{"id":54583,"date":"2025-09-24T18:03:19","date_gmt":"2025-09-24T21:03:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/economia-da-atencao-o-que-marx-diria\/"},"modified":"2025-09-24T18:03:19","modified_gmt":"2025-09-24T21:03:19","slug":"economia-da-atencao-o-que-marx-diria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/economia-da-atencao-o-que-marx-diria\/","title":{"rendered":"Economia da Aten\u00e7\u00e3o: O que Marx diria"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1292\" height=\"724\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/a_impermanencia_da_atencao.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/a_impermanencia_da_atencao.png 1292w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/a_impermanencia_da_atencao-300x168.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/a_impermanencia_da_atencao-768x430.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1292px) 100vw, 1292px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>Outras Palavras<\/em> publica uma nova resposta sobre debate te\u00f3rico da extra\u00e7\u00e3o de lucro na era das big techs. Leia tamb\u00e9m o primeiro texto <em>Em busca de uma teoria do valor-aten\u00e7\u00e3o<\/em>, de <strong>Marcos Barbosa de Oliveira<\/strong>; a resposta de <strong>Eleut\u00e9rio Prado<\/strong> e <strong>Jorge N\u00f3voa<\/strong>, em <em>Cr\u00edtica da teoria do valor-aten\u00e7\u00e3o<\/em>; e a tr\u00e9plica de <strong>Marcos Dantas<\/strong> em <em>Economia da Aten\u00e7\u00e3o: Exame de um ponto cego<\/em>.<\/p>\n<h3><strong>Breve nota bibliogr\u00e1fica<\/strong><\/h3>\n<p>As recentes cr\u00edticas de Eleut\u00e9rio Prado e de Marcos Dantas a um texto de Marcos Oliveira sobre economia da aten\u00e7\u00e3o, neste portal, repercutem de alguma forma a velha pol\u00eamica inaugurada com a publica\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre artigo de Dallas Smythe (1977), reconhecido como fundador do campo da economia pol\u00edtica da comunica\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Norte. Smythe pretendia, nada mais nada menos, que resolver o problema dos estudos de comunica\u00e7\u00e3o, vistos como o \u201cburaco negro do marxismo ocidental\u201d (ou o ponto cego na tradu\u00e7\u00e3o literal). A pr\u00f3pria express\u00e3o \u201ceconomia pol\u00edtica da comunica\u00e7\u00e3o\u201d, que seria adotada <em>urbi et orbi<\/em> nos anos noventa do s\u00e9culo passado, \u00e9 obra do autor, criador do primeiro grupo de trabalho sob esse t\u00edtulo na <em>International Association for Media and Communication Research<\/em> (IAMCR), principal entidade internacional do campo acad\u00eamico da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em que pese o m\u00e9rito da formula\u00e7\u00e3o e o pioneirismo na identifica\u00e7\u00e3o do problema, a solu\u00e7\u00e3o proposta pelo autor era essencialmente inconsistente e suas fragilidades foram apontadas no que ficou conhecido como o <em>blindspot debate<\/em>. Carlos Figueiredo (2022) apresenta uma valiosa resenha desse debate original e da sua retomada nos anos 2010, \u00e0 qual retornarei em seguida. Na Am\u00e9rica Latina, o texto passou em geral desapercebido, salvo no M\u00e9xico, onde Patr\u00edcia Arriaga (1980) apresentou uma obje\u00e7\u00e3o que tive a oportunidade de retomar em minha pr\u00f3pria cr\u00edtica \u2013 a primeira, salvo melhor ju\u00edzo, publicada no Brasil, originalmente na tese de doutorado defendida em 1993 (Bola\u00f1o, 2000), que saiu como livro em ingl\u00eas apenas em 2015. Figueiredo faz a seguinte avalia\u00e7\u00e3o geral do debate original:<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-GERA-23.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-GERA-23.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>As ideias de Smythe sofreram poucos desafios por te\u00f3ricos de l\u00edngua inglesa. As respostas foram t\u00edmidas como as apresentadas por Murdoch (1978) ou Garnham (1979). Lebowitz (1986) ataca o que consideramos o cerne da quest\u00e3o que \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o equivocada de que as audi\u00eancias trabalham. Todavia consideramos equivocado seu entendimento sobre como os meios de comunica\u00e7\u00e3o obt\u00e9m suas receitas. A resposta de Bola\u00f1o (2000) n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 a que melhor responde aos problemas gerados pelo debate do ponto cego, mas tamb\u00e9m oferece uma teoria que considera a totalidade do problema: o Estado, classes sociais, ideologia, trabalho e a l\u00f3gica econ\u00f4mica do setor (Figueiredo, 2022, p. 114).<\/p>\n<p>De todo modo, todo o debate permaneceu quase esquecido at\u00e9 a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, quando foi retomado a partir do trabalho de Christian Fuchs (2012). Este, n\u00e3o apenas ressuscita o velho Smythe, adaptando-o ao estudo da economia da Internet, mas o reelabora, incorporando o conceito de prossumidor do futur\u00f3logo Alvin Tofler (1980) em uma perspectiva supostamente marxista mas que na realidade mostra-se incompat\u00edvel com Marx, como facilmente verifica quem leu a <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em> (Marx, 1857), texto can\u00f4nico do pensamento marxista, que Dussel (1985) analisou de forma esclarecedora no primeiro cap\u00edtulo do seu estudo sobre os <em>Grundrisse<\/em>.<\/p>\n<p>Eu tive a oportunidade de fazer uma cr\u00edtica a Fuchs, que suscitou um interc\u00e2mbio nas revistas <em>Television and New Media<\/em> (Bola\u00f1o e Vieira, 2015; Fuchs, 2015) e <em>TripleC<\/em> (Bola\u00f1o, 2015a; Fuchs, 2015a), mas o que ficou mais conhecido no debate dos anos 2010 foi a cr\u00edtica autonomista de Arvidsson e Colleoni (2012), que Sorensen (2024), em uma extensa e merit\u00f3ria resenha, embora ao final acabe por adotar ele pr\u00f3prio uma perspectiva alinhada \u00e0quela de Fuchs, toma como eixo principal dessa segunda onda do debate. Rigi e Prey (2015) tamb\u00e9m partem desse eixo para fazer uma an\u00e1lise cr\u00edtica numa perspectiva marxista, alinhada a outra tend\u00eancia, que v\u00ea as redes e plataformas digitais como setor improdutivo, obedecendo a uma l\u00f3gica rentista, ligada ao pagamento por acesso a dados, espa\u00e7o publicit\u00e1rio etc.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima parece ser a tend\u00eancia mais aceita no debate atual, adotada, no Brasil, por intelectuais como Leda Paulani (2016), ou Oliveira e Filgueiras (2020) e, em n\u00edvel internacional por autores muito citados como Nick Srnicek (2016) e Ursula Huws (2014). Ambos tamb\u00e9m criticam Fuchs, embora de modos distintos: Srnicek de forma mais consistente e Huws de maneira mais vacilante. Exclu\u00eddos esses dois, o trabalho mais influente, em n\u00edvel nacional e internacional, dessa corrente \u00e9 o artigo de Rotta e Teixeira (2012), que podemos tomar aqui como paradigm\u00e1tico da hip\u00f3tese do rentismo.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que sua formula\u00e7\u00e3o parte de uma cr\u00edtica a um trabalho anterior de Eleut\u00e9rio Prado (2006), que apresenta uma perspectiva diferente tanto da minha quanto da deles, definindo a economia digital n\u00e3o pela categoria da renda, mas juro. Da minha parte, devo esclarecer que, embora a teoria que desenvolvi para o estudo da Ind\u00fastria Cultural (Bola\u00f1o, 2000) seja v\u00e1lida em geral, com as devidas adapta\u00e7\u00f5es, para o novo sistema global de cultura, este constitui uma totalidade mais complexa, envolvendo m\u00faltiplas l\u00f3gicas sociais, modelos de financiamento e funcionalidades que n\u00e3o recomendam a ado\u00e7\u00e3o de explica\u00e7\u00f5es gerais apressadas.<\/p>\n<p>Em todo caso, embora reconhecendo pontos fortes nos argumentos da corrente que defende a hip\u00f3tese do rentismo, h\u00e1 tr\u00eas limita\u00e7\u00f5es nesse enfoque que merecem ser destacadas ainda que brevemente: (a) como demonstrou Fabr\u00edcio Zanghelini (2024) em sua cr\u00edtica a Huws, o conceito de renda da terra de Marx n\u00e3o se aplica a esses setores; (b) \u00e9 arbitr\u00e1rio e n\u00e3o condiz com as evid\u00eancias \u2013 como no caso bem conhecido das ind\u00fastrias culturais \u2013 definir todo trabalho intelectual ou informacional como improdutivo por princ\u00edpio; (c) a ideia, central no argumento de Rotta e Teixeira e amplamente aceita pelos demais autores da corrente, de justificar o argumento do car\u00e1ter improdutivo do trabalho informacional pelo fato de a informa\u00e7\u00e3o apresentar custo de reprodu\u00e7\u00e3o zero, apoiando-se na conhecida observa\u00e7\u00e3o de Marx de que o que determina o valor \u00e9 o tempo de reprodu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 equivocada.<\/p>\n<p>O sentido do racioc\u00ednio de Marx naquele ponto era o refinamento categorial na passagem do plano mais abstrato do livro primeiro d\u2019<em>O Capital<\/em> ao n\u00edvel mais concreto, do terceiro volume, envolvendo, entre outras quest\u00f5es, os complexos problemas relativos \u00e0 din\u00e2mica da rela\u00e7\u00e3o entre valor e pre\u00e7o. O conceito de reprodu\u00e7\u00e3o, em Marx, remete \u00e0 produ\u00e7\u00e3o continuada (recorrente) da mercadoria e n\u00e3o \u00e0 mera reprodu\u00e7\u00e3o de c\u00f3pias a partir de um prot\u00f3tipo \u2013 como seria o caso, por exemplo, na no\u00e7\u00e3o, relevante para a economia pol\u00edtica da comunica\u00e7\u00e3o, de reprodu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da obra de arte (Benjamin, 1936). Na verdade, dada a r\u00e1pida obsolesc\u00eancia que caracteriza tamb\u00e9m a economia da informa\u00e7\u00e3o, a reprodu\u00e7\u00e3o, no sentido de Marx, envolve sempre a produ\u00e7\u00e3o de nova informa\u00e7\u00e3o pelo trabalho vivo (informacional), a partir do nada do capital, como diria Dussel.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ADC30_Engels_anuncio_OP-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ADC30_Engels_anuncio_OP-2.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Textos recentes publicados na Outras Palavras: embri\u00e3o de um novo debate?<\/strong><\/h3>\n<p>O debate iniciado nas p\u00e1ginas deste portal a partir do texto de Marcos Oliveira (2025) h\u00e1 de referir-se inevitavelmente a esse outro, j\u00e1 antigo, mas ainda em plena vitalidade, que o autor parece desconhecer, pois formula uma proposi\u00e7\u00e3o absolutamente original, apoiado basicamente na chamada \u201ceconomia da aten\u00e7\u00e3o\u201d, at\u00e9 aqui estranha ao pensamento marxista. N\u00f3voa e Prado (2025), em texto curto e despretensioso, mas preciso na cr\u00edtica, apontam o risco embutido na proposta de Oliveira de uma \u201cteoria marxista do valor aten\u00e7\u00e3o\u201d, que se move, digo eu, fora do terreno que estamos cultivando ao longo dos \u00faltimos 48 anos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso reconhecer, contudo, que o autor formula sua proposta, tamb\u00e9m despretensiosa, em termos metaf\u00f3ricos: \u201ca aten\u00e7\u00e3o \u00e9 metaforicamente a moeda com a qual os internautas pagam pelo acesso aos conte\u00fados que lhes interessam. Obviamente, quanto mais aten\u00e7\u00e3o um an\u00fancio recebe, maior \u00e9 o seu valor\u201d (Oliveira, 2025). Obviamente, a formula\u00e7\u00e3o nada tem a ver com a teoria do valor de Marx e o pr\u00f3prio Oliveira reconhece isso quando adota a ideia da economia da aten\u00e7\u00e3o como alternativa. Ele avalia a tradi\u00e7\u00e3o marxista nos seguintes termos:<\/p>\n<p>O conceito marxiano de mercadoria envolve o de mais-valia, por sua vez associado ao de explora\u00e7\u00e3o. O capitalismo \u00e9 condenado por constituir uma forma de explora\u00e7\u00e3o, a mais-valia \u00e9 caracterizada como um roubo. Essa cr\u00edtica pode ser aplicada \u00e0s redes sociais, na qualidade de um caso particular da cr\u00edtica geral cujo cerne \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o. Por outro lado, crucial \u00e9 que existe uma outra estrat\u00e9gia de cr\u00edtica, fundada num outro princ\u00edpio de natureza \u00e9tica (idem).<\/p>\n<p>Esse princ\u00edpio seria o da igualdade, que o autor define por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica radical do capitalismo que caracteriza o pensamento marxista, defendendo assim a sua alternativa: \u201ca cr\u00edtica em termos de desigualdade, por ter como fundamento um princ\u00edpio amplamente aceito de justi\u00e7a social, leva vantagem sobre a cr\u00edtica baseada na mais-valia, que sup\u00f5e uma sofisticada teoria econ\u00f4mica\u201d (idem). Se a solu\u00e7\u00e3o pode fazer algum sentido do ponto de vista de uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica reformista, \u00e9 essencialmente incompat\u00edvel com o pensamento de Marx.<\/p>\n<p>Oliveira acerta ao destacar o aspecto \u00e9tico da teoria marxiana,<sup>1<\/sup> mas a alternativa que prop\u00f5e mutila a unidade do pensamento de Marx e da sua pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria, que caracteriza aquela \u201csofisticada teoria econ\u00f4mica\u201d. N\u00e3o cabe seguir na cr\u00edtica ao texto de Oliveira, do qual N\u00f3voa e Prado (2025) d\u00e3o conta perfeitamente, como, ali\u00e1s, Marcos Dantas (2025) tamb\u00e9m reconhece, ao dizer que \u201cao desmontar, sem muita dificuldade, os argumentos daquele, apenas reproduzem paradigm\u00e1tico discurso da tradi\u00e7\u00e3o marxista\u201d, o que mereceria um reparo, mas o interessante \u00e9 a conclus\u00e3o de que \u201cambos incorrem num mesmo equ\u00edvoco: ignoram, por completo, meio s\u00e9culo pelo menos, de investiga\u00e7\u00e3o e debate sobre a l\u00f3gica capitalista dos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d (idem).<\/p>\n<p>Isso \u00e9 verdade, embora no caso de Eleut\u00e9rio Prado seja preciso reconhecer que sua contribui\u00e7\u00e3o ao campo vem pelo menos do in\u00edcio do s\u00e9culo XXI (Prado, 2005), tendo apresentado <em>insights<\/em> interessantes e muito inspiradores. Mas o pr\u00f3prio Dantas n\u00e3o leva isso em considera\u00e7\u00e3o, limitando-se a apresentar em poucos par\u00e1grafos a perspectiva de Dallas-Smythe, mencionando apenas a exist\u00eancia de um debate, ilustrando-o, em nota, por uma lista bibliogr\u00e1fica bastante lacunar.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>N\u00f3voa e Prado (2025), al\u00e9m da cr\u00edtica marxista \u00e0 proposta de Oliveira, sugerem acertadamente o enquadramento da quest\u00e3o nos marcos da crise do capital, algo de que nem Dantas, nem Fuchs teriam como dar conta, dadas as limita\u00e7\u00f5es dos seus referenciais te\u00f3ricos centrados apenas na amplia\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o na crise) das condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica capitalista, chegando ao ponto de considerar como trabalho produtivo toda a humanidade usu\u00e1ria de redes sociais. N\u00f3voa e Prado, da sua parte, considerando que desde a publica\u00e7\u00e3o d\u2019<em>O Capital<\/em>, \u201caquilo que ali se previu, aconteceu, pois j\u00e1 ocorreu a mundializa\u00e7\u00e3o do capital\u201d, apontam que \u201ca quest\u00e3o ent\u00e3o que se coloca para a teoria do valor \u00e9 saber porque o advento de novas tecnologias e da rob\u00f3tica n\u00e3o est\u00e1 conseguindo fazer crescer a lucratividade social m\u00e9dia mundial do capital\u201d (idem).<\/p>\n<p>Essa \u00e9 de fato uma das duas quest\u00f5es essenciais que movem, ou deveriam mover, o debate no campo marxista. A outra \u00e9 a do que no marxismo se conhece como o problema do fator subjetivo (Bola\u00f1o, 2002, 2025; Starosta, 2023) e que traz hoje para o primeiro plano a problem\u00e1tica da informa\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o e da cultura. N\u00e3o encontraremos, entretanto, respostas a elas no breve artigo de N\u00f3voa e Prado.<\/p>\n<h3><strong>A contribui\u00e7\u00e3o de Marcos Dantas: uma cole\u00e7\u00e3o de equ\u00edvocos<\/strong><\/h3>\n<p>Na sua contribui\u00e7\u00e3o, esta sim, bastante pretensiosa, ao debate, Marcos Dantas (2025), ao apresentar a teoria de Dallas-Smythe, afirma que \u201cn\u00e3o \u00e9 a \u2018aten\u00e7\u00e3o\u2019, mas a dimens\u00e3o da audi\u00eancia aquilo que as emissoras negociam. Al\u00e9m disso, a audi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um objeto passivo, mas um sujeito ativo: faz suas escolhas, emociona-se, vibra, chora\u2026 Em suma, trabalha\u201d (Dantas, 2025). Voltarei ao ponto em seguida, mas vale desde j\u00e1 esclarecer, primeiro, que o que as emissoras negociam n\u00e3o \u00e9 simplesmente a dimens\u00e3o da audi\u00eancia em termos quantitativos, pois a produ\u00e7\u00e3o da mercadoria-audi\u00eancia envolve processos de classifica\u00e7\u00e3o e segmenta\u00e7\u00e3o que incluem tanto elementos de ordem qualitativa quanto quantitativa e, segundo, mais importante, n\u00e3o \u00e9 essa a defini\u00e7\u00e3o de trabalho da audi\u00eancia de Smythe.<\/p>\n<p>Para este, esse trabalho consiste, n\u00e3o nas escolhas, atividades e emo\u00e7\u00f5es dos espectadores, mas em aprender pautas de consumo, o que efetivamente envolve o problema da \u201caten\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 quest\u00e3o central no importante debate no interior do mercado publicit\u00e1rio brasileiro nos anos oitenta (Bola\u00f1o, 1987). Todo o desenvolvimento, ali\u00e1s, da ind\u00fastria da publicidade desde ent\u00e3o \u00e9 marcado pela necessidade de resolver o problema da aten\u00e7\u00e3o. Quem acompanhou o debate no mercado publicit\u00e1rio sabe que a solu\u00e7\u00e3o dada afinal pela economia da internet e das plataformas digitais j\u00e1 estava sendo prevista desde as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. O estudo do mercado brasileiro de televis\u00e3o (Bola\u00f1o, 1988; Brittos, 2001; Bola\u00f1o e Brittos, 2005, 2007) conta essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas isto evidentemente n\u00e3o serve para referendar a proposta de Oliveira, pois a aten\u00e7\u00e3o, em todo caso, n\u00e3o \u00e9 a mercadoria, mesmo sendo o recurso b\u00e1sico para a produ\u00e7\u00e3o da mercadoria-audi\u00eancia, na minha defini\u00e7\u00e3o (Bola\u00f1o, 2000), pelos trabalhadores assalariados dos setores da Ind\u00fastria Cultural que produzem tamb\u00e9m os bens simb\u00f3licos que funcionam como atrativo para o p\u00fablico. A ideia de Oliveira de que este \u00faltimo troca aten\u00e7\u00e3o pelo acesso gratuito ao sistema n\u00e3o est\u00e1 errada, mas gera confus\u00e3o quando se pretende consider\u00e1-la como fundamento de uma rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Afirmar que o p\u00fablico compra publicidade com aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 um desprop\u00f3sito. Trata-se antes, pode-se dizer, de uma esp\u00e9cie de dom-contra-dom, muito assim\u00e9trica, em que o acesso gratuito tem como contrapartida a obriga\u00e7\u00e3o de dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade. Esta n\u00e3o \u00e9 vendida, mas antes impingida ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Por outro lado, a defini\u00e7\u00e3o de Dantas \u2013 segundo a qual trabalho \u00e9 qualquer atividade, e atividade \u00e9 qualquer coisa que gaste energia \u2013 n\u00e3o deriva de Smythe, mas da termodin\u00e2mica e da cibern\u00e9tica, sendo rigorosamente incompat\u00edvel com a defini\u00e7\u00e3o de Marx, seja no sentido geral, de eterno metabolismo entre o homem e a natureza, seja no espec\u00edfico, de trabalho abstrato, fonte de valor e de mais-valia para o capital. A base te\u00f3rica que poderia dar mais consist\u00eancia \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do autor \u00e9 a semi\u00f3tica, que ele adota, de Umberto Eco,<sup>3<\/sup> not\u00f3rio opositor da EPC no campo da comunica\u00e7\u00e3o. Mas Dantas (2025) banaliza o problema:<\/p>\n<p>Seja falando, seja ouvindo, seja escrevendo, seja lendo, seja ouvindo ou executando m\u00fasica, seja apreciando um quadro, seja pintando o quadro, seja representando na telenovela, seja assistindo a telenovela, em qualquer situa\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, estamos sempre empregando (e \u201cgastando\u201d) nervos, m\u00fasculos e tempo na produ\u00e7\u00e3o semi\u00f3tica. Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de trabalho no qual participam e colaboram todos os agentes envolvidos na atividade comunicativa durante a qual compartilham signos (palavras, imagens, gestos).<\/p>\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica de trabalho, pr\u00f3pria do materialismo vulgar, que contrasta em ess\u00eancia com a perspectiva dial\u00e9tica de Marx, embora distinta, pode ser claramente inclu\u00edda, entre as perspectivas classificadas na primeira parte deste artigo, na corrente fuchsiana.<\/p>\n<p>A leitura que Dantas apresenta sobre a produtividade do setor de transportes e comunica\u00e7\u00f5es, por outro lado, \u00e9 em geral correta. Eu mesmo j\u00e1 revisei com cuidado os escritos de Marx sobre esse tema (Bola\u00f1o, 2000) e percebo que a interpreta\u00e7\u00e3o de Dantas incorre em alguns deslizes relevantes. Primeiro: o argumento de que Marx n\u00e3o poderia ter visto os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos do s\u00e9culo XX nos setores considerados \u00e9 in\u00f3cuo. Segundo: dizer que Marx se refere em geral ao setor fabril \u00e9 irrelevante. Terceiro: os conceitos de consumo produtivo e improdutivo est\u00e3o mal caracterizados no texto, onde se encontram embolados com uma defini\u00e7\u00e3o simplista de trabalho produtivo, sem considerar os longos estudos de Marx sobre o tema n\u2019<em>O Capital<\/em>, no <em>Cap\u00edtulo VI In\u00e9dito<\/em> ou nas <em>Teorias sobre a Mais-valia<\/em>.<\/p>\n<p>Quarto: embora seja correto afirmar que o setor de transportes e comunica\u00e7\u00f5es \u2013 assim como o setor de manuten\u00e7\u00e3o de estoques, que ele n\u00e3o cita \u2013 \u00e9 produtivo, seria preciso esclarecer que sua particularidade vem do fato de que se trata de custos de circula\u00e7\u00e3o produtivos, ou seja, exce\u00e7\u00f5es entre os custos de circula\u00e7\u00e3o. No caso dos transportes, por exemplo, o seu produto \u00e9 de fato o pr\u00f3prio deslocamento, mas o valor produzido fica plasmado na pr\u00f3pria mercadoria transportada, ou na mercadoria for\u00e7a de trabalho no caso do transporte de passageiros. Por outro lado, as comunica\u00e7\u00f5es, nos trechos do livro segundo d\u2019<em>O Capital<\/em> citados por Dantas, s\u00e3o basicamente, o tel\u00e9grafo, ou seja, as telecomunica\u00e7\u00f5es, ou ocasionalmente os correios, mas n\u00e3o os setores de produ\u00e7\u00e3o de bens simb\u00f3licos tal como os conhecemos hoje. Marx se refere sim a estes \u00faltimos, em outros momentos, sobretudo quando discute o problema do car\u00e1ter produtivo do trabalho, mas essa j\u00e1 \u00e9 outra quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu mesmo tratei de ampliar a defini\u00e7\u00e3o de produtividade do setor de transportes e comunica\u00e7\u00f5es, cuja particularidade \u00e9 definida por Marx pelo fato de constitu\u00edrem um processo produtivo que se estende no momento da circula\u00e7\u00e3o, ao setor publicit\u00e1rio, considerando que, no capitalismo monopolista, a coloca\u00e7\u00e3o do produto no mercado exige a publicidade da parte dos capitais produtores de \u201cbens de consumo diferenciado ampliado\u201d (Bola\u00f1o, 2000). Nesses termos, defino como produtivo o trabalho em publicidade, mas \u00e9 preciso considerar tamb\u00e9m os limites disso, pois uma parcela significativa e crescente do trabalho nessa ind\u00fastria \u00e9 improdutiva, mero gasto de circula\u00e7\u00e3o, como ocorre no caso do trabalho do comerci\u00e1rio ou dos banc\u00e1rios nas defini\u00e7\u00f5es de Marx no livro terceiro.<\/p>\n<p>Esse tipo de considera\u00e7\u00e3o serve aqui apenas para ilustrar a complexidade do fen\u00f4meno em uma situa\u00e7\u00e3o como a atual em que todo o sistema global de cultura se transforma a partir do desenvolvimento da economia da internet e das plataformas digitais, exigindo da nossa parte um cuidado redobrado na categoriza\u00e7\u00e3o e um programa de investiga\u00e7\u00e3o de amplo espectro para entender os meandros da mudan\u00e7a em curso, evitando conclus\u00f5es apressadas. Nesse sentido, o recurso a Marx \u00e9 fundamental, mas \u00e9 preciso tom\u00e1-lo na sua totalidade.<\/p>\n<p>Marcos Dantas parece n\u00e3o ter compreendido o estatuto do livro segundo d\u2019<em>O Capital<\/em>,<sup>4<\/sup> ao qual se aferra, de passagem necess\u00e1ria do plano mais abstrato do capital em geral, onde ainda se situa, para aquele mais concreto (mas ainda abstrato, diria Dussel) do livro terceiro, onde se considera o capital como multiplicidade de agentes. Em vez de situar aquelas descobertas no conjunto da obra, de acordo com o m\u00e9todo, realiza um esfor\u00e7o ecl\u00e9tico, sem as devidas media\u00e7\u00f5es, que prejudica o resultado. Assim, ao final do texto reduz toda a complexidade do problema ao tema do tempo de rota\u00e7\u00e3o do capital para afirmar que \u201co mais-valor n\u00e3o \u00e9 apenas o resultado de tempo n\u00e3o pago de trabalho no ciclo produtivo, mas, tamb\u00e9m, o produto de m\u00faltiplas rota\u00e7\u00f5es no ciclo total da circula\u00e7\u00e3o\u201d (Dantas, 2025) \u2013 o que precisaria ser bem explicado para n\u00e3o dar a entender que o valor \u00e9 produzido na circula\u00e7\u00e3o \u2013, para em seguida aplicar a f\u00f3rmula ao c\u00e9lebre trabalho de Adorno e Horkheimer (1947), onde se define o conceito de Ind\u00fastria Cultural.<\/p>\n<p>Segundo Dantas, os autores teriam entendido que \u201co capitalismo estava se apropriando da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, reduzindo-a tamb\u00e9m a processos industriais de produ\u00e7\u00e3o\u201d, o que n\u00e3o \u00e9 correto. O que Adorno e Horkheimer apontam \u00e9 que o trabalhador, explorado no momento da produ\u00e7\u00e3o, continua dominado pelo capital no mundo da vida, sob o controle da Ind\u00fastria Cultural, mas n\u00e3o se voltam ao estudo dos processos de produ\u00e7\u00e3o de bens simb\u00f3licos, que \u00e9 justamente o projeto da economia pol\u00edtica da comunica\u00e7\u00e3o, em suas diferentes escolas, embora, ao final da sua vida, Adorno tenha explicitado \u2013 segundo informam Beaud, Flichy e Sauvage (1984) \u2013, em confer\u00eancia \u00e0 Universidade Radiof\u00f4nica e Televisiva Internacional, em 1962, a necessidade de dar esse passo.<\/p>\n<h3><strong>Nota conclusiva<\/strong><\/h3>\n<p>Quando este texto estava sendo finalizado, recebi a segunda parte do artigo de Dantas, publicado em <em>A Terra \u00e9 Redonda<\/em>, sobre a chamada economia dos dados. Decidi, para respeitar limites de tempo e espa\u00e7o, n\u00e3o comentar aqui essa nova contribui\u00e7\u00e3o, mas sugiro, a t\u00edtulo de eventual compara\u00e7\u00e3o, um artigo anterior sobre o tema (Bola\u00f1o e Zanghelini, 2024).<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max (1947). <em>Dial\u00e9tica do Esclarecimento<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2006.<\/p>\n<p>ARRIAGA, Patricia (1980). <em>Publicidad, econom\u00eda y comunicaci\u00f3n masiva (M\u00e9xico-Estados Unidos)<\/em>. M\u00e9xico DF: Centro de Estudios Econ\u00f3micos y Sociales del Tercer Mundo (CEESTEM)\/Nueva Imagen.<\/p>\n<p>ARVIDSSON, A.; COLLEONI, E. (2012). Value in information capitalism and on the internet. <em>The Information Society<\/em>, v. 28, p. 135-150.<\/p>\n<p>BEAUD, R.; FLICHY, P.; SAUVAGE, M. (1984). La t\u00e9l\u00e9vision comme industrie culturelle. In: <em>Sociologie de la t\u00e9l\u00e9vision<\/em>. 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Eis a injusti\u00e7a \u00e9tica do capitalismo: sua perversidade desde o trabalhador \u2013 e na sua ess\u00eancia\u201d (Dussel, 1985, p. 149).<\/p>\n<p>2 No final das contas, acaba tratando o canadense como uma esp\u00e9cie de pai fundador da economia pol\u00edtica da comunica\u00e7\u00e3o em n\u00edvel mundial, algo que, como todo o campo reconhece, nunca existiu. Isso fica particularmente claro no caso latino-americano, como se notar\u00e1 na leitura da antologia da g\u00eanese da EPC no subcontinente, cuja produ\u00e7\u00e3o pelo grupo de trabalho Economia Pol\u00edtica da Informa\u00e7\u00e3o, da Comunica\u00e7\u00e3o e da Cultura, da CLACSO, tive o prazer de coordenar (Bola\u00f1o et al 2023). Vide tamb\u00e9m Bola\u00f1o e Bastos (2020).<\/p>\n<p>3 \u201cproduzir signos implica um trabalho, quer estes signos sejam palavras ou mercadorias\u201d (apud Dantas, 2025). A ideia poderia ser aceita sempre que formulada, como faz Rossi-Landi (1968), em termos de homologia. Mas isso n\u00e3o resolve o problema da economia pol\u00edtica, para o qual Dantas espera haver contribu\u00eddo.<\/p>\n<p>4 \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o dos esquemas de reprodu\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel uma vez estabelecida a conex\u00e3o te\u00f3rica entre a nova natureza dos valores de uso (criados pelo capital) e a tend\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o ilimitada do valor de troca neles impl\u00edcito. Os esquemas de reprodu\u00e7\u00e3o s\u00e3o introduzidos logo depois de ter sido tratada a acumula\u00e7\u00e3o capitalista, onde todos os supostos de varia\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e na taxa de mais-valia desempenham o papel central na explica\u00e7\u00e3o do movimento do capital. Ao mesmo tempo, os esquemas de reprodu\u00e7\u00e3o preparam a discuss\u00e3o da concorr\u00eancia e da crise, desenvolvida no terceiro volume. Assim, quando Marx discute no segundo volume de O Capital as possibilidades de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada, n\u00e3o pretende propor um esquema de equil\u00edbrio intersetorial no sentido vulgarmente assumido pelos ep\u00edgonos, sen\u00e3o que busca demonstrar a possibilidade e t\u00e3o somente a possibilidade de funcionamento de uma economia que por sua natureza \u00e9 movida pela contradi\u00e7\u00e3o entre a tend\u00eancia \u00e0 potencializa\u00e7\u00e3o ilimitada das for\u00e7as produtivas e a base estreita (a apropria\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho) em que repousa. E esta demonstra\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um passo l\u00f3gico indispens\u00e1vel para tornar mais patente o car\u00e1ter antag\u00f4nico, e portanto hist\u00f3rico, deste regime de produ\u00e7\u00e3o\u201d (Belluzzo, 1980, p. 97-98).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Economia da Aten\u00e7\u00e3o: O que Marx diria appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/novo-relatorio-do-ipes-food-discute-como-a-alimentacao-humana-tem-se-tornado-cada-vez-mais-central-nos-debates-sobre-o-papel-do-estado-na-governanca-global\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Novo relat\u00f3rio do IPES-Food discute como a aliment...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mst-faz-balanco-da-jornada-nacional-de-lutas-das-mulheres-sem-terra-e-cobra-reforma-agraria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">MST faz balan\u00e7o da Jornada Nacional de Lutas das M...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/master-prisao-de-ex-gestor-expoe-fraude-em-fundos-da-rioprevidencia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Tania-RegoAgencia-Brasil-Versao-em-audio-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Master: Pris\u00e3o de ex-gestor exp\u00f5e fraude em fundos...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eleicoes-no-brasil-podem-ter-interferencia-direta-dos-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/54441253506_a3c921abfa_o-2048x1434-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Elei\u00e7\u00f5es no Brasil podem ter interfer\u00eancia\u00a0direta\u00a0...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As audi\u00eancias midi\u00e1ticas s\u00e3o passivas ou trabalham? 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