{"id":5398,"date":"2024-11-17T14:29:25","date_gmt":"2024-11-17T17:29:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/temos-que-falar-de-revolucao-com-um-sorriso-nos-labios-propoe-gilmar-mauro\/"},"modified":"2024-11-17T14:29:25","modified_gmt":"2024-11-17T17:29:25","slug":"temos-que-falar-de-revolucao-com-um-sorriso-nos-labios-propoe-gilmar-mauro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/temos-que-falar-de-revolucao-com-um-sorriso-nos-labios-propoe-gilmar-mauro\/","title":{"rendered":"\u2018Temos que falar de revolu\u00e7\u00e3o com um sorriso nos l\u00e1bios\u2019, prop\u00f5e Gilmar Mauro"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241115-603166-gjysdd.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-273731\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241115-603166-gjysdd.webp 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241115-603166-gjysdd-300x200.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241115-603166-gjysdd-768x512.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cAgora, hoje a reforma agr\u00e1ria n\u00e3o pode ser feita ao estilo cl\u00e1ssico. Tem que ter um projeto\u201d, defende Gilmar Mauro \u2013 <br \/>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Katia Marko e Clara Aguiar<br \/>Do Brasil de Fato*<\/em><\/p>\n<p>Muitos jovens est\u00e3o desesperan\u00e7ados e sem perspectivas concretas de futuro. E nisso reside, segundo Gilmar Mauro, uma das explica\u00e7\u00f5es para a absten\u00e7\u00e3o elevada nas elei\u00e7\u00f5es e mesmo para os votos descarregados na extrema direita. E disso fala nesta longa e intensa conversa\u00e7\u00e3o com Brasil de Fato RS. Na linha de frente da agroecologia, o paranaense que virou militante do MST no ano seguinte \u2013 1985 \u2013 \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do movimento, apressa-se a esclarecer que o termo n\u00e3o remete a um modelo superado de cultivar a terra.<\/p>\n<p>\u201cQuando falamos de agroecologia, \u00e0s vezes as pessoas pensam que estamos querendo voltar ao passado\u201d, acentua ele que, desde menino, trabalhou \u201catr\u00e1s de juntas de boi no Paran\u00e1\u201d. Mauro quer, como explica, acesso \u00e0s tecnologias que diminuem \u201ca penosidade do trabalho agr\u00edcola\u201d. Preocupado com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, n\u00e3o tem ilus\u00f5es quanto \u00e0s solu\u00e7\u00f5es propostas pelo sistema regido pelo capital.<\/p>\n<p>\u201cPara diminuir a quantidade de gases de efeito estufa, voc\u00ea deve abolir todas as tecnologias da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quais sejam as tecnologias do automotivo, o uso de petr\u00f3leo, hidrocarburetos em geral, acabar com as guerras, a ind\u00fastria do pl\u00e1stico. Qual a empresa capitalista que vai deixar de fazer isso? E qual Estado, na\u00e7\u00e3o capitalista, vai deixar de fazer isso?\u201d, indaga.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Acompanhe:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato RS \u2013 Voc\u00ea tem chamado a aten\u00e7\u00e3o para o agravamento da crise ambiental. E n\u00f3s, aqui no Rio Grande do Sul, vivemos isso na pele com a enchente de maio e junho. Mas, nas elei\u00e7\u00f5es municipais, essa pauta passou muito longe das op\u00e7\u00f5es do eleitorado. As pessoas est\u00e3o cegas para essa realidade?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gilmar Mauro \u2013\u00a0<\/strong>H\u00e1 cinco anos conversei com cientistas e eles, ent\u00e3o, n\u00e3o estavam t\u00e3o convencidos da emerg\u00eancia. Depois de cinco anos, evidentemente, com os \u00faltimos fen\u00f4menos ocorridos, n\u00e3o s\u00f3 no Rio Grande do Sul, mas em S\u00e3o Sebasti\u00e3o\/SP, do crime de Mariana e de Brumadinho, da Espanha e v\u00e1rias partes do mundo, a situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica se agravou demais. Nem as esquerdas se deram conta da situa\u00e7\u00e3o. Talvez agora, em fun\u00e7\u00e3o das queimadas na Amaz\u00f4nia e da fuma\u00e7a preta em S\u00e3o Paulo, come\u00e7aram a acender luzes. Mas na popula\u00e7\u00e3o, infelizmente, o tema n\u00e3o est\u00e1 sendo discutido.<\/p>\n<p>Tenho dito que o futuro j\u00e1 chegou. Morre muito mais gente hoje por desastres clim\u00e1ticos, seja calor extremo, frio extremo, chuvas intensas, furac\u00f5es, etc e tamb\u00e9m pandemia. \u00c9 bom lembrar que esse problema gera pandemias como vivemos a da covid e outras pandemias que se avizinham com o processo de degelo e da destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Temos gases de efeito estufa na atmosfera j\u00e1 suficientes para derreter as geleiras. Muito particularmente o CO2 e o \u00f3xido nitroso, de uma durabilidade muito grande. Tamb\u00e9m o metano. Ter\u00edamos que parar de emitir urgentemente novos gases na atmosfera e plantar bilh\u00f5es de \u00e1rvores para tentarmos atenuar o problema.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Apesar de 95% dos munic\u00edpios ga\u00fachos terem sido afetados pela enchente, os eleitores foram na contram\u00e3o do cuidado com o meio ambiente. Como analisar isso? \u00c9 a descren\u00e7a da pol\u00edtica institucional?\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>N\u00e3o adianta vir com essa pautinha de empreendedorismo de esquerda<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>V\u00e1rias quest\u00f5es se articulam. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma. H\u00e1 uma descren\u00e7a na quest\u00e3o eleitoral e na institucionalidade. A esquerda, em determinado momento da hist\u00f3ria, colocou-se como antissist\u00eamica. Hoje a esquerda \u00e9 sistema no Brasil e faz tempo. O antissistema \u00e9 a extrema direita. Todo mundo sabe que \u00e9 fake, mas se colocou nessa condi\u00e7\u00e3o. Dois, se voc\u00ea somar absten\u00e7\u00f5es, votos nulos e brancos, a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acredita nesse sistema. E o terceiro aspecto \u00e9 a falta de perspectivas concretas, principalmente no caso da juventude. Muitos jovens n\u00e3o se interessam hoje por fazer universidade. Perguntam \u201cpara que\u201d? Minha Casa, Minha Vida, parece estar fora do horizonte da juventude.<\/p>\n<p>Do ponto de vista estrutural, h\u00e1 uma mudan\u00e7a muito grande nas chamadas classes trabalhadoras. Aquele oper\u00e1rio fabril cl\u00e1ssico, que tinha um lugar fixo para ir trabalhar, e, portanto, para ele, a casa fazia todo o sentido, tamb\u00e9m est\u00e1 se esgotando. Ali\u00e1s, na juventude, a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o do casamento ou do ter filhos \u00e9 uma coisa j\u00e1 em desuso. \u00c9 viver o hoje intensamente. N\u00e3o se sabe se ter\u00e1 o amanh\u00e3. As esquerdas, em geral, n\u00e3o est\u00e3o colocando perspectivas de futuro, o que leva a uma esp\u00e9cie de limbo. Voc\u00ea n\u00e3o tem perspectiva, voc\u00ea n\u00e3o fala em projeto, e n\u00e3o adianta a esquerda vir com essa pautinha de empreendedorismo de esquerda, porque n\u00e3o \u00e9 isso, muito pelo contr\u00e1rio. Inclusive h\u00e1 pesquisas indicando que grande parte da popula\u00e7\u00e3o quer carteira assinada, quer direitos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241025-3295936-ki4bv3.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-273732\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241025-3295936-ki4bv3.webp 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241025-3295936-ki4bv3-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cQuando decidimos plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores em 10 anos, t\u00ednhamos consci\u00eancia que isso n\u00e3o resolveria o problema da quest\u00e3o ambiental e a crise clim\u00e1tica\u201d \u2013 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o MST<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Aqui, durante as enchentes, houve outra enxurrada, a das fake news. Uma desinforma\u00e7\u00e3o muito grande, acho at\u00e9 que, comparada com a das elei\u00e7\u00f5es de 2018, foi ainda maior. De alguma forma, isso tamb\u00e9m contribuiu, n\u00e3o s\u00f3 para a elei\u00e7\u00e3o de grande n\u00famero de prefeitos da direita e extrema direita, como para a absten\u00e7\u00e3o. Avalias que essa desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para isso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Claro. E continua. Mas fake news sempre existiram, principalmente nas elei\u00e7\u00f5es. Coloquei ingredientes aqui, num certo sentido, cr\u00edtico \u00e0s esquerdas, mas \u00e9 \u00f3bvio que, do outro lado, a direita est\u00e1 jogando pesado. Ela hoje tem uma milit\u00e2ncia pol\u00edtica, atua nas fake news e nas ruas tamb\u00e9m. Acho que eles leram (o pensador italiano Antonio) Gramsci. Est\u00e3o disputando conselhos tutelares, diretorias de escola, todos os espa\u00e7os.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es que n\u00f3s produzimos foram produzidas por um tempo hist\u00f3rico que j\u00e1 n\u00e3o existe mais. Esse \u00e9 um problema. Foram produzidas por um tempo em que o desenvolvimento do capitalismo permitia ganhos para a classe trabalhadora em geral. Mas voc\u00ea tinha situa\u00e7\u00f5es e correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a em escala internacional que permitiram um avan\u00e7o, por exemplo, da social democracia em todo o mundo. Voc\u00ea tem uma Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica por um lado, voc\u00ea tem a reconstru\u00e7\u00e3o da Europa por outro e a social democracia cresceu e muito. Estamos em um tempo em que, al\u00e9m de n\u00e3o obtermos conquistas concretas para a classe trabalhadora, estamos perdendo conquistas hist\u00f3ricas, frutos de muita luta. E os nossos instrumentos pol\u00edticos e organizativos est\u00e3o em uma fase defensiva, grande parte deles com um vi\u00e9s social democrata e, portanto, sem espa\u00e7o.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Em cada bairro do pa\u00eds tem farm\u00e1cia, igreja, biqueira. Mas cad\u00ea a portinha do movimento, do partido?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de eu gostar ideologicamente ou n\u00e3o da social democracia. \u00c9 uma quest\u00e3o objetiva desse tempo hist\u00f3rico. E essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 colocando os limites desse grande espectro de esquerda, que inclui tamb\u00e9m social democracia e democratas mas que est\u00e3o perdendo espa\u00e7o e for\u00e7a no Brasil e no mundo inteiro.\u00a0<br \/>\u00a0 \u00a0<br \/>N\u00e3o d\u00e1 para botar na lata do lixo o que a gente produziu. N\u00e3o sou liquidacionista. O que produzimos \u00e9 o que melhor que conseguimos mas n\u00e3o d\u00e1 conta da atualidade. \u00a0Vou dar um exemplo: em cada bairro e lugarejo desse pa\u00eds voc\u00ea vai encontrar farm\u00e1cia, vai encontrar igreja, vai encontrar biqueira, vai encontrar um monte de coisa. Mas pergunto: e cad\u00ea a portinha do movimento sindical? Cad\u00ea a portinha do partido? Cad\u00ea a portinha do movimento popular? N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o vazio e esse espa\u00e7o est\u00e1 sendo ocupado pelos setores de direita. \u00a0N\u00e3o \u00e9 que a juventude foi para a direita, n\u00e3o. \u00c9 uma disputa pol\u00edtica. Vamos ter que nos preparar se quisermos mudar esse pa\u00eds e o mundo, inclusive se quisermos ajudar a preservar a esp\u00e9cie humana.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Para alcan\u00e7ar essa mudan\u00e7a, qual esquerda precisa emergir?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma receitinha. Se conseguirmos fazer um bom diagn\u00f3stico, n\u00e3o s\u00f3 das elei\u00e7\u00f5es, mas das mudan\u00e7as estruturais no mundo do trabalho, precisaremos apontar (algo) para que a esquerda comece a discutir com mais profundidade as causas do problema. Colocar o dedo na ferida. N\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida que a continuidade do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista vai significar a destrui\u00e7\u00e3o da humanidade.\u00a0<br \/>\u00a0 \u00a0<br \/>Falei que h\u00e1 gases de efeito estufa suficientes para derreter as geleiras e provocar a desertifica\u00e7\u00e3o de algumas \u00e1reas ou a savaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, impactos muito grandes. A COP (Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) diz que precisamos parar de emitir 50% de gases de efeito estufa at\u00e9 2030 e 100% at\u00e9 2050. Mas para diminuir essa quantidade de gases de efeito estufa, voc\u00ea deve abolir todas as tecnologias da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quais sejam as tecnologias do automotivo, o uso de petr\u00f3leo, hidrocarburetos em geral, acabar com as guerras, a ind\u00fastria do pl\u00e1stico. A\u00ed eu pergunto: qual a empresa capitalista que vai deixar de fazer isso? E qual Estado, na\u00e7\u00e3o capitalista, vai deixar de fazer isso? O capital precisa se acumular e se expandir permanentemente. Se n\u00e3o, deixa de ser capital. E para acumular e se expandir permanentemente, precisa extrair mat\u00e9rias primas e transformar tudo e todos em mercadoria o tempo todo, inclusive as cat\u00e1strofes.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A esquerda vai ter que dialogar com a juventude. Mas n\u00e3o se pode jogar os velhos na lata do lixo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Quem vai reconstruir o Rio Grande do Sul? As pontes, as estradas? Quem recuperou os estragos da Segunda Guerra Mundial? \u00c9 disso que estamos falando. Abolir as tecnologias da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial provocaria uma brutal contra\u00e7\u00e3o no PIB em escala planet\u00e1ria. O capitalismo vai fazer isso? Esses pa\u00edses v\u00e3o fazer isso? N\u00e3o. Se eu andar a p\u00e9 com voc\u00eas, a gente n\u00e3o produz PIB. Agora, se andarmos de carro e tiver tr\u00e2nsito, como nas grandes cidades, a gente eleva o PIB. Se bebermos \u00e1gua da fonte, n\u00e3o elevamos o PIB. Mas se a \u00e1gua estiver suja pra caramba e precisar de tratamento, crescemos no PIB. \u00c9 a l\u00f3gica do sistema do capital.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a esquerda vai ter que discutir essa quest\u00e3o. Ali\u00e1s, termino aqui, com uma frase do\u00a0Wilhelm\u00a0Reich, um psicanalista alem\u00e3o que, entre outras obras, escreveu\u00a0<em>Psicologia de Massas do Fascismo<\/em>: \u00b4Os velhos t\u00eam a hist\u00f3ria nas costas, a juventude \u00e0 frente`. Essa esquerda vai ter que dialogar com a juventude. \u00c9 a \u00fanica capaz de enfrentar esses problemas e propor um outro projeto. Agora, n\u00e3o podem jogar os velhos na lata do lixo. Evidentemente, eles podem dar uma contribui\u00e7\u00e3o muito importante tamb\u00e9m para esse processo de reconstru\u00e7\u00e3o de uma nova esquerda, de um novo projeto pol\u00edtico e ideol\u00f3gico.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ainda sobre as elei\u00e7\u00f5es: este ano o MST resolveu investir mais fortemente e elegeu 133 candidatos a vereador, prefeito e vice-prefeito. Como \u00a0que se deu essa decis\u00e3o de investir mais nessa quest\u00e3o institucional?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O MST sempre esteve participando dos processos eleitorais apoiando aliados e aliadas na luta pela reforma agr\u00e1ria. Mas a pr\u00f3pria luta concreta do MST \u00e9 a busca pela institucionaliza\u00e7\u00e3o de conquistas. Voc\u00ea faz a ocupa\u00e7\u00e3o buscando institucionalizar o assentamento, o cr\u00e9dito, a moradia, e assim por diante. N\u00f3s, como classe trabalhadora, buscamos, atrav\u00e9s da luta, que \u00e9 a \u00fanica linguagem que as classes dominantes entendem melhor, a busca de conquistas concretas para que, efetivamente, elas sejam institucionalizadas como direitos.<\/p>\n<p>E eu quero fazer um recorte: n\u00e3o \u00e9 todo o MST que foi nesse debate. Optamos por entendermos que, principalmente as elei\u00e7\u00f5es municipais, s\u00e3o momentos importantes de fazer um debate pol\u00edtico. Para al\u00e9m dos assentamentos, para al\u00e9m dos acampamentos, de envolver as circunvizinhan\u00e7as desses espa\u00e7os onde atuamos. At\u00e9 porque, sozinhos, s\u00f3 com a nossa base, dificilmente ter\u00edamos condi\u00e7\u00f5es de eleger uma grande quantidade de gente.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Vejo um monte de gente com o bon\u00e9 do MST na avenida Paulista. N\u00e3o fa\u00e7o nem ideia de quem seja<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 um debate nas cidades que fazemos na defesa da reforma agr\u00e1ria, da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, da agroecologia, e agora tamb\u00e9m no espa\u00e7o municipal. Como parte de um trabalho de base. Espero que n\u00e3o s\u00f3 no per\u00edodo eleitoral mas que venha para ficar. Aqui em S\u00e3o Paulo, vejo um monte de gente com o bon\u00e9 do MST, na avenida Paulista, nos domingos. N\u00e3o fa\u00e7o nem ideia de quem seja. De vez em quando dou um grito \u00b4\u00c9 isso, \u00e9 terra!`\u00a0<\/p>\n<p><strong>Virou moda\u2026<\/strong><\/p>\n<p>O p\u00fablico se aproxima do MST por diferentes raz\u00f5es. Tem duas coisas importantes: uma \u00e9 fazer a luta institucional, para que essa luta institucional nos ajude a fortalecer o bra\u00e7o da luta popular; outra \u00e9 fazer a luta popular para que nos ajude a acumular for\u00e7as do ponto de vista institucional dentro de uma perspectiva de projeto estrat\u00e9gico que queremos para o MST. Na nossa pauta corporativa, mas tamb\u00e9m de uma pauta pol\u00edtica mais ampla para amplos setores da classe trabalhadora.\u00a0<\/p>\n<p><strong>E quais s\u00e3o os fatores que podem dar melhores condi\u00e7\u00f5es eleitorais? Quais pol\u00edticas p\u00fablicas podem impulsionar essas candidaturas do campo democr\u00e1tico popular?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante sempre demarcar uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. Para que se disputa? Isso \u00e9 fundamental, porque sen\u00e3o ca\u00edmos numa l\u00f3gica do indiv\u00edduo. O primeiro aspecto \u00e9 garantir essa coes\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e de projeto pol\u00edtico. Se n\u00e3o, vira oportunismo t\u00f3xico. E o segundo \u00e9 difundir na sociedade temas importantes, como a agrofloresta, os problemas ambientais, a comida saud\u00e1vel, a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>A coisa mais moderna a ser feita nesse pa\u00eds \u00e9 uma reforma agr\u00e1ria. Hoje, o Brasil planta em 80 milh\u00f5es de hectares. Destes, 45 milh\u00f5es com soja e 21 milh\u00f5es de hectares com milho. Sobram 14 milh\u00f5es para as outras coisas. E o pa\u00eds utiliza 150 milh\u00f5es de hectares com pastagens. Ou seja, nos transformamos numa monocultura de exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0agr\u00edcolas, destruindo a natureza, os recursos naturais, utilizando adubos qu\u00edmicos, nitrogenados e uma quantidade de veneno imensa, colocando fogo nos nossos biomas. Essa \u00e9 a l\u00f3gica, a dos grandes fazendeiros colocando fogo nos biomas para ampliar esse tipo de destrui\u00e7\u00e3o para obter lucro.<\/p>\n<p>Reforma agr\u00e1ria \u00e9 fundamental no nosso pa\u00eds e no mundo e a disputa por terra, territ\u00f3rio e \u00e1gua \u00e9 a disputa mais intensa que ser\u00e1 vista no pr\u00f3ximo per\u00edodo. Ali\u00e1s, n\u00e3o se explica a guerra da Palestina sem discutir terra e territ\u00f3rio.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Em um curto espa\u00e7o de tempo vamos ter uma crise h\u00eddrica muito grave<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>O MST tem seu Plano da Reforma Agr\u00e1ria Popular que ser\u00e1 rediscutido no seu encontro nacional no ano que vem. E nesse projeto, al\u00e9m da reforma agr\u00e1ria, h\u00e1 v\u00e1rias propostas, como a da agroecologia e o plano de plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores em todo o Brasil. Essa proposta ajudaria a mudar esse sistema de produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Defendemos um modelo de agricultura para o Brasil (para o qual) \u00e9 preciso fazer uma revolu\u00e7\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o da agricultura \u00e9 a \u00fanica perspectiva que salvar\u00e1 a pr\u00f3pria agricultura de um colapso, que est\u00e1 desenhado, que est\u00e1 se dando. Em S\u00e3o Paulo, onde moro, \u00e9 preciso irrigar a cana. Cultivos como laranja est\u00e3o migrando em fun\u00e7\u00e3o do Aqu\u00edfero Guarani. Est\u00e3o perfurando grandes po\u00e7os. O aqu\u00edfero n\u00e3o d\u00e1 conta de repor a \u00e1gua utilizada.<\/p>\n<p>Em um curto espa\u00e7o de tempo vamos ter uma crise h\u00eddrica muito grave, fruto desse tipo de monocultura e de destrui\u00e7\u00e3o. Afirmamos, categoricamente, que \u00e9 poss\u00edvel alimentar toda a humanidade de forma agroecol\u00f3gica. Hoje, 65% do que se consome de comida na humanidade envolve quatro produtos: arroz, milho, trigo e soja. Se voc\u00ea colocar 90% dos alimentos de toda a humanidade, s\u00e3o 15 tipos de produtos. Para termos um dado comparativo: o MST hoje, os pequenos agricultores, entregam no PAA (Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos do governo federal) 400 tipos diferentes de alimentos. \u00c9 que a ind\u00fastria, al\u00e9m de centralizar economicamente \u2013 e por isso o conceito de agroneg\u00f3cio \u2013 \u00e9 a montante do processo de produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a ind\u00fastria para agricultura, maquin\u00e1rios, venenos, sementes transg\u00eanicas que fornecem para a agricultura e a jusante do processo de produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o controlada por pequenos grupos em escala planet\u00e1ria que lucram financeiramente com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. O processo est\u00e1 se financeirizando cada vez mais. Temos uma agricultura familiar que tem como produzir alimentos de todos os tipos sem veneno. Mas, para isso, \u00e9 preciso mudar a cultura alimentar. A cultura dos ultraprocessados, subjetivamente e objetivamente, construiu isso.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Quando decidimos plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores sab\u00edamos que n\u00e3o resolveria\u00a0o problema ambiental. Mas plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores \u00e9 plantar cuidado<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A terra, os recursos naturais, a \u00e1gua, as sementes, devem ser patrim\u00f4nio p\u00fablico da humanidade, N\u00e3o pode ser propriedade privada. \u00c9 preciso mudar os paradigmas tecnol\u00f3gicos. Quando falamos de agroecologia, \u00e0s vezes as pessoas pensam que estamos querendo voltar ao passado. Entrei no MST em 1985. Antes, eu trabalhava na terra. Desde crian\u00e7a, trabalhei atr\u00e1s de juntas de boi no Paran\u00e1. N\u00e3o \u00e9 dessa agricultura que estou falando. Queremos tecnologia que diminua a penosidade do trabalho agr\u00edcola e que agrida o m\u00ednimo poss\u00edvel a natureza.\u00a0<br \/>\u00a0 \u00a0\u00a0<br \/>Quando decidimos plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores em 10 anos, t\u00ednhamos consci\u00eancia que isso n\u00e3o resolveria o problema da quest\u00e3o ambiental e a crise clim\u00e1tica. Mas plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores \u00e9 plantar cuidado. Quando n\u00f3s decidimos fazer marmita e fazer doa\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias no per\u00edodo da pandemia e outros, sab\u00edamos que n\u00e3o ir\u00edamos resolver os problemas da fome no pa\u00eds. Mas distribuir marmita e comida \u00e9 plantar solidariedade. \u00c9 aquela ideia de Marx, mas tamb\u00e9m de Paulo Freire, que \u00b4n\u00f3s nos fazemos ao fazermos as coisas`. Quando mandamos militantes do MST para a Palestina, para o Haiti, para a \u00c1frica, mais do que ajudar eles a resolver os problemas deles, no fundo estamos formando em n\u00f3s a solidariedade e o internacionalismo. \u00c9 disso que se trata. \u00c9 criar essas iniciativas numa perspectiva de formar uma nova gera\u00e7\u00e3o com outros valores.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241008-3208807-5xdcs9.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-273733\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241008-3208807-5xdcs9.webp 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241008-3208807-5xdcs9-300x169.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image_processing20241008-3208807-5xdcs9-768x432.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cO MST sempre esteve participando dos processos eleitorais apoiando aliados e aliadas na luta pela reforma agr\u00e1ria\u201d\u00a0\u2013<br \/>Foto: Matheus Alves\/MST<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como o governo Lula poderia impulsionar essas pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Estamos acertando uma nova reuni\u00e3o com o presidente da Rep\u00fablica. Tivemos uma um m\u00eas e pouco atr\u00e1s e foi muito interessante, muito boa. Entretanto, ainda h\u00e1 uma defici\u00eancia em termos de pol\u00edticas concretas para a pequena agricultura. Na d\u00e9cada de 1980, o Brasil enfrentou grave crise. Depois, o governo Fernando Henrique Cardoso ter\u00e1 que recorrer ao FMI. O Brasil n\u00e3o conseguia pagar a d\u00edvida externa. Naquele momento, havia um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o da economia brasileira. O fim de um ciclo. O que FHC ir\u00e1 fazer? Ele precisava vender, ter super\u00e1vit comercial, ter dinheiro para pagar a d\u00edvida. Fez um programa voltado para a agricultura.<\/p>\n<p>Com a Lei Kandir, em 1996, quem exportasse n\u00e3o pagaria impostos. Incentiva-se a exporta\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas. N\u00e3o \u00e9 novidade na hist\u00f3ria brasileira. Nascemos exportando mat\u00e9rias-primas mas, a partir dos anos 1990, reprimarizamos cada vez mais a nossa economia. Por que estou dizendo isso? Porque quem investiu na exporta\u00e7\u00e3o de commodities \u00e9 que foi beneficiado no campo brasileiro. E quem ficou produzindo para o mercado interno, principalmente comida para o povo, ficou alijado. Vejamos: dos R$ 400 bilh\u00f5es disponibilizados agora de financiamento para o grande agroneg\u00f3cio, foram R$ 400 bilh\u00f5es p\u00fablicos, com subs\u00eddio e equaliza\u00e7\u00e3o de taxas de juros. Mas a iniciativa privada colocou um trilh\u00e3o nesse tipo de neg\u00f3cio financeiro na agricultura. E R$ 70 bilh\u00f5es para a agricultura familiar. Mas na agricultura familiar s\u00f3 750 mil pequenos agricultores tiveram acesso. E temos mais de quatro milh\u00f5es de pequenos agricultores.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 preciso que o pequeno agricultor tenha financiamento para plantar, ao menos, um hectare de agrofloresta<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Foram alijados, se endividaram, empobreceram no campo, e sequer t\u00eam direito a cr\u00e9dito. E olha a ironia. \u00c9 quem defendeu o Lula nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. Porque o agroneg\u00f3cio, e at\u00e9 certo setor da pr\u00f3pria agricultura familiar, que aderiu \u00e0 ideologia do agroneg\u00f3cio, acabou aderindo ao Bolsonaro. Veja a contradi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, para n\u00f3s avan\u00e7armos, e isso a gente falou na reuni\u00e3o com o Lula, \u00e9 preciso Desenrola no campo, \u00e9 preciso resolver pequenas d\u00edvidas. Cinquenta por cento das d\u00edvidas dos pequenos agricultores n\u00e3o passam de R$ 10 mil. Tem um problema de score banc\u00e1rio que, mesmo que voc\u00ea tenha pagado a tua d\u00edvida, entra como uma esp\u00e9cie de mancha no banco. Isso \u00e9 normativa interna do pr\u00f3prio Banco do Brasil e da Caixa.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 preciso cr\u00e9dito agr\u00edcola, \u00e9 preciso colocar dinheiro no PAA, \u00e9 preciso que cada pequeno agricultor tenha financiamento para plantar, ao menos, um hectare de agrofloresta na sua terra. Com isso elevamos a quantidade de \u00e1rvores plantadas em todo o Brasil. \u00c9 preciso assentar as fam\u00edlias acampadas, estimular a ind\u00fastria de m\u00e1quinas, de bioinsumos para substituir os insumos.\u00a0<\/p>\n<p>Estamos discutindo o campo para al\u00e9m da quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma esp\u00e9cie de pensar um plano diretor para cada assentamento, cada comunidade, que vai discutir como vai ser a agrovila, como vai ser a preserva\u00e7\u00e3o das nascentes, como ter\u00e1 acesso \u00e0 tecnologia, \u00e0 internet, como que vai colocar teatro, vai colocar arte, vai colocar escola nesses lugares. Uma perspectiva de transformar esses locais num lugar lindo para se viver, para morar em harmonia cada vez maior com a natureza mas numa perspectiva de qualidade de vida, como modelo, inclusive, para se pensar futuras cidades. \u00c9 o que achamos que o governo deve fazer. Infelizmente, tenho que ser honesto, n\u00e3o est\u00e1 acontecendo.\u00a0<\/p>\n<p><strong>E o MST \u00e9 um dos movimentos que n\u00e3o deixa de fazer a press\u00e3o no governo federal. Manuela D`\u00c1vila, inclusive, disse que se um governo est\u00e1 em disputa, tem que ter disputa pelos dois lados, n\u00e3o adianta s\u00f3 o Centr\u00e3o, o agroneg\u00f3cio, ficar disputando o governo e o outro lado n\u00e3o disputar.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o fazemos luta porque achamos bonito. A luta de classe n\u00e3o surgiu conosco e nem terminar\u00e1 conosco, possivelmente, embora as lutas tenham o seu lado l\u00fadico, de beleza, evidentemente, mas \u00e9 porque \u00e9 a \u00fanica linguagem que as classes dominantes entendem. \u00c9 no processo de luta que se forma o sujeito coletivo, \u00e9 quando acontece o fen\u00f4meno da alteridade. Eu me vejo em voc\u00ea, a ideia, meu companheiro, minha companheira, que, ali\u00e1s, acontece na igreja tamb\u00e9m, minha irm\u00e3, eu e o irm\u00e3o, \u00e9 nesse processo que nos reconhecemos como classe trabalhadora.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para separar a luta econ\u00f4mica da luta pol\u00edtica, n\u00e3o d\u00e1 para separar a luta presente daquilo que a gente quer no futuro. \u00a0Se quiser uma sociedade solid\u00e1ria, tem que plantar solidariedade; se quiser uma sociedade justa, tem que plantar justi\u00e7a; se quiser uma sociedade onde homens e mulheres tenham direitos iguais, \u00e9 preciso plantar isso aqui e agora, inclusive, dentro das nossas casas. No dia em que a esquerda e o movimento popular, o MST, deixarem de fazer luta \u00e9 porque morreram. N\u00e3o tem sentido. Olha o paradoxo que vou colocar agora: somos os primeiros a querer acabar com o MST. Agora, para acabar com o MST, \u00e9 preciso fazer a reforma agr\u00e1ria. E sabemos que, para fazer a reforma agr\u00e1ria, \u00e9 preciso alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e essa tarefa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do MST. \u00c9 de voc\u00eas e de toda a sociedade brasileira.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Quem perdeu a cren\u00e7a na humanidade de alguma forma morreu internamente<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Qual \u00e9 a expectativa com essa centena de candidaturas eleitas do MST?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Espero que seja uma experi\u00eancia positiva. Mas temos que ter a clareza para, a\u00ed na frente, se a experi\u00eancia for negativa, fazermos uma autocr\u00edtica e corrigimos os golpes. N\u00e3o \u00e9 uma coisa\u2026 \u201cAh, o MST entrou de cabe\u00e7a agora, n\u00e3o tem volta\u201d. N\u00e3o \u00e9 assim. Tem uma expectativa positiva de colocar os nossos temas e de amplos setores das classes trabalhadoras nesses espa\u00e7os municipais. \u00a0N\u00e3o \u00e9 o indiv\u00edduo que est\u00e1 l\u00e1. \u00c9 o projeto. Ali\u00e1s, tem um bocado de gente que se acha o maioral, l\u00ea os tr\u00eas livros, empina o nariz e se acha o grande que vai resolver tudo. Brinco com eles e digo \u00b4Vai sozinho fazer uma ocupa\u00e7\u00e3o de terra ent\u00e3o, se tu \u00e9 o bom`. Acredito em processos coletivos, acredito na humanidade, mesmo com toda a crise que n\u00f3s estamos vivendo. Quem perdeu a cren\u00e7a na humanidade de alguma forma morreu internamente.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O MST tem essa preocupa\u00e7\u00e3o com o novo paradigma do ser humano. O pr\u00f3prio plano da reforma agr\u00e1ria popular tamb\u00e9m traz esses elementos das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Che Guevara dizia que uma revolu\u00e7\u00e3o tem que ser para trazer um novo homem, uma nova mulher, enfim, esse elemento da humanidade\u2026\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Temos que falar de revolu\u00e7\u00e3o com um sorriso nos l\u00e1bios. Fazer a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 algo fundamental para o Brasil e para o mundo. Parece que para falar de revolu\u00e7\u00e3o tem que falar escondidinho. Se voc\u00ea esconde, a esquerda n\u00e3o amea\u00e7a. N\u00f3s nem falamos aqui mas quanta gente est\u00e1 em depress\u00e3o, o \u00edndice de suic\u00eddios, mundo afora, e na juventude em particular. \u00c9 isso que a gente quer, francamente? Ent\u00e3o, temos que falar dessa nova sociabilidade. Vai doer para um monte de gente, n\u00e3o \u00e9? Falar de participa\u00e7\u00e3o das mulheres. Romper com preconceitos mais diversos, seja o racismo, a LGBTfobia etc.<\/p>\n<p>Queremos construir uma sociabilidade diferente. E isso n\u00e3o desarticula. Pelo contr\u00e1rio. N\u00e3o d\u00e1 para separar da luta econ\u00f4mica. Voc\u00ea tem que disputar a terra. N\u00e3o vai haver reforma agr\u00e1ria se n\u00e3o tiver desapropria\u00e7\u00e3o. Depois, voc\u00ea tem que ter um projeto de uso dessa terra. Ali\u00e1s, a reforma agr\u00e1ria \u00e9 uma bandeira burguesa da revolu\u00e7\u00e3o francesa. Que se aliou ao campesinato porque precisava derrotar o feudalismo e criar mercado. Mercado dos produtos da burguesia e mat\u00e9ria-prima. Ent\u00e3o, criou-se essa ideia de reforma agr\u00e1ria dentro do capitalismo. Agora, hoje a reforma agr\u00e1ria n\u00e3o pode ser feita ao estilo cl\u00e1ssico. Tem que ter um projeto. Por isso chamamos de reforma agr\u00e1ria popular. Que \u00e9 distribuir terra mas tamb\u00e9m construir novas rela\u00e7\u00f5es. Preservar, replantar, cuidar de nascente. Mas \u00e9 tamb\u00e9m cuidar das rela\u00e7\u00f5es, ter educa\u00e7\u00e3o, ter sa\u00fade.<\/p>\n<p><em>(*) Esta \u00e9 uma vers\u00e3o reduzida de entrevista ao podcast De Fato.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/11\/17\/temos-que-falar-de-revolucao-com-um-sorriso-nos-labios-propoe-gilmar-mauro\/\">\u2018Temos que falar de revolu\u00e7\u00e3o com um sorriso nos l\u00e1bios\u2019, prop\u00f5e Gilmar Mauro<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fronteira-gaucha-encanta-espectadores-no-festival-de-gramado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1-25-150x128.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Fronteira ga\u00facha encanta espectadores no Festival ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/2-anos-de-reconstrucao-lula-promove-queda-do-desmatamento-e-investimentos-verdes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">2 anos de reconstru\u00e7\u00e3o: Lula promove queda do desm...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tarcisio-deixa-legado-de-letalidade-policial-e-estupros-em-2025-policiais-mataram-649-pessoas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Tarc\u00edsio deixa legado de letalidade policial e est...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/num-desabafo-haddad-rasga-o-verbo-vamos-derrotar-essa-extrema-direita-escrota-em-2026\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Num desabafo, Haddad rasga o verbo: \u2018Vamos derrota...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAgora, hoje a reforma agr\u00e1ria n\u00e3o pode ser feita ao estilo cl\u00e1ssico. 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