerda no Brasil. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2015, p. 97.<\/p>\n<p>41 TEIXEIRA, Luciana da Silva. Impacto econ\u00f4mico da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Bras\u00edlia: C\u00e2mara dos Deputados, 2016, p. 45.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Mas para alguns, os psicotr\u00f3picos s\u00e3o alienantes e \u201carma do capitalismo\u201d. O debate deve passar pela Ci\u00eancia e di\u00e1logos interdisciplinares &#8212; n\u00e3o moralismo <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/drogas-o-labirinto-da-esquerda\/\">Drogas: O labirinto da esquerda<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50062,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[18120,5599,18121,18122,18123],"tags":[],"class_list":["post-50061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antiproibicionismo","category-descolonizacoes","category-drogas-e-alienacao","category-drogas-e-esquerda","category-proibicionismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50061\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}