{"id":55020,"date":"2025-09-26T16:04:21","date_gmt":"2025-09-26T19:04:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/miseria-desespero-e-suicidio-no-capitalismo\/"},"modified":"2025-09-26T16:04:21","modified_gmt":"2025-09-26T19:04:21","slug":"miseria-desespero-e-suicidio-no-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/miseria-desespero-e-suicidio-no-capitalismo\/","title":{"rendered":"Mis\u00e9ria, desespero e suic\u00eddio no capitalismo"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"591\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5096300995804859212.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5096300995804859212.jpg 800w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5096300995804859212-300x222.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/5096300995804859212-768x567.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Arte: Edvard Munch<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O suic\u00eddio se manifesta como um fen\u00f4meno social complexo, como express\u00e3o do sofrimento ao qual as pessoas est\u00e3o submetidas, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de classe. Leva-se em conta que<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] o grosso dos homens e mulheres que se suicidam s\u00e3o da classe trabalhadora. Quem se suicida n\u00e3o \u00e9 um indiv\u00edduo abstrato que, na melhor das hip\u00f3teses, \u00e9 homem ou mulher, tem uma certa idade e vive em determinadas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas. O porqu\u00ea de ele estar em tais condi\u00e7\u00f5es \u00e9 ocultado ou, simplesmente, dado como natural, em vez de explicado\u201d.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>O adoecimento mental \u00e9 produto das contradi\u00e7\u00f5es da sociedade capitalista, que se materializa em ansiedade, estresse, depress\u00e3o, fobia social, desordens alimentares, automutila\u00e7\u00e3o, ins\u00f4nia, entre outras coisas. O massivo adoecimento se d\u00e1 em meio a um cen\u00e1rio no qual se fala muito na necessidade do \u201csentir-se bem\u201d, mas o fetiche de uma vida feliz, vendido pela classe dominante e baseado num certo entendimento de sucesso profissional e de fam\u00edlia est\u00e1vel, al\u00e9m de pressionar as pessoas para que almejem alcan\u00e7ar conquistas muitas vezes irreais, esconde as contradi\u00e7\u00f5es que levam os trabalhadores a situa\u00e7\u00f5es de desgaste f\u00edsico e mental, de sofrimento e adoecimento.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-GERA-28.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/MATERIA-GERA-28.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Na sociedade capitalista, os trabalhadores se veem pressionados pela manuten\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o da produtividade, ao mesmo tempo exigindo-se que sejam o que se convencionou chamar de profissionais \u201cbem-sucedidos\u201d e, ao mesmo tempo, devendo ter uma vida feliz em \u00e2mbito privado. Contudo, no sistema capitalista at\u00e9 mesmo essa vida pessoal est\u00e1 nas m\u00e3os do capital, que n\u00e3o pode permitir que qualquer coisa atrapalhe a produtividade do trabalho. Exige-se que o trabalhador alcance a \u201cfelicidade\u201d, desde que se mantenha o funcionamento da economia e a explora\u00e7\u00e3o sobre a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>O tema da sa\u00fade mental deve ser entendido como parte da realidade concreta da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Associar a sa\u00fade mental apenas a fatores biol\u00f3gicos de indiv\u00edduos isolados implica em excluir o seu car\u00e1ter hist\u00f3rico e social. Os fatores biol\u00f3gicos, que podem concorrer para o adoecimento, n\u00e3o se explicam sozinhos, devendo estar articulados \u00e0 compreens\u00e3o da din\u00e2mica hist\u00f3rica e das contradi\u00e7\u00f5es da sociedade. O ciclo vital do ser humano varia em diferentes \u00e9pocas, a partir das condi\u00e7\u00f5es materiais em que produz sua exist\u00eancia. Pode inclusive ter particularidades no interior das diferentes classes sociais em uma mesma \u00e9poca e sociedade, ou seja, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a forma de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da vida em sociedade determina a exist\u00eancia de diferentes transtornos f\u00edsicos e mentais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, para pensar a sa\u00fade e a doen\u00e7a, \u00e9 fundamental compreender as formas como se organiza o processo de trabalho e de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias e como isso impacta na vida das pessoas; essa compreens\u00e3o permite entender como se adoece e se morre nas diferentes classes em determinada sociedade. No capitalismo, a burguesia precisa de trabalhadores aptos a produzirem em suas f\u00e1bricas, ou seja, na l\u00f3gica capitalista, o que determina ser saud\u00e1vel ou n\u00e3o \u00e9 a capacidade do sujeito de trabalhar e manter-se produtivo. Marx destacava que o capital n\u00e3o tem \u201ca m\u00ednima considera\u00e7\u00e3o pela sa\u00fade e dura\u00e7\u00e3o da vida do trabalhador, a menos que seja for\u00e7ado pela sociedade a ter essa considera\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Neste modo de produ\u00e7\u00e3o, ser ou n\u00e3o saud\u00e1vel est\u00e1 relacionado ao desgaste da for\u00e7a de trabalho. Esse desgaste aponta elementos que extrapolam as an\u00e1lises focadas apenas nas causas imediatas do adoecimento, devendo abarcar tamb\u00e9m os impactos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos do processo de trabalho, no m\u00e9dio e no longo prazo, que afetam a vida e at\u00e9 mesmo o cotidiano do trabalhador. Marx comentava que o capital<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] usurpa o tempo para o crescimento, o desenvolvimento e a manuten\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel do corpo. Rouba o tempo requerido para o consumo de ar puro e de luz solar. Avan\u00e7a sobre o hor\u00e1rio das refei\u00e7\u00f5es e os incorpora, sempre que poss\u00edvel, ao processo de produ\u00e7\u00e3o, fazendo com que os trabalhadores, como meros meios de produ\u00e7\u00e3o, sejam abastecidos de alimentos do mesmo modo como a caldeira \u00e9 abastecida de carv\u00e3o, e a maquinaria, de graxa ou \u00f3leo\u201d.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Engels, em seu cl\u00e1ssico estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra no s\u00e9culo XIX, associava o adoecimento \u00e0s adversidades \u201ca que os oper\u00e1rios est\u00e3o expostos em raz\u00e3o das flutua\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio, do desemprego e dos sal\u00e1rios miser\u00e1veis em tempos de crise\u201d.<sup>4<\/sup> Segundo o estudo de Engels, essa situa\u00e7\u00e3o trazia graves consequ\u00eancias para a sa\u00fade dos trabalhadores:<\/p>\n<p>\u201cAcontece com frequ\u00eancia que, acabando o sal\u00e1rio semanal antes do fim da semana, nos \u00faltimos dias a fam\u00edlia care\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o ou tenha apenas o estritamente necess\u00e1rio para n\u00e3o morrer de fome. \u00c9 claro que semelhante modo de vida s\u00f3 pode originar toda sorte de doen\u00e7as; quando as enfermidades chegam, quando o homem \u2014 cujo trabalho sustenta a fam\u00edlia e cuja atividade f\u00edsica exige mais alimenta\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, \u00e9 o primeiro a adoecer \u2014, quando esse homem adoece, \u00e9 ent\u00e3o que come\u00e7a a grande mis\u00e9ria\u201d.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>Nos \u00faltimos s\u00e9culos, o capitalismo passou por mudan\u00e7as na forma de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, como respostas \u00e0s suas crises c\u00edclicas, garantindo a manuten\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de mais-valia. Essas formas de organiza\u00e7\u00e3o t\u00eam impacto tamb\u00e9m no cotidiano do trabalhador, como a perspectiva de controle inclusive sobre a vida privada, como foi o caso do <em>fordismo<\/em>. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que marca mais profundamente o processo de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 o chamado <em>toyotismo<\/em>. Essa forma de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o tem como uma de suas caracter\u00edsticas o chamado trabalho flex\u00edvel, exigindo do trabalhador um maior engajamento no processo de produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m afetando a sua subjetividade.<\/p>\n<p>Diante do desgaste f\u00edsico e mental, os trabalhadores sofrem com o medo de serem descartados. Suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsica e psicol\u00f3gica, como a idade ou o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, podem se tornar um problema para a perman\u00eancia no trabalho ou para encontrar um novo emprego, correndo o risco de ficar sem qualquer ocupa\u00e7\u00e3o. Marx comentava que, para o capital, \u201cas for\u00e7as de trabalho retiradas do mercado por estarem gastas ou mortas t\u00eam de ser constantemente substitu\u00eddas, no m\u00ednimo, por uma quantidade igual de novas for\u00e7as de trabalho\u201d.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>O adoecimento mental pode se manifestar por meio de diversos sintomas e transtornos, tendo rela\u00e7\u00e3o com as diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o do processo produtivo. Uma doen\u00e7a comum entre os trabalhadores \u00e9 a depress\u00e3o, associada ao des\u00e2nimo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade e \u00e0 pr\u00f3pria vida, fazendo com que a pessoa perca a vontade n\u00e3o apenas de agir, mas at\u00e9 mesmo de ter qualquer intera\u00e7\u00e3o com o mundo que a cerca. Outro transtorno mental comum \u00e9 a ansiedade, relacionada ao sentimento de ang\u00fastia, em que a pessoa se v\u00ea impotente diante de uma realidade que a oprime.<\/p>\n<p>Um elemento que se relaciona a todos esses sintomas e transtornos \u00e9 o estresse. Trata-se de um conjunto de rea\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo diante dos problemas com os quais precisa lidar em seu cotidiano, provocando nervosismo, tristeza, apatia, entre outras coisas. O ac\u00famulo desses sentimentos pode provocar uma diversidade de rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e ps\u00edquicas, que levam ao esgotamento.<\/p>\n<p>Fen\u00f4menos como a depress\u00e3o, a ansiedade e o estresse e outras formas de adoecimento est\u00e3o relacionados entre si, podendo ser n\u00e3o apenas a causa de uma ou outra, como uma poss\u00edvel manifesta\u00e7\u00e3o de agravamento. Esses n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos que surgem ao acaso, como um problema individual causado por uma crise moment\u00e2nea, mas produto do vivenciar a sociedade e do estar no mundo. Diante dessas formas de adoecimento, ainda prevalece uma certa percep\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental que \u201cindividualiza o fracasso, na forma de culpa\u201d, fazendo com que se isole \u201ca dimens\u00e3o pol\u00edtica, das determina\u00e7\u00f5es objetivas que atacam nossas formas de vida, redimensionando trabalho, linguagem e desejo, do sofrimento ps\u00edquico\u201d.<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>O suic\u00eddio n\u00e3o escapa a esse tipo de interpreta\u00e7\u00e3o simplista, prevalecendo a ideia de que se trata de uma escolha subjetiva ou de uma vontade individual. Essa percep\u00e7\u00e3o lembra a pol\u00eamica de Marx em seu escrito de 1846 sobre o suic\u00eddio, quando critica a perspectiva dos socialistas ut\u00f3picos. Para Marx, o n\u00famero de suic\u00eddios deveria \u201cser considerado um sintoma da organiza\u00e7\u00e3o deficiente de nossa sociedade\u201d, afinal, segundo sua compreens\u00e3o, \u201cna \u00e9poca da paralisa\u00e7\u00e3o e das crises da ind\u00fastria, em temporadas de encarecimento dos meios de vida e de invernos rigorosos, esse sintoma \u00e9 sempre mais evidente e assume um car\u00e1ter epid\u00eamico\u201d.<sup>8<\/sup><\/p>\n<p>O suic\u00eddio \u00e9 um ato que nunca se pode ter total certeza de quais s\u00e3o as suas causas. Especula-se sobre os motivos que teriam levado a pessoa ao suic\u00eddio, normalmente procurando em quest\u00f5es imediatas um gatilho que a teria levado a esse extremo. Contudo, dificilmente se consegue chegar a uma plena compreens\u00e3o das motiva\u00e7\u00f5es. Na medida em que o senso comum considera o suicida algu\u00e9m fraco e desprotegido, possivelmente a v\u00edtima opta por esconder a profundidade de seu sofrimento, escondendo parte de suas motiva\u00e7\u00f5es, seja numa carta de despedida ou mesmo numa sess\u00e3o de psicoterapia.<\/p>\n<p>Sabe-se que o suicida, de alguma forma, perde suas esperan\u00e7as em estar no mundo. O ato suicida parece ser uma escolha equivocada, afinal, segundo o senso comum, bastaria continuar lutando contra tudo e contra todos e ter a vontade de se erguer. Contudo, isso ignora as condi\u00e7\u00f5es materiais a que essa pessoa foi submetida ao longo de sua vida. Soma-se a isso uma realidade em que as rela\u00e7\u00f5es pessoais s\u00e3o afetadas pelos problemas sociais e, portanto, paix\u00f5es e sonhos de futuro acabam n\u00e3o encontrando a satisfa\u00e7\u00e3o que se espera de uma vida em comum.<\/p>\n<p>Portanto, se uma pessoa chega ao limite de tentar tirar a pr\u00f3pria vida, n\u00e3o significa apenas uma escolha ou a\u00e7\u00e3o pessoal, mas a express\u00e3o do esgotamento diante de uma realidade opressora, exploradora e cheia de dores e adoecimento. O suic\u00eddio muitas vezes \u00e9 associado \u00e0 depress\u00e3o, ainda que n\u00e3o seja a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Diante da depress\u00e3o, parece que \u201co sujeito interpreta adversidades como sinal e permiss\u00e3o para a desist\u00eancia. Os triunfos s\u00e3o sentidos como derrotas e as realiza\u00e7\u00f5es, como sinais de insufici\u00eancia\u201d.<sup>9<\/sup><\/p>\n<p>Para come\u00e7ar a resolver o problema do adoecimento f\u00edsico e mental, n\u00e3o resta outra coisa que n\u00e3o seja atacar sua causa, ou seja, \u00e9 preciso construir uma nova sociedade. Contudo, um primeiro obst\u00e1culo para que se possa caminhar no sentido dessa solu\u00e7\u00e3o passa justamente pelo fato de que uma das consequ\u00eancias do adoecimento f\u00edsico e mental das pessoas \u00e9 o abandono de quaisquer perspectivas de futuro, optando n\u00e3o por sa\u00eddas complexas e de longo prazo, mas por solu\u00e7\u00f5es mais imediatas, como o consumo de drogas, entre outras coisas. Certamente n\u00e3o se trata de um erro procurar amenizar os sofrimentos provocados pela sociedade capitalista e sua f\u00e1brica de mis\u00e9rias. Contudo, ao mesmo tempo, \u00e9 preciso lutar contra uma das mais cru\u00e9is consequ\u00eancias do capitalismo, que \u00e9 a perda do senso de coletividade e a busca de solu\u00e7\u00f5es baseadas no individualismo.<\/p>\n<p>Uma nova sociedade, em que o lucro n\u00e3o esteja no centro de tudo e que o trabalho n\u00e3o seja um pesado fardo carregado pelas pessoas, pode ser um primeiro passo para que se possa viver uma vida mais saud\u00e1vel. Um novo mundo, em que seja poss\u00edvel superar a mis\u00e9ria e o adoecimento, precisa ser constru\u00eddo, mas, para tanto, \u00e9 fundamental que os trabalhadores transformem a realidade e se coloquem na luta pelo socialismo, superando, assim, as sequelas que a mis\u00e9ria capitalista imp\u00f5e cotidianamente.<\/p>\n<h3><strong>Notas:<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>1 COSTA, Paulo Henrique Antunes; MENDES, K\u00edssila Teixeira. <strong>Sobre o suic\u00eddio (no Brasil contempor\u00e2neo)<\/strong>: um retorno a Marx. Bras\u00edlia: Editora UnB, 2024, p. 36-7.<\/p>\n<p>2 MARX, Karl. <strong>O capital<\/strong>: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013, p. 342.<\/p>\n<p>3 MARX, Karl. <strong>O capital<\/strong>: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013, Livro I, p. 337-8.<\/p>\n<p>4 Engels, Friedrich. <strong>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008, p. 141.<\/p>\n<p>5 Engels, Friedrich. <strong>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008, p. 115.<\/p>\n<p>6 MARX, Karl. <strong>O capital<\/strong>: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013, Livro I, p. 246.<\/p>\n<p>7 DUNKER, Christian. A hip\u00f3tese depressiva. In: <strong>Neoliberalismo como gest\u00e3o do sofrimento ps\u00edquico<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Aut\u00eantica, 2021, p. 190.<\/p>\n<p>8 MARX, Karl. <strong>Sobre o suic\u00eddio<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2006, p. 24.<\/p>\n<p>9 DUNKER, Christian. <strong>Reinven\u00e7\u00e3o da intimidade<\/strong>: pol\u00edticas do sofrimento cotidiano. S\u00e3o Paulo: Ubu, 2017, p. 225.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Quando isso se torna epid\u00eamico, n\u00e3o revelaria um sistema opressor, que imp\u00f5e o produtivismo e o <i>fetiche da felicidade<\/i> ao mesmo tempo, gerando um sofrimento coletivo? Haveria a\u00ed um recorte de classes?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/miseria-desespero-e-suicidio-no-capitalismo\/\">Mis\u00e9ria, desespero e suic\u00eddio no capitalismo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":55021,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[6781,978,2687,17337,21987,21988,6785,15714],"tags":[],"class_list":["post-55020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-burnout","category-capitalismo","category-crise-civilizatoria","category-morte-por-desespero","category-morte-por-sofrimento","category-sofrimento-mental","category-sofrimento-psiquico","category-suicidio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55020\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}