{"id":50076,"date":"2025-09-05T20:20:13","date_gmt":"2025-09-05T23:20:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/musculos-e-criptos-as-novas-usinas-da-misoginia\/"},"modified":"2025-09-05T20:20:13","modified_gmt":"2025-09-05T23:20:13","slug":"musculos-e-criptos-as-novas-usinas-da-misoginia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/musculos-e-criptos-as-novas-usinas-da-misoginia\/","title":{"rendered":"M\u00fasculos e criptos: as novas usinas da misoginia"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"720\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/canvas.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/canvas.png 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/canvas-300x180.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/canvas-768x461.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>Foto: Foto: Pikerepo<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Nuria Alabao, <\/strong>no CTXT<strong> | <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 o segundo texto de uma s\u00e9rie que se prop\u00f5e a percorrer as principais vertentes da masculinidade t\u00f3xica contempor\u00e2nea. <strong>O primeiro artigo est\u00e1 aqui<\/strong><\/p>\n<p>No artigo anterior, analisamos a esfera vinculada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es afetivas e sexuais, falando de artistas da conquista, \u201cincels\u201d, \u201cno fuckers\u201d e outras esp\u00e9cies antifeministas. O fio que conecta essas tend\u00eancias ao culto do corpo musculoso e ao investidor popular \u2013 especialmente em criptomoedas \u2013 \u00e9 o apelo ao desenvolvimento individual; o empreendedorismo de si mesmo explode nas redes.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-5-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-5-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Uma das explica\u00e7\u00f5es mais recorrentes para a ascens\u00e3o das extrema-direitas em todo o Ocidente aponta para o incremento da precariza\u00e7\u00e3o da vida, derivado do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e de seus poderes concomitantes, ap\u00f3s quarenta anos de neoliberalismo. J\u00e1 existem pesquisas que relacionam o aumento da precariedade entre os jovens com a rea\u00e7\u00e3o antifeminista, como este estudo de Javier Carbonell. Na <em>manosfera<\/em>, os sentimentos de inseguran\u00e7a, fracasso ou impot\u00eancia encontram uma explica\u00e7\u00e3o e uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em sentido reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que os jovens se deparam com uma aus\u00eancia de certezas vitais maior do que em gera\u00e7\u00f5es anteriores. Sem perspectivas laborais est\u00e1veis, t\u00eam enormes dificuldades para se independizar devido \u00e0 crise habitacional. Veem-se condenados a uma menoridade quase eterna \u2013 a idade de emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos pais \u00e9, na Espanha, de 30,4 anos. A tudo isso soma-se o peso psicol\u00f3gico da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica. Paradoxalmente, suas expectativas de consumo s\u00e3o muito altas, em um mundo no qual quase tudo est\u00e1 \u00e0 venda. J\u00e1 h\u00e1 mais produtos diferentes do que esp\u00e9cies vivas no planeta. E, ainda que uma parte da popula\u00e7\u00e3o esteja exclu\u00edda dessa orgia consumista, a l\u00f3gica do desejo segue operando como uma for\u00e7a central. Comprar objetos tem uma dimens\u00e3o identit\u00e1ria e aspiracional, serve para construir-se e representar-se perante o mundo. De modo que aumenta a dist\u00e2ncia entre os que acessam esse quase tudo e os que ter\u00e3o que se conformar com o que for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Neste contexto, a precariza\u00e7\u00e3o estrutural e as promessas truncadas podem ser uma estrada para a hecatombe emocional que os torna mais dependentes do sucesso nas redes. Tamb\u00e9m das mensagens que circulam na manosfera, onde a hipermasculinidade emerge como resposta compensat\u00f3ria, prometendo recuperar o controle sobre a pr\u00f3pria vida por meio da transforma\u00e7\u00e3o corporal e do sucesso econ\u00f4mico a partir da especula\u00e7\u00e3o. \u201cA hierarquia, isso que chamamos de patriarcado, est\u00e1 baseada na competi\u00e7\u00e3o. Seja respons\u00e1vel e ocupe sua posi\u00e7\u00e3o nela\u201d, diz Jordan B. Peterson, um dos famosos fil\u00f3sofos do antifeminismo que insta os homens a serem combativos \u201ccomo as lagostas\u201d.<\/p>\n<p>Os jovens constroem sua identidade hoje uma sociedade que alimenta ilus\u00e3o de cada um poder ser o que quiser (desde que tenha dinheiro). Por\u00e9m, veem que essa possibilidade lhes escapa entre os dedos. Neste contexto, reafirma\u00e7\u00e3o da masculinidade funciona como uma aposta contra o medo. As mensagens que estes jovens recebem lhes dizem que podem resistir, que n\u00e3o precisam de ningu\u00e9m. Ser homem, aqui, \u00e9 fundamentalmente isso: a imagem da autonomia absoluta, a soberania sobre o corpo e o destino que encontra seu curso na ideologia onipresente do empreendedorismo e em uma apela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento individual \u2013 <em>se voc\u00ea quiser, voc\u00ea pode<\/em>. De qualquer forma, melhor ser homem do que encontrar-se na absoluta intemp\u00e9rie. Algo a que se agarrar em meio ao colapso, mas que se revela uma aposta viciada: sustentar essa masculinidade \u00e9 um trabalho de S\u00edsifo, gera um custo excessivo e n\u00e3o garante escapar da incerteza.<\/p>\n<h3><strong>Vestidos de m\u00fasculos<\/strong><\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a pandemia, refor\u00e7aram-se as tend\u00eancias j\u00e1 existentes sobre o cuidado extremo da sa\u00fade, a alergia ao envelhecimento e o medo da morte. As redes transbordam de truques para cuidar de si, os shakes mais saud\u00e1veis \u2013 e repugnantes \u2013, as melhores rotinas de <em>skincare<\/em> para seguir prolongando a juventude at\u00e9 que a morte nos surpreenda. O culto ao corpo intensificou-se como uma das formas privilegiadas de subjetiva\u00e7\u00e3o. Este fen\u00f4meno expressa-se no auge das culturas do <em>fitness<\/em> e dos homens \u2013 frequentemente jovens \u2013 que investem dinheiro e disciplina na transforma\u00e7\u00e3o muscular de seus f\u00edsicos. Embora seja algo que atravessa todos os g\u00eaneros, para os homens h\u00e1 uma vers\u00e3o desta aposta pessoal que pode vincular-se ao antifeminismo. Esse nicho existe porque este processo de \u201csupera\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9, ao mesmo tempo, uma pr\u00e1tica de autodisciplina individual e uma forma de inser\u00e7\u00e3o coletiva em comunidades masculinas onde se negociam status, reconhecimento e senso de pertencimento; onde se pensa estar, tamb\u00e9m, um pouco menos sozinho.<\/p>\n<p>A possibilidade de \u201cfazer-se a si mesmo\u201d por meio da transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica converte-se assim em uma narrativa e em uma promessa. O corpo trabalhado funciona como prova vis\u00edvel de virilidade e m\u00e9rito pessoal. Se voc\u00ea tem sucesso dominando seu corpo, sem d\u00favida ter\u00e1 neste capitalismo competitivo que exige at\u00e9 a \u00faltima flex\u00e3o \u2014 madrugar, n\u00e3o deixar passar um minuto sem produzir, vender ou consumir algo. Neste sentido, a academia opera como uma f\u00e1brica de subjetividades meritocr\u00e1ticas, onde o m\u00fasculo substitui o capital como sinal de valor pessoal. Em um entorno onde as formas de constru\u00e7\u00e3o de um senso de valor pessoal est\u00e3o em crise \u2013 o trabalho como narrativa de vida, o respeito adquirido pelo papel que se ocupa na comunidade, ou mesmo o lugar na fam\u00edlia e seu sentido transcendente \u2013, a masculinidade expressada atrav\u00e9s do corpo funciona como um ref\u00fagio identit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Evidentemente h\u00e1 prazer na academia, na aprendizagem de habilidades corporais; h\u00e1 endorfinas, h\u00e1 formas de amizade e de companheirismo e autoestima. Mas isso pode combinar-se tamb\u00e9m com competitividade (compara\u00e7\u00e3o de corpos, dietas, rotinas), ang\u00fastia e a sensa\u00e7\u00e3o de que nunca se chega \u2013 para homens e mulheres. Plataformas como Reddit, Instagram ou TikTok intensificam este fen\u00f4meno, produzem subculturas onde se compartilha conhecimento t\u00e9cnico mas tamb\u00e9m onde circulam discursos de g\u00eanero e classe \u2013 e inclusive ra\u00e7a \u2013 altamente normativos. Sup\u00f5e-se ainda, falsamente, que mais m\u00fasculo equivale a mais capacidade de atra\u00e7\u00e3o sexual e portanto \u201cmelhor posi\u00e7\u00e3o\u201d nas hierarquias que atribuem valor segundo o poder de sedu\u00e7\u00e3o. Algumas destas comunidades oscilam entre a autoajuda e a hostilidade antifeminista, conectando com discursos da manosfera e do <em>redpill<\/em>. Nelas, o corpo musculado apresenta-se como uma arma para \u201cconquistar mulheres\u201d ou um ant\u00eddoto frente a uma suposta \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d. Os produtos que prometem incrementar a testosterona te fazem forte e homem pelo mesmo pre\u00e7o.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/728x90_banner_sobcomuns-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/728x90_banner_sobcomuns-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/728x90_banner_sobcomuns-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A meritocracia est\u00e1 <\/strong><strong>rompida<\/strong><strong>, quem a consertar\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Nos que a seguem, ideologia do empreendedorismo individual funde-se com uma masculinidade exacerbada at\u00e9 o caricato. <em>Influencers<\/em> projetam imagens de sucesso medido exclusivamente em termos materiais \u2013 carros, casas, mulheres como objetos de consumo. Associam o triunfo social a ter abd\u00f4mens de tanquinho. \u201cA pan\u00e7a \u00e9 para ot\u00e1rios\u201d, \u201clivre-se dos seus amigos com pan\u00e7a se quiser triunfar\u201d; se quiser carros, casas, mulheres, diz um <em>influencer <\/em>espanhol. Parte dos homens jovens deseja ser como ele \u2013 gostariam de ser ricos, nojentamente ricos. N\u00e3o conseguimos fazer com que almejar ser rico e nojento seja malvisto socialmente. Hoje, parece uma meta leg\u00edtima. Cria-se assim uma realidade aspiracional que contrasta brutalmente com a realidade de classe de seus seguidores: jovens precarizados que, diante da aus\u00eancia de mobilidade social tradicional, buscam \u201csucesso r\u00e1pido\u201d atrav\u00e9s do investimento em criptomoedas, ou seja, uma esp\u00e9cie de jogo de azar. N\u00e3o t\u00e3o distantes, ali\u00e1s, dos <em>brokers <\/em>que atuam nos mercados financeiros convencionais.<\/p>\n<p>Hoje, a possibilidade de ascens\u00e3o social atrav\u00e9s do trabalho, pilar do capitalismo fordista, dissolve-se. Assistimos a uma crise deste trabalho como via de mobilidade social. Em boa parte do Ocidente, os sal\u00e1rios descem o Estado de bem-estar se retrai, e passam a contar cada vez mais, para marcar a posi\u00e7\u00e3o de classe, os ativos: sejam a\u00e7\u00f5es ou bens im\u00f3veis. No capitalismo financeirizado, surgem modelos de empreendedorismo individual que exaltam o risco e a iniciativa pessoal, ao mesmo tempo que culpabilizam aqueles que n\u00e3o \u201ctriunfam\u201d. Parece que ningu\u00e9m mais acredita na meritocracia. O sucesso \u00e9 encontrar um atalho. Compre cripto, compre casas, alugue-as por quartos para maior rentabilidade. Seu sucesso econ\u00f4mico \u00e9 prova de sua valia pessoal.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhar \u00e9 para ot\u00e1rios\u201d. Se nas classes baixas o caminho do trambique ou dos furtos pode proporcionar uma sa\u00edda moment\u00e2nea para a explora\u00e7\u00e3o que aguarda como destino, nas classes m\u00e9dias a aspira\u00e7\u00e3o \u00e9 ter um trabalho que n\u00e3o o pare\u00e7a: <em>influencer<\/em> ou investidor. (Embora, para a maioria dos jovens de classe m\u00e9dia, a sa\u00edda realista a m\u00e9dio prazo seja ingressar no funcionalismo p\u00fablico). S\u00f3 assim se explica que os cursos online sobre criptomoedas e seus eventos f\u00edsicos tenham se tornado acontecimentos de massa: entre 5.000 e 7.000 mil pessoas, fundamentalmente jovens, assistiram ao da Mundo Crypto em Madrid, em 2022. Seu principal promotor, Mani Thawani, diz ganhar mais de 60.000 euros por m\u00eas dando cursos de como investir nessas moedas virtuais.<\/p>\n<p>Em uma economia da aten\u00e7\u00e3o que monetiza a inseguran\u00e7a masculina, aos cursos de conquista que coment\u00e1vamos no artigo anterior, somam-se os de <em>trading<\/em> para aqueles que na realidade carecem de recursos para investir: uma esp\u00e9cie de Dow Jones para pobres. Paradoxalmente, esta promessa de controle para jovens \u00e0 deriva articula-se atrav\u00e9s de mecanismos que geram novas formas de depend\u00eancia: a especula\u00e7\u00e3o com criptomoedas, as apostas esportivas online, os videogames onde se joga dinheiro. Todos implicam a mesma estrutura ps\u00edquica e podem terminar em ludopatia ou v\u00edcio. (Estima-se que 4% dos estudantes de 14 a 18 anos t\u00eam problemas com o jogo, segundo o Plano Nacional contra as Drogas da Espanha). Ao risco impl\u00edcito de ludopatia somam-se as compras a prazo que podem terminar deixando a maior parte desses jovens endividados. Subjetividades arrasadas onde plantar a semente do \u00f3dio \u00e0 pol\u00edtica e ao outro. \u00c9 outro motivo do crescimento do apoio \u00e0 extrema-direita entre estes jovens.<\/p>\n<p>Porque a narrativa do \u201csoberano de si mesmo\u201d funciona como compensa\u00e7\u00e3o perante a subordina\u00e7\u00e3o estrutural, mas gera efeitos devastadores na sa\u00fade mental: vigorexia, transtornos alimentares, ludopatia, depress\u00e3o por compara\u00e7\u00e3o com imagens inalcan\u00e7\u00e1veis de sucesso, ou simplesmente incremento de mal-estares difusos. Mais tristeza e frustra\u00e7\u00e3o, que podem inclinar-se para antifeminismo. Fracassos pessoais que se atribuem \u00e0queles que pedem \u201cvantagens injustas\u201d, cuja culpa \u00e9 atribu\u00edda a migrantes, ativistas LGTBIQ ou feministas.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 poss\u00edvel porque a subcultura <em>cripto<\/em> naturaliza a ideia de que o sucesso depende exclusivamente do esfor\u00e7o pessoal, apagando assim as estruturas sociais, as desigualdades ou os privil\u00e9gios herdados. A meritocracia est\u00e1 quebrada, ningu\u00e9m acredita nela, mas defende-se com unhas e dentes da inger\u00eancia feminista que demanda cotas que alterariam o suposto acesso equitativo e \u201cem igualdade de condi\u00e7\u00f5es\u201d aos bons empregos \u2013funcionalismo p\u00fablico? Neste cen\u00e1rio, o feminismo aparece como um obst\u00e1culo para a ordem natural do esfor\u00e7o, embora nunca tenha funcionado acima das origens de classe, e al\u00e9m disso o fa\u00e7a cada vez em menor medida. Apesar disso, a contradi\u00e7\u00e3o persiste e defende-se com virul\u00eancia a ilus\u00e3o meritocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Neste contexto, recuperar uma leitura estrutural do mal-estar social \u00e9 condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para articular uma pol\u00edtica libertadora; para oferecer a esses mal-estares uma sa\u00edda em sentido emancipat\u00f3rio, e n\u00e3o reacion\u00e1rio. O trabalho pol\u00edtico consiste em redefinir o conflito: o inimigo n\u00e3o s\u00e3o as mulheres ou os migrantes, mas as estruturas que organizam a desigualdade \u2013 as hierarquias de classe, a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza, a explora\u00e7\u00e3o laboral e a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida. Por isso, para fazer frente \u00e0s ideias que aninham na manosfera \u00e9 fundamental articular uma vis\u00e3o feminista da justi\u00e7a social; um horizonte conjunto no qual envolver os jovens, redirecionando suas frustra\u00e7\u00f5es para o sistema que as provoca e pondo sua raiva para trabalhar contra ele, enquanto mudamos os valores que o sustentam. <em>Eat the rich!<\/em><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post M\u00fasculos e criptos: as novas usinas da misoginia appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/justica-para-herus-como-justificar-a-promocao-de-oficiais-marcados-pelo-sangue-de-jovens-negros-e-pobres\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/bdf-20250609-114148-cbf06c-900x570-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Justi\u00e7a para Herus: como justificar a promo\u00e7\u00e3o de ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-problema-da-esquerda-e-a-seguranca\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/photo_4967724406700444490_y-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O problema da esquerda \u00e9 a Seguran\u00e7a?<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/governo-fecha-parceria-para-expandir-energia-renovavel-na-amazonia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/minas-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Governo fecha parceria para expandir energia renov...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-tarifaco-na-mira-lula-realiza-nesta-terca-feira-a-2a-reuniao-ministerial-do-ano\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Com tarifa\u00e7o na mira, Lula realiza nesta ter\u00e7a-fei...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a crise corr\u00f3i as perspectivas profissionais, avan\u00e7am no universo macho o culto ao corpo malhado e a aposta na especula\u00e7\u00e3o com moedas. Como eles se relacionam com a rejei\u00e7\u00e3o ao Comum, ao Cuidado e, por tabela, \u00e0s mulheres?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/musculos-e-criptos-as-novas-usinas-da-misoginia\/\">M\u00fasculos e criptos: as novas usinas da misoginia<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50077,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[423,6956,18158,18159,18160,18161,18162,1782],"tags":[],"class_list":["post-50076","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extrema-direita","category-feminismos","category-hipermasculinidade","category-incels","category-javier-carbonell","category-jordan-b-peterson","category-manosferas","category-misoginia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50076\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}