{"id":51826,"date":"2025-09-13T09:50:19","date_gmt":"2025-09-13T12:50:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/dossie-apresenta-raio-x-da-destruicao-ambiental-e-dos-povos-tradicionais-do-cerrado\/"},"modified":"2025-09-13T09:50:19","modified_gmt":"2025-09-13T12:50:19","slug":"dossie-apresenta-raio-x-da-destruicao-ambiental-e-dos-povos-tradicionais-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/dossie-apresenta-raio-x-da-destruicao-ambiental-e-dos-povos-tradicionais-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Dossi\u00ea apresenta raio-x da destrui\u00e7\u00e3o ambiental e dos povos tradicionais do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado neste s\u00e1bado (13), durante a programa\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/09\/08\/feira-dos-povos-do-cerrado-debate-preservacao-e-direitos-dos-povos-tradicionais\/\">11\u00ba Encontro e Feira dos Povos do Cerrado<\/a>, o <a href=\"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/images\/pdf\/DossieTerra-Territorio-Cerrado-web.pdf\">dossi\u00ea <em>Terra e Territ\u00f3rio no Cerrado<\/em><\/a> denuncia o eco-genoc\u00eddio no bioma. O documento revela n\u00e3o apenas a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/09\/11\/salvar-o-cerrado-exige-que-brasil-converta-ciencia-em-politicas-publicas-afirma-pesquisadora\/\">devasta\u00e7\u00e3o ambiental causada pelo agroneg\u00f3cio<\/a> e desmatamentos, mas tamb\u00e9m a amea\u00e7a ao modo de viver e cultura dos povos do Cerrado, como comunidades tradicionais, ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhas e camponesas.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea de 155 p\u00e1ginas, produzido pela<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/02\/01\/entidades-lancam-campanha-em-defesa-do-cerrado\/\"> Campanha Nacional em Defesa do Cerrado<\/a>, apresenta dados alarmantes sobre os \u00faltimos 20 anos. Os dados apresentados apontam que a \u00e1rea desmatada no bioma cresceu 40%, com uma m\u00e9dia de 1,45 milh\u00e3o de hectares perdidos por ano. Em 2000, foram registrados 71,8 milh\u00f5es de hectares desmatados; j\u00e1 em 2021, esse n\u00famero chegou a 110,77 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o integra uma s\u00e9rie editorial Eco-Genoc\u00eddio no Cerrado destinadas a sistematizar as den\u00fancias de racismo fundi\u00e1rio e ambiental, caracterizando um processo sistem\u00e1tico de Ecoc\u00eddio do Cerrado e Genoc\u00eddio de seus povos. Segundo Diana Aguiar assessora da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) o termo \u201cecoc\u00eddio do Cerrado\u201d descreve os graves danos e destrui\u00e7\u00e3o causados pela expans\u00e3o acelerada da fronteira agr\u00edcola sobre o bioma ao longo do tempo.<\/p>\n<div>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"746\" height=\"415\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081426-746x375-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.14.26-300x167.png 300w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081426-746x375-1.png 746w\" sizes=\"(max-width: 746px) 100vw, 746px\"><figcaption>Mapa 1 mostra o desmatamento cont\u00ednuo no Cerrado, fazendo um comparativo entre 2000 e 2021. Imagem: Dossi\u00ea Terra e Territ\u00f3rio no Cerrado<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h4>Incentivo do Estado \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria<\/h4>\n<p>O dossi\u00ea denuncia o incentivo do Estado brasileiro \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do Cerrado desde a d\u00e9cada de 1970, com a expans\u00e3o da fronteira, por meio de projetos de coloniza\u00e7\u00e3o, abertura de estradas, cr\u00e9dito rural e coniv\u00eancia com a grilagem de terras e o desmatamento. A an\u00e1lise tamb\u00e9m aponta o impacto do aumento do pre\u00e7o das terras em regi\u00f5es de coloniza\u00e7\u00e3o mais antiga e da valoriza\u00e7\u00e3o das <em>commodities <\/em>nos mercados internacionais, entre outros fatores.<\/p>\n<p>\u201cAs ocupa\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias promovidas pelo agroneg\u00f3cio foi desenhada e dirigida pelo Estado brasileiro, em articula\u00e7\u00e3o com Estados estrangeiros e agentes privados nacionais e estrangeiros, sendo os grandes respons\u00e1veis na acusa\u00e7\u00e3o pelo crime de Eco-Genoc\u00eddio\u201d, observa Diana Aguiar.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m destaca que, desde 1895, o Estado det\u00e9m grande parte do dom\u00ednio sobre essas terras, mas n\u00e3o garantiu a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria prevista na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, como a titula\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais, assentamentos de reforma agr\u00e1ria e prote\u00e7\u00e3o ambiental. As organiza\u00e7\u00f5es chamam isso de \u201c36 anos de omiss\u00e3o do Estado brasileiro\u201d.<\/p>\n<h4>Grilagem verde <\/h4>\n<p>A an\u00e1lise mostra que o desmatamento e a grilagem de terras se consolidaram como um bin\u00f4mio-base do eco-genoc\u00eddio no Cerrado, promovendo, ao mesmo tempo, a devasta\u00e7\u00e3o ambiental e a expuls\u00e3o dos povos cerradeiros de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Na Bacia do Rio Corrente, no oeste da Bahia, comunidades de fundo e fecho de pasto ilustram uma nova amea\u00e7a: a chamada \u201cgrilagem verde\u201d. Levantamento aponta que 1.069 reservas legais foram registradas de forma sobreposta a territ\u00f3rios coletivos, somando 82,3 mil hectares apropriados. Essas \u00e1reas aparecem divididas entre reservas propostas, aprovadas e j\u00e1 averbadas, em um uso distorcido da legisla\u00e7\u00e3o ambiental como instrumento de usurpa\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, terras comunit\u00e1rias que garantem a preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado e a sobreviv\u00eancia de gera\u00e7\u00f5es camponesas s\u00e3o reivindicadas por grandes propriet\u00e1rios e empresas, refor\u00e7ando a inseguran\u00e7a fundi\u00e1ria e aprofundando o processo de eco-genoc\u00eddio.<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"916\" height=\"612\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-001501-916x570-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-00.15.01-300x200.png 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-00.15.01-768x513.png 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-00.15.01-750x536.png 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-00.15.01-600x400.png 600w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-001501-916x570-1.png 916w\" sizes=\"(max-width: 916px) 100vw, 916px\"><figcaption>Mapa 9 da serie Genoc\u00eddio do Cerrado que demostra o que se chama de <em>Grilagem Verde<\/em>. Imagem: Dossi\u00ea <em>Terra e Territ\u00f3rio no Cerrado<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h4>Povos do Cerrado <\/h4>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"500\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Quebradeiras-de-coco-750x375-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Quebradeiras-de-coco-300x200.jpeg 300w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Quebradeiras-de-coco-750x375-1.jpeg 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Quebradeiras-de-coco-600x400.jpeg 600w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\"><figcaption><a href=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/09\/image_processing20200201-29235-i5729.jpg\">M<\/a>ulheres da Associa\u00e7\u00e3o do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Baba\u00e7u \u2013\u00a0<em>Raoni Brbosa<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para a professora Diana Aguiar, da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, o destino do bioma e de seus povos est\u00e1 profundamente entrela\u00e7ado, o que d\u00e1 origem ao conceito de eco-genoc\u00eddio: um projeto de desenvolvimento que se sustenta no exterm\u00ednio de povos e territ\u00f3rios em nome do lucro.<\/p>\n<p>\u201cPor um lado, o ecoc\u00eddio do Cerrado inviabiliza as bases materiais da reprodu\u00e7\u00e3o social e da exist\u00eancia dos povos cerradeiros como povos culturalmente diferenciados, promovendo, portanto, o seu genoc\u00eddio. Por outro, a destrui\u00e7\u00e3o dos modos de vida facilita o ecoc\u00eddio, porque s\u00e3o esses povos que mant\u00eam o Cerrado em p\u00e9\u201d, explica.<\/p>\n<p>No levantamento de 2019, constatou-se que no Brasil h\u00e1 atualmente 5.972 quilombos presentes em 1.674 munic\u00edpios de 24 estados, em todas as regi\u00f5es e biomas do Brasil. Dessas, 749 encontram-se no Cerrado cont\u00ednuo e 806 em seus ec\u00f3tonos, totalizando 1.555.\u00a0J\u00e1 comunidades ind\u00edgenas o levantamento d\u00e1 algumas pistas, ao indicar a exist\u00eancia de 7.424 localidades ind\u00edgenas em todo o pa\u00eds (IBGE) Delas, 1.017 est\u00e3o no Cerrado cont\u00ednuo e 779 em suas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o ou ec\u00f3tonos.<\/p>\n<p>Aguiar ressalta que uma comunidade n\u00e3o precisa passar pelo exterm\u00ednio f\u00edsico para ser v\u00edtima de genoc\u00eddio. \u201cA inviabiliza\u00e7\u00e3o da cultura, dos modos de vida e da identidade cultural \u00e9 o que define o eco-genoc\u00eddio\u201d, afirma. Para ela, esse entendimento pode se tornar refer\u00eancia em processos de luta por direitos em outras partes do mundo, constituindo inclusive nova jurisprud\u00eancia para o pr\u00f3prio Tribunal Permanente dos Povos (TPP).<\/p>\n<p>O dossi\u00ea apresenta o mapa da Bacia do Rio Corrente, no oeste da Bahia, revelando um processo acelerado de destrui\u00e7\u00e3o ambiental e social que exp\u00f5e a face mais violenta do agroneg\u00f3cio no Matopiba. Mais de 1,5 milh\u00e3o de hectares do bioma foram devastados nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. O avan\u00e7o das monoculturas de soja, milho e algod\u00e3o n\u00e3o apenas arrasa a biodiversidade, como amea\u00e7a a sobreviv\u00eancia de dezenas de comunidades camponesas que praticam o manejo coletivo conhecido como fundo e fecho de pasto.<\/p>\n<p>O mapeamento mostra ainda que, at\u00e9 o ano 2000, haviam sido destru\u00eddos 639,5 mil hectares de Cerrado. Nos vinte anos seguintes, entre 2001 e 2020, esse n\u00famero saltou para 880,7 mil hectares, revelando um ritmo de devasta\u00e7\u00e3o cada vez mais acelerado. As manchas vermelhas espalhadas pelo mapa escancaram a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, enquanto os territ\u00f3rios tradicionais, marcados em verde, resistem cercados por fazendas e \u00e1reas desmatadas.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"541\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081502-602x375-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.15.02-300x270.png 300w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081502-602x375-1.png 602w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\"><figcaption>Mapa 8 \u2013 Padr\u00e3o do desmatamento da Bacia do Rio Corrente e \u00e1reas de uso e manejo comunit\u00e1rio das comunidades do fundo e fecho de pasto. Imagem: Dossi\u00ea Terra e Territ\u00f3rio no Cerrado<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h4>O impacto das monoculturas<\/h4>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"675\" height=\"457\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081245-675x375-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.12.45-300x203.png 300w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081245-675x375-1.png 675w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\"><figcaption>Uso do corrent\u00e3o em desmatamento no Cerrado. Foto: Mayke Toscano\/Gcom-MT <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que a expans\u00e3o da fronteira da soja e de outras commodities ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a crise de seguran\u00e7a alimentar de 2008\/2009. \u00c0 \u00e9poca, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) realizou o semin\u00e1rio <em>Como alimentar o mundo em 2050<\/em>, no qual a Am\u00e9rica Latina foi destacada como uma das principais fronteiras agr\u00edcolas globais. Segundo o levantamento, cerca de 90% das terras agricult\u00e1veis remanescentes \u2014 estimadas em 1,8 bilh\u00e3o de hectares nos pa\u00edses em desenvolvimento \u2014 est\u00e3o concentradas na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica Subsaariana. Apenas 13 pa\u00edses, entre eles o Brasil, concentram dois ter\u00e7os desse total.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o Cerrado se tornou o principal alvo do agroneg\u00f3cio, transformado em projeto de Estado para expans\u00e3o da chamada \u201cfronteira agr\u00edcola\u201d. O dossi\u00ea denuncia que essa ocupa\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria amea\u00e7a cerca de 40 territ\u00f3rios de fundo e fecho de pasto \u2014 \u00e1reas coletivas fundamentais para a agricultura, a cria\u00e7\u00e3o de animais, a preserva\u00e7\u00e3o das veredas e a manuten\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria. Esses espa\u00e7os, essenciais para a seguran\u00e7a alimentar e a conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, sofrem hoje com cercamento, contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos e expuls\u00e3o silenciosa de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Um dos mapas apresentados mostra que o desmatamento na Bacia do Rio Corrente, no oeste da Bahia, coloca em risco n\u00e3o apenas os recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m grandes bacias hidrogr\u00e1ficas do pa\u00eds. Conhecido como a \u201ccaixa d\u2019\u00e1gua do Brasil\u201d, o Cerrado est\u00e1 sendo destru\u00eddo por um modelo econ\u00f4mico que concentra terras, arrasa a sociobiodiversidade e compromete a possibilidade de um futuro sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ainda lista as 10 cidades que mais desmataram o Cerrado nos \u00faltimos 20 anos, a maioria na regi\u00e3o do Matopiba: Formosa do Rio Preto (BA), S\u00e3o Desid\u00e9rio (BA), Correntina (BA), Balsas (MA), Baixa Grande do Ribeiro (PI), Jaborandi (BA), Urucu (PI), Paranatinga (MT), Cocalinho (MT) e Graja\u00fa (MA).<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"786\" height=\"381\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081402.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.14.02-300x145.png 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.14.02-768x372.png 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.14.02-750x381.png 750w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081402.png 786w\" sizes=\"auto, (max-width: 786px) 100vw, 786px\"><figcaption>Mapa 2 demostra o desmatamento continuo na regi\u00e3o do matopia. Imagem: Dossi\u00ea Terra e Territ\u00f3rio no Cerrado<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Por fim, o estudo faz um comparativo entre biomas: o Cerrado j\u00e1 perdeu 100,77 milh\u00f5es de hectares \u2014 35% a mais que a Amaz\u00f4nia, onde o desmatamento acumulado chega a 74,69 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"746\" height=\"415\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081426-746x375-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-08.14.26-300x167.png 300w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-13-as-081426-746x375-1.png 746w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\"><figcaption>Mapa 7 faz um comparativo entre a  desmatamento do Cerrado e Amaz\u00f4nia e onde se encontram as terras ind\u00edgenas e de conserva\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Imagem: Dossi\u00ea Terra e Territ\u00f3rio no Cerrado<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h4>Entre pol\u00edticas e conjunturas<\/h4>\n<p>Segundo Diana Aguiar, o Encontro e Feira ocorreu na semana do Dia Nacional do Cerrado, 11 de setembro, coincidindo com a primeira condena\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro pelo STF. \u201cO ecoc\u00eddio do Cerrado e o genoc\u00eddio de seus povos n\u00e3o come\u00e7aram no governo Bolsonaro, mas se agravaram nesse per\u00edodo. Era fundamental dar nome a essas viol\u00eancias hist\u00f3ricas e sistem\u00e1ticas, que t\u00eam origem na ditadura militar-empresarial e na expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola desde a d\u00e9cada de 1970\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Aguiar, a responsabiliza\u00e7\u00e3o de Bolsonaro e aliados \u00e9 simb\u00f3lica para a sociedade, mas o eco-genoc\u00eddio segue em curso. \u201cO povo brasileiro, o STF e as institui\u00e7\u00f5es apontando para a necessidade de responsabilizar os culpados pela tentativa de golpe. Isso, por si s\u00f3, n\u00e3o encerra o Eco-Genoc\u00eddio, que segue em curso, ainda que em um contexto menos acirrado\u201d. <\/p>\n<p>O momento, na avalia\u00e7\u00e3o de Diana Aguiar, \u00e9 prop\u00edcio para o Estado repensar as pol\u00edticas e investir no Cerrado. \u201cMas pode ser um momento para repensarmos a trajet\u00f3ria do Estado brasileiro em rela\u00e7\u00e3o ao Cerrado, para que essa regi\u00e3o ecol\u00f3gica seja, enfim, valorizada por tudo o que representa: o ber\u00e7o das \u00e1guas, a savana mais biodiversa do planeta, casa dos territ\u00f3rio de in\u00fameros povos ind\u00edgenas e povos e comunidades tradicionais\u201d, conclui Aguiar.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea completo est\u00e1 <a href=\"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/images\/pdf\/DossieTerra-Territorio-Cerrado-web.pdf\">dispon\u00edvel no site da Campanha em Defesa do Cerrado.<\/a><\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaEQIfmCcW4uaP10fn31\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Receba not\u00edcias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp<\/a>\u00a0::<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/09\/13\/dossie-apresenta-raio-x-da-destruicao-ambiental-e-dos-povos-tradicionais-do-cerrado\/\">Dossi\u00ea apresenta raio-x da destrui\u00e7\u00e3o ambiental e dos povos tradicionais do Cerrado<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/\">Brasil de Fato<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/reflexo-do-racismo-atraso-escolar-na-educacao-basica-e-maior-entre-negros\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Captura-de-Tela-2026-03-04-as-200837-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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O documento revela n\u00e3o apenas a devasta\u00e7\u00e3o ambiental causada pelo agroneg\u00f3cio e desmatamentos, mas tamb\u00e9m a amea\u00e7a ao modo de viver e cultura dos povos do Cerrado, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1835,4711],"tags":[],"class_list":["post-51826","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cerrado","category-socioambiental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51826\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}