{"id":53499,"date":"2025-09-19T18:49:17","date_gmt":"2025-09-19T21:49:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/direito-dos-homens-a-nova-face-da-misoginia\/"},"modified":"2025-09-19T18:49:17","modified_gmt":"2025-09-19T21:49:17","slug":"direito-dos-homens-a-nova-face-da-misoginia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/direito-dos-homens-a-nova-face-da-misoginia\/","title":{"rendered":"\u201cDireito dos homens\u201d, a nova face da misoginia"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5076101618582883160.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5076101618582883160.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5076101618582883160-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5076101618582883160-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Nuria Alabao, <\/strong>no CTXT<strong> | <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Lucas Scatolini<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 um terceiro texto de s\u00e9rie que se prop\u00f5e a percorrer as principais vertentes da masculinidade t\u00f3xica contempor\u00e2nea. Em artigos anteriores, autora analisa a esfera vinculada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es afetivas e sexuais, falando sobre <em>Misoginia online dos jovens-machos ressentidos<\/em>, e sobre <em>M\u00fasculos e criptos: as novas usinas da misoginia<\/em>.<\/p>\n<p>As categorias se amalgamam na manosfera \u2013 aquele lugar da internet onde o antifeminismo se expressa e se comp\u00f5e politicamente \u2013, muitas vezes borrando os contornos das distintas subculturas. O Movimento pelos Direitos dos Homens \u2013 \u201cMen\u2019s Rights Activism\u201d \u2013, de origem anglo-sax\u00e3, surge como rea\u00e7\u00e3o \u00e0s propostas do feminismo dos anos sessenta e setenta do s\u00e9culo XX, justamente quando se gestou boa parte dos argumentos sobre g\u00eanero que hoje est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o nas direitas radicais.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-3-7.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-3-7.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-3-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Uma das principais linhas pol\u00edticas dos movimentos masculinistas sugere que o feminismo foi \u201clonge demais\u201d ou que prejudica os homens. Eles costumam citar estat\u00edsticas como: os homens representam aproximadamente entre 70 e 75% dos suic\u00eddios; t\u00eam taxas menores de gradua\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em muitos pa\u00edses desenvolvidos \u2013 na Espanha, 60,1% dos alunos que concluem os estudos s\u00e3o mulheres; recebem menos a cust\u00f3dia dos filhos em casos de div\u00f3rcio \u2013 em 2023, neste pa\u00eds, a cust\u00f3dia exclusiva foi concedida \u00e0 m\u00e3e em quase 48% dos casos, ao pai em 3,5% e foi compartilhada em 48,4%. Dizem tamb\u00e9m que os homens constituem a maioria das mortes por acidentes de trabalho e s\u00e3o mais v\u00edtimas de homic\u00eddios; enfrentam taxas maiores de v\u00edcio e problemas de sa\u00fade mental n\u00e3o tratados; e t\u00eam uma expectativa de vida v\u00e1rios anos menor que a das mulheres \u2013 81 anos para homens e 86 para mulheres na Espanha. Tamb\u00e9m afirmam que existe um vi\u00e9s no sistema jur\u00eddico-penal, onde os homens recebem senten\u00e7as mais longas por crimes similares; que a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra homens \u00e9 subnotificada e estigmatizada; e que os meninos, especialmente em fam\u00edlias monoparentais, carecem de figuras masculinas de refer\u00eancia, o que, segundo esses movimentos, contribui para problemas de rendimento acad\u00eamico e desenvolvimento. Muitos professores j\u00e1 devem ter ouvido argumentos desse tipo em suas aulas quando se abrem esses debates, repetidos pelos jovens mais expostos \u00e0 manosfera.<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia dessa estrat\u00e9gia reside no fato de que os dados s\u00e3o, em grande medida, verdadeiros, mas sua interpreta\u00e7\u00e3o omite sistematicamente as causas estruturais que os explicam. \u00c9 precisamente essa mistura de veracidade estat\u00edstica e an\u00e1lise tendenciosa que transforma esses argumentos em ferramentas persuasivas, especialmente entre jovens do sexo masculino que os reproduzem de forma acr\u00edtica em salas de aula e debates, como bem sabem muitos professores expostos a esses discursos da manosfera. A paradoxo desses argumentos reside no fato de que muitas das problem\u00e1ticas que eles denunciam t\u00eam sua origem precisamente na constru\u00e7\u00e3o da masculinidade tradicional que o feminismo tamb\u00e9m combate. O suic\u00eddio masculino e as mortes por viol\u00eancia interpessoal, por exemplo, est\u00e3o diretamente relacionados com as expectativas sociais que imp\u00f5em aos homens assumir condutas de risco, mostrar-se sempre fortes e resolutos como prova de sua virilidade. Essas mesmas expectativas dificultam que eles busquem ajuda psicol\u00f3gica ou expressem vulnerabilidade emocional, fatores-chave na preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o laboral, a pr\u00f3pria divis\u00e3o sexual do trabalho faz com que os homens tenham assumido muitas vezes trabalhos mais penosos e perigosos, onde hoje ocorrem a maioria dos acidentes de trabalho. No entanto, aqui se poderia fazer uma ressalva consider\u00e1vel. Por exemplo, muitas doen\u00e7as laborais em trabalhos feminizados n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 reconhecida a possibilidade de se aposentar antecipadamente para aqueles trabalhos que exigem muito esfor\u00e7o f\u00edsico para serem desempenhados \u2013 as cuidadoras em resid\u00eancias de idosos s\u00e3o um bom exemplo. Mas n\u00e3o se trata aqui de fazer compara\u00e7\u00f5es entre os sexos, porque o ideal seria que ningu\u00e9m tenha que trabalhar em empregos pesados, em jornadas penosas, sem descansos suficientes e remunera\u00e7\u00f5es adequadas, nem homens nem mulheres. Por isso, primeiro, seria preciso desmontar juntos os pap\u00e9is de g\u00eanero, que t\u00eam prescri\u00e7\u00f5es diferentes e formas distintas de oprimir tanto homens quanto mulheres, assim como a divis\u00e3o sexual do trabalho que se baseia neles. Dessa maneira, quando surgem esse tipo de argumento, a melhor forma de come\u00e7ar a question\u00e1-los \u00e9 reconhecer esse horizonte compartilhado: n\u00e3o se trata de quem est\u00e1 pior, mas de lutar juntos por um objetivo comum.<\/p>\n<p>Na Espanha, influencers como Roma Gallardo ou Un T\u00edo Blanco Hetero (Um Cara Branco Hetero) empregam estrat\u00e9gias ret\u00f3ricas que incluem a apropria\u00e7\u00e3o da linguagem dos direitos humanos e da igualdade para legitimar suas posi\u00e7\u00f5es, sob a premissa de que os homens \u201cest\u00e3o pior que as mulheres\u201d, como se fosse uma olimp\u00edada da opress\u00e3o. Essas posi\u00e7\u00f5es vitimistas s\u00e3o, na realidade, um elemento privilegiado da pol\u00edtica contempor\u00e2nea que compartilham com outros movimentos. Todos querem ocupar esse lugar. No entanto, \u00e9 preciso mirar melhor, porque os homens s\u00e3o v\u00edtimas, sim, mas da busca por \u201cuma pot\u00eancia masculina m\u00edtica\u201d, diz o fil\u00f3sofo Pankaj Mishra, \u201cseja nos p\u00e1tios das escolas, nos escrit\u00f3rios, nas pris\u00f5es ou nos campos de batalha. Esta experi\u00eancia cotidiana de medo e trauma os une \u00e0s mulheres de mais formas do que a maioria dos homens, aprisionados pelos mitos da masculinidade intransigente, costuma reconhecer\u201d. Os homens estariam, assim, t\u00e3o aprisionados quanto as mulheres pelas normas de g\u00eanero em uma busca ruinosa pelo poder.<\/p>\n<h3><strong>Sexismo brando<\/strong><\/h3>\n<p>Esses influencers difundem principalmente um sexismo \u2013 chamado \u201cmoderno\u201d ou brando \u2013 que sustenta que, como j\u00e1 existe igualdade entre os g\u00eaneros \u2013 entendida como uma quest\u00e3o puramente formal \u2013, as leis feministas que entendem que a desigualdade \u00e9 estrutural e precisa ser compensada, na realidade, servem para discriminar os homens. Este discurso \u00e9 uma das principais linhas argumentativas do partido Vox e est\u00e1 incidindo especialmente entre a popula\u00e7\u00e3o jovem. Eles dizem viver sob uma \u201cginocracia\u201d, na qual as mulheres controlam tanto a cultura quanto as alavancas do poder. A institucionaliza\u00e7\u00e3o do feminismo dos \u00faltimos anos e sua identifica\u00e7\u00e3o com o governo, as autoridades escolares, a maioria da m\u00eddia, etc., sem d\u00favida, alimenta essas posi\u00e7\u00f5es. Para eles, ser \u201cantissistema\u201d significa \u201cser antifeminista\u201d.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o esteja t\u00e3o estendido socialmente, mas nas redes tamb\u00e9m se podem encontrar variantes mais radicais. A esse sexismo brando se soma um tom hostil: a misoginia ou o supremacismo masculino, que faz apologia da superioridade masculina e at\u00e9 mesmo, nos casos mais extremos, da viol\u00eancia contra as mulheres. Nos EUA, a vit\u00f3ria de Trump, condenado por abuso sexual e com uma ret\u00f3rica abertamente machista, sem d\u00favida, empoderou esses setores. Percebe-se na guinada para o \u201cdur\u00e3o\u201d do dono do Facebook, Mark Zuckerberg, que lamentou a ascens\u00e3o de empresas \u201cculturalmente castradas\u201d que tentaram se distanciar da \u201cenergia masculina\u201d. Com isso, ele fez um apelo a uma cultura que \u201ccelebre um pouco mais a agressividade\u201d e, em definitivo, acabe com as pol\u00edticas empresariais progressistas nos EUA, as chamadas DEI (Diversidade, Equidade, Inclus\u00e3o).<\/p>\n<h3><strong>A meritocracia morreu, e a \u201ccultura woke\u201d n\u00e3o \u00e9 a culpada<\/strong><\/h3>\n<p>Um dos discursos antifeministas mais fortes entre os jovens dirige-se precisamente contra uma parte dessas pol\u00edticas estadunidenses, justamente as de a\u00e7\u00e3o afirmativa ou cotas. Elas chegaram plenamente \u00e0 Espanha h\u00e1 pouco tempo \u2013 para al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o Estado as regulamentou em 2024 na Lei de Paridade. Segundo os discursos da manosfera \u2013 e al\u00e9m \u2013, elas impedem que homens mais preparados acessem determinados cargos, especialmente no funcionalismo p\u00fablico \u2013 a forma pela qual muitos jovens de classe m\u00e9dia acessam bons empregos. S\u00e3o recorrentes, por exemplo, os debates sobre cotas na pol\u00edcia e nos bombeiros \u2013 significativamente, ningu\u00e9m as reclama para os segmentos mais explorados do mercado de trabalho, nem ao contr\u00e1rio: os homens n\u00e3o exigem ser aceitos como professores nas escolas infantis, por exemplo. Apela-se aqui a no\u00e7\u00f5es meritocr\u00e1ticas abstratas, de uma meritocracia que, como explic\u00e1vamos no artigo anterior, est\u00e1 ferida de morte.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/HUCITEC-basaglia4-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/HUCITEC-basaglia4-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia4-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Normalmente, trata-se de combater essas ideias antifeministas explicando a necessidade dessas pol\u00edticas para compensar a desigualdade estrutural, ou mediante discursos mais essencialistas, dizendo que as mulheres aportam \u201coutros valores ou aptid\u00f5es\u201d. No entanto, nunca falamos que uma parte do feminismo que considera que as pol\u00edticas de cotas n\u00e3o s\u00e3o o melhor caminho para acabar com a desigualdade estrutural, pelo menos n\u00e3o desde um feminismo de classe ou de transforma\u00e7\u00e3o. A paridade pode parecer justa, mas que algumas mulheres alcancem postos de comando ou de representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudar\u00e1 em um \u00e1pice a situa\u00e7\u00e3o daquelas que permanecem na base, nem tornar\u00e1 melhor a vida da imensa maioria das mulheres. Estas n\u00e3o deixam de ser pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o para os segmentos de classe m\u00e9dia ou alta que podem se beneficiar delas. Para os feminismos de classe, dever-se-ia colocar os interesses das mulheres mais exploradas no centro das pol\u00edticas p\u00fablicas. Seria pedir demais que explic\u00e1ssemos essas complexidades aos jovens? Talvez assim se abram novos mundos para eles, onde o feminismo n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3lito, mas um campo atravessado por diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas e distintos interesses de classe.<\/p>\n<p>Algo similar acontece com a quest\u00e3o das penas diferenciadas no crime de viol\u00eancia contra o parceiro ou ex-parceiro, um argumento que costumam utilizar. \u00c9 certo que essas penas s\u00e3o maiores quando o agressor \u00e9 um homem e a v\u00edtima uma mulher do que na situa\u00e7\u00e3o inversa. Aqui, costuma-se argumentar que essa diferen\u00e7a responde \u00e0 necessidade de proteger especificamente as mulheres, dada a evid\u00eancia de que a maioria das agress\u00f5es s\u00e3o cometidas por homens. No entanto, dentro do pr\u00f3prio campo feminista existe um debate a esse respeito, porque muitas feministas creem que endurecer as penas n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia eficaz para erradicar as viol\u00eancias, e defendem, como alternativa, outro tipo de medidas \u2013 recursos habitacionais, inser\u00e7\u00e3o laboral, ajudas econ\u00f4micas \u2013 e pela responsabiliza\u00e7\u00e3o coletiva \u2013 que acabar com a viol\u00eancia implique todos e todas. Aqui, como em muitos outros temas, n\u00e3o h\u00e1 unidade. Nem todas as feministas creem que o sistema penal \u00e9 o que vai \u201cproteger\u201d as mulheres. No entanto, essas perspectivas antipunitivas t\u00eam uma presen\u00e7a marginal no debate p\u00fablico e midi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Um dos argumentos principais entre os jovens parte do temor de serem acusados falsamente por uma mulher de agress\u00f5es ou viol\u00eancia machista. Essas ideias se alimentam das din\u00e2micas justiceiras e de cancelamento que os casos mais midi\u00e1ticos dos \u00faltimos anos despertaram, e \u00e9 precisamente nessa percep\u00e7\u00e3o que seus medos se arraigam, habilmente instrumentalizados pelos influencers antifeministas. Talvez nas discuss\u00f5es com eles tamb\u00e9m se possam reconhecer as contradi\u00e7\u00f5es que os feminismos t\u00eam ao enfrentar essas quest\u00f5es: aprisionados entre a necessidade de acabar com a impunidade e as escassas ferramentas para faz\u00ea-lo, algumas das quais, como o cancelamento, produzem, por sua vez, problemas adicionais. N\u00e3o, n\u00e3o temos todas as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>Mas vamos nos sentar para conversar<\/strong><\/h3>\n<p>Precisamente, talvez a melhor maneira de combater o aumento do antifeminismo entre os jovens \u2013 pelo menos em suas vers\u00f5es menos ultraconservadores. Evidentemente, o di\u00e1logo n\u00e3o pode tudo \u2013 mas ajuda a convencer que este movimento n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtico e incentiva a inseri-los nesses debates. Conversar com esses jovens pode implicar reconhecer suas d\u00favidas, n\u00e3o dar todas as respostas como sabidas \u2013 \u201co feminismo est\u00e1 fazendo tudo certo\u201d, n\u00e3o critiquem, \u00e9 a resposta mais habitual \u2013, e conseguir envolv\u00ea-los na produ\u00e7\u00e3o de um pensamento coletivo sobre as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para os problemas que eles identificam. No final, a melhor educa\u00e7\u00e3o feminista \u00e9 aquela que lhes ensina a pensar de forma aut\u00f4noma, a discriminar argumentos, mais do que a que tenta fazer com que adiram a um dogma sem fissuras nem possibilidade de contesta\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos admitir que talvez exista um feminismo no qual eles \u2013 pelo menos alguns deles \u2013 possam se reconhecer, e outros que talvez n\u00e3o compartilhem. Afinal, n\u00e3o se usa o feminismo para justificar a massacre em Gaza, a exclus\u00e3o de pessoas trans ou para perseguir migrantes \u201cporque n\u00e3o se integram em nossa cultura\u201d quando se trata de proibir o v\u00e9u nas escolas ou se acusa menores migrantes de agressores sexuais?<\/p>\n<p>Assumir a pluralidade do feminismo e a complexidade de suas posi\u00e7\u00f5es \u00e9 parte inelud\u00edvel das poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es, em um mundo que as extremas-direitas pretendem fechar sobre si mesmo. Temos que criar espa\u00e7os para pensar para al\u00e9m das polariza\u00e7\u00f5es sociais artificiais que querem reduzir tudo a dois extremos \u2013 as duas partes do mainstream \u2013 e arrasar com todo o resto. As possibilidades de emancipa\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais prov\u00e1veis de serem encontradas fora das polaridades, em outro lugar que consigamos abrir juntos.<\/p>\n<p>De fato, haveria que propor a esses jovens um espa\u00e7o dentro do nosso movimento. Frente ao projeto reacion\u00e1rio que lhes oferece um lugar a partir de uma subjetividade agravada, o feminismo tem que propor-lhes um horizonte que v\u00e1 para al\u00e9m da culpabiliza\u00e7\u00e3o, onde possam formar parte ativa de uma pol\u00edtica emancipadora que os inclua como sujeitos de transforma\u00e7\u00e3o. Nas palavras de Mishra: \u201cOs homens desperdi\u00e7ariam esta \u00faltima crise de masculinidade se negassem ou minimizassem a experi\u00eancia de vulnerabilidade que compartilham com as mulheres em um planeta que tamb\u00e9m est\u00e1 em perigo. O poder masculino (\u2026) \u00e9 um ideal inalcan\u00e7\u00e1vel, uma alucina\u00e7\u00e3o de comando e controle, e uma ilus\u00e3o de dom\u00ednio, em um mundo onde tudo que \u00e9 s\u00f3lido desmancha no ar (\u2026) A masculinidade se converteu em uma fonte de grande sofrimento, tanto para homens quanto para mulheres. Entender isso n\u00e3o \u00e9 apenas compreender sua crise global hoje. \u00c9 tamb\u00e9m vislumbrar uma possibilidade de solu\u00e7\u00e3o para esta crise\u201d.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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A estrat\u00e9gia: usar dados reais sobre o sofrimento masculino para manipular discursos. Um poss\u00edvel ant\u00eddoto: criar espa\u00e7os de di\u00e1logo para al\u00e9m de polariza\u00e7\u00f5es forjadas<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/direito-dos-homens-a-nova-face-da-misoginia\/\">\u201cDireito dos homens\u201d, a nova face da misoginia<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":53500,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[17006,423,6956,18158,18159,18162,7117],"tags":[],"class_list":["post-53499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antifeminismo","category-extrema-direita","category-feminismos","category-hipermasculinidade","category-incels","category-manosferas","category-sexismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53499\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}