{"id":57803,"date":"2025-10-10T19:28:01","date_gmt":"2025-10-10T22:28:01","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/consideracoes-sobre-a-economia-da-atencao\/"},"modified":"2025-10-10T19:28:01","modified_gmt":"2025-10-10T22:28:01","slug":"consideracoes-sobre-a-economia-da-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/consideracoes-sobre-a-economia-da-atencao\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre a economia da aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"832\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-10-at-19-27-05-gpt-psychosis-isnt-what-you-think-it-is-v0-91wtxd8bz7rf1webp-imagem-WEBP-2917-2084-pixels-Redimensionada-28.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-10-at-19-27-05-gpt-psychosis-isnt-what-you-think-it-is-v0-91wtxd8bz7rf1webp-imagem-WEBP-2917-2084-pixels-Redimensionada-28.png 832w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-10-at-19-27-05-gpt-psychosis-isnt-what-you-think-it-is-v0-91wtxd8bz7rf1.webp-imagem-WEBP-2917-\u00d7-2084-pixels-Redimensionada-28-300x215.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-10-at-19-27-05-gpt-psychosis-isnt-what-you-think-it-is-v0-91wtxd8bz7rf1.webp-imagem-WEBP-2917-\u00d7-2084-pixels-Redimensionada-28-768x549.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 832px) 100vw, 832px\"><figcaption>Imagem publicada no Reddit<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Resposta a \u201cCr\u00edtica da teoria do valor-aten\u00e7\u00e3o\u201d de Jorge N\u00f3voa &amp; Eleut\u00e9rio Prado (<em>A Terra \u00e9 Redonda<\/em>, 4\/9) e \u201cUma mercadoria \u201csui generis parte 1\u201d e Uma mercadoria \u201csui generis parte 2\u201d, de Marcos Dantas (<em>A Terra \u00e9 Redonda<\/em>, 11\/9 e 18\/9).<\/p>\n<p>Para evitar mal-entendidos, achei de bom alvitre \u2013 usando o termo hoje em dia t\u00e3o na moda \u2013 caracterizar meu <em>lugar de fala<\/em>, dizendo, para come\u00e7ar, que n\u00e3o tenho simpatia pela Teoria marxista do Valor-Trabalho (TVT). E, se subscrever a TVT \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que uma pessoa seja marxista, ent\u00e3o n\u00e3o sou marxista. Em conversas com amigos\/as adeptos\/as do marxismo, costuma ocorrer que eles\/as assumem a premissa segundo a qual se algu\u00e9m n\u00e3o aceita a TVT, ent\u00e3o deve necessariamente aceitar a teoria neocl\u00e1ssica do valor, conhecida como subjetiva, e alicer\u00e7ada no valor de uso. Minha posi\u00e7\u00e3o, entretanto (adotando neste ponto ideias de Marx e Arist\u00f3teles), \u00e9 a de que, sendo o valor um substrato do pre\u00e7o \u2212 ou, em outras palavras, atribuindo a uma teoria do valor a fun\u00e7\u00e3o de explicar os pre\u00e7os \u2212, o valor de uso n\u00e3o funciona como alicerce, uma vez que n\u00e3o \u00e9 mensur\u00e1vel. Por outro lado, sustento a tese de que o estudo dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos prescinde de uma teoria do valor como fundamento.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p><strong>1. Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-5.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/2.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Qualquer pessoa que entenda o imperativo \u201cpreste aten\u00e7\u00e3o\u201d sabe o que \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o. Mas para algu\u00e9m que considere necess\u00e1ria uma defini\u00e7\u00e3o, pode-se dizer: a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o estado mental em que os sentidos e capacidades de processar informa\u00e7\u00f5es de uma pessoa s\u00e3o focalizados num dom\u00ednio limitado.<sup>2<\/sup> O outro da aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a distra\u00e7\u00e3o. A aten\u00e7\u00e3o \u00e9 tema de estudo principalmente da Psicologia, mas tamb\u00e9m da Filosofia, Educa\u00e7\u00e3o, Neuroci\u00eancia e suas subdisciplinas: a Neuroci\u00eancia Cognitiva e a Neuropsicologia.<\/p>\n<p>S\u00e3o incont\u00e1veis as situa\u00e7\u00f5es em que a mente fica em estado de aten\u00e7\u00e3o. Numa conversa, um interlocutor presta aten\u00e7\u00e3o no outro. Resolver um problema, ou realizar uma tarefa, requer aten\u00e7\u00e3o, etc., etc. Crian\u00e7as pequenas s\u00e3o \u00e1vidas pela aten\u00e7\u00e3o dos pais. Entre as mais crescidas, assiste-se atualmente a uma prolifera\u00e7\u00e3o das diagnoses de TDAH (Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade).<\/p>\n<p>Esse proleg\u00f4meno \u00e9 necess\u00e1rio para esclarecer que a aten\u00e7\u00e3o no campo da Economia das redes sociais n\u00e3o \u00e9 qualquer aten\u00e7\u00e3o, mas sim um tipo bem espec\u00edfico, a saber, a aten\u00e7\u00e3o a pe\u00e7as publicit\u00e1rias a que os internautas s\u00e3o for\u00e7ados a dedicar. H\u00e1 trechos no artigo de N\u00f3voa e Eleut\u00e9rio em que tal especificidade n\u00e3o \u00e9 levada na devida conta, gerando confus\u00e3o. Para n\u00e3o me alongar demais sobre o tema, vou me limitar a um exemplo:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Veja-se: a captura da aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo novo, j\u00e1 que toda mercadoria ontem, hoje e amanh\u00e3 \u201cdeseja\u201d intensamente a aten\u00e7\u00e3o. Pois, a aten\u00e7\u00e3o vem a ser, simplesmente, a contrapartida do valor de uso. Logo, a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vendida ou comprada. Ela se dirige para os valores de uso das mercadorias, os quais podem vir a satisfazer necessidades que v\u00eam do \u201cest\u00f4mago ou da fantasia\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>2. Mercadorias e direitos de propriedade<\/strong><\/p>\n<p>Em sua teoria do capitalismo, Marx parte da an\u00e1lise da mercadoria. Proponho aqui um esbo\u00e7o, muito sum\u00e1rio, de uma alternativa, que consiste em adotar como ponto de partida o <em>direito de propriedade<\/em>. Obviamente, na ordem l\u00f3gica, a propriedade vem antes da mercadoria. Sem o de propriedade, o conceito de mercadoria n\u00e3o faz sentido. Como todos os outros, o direito de propriedade pressup\u00f5e uma forma de organiza\u00e7\u00e3o social dotada de uma inst\u00e2ncia \u00e0 qual o cidad\u00e3o pode recorrer para fazer com que seus direitos sejam respeitados. Em geral, e tipicamente nas sociedades modernas, tal papel cabe ao Estado <sup><\/sup> Como diz Macpherson:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Que a propriedade \u00e9 pol\u00edtica \u00e9 evidente. A ideia de uma reivindica\u00e7\u00e3o que pode ser imposta implica a exist\u00eancia de algum \u00f3rg\u00e3o que a imponha. O \u00fanico \u00f3rg\u00e3o amplo o suficiente para isso \u00e9 toda a sociedade organizada, ela pr\u00f3pria, ou sua organiza\u00e7\u00e3o especializada, o Estado; e nas sociedades modernas (isto \u00e9, p\u00f3s-feudais) o \u00f3rg\u00e3o de imposi\u00e7\u00e3o sempre foi o Estado, a institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da idade moderna. Portanto, a propriedade \u00e9 um fen\u00f4meno pol\u00edtico.<sup>3<\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>A propriedade n\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre uma pessoa e um bem: \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre pessoas, que diz respeito aos bens<\/em>. A propriedade de uma bicicleta de que sou dono n\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre mim e a bicicleta, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre mim e a sociedade, referente \u00e0 bicicleta. Quando se compra um bem, o que se adquire \u00e9 o direito de usar, consumir, vender ou alugar o bem. Alugar, vale dizer, \u00e9 transferir para outra pessoa o direito de propriedade de um bem, durante um determinado per\u00edodo de tempo. O bem pode ser o pr\u00f3prio dinheiro, e neste caso trata-se do empr\u00e9stimo a juros.<\/p>\n<p>Esta abordagem que parte da propriedade tem pelo menos uma vantagem em compara\u00e7\u00e3o com a de Marx, que se inicia com uma an\u00e1lise abstrata da mercadoria. O direito de propriedade \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que emerge de um contexto cultural-social, de tal modo que fica rejeitada de sa\u00edda a concep\u00e7\u00e3o de Adam Smith, que funda o capitalismo numa suposta natureza humana, mais precisamente, na propens\u00e3o inata a negociar, permutar e trocar (<em>truck, barter and exchange<\/em>). Em contraste, na abordagem marxista, a integra\u00e7\u00e3o da economia no todo social s\u00f3 aparece mais tarde, ao longo do desenvolvimento da teoria.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/banner-Outras-palavras-_-setembro.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/banner-Outras-palavras-_-setembro.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/banner-Outras-palavras-_-setembro-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Na falta de uma alternativa melhor, vou chamar de Troca (com T mai\u00fasculo) uma opera\u00e7\u00e3o em que dois bens trocam de propriet\u00e1rios: o que era meu agora \u00e9 seu, o que era seu agora \u00e9 meu. H\u00e1 tr\u00eas tipos de Troca. O primeiro \u00e9 o escambo, ou permuta \u2013 em que nenhum dos bens Trocados \u00e9 o dinheiro. O segundo, \u2212 denominado aqui \u2018troca\u2019 com t min\u00fasculo \u2212 \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o de compra-e-venda, nos moldes da <em>forma mercadoria<\/em>. E o terceiro \u00e9 o da Troca de presentes, correspondente \u00e0 <em>forma d\u00e1diva<\/em>.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Ambas as formas envolvem obriga\u00e7\u00f5es e direitos \u2013 o que \u00e9 direito para um \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o para o outro e vice-versa. A troca de mercadorias \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o contratual, entendendo o contrato no sentido can\u00f4nico, de um acordo formal entre indiv\u00edduos, que estabelece direitos e obriga\u00e7\u00f5es m\u00fatuos. A troca de presentes tamb\u00e9m envolve obriga\u00e7\u00f5es \u2013 como indica a forma de agradecimento da l\u00edngua portuguesa, o \u201cobrigado\u201d \u2013 por\u00e9m tais obriga\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas de ordem moral: pode-se processar o comerciante que n\u00e3o entregou a mercadoria pela qual pagamos; pode-se censurar, mas n\u00e3o levar \u00e0 Justi\u00e7a o amigo que n\u00e3o retribuiu o presente de anivers\u00e1rio que lhe demos.<\/p>\n<p>A ideia da d\u00e1diva como princ\u00edpio organizador da sociedade deve-se a Mauss, fruto de suas investiga\u00e7\u00f5es a respeito de sociedades por ele denominadas \u201cprimitivas\u201d. Apesar da hegemonia do sistema capitalista, subsistem nos dias de hoje in\u00fameras modalidades de d\u00e1diva, incluindo, al\u00e9m da mais evidente, isto \u00e9, as trocas de presente propriamente ditas: o trabalho volunt\u00e1rio; as pr\u00e1ticas de caridade e filantropia; a d\u00e1diva nas rela\u00e7\u00f5es familiares, amorosas, de amizade e de companheirismo; a doa\u00e7\u00e3o de sangue e de \u00f3rg\u00e3os humanos para o transplante; os servi\u00e7os prestados na forma de favores no dia a dia, etc. Em seu conjunto, essas pr\u00e1ticas constituem uma esfera de intera\u00e7\u00f5es humanas de enorme import\u00e2ncia, por\u00e9m ignorados pela linhagem dominante na Economia de hoje.<\/p>\n<p>Na teoria de Marx, uma mercadoria \u00e9 um bem, produzido pelo trabalho humano, para ser trocado. O fato de ser produzido pelo trabalho humano para ser trocado \u00e9 concebido como um pecado original, do qual o bem s\u00f3 se livra quando deixa de existir. A refer\u00eancia \u00e0 origem \u00e9 um aspecto do car\u00e1ter essencialista da teoria marxiana, em que um bem <em>\u00e9<\/em> ou <em>n\u00e3o \u00e9<\/em> mercadoria. Na vis\u00e3o aqui proposta \u2212 mais dial\u00e9tica, a meu ver \u2212, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ser ou n\u00e3o ser mercadoria, mas <em>funcionar<\/em> ou <em>n\u00e3o funcionar<\/em> como mercadoria, em cada Troca de que o bem participa. Considere-se um pai que compra um computador para presentear o filho. No momento da compra, o computador funciona como mercadoria; quando \u00e9 dado de presente, funciona como d\u00e1diva. Se o filho n\u00e3o gosta do presente, e resolve vend\u00ea-lo, o computador volta a funcionar como mercadoria. Essa concep\u00e7\u00e3o se adapta melhor \u00e0 multiplicidade de Trocas pelas quais um bem pode passar entre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>H\u00e1 uma categoria de bens que difere das demais em v\u00e1rios aspectos \u2212 os <em>bens intelectuais<\/em>. Sendo bens abstratos, eles t\u00eam certas peculiaridades, em contraste com os bens materiais, as quais s\u00e3o respons\u00e1veis pelo fato de que a instaura\u00e7\u00e3o da propriedade em rela\u00e7\u00e3o a eles requer um dispositivo jur\u00eddico espec\u00edfico \u2013 a saber, os <em>Direitos de Propriedade Intelectual<\/em> (DPI). Note-se que o pr\u00f3prio nome, por incluir o termo \u2018direitos\u2019, \u00e9 evid\u00eancia da superioridade da abordagem aqui proposta, em que o ponto de partida n\u00e3o \u00e9 a mercadoria, mas o direito de propriedade. No que se refere aos bens em geral, excluindo, os intelectuais, pode-se dizer que constituem os Direitos de Propriedade Material.<\/p>\n<p>Os DPI dividem-se em dois grandes ramos: o da <em>propriedade industrial<\/em> \u2013 que inclui v\u00e1rios tipos de patente, marcas, desenhos (<em>designs<\/em>) industriais, softwares, etc. \u2013 e o dos \u2018direitos autorais e direitos conexos\u2019.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a mais importante entre os bens intelectuais e os materiais diz respeito \u00e0 distin\u00e7\u00e3o feita pelos economistas entre bens <em>rivais<\/em> e <em>n\u00e3o-rivais<\/em>. Por defini\u00e7\u00e3o, a posse, consumo, ou usufruto de um bem rival por algu\u00e9m elimina, ou no m\u00ednimo reduz, a possibilidade de que ele seja tamb\u00e9m possu\u00eddo, consumido ou usufru\u00eddo por outras pessoas. Por exemplo, se sou dono de um p\u00e3o, posso com\u00ea-lo todo, e posso tamb\u00e9m reparti-lo, por\u00e9m quanto maior o peda\u00e7o de cada um dos comensais, menor o dos outros. Dado seu car\u00e1ter abstrato, os bens intelectuais s\u00e3o bens n\u00e3o-rivais por excel\u00eancia, j\u00e1 que quem d\u00e1 uma ideia a algu\u00e9m continua num certo sentido a possu\u00ed-la. O fato de algu\u00e9m ler um livro n\u00e3o impede que outras pessoas fa\u00e7am o mesmo. Quem compra um livro compra na verdade o direito de acess\u00e1-lo, e respeitados certos limites, de fazer com ele o que bem quiser. Os DPI desempenham pap\u00e9is importantes na inform\u00e1tica, incluindo os direitos autorais referentes ao <em>software<\/em>, a conte\u00fados divulgados em redes sociais, a patentes relacionadas ao <em>hardware<\/em>, etc. Os recentes avan\u00e7os da IA deram origem a novas disputas, no caso, entre jornais tradicionais e as plataformas conhecidas como <em>chatbots<\/em>, pelo uso que fazem de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas no treinamento na modalidade <em>large language models<\/em>.<\/p>\n<p>Aproveito esta oportunidade para complementar a descri\u00e7\u00e3o do modelo de neg\u00f3cios das <em>big techs<\/em> exposta em meu artigo sobre a aten\u00e7\u00e3o, com duas observa\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 a de que o uso da publicidade como fonte de renda \u00e9 tamb\u00e9m aspecto do modelo de neg\u00f3cios dos <em>influenciadores<\/em>. A segunda, muito mais importante, \u00e9 a de que o faturamento das <em>big techs<\/em> compreende, al\u00e9m dos ganhos com publicidade, os ganhos com a venda do acesso, a<em> bancos de dados<\/em>, extra\u00eddos das intera\u00e7\u00f5es com os internautas.<\/p>\n<p>Na segunda parte de seu artigo Dantas trata desse tema, mas sem levar em conta os DPI, o que me parece uma falha, que prejudica o entendimento de suas ideias. Ao abordar a venda do acesso a bancos de dados, p. ex., Dantas afirma que ela se d\u00e1 por meio de leil\u00f5es. Como n\u00e3o sou especialista na mat\u00e9ria, posso estar enganado, mas me parece que, sendo bens intelectuais, os bancos de dados s\u00e3o n\u00e3o-rivais: A venda do acesso a um comprador n\u00e3o impede a venda a outros, e assim, a ideia de um leil\u00e3o perde o sentido.<\/p>\n<p><strong>3. Servi\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro aspecto dos textos em pauta que me interessou foi a aus\u00eancia de men\u00e7\u00e3o ao conceito de <em>servi\u00e7o<\/em>. Sendo o tema de grande import\u00e2ncia, conv\u00e9m lembrar que, como se sabe, h\u00e1 duas maneiras de integrar os servi\u00e7os no todo social. Numa delas, os servi\u00e7os constituem uma esfera ao lado das mercadorias (como no ICMS, Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os<sup>6<\/sup>). Na outra maneira, os servi\u00e7os pertencem \u00e0 esfera das mercadorias (e assim s\u00e3o tratados na mensura\u00e7\u00e3o do PIB). Cortes de cabelo e consultas m\u00e9dicas s\u00e3o exemplos de servi\u00e7o bons para ilustrar uma diferen\u00e7a entre as duas categorias: num servi\u00e7o, a produ\u00e7\u00e3o e o consumo s\u00e3o simult\u00e2neos, numa mercadoria (no sentido estrito), a produ\u00e7\u00e3o d\u00e1 origem a uma coisa, um<em> objeto externo<\/em>, que s\u00f3 posteriormente \u00e9 consumido, ou usado como meio de produ\u00e7\u00e3o. Um tipo muito importante de servi\u00e7o \u00e9 o correspondente \u00e0s atividades comerciais; na terminologia marxista, \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias. <sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Independentemente de teorias, o que as <em>big techs<\/em> vendem s\u00e3o principalmente servi\u00e7os de divulga\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as publicit\u00e1rias, respons\u00e1veis pela maior parte de seu faturamento, e pela enorme dimens\u00e3o dos capitais envolvidos, que d\u00e3o uma medida de sua import\u00e2ncia no panorama econ\u00f4mico atual. Como menciono em meu artigo, na lista da Forbes das dez maiores fortunas do mundo, sete s\u00e3o de donos de <em>big techs<\/em>.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as raz\u00f5es que me levaram a estranhar a aus\u00eancia do conceito de servi\u00e7o nos textos em pauta. No de N\u00f3voa e Eleut\u00e9rio, o termo \u2018servi\u00e7o\u2019 s\u00f3 ocorre uma vez, num papel secund\u00e1rio; no de Dantas, nenhuma vez. Confesso n\u00e3o ter achado uma explica\u00e7\u00e3o para o que me parece uma falha.<\/p>\n<p><strong>4. Escassez<\/strong><\/p>\n<p>O tema da escassez \u00e9 abordado na quarta se\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica de N\u00f3voa e Eleut\u00e9rio. Eles citam a seguinte frase de meu artigo: \u201ca escassez \u00e9 um atributo que, na Economia ortodoxa, \u00e9 considerado essencial para que um bem possa funcionar como mercadoria\u201d, alegando a seguir que \u201cA ideia da escassez da aten\u00e7\u00e3o \u00e9 enigm\u00e1tica\u201d. A dificuldade deve-se, creio a uma quest\u00e3o terminol\u00f3gica. No sentido usual, o termo escassez aplica-se a faltas ocasionais, provocadas por circunst\u00e2ncias como, p.ex., em rela\u00e7\u00e3o a um alimento de origem vegetal, a falta ou excesso de chuva, no caso de medicamentos, um excesso de procura, resultante de uma epidemia, no caso de m\u00e3o de obra, o superaquecimento da economia, e assim por diante.<\/p>\n<p>Na Economia, por outro lado, o significado do termo \u00e9 muito mais abstrato, e muito mais importante, a ponto de constituir uma lei, a <em>lei da escassez<\/em>. Como diz Samuelson,<\/p>\n<p>No pr\u00f3prio cerne da Economia encontra-se a indubit\u00e1vel verdade que denominamos a <strong>lei da escassez<\/strong>. Ela afirma serem os bens escassos porque n\u00e3o existem recursos suficientes para produzir todos os bens que as pessoas querem consumir. Toda a Economia decorre deste fato central. Sendo os recursos escassos, precisamos estudar como a sociedade escolhe de um card\u00e1pio de poss\u00edveis bens e servi\u00e7os, como as diferentes mercadorias s\u00e3o produzidas e precificadas, e quem vem a consumir os bens que a sociedade produz.<sup>8<\/sup><\/p>\n<p>Em outras defini\u00e7\u00f5es da lei, afirma-se explicitamente a premissa segundo a qual os desejos e necessidades humanos s\u00e3o ilimitados.<sup>9<\/sup> Vale a pena observar que a premissa \u00e9 firmemente negada por Arist\u00f3teles. Como diz Meikle, a no\u00e7\u00e3o de limite (<em>peras<\/em>) desempenha um papel essencial no pensamento de Arist\u00f3teles, n\u00e3o s\u00f3 na Economia, mas tamb\u00e9m na Metaf\u00edsica.<sup>10<\/sup> Discordando de Solon, quando este afirma \u201cN\u00e3o foi fixado para o homem um limite de riquezas\u201d, diz Arist\u00f3teles: \u201cAs coisas pass\u00edveis de acumula\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias e \u00fateis \u00e0 comunidade composta pela fam\u00edlia ou pela cidade [\u2026] parecem constituir a verdadeira riqueza, pois a necessidade desses bens necess\u00e1rios por si mesmos a uma vida agrad\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 infinita.\u201d (<em>Politica,<\/em> 1256a14) Um aspecto em que adeptos e cr\u00edticos do capitalismo concordam, \u00e9 o de que o sistema valoriza essencialmente o crescimento <em>ilimitado<\/em> dos lucros, das riquezas, e da acumula\u00e7\u00e3o do capital. Sem a premissa em pauta, a Lei da Escassez n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n<p>Por outro lado, no caso da aten\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio das redes sociais, a escassez refere-se simplesmente ao fato de que \u00e9 limitado o tempo que uma pessoa tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para se dedicar \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com as redes (em cada dia, 24 horas menos o tempo de sono, de alimenta\u00e7\u00e3o, etc.). Essa escassez salta aos olhos pelo acirramento da competi\u00e7\u00e3o. Praticamente, \u00e9 imposs\u00edvel acessar um blog ou canal no YouTube ou em outras plataformas sem ser obrigado a assistir a pedidos, \u00e0s vezes s\u00faplicas, dos\/as influenciadores\/as, para que os internautas se filiem aos respectivos <em>sites<\/em>, ou contribuam para o aumento dos <em>likes.<\/em><\/p>\n<p>Concluo com a seguinte observa\u00e7\u00e3o. Como explico no par\u00e1grafo introdut\u00f3rio, minha convic\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que no estudo da Economia \u00e9 dispens\u00e1vel o conceito de valor, enquanto substrato dos pre\u00e7os. Isso vale tamb\u00e9m para o estudo econ\u00f4mico das redes sociais. A busca de uma teoria marxista do valor-aten\u00e7\u00e3o, que constitui o t\u00edtulo de meu artigo, n\u00e3o \u00e9 algo que eu tenha raz\u00f5es para empreender. Tal busca cabe, naturalmente aos marxistas. Havendo discord\u00e2ncia quanto ao pr\u00f3prio conceito de valor-aten\u00e7\u00e3o, a busca pode ter por meta uma <em>teoria marxista das redes sociais<\/em>.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1 Em Karl Marx disc\u00edpulo de Arist\u00f3teles tratei da quest\u00e3o do valor no contexto da oposi\u00e7\u00e3o qualitativo\/quantitativo, desenvolvendo a seguinte linha de racioc\u00ednio. Conceber o valor como substrato dos pre\u00e7os equivale a atribuir a uma teoria do valor o objetivo de explicar os pre\u00e7os. O conceito de pre\u00e7o pressup\u00f5e o de dinheiro, e o dinheiro \u00e9 uma entidade essencialmente quantitativa. Sendo assim, o valor tamb\u00e9m precisa ter natureza quantitativa. Esse requisito figura claramente nas concep\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, tanto as de Marx quanto as de Arist\u00f3teles. Ambos consideram, mas rejeitam, a possibilidade de uma teoria do valor baseada no valor de uso, levando em conta que os valores de uso s\u00e3o qualitativos, e incomensur\u00e1veis.<\/p>\n<p>2 A defini\u00e7\u00e3o de William James \u00e9 mais complicada: \u201cA aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a tomada de posse pela mente, em forma clara e v\u00edvida, de um entre os que parecem v\u00e1rios objetos ou linhas de pensamento simultaneamente poss\u00edveis. A focaliza\u00e7\u00e3o e a concentra\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia fazem parte de sua ess\u00eancia\u201d. No original, <em>\u201cAttention is the taking possession by the mind, in clear and vivid form, of one out of what seem several simultaneously possible objects or trains of thought. Focalization, concentration, of <\/em><em>consciousness<\/em><em> are of its essence<\/em>.\u201d William James, <em>The Principles of Psychology<\/em>, vol. 1. Nova York: Henry Holt, 1890, p. 403\u2013404.<\/p>\n<p>3 C. B. Macpherson, \u201cThe meaning of property\u201d, em C. B. Macpherson (org.), <em>Property: mainstream and critical positions<\/em>. Toronto: University of Toronto Press, 1978, p. 4.<\/p>\n<p>4 Tratei dessa tem\u00e1tica em A d\u00e1diva como princ\u00edpio organizador da ci\u00eancia. <em>Estudos Avan\u00e7ados<\/em>, <strong>28<\/strong>(82) p. 201-223, 2014.<\/p>\n<p>5 Polanyi compartilha com Marx a concep\u00e7\u00e3o essencialista da mercadoria. Ele trata da mercantiliza\u00e7\u00e3o da terra, do trabalho e do dinheiro, mas os caracteriza como <em>mercadorias fict\u00edcias<\/em>, por n\u00e3o terem sido produzidos para serem trocados. Em suas palavras: \u201cO ponto crucial \u00e9 o seguinte: trabalho, terra e dinheiro s\u00e3o elementos essenciais da ind\u00fastria. Eles tamb\u00e9m t\u00eam de ser organizados em mercados e, de fato esses mercados formam uma parte absolutamente vital do sistema econ\u00f4mico. Todavia, o trabalho a terra e o dinheiro obviamente <em>n\u00e3o <\/em>s\u00e3o mercadorias. O postulado de que tudo o que \u00e9 comprado e vendido tem de ser produzido para venda \u00e9 enfaticamente irreal no que diz respeito a eles. Em outras palavras, de acordo com a defini\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de uma mercadoria, eles n\u00e3o s\u00e3o mercadorias. [\u2026] A descri\u00e7\u00e3o do trabalho, da terra e do dinheiro como mercadorias \u00e9 inteiramente fict\u00edcia.\u201d (K. Polanyi, <em>A grande transforma\u00e7\u00e3o: as origens de nossa \u00e9poca<\/em>. 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeira: Campus, 2000, p. 94). Numa vis\u00e3o n\u00e3o-essencialista, uma mercadoria pode ser definida como um bem (algo dotado de valor de uso) que pode ser comprado-e-vendido, n\u00e3o importando como foi produzido ou, no caso da terra, se \u00e9 pr\u00e9-existente.<\/p>\n<p>6 O nome oficial do ICMS \u00e9 \u2018Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e sobre Presta\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7os de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunica\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>7 Desde Arist\u00f3teles , e passando pelos escol\u00e1sticos, discute-se a quest\u00e3o: \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9tico, da parte dos comerciantes, o procedimento de comprar por um pre\u00e7o e vender por um pre\u00e7o maior? Ou, na simbologia criada por Arist\u00f3teles e adotada por Marx, \u00e9 justo o procedimento D-M-D\u2019?<\/p>\n<p>8 Samuelson &amp; Nordhaus, <em>Economics<\/em>, 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Nova York, McGraw,1921, p. 8.<\/p>\n<p>9 A \u201cvis\u00e3o geral criada por Intelig\u00eancia Artificial\u201d fornecida pelo Google, na vers\u00e3o em ingl\u00eas, inclui a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201cos desejos humanos s\u00e3o ilimitados.\u201d<\/p>\n<p>10 Scott Meikle, Quality and quantity in economics: the metaphysical construction of the economic realm. <em>New Literar History<\/em> <strong>31<\/strong>(2), p. 247-268, 2000.)<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Penso ser necess\u00e1rio examinar com mais aten\u00e7\u00e3o a natureza dos bens intelectuais \u2013 e indispens\u00e1vel uma Teoria Marxista das Redes Sociais.<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/eurocentrismoemxeque\/consideracoes-sobre-a-economia-da-atencao\/\">Considera\u00e7\u00f5es sobre a economia da aten\u00e7\u00e3o<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57804,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[24460,24461,5918,24462,11,24463],"tags":[],"class_list":["post-57803","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-big-techs-e-marxismo","category-direito-a-propriedade-intelectual","category-eurocentrismo-em-xeque","category-marxismo-e-internet","category-redes-sociais","category-teoria-do-valor-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57803\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}