{"id":57572,"date":"2025-10-09T21:46:35","date_gmt":"2025-10-10T00:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/as-corporacoes-querem-professores-robos\/"},"modified":"2025-10-09T21:46:35","modified_gmt":"2025-10-10T00:46:35","slug":"as-corporacoes-querem-professores-robos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/as-corporacoes-querem-professores-robos\/","title":{"rendered":"As corpora\u00e7\u00f5es querem professores-rob\u00f4s"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"807\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/capa2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/capa2-1500x807.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/capa2-300x161.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/capa2-768x413.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/capa2-1536x827.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/capa2.jpg 1555w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Imagem: Lunetas<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em parceria com o Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Outras Palavras inicia uma s\u00e9rie de\u00a0textos\u00a0que abordar\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil. Essa agenda hist\u00f3rica ganhou novo f\u00f4lego no ano passado, quando trabalhadores foram \u00e0s ruas, em diferentes ocasi\u00f5es, com um lema contundente: \u201cH\u00e1 vida al\u00e9m do trabalho\u201d. Ela mostrou enorme potencial de mobiliza\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o s\u00f3 de trabalhadores, mas tamb\u00e9m de suas fam\u00edlias \u2013 e deu uma chacoalhada nos sindicatos e partidos progressistas, instando-os a se renovar, a reencantar o mundo do trabalho diante da precariza\u00e7\u00e3o \u2013 mais que de empregos, da vida. \u00a0Dois exemplos concretos ilustram essa for\u00e7a: a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) da deputada Erika Hilton (Psol-SP) e o recente plebiscito popular pelo fim da escala 6\u00d71, que reuniu mais de 1,5 milh\u00e3o de assinaturas, evidenciando o forte apelo da causa.<\/p>\n<p>Este artigo de abertura da s\u00e9rie, cujo t\u00edtulo original \u00e9 <strong>Mercantiliza\u00e7\u00e3o financeirizada da educa\u00e7\u00e3o, ensino superior a dist\u00e2ncia e jornadas de trabalho jamais vistas<\/strong>, exp\u00f5e a engrenagem perversa da\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o\u00a0e seus impactos sobre o trabalho docente no Ensino Superior privado. O ponto central \u00e9 a explos\u00e3o do ensino a dist\u00e2ncia (EaD) a partir de 2017, que ocorreu paralelamente \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das matr\u00edculas presenciais. Trata-se de um lucrativo projeto de massifica\u00e7\u00e3o do EaD, conduzido por corpora\u00e7\u00f5es educacionais listadas na Bolsa de Valores e com ramifica\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os autores revelam dados que ilustram essa disparidade: professores, sem autonomia nas trocas e constru\u00e7\u00e3o de saberes com os alunos, s\u00e3o ref\u00e9ns das plataformas e \u201cenquanto nos cursos presenciais das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 12 estudantes por docente, nas privadas presenciais salta para 1:52 e, no EaD privado, chega a 1:168\u201d. Nesse contexto, a \u201chora-aula\u201d transformou-se na unidade b\u00e1sica de uma explora\u00e7\u00e3o sem precedentes. O trabalho, fragmentado por plataformas digitais, nunca tem fim. O controle algor\u00edtmico e a l\u00f3gica do \u201ctempo abstrato\u201d invadem a vida privada, forjando uma subjetividade neoliberal digitalizada. Diante disso, a luta cl\u00e1ssica pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho depara-se com uma nova realidade: a do cron\u00f4metro do capital que nunca para. (<strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong>)<\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O artigo examina o trabalho docente no Ensino Superior privado-mercantil, destacando o trabalho nos cursos a dist\u00e2ncia, ensino digital e ensino virtual, todos eles profundamente afetados pela intensifica\u00e7\u00e3o e pela expropria\u00e7\u00e3o do trabalho. Atuam no Ensino Superior 328 mil docentes que atendem aproximadamente dez milh\u00f5es de estudantes, sendo 79,3% nas institui\u00e7\u00f5es privadas. Entretanto, a rede p\u00fablica, com apenas 20,7% das matr\u00edculas, possui 54% dos docentes em atividade no Ensino Superior, conforme o Censo do Ensino Superior de 2023 (Brasil, 2024). Em virtude das singularidades da forma de intensifica\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho na educa\u00e7\u00e3o mercantilizada e financeirizada, notadamente na modalidade de cursos a dist\u00e2ncia, o tema \u00e9 crucial para o debate pol\u00edtico da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho.<\/p>\n<p>Em virtude da escala da intensifica\u00e7\u00e3o do tempo de explora\u00e7\u00e3o do trabalho nas corpora\u00e7\u00f5es educacionais, a luta pelo fim da jornada 6X1 e a discuss\u00e3o relativa ao tempo de trabalho assumem import\u00e2ncia fulcral. Conhecer e explicar a exacerba\u00e7\u00e3o da jornada laboral no setor da Educa\u00e7\u00e3o Superior privada-mercantil permite aprofundar a discuss\u00e3o sobre a jornada de trabalho, especialmente no contexto da plataformiza\u00e7\u00e3o e da financeiriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, tema que abrange, a rigor, toda a Educa\u00e7\u00e3o. Este segmento de trabalhadores passa a vivenciar jornadas reais de trabalho jamais vistas na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-4.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/2.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>No caso do Ensino Superior, especialmente o privado-mercantil, os processos de explora\u00e7\u00e3o incidem diretamente sobre as condi\u00e7\u00f5es de controle do tempo pelo trabalhador. A remunera\u00e7\u00e3o docente n\u00e3o se d\u00e1 apenas pelos contratos de trabalho, mas, tamb\u00e9m, como em outras categorias, por meio de tarefas realizadas, no caso, aulas, corre\u00e7\u00f5es de estudos, orienta\u00e7\u00f5es, elabora\u00e7\u00e3o de materiais pedag\u00f3gicos para uso (e incorpora\u00e7\u00e3o sub-remunerada) nos sistemas de ensino e nas plataformas de trabalho das corpora\u00e7\u00f5es. Desse modo, a consigna \u201cexiste vida ap\u00f3s o trabalho\u201d que orienta as lutas pelo fim da escala 6 x 1 n\u00e3o pode deixar de abarcar o labor de uma das categorias mais exploradas e que possuem as jornadas mais intensificadas, como a dos docentes das institui\u00e7\u00f5es privadas mercantis, especialmente aqueles que atuam na EaD. Como em milh\u00f5es de outros trabalhadores, o tempo de trabalho n\u00e3o \u00e9 expresso e regulado apenas na forma de jornada di\u00e1ria e semanal de trabalho.<\/p>\n<p>A r\u00e1pida expans\u00e3o, nos \u00faltimos 15 anos, da economia de plataformas e do trabalho digital tem gerado desafios para a compreens\u00e3o do mundo do trabalho no setor da educa\u00e7\u00e3o mercantilizada. Nesse campo h\u00e1 um esfor\u00e7o crescente de pesquisas que t\u00eam contribu\u00eddo para compreender o funcionamento das plataformas digitais e identificar suas conex\u00f5es com as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, como as de Ab\u00edlio, Amorim e Grohmann (2021); Antunes (2023); Fuchs (2014); Huws (2014); Machado e Zanoni (2022), Sagrado, Da Matta e Gil (2023), Scholz (2016).<\/p>\n<p>A plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho e, particularmente, do trabalho docente, se caracteriza pela forte heterogeneidade, combinando, de diferentes formas, gest\u00e3o algor\u00edtmica, intensifica\u00e7\u00e3o, gamifica\u00e7\u00e3o e controle de todo processo pedag\u00f3gico. \u00c9 not\u00f3rio o processo de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente no Ensino Superior e na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Silva, 2020). A plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho docente reproduz com novas caracter\u00edsticas a heteronomia cultural pr\u00f3pria do \u201ccapitalismo dependente\u201d (Fernandes, 1981) que tem como bases as expropria\u00e7\u00f5es e brutais n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o, tema abordado por Marini (2000) em sua discuss\u00e3o sobre a \u201csuperexplora\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d.<\/p>\n<p>A reconfigura\u00e7\u00e3o do trabalho docente impulsionada pelas corpora\u00e7\u00f5es educacionais estruturadas como sociedades an\u00f4nimas e com a\u00e7\u00f5es nas bolsas de valores possui como foco principal a jornada de trabalho, combinando a sua intensifica\u00e7\u00e3o (Dal Rosso, 2008) por meio da subordina\u00e7\u00e3o real do trabalho ao capital e por novas formas de controle do tempo (Thompson, 2011) dos professores atrav\u00e9s das plataformas digitais. A introdu\u00e7\u00e3o dessas tecnologias intensifica a carga de trabalho docente e refor\u00e7a os mecanismos de controle externo e, o que \u00e9 crucial, de autocontrole interno contidos nas tecnologias digitais gerando uma \u201csubjetividade neoliberal digitalizada\u201d (Sagrado, Da Matta, Gil, 2023). Por isso, a problem\u00e1tica do controle do tempo de trabalho pela classe trabalhadora comp\u00f5e a nervura central do presente artigo.<\/p>\n<p>O artigo dedica uma se\u00e7\u00e3o para caracterizar o tema do tempo de trabalho como o fulcro das lutas de classes, abordando, em di\u00e1logo com E. P. Thompson, o significado das lutas pelo tempo; a seguir, caracteriza a rela\u00e7\u00e3o entre a plataformiza\u00e7\u00e3o e a financeiriza\u00e7\u00e3o diante da mercantiliza\u00e7\u00e3o financeirizada na EaD, na terceira se\u00e7\u00e3o, a caracteriza\u00e7\u00e3o da intensifica\u00e7\u00e3o da jornada em patamar in\u00e9dito na Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o, real\u00e7ando o problema da expropria\u00e7\u00e3o do trabalho. Nas conclus\u00f5es, a partir da an\u00e1lise realizada, foram elaboradas proposi\u00e7\u00f5es para fortalecer a luta contra a ofensiva do capital sobre o tempo que impossibilita a exist\u00eancia de uma vida plena de sentido imbricada aos processos de trabalho.<\/p>\n<h3><strong>Tempo de trabalho, tempo a servi\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o, tempo como luta de classes na Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Leher (1998) ressalta que mesmo antes de Marx ter analisado o segredo da mercadoria, in\u00fameros movimentos prolet\u00e1rios j\u00e1 haviam compreendido que, por tr\u00e1s da institui\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, estava uma forma do patr\u00e3o aumentar a explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Como assinalado por Thompson (2011), a luta pelo tempo est\u00e1 na pr\u00f3pria origem da classe trabalhadora como classe que se forja em luta contra a burguesia. O autor faz um fascinante estudo do processo de internaliza\u00e7\u00e3o do tempo por parte das classes oper\u00e1rias inglesas, no qual argumenta que, nas sociedades camponesas, de pescadores e nas pequenas ind\u00fastrias, o tempo era orientado para tarefas que, em grande parte, possu\u00edam sentido como valores de uso. Este processo \u2013 que nada tem de homog\u00eaneo \u2013 levou, historicamente, ap\u00f3s muitos embates e lutas, os trabalhadores pobres a interiorizar uma determinada disciplina de tempo.<\/p>\n<p>Contudo, na Inglaterra, o pa\u00eds de capitalismo mais avan\u00e7ado no S\u00e9culo XIX, os trabalhadores resistiram \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o do tempo burgu\u00eas. A luta pelo dia livre \u201cSaint Monday\u201d motivou embates memor\u00e1veis e, como expresso na luta pelo fim da Jornada 6\u00d71 segue impulsionando no Brasil as lutas do presente. Hobsbawm (1987) registra que a primeira manifesta\u00e7\u00e3o internacional dos trabalhadores teve o tempo como bandeira: \u201cO Primeiro de Maio foi planejado como uma \u00fanica manifesta\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea internacional pela jornada legal de oito horas de trabalho\u201d (Hobsbawn, 1987, p. 112 apud Leher, 1998). O feriado do Dia do Trabalhador foi estabelecido pela luta dos trabalhadores: foi atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica que o 1o de Maio se tornou um feriado tanto no sentido ritual, quanto no sentido festivo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar da resist\u00eancia, os capitalistas tiveram vit\u00f3rias expressivas. Enquanto as primeiras gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores ingleses lutaram contra o rel\u00f3gio, isto \u00e9, contra as horas (de trabalho) em si mesmas, as gera\u00e7\u00f5es seguintes, admitindo o controle da jornada de trabalho, lutaram pela redu\u00e7\u00e3o legal das horas de trabalho. Com isso, assinala Thompson (2011), a classe oper\u00e1ria inglesa expressou a sua aceita\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o da sociedade em termos de tempo abstrato (Leher, 1998), por\u00e9m inserindo-o nas lutas de classes, posi\u00e7\u00e3o discutida de modo original por Marx na Associa\u00e7\u00e3o Interna-cional dos Trabalhadores. Como demonstrado emp\u00edrica e teoricamente por Marx (2014) e Engels (2010), as lutas contra o aumento das jornadas, a intensifica\u00e7\u00e3o e a expropria\u00e7\u00e3o do trabalho conformam uma situa\u00e7\u00e3o de sofrimento laboral das classes trabalhadoras e, por conseguinte, devem compor uma nervura axial da estrat\u00e9gia de luta contra o mortic\u00ednio do capital.<\/p>\n<p>O tempo abstrato, precisamente o tempo de explora\u00e7\u00e3o do trabalho, possui imensas particularidades na educa\u00e7\u00e3o. Nas lutas hist\u00f3ricas das classes trabalhadoras, a garantia do acesso real das crian\u00e7as, dos jovens e dos adultos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o foi compreendida como uma dimens\u00e3o da estrat\u00e9gia de \u2018fazimento\u2019 das classes trabalhadoras. E o trabalho de ensinar, nesses contextos, n\u00e3o se confunde com o tempo sob o jugo do capital. Para al\u00e9m do debate entre trabalho produtivo e improdutivo no \u00e2mbito do servi\u00e7o p\u00fablico, em per\u00edodos em que as escolas est\u00e3o auto-organizadas e dirigidas por educadores e estudantes a viv\u00eancia do tempo \u00e9 outra. Em processos revolucion\u00e1rios da segunda metade do S\u00e9culo XX, como a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana (1959), ou a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos (1974), a quest\u00e3o da jornada de trabalho docente foi percebida e mensurada pelos trabalhadores de modo totalmente distinto do tempo imposto nas f\u00e1bricas estruturadas com base no maquinismo. A possibilidade de compartilhar experi\u00eancias de educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, jovens e adultos, assim como os c\u00edrculos de discuss\u00f5es e as pr\u00e1ticas de teatro, m\u00fasica etc., tornavam o tempo na escola uma experi\u00eancia plena de sentido (Varela et Al., 2022).<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias seguem pr\u00e1ticas como as das escolas do campo do MST, em que o tempo igualmente n\u00e3o \u00e9 uma forma de subordina\u00e7\u00e3o, intensifica\u00e7\u00e3o e controle do trabalho, mas de compromisso com a Educa\u00e7\u00e3o Popular. O trabalho n\u00e3o alienado n\u00e3o pode ser mensurado pelo cron\u00f4metro. No entanto, o trabalho n\u00e3o alienado \u00e9 compreendido pelo estado maior da burguesia como um trabalho subversivo que precisa ser suprimido. Por isso, sempre as pol\u00edticas que objetivam extirpar a soberania popular sobre os assuntos p\u00fablicos incidem sobre o controle do tempo.<\/p>\n<p>Com efeito, as a\u00e7\u00f5es da burguesia se deram no sentido de impor outra l\u00f3gica de trabalho nas escolas, objetivando torn\u00e1-las institui\u00e7\u00f5es afastadas do controle e da soberania popular. O pr\u00f3prio estado maior do capital logo compreendeu que o intento dos trabalhadores, expressos originalmente na Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT), de que a defesa da Escola P\u00fablica n\u00e3o equivale a nomear o Estado (e os governos) como educadores do povo, levaria a uma perda dos meios de subordina\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ao capital. Por isso, a expropria\u00e7\u00e3o do conhecimento e a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente tornaram-se objetivos estrat\u00e9gicos. No per\u00edodo de ascenso do neoliberalismo uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais expl\u00edcitas desse prop\u00f3sito do capital pode ser encontrada na proposi\u00e7\u00e3o de Labarca, consultor da CEPAL no contexto de implanta\u00e7\u00e3o da neoliberaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica latino-americana nos anos 1990:<\/p>\n<p>Os docentes deixam de ser os principais deposit\u00e1rios do conhecimento e passam a ser consultores metodol\u00f3gicos e animadores de grupos de trabalho. Esta estrat\u00e9gia obriga a reformular os objetivos da educa\u00e7\u00e3o. O desenvolvimento de compet\u00eancias-chave [\u2026] substitui a s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o disciplinar at\u00e9 ent\u00e3o visada. O uso de novas tecnologias educativas leva ao apagamento dos limites entre as disciplinas, redefinindo ao mesmo tempo a fun\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o e o aperfei\u00e7oamento dos docentes (Labarca, 1995, p. 175).<\/p>\n<p>O processo de expropria\u00e7\u00e3o do conhecimento dos docentes \u00e9 indissoci\u00e1vel das contrarreformas que objetivam impor uma nova escala de subordina\u00e7\u00e3o real do trabalho ao capital, o que requer mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, via-de-regra pela exacerba\u00e7\u00e3o das tecnologias. E ser\u00e1 por esta via que as corpora\u00e7\u00f5es educacionais financeirizadas ir\u00e3o impor uma nova ordem de grandeza na escala da explora\u00e7\u00e3o do trabalho dos docentes que atuam na EaD.<\/p>\n<p><em>Gr\u00e1fico 1 \u2013 Expans\u00e3o do ensino superior a dist\u00e2ncia e presen\u00e7a da EaD nas redes p\u00fablica e privada.<\/em><\/p>\n<p><em>[gr\u00e1fico]<\/em><\/p>\n<p>Conforme \u00e9 poss\u00edvel depreender da an\u00e1lise dos Censos do Ensino Superior do INEP, o crescimento exponencial das matr\u00edculas em EaD entre 2017 e 2023 \u00e9 proporcional ao decr\u00e9scimo das matr\u00edculas presenciais, o que confirma a op\u00e7\u00e3o do setor privado-mercantil pela massifica\u00e7\u00e3o por meio desta modalidade. Na segunda coluna fica evidente que a expans\u00e3o se d\u00e1 no setor privado, liderada pelas corpora\u00e7\u00f5es (Bielschowsky, 2020). O que frequentemente n\u00e3o \u00e9 observado \u00e9 o fato de que o crescimento dos ingressantes, matr\u00edculas e cursos na modalidade EaD das corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi acompanhado pelo crescimento do n\u00famero de professores. Em 2017, ingressaram 1,17 milh\u00e3o de estudantes, em 2,1 mil cursos (o que j\u00e1 indicava a amplitude de tipos de cursos) somando ent\u00e3o 1,8 milh\u00e3o de estudantes; em 2023, ingressaram 2,94 milh\u00f5es apenas nas institui\u00e7\u00f5es com fins lucrativos, agora em 10,5 mil cursos, totalizando 4,26 milh\u00f5es de matr\u00edculas a maioria delas nas dez maiores corpora\u00e7\u00f5es. Neste per\u00edodo, os docentes do setor privado (incluindo as ditas sem fins lucrativos) foram substancialmente reduzidos, passando de 186 mil (2017) para 150 mil (2023), situa\u00e7\u00e3o agravada na modalidade a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Enquanto nos cursos presenciais das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas o n\u00famero de estudantes por docente \u00e9 de 1:12, nas privadas presenciais \u00e9 de 1:52 e nas privadas em EaD de 1:168. Analisando mais detidamente a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho nas maiores corpora\u00e7\u00f5es financeirizadas, \u00e9 necess\u00e1rio destacar uma institui\u00e7\u00e3o privada-mercantil que oferta seus cursos perto de 100% em EaD. Esta corpora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nomeada nos dados do Censo do Ensino Superior de 2023 (Brasil, 2024) possui 709 mil estudantes e escass\u00edssimos 326 docentes, o que corresponde a 1 docente para 2,2 mil estudantes; outra institui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m basicamente a dist\u00e2ncia, possui 771 mil estudantes (764 mil a dist\u00e2ncia) e igualmente irris\u00f3rios 524 docentes. Uma grande institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por sua vez, possui 62 mil estudantes, todos presenciais, e 5.597 professores (Brasil, 2024). O panorama do trabalho nas corpora\u00e7\u00f5es que atuam na modalidade de cursos a dist\u00e2ncia \u00e9 de in\u00e9dita intensifica\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, conformando um quadro adoecedor. N\u00e3o pode haver d\u00favida de que a escala da explora\u00e7\u00e3o foi alterada.<\/p>\n<h3><strong>Rela\u00e7\u00e3o entre a plataformiza\u00e7\u00e3o e a financeiriza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o superior privada-mercantil<\/strong><\/h3>\n<p>A r\u00e1pida expans\u00e3o das plataformas digitais nos holdings educacionais \u00e9 impulsionada por uma l\u00f3gica de hiperprodutividade para a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro caracter\u00edstica do capitalismo de hoje. A din\u00e2mica dos circuitos capital, com\u00e9rcio de dinheiro e processos de extra\u00e7\u00e3o de Mais-Valor foi redimensionada, e est\u00e1 transformando radicalmente o trabalho docente, aumentando sua jornada regulada e, ainda mais, o tempo de trabalho efetivamente realizado. Ademais, a mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica gera novas formas de controle algor\u00edtmico, por meio de descritores de compet\u00eancia elaborados em conformidade com a pedagogia do capital. Essa combina\u00e7\u00e3o de fatores reconfigura a jornada de trabalho dos professores e est\u00e1 em conex\u00e3o com a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre a plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho no setor da educa\u00e7\u00e3o superior privada-mercantil e o processo de financeiriza\u00e7\u00e3o da economia, exacerbando, em novos patamares, a explora\u00e7\u00e3o efetiva do trabalho.<\/p>\n<p>A plataformiza\u00e7\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, materializa\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancia de um processo hist\u00f3rico que mistura capitalismo rentista, ideologia do Vale do Sil\u00edcio, extra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de dados e gest\u00e3o neoliberal. Uma das bases est\u00e1 na crescente responsabiliza\u00e7\u00e3o individual dos trabalhadores por tudo que envolve o trabalho, circunst\u00e2ncia que Wendy Brown chama de \u201ccidadania sacrificial\u201d. Assim, os trabalhadores s\u00e3o obrigados a fazer a gest\u00e3o das pr\u00f3prias sobreviv\u00eancias com toda a sorte de vulnerabilidades, tendo de escutar que isso \u00e9 um \u201cprivil\u00e9gio\u201d. J\u00e1 os dados e metadados transformados em capital, somados \u00e0 converg\u00eancia de capital, auxiliam a dar forma \u00e0s distintas possibilidades de extra\u00e7\u00e3o do valor das plataformas, dependentes das mais variadas configura\u00e7\u00f5es de trabalho vivo (Grohmann, 2021, p. 14).<\/p>\n<p>A plataformiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o em movimento que compartilha um sentido comum de precariedade do trabalho e de triunfo de um modelo de neg\u00f3cio assim\u00e9trico, t\u00edpico do capitalismo financeiro e com formas renovadas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho (Fuchs, 2014; Huws, 2014; Scholz, 2016), como informaliza\u00e7\u00e3o, baixas remunera\u00e7\u00f5es, intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, perda da identifica\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a generalizada para o trabalhador e generaliza\u00e7\u00e3o do modo de vida perif\u00e9rico (Ab\u00edlio, 2020). Essas plataformas s\u00e3o catalisadoras das tend\u00eancias e processos de transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho, das quais derivam novas configura\u00e7\u00f5es organizacionais, novos tipos de controle, subordina\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho, e que tamb\u00e9m se associam \u00e0s pol\u00edticas neoliberais e ao processo de financeiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As plataformas podem tamb\u00e9m ter o poder de influenciar ou estipular diferentes aspectos do trabalho, seja por meio de regras expl\u00edcitas ou por meio de est\u00edmulos e desest\u00edmulos via algoritmos \u2013 que possuem objetivos bem definidos voltados \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o da plataforma para ganhar participa\u00e7\u00e3o no mercado e\/ou voltados \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o do lucro. Podem fazer parte desses aspectos a remunera\u00e7\u00e3o (valores e condi\u00e7\u00f5es), a jornada de trabalho (horas e hor\u00e1rio), o modo de realiza\u00e7\u00e3o do trabalho, o modo de rela\u00e7\u00e3o com as partes envolvidas, a forma de direcionamento do trabalho, a localidade de onde o trabalho deve ser realizada, o n\u00edvel de liberdade para recusa, os sistemas de avalia\u00e7\u00e3o, entre outros (Machado e Zanoni, 2022, p. 57).<\/p>\n<p>Ludmila Ab\u00edlio (2020) argumenta que compreender as plataformas requer analisar suas inter-rela\u00e7\u00f5es com a financeiriza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um elemento central na compreens\u00e3o da l\u00f3gica por tr\u00e1s da expans\u00e3o das plataformas digitais de trabalho, influenciando as estrat\u00e9gias das empresas, a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e as condi\u00e7\u00f5es para os trabalhadores docentes que atuam nesse novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<h3><strong>Aspectos da realidade do trabalho intensificado na EaD<\/strong><\/h3>\n<p>A base principal da explora\u00e7\u00e3o exacerbada e da intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho dos docentes que atuam em EaD \u00e9 o regime de hora-aula, retomando, em novos padr\u00f5es, as rela\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho no setor mercantil. Em uma s\u00e9rie de reportagens de autoria de Domenici, a Ag\u00eancia P\u00fablica mergulhou na situa\u00e7\u00e3o laboral dos trabalhadores da Laureate, notadamente dos que atuavam em cursos de EaD. Os depoimentos de docentes com nomes fict\u00edcios, explicita a dura realidade do trabalho nessas corpora\u00e7\u00f5es: \u201cA palavra que melhor define meu momento \u00e9 desespero\u201d, conta Hor\u00e1cio*, professor da Universidade Anhembi Morumbi, em S\u00e3o Paulo, do grupo Laureate, referindo-se \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de 75% das suas horas de trabalho no atual semestre letivo, situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica considerando ser seu \u00fanico emprego. N\u00e3o h\u00e1 sal\u00e1rio, apenas tarefas, no caso, horas-aula. Enzo*, professor de outra universidade do grupo Laureate, a FMU, passou de 21 horas semanais no \u00faltimo semestre para apenas 3 horas. Ele diz que a maioria dos professores est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00f3s estamos recebendo em m\u00e9dia R$500,00 por m\u00eas.\u201d Muitos docentes foram informados da demiss\u00e3o por um pop-up na tela do computador, ao acessarem o sistema.<\/p>\n<p>Nesse quadro, o sofrimento laboral e o estresse s\u00e3o evidentemente exacerbados. Cabe registrar que o estudo das condi\u00e7\u00f5es laborais dos trabalhadores em EaD \u00e9 dificultada pela individualiza\u00e7\u00e3o das tarefas demandadas pela corpora\u00e7\u00e3o e pelo ass\u00e9dio que impede a presen\u00e7a de sindicatos de professores nessas organiza\u00e7\u00f5es. Em virtude da rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de estudantes e o de docentes, que, nessas institui\u00e7\u00f5es podem chegar a 2,2 mil estudantes por docente, a Laureate instaurou rob\u00f4s para corrigir os trabalhos dos estudantes sem que estes soubessem da situa\u00e7\u00e3o (Domenici, 2020a). Mesmo nas aulas s\u00edncronas, as turmas normalmente possuem 250 a 350 estudantes, inviabilizando as intera\u00e7\u00f5es ensino e aprendizagem. Um dos principais articuladores das den\u00fancias sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, Gabriel Teixeira, organizador da Rede de Educadores do Ensino Superior em Luta, destaca que eles criaram uma Plataforma de Apoio Psicol\u00f3gico para Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o e receberam 300 inscri\u00e7\u00f5es em apenas cinco horas (Domenici, 2020b). Con- forme Gemelli e Closs (2023), o principal indicador de precariza\u00e7\u00e3o para os entrevistados, aferido por um survey realizado pelos autores, \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o com jornada ou defini\u00e7\u00e3o de horas-aula muito abaixo das tarefas realizadas, corroborando a exist\u00eancia de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio apresentado tende a se agravar com a complexifica\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Artificial. Fun\u00e7\u00f5es como atendimento aos alunos por meio de monitoria ou tutoria nos polos de EaD, fun\u00e7\u00f5es j\u00e1 altamente exploradas, podem ser amplamente substitu\u00eddas por tutorias exclusivamente virtuais (J\u00fanior e Schlesener, 2024).<\/p>\n<p>\u201cOs \u00faltimos avan\u00e7os da Khan Academy3, incluem o ChatGPT-4 da OpenAI, que criou a figura do Khanmigo: um tutor de IA que conversa com estudantes em linguagem natural, recriando a experi\u00eancia de um(a) professor(a) humano(a)\u201d (Sagrado, Da Matta e Gil, 2023, p. 87, Tradu\u00e7\u00e3o Nossa). Essas plataformas permitem tamb\u00e9m a implementa\u00e7\u00e3o de assistentes que atuam junto aos professores, sob a alega\u00e7\u00e3o de facilitar o trabalho docente.<\/p>\n<p>Delegar \u00e0s plataformas, por meio de assistentes virtuais, atividades como a sumariza\u00e7\u00e3o de pontos de um texto para serem usados em aulas, elabora\u00e7\u00e3o de s\u00ednteses, cria\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es para trabalhos e avalia\u00e7\u00f5es, sugest\u00f5es de temas e exemplos, corre\u00e7\u00e3o de atividades e, como j\u00e1 mencionado anteriormente, o atendimento e intera\u00e7\u00e3o com os alunos, podem endossar argumentos para reduzir o j\u00e1 escasso tempo de trabalho remunerado destinado aos professores para atividades fora da sala de aula (J\u00fanior e Schlesener, 2024, p. 150).<\/p>\n<p>Inexiste publicidade sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho nos 47 mil polos de EaD, 46% deles terceirizados, ou seja, desvinculados das institui\u00e7\u00f5es que formalmente os instauraram. Todo um complexo de rela\u00e7\u00f5es de trabalho precarizadas move a reprodu\u00e7\u00e3o do capital nessas organiza\u00e7\u00f5es que, simultaneamente, promovem um apartheid formativo, afetando, inclusive, os formadores dos novos docentes, propagando a segrega\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos 47 milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens que cursam a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Diante da mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, do mercado de a\u00e7\u00f5es, da dissocia\u00e7\u00e3o entre propriedade do capital e a dire\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios e, ainda, da convers\u00e3o dos grupos educacionais em sociedades an\u00f4nimas, h\u00e1 um redimensionamento, em n\u00edveis in\u00e9ditos, da jornada de trabalho dos professores. A intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho no \u00e2mbito da jornada regulada e remunerada envolve estrat\u00e9gias sutis e menos vis\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o, como o n\u00famero de estudantes com os quais o sujeito docente trabalha que, como visto, pode ser mais de 160 vezes a raz\u00e3o encontrada nos cursos presenciais das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A necess\u00e1ria consigna \u201cPelo fim da jornada 6X1\u201d que consubstancia a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 PEC no 8\/2025 reduz a jornada semanal para 36h a serem distribu\u00eddas de modo a assegurar tr\u00eas dias de descanso. Entretanto, ser\u00e1 necess\u00e1rio buscar formas de coibir a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho \u201cdentro da jornada regular\u201d, pois, sem isso, os tr\u00eas dias de descanso seguir\u00e3o sendo tr\u00eas dias de trabalho adicional n\u00e3o remunerado \u2013 afinal, um docente plataformizado que possui centenas e at\u00e9 milhares de estudantes dificilmente poder\u00e1 ignorar demandas leg\u00edtimas dos estudantes por um m\u00ednimo de conex\u00e3o com seus professores. Ser\u00e1 necess\u00e1rio incorporar na regulamenta\u00e7\u00e3o da referida PEC o problema dos precarizados plataformizados. Os milhares de tutores e monitores, grande parte deles terceirizados, que atuam nos polos e mesmo no atendimento cotidiano aos cinco milh\u00f5es de estudantes que estudam na modalidade EaD, com a nova legisla\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ter uma refer\u00eancia de direito \u00e0 uma vida fora do trabalho alienado e explorado, o que favorece a organiza\u00e7\u00e3o e as lutas. No entanto, como n\u00e3o se trata do tempo linear da jornada de trabalho, mas de uma inteira mudan\u00e7a no manejo do tempo pelo capital, a resist\u00eancia e as lutas requerem um ambiente de cr\u00edtica \u00e0s formas de explora\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das plataformas e dos sistemas de ensino. O estranhamento dessas formas sub-rept\u00edcias de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gico e somente ganhar\u00e1 for\u00e7a pol\u00edtica nas lutas de classes se forem movimentos de amplas fra\u00e7\u00f5es das classes trabalhadoras igualmente expropriadas e exploradas.<\/p>\n<p>Conforme destacado, a primeira manifesta\u00e7\u00e3o internacional dos trabalhadores teve o tempo como bandeira, um aspecto que nunca saiu de cena. No S\u00e9culo XXI, a luta pela aboli\u00e7\u00e3o da escala 6\u00d71 no Brasil unificou de modo original segmentos expressivos da classe trabalhadora, ganhou amplo apoio da sociedade e se tornou um objetivo central do Primeiro de Maio de 2025, que reuniu milhares de pessoas nas ruas em torno da pauta. Al\u00e9m disso, dias antes tamb\u00e9m houve uma importante manifesta\u00e7\u00e3o, a greve nacional dos entregadores, conhecido como o \u201cbreque dos apps\u201d, caracterizada como a maior mobiliza\u00e7\u00e3o nacional dos entregadores desde 2020. De fato, em 2020, pela primeira vez, esses trabalhadores fizeram uma greve contra as condi\u00e7\u00f5es de trabalho impostas pelas plataformas. Partindo destes exemplos recentes \u00e9 poss\u00edvel propugnar que h\u00e1 movimentos originais surgindo a partir das novas facetas da superexplora\u00e7\u00e3o, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos e associa\u00e7\u00f5es que representam os trabalhadores mais precarizados.<\/p>\n<p>Est\u00e1 evidente que \u00e9 necess\u00e1rio ousadia estrat\u00e9gica para retomar a constitui\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas dos trabalhadores, com pautas que sejam capazes de unificar as lutas em curso nos movimentos contestat\u00f3rios. Afinal, a hist\u00f3ria \u00e9, de distintas formas, a hist\u00f3ria da luta de classes. As possibilidades de resist\u00eancia est\u00e3o abertas no S\u00e9culo XXI. O trabalho \u00e9 sempre um elemento vivo e o tempo condensa os grandes embates e lutas da sociedade, gerando conflitos e oposi\u00e7\u00f5es permanentes.<\/p>\n<p>O contexto atual, marcado, entre outros aspectos, pela amplia\u00e7\u00e3o das formas de contrata\u00e7\u00e3o prec\u00e1rias, pelas tentativas de esfacelamento dos coletivos de lutas e pelas pol\u00edticas de cerceamento \u00e0 liberdade de c\u00e1tedra das professoras e professores nas institui\u00e7\u00f5es educacionais, exigem amplo debate, permanente reflex\u00e3o e resist\u00eancias em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa dos direitos sociais que, no capitalismo dependente, necessitam ser fortemente universalizados Urge, no Brasil, lutas pela desmercantiliza\u00e7\u00e3o radical da Educa\u00e7\u00e3o. Isso requer urgentemente proibir a massifica\u00e7\u00e3o do Ensino Superior a dist\u00e2ncia, tema que deve ser tratado como exce\u00e7\u00e3o para situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas; \u00e9 imperioso proibir grupos educacionais com a participa\u00e7\u00e3o de fundos de investimentos, organizados como sociedades an\u00f4nimas e com a\u00e7\u00f5es nas bolsas; as lutas precisam combater o uso do fundo p\u00fablico que alavancou esses holdings, assegurando o princ\u00edpio de verbas p\u00fablicas exclusivamente para as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. A partir dessas bases, articular a luta em prol da consigna \u201cexiste vida ap\u00f3s o trabalho\u201d, assegurando, em todo pa\u00eds, nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e da Educa\u00e7\u00e3o Superior, o regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva como padr\u00e3o b\u00e1sico para o exerc\u00edcio do Magist\u00e9rio, objetivando forjar uma educa\u00e7\u00e3o a altura dos desafios do tempo hist\u00f3rico.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><em>AB\u00cdLIO, L. C. Plataformas digitais e uberiza\u00e7\u00e3o: a globaliza\u00e7\u00e3o de um Sul administrado? Contracampo, v. 39, n. 1, pp. 12-26, 2020.<\/em><\/p>\n<p><em>AB\u00cdLIO, L. C.; AMORIM, H.; GROHMANN, R. Uberiza\u00e7\u00e3o e plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas. Sociologias, v. 23, n. 57,<\/em> <em>pp. 26-56, 2021.<\/em><\/p>\n<p><em>ANTUNES, R. Icebergs \u00e0 deriva: o trabalho em plataformas digitais. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023.<\/em><\/p>\n<p><em>BIELSCHOWSKY, C. E. Tend\u00eancias de precariza\u00e7\u00e3o do ensino superior privado no Brasil. Revista Brasileira de Pol\u00edtica e Administra\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o -Peri\u00f3dico cient\u00edfico editado pela ANPAE, v. 36, n. 1, pp. 241-271, 2020.<\/em><\/p>\n<p><em>BRASIL. Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2023: notas estat\u00edsticas. Bras\u00edlia: INEP, 2024.<\/em><\/p>\n<p><em>FUCHS, C. Digital Labour and Karl Marx. New York: Routledge, 2014.<\/em><\/p>\n<p><em>GEMELLI, C. E.; CLOSS, L. Precariousness of Higher Education Teaching Work in Brazilian Private HEIs. BBR. Brazilian Business Review, v. 20, n. 3, pp. 339-361, 2023.<\/em><\/p>\n<p><em>HOBSBAWM, E. Mundos do trabalho: novos estudos sobre hist\u00f3ria oper\u00e1ria. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/em><\/p>\n<p><em>HUWS, U. Labor in the global digital economy: the cybertariat comes of age. Londres: Merlin, 2014.<\/em><\/p>\n<p><em>DAL ROSSO, S. Mais trabalho! A intensifica\u00e7\u00e3o do labor na sociedade contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008.<\/em><\/p>\n<p><em>DOMENICI, T. Ap\u00f3s uso de rob\u00f4s, Laureate agora demite professores de EaD. Ag\u00eancia P\u00fablica, 13 de maio de 2020a. Dispon\u00edvel em: https:\/\/apublica.org\/2020\/05\/apos-uso-de-robos-laureate-agora-demite-professo-res-de-ead\/.<\/em><\/p>\n<p><em>DOMENICI, T. \u201c\u00c9 cruel\u201d: professores relatam de aulas on-line com 300 alunos a demiss\u00f5es por pop-up. Ag\u00eancia P\u00fablica, 13 de setembro de 2020b. Dispon\u00edvel em: https:\/\/apublica.org\/2020\/11\/laureate-o-raio-x-de-uma-fraude-para-reconhecer-uma-graduacao-no-mec<\/em><\/p>\n<p><em>ENGELS, F. A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010.<\/em><\/p>\n<p><em>FERNANDES, F. Capitalismo dependente e classes sociais na Am\u00e9rica Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.<\/em><\/p>\n<p><em>GROHMANN, R. Os laborat\u00f3rios do trabalho digital: entrevistas. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2021.<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00daNIOR, V. D.; SCHLESENER, A. H. Intelig\u00eancias artificais e capitalismo digital: as armadilhas da ideologia da t\u00e9cnica. Dossi\u00ea Germinal: marxismo e educa\u00e7\u00e3o em debate, v. 16, n. 3, pp. 132-153, 2024.<\/em><\/p>\n<p><em>LABARCA, G. Cu\u00e1nto se puede gastar en educaci\u00f3n? Revista de la CEPAL, n. 56, pp. 163-178, 1995.<\/em><\/p>\n<p><em>LEHER, R. Da ideologia do desenvolvimento \u00e0 ideologia da globaliza\u00e7\u00e3o: a educa\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia do Banco Mundial para \u201cal\u00edvio\u201d da pobreza. [Tese de Doutorado]. S\u00e3o Paulo: USP, 1998.<\/em><\/p>\n<p><em>MACHADO, S.; ZANONI, A. P. (Orgs.). O trabalho controlado por plataformas digitais no Brasil: dimens\u00f5es, perfis e direitos. Curitiba: UFPR, 2022.<\/em><\/p>\n<p><em>MARINI, R. M. Dial\u00e9tica da depend\u00eancia. Uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Petr\u00f3polis: Vozes; Buenos Aires: CLASCO, 2000.<\/em><\/p>\n<p><em>MARX, K. O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<\/em><\/p>\n<p><em>SAGRADO, A. L; DA MATTA, A. A.; GIL, E. P. Las corporaciones tecnol\u00f3gicas y la reconfiguraci\u00f3n docente. Viento Sur, n. 188, pp. 83-90, 2023.<\/em><\/p>\n<p><em>SCHOLZ, T. Cooperativismo de plataforma: contestando a economia do compartilhamento corporativa. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2016.<\/em><\/p>\n<p><em>SILVA, A. M. Formas e tend\u00eancias de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente: o precariado professoral e o professorado est\u00e1vel-formal nas redes p\u00fablicas brasileiras. Curitiba: CRV, 2020.<\/em><\/p>\n<p><em>THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<\/em><\/p>\n<p><em>VARELA, R.; Et AL. (Orgs.). Do entusiasmo ao burnout? A situa\u00e7\u00e3o social e laboral dos professores em Portugal hoje. Portugal: Edi\u00e7\u00f5es H\u00famus, 2022.<\/em><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post As corpora\u00e7\u00f5es querem professores-rob\u00f4s appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/banco-central-endurece-regras-de-seguranca-para-instituicoes-de-pagamento\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/bdf-20250905-183924-c08d35-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Banco Central endurece regras de seguran\u00e7a para in...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/israel-bombardeia-depositos-de-oleo-em-teera-que-revida-com-misseis-em-tel-aviv-e-destroi-abrigo-publico-videos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Israel bombardeia dep\u00f3sitos de \u00f3leo em Teer\u00e3 que r...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ministerio-da-saude-quer-incorporar-vacina-contra-chikungunya-ao-sus\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade quer incorporar vacina contra ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/no-entorno-do-df-mulheres-do-campo-fortalecem-alimentacao-comunitaria-com-producao-destinada-a-familias-em-vulnerabilidade\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">No entorno do DF, mulheres do campo fortalecem ali...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em curso nova fase de precariza\u00e7\u00e3o dos docentes. Ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, via plataformas, permitiu explora\u00e7\u00e3o massiva: turmas de centenas de alunos, controle algor\u00edtmico e roubo de tempo livre. Leia 1\u00ba texto de s\u00e9rie sobre redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/trabalho-as-corporacoes-querem-professores-robos\/\">As corpora\u00e7\u00f5es querem professores-rob\u00f4s<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57573,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,24327,2899,6376,880,24328,2345,24329,5834],"tags":[],"class_list":["post-57572","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-corporacoes-educacionais","category-ead","category-ensino-a-distancia","category-ensino-superior","category-ensino-mercadoria","category-plataformas-digitais","category-precarizacao-do-ensino","category-trabalho-e-precariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57572"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57572\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}