{"id":50069,"date":"2025-09-05T20:00:56","date_gmt":"2025-09-05T23:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/para-que-soberania-nao-seja-slogan-vazio\/"},"modified":"2025-09-05T20:00:56","modified_gmt":"2025-09-05T23:00:56","slug":"para-que-soberania-nao-seja-slogan-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-que-soberania-nao-seja-slogan-vazio\/","title":{"rendered":"Para que Soberania n\u00e3o seja slogan vazio"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"551\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250905-soberania2b.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250905-soberania2b.jpg 1000w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250905-soberania2b-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250905-soberania2b-768x423.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250905-soberania2b-700x387.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250905-soberania2b-219x121.jpg 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Paulo Nogueira Batista Jr. <\/strong>e<strong> Manoel Casado<\/strong><\/p>\n<p>T\u00edtulo original:<br \/><strong>\u00c9 preciso praticar, e n\u00e3o apenas proclamar a soberania<\/strong><\/p>\n<p>Trump enterrou a arquitetura comercial internacional que os Estados Unidos criaram. Foi sem cerim\u00f4nia. A velha ordem liberal teve um enterro de indigente.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-1-1.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Como fica o Brasil? Desde fins do s\u00e9c. XIX, a maior amea\u00e7a externa \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do potencial brasileiro t\u00eam sido os EUA. De uma maneira ou de outra, temos tido nossa a\u00e7\u00e3o constrangida pelo controle que os norte-americanos exercem sobre a maior parte do Hemisf\u00e9rio Ocidental. \u00c9 novo, no entanto, o tipo de ataque agora perpetrado por Trump contra o governo do Brasil.<\/p>\n<p>O principal instrumento para dobrar o Pa\u00eds foi a imposi\u00e7\u00e3o de tarifa de importa\u00e7\u00e3o de 50%, aplicada a bens exportados para os EUA. Em resposta, o governo brasileiro apelou \u00e0 diplomacia e recorreu \u00e0 OMC. Ao mesmo tempo, desenhou formas de amortecer o impacto sobre produtores brasileiros e acena cautelosamente com a imposi\u00e7\u00e3o de medidas de retalia\u00e7\u00e3o, invocando a Lei de Reciprocidade Econ\u00f4mica, que autoriza o pa\u00eds a responder a medidas unilaterais impostas por parceiros comerciais.<\/p>\n<p>Outra linha de a\u00e7\u00e3o reside em apostar na busca de novos destinos para bens que export\u00e1vamos para os EUA. Embora geralmente dif\u00edcil, essa busca \u00e9 indispens\u00e1vel, uma vez que n\u00e3o se pode mais confiar no acesso ao mercado dos EUA.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, disposi\u00e7\u00e3o de alterar o perfil de nossa pauta de exporta\u00e7\u00e3o. A \u00eanfase \u00e9 dada \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o das vendas ao exterior. Mais do que isso, essa \u00e9 uma das formas pelas quais o presidente Lula quer fazer o pa\u00eds crescer<sup><sup>1<\/sup><\/sup>. \u201c\u00c9 como se eu fosse um mascate. O que voc\u00ea tem para vender? O que voc\u00ea tem para comprar? \u00c9 assim que eu quero fazer esse pa\u00eds crescer\u201d, disse ele recentemente. Mas essa \u00e9 uma receita que n\u00e3o nos entregar\u00e1 crescimento sustentado nem nos ajudar\u00e1 a garantir nossa soberania.<\/p>\n<p><em>Commodities<\/em> e produtos de baixo valor agregado s\u00e3o a marca de nossa rela\u00e7\u00e3o comercial com o resto do mundo. N\u00e3o temos comando sobre os pre\u00e7os que garantem o bom desempenho de nossa balan\u00e7a comercial. Vivemos ao sabor de mercados internacionais \u2013 de soja, caf\u00e9, min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo etc. Condi\u00e7\u00e3o que repercute negativamente sobre v\u00e1rias outras dimens\u00f5es da vida nacional, como sa\u00fade, defesa, energia, meio ambiente e economia digital.<\/p>\n<p>Essa vulnerabilidade estrutural permanecer\u00e1 inalterada se, ao inv\u00e9s de transformarmos nosso horizonte produtivo e nosso tecido industrial, procurarmos t\u00e3o-somente novos demandantes para o que j\u00e1 produzimos. A mera diversifica\u00e7\u00e3o de destinos nos aprisionar\u00e1 num modelo prim\u00e1rio-exportador \u2013 politicamente conservador, economicamente concentrador de renda e ambientalmente predat\u00f3rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 um agravante, e este \u00e9 o ponto que queremos destacar neste artigo: o governo pretende garantir essa diversifica\u00e7\u00e3o por meio de acordos de livre com\u00e9rcio com pa\u00edses desenvolvidos. O acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia \u00e9 o exemplo mais bem acabado dessa estrat\u00e9gia e possui, para a presente reflex\u00e3o, dupla utilidade: (i) ilustrar a postura brasileira frente \u00e0s grandes tend\u00eancias internacionais da atualidade; e (ii) servir de par\u00e2metro sobre o que se pode esperar dessa escolha.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/HUCITEC-vozesindigenas-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/HUCITEC-vozesindigenas-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-vozesindigenas-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Contexto internacional e o acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/p>\n<p>Crises m\u00faltiplas, superpostas e persistentes \u2013 financeira, clim\u00e1tica, geopol\u00edtica e sanit\u00e1ria \u2013 caracterizam a nova realidade global e t\u00eam escancarado vulnerabilidades estruturais dos pa\u00edses. N\u00e3o \u00e0 toa, a quest\u00e3o nacional volta \u00e0 baila. No plano econ\u00f4mico, governos apostam em investimentos p\u00fablicos massivos em setores estrat\u00e9gicos \u2013 notadamente nos segmentos ligados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, transforma\u00e7\u00e3o digital e ao complexo industrial-militar. Esse novo protagonismo estatal \u00e9 incompat\u00edvel com as prescri\u00e7\u00f5es do antigo Consenso de Washington, fundado no trin\u00f4mio desregulamenta\u00e7\u00e3o, desestatiza\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o. Essa abordagem foi abandonada h\u00e1 algum tempo nos pa\u00edses desenvolvidos onde se originou, mas parece ter fincado ra\u00edzes na Am\u00e9rica Latina, at\u00e9 mesmo no Brasil, pa\u00eds que se mostrava um pouco mais refrat\u00e1rio a essa ideologia. Como disse certa vez Mill\u00f4r Fernandes, as ideologias quando ficam caducas v\u00eam se refugiar na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Na China, desnecess\u00e1rio dizer, o controle estrat\u00e9gico sobre fluxos comerciais e de investimentos, e o planejamento econ\u00f4mico est\u00e3o na base da trajet\u00f3ria de desenvolvimento mais extraordin\u00e1ria desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<sup><sup>2<\/sup><\/sup>. As lideran\u00e7as chinesas nunca se deixaram seduzir pelas falsas promessas do neoliberalismo.<\/p>\n<p>Em face da nova realidade internacional, como reage o Presidente Lula? Em seu discurso de vit\u00f3ria, em 30 de outubro de 2022, o Presidente eleito afirmou que \u201c<em>n\u00e3o nos interessam acordos comerciais que condenem nosso pa\u00eds ao eterno papel de exportador de commodities e mat\u00e9rias-primas.<\/em>\u201d Em 1\u00ba de janeiro de 2023, quando do seu juramento \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, foi ainda mais did\u00e1tico:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>O Brasil \u00e9 grande demais para renunciar a seu potencial produtivo. N\u00e3o faz sentido importar combust\u00edveis, fertilizantes, plataformas de petr\u00f3leo, microprocessadores, aeronaves e sat\u00e9lites. Temos capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, capitais e mercado em grau suficiente para retomar a industrializa\u00e7\u00e3o e a oferta de servi\u00e7os em n\u00edvel competitivo.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No entanto, as ambiguidades e contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o tardaram a chegar. A estrat\u00e9gia de com\u00e9rcio exterior adotada n\u00e3o foi nada consistente com esses compromissos. Ainda em janeiro de 2023, Lula expressou seu desejo de \u201ctrabalhar de forma muito dura para concretizar esse acordo\u201d (de livre com\u00e9rcio entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia)<sup><sup>3<\/sup><\/sup>. Segundo o mandat\u00e1rio brasileiro, a inten\u00e7\u00e3o era conclu\u00ed-lo at\u00e9 junho de 2023 \u2013 contanto que alguns aspectos do acordo conclu\u00eddo em 2019 fossem alterados. Diziam respeito basicamente a compras p\u00fablicas, o calend\u00e1rio de desgrava\u00e7\u00e3o do setor automotivo e a possibilidade de estabelecimento de imposto de exporta\u00e7\u00e3o para minerais cr\u00edticos. Sua ess\u00eancia, no entanto, permaneceria intacta: a ind\u00fastria brasileira foi trocada por acesso limitado ao mercado de bens agr\u00edcolas europeus<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>O governo mobilizou todas as energias para anunciar a conclus\u00e3o do acordo com a Uni\u00e3o Europeia na c\u00fapula do Mercosul de dezembro de 2023. Embora n\u00e3o se tenha alcan\u00e7ado esse objetivo naquele momento, a c\u00fapula do Mercosul n\u00e3o foi \u201cdesperdi\u00e7ada\u201d. O fim da presid\u00eancia <em>pro tempore<\/em> brasileira foi marcado pelo an\u00fancio da conclus\u00e3o do acordo de livre com\u00e9rcio com Singapura. Pois bem, ainda que pare\u00e7a inofensiva, por se tratar de economia de uma cidade-Estado, Singapura \u00e9 uma importante base de reexporta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser um dos maiores fornecedores globais de plataformas e sondas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do mundo \u2013 setor liberalizado pelo acordo e que o governo Lula supostamente planeja reerguer no Brasil.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2024, houve a conclus\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es do Acordo com a UE. Recorde-se, aqui, que esse acordo havia sido fechado em 2019, ap\u00f3s 20 anos de negocia\u00e7\u00f5es. Com o alinhamento ideol\u00f3gico entre os governos Bolsonaro e Macri, na Argentina, criou-se oportunidade \u00fanica para que os dois principais pa\u00edses do Mercosul fizessem concess\u00f5es amplas, que jamais teriam sido feitas anteriormente, aos europeus.<\/p>\n<p>Apesar de o governo Lula defender um reequil\u00edbrio de seus termos, o acordo conclu\u00eddo em 2024 n\u00e3o alterou a base do que fora negociado em 2019, como veremos adiante. Some-se a isso, o compromisso do governo em promover, entre outros, acordos de livre com\u00e9rcio com Canad\u00e1, EFTA (Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Livre Com\u00e9rcio), recentemente conclu\u00eddo, e Jap\u00e3o, anulando boa parte dos efeitos da Nova Ind\u00fastria Brasil, pol\u00edtica priorit\u00e1ria do governo.<\/p>\n<p><strong>O perfil de nossas trocas com os europeus e<br \/>a insufici\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es realizadas no acordo<\/strong><\/p>\n<p>Nossa balan\u00e7a comercial com os europeus \u00e9 uma esp\u00e9cie de espelho invertido. Em 2024, do total exportado para a UE (US$ 48,3 bilh\u00f5es), 52% foram de produtos da ind\u00fastria extrativa (32%) e da agropecu\u00e1ria (20%). Destas, a quase totalidade dos produtos j\u00e1 \u00e9 isenta de imposto de importa\u00e7\u00e3o na UE.<sup><sup>5<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Exporta\u00e7\u00f5es do Brasil para a UE \u2013 2024 (em US$)<\/td>\n<td colspan=\"3\">Produtos exportados mais relevantes \u2013 isentos de imposto de importa\u00e7\u00e3o pela UE (US$)<\/td>\n<td>Total (US$)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ind\u00fastria extrativa (15,7 bi \u2013 <strong>32%<\/strong>\/48,3 bi)<\/td>\n<td>\u00d3leos brutos 11,1 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>Min\u00e9rio de cobre 2,7 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>Min\u00e9rio de ferro 1,42 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>15,22 bilh\u00f5es (<strong>98%<\/strong>\/15,7 bilh\u00f5es)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Agropecu\u00e1ria (9,8 bi \u2013 <strong>20%<\/strong>\/48,3 bi)<\/td>\n<td>Caf\u00e9 n\u00e3o torrado 5,6 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>Soja 2,9 bilh\u00f5es<\/td>\n<td><\/td>\n<td>8,5 bilh\u00f5es (<strong>87%<\/strong>\/9,8 bilh\u00f5es)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p>A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, por sua vez, re\u00fane os produtos que tiveram alguma agrega\u00e7\u00e3o de valor. Suas exporta\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram US$ 22,4 bilh\u00f5es, ou 46% do total exportado (US$ 48,3 bilh\u00f5es). V\u00e3o de farelo de soja a avi\u00f5es da Embraer. Ocorre que o grosso do que exportamos nesse segmento pende mais para farelo de soja e outros produtos que sofrem transforma\u00e7\u00f5es muito simples, como por exemplo sucos de frutas, carnes frescas e tabaco. Nesse agregado (ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o), mais de 60% do que exportamos para a UE exibe essa caracter\u00edstica. Para que se tenha ideia do grau de import\u00e2ncia desses bens em nossa pauta comercial, exportamos para a UE, em valor, cinco vezes mais farelo de soja que produtos da ind\u00fastria aeron\u00e1utica.<\/p>\n<p>Ressalte-se, ainda, que produtos de interesse do setor agr\u00edcola brasileiro, como a\u00e7\u00facar, carne bovina e etanol, por exemplo, n\u00e3o ser\u00e3o liberalizados pelos europeus. Nestes casos, a UE n\u00e3o abriu m\u00e3o do com\u00e9rcio administrado por meio de cotas \u2013 muitas das quais pequenas ou insuficientes, dado que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras atuais j\u00e1 atingem ou superam os patamares definidos pelos europeus<sup><sup>6<\/sup><\/sup>. Para completar o quadro desfavor\u00e1vel a n\u00f3s, o governo brasileiro e seus parceiros no Mercosul aceitaram compromissos adicionais no sentido de restringir at\u00e9 mesmo um aumento discreto das exporta\u00e7\u00f5es desses bens \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. De acordo com novas cl\u00e1usulas, negociadas para contornar as resist\u00eancias da Fran\u00e7a, o simples aumento das exporta\u00e7\u00f5es em 10% justificaria investiga\u00e7\u00e3o com o objetivo de suspender a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial concedida ao Mercosul<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Por outro lado, 98% de nossas importa\u00e7\u00f5es oriundas da UE s\u00e3o constitu\u00eddas de bens manufaturados, especialmente daqueles de m\u00e9dia e alta intensidade tecnol\u00f3gica \u2013 os quais ser\u00e3o amplamente liberalizados pelo acordo. \u00c9 aqui onde se praticar\u00e1 o livre-com\u00e9rcio. Justamente onde mais perdemos e eles mais ganham.<\/p>\n<p>Importante frisar, ainda, que a m\u00e9dia do imposto de importa\u00e7\u00e3o do Brasil para bens da ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 de 12,5%<sup><sup>8<\/sup><\/sup>, enquanto a Uni\u00e3o Europeia aplica tarifa de importa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 4,1%<sup><sup>9<\/sup><\/sup>. Assim, a redu\u00e7\u00e3o a zero, no caso europeu, constituiria desconto tarif\u00e1rio insuficiente para que produtos brasileiros de maior intensidade tecnol\u00f3gica passassem a ter mais participa\u00e7\u00e3o no mercado europeu.<\/p>\n<p>Pois bem, caro leitor, \u00e9 essa a radiografia de nossa rela\u00e7\u00e3o comercial com os europeus. Ter\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es obtidas pelo governo Lula o cond\u00e3o de reorient\u00e1-la? Uma avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa mostra que n\u00e3o. Explicamos sucintamente.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as mais relevantes se concentraram em tr\u00eas \u00e1reas: a) certa margem de manobra em compras governamentais; b) algumas exce\u00e7\u00f5es \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de taxar exporta\u00e7\u00f5es de minerais cr\u00edticos; e c) um pequeno alongamento do cronograma de desgrava\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria no setor automobil\u00edstico<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p> Em compras governamentais, o acordo deixar\u00e1 o grosso das nossas licita\u00e7\u00f5es totalmente exposto a concorrentes europeus. O governo, \u00e9 verdade, negociou exce\u00e7\u00f5es importantes, como a possibilidade de estabelecer contrapartidas comerciais, a preserva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para pequenas e m\u00e9dias empresas, das compras do SUS e de programas voltados \u00e0 agricultura familiar. Mas para tudo isso deveremos apresentar justificativa. Hoje nosso raio de manobra \u00e9 maior \u2013 sem contar o fato de que sempre podemos alterar nossa legisla\u00e7\u00e3o interna com mais facilidade. Em contraste, a postura chinesa chama aten\u00e7\u00e3o: mesmo com a for\u00e7a tecnol\u00f3gica de sua ind\u00fastria e o peso de suas exporta\u00e7\u00f5es, a China mant\u00e9m fechado o seu mercado de compras p\u00fablicas. Nesse campo, aceita apenas cl\u00e1usulas de transpar\u00eancia, sem conceder acesso a mercado.<\/p>\n<p>No caso dos minerais cr\u00edticos, que s\u00e3o essenciais para setores como energia e economia digital, o Brasil abriu m\u00e3o de sua liberdade atual de tributar exporta\u00e7\u00f5es. Criou-se apenas uma lista reduzida de produtos sujeitos a impostos de exporta\u00e7\u00e3o, limitados a 25%. Essa concess\u00e3o enfraquece a margem de manobra para garantir insumos estrat\u00e9gicos e estimular o processamento interno de minerais cruciais para cadeias industriais de ponta.<\/p>\n<p>Quanto ao setor automotivo, a \u00fanica conquista palp\u00e1vel, embora pouco relevante, foi a dilata\u00e7\u00e3o do cronograma de elimina\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o. Para ve\u00edculos eletrificados, a redu\u00e7\u00e3o a zero ser\u00e1 conclu\u00edda em 18 anos; para ve\u00edculos a hidrog\u00eanio, em 25 anos; e para aqueles movidos a novas tecnologias, em 30 anos. Nos demais casos, prevalece o prazo original de 15 anos. Passados esses per\u00edodos, a ind\u00fastria brasileira ficar\u00e1 virtualmente desprotegida, em competi\u00e7\u00e3o direta com a europeia, que possui acesso a financiamento mais barato e economias de escala superiores. E para n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 escape semelhante ao que se conferiu ao setor agr\u00edcola europeu. Somente em casos de disparada de importa\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos \u00e9 que o Mercosul poderia iniciar processo para suspens\u00e3o ou recomposi\u00e7\u00e3o das tarifas, mas por apenas tr\u00eas anos. Nessas condi\u00e7\u00f5es, por que as montadoras europeias continuariam a produzir no Brasil, espremidas que est\u00e3o entre americanas e chinesas?<\/p>\n<p>Faz muito sentido, portanto, constata\u00e7\u00e3o recente do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em rela\u00e7\u00e3o ao acordo de livre com\u00e9rcio com os europeus, ao afirmar em evento em Paris (31\/03\/25) que:<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea olha, do ponto de vista meramente econ\u00f4mico, n\u00e3o salta \u00e0 vista uma grande vantagem para o Mercosul. Teve l\u00e1 salvaguardas, mas se voc\u00ea perguntar para qualquer diplomata brasileiro se l\u00e1 tem uma vantagem econ\u00f4mica expl\u00edcita que vai efetivamente representar um salto para a neoindustrializa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai encontrar nenhuma cl\u00e1usula que garanta isso (\u2026). O Mercosul tamb\u00e9m, se fizer a conta mais mesquinha, vai encontrar uma s\u00e9rie de raz\u00f5es para n\u00e3o fazer, para n\u00e3o agregar, para n\u00e3o somar com a Europa<sup><sup>11<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Em abril, Haddad afirmou que \u201celes (os europeus) podem enxergar o potencial do Mercosul como uma forma de recobrar a competitividade que a ind\u00fastria europeia perdeu\u201d. Declara\u00e7\u00e3o curiosa que sugere a aceita\u00e7\u00e3o por parte do governo brasileiro de que \u00e9 a neoindustrializa\u00e7\u00e3o da Europa que o acordo favorece, ao mesmo tempo em que solapa a proclamada neoindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 enorme a dist\u00e2ncia entre a capacidade produtiva, tecnol\u00f3gica e financeira da Europa e a do Brasil. E se esta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de partida, faz pouco sentido imaginar que o acordo promover\u00e1 integra\u00e7\u00e3o equilibrada entre as duas regi\u00f5es<sup>12<\/sup>. Como afirmou importante negociador europeu, na \u00e9poca em que Bolsonaro e Macri fizeram concess\u00f5es sem precedentes, \u201cwe got away with murder on this deal\u201d (esse acordo \u00e9 t\u00e3o favor\u00e1vel a n\u00f3s que caracteriza um assassinato \u2013 tradu\u00e7\u00e3o livre)<sup><sup>13<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Incrivelmente, como j\u00e1 mencionado, o \u00edmpeto liberalizante do governo n\u00e3o para por a\u00ed, pois est\u00e1 avan\u00e7ando em uma s\u00e9rie de outros acordos de livre com\u00e9rcio com pa\u00edses com densidade industrial e capacidade tecnol\u00f3gica e de financiamento muito superiores \u00e0s do Brasil. Todos esses acordos, herdados do governo Bolsonaro, t\u00eam perfil e consequ\u00eancias semelhantes. Se acrescentarmos a esse cen\u00e1rio os desvios de com\u00e9rcio que dever\u00e3o ocorrer a partir da pol\u00edtica tarif\u00e1ria dos EUA, testemunharemos, muito provavelmente, a transforma\u00e7\u00e3o de nosso mercado em escoadouro de mercadorias de diferentes pa\u00edses. Segundo o <em>Financial Times<\/em>, espera-se que o acordo com o Mercosul compense em cerca de 1\/3 as perdas da Uni\u00e3o Europeia com as exporta\u00e7\u00f5es que deixar\u00e3o de ocorrer para os EUA<sup>14<\/sup>. O Brasil corre assim o risco de ter como futuro o retorno ao passado, desempenhando, ainda que com algumas atualiza\u00e7\u00f5es, o papel de fazenda e mina do mundo.<\/p>\n<p><strong>Livre-com\u00e9rcio n\u00e3o \u00e9 meio para desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que desenvolvimento e com\u00e9rcio est\u00e3o intimamente relacionados. Mas desenvolvimento e livre com\u00e9rcio, n\u00e3o. A China n\u00e3o teria se transformado numa pot\u00eancia industrial e tecnol\u00f3gica nos \u00faltimos 40 anos se adotasse o livre com\u00e9rcio como estrat\u00e9gia. Com dire\u00e7\u00e3o estatal e planejamento, promoveu uma extraordin\u00e1ria transforma\u00e7\u00e3o produtiva e tecnol\u00f3gica de sua economia. Hist\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 apenas chinesa. EUA, Alemanha, Jap\u00e3o, Coreia do Sul \u2014 virtualmente todos os pa\u00edses desenvolvidos relevantes \u2014 percorreram trajet\u00f3ria semelhante em sua \u00e9poca de ascens\u00e3o. Transformaram estruturalmente suas economias, e com isso passaram a ocupar lugar de destaque no com\u00e9rcio internacional. O desenvolvimento produtivo e tecnol\u00f3gico foi o que levou a n\u00edveis crescentes de participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional, e n\u00e3o o contr\u00e1rio<sup><sup>15<\/sup><\/sup>. O com\u00e9rcio exterior foi utilizado apenas como ferramenta, administrado estrategicamente para incentivar a produ\u00e7\u00e3o local e as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o se pode perder de vista que a independ\u00eancia pol\u00edtica de um pa\u00eds anda de m\u00e3os dadas com sua independ\u00eancia econ\u00f4mica. Se o Brasil consolidar, em tratados com pa\u00edses desenvolvidos, a ampla liberaliza\u00e7\u00e3o comercial de sua economia, o Brasil optar\u00e1 pela especializa\u00e7\u00e3o produtiva que caracteriza sua rela\u00e7\u00e3o atual com o resto do mundo.. A vis\u00e3o de um pa\u00eds aut\u00f4nomo defendida pelo presidente Lula n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a reprodu\u00e7\u00e3o de um presente essencialmente agr\u00edcola e extrativista.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 laborat\u00f3rio de acordos do tipo. O desfecho \u00e9 previs\u00edvel. M\u00e9xico, Chile e Col\u00f4mbia n\u00e3o nos deixam mentir. Campe\u00f5es de acordos de livre com\u00e9rcio, os tr\u00eas assinaram h\u00e1 algum tempo compromissos com a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos. Resultados: mera montagem, sem desenvolvimento produtivo e inova\u00e7\u00e3o (maquila), no caso do M\u00e9xico, e dois grandes exportadores de <em>commodities<\/em> agr\u00edcolas e minerais, nos casos de Chile e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Os defensores da abertura comercial costumam salientar que acordos desse tipo proporcionam o aumento de investimentos externos diretos (IDE). Embora influxos indiscriminados de IDE n\u00e3o sejam boa m\u00e9trica de desenvolvimento, como mostram categoricamente os casos do leste asi\u00e1tico, onde o capital nacional liderou o desenvolvimento, nossa rede de acordos comerciais at\u00e9 agora relativamente mais t\u00edmida n\u00e3o impediu o Brasil de ser o principal destino de investimento externo direto (IDE) da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>Por que Lula passou a defender de maneira t\u00e3o ardente<br \/>a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial da economia brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Seria o acordo com a Uni\u00e3o Europeia um tributo aos 25 anos de negocia\u00e7\u00f5es, com o objetivo de compensar os esfor\u00e7os dos que por tanto tempo participaram desse processo? Seria, como afirmaram alguns negociadores brasileiros, uma estrat\u00e9gia para preservar a unidade do Mercosul, tendo em vista que nos governos dos demais pa\u00edses do bloco, notadamente na Argentina, prevalecem tend\u00eancias liberalizantes?<sup><sup>16<\/sup><\/sup> Seria uma contribui\u00e7\u00e3o do Brasil ao multilateralismo, uma forma de \u201coferecer uma alternativa a um mundo bipolar\u201d<sup><sup>17<\/sup><\/sup>, como afirmou o Ministro Haddad? Ou gratid\u00e3o a l\u00edderes europeus que acusaram a injusta pris\u00e3o de Lula? Nenhuma dessas especula\u00e7\u00f5es justifica acordo t\u00e3o gravoso ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na atual quadra hist\u00f3rica, quando as pot\u00eancias industriais maduras e os principais pa\u00edses emergentes adotam estrat\u00e9gias nacionais de desenvolvimento ambiciosas, buscando n\u00edveis crescentes de autonomia e sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o presidente Lula realiza p\u00e9riplo pelo mundo numa esp\u00e9cie de miss\u00e3o ecum\u00eanica em defesa dos benef\u00edcios do livre com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Durante visita oficial a Pequim no \u00faltimo m\u00eas de maio, Lula afirmou que \u201cn\u00f3s temos que exportar agroneg\u00f3cio, utilizar o dinheiro que entra no Brasil para investir em educa\u00e7\u00e3o, para a gente poder ser competitivo com a China na produ\u00e7\u00e3o de carro el\u00e9trico, na produ\u00e7\u00e3o de baterias, na constru\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial. Ningu\u00e9m vai dar isso de gra\u00e7a para n\u00f3s brasileiros. O que queremos \u00e9 o multilateralismo para que a gente possa praticar o livre com\u00e9rcio. O livre com\u00e9rcio. A gente exporta o que a gente quiser, a gente compra o que a gente quiser\u201d<sup><sup>18<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Em termos objetivos, n\u00e3o faz sentido o Brasil adotar o livre com\u00e9rcio como meio para o desenvolvimento do Pa\u00eds<\/p>\n<p>O acordo com a Uni\u00e3o Europeia, assim como os demais acordos herdados do governo Bolsonaro, enfraquecem ou, na melhor das hip\u00f3teses, tornam sem efeito uma das principais pol\u00edticas de desenvolvimento do governo \u2013 a Nova Ind\u00fastria Brasil. Nenhum estudo de impacto realizado at\u00e9 hoje aponta para outro resultado. O acordo ir\u00e1 acentuar uma das mais graves desindustrializa\u00e7\u00f5es prematuras do mundo.<\/p>\n<p>Dever\u00edamos conceber uma inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica arrojada e criteriosa, que buscasse administrar fluxos comerciais e de investimentos em fun\u00e7\u00e3o de nossos interesses produtivos e tecnol\u00f3gicos. Tamb\u00e9m poder\u00edamos deixar claro que nos conv\u00eam parcerias econ\u00f4mico-comerciais voltadas ao desenvolvimento em sentido amplo, menos centradas em facilita\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o comercial, e mais focadas em arranjos produtivos mutuamente ben\u00e9ficas, capazes de promover adensamento produtivo e autonomia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Temos trunfos evidentes para construir parcerias do tipo: mercado continental, recursos naturais, centros de forma\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia, o ecossistema de inova\u00e7\u00e3o mais robusto da Am\u00e9rica Latina, entre outros fatores. E somos o pa\u00eds latino-americano mais disputado pelos principais centros globais de poder, dos EUA, passando pela Uni\u00e3o Europeia, \u00e0 China. Em vez de se entregar a um neoliberalismo superado, que fa\u00e7amos uso sistem\u00e1tico de nossa condi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, a fim de que possamos n\u00e3o apenas proclamar nossa soberania, mas garanti-la.<\/p>\n<p>1. Link: <u>https:\/\/www.instagram.com\/p\/DNJgjyoOl_7\/?img_index=1&amp;igsh=eHIzbWE2dzliaGNr<\/u><\/p>\n<p>2 Ver, por exemplo, Relat\u00f3rios do Governo dos EUA sobre o cumprimento dos compromissos assumidos pela China quando da sua entrada na OMC. Em 2022, conforme a USTR, <em>\u201cap\u00f3s 20 anos da acess\u00e3o \u00e0 OMC, a China ainda abra\u00e7a uma abordagem liderada pelo Estado e n\u00e3o baseada no mercado para a economia e o com\u00e9rcio internacional. [\u2026] Na verdade, a ado\u00e7\u00e3o dessa abordagem aumentou ao inv\u00e9s de diminuir ao longo do tempo [\u2026].<\/em> Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/ustr.gov\/sites\/default\/files\/files\/Press\/Reports\/2021USTR%20ReportCongressChinaWTO.pdf<\/u><\/p>\n<p>3 <u>https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2023\/01\/30\/lula-diz-querer-concluir-acordo-mercosul-ue-at-junho-mas-com-mudanas.ghtml<\/u><\/p>\n<p>4 Entedimento j\u00e1 bastante normalizado no debate p\u00fablico europeu. Aqui, uma das formas pelas quais o acordo costuma ser resumido: \u201c<strong>What\u2019s it all worth?\u00a0<\/strong>The deal aims to slash South American tariffs on EU-made cars, machines and industrial products, while allowing the four Mercosur countries in return to sell more agricultural goods into Europe\u201d. Link: https:\/\/www.politico.eu\/newsletter\/brussels-playbook\/mercosur-day\/<\/p>\n<p>5 N\u00fameros extra\u00eddos da plataforma de estat\u00edsticas de com\u00e9rcio exterior do governo federal. Podem ser encontrados neste link: <u>https:\/\/comexstat.mdic.gov.br\/pt\/comex-vis\/3\/22<\/u><\/p>\n<p>6 <u>https:\/\/www.viomundo.com.br\/politica\/marcelo-zero-acordo-mercosul-ue-que-ja-e-ruim-torna-se-inaceitavel-com-as-novas-e-draconianas-exigencias-europeias.html<\/u><\/p>\n<p>7 www.ft.com\/content\/91ed4920-d4e5-4fd5-9525-8d989340f319<\/p>\n<p>8 <u>Brazil Part A.1 Tariffs and imports: Summary and duty ranges Part A.2 Tariffs and imports by product groups Part B Exports t<\/u><\/p>\n<p>9 <u>WTO \u2013 Tariffs and imports: Summary and duty ranges<\/u><\/p>\n<p>10 www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/noticias\/2024\/12\/governo-federal-divulga-integra-do-acordo-de-parceria-entre-mercosul-e-uniao-europeia<\/p>\n<p>11 <u>Para Haddad, acordo com UE n\u00e3o \u00e9 uma grande vantagem para o Mercosul | Metr\u00f3poles<\/u><\/p>\n<p>12 Trabalho de 2023 do IPEA, ao revisar os principais estudos de impacto realizados sobre o acordo, aponta ganhos inexpressivos para o Brasil no flanco agr\u00edcola e perdas evidentes no setor industrial \u2013 sobretudo em m\u00e1quinas e equipamentos e no setor automotivo, setores intensivos em conhecimento. Mais do que isso, confirma que eventuais ganhos, sempre muito discretos, tender\u00e3o a promover, como resultado global, a regress\u00e3o produtiva do pa\u00eds. Acess\u00edvel em: www.ipea.gov.br\/cartadeconjuntura\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/230704_nota_32.pdf<\/p>\n<p>13 Batista Jr., Paulo N. Samuel e o acordo com a U.E. In: Carta Capital, 16.11.2023. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.cartacapital.com.br\/opiniao\/samuel-e-o-acordo-com-a-u-e\/<\/u><\/p>\n<p>14 www.ft.com\/content\/91ed4920-d4e5-4fd5-9525-8d989340f319<\/p>\n<p>15 <u>Trading in Illusions \u2013 Foreign Policy<\/u><\/p>\n<p>16 <u>https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/noticia\/2025\/07\/01\/mercosul-brasil-admite-reducao-das-tarifas-para-salvar-bloco-mas-teme-prejuizo-a-industria-nacional.ghtml<\/u><\/p>\n<p>17 <u>https:\/\/www.metropoles.com\/mundo\/economia-int\/para-haddad-acordo-com-ue-nao-e-uma-grande-vantagem-para-o-mercosul<\/u><\/p>\n<p>18 <u>https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/discursos-e-pronunciamentos\/2025\/05\/discurso-do-presidente-lula-no-encerramento-do-forum-empresarial-brasil-china<\/u><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Para que Soberania n\u00e3o seja slogan vazio appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/enfraquecimento-da-legislacao-ambiental-representa-enorme-retrocesso-avaliam-senadores\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Enfraquecimento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental representa...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/e-muito-dificil-que-o-desfile-da-academicos-de-niteroi-configure-propaganda-antecipada-diz-jurista\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u00c9 \u201cmuito dif\u00edcil que o desfile da Acad\u00eamicos de Ni...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/uma-a-cada-cinco-pessoas-no-brasil-mora-de-aluguel\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Situacao-dos-domicilios-brasileiros-1-1-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Uma a cada cinco pessoas no Brasil mora de aluguel<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lojas-da-tesla-de-elon-musk-sao-atacadas-nos-estados-unidos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lojas da Tesla, de Elon Musk, s\u00e3o atacadas nos Est...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em palavras, a resist\u00eancia do governo Lula a Trump \u00e9 valorosa. Mas na pol\u00edtica de com\u00e9rcio externo, e na aus\u00eancia de planejamento, o Brasil segue prisioneiro de dogmas neoliberais arcaicos, reprimarizado e submisso a acordos colonialistas<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/para-que-soberania-nao-seja-slogan-vazio\/\">Para que Soberania n\u00e3o seja slogan vazio<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50070,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2423,18139,2179,5511,18140,6007,10450,10316,17,9273,18141,18142,2956,4266,12533,3880,18143,18144,1048,1453,10265],"tags":[],"class_list":["post-50069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acordo-mercosul-uniao-europeia","category-acordos-colonialistas","category-acordos-comerciais","category-capa","category-comercio-externo","category-crise-brasileira","category-defesa-da-soberania","category-eua-x-brasil","category-governo-lula","category-livre-comercio","category-lula-reage-a-trump","category-mercosul-uniao-europeiia","category-neoliberalismo","category-papel-do-estado","category-patriotismo","category-planejamento","category-retorica-nacionalista","category-retorica-soberanista","category-soberania","category-trump","category-trump-x-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50069\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}