{"id":50541,"date":"2025-09-08T17:25:17","date_gmt":"2025-09-08T20:25:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/entre-os-aromas-de-marco-que-vamos-semeando-em-setembro\/"},"modified":"2025-09-08T17:25:17","modified_gmt":"2025-09-08T20:25:17","slug":"entre-os-aromas-de-marco-que-vamos-semeando-em-setembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entre-os-aromas-de-marco-que-vamos-semeando-em-setembro\/","title":{"rendered":"Entre os aromas de mar\u00e7o que vamos semeando em setembro"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20241115-603166-nr0tyw.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20241115-603166-nr0tyw.webp 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20241115-603166-nr0tyw-300x200.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20241115-603166-nr0tyw-768x512.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Ato em defesa do fim da jornada 6\u00d71, na Rodovi\u00e1ria do Plano Piloto, em Bras\u00edlia (DF). Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Eliane de Moura Martins*<br \/>Para P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<figure><audio controls src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Audio-2025-09-08-at-15.33.01.ogg\" preload=\"none\"><\/audio><figcaption><em>Ou\u00e7a Aqui<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os <em>Aromas de Mar\u00e7o<\/em> nos convidam a uma reflex\u00e3o para <em>quando chegar setembro e a boa nova brotar nos campos<\/em>, a pensarmos sobre os porqu\u00eas que nos trouxeram a um tipo de escala como a 6\u00d71 e a refletirmos sobre os impactos dessa escala na vida das mulheres trabalhadoras. Mas, \u201caromas\u201d pedem mais do que uma discuss\u00e3o sobre o \u201cmau cheiro\u201d deste estado de explora\u00e7\u00e3o sem limites, pedem intui\u00e7\u00f5es e propostas de como fortalecer novas \u201cfragr\u00e2ncias\u201d de an\u00fancios sobre como enfrentarmos esse estado de barb\u00e1rie social imposto pelo capitalismo patriarcal, racista e decadente.\u00a0<\/p>\n<p>A escala 6\u00d71 \u00e9 o corpo social doente, fruto da crise de mudan\u00e7a de \u00e9poca, apontada a tempos por M\u00e1rcio Pochmann. Vivemos algo semelhante ao que ocorreu por volta de 1890, com os confrontos da passagem do trabalho em regime escravista para o trabalho assalariado. Naquele momento o movimento e o projeto abolicionista pautaram o fim da escravid\u00e3o, a quest\u00e3o agr\u00e1ria e uma reforma educacional, mas, pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as conquistaram o trabalho livre e a n\u00e3o indeniza\u00e7\u00e3o dos fazendeiros por suas perdas de \u201cpropriedade privada\u201d, no caso a perda das pessoas escravizadas.<\/p>\n<p>Outro momento de transi\u00e7\u00e3o de \u00e9poca foi na d\u00e9cada de 1930, com a crise da economia agr\u00e1ria e a ascens\u00e3o de uma economia urbano industrial e a sua promessa de uma sociedade salarial com direitos, para os homens, brancos e adultos. Promessa que animou e moveu o Brasil do mundo rural para o mundo urbano em tempo recorde e, desde os anos de 1980, entrou em decl\u00ednio, componde a atual mudan\u00e7a de \u00e9poca devido ao esgotamento dessa promessa e ao fato de que o capitalismo n\u00e3o tem mais nada a oferecer \u00e0 sociedade, como mostram alguns dados das atividades ocupacionais dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Nos anos de 1980, de cada dez trabalhadores, sete estavam ocupados em atividades tipicamente capitalistas (com foco na obten\u00e7\u00e3o de lucro). Hoje apenas 49% das atividades seguem essa l\u00f3gica, 11% atuam nos servi\u00e7os p\u00fablicos e 40% da for\u00e7a de trabalho est\u00e1 inserida na economia popular e familiar, voltada para a subsist\u00eancia, sem gerar acumula\u00e7\u00e3o de capital. Segundo o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA)\u00b9, no Brasil um em cada dez diplomados consegue um emprego com Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), com sal\u00e1rio compat\u00edvel com sua forma\u00e7\u00e3o. A maioria dos formados jovens e pobres est\u00e3o inseridos no mercado informal ou em vagas compat\u00edveis com o ensino m\u00e9dio, como assistente administrativo, com remunera\u00e7\u00e3o entre 1.800,00 e 2.400,00 reais.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o sistema capitalista em crise precisa gerir seu problema estrutural de derrubar as \u00faltimas limita\u00e7\u00f5es para a amplia\u00e7\u00e3o da taxa de explora\u00e7\u00e3o em regimes minimamente democr\u00e1ticos, \u00e9 nesse lugar onde a escala 6\u00d71 \u00e9 seu rosto mais apurado do avan\u00e7o do capital sob o trabalho. Vive-se a imposi\u00e7\u00e3o de um processo de explora\u00e7\u00e3o sem media\u00e7\u00f5es ou regula\u00e7\u00f5es por parte do Estado, sobretudo nos setores intensivos em m\u00e3o-de-obra, como os servi\u00e7os e o com\u00e9rcio.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Uma crise estrutural, permeada pela revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no mercado de trabalho se reflete nos poucos empregos interessantes e nos muitos empregos prec\u00e1rios, onde, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, foi se formando um excedente estrutural de for\u00e7a de trabalho, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 ocupa\u00e7\u00f5es (boas ou ruins) suficientes para todos e disso resulta uma \u201cmassa sobrante\u201d para os requisitos do capitalismo, sob a qual foi sendo travada uma batalha ideol\u00f3gica neoliberal capaz de construir a naturaliza\u00e7\u00e3o do trabalho sem direitos, mesmo depois de mais de 200 anos de lutas sindicais e ainda difundir a ilus\u00e3o de que a resolu\u00e7\u00e3o da crise social \u00e9 um problema individual, cuja sa\u00edda universal \u00e9 atrav\u00e9s do empreendedorismo, da l\u00f3gica de cada um ser o empres\u00e1rio de si mesmo.\u00a0<\/p>\n<p>Esse caldo econ\u00f4mico, social e cultural fragmentou a classe trabalhadora. A a CLT foi sendo associada (infelizmente pela pr\u00e1tica) a ganhar pouco, a viver com sal\u00e1rio m\u00ednimo, a ser mandado por um chefe escroto, andar de \u00f4nibus lotado, ou seja, aceitar empregos 6\u00d71 e viver sem perspectivas, onde os direitos n\u00e3o compensam o medo da pobreza. \u00c9 nesse solo, onde vai prosperar um tipo hist\u00f3rico de ser social, o neosujeito.\u00a0<\/p>\n<p>O <strong>neosujeito <\/strong>\u00e9 o\/a trabalhador\/a que torna-se apto a suportar as novas condi\u00e7\u00f5es impostas, ele adota o comportamento para essas condi\u00e7\u00f5es cada vez mais duras de trabalho. Ele assume a ideologia do \u201csujeito empreendedor\u201d, autorrealizador, eficaz, em constante aperfei\u00e7oamento, aceita a flexibilidade, se posiciona como um investimento de si mesmo. S\u00e3o aquelas pessoas que desqualificam os espa\u00e7os coletivos, movimentos, sindicatos e partidos, desconfiam das a\u00e7\u00f5es de solidariedade e evadem das urnas.<\/p>\n<p><strong>E as mulheres trabalhadoras como se afetam com tudo isso?<\/strong> As mulheres sustentam e s\u00e3o atravessadas por todas as dimens\u00f5es da crise estrutural do capitalismo, que \u00e9 tamb\u00e9m a crise do patriarcado, porque s\u00e3o parte da crise de todos os sistemas de domina\u00e7\u00e3o: dos patr\u00f5es sobre os trabalhadores; dos homens sobre as mulheres; dos brancos\/as sobre os pretos\/as; dos heteronormativos sobre a diversidade sexual e dos velhos sobre os jovens. \u00c9 uma crise bem vinda, fruto das lutas para derrubar esses sistemas de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o hist\u00f3ricos, por\u00e9m seus custos s\u00e3o altos.<\/p>\n<p>Entre tantos custos que afetam a vida das mulheres, cabe destacar a fadiga das desesperan\u00e7as com o horizonte de futuro. \u00c9 percept\u00edvel o desencanto com o pensamento cl\u00e1ssico masculino, com seus m\u00e9todos de dire\u00e7\u00e3o vertical, autorit\u00e1rio, centralizador e autocentrados. Um modelo de pensamento idealista que l\u00ea o momento de barb\u00e1rie, mas sonha com o socialismo, com um salto por cima do percurso penoso de constru\u00e7\u00e3o de um processo de transi\u00e7\u00e3o, ficando presos no labirinto que prop\u00f5e \u201cmais do mesmo\u201d, olhando com saudades para os anos de 1980.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Para as mulheres n\u00e3o h\u00e1 saudades do passado e sim um brutal senso de realidade do presente, que se imp\u00f5e para ser gerenciado ainda que ca\u00f3tico, gostando ou n\u00e3o. As mulheres trabalhadoras s\u00f3 tem o caminho para frente e quatro palavras freireanas (<em>renunciar, organizar, denunciar e ressignificar<\/em>) que podem nos ajudar nessa travessia do p\u00e2ntano da crise, entre a barb\u00e1rie que vivemos e uma sociedade onde haver\u00e1 um setembro, e veremos a boa nova e a primavera brotarem nos campos.\u00a0<\/p>\n<p>A palavra <em>renunciar<\/em> \u00e9 para o lugar da fadiga e do n\u00e3o desejo de participar da pol\u00edtica. A pol\u00edtica pensada e conduzida at\u00e9 aqui segue os mesmos pressupostos das promessas do capitalismo de mercado que nem ele sustenta mais e que est\u00e3o longe de atender quem est\u00e1 se desintegrando na escala 6\u00d71 e das necessidades de mais de 40% de trabalhadores e trabalhadoras inseridas em ocupa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, que mal asseguram a sobreviv\u00eancia. <em>Renunciar<\/em> ao cansa\u00e7o e des\u00e2nimo com a pol\u00edtica que tenta maquiar e continuar nessa marcha em dire\u00e7\u00e3o ao abismo requer recriar espa\u00e7os coletivos em torno da m\u00edstica pela causa da liberta\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, uma segunda palavra \u00e9 <em>organizar<\/em> outros formatos de participa\u00e7\u00e3o, concebidos em uma perspectiva feminista e popular, capazes de superar as l\u00f3gicas de fragmenta\u00e7\u00e3o de secretarias, setores, coletivos para uma l\u00f3gica que costure a totalidade com divis\u00e3o de responsabilidades. Um modelo de organiza\u00e7\u00e3o que enfrente a competi\u00e7\u00e3o, baseado na coopera\u00e7\u00e3o e na complementariedade entre as partes e capaz de produzir uma intelig\u00eancia coletiva porque escuta, dialoga e sistematiza os aspectos colhidos da terceira palavra, denunciar.<\/p>\n<p><em>Denunciar <\/em>todos os privil\u00e9gios burgueses, dos pobres que sustentam os ricos, das mulheres que sustentam fam\u00edlias e o pr\u00f3prio sistema capitalista e patriarcal que se estrutura em cima de uma massa de trabalho gratuito no campo da reprodu\u00e7\u00e3o social. Mas n\u00e3o basta denunciar, \u00e9 preciso anunciar. <em>Anunciar <\/em>um processo de constru\u00e7\u00e3o de um projeto de desenvolvimento sustent\u00e1vel, soberano, solid\u00e1rio e feminista. Podemos usar a imagem de uma agrofloresta (o socialismo, cheio de fartura e bons aromas), mas o ponto de partida \u00e9 um solo \u00e1rido e compactado, como a vida em sociedade.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse \u201csolo compactado da sociedade\u201d \u00e9 preciso criar as condi\u00e7\u00f5es para o \u201cprojeto da agrofloresta\u201d, com um ex\u00edmio trabalho de transi\u00e7\u00f5es, para revolver, arejar, refrescar e criar as condi\u00e7\u00f5es para que novos nutrientes penetrem e renovem esse solo. Uma transi\u00e7\u00e3o social requer projetos intermedi\u00e1rios, capazes de construir formas de engates em uma nova din\u00e2mica coletiva de auto-organiza\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e solidariedades.\u00a0<\/p>\n<p>Nesta mudan\u00e7a de \u00e9poca, n\u00e3o contaremos com os frutos semeados pela Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. N\u00f3s teremos de construir outra \u201csementeira\u201d. Um caminho poss\u00edvel poder\u00e1 ser atrav\u00e9s de um processo de cr\u00edtica ao atual modelo de pol\u00edticas p\u00fablicas, que concebe o povo brasileiro como usu\u00e1rio e benefici\u00e1rio e n\u00e3o como sujeitos pol\u00edticos. Provocar um processo cr\u00edtico e pol\u00edtico que valorize o caminho at\u00e9 aqui, mas proponha uma nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, baseadas em um m\u00e9todo de organiza\u00e7\u00e3o coletiva e comunit\u00e1ria e com o objetivo de <em>ressignificar<\/em> o papel do trabalho como elemento organizador da vida em sociedade, atrav\u00e9s de propostas como a cria\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es de novo tipo.\u00a0<\/p>\n<p>Ocupa\u00e7\u00f5es de novo tipo, ou ocupa\u00e7\u00f5es social e ambientalmente relevantes, onde o Estado brasileiro pague um sal\u00e1rio m\u00ednimo por uma jornada de trabalho de vinte horas semanais em um conjunto de atividades como as de reprodu\u00e7\u00e3o social, as atividades de cuidado, a come\u00e7ar por aquelas que j\u00e1 est\u00e3o em curso. Basta ver o n\u00famero de cozinhas solid\u00e1rias e as centenas de mulheres trabalhando voluntariamente para mitigar a fome de milhares de pessoas. Uma jornada de trabalho social que reconhe\u00e7a e remunera uma agenda dom\u00e9stica e invis\u00edvel de trabalhos de cuidados de crian\u00e7as, idosos e doentes, que reconhe\u00e7a as tarefas de organiza\u00e7\u00e3o, viabilidade e realiza\u00e7\u00e3o das atividades sociais, culturais e esportivas de uma comunidade, que reconhece e remunera uma massa gigantesca de tarefas nas \u00e1reas de regenera\u00e7\u00f5es ambientais.\u00a0<\/p>\n<p>O reconhecimento social das ocupa\u00e7\u00f5es humanas \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, fruto dos contextos e das lutas de cada \u00e9poca e a crise das mudan\u00e7as da nossa \u00e9poca, que pedem mais do que um modelo de gest\u00e3o com pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda para o excedente humano de for\u00e7a de trabalho dos dispensados pelos crit\u00e9rios capitalistas. S\u00e3o excedentes de for\u00e7a de trabalho para o sistema capitalista, mas n\u00e3o podem ser para um projeto de pa\u00eds e, para isso, \u00e9 preciso disputar o papel do trabalho humano em sociedade.\u00a0<\/p>\n<p>Disputar a <em>ressignifica\u00e7\u00e3o<\/em> do papel e do sentido do trabalho na organiza\u00e7\u00e3o da vida em sociedade \u00e9 fundamental para a vida das mulheres trabalhadoras, que est\u00e3o condenadas ao adoecimento de todos os tipos e ao esgotamento f\u00edsico, mental e espiritual, por terem de gerenciar e sustentar as consequ\u00eancias objetivas e subjetivas das viol\u00eancias que decorrem da l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o do excedente humano. As consequ\u00eancias da superexplora\u00e7\u00e3o sem limites e dos adoecimentos da classe trabalhadora s\u00e3o problemas orientados para explodir no coletivo, nas ruas e na pol\u00edtica e tamb\u00e9m dentro dos lares, tendo como \u00faltima fronteira da explos\u00e3o desse conflito \u00e9 o pr\u00f3prio corpo das mulheres. Por isso, n\u00e3o bastam pol\u00edticas para socorrer as v\u00edtimas dessa viol\u00eancia, embora muito necess\u00e1rias, \u00e9 preciso enfrentar as bases dessa viol\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p><em>Ressignificar<\/em> o papel e o sentido do trabalho, como organizador da vida em sociedade, precisa ser outra vez o n\u00facleo do projeto pol\u00edtico de mudan\u00e7a desta \u00e9poca, incorporando e ressignificando as incompletudes da aboli\u00e7\u00e3o inconclusa de 1888 e da promessa nunca cumprida do assalariamento com direitos, entre os anos de 1930 a 1980. Em todas as mudan\u00e7as de \u00e9poca esse foi e segue sendo o n\u00facleo do problema e n\u00f3s, mulheres, n\u00e3o temos nada a perder com essa luta, a n\u00e3o ser as cordas que nos amarram nesse p\u00e2ntano.\u00a0<\/p>\n<p>Temos uma primavera para construir e uma boa nova para semear e ver brotar nos campos, temos toneladas de trabalho invis\u00edvel para retirar de nossas costas e depositar no espa\u00e7o p\u00fablico, que precisa reconhec\u00ea-los e remuner\u00e1-los. Temos uma vida em sociedade para ser reinventada sob outros valores e princ\u00edpios e temos experi\u00eancias e propostas em curso para isso. Tecemos por s\u00e9culos um tipo de intelig\u00eancia, de sabedorias de equil\u00edbrios entre n\u00f3s e a natureza e, nos \u00faltimos anos, estamos mais atentas para com as armadilhas patriarcais armadas pelo caminho para nos dividir e nos enfraquecer. Mas nos auto-organizamos, estudamos, nos escutamos, elaboramos sobre nossas feridas e estamos certamente mais fortalecidas e os fac\u00f5es est\u00e3o a cada dia um pouco mais afiados.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>1. <a href=\"https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/handle\/11058\/12008\">https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/handle\/11058\/12008<\/a> esta \u00e9 uma das pesquisas do IPEA que aborda a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e mercado de trabalho, com dados coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP) entre 2012 e 2022, e cruzados com a Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).<\/p>\n<p><em>*Educadora popular com gradua\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria, mestre e doutora em sociologia. Militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) e Movimento Brasil Popular (MBP). Integrante do coletivo de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Escola Nacional Paulo Freire e do N\u00facleo Nacional de Forma\u00e7\u00e3o da Secretaria de Economia Popular e Solid\u00e1ria (SENAES-MTE).<\/em><\/p>\n<p><em>**Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/09\/08\/entre-os-aromas-de-marco-que-vamos-semeando-em-setembro\/\">Entre os aromas de mar\u00e7o que vamos semeando em setembro<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/daremos-resposta-decisiva-e-defenderemos-nossa-soberania-se-formos-prejudicados-china-afirma-sobre-sancoes-dos-eua-contra-petroleo-russo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Daremos resposta decisiva e defenderemos nossa so...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/videos-rio-de-janeiro-2500-policiais-bombas-e-tiroteios-em-acao-contra-100-membros-do-cv\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">V\u00eddeos \u2013 Rio de Janeiro: 2500 policiais, bombas e ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/beirute-multidao-acompanha-funeral-de-nasrallah-lider-do-hezbollah-morto-por-israel\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/captura-de-tela-2025-02-23-160904-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Beirute: multid\u00e3o acompanha funeral de Nasrallah, ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/anvisa-libera-novo-medicamento-para-fase-inicial-do-alzheimer\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Anvisa libera novo medicamento para fase inicial d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ato em defesa do fim da jornada 6\u00d71, na Rodovi\u00e1ria do Plano Piloto, em Bras\u00edlia (DF). 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