{"id":58203,"date":"2025-10-13T19:47:39","date_gmt":"2025-10-13T22:47:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escala-6x1-e-o-ciclo-interminavel-da-exaustao\/"},"modified":"2025-10-13T19:47:39","modified_gmt":"2025-10-13T22:47:39","slug":"escala-6x1-e-o-ciclo-interminavel-da-exaustao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escala-6x1-e-o-ciclo-interminavel-da-exaustao\/","title":{"rendered":"Escala 6\u00d71 e o ciclo intermin\u00e1vel da exaust\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1192\" height=\"796\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5145732989890267951.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5145732989890267951.jpg 1192w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5145732989890267951-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5145732989890267951-768x513.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5145732989890267951-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1192px) 100vw, 1192px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo texto da s\u00e9rie <em>Escala 6\u00d71 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/em> <em>de trabalho<\/em>, publicado pelo <em>Outras Palavras<\/em> em parceria com o Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp. Leia tamb\u00e9m <em>As corpora\u00e7\u00f5es querem professores-rob\u00f4s<\/em>, primeiro artigo da s\u00e9rie.<\/p>\n<p>T\u00edtulo original:<strong><br \/>Vivo apenas para trabalhar: os impactos da escala 6\u00d71 na sa\u00fade e na vida social de trabalhadoras e trabalhadores<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O controle do tempo \u00e9 elemento fundamental na contradi\u00e7\u00e3o capital-trabalho. Na disputa pol\u00edtica pelo tempo, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho tornou-se uma pauta hist\u00f3rica dos movimentos de trabalhadoras e trabalhadores (Dal Rosso, 2021). No Brasil, um fen\u00f4meno recente surge como imprescind\u00edvel para a discuss\u00e3o dessa pauta. Em setembro de 2023, o movimento \u201cVida Al\u00e9m do Trabalho \u2013 Pelo fim da escala 6\u00d71\u201d (VAT) trouxe ao debate p\u00fablico a reivindica\u00e7\u00e3o pelo fim da escala 6\u00d71, na qual trabalha-se seis dias e tem-se somente um dia de folga.<\/p>\n<p>Ao longo de 2024, esse movimento tomou forma atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es semanais de panfletagem; passeatas e do abaixo-assinado para o fim da escala, que contava com quase tr\u00eas milh\u00f5es de assinaturas em maio de 2025. A pauta do movimento tornou-se tamb\u00e9m a espinha dorsal do texto de uma proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC)<sup>i<\/sup> \u2013 ainda em debate \u2013 que estabelece a dura\u00e7\u00e3o do trabalho em at\u00e9 oito horas di\u00e1rias e 36 horas semanais, com jornada de quatro dias por semana e tr\u00eas de descanso, sem redu\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-1.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/5.Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em 2024, a Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do estado de S\u00e3o Paulo afirmou n\u00e3o poder comentar sobre o movimento e sua pauta \u201cpor falta de estudos sobre o tema\u201d (Declercq, 2024). No \u00faltimo 1\u00ba de Maio, o pronunciamento do atual Presidente da Rep\u00fablica indicou a necessidade de aprofundar o debate sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, com a men\u00e7\u00e3o de Lula diretamente \u00e0 escala 6\u00d71. Nota-se nesses pronunciamentos o argumento de que existem poucos estudos sobre essa jornada e seus impactos para a vida das trabalhadoras e trabalhadores, bem como para a economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Diante disso, a motiva\u00e7\u00e3o deste artigo \u00e9 fornecer dados, argumentos e refer\u00eancias que auxiliem e fortale\u00e7am as mobiliza\u00e7\u00f5es para a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e para o fim da escala 6\u00d71. Para tanto, as seguintes perguntas foram formuladas: <em>quem est\u00e1 submetida(o) \u00e0 escala 6\u00d71 no mercado de trabalho brasileiro? Que lugares essas pessoas ocupam nesse mercado? Em quais setores econ\u00f4micos elas est\u00e3o? Qual a realidade do trabalho nessa escala? Quais s\u00e3o os seus impactos na sa\u00fade e na vida de trabalhadoras e trabalhadores?<\/em><\/p>\n<p>O texto est\u00e1 estruturado em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es, al\u00e9m dessa introdu\u00e7\u00e3o e das considera\u00e7\u00f5es finais. A primeira se\u00e7\u00e3o apresenta a metodologia, detalhando a elabora\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio, sua aplica\u00e7\u00e3o e formas de an\u00e1lise, bem como os cuidados \u00e9ticos tomados nesse percurso. Em seguida, s\u00e3o apresentados e discutidos os resultados encontrados, pontuando os impactos da escala 6\u00d71 na sa\u00fade e na vida pessoal, familiar e social do trabalhador.<\/p>\n<h3><strong>Metodologia<\/strong><\/h3>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o aqui desenvolvida \u00e9 fruto de um esfor\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o junto ao \u201cMovimento Vida Al\u00e9m do Trabalho \u2013 Pelo fim da escala 6\u00d71\u201d (VAT), inspirado no que Lacaz (1994), ao citar Chaia, nomeia como um processo de articula\u00e7\u00e3o e intermedia\u00e7\u00e3o que produz junto e com as(os) trabalhadoras(es) o conhecimento para orientar as mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Surgido na cidade do Rio de Janeiro, o VAT tem conseguido mobilizar e estabelecer uma determinada compreens\u00e3o sobre o trabalho na escala 6\u00d71 entre as(os) trabalhadoras(es). A for\u00e7a de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento torna palp\u00e1vel \u201ca totalidade contradit\u00f3ria\u201d do capitalismo (Bhattacharya, 2022). Isto \u00e9, a partir da escala 6\u00d71 \u2013 tem\u00e1tica que envolve concretamente multid\u00f5es de trabalhadoras(es), diversas(os) entre si e colocadas(os) em distintas atividades, com acessos desiguais \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 seguridade social \u2013, foi poss\u00edvel unir experi\u00eancias diferentes sem homogeneiz\u00e1-las para pensar a produ\u00e7\u00e3o de mais-valor pela espolia\u00e7\u00e3o do tempo de vida.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2024 \u2013 a partir de uma a\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o na Universidade Federal Fluminense, em coopera\u00e7\u00e3o com a Universidade de Pernambuco \u2013, foi realizada uma roda de conversa aberta \u00e0 comunidade acad\u00eamica, com Ricardo Azevedo, l\u00edder do VAT. Essa a\u00e7\u00e3o deu in\u00edcio ao processo de escrita de projetos de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (IC) e de Mestrado com o objetivo de compreender quem s\u00e3o as(os) trabalhadoras(es) submetidas(os) \u00e0 escala 6\u00d71 e quais os impactos sentidos por elas(es), em decorr\u00eancia dessa pr\u00e1tica, na sua sa\u00fade f\u00edsica e mental, e na sua vida familiar. Essas primeiras atividades de extens\u00e3o e pesquisa foram as bases do atual projeto \u201cImpactos da escala 6\u00d71 na vida das(os) trabalhadoras(es)\u201d.<\/p>\n<p>Em 19 de maio de 2025, a equipe de pesquisa esteve na C\u00e2mara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro \u2013 a convite do VAT e do agora vereador eleito Ricardo Azevedo \u2013 junto a outras(os) trabalhadoras(es) para apresenta\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o dos resultados alcan\u00e7ados pelo projeto. Esse encontro teve como objetivo o fortalecimento da Frente Parlamentar de Sa\u00fade Mental do Trabalhador Carioca (Resolu\u00e7\u00e3o Mesa Diretora n\u00ba 12903 de 2025), aberta pelo mandato de Azevedo. Este artigo apresenta parte das discuss\u00f5es realizadas nessa oportunidade junto ao movimento e \u00e0s(aos) trabalhadoras(es).<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>No projeto \u201cImpactos da escala 6\u00d71 na vida das(os) trabalhadoras(es)\u201d, a estrat\u00e9gia metodol\u00f3gica \u00e9 de natureza explorat\u00f3ria, com abordagem mista, combinando m\u00e9todos quantitativos e qualitativos. A aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio<sup>ii<\/sup> no formato virtual foi o instrumento escolhido. O question\u00e1rio possui tr\u00eas blocos de perguntas: o primeiro voltado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de trabalho, com o levantamento de informa\u00e7\u00f5es como o tempo de trabalho na escala 6\u00d71, tipo de contrato de trabalho, horas trabalhadas por dia, cargo (de acordo com a Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es \u2013 CBO) e setor econ\u00f4mico (de acordo com a Classifica\u00e7\u00e3o Nacional de Atividades Econ\u00f4micas \u2013 CNAE) em que as(os) trabalhadoras(es) atuam; o segundo bloco refere-se \u00e0s informa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas; e por fim, o terceiro bloco, composto por quatro quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Essas quatro quest\u00f5es utilizam o formato de resposta em escalas Likert<sup>iii<\/sup>. A primeira quest\u00e3o pede que a (o) participante indique de que forma a escala 6\u00d71 impacta negativamente sua vida pessoal e familiar como, por exemplo, se n\u00e3o impacta ou impacta extremamente. Duas outras quest\u00f5es pedem o n\u00edvel de concord\u00e2ncia do entrevistado com as seguintes afirma\u00e7\u00f5es: \u201ca escala 6\u00d71 afetou minha sa\u00fade f\u00edsica\u201d e \u201ca escala 6\u00d71 afetou a minha sa\u00fade mental\u201d. A quarta e \u00faltima quest\u00e3o \u00e9 aberta para que as(os) trabalhadoras(es) descrevam como a escala afeta suas vidas.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio teve a colabora\u00e7\u00e3o do VAT, por meio dos grupos de mensagem criados pelo movimento e que re\u00fanem trabalhadoras(es) de todo Brasil. O instrumento ainda est\u00e1 em circula\u00e7\u00e3o para que se componha um pequeno painel ilustrativo do fen\u00f4meno, com objetivo de explorar poss\u00edveis impactos da escala na sa\u00fade e na vida de trabalhadoras e trabalhadores, sem pretens\u00e3o de se fazer infer\u00eancias ou extrapolar padr\u00f5es observ\u00e1veis e conclus\u00f5es para toda a popula\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise. Esse painel conta com 496 respostas v\u00e1lidas, tendo como crit\u00e9rios de inclus\u00e3o a maioridade e a confirma\u00e7\u00e3o de que a(o) participante trabalha em escala 6\u00d71. Nesse sentido, as(os) participantes foram selecionadas(os) por conveni\u00eancia, pelo acesso que tivemos aos grupos de mensagem do VAT. Argumentamos que essa estrat\u00e9gia \u00e9 adequada como etapa inicial ou preliminar do estudo, todavia, introduz um vi\u00e9s significativo nas respostas, n\u00e3o sendo poss\u00edvel, a partir delas, derivar generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise dos dados, foram utilizadas estat\u00edsticas descritivas, consideradas suficientes para o objetivo de caracterizar as(os) trabalhadoras(es). Para a pergunta aberta, seguiu-se a an\u00e1lise tem\u00e1tica (Braun e Clarke, 2008), uma t\u00e9cnica para a identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es ou temas em dados qualitativos, pela qual determinamos categorias de an\u00e1lise \u00e0 luz dos referenciais te\u00f3ricos da Teoria do Desgaste e do Desgaste Mental relacionado ao Trabalho (Seligmann-Silva, 2011; Laurell e Noriega, 2021). Cabe indicar que o projeto foi aprovado em Comit\u00ea de \u00c9tica (n\u00ba CAAE: 84904324.2.0000.8160) e que segue a recomenda\u00e7\u00e3o do uso do Termo de Consentimento Livre e Esclare-cido (TCLE), nos quais est\u00e3o explicados os poss\u00edveis riscos e benef\u00edcios aos participantes da pesquisa.<\/p>\n<h3><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o e discuss\u00f5es dos resultados<\/strong><\/h3>\n<p>Os resultados deste projeto est\u00e3o dispon\u00edveis ao p\u00fablico em um painel virtual<sup>iv<\/sup>, pelo qual se pode acompanhar a atualiza\u00e7\u00e3o dos resultados. Nesta apresenta\u00e7\u00e3o, estruturada em duas subse\u00e7\u00f5es, s\u00e3o analisadas as caracter\u00edsticas demogr\u00e1ficas e socioecon\u00f4micas das(os) participantes e dos lugares que ocupam no mercado de trabalho; e, os impactos dessa escala percebidos na sa\u00fade e na vida pessoal, familiar e social das(os) mesmas(os).<\/p>\n<h3><strong>Quem s\u00e3o e onde est\u00e3o as(os) trabalhadoras(es) em escala 6\u00d71 nesta pesquisa?<\/strong><\/h3>\n<p>Os resultados parciais mostram uma maioria de respondentes do sexo feminino, pretas e pardas, jovens e adultas, sudestinas \u2013 moradoras dos estados do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo \u2013 solteiras e sem filhos. Esse perfil demogr\u00e1fico predominante surge como vi\u00e9s estat\u00edstico, resultante provavelmente da maior representatividade de mulheres e de moradores do RJ e de SP, vinculados ao VAT. Com n\u00edvel m\u00e9dio de escolaridade, elas possuem renda mensal de aproximadamente R$ 2.000,00 e est\u00e3o ocupadas, principalmente, em cargos de atendimento ao p\u00fablico nos setores do com\u00e9rcio e servi\u00e7os, h\u00e1 mais de cinco anos. Os contratos de trabalho a que est\u00e3o submetidas s\u00e3o por tempo indeterminado e a carga hor\u00e1ria \u00e9 de 8 horas ou mais.<\/p>\n<p>Descreve-se com mais detalhes, a seguir, a distribui\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas e socioecon\u00f4micas das(os) participantes, com destaque para sexo, ra\u00e7a, idade, escolaridade e renda.<\/p>\n<p>Dentre as 496 pessoas que responderam ao question\u00e1rio, 60% s\u00e3o do sexo feminino e 40% do sexo masculino. Na autodeclara\u00e7\u00e3o de cor ou ra\u00e7a, 47% s\u00e3o brancas, 34% s\u00e3o pardas, 16% s\u00e3o pretas, 1% amarelas e 1% ind\u00edgenas. A maioria tem entre 20 e 29 anos, 47% das participantes, 29% t\u00eam entre 30 e 39 anos, 17% t\u00eam mais de 40 anos e 3% t\u00eam at\u00e9 19 anos. O n\u00edvel de escolaridade das participantes mostra que 10% n\u00e3o chegaram a concluir o Ensino M\u00e9dio, enquanto 51% possuem Ensino M\u00e9dio Completo. Outros 33% est\u00e3o cursando o Ensino Superior ou j\u00e1 conclu\u00edram. Os que est\u00e3o cursando ou j\u00e1 conclu\u00edram cursos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o correspondem a 6%. O rendimento mensal para 7% das trabalhadoras \u00e9 de at\u00e9 R$ 1.000,00. Correspondem a 61% do total aquelas que possuem renda entre R$ 1.000,00 e 2.000,00, 29% ganham entre R$2.000,00 e 5.000,00 e 3% ganham acima de R$5.000,00.<\/p>\n<p>Para compreender a rela\u00e7\u00e3o de trabalho em que essas trabalhadoras est\u00e3o inseridas, s\u00e3o analisados tamb\u00e9m o tempo de trabalho nessa escala, o tipo de contrato, a quantidade de horas trabalhadas, a ocupa\u00e7\u00e3o que exercem e o setor em que est\u00e3o colocadas. Como mostram os resultados, a escala 6\u00d71 \u00e9 a realidade de trabalho h\u00e1 mais de tr\u00eas anos para 57% das trabalhadoras. Outras 43% delas est\u00e3o neste regime h\u00e1 menos de tr\u00eas anos. Aquelas que est\u00e3o em contrato de trabalho por tempo indeterminado correspondem a 82%, sendo que outras 8% est\u00e3o em contratos por tempo determinado, o que inclui aquelas em per\u00edodo de experi\u00eancia. Correspondem a 2% as que est\u00e3o colocadas em trabalho aut\u00f4nomo ou eventual, ao passo que, 5% declararam n\u00e3o possuir contrato de trabalho. A quantidade de horas de trabalho \u00e9 8 horas di\u00e1rias ou mais para 70% das trabalhadoras, sendo que outras 30% t\u00eam menos que 8 horas di\u00e1rias de trabalho.<\/p>\n<p>As ocupa\u00e7\u00f5es das participantes s\u00e3o diversas, com destaque para os cargos de operadora de caixa, vendedora de com\u00e9rcio varejista, atendente de lojas e mercados e atendente de lanchonete que correspondem a 30% das ocupa\u00e7\u00f5es que as trabalhadoras exercem. H\u00e1 tamb\u00e9m a presen\u00e7a de ocupa\u00e7\u00f5es como recepcionista de hotel, assistente administrativo, repositora de mercadorias, fiscal de loja, farmac\u00eautica, cozinheira geral, teleoperadora e operadora de telemarketing receptivo, cargos que correspondem a 19% das ocupa\u00e7\u00f5es que as trabalhadoras exercem. A maioria das trabalhadoras est\u00e1 inserida no setor do com\u00e9rcio, que corresponde a 44% das respostas. Os setores de alimenta\u00e7\u00e3o, hot\u00e9is e similares e telecomunica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam destaque por corresponderem a 27% das respostas.<\/p>\n<h3><strong>Os impactos da escala 6\u00d71 na sa\u00fade e na vida pessoal, familiar e social<\/strong><\/h3>\n<p>A realidade de trabalho nessa escala 6\u00d71 \u00e9 descrita pelas(os) trabalhadoras(es) como determinante para a degrada\u00e7\u00e3o de sua sa\u00fade, tanto f\u00edsica quanto mental, e de sua vida pessoal, com o isolamento familiar e social. Aquelas(es) que concordam e concordam completamente com a afirma\u00e7\u00e3o de que a escala 6\u00d71 prejudica a sa\u00fade f\u00edsica correspondem a 97%; aquelas(es) que concordam e concordam completamente com a afirma\u00e7\u00e3o de que a escala 6\u00d71 prejudica sua sa\u00fade mental correspondem a 94%. As(os) que consideram que a escala impacta muito ou extremamente a sua vida pessoal chega aos 94%.<\/p>\n<p>Observam-se algumas diferen\u00e7as nas respostas, segundo o sexo e o n\u00edvel de escolaridade das(os) participantes que, embora pequenas, mostram como as mulheres e aqueles com menor n\u00edvel de escolaridade percebem os impactos dessa escala com maior intensidade. Com rela\u00e7\u00e3o ao sexo, o grau de concord\u00e2ncia revela que as mulheres s\u00e3o mais incisivas sobre o impacto dessa escala em sua sa\u00fade f\u00edsica e mental: 70% delas concordam totalmente com a afirma\u00e7\u00e3o de que a escala 6\u00d71 tem prejudicado a sua sa\u00fade f\u00edsica, enquanto 62% dos homens concordam totalmente com essa afirma\u00e7\u00e3o. A percep\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos na sa\u00fade mental aparece mais pr\u00f3xima entre mulheres e homens, com 79% delas e 76% deles com total concord\u00e2ncia com a afirma\u00e7\u00e3o de que a escala 6\u00d71 tem prejudicado a sua sa\u00fade mental. A vida familiar e social tamb\u00e9m mostra uma pequena diferen\u00e7a entre os sexos, com 65% das mulheres e 58% dos homens indicando que a escala tem impactado extremamente sua vida pessoal e familiar.<\/p>\n<p>Como hip\u00f3teses para essas diferen\u00e7as entre os sexos, temos o peso da dupla jornada das mulheres. No Brasil, elas trabalham o dobro de horas que os homens nas atividades dom\u00e9sticas e de cuidados de pessoas (IBGE, 2023). A dupla jornada destaca como a organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do sistema capitalista desvaloriza, em termos materiais e simb\u00f3licos, as atividades de reprodu\u00e7\u00e3o da vida, a maioria das quais s\u00e3o tarefas atribu\u00eddas \u00e0s mulheres (Ferguson, 2020).<\/p>\n<p>Os resultados dos impactos dessa escala quando recortados por escolaridade apontam para uma concord\u00e2ncia geral, com trabalhadoras e trabalhadores de diferentes n\u00edveis de escolaridade afirmando os preju\u00edzos em sua sa\u00fade e vida pessoal, familiar e social. Pequenas diferen\u00e7as s\u00e3o apontadas no n\u00edvel de concord\u00e2ncia de que a escala tem prejudicado a sa\u00fade f\u00edsica. Quanto maior a escolaridade, observa-se um pequeno recuo na concord\u00e2ncia com o preju\u00edzo da escala 6\u00d71 na sa\u00fade f\u00edsica: se considerados as(os) participantes que possuem at\u00e9 o Ensino M\u00e9dio e que est\u00e3o cursando o Ensino Superior, tem-se que mais de 70% concordam completamente com o preju\u00edzo da escala em sua sa\u00fade f\u00edsica.<\/p>\n<p>Se analisadas(os) apenas participantes com Ensino Superior ou P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o, essa concord\u00e2ncia completa se mant\u00e9m em 59%. Hip\u00f3teses para essas diferen\u00e7as devem ser elaboradas com cautela pela variedade de atividades exercidas pelas participantes. Isso demanda uma an\u00e1lise mais aprofundada sobre as ocupa\u00e7\u00f5es das participantes e os seus impactos na sa\u00fade, algo que n\u00e3o pode ser feito no espa\u00e7o deste artigo, mas que ser\u00e3o tratadas em publica\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise das respostas \u00e0 pergunta aberta, os dados foram sistematizados em tr\u00eas categorias que caracterizam a rotina na escala: a exaust\u00e3o f\u00edsica e mental, relatada no extremo cansa\u00e7o e na irritabilidade; a sobrecarga f\u00edsica e mental, exposta nos relatos como a constante administra\u00e7\u00e3o do pouco tempo fora do trabalho e da sobrecarga do corpo pelas horas de trabalho; e o isolamento, com o estreitamento afetivo e de horizonte, em relatos que indicam des\u00e2nimo e impossibilidade de planejar o futuro. Essas categorias se entrela\u00e7am no relato de uma trabalhadora do com\u00e9rcio, mulher preta, que afirma: \u201cvivo apenas para trabalhar\u201d. O Quadro 1 busca classificar os relatos das(os) trabalhadoras(es) nessas categorias:<\/p>\n<p><strong>Quadro 1 \u2013 Caracteriza\u00e7\u00e3o da rotina na escala 6\u00d71.<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"728\" height=\"479\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-13-at-18-52-00-Artigo-21-1pdf.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-13-at-18-52-00-Artigo-21-1pdf.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-13-at-18-52-00-Artigo-21-1.pdf-300x197.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\"><\/figure>\n<p>Dentre os preju\u00edzos descritos, a impossibilidade de participar da vida familiar \u00e9 um aspecto recorrente, assim como a inexist\u00eancia de uma vida social em que seja poss\u00edvel o lazer e o desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es de amizade e amorosas. Ressalta-se que as participantes m\u00e3es apontam para a falta de redes de apoio e para a impossibilidade de acompanharem o desenvolvimento de seus filhos. A vida pessoal parece ser impactada pela falta de tempo para os estudos, para qualifica\u00e7\u00e3o e para que alcancem algum n\u00edvel de especializa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 visto pelas(os) participantes como a impossibilidade de crescimento profissional e de renda.<\/p>\n<p>A falta de tempo para cuidar da sa\u00fade \u00e9 apontada como parte dos impactos dessa escala. Por n\u00e3o conseguirem agendar consultas m\u00e9dicas nem contar com a libera\u00e7\u00e3o de algumas horas no trabalho, as(os) participantes apontam para a falta de preven\u00e7\u00e3o e, por vezes, de tratamentos m\u00e9dicos. Os transtornos mentais tamb\u00e9m s\u00e3o recorrentes nas descri\u00e7\u00f5es dos impactos da escala 6\u00d71. As(os) participantes relacionam transtornos de ansiedade e depress\u00e3o com a rotina exaustiva e a falta de tempo para o descanso e para outras atividades.<\/p>\n<p>A falta de tempo para o cuidado da sa\u00fade e os transtornos mentais relacionados ao trabalho parecem estar atrelados \u00e0 medicamentaliza\u00e7\u00e3o. As(os) trabalhadoras(es) indicam o uso recorrente de medicamentos para suportar a rotina nessa escala. \u00c9 comum o uso de analg\u00e9sicos para dores no corpo, especialmente nos membros inferiores e nas costas; e de medicamentos ansiol\u00edticos e antidepressivos como forma de suportar o dia a dia de exaust\u00e3o mental e isolamento social.<\/p>\n<p>Ressalta-se, ainda, que o deslocamento para o trabalho \u00e9 compreendido como parte da rotina exaustiva nessa escala, que alonga as horas di\u00e1rias dedicadas ao trabalho. O deslocamento pelas grandes cidades, com longos percursos de ida e vinda ao local de trabalho, com congestionamentos e superlota\u00e7\u00f5es dos transportes p\u00fablicos s\u00e3o parte da descri\u00e7\u00e3o da rotina da maioria das(os) participantes. O dia de folga \u00e9 visto como a possibilidade de recomposi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as f\u00edsicas e ps\u00edquicas, ao mesmo tempo em que \u00e9 o \u00fanico tempo dispon\u00edvel para a realiza\u00e7\u00e3o de trabalho dom\u00e9stico e de organiza\u00e7\u00e3o da vida pessoal. Por isso, o lazer \u00e9 preterido para que o repouso e a reorganiza\u00e7\u00e3o sejam poss\u00edveis nesse \u00fanico dia.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a realidade de trabalho na escala 6\u00d71 favorece o desgaste das trabalhadoras e trabalhadores, no sentido da perda das suas capacidades (potenciais e efetivas) de seu corpo e de seu psiquismo (Laurell e Noriega, 2021). Conforme Seligmann-Silva (2011, p. 135), essa perda implica uma \u201cdeforma\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, uma \u201cuma transforma\u00e7\u00e3o negativa\u201d pela qual as(os) trabalhadoras(es) perdem \u201cum estado anterior mais satisfat\u00f3rio e valorizado\u201d de suas capacidades f\u00edsicas e ps\u00edquicas. A escala 6\u00d71, como parte da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho no capitalismo dependente e perif\u00e9rico (Marques, 2013), superexplora as trabalhadoras e os trabalhadores, sem a possibilidade de recomposi\u00e7\u00e3o de suas for\u00e7as.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Este artigo apresenta os resultados parciais do projeto de pesquisa em desenvolvimento voltado a compreender quem s\u00e3o as trabalhadoras e trabalhadores em escala 6\u00d71 e quais os impactos que percebem em sua sa\u00fade e vida pessoal, familiar e social. At\u00e9 o momento, os resultados apontam para uma realidade de trabalho adoecedora, que desgasta f\u00edsica e mentalmente as(os) trabalhadoras(es), exaurindo suas for\u00e7as e isolando-as(os) da conviv\u00eancia familiar e social.<\/p>\n<p>A reivindica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho volta \u00e0 raiz da quest\u00e3o: abordar a totalidade da contradi\u00e7\u00e3o capital-trabalho, identificada e informada na diversidade dos corpos das(os) trabalhadoras(es). O reconhecimento dessa rela\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria indica as prioridades e urg\u00eancias das pautas para as lutas. O fim da escala 6\u00d71, a luta pela sa\u00fade como direito de todas(os), o acesso a transporte p\u00fablico de qualidade, de institui\u00e7\u00f5es de cuidados das crian\u00e7as s\u00e3o exemplos de pautas t\u00e1ticas, urgentes no dia a dia das(os) trabalhadoras(es), mirando n\u00e3o apenas a reorganiza\u00e7\u00e3o das atividades de trabalho, mas a estrat\u00e9gia de reorganiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais como um todo. O VAT e a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho nos lembram de que toda luta por justi\u00e7a social no capitalismo ser\u00e1 tamb\u00e9m uma luta pelo tempo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o projeto busca fortalecer os argumentos a favor do fim da escala 6\u00d71, ressaltando sua luta por Justi\u00e7a Social. A limita\u00e7\u00e3o do instrumento utilizado e dos dados levantados para que se caracterize a diversidade de realidades de trabalho nessa escala s\u00e3o reconhecidos. Por isso, como pr\u00f3ximos passos, deve-se refinar o instrumento, ampliar a base de dados e realizar an\u00e1lises mais detalhadas que considerem categorias e setores, bem como uma atualiza\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise qualitativa.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ALLEN, I. E.; SEAMAN, C. A. Likert Scales and Data Analyses. <strong>Quality Progress<\/strong>, 2007. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bayviewanalytics.com\/reports\/asq\/likert-scales-and-data-analyses.pdf.<\/p>\n<p>DECLERCQ, M. <strong>\u201cVida Al\u00e9m do Trabalho\u201d: movimento nascido no TikTok luta contra escala 6\u00d71. 2024<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/tab.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2024\/01\/06\/vida-alem-do-trabalho-tiktoker-cria-movimento-contra-escala-6\u00d71.htm<\/p>\n<p>BHATTACHARYA, T. (Ed.). <strong>Teoria da reprodu\u00e7\u00e3o social: remapear a classe, recentralizar a opress\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2022.<\/p>\n<p>BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. <strong>Qualitative Research in Psychology<\/strong>, v. 3, n. 2, pp. 77\u2013101, 2008.<\/p>\n<p>DAL ROSSO, S. Incontrol\u00e1veis tempos de trabalho. In: ALVES, G. (Eds.). <strong>Trabalho e Valor: O novo (e prec\u00e1rio) mundo do trabalho no s\u00e9culo XXI<\/strong>. Mar\u00edlia: Projeto Editorial Praxis, 2021.<\/p>\n<p>FERGUSON, S. J. <strong>Women and work: Feminism, labour, and social reproduction. London<\/strong>: Pluto Press, 2020.<\/p>\n<p>IBGE. <strong>Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua: Outras formas de trabalho 2022<\/strong>. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv102020_informativo.pdf.<\/p>\n<p>LACAZ, F. A. C. Reforma Sanit\u00e1ria e sa\u00fade do trabalhador. <strong>Sa\u00fade e Sociedade<\/strong>, v. 3, p. 41-59, 1994.<\/p>\n<p>LAURELL, A. C.; NORIEGA, M. <strong>Processo de produ<\/strong><strong>\u00e7<\/strong><strong>\u00e3o e sa\u00fade<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 2021.<\/p>\n<p>MARQUES, P. <strong>Depend\u00eancia e superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho no capitalismo contempor\u00e2neo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: IPEA, 2013.<\/p>\n<p>SELIGMANN-SILVA, E. <strong>Trabalho e desgaste mental: O direito de ser dono de si mesmo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cortez Editora, 2011.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>iTexto da PEC dispon\u00edvel em https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2485341 [Acesso em julho de 2025]<\/p>\n<p>iiO question\u00e1rio pode ser acessado em https:\/\/x.gd\/azo8O<\/p>\n<p>iiiAs escalas Likert s\u00e3o um formato de resposta comum de avalia\u00e7\u00e3o em pesquisas. Elas classificam a qualidade de alta a baixa ou de melhor a pior usando cinco ou sete n\u00edveis de respostas (Seaman, 2007).<\/p>\n<p>ivPainel da pesquisa dispon\u00edvel em https:\/\/squid-app-zbh7z.ondigitalocean.app\/<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Escala \u00e9 fator central de exaust\u00e3o mental e f\u00edsica, distanciamento familiar e isolamento social. Sem tempo de cuidar da sa\u00fade, aumenta risco de hipermedicaliza\u00e7\u00e3o. Leia 2\u00ba texto de s\u00e9rie sobre redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/escala-6x1-e-o-ciclo-interminavel-da-exaustao\/\">Escala 6\u00d71 e o ciclo intermin\u00e1vel da exaust\u00e3o<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58204,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[6781,1767,2008,24791,9255,1478,1970,614,5834],"tags":[],"class_list":["post-58203","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-burnout","category-comercio","category-fim-da-escala-6x1","category-isolamento-social","category-medicalizacao","category-precarizacao-do-trabalho","category-reducao-da-jornada-de-trabalho","category-saude-mental","category-trabalho-e-precariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58203\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}