{"id":57241,"date":"2025-10-08T16:22:21","date_gmt":"2025-10-08T19:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-gaza-e-no-campo-a-disputa-e-pelo-chao-e-pelo-direito-a-vida\/"},"modified":"2025-10-08T16:22:21","modified_gmt":"2025-10-08T19:22:21","slug":"em-gaza-e-no-campo-a-disputa-e-pelo-chao-e-pelo-direito-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-gaza-e-no-campo-a-disputa-e-pelo-chao-e-pelo-direito-a-vida\/","title":{"rendered":"\u201cEm Gaza e no campo, a disputa \u00e9 pelo ch\u00e3o e pelo direito \u00e0 vida\u201d"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SemTerrinha2018.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SemTerrinha2018-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SemTerrinha2018-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SemTerrinha2018-768x512.jpeg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SemTerrinha2018.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Juliano Silva\/MST<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>Com a chegada da Jornada Sem Terrinha, um dos principais momentos formativos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nossas crian\u00e7as organizadas em acampamentos e assentamentos trazem o lema <strong>\u201cSem Terrinha em a\u00e7\u00e3o: defender a natureza \u00e9 defender o nosso ch\u00e3o\u201d<\/strong>. <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/10\/07\/jornada-das-criancas-sem-terrinha-reflete-sobre-crise-climatica-e-genocidio-na-palestina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a>O trabalho educativo com os Sem Terrinha, baseado em experi\u00eancias educativas, funciona como espa\u00e7os que implementam a pedagogia do Movimento desde a primeira inf\u00e2ncia, formando crian\u00e7as conscientes sobre a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e o cuidado com a natureza. <\/p>\n<p>Em 2025, a Jornada traz a conex\u00e3o entre a luta pela terra no Brasil e a solidariedade internacional, particularmente com o povo palestino. A destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das oliveiras palestinas \u2013 s\u00edmbolo cultural e fonte de subsist\u00eancia das fam\u00edlias \u2013 encontra paralelo na luta dos Sem Terrinha pela preserva\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios contra o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/radioagencia-nacional\/direitos-humanos\/audio\/2025-06\/22-mil-gritos-onu-alerta-para-numero-de-criancas-violadas-em-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a>Assim, o MST prepara as crian\u00e7as para compreenderem que as diferentes formas de viol\u00eancia \u2013 seja contra a terra, seja contra os povos \u2013 possuem a mesma origem: os interesses capitalistas que priorizam o lucro sobre a vida humana e ambiental. Atrav\u00e9s de atividades l\u00fadicas, plantio de \u00e1rvores, produ\u00e7\u00e3o de cartas e desenhos de solidariedade, as crian\u00e7as Sem Terrinha desenvolvem habilidades agroecol\u00f3gicas e valores de solidariedade internacionalista, revelando a verdadeira identidade Sem Terra.<\/p>\n<p>No contexto mundial atual onde aproximadamente 22.500 crian\u00e7as sofrem viola\u00e7\u00f5es graves em conflitos e mais de 4.200 crian\u00e7as palestinas foram v\u00edtimas do conflito em Gaza, entenda a import\u00e2ncia da Jornada Sem Terrinha na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as Sem Terra a partir da entrevista com Luana Pomm\u00e9, do Coletivo Nacional de Educa\u00e7\u00e3o do MST:<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-03-29-at-104805-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-03-29-at-10.48.05-1-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-03-29-at-10.48.05-1-169x300.jpeg 169w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-03-29-at-10.48.05-1-768x1365.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-03-29-at-10.48.05-1-864x1536.jpeg 864w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-03-29-at-104805-1.jpeg 900w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\"><figcaption><em>As crianc\u0327as da escola E.M.Luzia Mendes de Sousa do assentamento Vila Diamante, no munici\u0301pio de Igarape\u0301 do Meio -MA, se solidarizam com as crianc\u0327as da Palestina. Foto: MST no MA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como a Jornada Sem Terrinha pretende traduzir a complexidade do conflito em Gaza para uma linguagem e atividades que sejam compreens\u00edveis para as crian\u00e7as, sem banalizar a gravidade dos fatos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luana Pomm\u00e9: <\/strong>Explicar os motivos de uma guerra, explicar a exist\u00eancia das guerras no mundo para qualquer pessoa \u00e9 um tema bastante complexo e dif\u00edcil, dif\u00edcil de compreender, dif\u00edcil de entender a l\u00f3gica. Fazer isso com crian\u00e7as \u00e9 ainda mais complexo.<\/p>\n<p>No entanto, as crian\u00e7as vivem os conflitos do seu cotidiano: as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade capitalista, das desigualdades, da pobreza; vivem as disputas por territ\u00f3rio nos seus territ\u00f3rios, de modo que as crian\u00e7as vivem uma vida cheia de contradi\u00e7\u00f5es. E a compreens\u00e3o que as crian\u00e7as podem ter sobre a luta de classes, essa dimens\u00e3o mundial \u2014 e \u00e9 muito pouco, ou melhor, sem nenhuma humaniza\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 o que, no limite, se concretiza nas guerras.<\/p>\n<p>Mas, no caso da Palestina, h\u00e1 um grau maior ainda de dificuldade, que \u00e9 o fato de termos que construir uma compreens\u00e3o das crian\u00e7as sobre o que \u00e9 um genoc\u00eddio, o que \u00e9 um genoc\u00eddio que envolve um povo inteiro, que envolve crian\u00e7as. E \u00e9 nesse sentido que \u00e9 preciso ser objetivo, no sentido de explicar para elas exatamente o que est\u00e1 acontecendo. O genoc\u00eddio em Gaza tem sido televisionado todos os dias, h\u00e1 muitos anos. Ent\u00e3o, as crian\u00e7as sabem que algo est\u00e1 acontecendo, sabem que crian\u00e7as est\u00e3o morrendo, sabem que fam\u00edlias est\u00e3o morrendo. O que se trata, portanto, \u00e9 de conversarmos com elas sobre os motivos desse genoc\u00eddio, sobre justamente a crueldade desse genoc\u00eddio palestino.<\/p>\n<p>Isso se d\u00e1 justamente pela conex\u00e3o que a gente possa fazer com a vida das crian\u00e7as, no sentido da identifica\u00e7\u00e3o dos conflitos, do que leva aos conflitos e de quais s\u00e3o os interesses envolvidos. E a\u00ed h\u00e1 a conversa, o di\u00e1logo, as atividades com as crian\u00e7as envolvem tamb\u00e9m as diferentes formas de express\u00e3o \u2014 o desenho, o filme, a hist\u00f3ria, a conta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria infantil \u2014, mas sempre com um p\u00e9 naquilo que pode nos trazer as met\u00e1foras sobre a vida real, sobre a vida das pr\u00f3prias crian\u00e7as Sem Terrinha.<\/p>\n<p>A gente precisa ajud\u00e1-las a entender por que as coisas acontecem, e muitas vezes a gente subestima a compreens\u00e3o que as crian\u00e7as podem ter sobre a vida e sobre a morte, a compreens\u00e3o que as crian\u00e7as podem ter sobre o sofrimento.<\/p>\n<p><strong>De que forma a Jornada Sem Terrinha pode ajudar a construir uma consci\u00eancia solid\u00e1ria entre as crian\u00e7as diante da viol\u00eancia contra outras crian\u00e7as na Palestina?<\/strong><\/p>\n<p>Quando a gente conta a hist\u00f3ria das Oliveiras, quando a gente conta a hist\u00f3ria da vida na Palestina \u2014 de como trabalham, de como vivem as crian\u00e7as palestinas \u2014, a gente constr\u00f3i uma consci\u00eancia e um olhar sobre aquele territ\u00f3rio como um lugar onde existe vida, onde existem crian\u00e7as, onde crian\u00e7as v\u00e3o \u00e0 escola, brincam, onde fam\u00edlias produzem e plantam, e que vem sendo destru\u00eddo: escolas, hospitais e toda a crueldade do conflito. Precisamos humanizar o territ\u00f3rio na sua narrativa, naquilo que as crian\u00e7as enxergam da Palestina e do povo palestino. Isso \u00e9 uma forma de conscientizar sobre o conflito, sobre o genoc\u00eddio que acontece em Gaza.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-04-01-at-100551-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-01-at-10.05.51-1-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-01-at-10.05.51-1-225x300.jpeg 225w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-01-at-10.05.51-1-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-04-01-at-100551-1.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption><em>Crianc\u0327a Sem Terrinha da Escola Itinerante Herdeiros da Luta de Porecatu\u0301, no Munici\u0301pio de Porecatu\u0301-PR. Foto: Comunica\u00e7\u00e3o do MST no PR<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Justamente porque essa viol\u00eancia contra os palestinos \u2014 e contra as crian\u00e7as palestinas \u2014 vem sendo historicamente banalizada, diminu\u00edda, h\u00e1 um trabalho a ser feito desde as crian\u00e7as sobre a import\u00e2ncia de que o mundo se manifeste diante do que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 na Palestina.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>E a\u00ed, contar a hist\u00f3ria da Palestina, contar a vida que existe na Palestina, \u00e9 uma forma de construir uma consci\u00eancia sobre a humanidade, de retomar a humanidade, no olhar sobre esse conflito.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Como conectar a luta das crian\u00e7as Sem Terrinha pela terra e pela vida no Brasil com a realidade das crian\u00e7as palestinas em meio \u00e0 guerra?<\/strong><\/p>\n<p>Quando a gente trabalha com as crian\u00e7as Sem Terrinha e conta a hist\u00f3ria da Palestina, a gente conecta a luta do Movimento Sem Terra \u00e0 luta do povo palestino \u2014 em torno da terra, do seu ch\u00e3o, da defesa do territ\u00f3rio e da vida no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Quando as crian\u00e7as Sem Terrinha participam da luta pela Reforma Agr\u00e1ria Popular, elas est\u00e3o participando da luta pela sua pr\u00f3pria vida, mas tamb\u00e9m de uma luta que faz parte de uma classe: a classe trabalhadora.<\/strong> <\/p>\n<p>\u00c9 importante trabalhar com as crian\u00e7as para que elas entendam que a classe trabalhadora existe no mundo todo; entender que crian\u00e7as que n\u00e3o possuem terra, que n\u00e3o possuem o que comer, que n\u00e3o possuem o direito de ir \u00e0 escola existem no mundo todo, e conectar os diferentes pa\u00edses, as diferentes realidades, por meio da solidariedade, da consci\u00eancia sobre o que acontece e por meio de a\u00e7\u00f5es efetivas e simb\u00f3licas. A\u00e7\u00f5es que conectam e fazem com que elas se reconhe\u00e7am em torno, inclusive, de suas lutas, \u00e9 algo fundamental no contexto da forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as Sem Terrinha.<\/p>\n<p>Nesse trabalho com as crian\u00e7as sobre as raz\u00f5es de por que a luta pela terra existe no Brasil e de por que a luta pela terra existe em outros lugares do mundo, ou mesmo de por que alguns pa\u00edses agem em rela\u00e7\u00e3o a outros com interesses no territ\u00f3rio, com interesses em torno da acumula\u00e7\u00e3o capitalista, a pr\u00f3pria vida cotidiana das crian\u00e7as Sem Terrinha que vivem no acampamento, ou no assentamento, mas que conhecem a sua hist\u00f3ria de luta, se conecta a outros territ\u00f3rios e a outras crian\u00e7as que vivem e sofrem o impacto da a\u00e7\u00e3o capitalista, em torno das suas vidas e dos territ\u00f3rios onde elas vivem.<\/p>\n<p>Quando a gente consegue traduzir para a crian\u00e7a qual \u00e9 a l\u00f3gica, quais s\u00e3o os interesses e o que est\u00e1 colocado, por que algumas crian\u00e7as s\u00e3o pobres, por que outras crian\u00e7as t\u00eam mais possibilidades, isso conecta as crian\u00e7as na linha da solidariedade internacionalista. E essa solidariedade internacionalista \u00e9 fundamental na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e na forma\u00e7\u00e3o dos adultos, para n\u00f3s, do Movimento dos Trabalhos Sem Terra.<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m da conscientiza\u00e7\u00e3o, de que forma as crian\u00e7as s\u00e3o incentivadas a se solidarizar e agir, mesmo que simbolicamente, transformando a indigna\u00e7\u00e3o em gesto de apoio e humanidade?<\/strong><\/p>\n<p>Claro que todos esses elementos que a gente levanta devem ser trabalhados com as crian\u00e7as de forma l\u00fadica, por meio de diferentes linguagens. Ent\u00e3o, por mais que o conte\u00fado seja bastante duro e complexo, ele precisa ser trabalhado. A diferen\u00e7a est\u00e1 em qual \u00e9 a linguagem que a gente vai usar, qual \u00e9 a linguagem que chega \u00e0 crian\u00e7a, n\u00e9? <\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-16.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-16.jpg 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-16-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-16-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Protesto no Dia da Crian\u00e7a Palestina. Foto: Priscila Ramos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Qual \u00e9 a linguagem que a pr\u00f3pria crian\u00e7a produz?<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 o desenho, \u00e9 a carta, \u00e9 a poesia, s\u00e3o os cartazes, as palavras de ordem, as m\u00fasicas que as crian\u00e7as podem produzir. Essas s\u00e3o tanto ferramentas quanto formas de aproximar as crian\u00e7as da linguagem infantil, apesar de um conte\u00fado t\u00e3o complexo que faz com que tamb\u00e9m se proponha \u00e0s crian\u00e7as produzirem em torno dessas linguagens que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias, como manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade no sentido de se expressar. Ent\u00e3o \u00e9 a palavra de ordem, que pode ser criada pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as, trabalhando o processo tamb\u00e9m de cria\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o delas; s\u00e3o as cartas que, em algum momento, j\u00e1 foram enviadas em outras Jornadas para as crian\u00e7as l\u00e1 na Palestina. Cartazes, desenhos, pinturas, murais feitos nas escolas e todo tipo de manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u00c9 uma forma tanto de produzir uma a\u00e7\u00e3o que vem das pr\u00f3prias crian\u00e7as, no sentido de elas tamb\u00e9m experimentarem a a\u00e7\u00e3o, e se configura como uma a\u00e7\u00e3o importante  tanto do ponto de vista da den\u00fancia para o mundo, quanto do ponto de vista da pr\u00f3pria solidariedade com as crian\u00e7as palestinas.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Como o debate sobre Gaza pode ser utilizado para refor\u00e7ar, na pr\u00e1tica, valores centrais da Jornada Sem Terrinha, como a defesa da vida, da justi\u00e7a e do direito \u00e0 terra, ou contra qualquer forma de opress\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O lema da Jornada Sem Terrinha este ano \u00e9 \u201cdefender a natureza e defender o nosso ch\u00e3o\u201d. O que esse lema traduz para as crian\u00e7as e como ele se conecta com o genoc\u00eddio em Gaza? Como nossa Jornada traz tamb\u00e9m a dimens\u00e3o dos conflitos e das contradi\u00e7\u00f5es no Brasil, e da ofensiva de todo tipo de express\u00e3o do capital na agricultura, seja por meio do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, e de como essa explora\u00e7\u00e3o atinge as crian\u00e7as do campo? Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de que a gente, como humanidade, defenda a natureza?<\/p>\n<p>O capital n\u00e3o est\u00e1 interessado nisso \u2014 muito pelo contr\u00e1rio, vem impulsionando a sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e0 exaust\u00e3o. Destruir a natureza \u00e9 tamb\u00e9m destruir a vida no campo e a possibilidade de uma vida digna no campo. Ent\u00e3o, \u00e9 a partir da defesa da natureza e da defesa da agroecologia, como projeto da Reforma Agr\u00e1ria Popular, que se constr\u00f3i a possibilidade de as crian\u00e7as terem um ch\u00e3o. E esse ch\u00e3o \u00e9 o ch\u00e3o onde se brinca, onde se estuda, onde se vive, onde se cultiva a natureza e onde se trabalha.<\/p>\n<p><strong>Nesse sentido, defender a natureza \u00e9 necessariamente lutar contra todas as formas de express\u00e3o do capital.<\/strong> Em Gaza, o que acontece \u00e9 uma disputa por um territ\u00f3rio, por um solo, e ali h\u00e1 interesses capitalistas envolvidos, h\u00e1 o impulsionamento desse genoc\u00eddio por parte do imperialismo, por parte dos Estados Unidos, com interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p>E qual \u00e9 a primeira a\u00e7\u00e3o que se faz no territ\u00f3rio de Gaza? Impedir que as fam\u00edlias possam colher suas olivas, derrubar as Oliveiras e acabar com qualquer possibilidade de vida, da natureza e dos seres humanos naquele territ\u00f3rio, guiados por um interesse capitalista. Isso conecta as nossas lutas, e \u00e9 assim que a gente d\u00e1 a dimens\u00e3o internacionalista da nossa Jornada: <strong>na defesa do ch\u00e3o de todas as crian\u00e7as do mundo<\/strong>, contra o avan\u00e7o dos interesses imperialistas e contra o genoc\u00eddio das crian\u00e7as palestinas.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em><strong>Defender a natureza e defender o nosso ch\u00e3o. E \u00e9 uma luta em qualquer lugar do mundo<\/strong><\/em><strong><em>\u201c<\/em><\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>*Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/10\/08\/em-gaza-e-no-campo-a-disputa-e-pelo-chao-e-pelo-direito-a-vida\/\">\u201cEm Gaza e no campo, a disputa \u00e9 pelo ch\u00e3o e pelo direito \u00e0 vida\u201d<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bc-brasileiros-tem-r-913-bi-em-valores-a-receber\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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