{"id":58420,"date":"2025-10-14T19:21:05","date_gmt":"2025-10-14T22:21:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trabalho-como-o-patriarcado-sabota-as-mulheres\/"},"modified":"2025-10-14T19:21:05","modified_gmt":"2025-10-14T22:21:05","slug":"trabalho-como-o-patriarcado-sabota-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trabalho-como-o-patriarcado-sabota-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Trabalho: Como o patriarcado sabota as mulheres"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"459\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/00e5f80b-ae51-4d30-b3b6-e7f6c18cc0fc.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/00e5f80b-ae51-4d30-b3b6-e7f6c18cc0fc.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/00e5f80b-ae51-4d30-b3b6-e7f6c18cc0fc-300x179.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\"><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Erik Chiconelli Gomes<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Perspectivas Hist\u00f3ricas e Constru\u00e7\u00e3o Social das Desigualdades<\/strong><\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria do trabalho feminino no Brasil carrega consigo marcas profundas de uma constru\u00e7\u00e3o social desigual que atravessa gera\u00e7\u00f5es. Desde o processo de industrializa\u00e7\u00e3o iniciado no s\u00e9culo XIX, as mulheres brasileiras ocuparam posi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no mercado de trabalho, frequentemente associadas a fun\u00e7\u00f5es consideradas extens\u00f5es do trabalho dom\u00e9stico e maternal. Como demonstram as an\u00e1lises hist\u00f3ricas, durante o final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, costureiras, mucamas e lavadeiras constitu\u00edam as principais ocupa\u00e7\u00f5es femininas remuneradas, estabelecendo um padr\u00e3o de segrega\u00e7\u00e3o ocupacional que persistiria por d\u00e9cadas (MONTELEONE, 2019). Esse processo n\u00e3o foi acidental, mas sim resultado de representa\u00e7\u00f5es sociais que naturalizavam certas atividades como femininas, relegando \u00e0s mulheres as fun\u00e7\u00f5es menos valorizadas econ\u00f4mica e socialmente.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o das mulheres nas f\u00e1bricas t\u00eaxteis mineiras no final do s\u00e9culo XIX exemplifica como se estruturou essa divis\u00e3o sexual do trabalho. Consideradas pelos industriais como \u201cos melhores empregados\u201d devido \u00e0 sua suposta docilidade e habilidades manuais, as trabalhadoras recebiam sal\u00e1rios sistematicamente inferiores aos masculinos, mesmo quando desempenhavam fun\u00e7\u00f5es similares (FERREIRA, 2009). A diferencia\u00e7\u00e3o salarial n\u00e3o encontrava justificativa na produtividade ou qualifica\u00e7\u00e3o, mas sim em concep\u00e7\u00f5es patriarcais que definiam o trabalho feminino como complementar ao masculino, nunca como sustento principal de uma fam\u00edlia.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/4Semana-12-18-Parcerias-OP_-Armazem-do-Campo-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/4Semana-12-18-Parcerias-OP_-Armazem-do-Campo-1.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/4.Semana-12-18-Parcerias-OP_-Armazem-do-Campo-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O per\u00edodo entre 1917 e 1937 marca um momento crucial na hist\u00f3ria da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira e na luta pelos direitos das trabalhadoras. Durante esse intervalo, emergiram importantes debates sobre igualdade salarial, licen\u00e7a maternidade e prote\u00e7\u00e3o ao trabalho feminino, evidenciando as contradi\u00e7\u00f5es entre o reconhecimento da presen\u00e7a das mulheres na esfera produtiva e a manuten\u00e7\u00e3o de estruturas patriarcais (FRACCARO, 2018). O Decreto do Trabalho das Mulheres de 1932 representou um avan\u00e7o amb\u00edguo: se por um lado reconhecia direitos espec\u00edficos, por outro refor\u00e7ava a ideia de que as mulheres necessitavam prote\u00e7\u00e3o especial, perpetuando estere\u00f3tipos sobre sua fragilidade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da maternidade tornou-se central nos debates sobre a regula\u00e7\u00e3o do trabalho feminino. Durante a elabora\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1934, estabeleceu-se uma ampla discuss\u00e3o sobre como garantir que as trabalhadoras pudessem exercer simultaneamente suas fun\u00e7\u00f5es produtivas e reprodutivas. A aprova\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios \u00e0 gestante mediante contribui\u00e7\u00e3o tripartite (Uni\u00e3o, empregador e empregado) refletia tanto um avan\u00e7o quanto uma contradi\u00e7\u00e3o: reconhecia-se a necessidade de prote\u00e7\u00e3o, mas transferia-se parte do custo para as pr\u00f3prias trabalhadoras (SILVA, 2016). Essa l\u00f3gica contribuiu para que empregadores desenvolvessem prefer\u00eancias por contratar homens, perpetuando a exclus\u00e3o feminina de determinadas ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A perspectiva da divis\u00e3o sexual do trabalho, conceito fundamental desenvolvido por te\u00f3ricas feministas, permite compreender como se estruturam as desigualdades no mundo produtivo. Essa divis\u00e3o n\u00e3o se refere apenas \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de tarefas entre homens e mulheres, mas \u00e0 hierarquiza\u00e7\u00e3o dessas atividades, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do trabalho realizado por mulheres (HIRATA; KERGOAT, 2007). Trata-se de uma constru\u00e7\u00e3o social mediada por rela\u00e7\u00f5es de poder que atravessa diferentes contextos hist\u00f3ricos e geogr\u00e1ficos, adaptando-se \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sem perder sua ess\u00eancia discriminat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da visibilidade estat\u00edstica do trabalho feminino constitui outro aspecto crucial para compreender as desigualdades hist\u00f3ricas. Durante d\u00e9cadas, o trabalho realizado por mulheres, especialmente no contexto rural e dom\u00e9stico, permaneceu invis\u00edvel nas estat\u00edsticas oficiais, contribuindo para sua desvaloriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. Somente a partir das mudan\u00e7as metodol\u00f3gicas implementadas pelo IBGE na d\u00e9cada de 1990, que passaram a incluir atividades para autoconsumo e produ\u00e7\u00e3o familiar, come\u00e7ou-se a mensurar adequadamente a contribui\u00e7\u00e3o feminina para a economia brasileira (BRUSCHINI, 2000). Essa invisibilidade estat\u00edstica n\u00e3o era neutra: refletia e refor\u00e7ava a percep\u00e7\u00e3o de que o trabalho das mulheres tinha menor import\u00e2ncia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Quadro 1: Constru\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica das Desigualdades de G\u00eanero no Trabalho Brasileiro<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td><strong>Per\u00edodo<\/strong><\/td>\n<td><strong>Caracter\u00edsticas do Trabalho Feminino<\/strong><\/td>\n<td><strong>Marcos Legais e Sociais<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Final do s\u00e9culo XIX<\/strong><\/td>\n<td>Concentra\u00e7\u00e3o em atividades de costura, lavanderia e servi\u00e7os dom\u00e9sticos. Presen\u00e7a em f\u00e1bricas t\u00eaxteis com sal\u00e1rios inferiores aos masculinos para fun\u00e7\u00f5es equivalentes. Trabalho visto como extens\u00e3o das atividades dom\u00e9sticas.<\/td>\n<td>Aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o legal espec\u00edfica. Naturaliza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a salarial baseada em concep\u00e7\u00f5es patriarcais sobre o papel social da mulher.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>1917-1932<\/strong><\/td>\n<td>Crescente presen\u00e7a nas f\u00e1bricas durante processo de industrializa\u00e7\u00e3o. Jornadas extensas sem prote\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. In\u00edcio da organiza\u00e7\u00e3o sindical feminina.<\/td>\n<td>Debates internacionais sobre direitos trabalhistas. Emerg\u00eancia dos movimentos feministas reivindicando igualdade salarial e condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>1932-1943<\/strong><\/td>\n<td>Reconhecimento legal da presen\u00e7a feminina no mercado de trabalho formal. Tens\u00e3o entre prote\u00e7\u00e3o e restri\u00e7\u00e3o: benef\u00edcios maternais versus limita\u00e7\u00f5es \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o.<\/td>\n<td>Decreto do Trabalho das Mulheres (1932). Constitui\u00e7\u00e3o de 1934 com cap\u00edtulo sobre ordem econ\u00f4mica e social. Elabora\u00e7\u00e3o da CLT. Estabelecimento de licen\u00e7a maternidade e proibi\u00e7\u00f5es de trabalho noturno.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>1960-1990<\/strong><\/td>\n<td>Expans\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado formal. Aumento da escolaridade feminina superando a masculina. Persist\u00eancia da segrega\u00e7\u00e3o ocupacional e diferen\u00e7as salariais.<\/td>\n<td>Mudan\u00e7as nas metodologias de contabiliza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino pelo IBGE. Redemocratiza\u00e7\u00e3o e Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Crescente visibilidade estat\u00edstica do trabalho feminino.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>D\u00e9cada de 1990-2010<\/strong><\/td>\n<td>Mercantiliza\u00e7\u00e3o acelerada do trabalho feminino. Reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva com impactos diferenciados por g\u00eanero. Flexibiliza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o atingindo especialmente mulheres.<\/td>\n<td>Implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de igualdade de g\u00eanero. Cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o contra discrimina\u00e7\u00e3o. Avan\u00e7os legais n\u00e3o eliminam desigualdades estruturais.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este quadro sintetiza como, ao longo de mais de um s\u00e9culo, construiu-se uma estrutura de desigualdades que, embora tenha assumido diferentes formas em cada per\u00edodo hist\u00f3rico, manteve uma constante: a desvaloriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do trabalho realizado por mulheres. Cada avan\u00e7o legal trouxe consigo contradi\u00e7\u00f5es que perpetuaram, sob novas configura\u00e7\u00f5es, as hierarquias de g\u00eanero no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>A mercantiliza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino no Brasil, especialmente entre 1960 e 2010, revela um processo complexo de transforma\u00e7\u00e3o. Observou-se um aumento significativo da participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho formal, acompanhado por mudan\u00e7as nas formas de contabiliza\u00e7\u00e3o dessa presen\u00e7a. No entanto, essa mercantiliza\u00e7\u00e3o ocorreu de maneira profundamente sexuada, com as mulheres concentrando-se em determinados setores e ocupa\u00e7\u00f5es, fen\u00f4meno conhecido como segrega\u00e7\u00e3o ocupacional (GUIMAR\u00c3ES; BRITO, 2016). As transforma\u00e7\u00f5es no modo de contar a atividade feminina refletiram mudan\u00e7as na consci\u00eancia social sobre o papel econ\u00f4mico das mulheres, mas n\u00e3o eliminaram as estruturas de desigualdade.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Desigualdades Contempor\u00e2neas e Interseccionalidades<\/strong><\/h3>\n<p>O Brasil contempor\u00e2neo apresenta um quadro complexo de desigualdades de g\u00eanero no mercado de trabalho que persiste apesar dos avan\u00e7os legais e educacionais alcan\u00e7ados nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Os dados revelam que, embora as mulheres tenham alcan\u00e7ado n\u00edveis de escolaridade superiores aos dos homens, essa vantagem educacional n\u00e3o se traduz em igualdade salarial. Em estabelecimentos de grande porte, as funcion\u00e1rias do sexo feminino ganhavam, em 2015, aproximadamente 21,5% menos que os empregados do sexo masculino no conjunto das ocupa\u00e7\u00f5es, evidenciando que a discrimina\u00e7\u00e3o salarial transcende quest\u00f5es de qualifica\u00e7\u00e3o (SOUZA; GUEDES, 2016).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise por grandes grupos ocupacionais demonstra que a desigualdade salarial se manifesta de forma heterog\u00eanea conforme o n\u00edvel hier\u00e1rquico e o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o. Profissionais das ci\u00eancias e das artes e t\u00e9cnicos de n\u00edvel m\u00e9dio apresentam maior presen\u00e7a feminina, mas isso n\u00e3o necessariamente se traduz em equidade salarial. Paradoxalmente, em algumas ocupa\u00e7\u00f5es onde as mulheres s\u00e3o maioria, como trabalhadores de servi\u00e7os administrativos, observa-se manuten\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as salariais significativas (SOUZA; GUEDES, 2016). Esse fen\u00f4meno sugere que a presen\u00e7a num\u00e9rica n\u00e3o elimina a discrimina\u00e7\u00e3o, podendo at\u00e9 mesmo contribuir para a desvaloriza\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n<p>A intersec\u00e7\u00e3o entre g\u00eanero e ra\u00e7a aprofunda drasticamente as desigualdades no mercado de trabalho brasileiro. Estabelece-se uma hierarquia clara nos rendimentos: homens brancos no topo, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, na base, mulheres negras (SANTOS, 2005). Essa estratifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o resulta apenas da soma de discrimina\u00e7\u00f5es, mas de sua intera\u00e7\u00e3o complexa, onde ser mulher e negra produz desvantagens espec\u00edficas que n\u00e3o podem ser compreendidas separadamente. As mulheres negras enfrentam simultaneamente barreiras relacionadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o educacional, inser\u00e7\u00e3o ocupacional e discrimina\u00e7\u00e3o salarial direta.<\/p>\n<p>Os estudos sobre desigualdade salarial entre mulheres brancas e negras revelam que o hiato salarial n\u00e3o apenas persiste, como se ampliou em determinados per\u00edodos. Em 1987, as mulheres negras recebiam em m\u00e9dia 55% do que recebiam as brancas; em 1999, essa raz\u00e3o havia diminu\u00eddo para 52% (SOARES, 2004). Essa tend\u00eancia contraria expectativas de que o desenvolvimento econ\u00f4mico e a moderniza\u00e7\u00e3o reduziriam automaticamente as desigualdades, demonstrando que mecanismos discriminat\u00f3rios se atualizam e adaptam \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais. A persist\u00eancia dessa desigualdade em um contexto de decrescente desigualdade salarial dentro de cada grupo racial aponta para a especificidade da discrimina\u00e7\u00e3o que atinge as mulheres negras.<\/p>\n<p>A segrega\u00e7\u00e3o ocupacional constitui mecanismo fundamental na produ\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a. Mulheres e homens, brancos e negros, n\u00e3o apenas recebem sal\u00e1rios diferentes por trabalhos similares, mas s\u00e3o direcionados a ocupa\u00e7\u00f5es distintas com prest\u00edgios e remunera\u00e7\u00f5es diferenciados. As mulheres negras concentram-se desproporcionalmente em ocupa\u00e7\u00f5es de menor prest\u00edgio e remunera\u00e7\u00e3o, como trabalho dom\u00e9stico e servi\u00e7os de cuidado, enquanto enfrentam barreiras significativas para acessar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e cargos executivos (SILVEIRA; LE\u00c3O, 2020). Apenas 1,9% das mulheres negras ocupavam cargos de ger\u00eancia ou dire\u00e7\u00e3o, comparado a 5,0% das mulheres brancas, evidenciando como o racismo estrutural opera no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da composi\u00e7\u00e3o do grupo de alta renda revela como a discrimina\u00e7\u00e3o se intensifica nos estratos superiores da distribui\u00e7\u00e3o salarial. \u00c0 medida que se avan\u00e7a na hierarquia de rendimentos, diminui drasticamente a presen\u00e7a de mulheres, e mais ainda de mulheres negras. Esse fen\u00f4meno, denominado \u201cteto de vidro\u201d, manifesta-se atrav\u00e9s de barreiras invis\u00edveis mas extremamente eficazes que impedem a ascens\u00e3o feminina, especialmente de mulheres negras, a posi\u00e7\u00f5es de maior prest\u00edgio e remunera\u00e7\u00e3o (RIBEIRO, 2009). A resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os por mulheres revela como o prest\u00edgio social e o poder econ\u00f4mico continuam fortemente marcados por hierarquias de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Quadro 2: <\/strong><strong>Panorama<\/strong><strong> das Desigualdades Salariais no Brasil Contempor\u00e2neo \u2013 Uma An\u00e1lise Interseccional<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td><strong>Indicador<\/strong><\/td>\n<td><strong>Homens Brancos<\/strong><\/td>\n<td><strong>Mulheres Brancas<\/strong><\/td>\n<td><strong>Homens Negros<\/strong><\/td>\n<td><strong>Mulheres Negras<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Posi\u00e7\u00e3o na Hierarquia Salarial<\/strong><\/td>\n<td>Topo (refer\u00eancia 100%)<\/td>\n<td>2\u00aa posi\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>3\u00aa posi\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Base da pir\u00e2mide<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Rendimento Relativo<\/strong><\/td>\n<td>100% (refer\u00eancia)<\/td>\n<td>Aproximadamente 71-75%<\/td>\n<td>Aproximadamente 55-60%<\/td>\n<td>Aproximadamente 40-52%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Acesso a Ocupa\u00e7\u00f5es de M\u00e9dia\/Alta Classe M\u00e9dia<\/strong><\/td>\n<td>Maioria dos postos<\/td>\n<td>Crescente, mas com barreiras<\/td>\n<td>20,6% dos negros ocupados<\/td>\n<td>8,7% dos negros ocupados<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Presen\u00e7a em Cargos de Ger\u00eancia\/Dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>Predomin\u00e2ncia significativa<\/td>\n<td>5,0% das mulheres<\/td>\n<td>Sub-representa\u00e7\u00e3o marcante<\/td>\n<td>1,9% das mulheres<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Discrimina\u00e7\u00e3o Salarial em Grandes Empresas (2015)<\/strong><\/td>\n<td>Refer\u00eancia<\/td>\n<td>-21,5%<\/td>\n<td>Dados combinados com ra\u00e7a<\/td>\n<td>M\u00faltipla desvantagem<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Rela\u00e7\u00e3o Salarial Atual (2025)<\/strong><\/td>\n<td>Refer\u00eancia 100%<\/td>\n<td>Mediana: 89,6% \/ M\u00e9dia: 88,8%<\/td>\n<td>Dados n\u00e3o especificados<\/td>\n<td>Dados n\u00e3o especificados<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><strong>Fonte: <\/strong>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este panorama revela a estrutura piramidal das desigualdades no mercado de trabalho brasileiro, onde g\u00eanero e ra\u00e7a operam simultaneamente para posicionar diferentes grupos em estratos distintos de renda e prest\u00edgio. Homens brancos ocupam consistentemente o topo da hierarquia salarial, estabelecendo o padr\u00e3o de refer\u00eancia a partir do qual todas as outras desigualdades s\u00e3o mensuradas. Mulheres brancas situam-se em posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, enfrentando principalmente discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero que se manifesta atrav\u00e9s de barreiras \u00e0 ascens\u00e3o e diferen\u00e7as salariais mesmo com qualifica\u00e7\u00e3o equivalente ou superior. Homens negros experimentam desvantagens relacionadas \u00e0 inser\u00e7\u00e3o ocupacional e forma\u00e7\u00e3o educacional, resultado do racismo estrutural que limita suas oportunidades desde a base. Mulheres negras, na intersec\u00e7\u00e3o entre racismo e sexismo, encontram-se na base desta pir\u00e2mide, enfrentando simultaneamente todos os mecanismos de exclus\u00e3o: menor acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, concentra\u00e7\u00e3o em ocupa\u00e7\u00f5es de menor prest\u00edgio, aus\u00eancia quase total em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e os menores rendimentos relativos do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho nas \u00faltimas d\u00e9cadas, marcadas pela reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e flexibiliza\u00e7\u00e3o, impactaram diferentemente homens e mulheres. A terceiriza\u00e7\u00e3o, a informalidade e as subcontrata\u00e7\u00f5es atingiram de forma mais intensa as trabalhadoras, especialmente aquelas em setores tradicionalmente femininos como a confec\u00e7\u00e3o. A cadeia produtiva do vestu\u00e1rio exemplifica como se atualizam formas de explora\u00e7\u00e3o sexuadas, com mulheres concentradas em atividades domiciliares, tempor\u00e1rias e prec\u00e1rias (SILVA; LIMA, 2017). O trabalho em domic\u00edlio, longe de representar flexibilidade positiva, frequentemente significa isolamento, inseguran\u00e7a e remunera\u00e7\u00e3o ainda mais reduzida.<\/p>\n<p>Segundo o Relat\u00f3rio de Transpar\u00eancia e Igualdade Salarial (BRASIL, 2025), que utiliza como base os dados do eSocial, da Rais Mensal de junho de 2025 e do Portal Emprega Brasil de agosto de 2025, em uma empresa com 591 trabalhadores ativos, o sal\u00e1rio contratual mediano das mulheres equivale a 89,6% do recebido pelos homens, enquanto a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia mensal das mulheres equivale a 88,8% da recebida pelos homens. Esses n\u00fameros, referentes ao segundo semestre de 2025, demonstram que, mesmo com toda a legisla\u00e7\u00e3o vigente e os avan\u00e7os nas pol\u00edticas de igualdade, a disparidade salarial permanece como realidade concreta no cotidiano das trabalhadoras brasileiras.<\/p>\n<h3><strong>Reflex\u00f5es Finais<\/strong><\/h3>\n<p>A an\u00e1lise hist\u00f3rica e contempor\u00e2nea das desigualdades salariais entre mulheres e homens no Brasil revela a persist\u00eancia de estruturas discriminat\u00f3rias que atravessam diferentes per\u00edodos e contextos econ\u00f4micos. Desde a industrializa\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX at\u00e9 o Brasil contempor\u00e2neo de 2025, observa-se uma continuidade nas formas de desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino, ainda que essas formas se atualizem e assumam novas configura\u00e7\u00f5es. A segrega\u00e7\u00e3o ocupacional, a discrimina\u00e7\u00e3o salarial e as barreiras \u00e0 ascens\u00e3o profissional constituem manifesta\u00e7\u00f5es interligadas de um mesmo fen\u00f4meno: a hierarquiza\u00e7\u00e3o social baseada em g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o interseccional das desigualdades torna-se cada vez mais evidente quando se examina a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica das mulheres negras. N\u00e3o se trata apenas de somar discrimina\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e ra\u00e7a, mas de compreender como essas dimens\u00f5es se entrela\u00e7am produzindo experi\u00eancias \u00fanicas de explora\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o. As mulheres negras brasileiras enfrentam desafios m\u00faltiplos que v\u00e3o desde o acesso desigual \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade at\u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o em ocupa\u00e7\u00f5es de menor prest\u00edgio, passando pela discrimina\u00e7\u00e3o salarial que persiste mesmo quando alcan\u00e7am n\u00edveis educacionais superiores. Essa realidade exige pol\u00edticas espec\u00edficas que reconhe\u00e7am a especificidade dessa opress\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da divis\u00e3o sexual do trabalho permanece central para compreender as desigualdades contempor\u00e2neas. Apesar da crescente participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho formal, persiste a responsabiliza\u00e7\u00e3o desproporcional das mulheres pelo trabalho reprodutivo e de cuidado. Essa dupla jornada n\u00e3o apenas sobrecarrega as trabalhadoras, mas tamb\u00e9m serve de justificativa para sua exclus\u00e3o de determinadas posi\u00e7\u00f5es ou para a manuten\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios inferiores. A concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho produtivo e responsabilidades familiares continua sendo apresentada como problema feminino, quando deveria ser reconhecida como quest\u00e3o social que exige pol\u00edticas p\u00fablicas abrangentes.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios remunerat\u00f3rios adotados pelas empresas frequentemente perpetuam desigualdades mesmo quando n\u00e3o s\u00e3o explicitamente discriminat\u00f3rios. Disponibilidade para horas extras, reuni\u00f5es com clientes e viagens; tempo de experi\u00eancia profissional; e proatividade s\u00e3o crit\u00e9rios que, \u00e0 primeira vista, podem parecer neutros. No entanto, em uma sociedade que atribui \u00e0s mulheres a responsabilidade priorit\u00e1ria pelo cuidado familiar, esses crit\u00e9rios operam como barreiras indiretas ao avan\u00e7o profissional feminino. A aparente neutralidade mascara o vi\u00e9s de g\u00eanero embutido nas pr\u00f3prias estruturas organizacionais.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es para aumentar a diversidade implementadas por empresas, como pol\u00edticas de contrata\u00e7\u00e3o de mulheres e programas de promo\u00e7\u00e3o para cargos de dire\u00e7\u00e3o, representam avan\u00e7os importantes mas insuficientes. Pesquisas revelam que apenas uma pequena parcela das grandes empresas adota pol\u00edticas consistentes e com metas definidas para promover igualdade de oportunidades. Muitas dessas iniciativas permanecem no plano ret\u00f3rico ou s\u00e3o implementadas de forma superficial, sem questionar as estruturas profundas que produzem e reproduzem desigualdades. A mudan\u00e7a efetiva exige transforma\u00e7\u00e3o na cultura organizacional e no reconhecimento de que a desigualdade n\u00e3o resulta de caracter\u00edsticas individuais, mas de sistemas de opress\u00e3o estruturais.<\/p>\n<p>A persist\u00eancia das desigualdades salariais em um contexto de avan\u00e7o educacional feminino constitui paradoxo revelador. As mulheres brasileiras alcan\u00e7aram e superaram os homens em escolaridade m\u00e9dia, mas essa vantagem educacional n\u00e3o se converteu em igualdade salarial ou ocupacional. Esse fen\u00f4meno evidencia que as desigualdades de g\u00eanero n\u00e3o podem ser reduzidas a quest\u00f5es de qualifica\u00e7\u00e3o ou capital humano. H\u00e1 fatores estruturais, culturais e institucionais que operam para manter mulheres em posi\u00e7\u00f5es subordinadas, independentemente de suas credenciais educacionais. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, mas claramente insuficiente para superar s\u00e9culos de discrimina\u00e7\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o hist\u00f3rica das desigualdades permite reconhecer padr\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o que se manifestam no presente. A associa\u00e7\u00e3o entre trabalho feminino e determinadas ocupa\u00e7\u00f5es, estabelecida no processo de industrializa\u00e7\u00e3o, persiste atrav\u00e9s de novas configura\u00e7\u00f5es. A desvaloriza\u00e7\u00e3o das profiss\u00f5es feminilizadas, a remunera\u00e7\u00e3o inferior mesmo em fun\u00e7\u00f5es equivalentes e a dificuldade de acesso a posi\u00e7\u00f5es de poder s\u00e3o continuidades hist\u00f3ricas que desafiam narrativas lineares de progresso. Reconhecer essas continuidades n\u00e3o significa negar os avan\u00e7os conquistados, mas sim entender que a supera\u00e7\u00e3o das desigualdades exige enfrentamento consciente e sistem\u00e1tico de estruturas profundamente enraizadas.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego. <strong>Relat\u00f3rio de Transpar\u00eancia e Igualdade Salarial de Mulheres e Homens: 2\u00ba Semestre 2025<\/strong>. Empregador: 43.419.613\/0001-70. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, 2025.<\/p>\n<p>BRUSCHINI, Cristina. Instru\u00eddas e trabalhadeiras: trabalho feminino no final do s\u00e9culo XX. <strong>Cadernos Pagu<\/strong>, Campinas, n. 17-18, p. 157-196, 2000. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/cpa\/a\/VTDTBZBKQjxkmCK8BQttYVw\/<\/u>. Acesso em: 20 set. 2025.<\/p>\n<p>FERREIRA, L\u00facia de F\u00e1tima Guerra. Os melhores empregados: a inser\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra feminina em f\u00e1bricas t\u00eaxteis mineiras no final do s\u00e9culo XIX. <strong>Varia Hist\u00f3ria<\/strong>, Belo Horizonte, v. 25, n. 42, p. 695-717, jul.\/dez. 2009. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/vh\/a\/66rwwFFwMCzJLXZ3k7crqpF\/<\/u>. Acesso em: 22 set. 2025.<\/p>\n<p>FRACCARO, Glaucia Cristina Candian Fraccaro. <strong>Os direitos das mulheres: organiza\u00e7\u00e3o social e legisla\u00e7\u00e3o trabalhista no entreguerras brasileiro (1917-1937)<\/strong>. S\u00e3o Paulo: FGV Editora, 2018. Resenha de: TEIXEIRA, Marilane Oliveira. A hist\u00f3ria do trabalho das mulheres no Brasil: perspectiva feminista. <strong>Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 4, e00020119, 2019. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/csp\/a\/fpwYtkVGQKjh3rwMxgkT47F\/<\/u>. Acesso em: 21 set. 2025.<\/p>\n<p>GUIMAR\u00c3ES, Nadya Araujo; BRITO, Murillo Marschner Alves de. Mercantiliza\u00e7\u00e3o no feminino: a visibilidade do trabalho das mulheres no Brasil. <strong>Revista Brasileira de Ci\u00eancias Sociais<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 31, n. 90, p. 17-39, fev. 2016. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbcsoc\/a\/jRGLVMzX5myp7JcHZQvv8mL\/<\/u>. Acesso em: 22 set. 2025.<\/p>\n<p>HIRATA, Helena; KERGOAT, Dani\u00e8le. Novas configura\u00e7\u00f5es da divis\u00e3o sexual do trabalho. <strong>Cadernos de Pesquisa<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 37, n. 132, p. 595-609, set.\/dez. 2007.<\/p>\n<p>MONTELEONE, Joana de Moraes. Costureiras, mucamas, lavadeiras e vendedoras: O trabalho feminino no s\u00e9culo XIX e o cuidado com as roupas (Rio de Janeiro, 1850-1920). <strong>Revista Estudos Feministas<\/strong>, Florian\u00f3polis, v. 27, n. 1, e54074, 2019. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/ref\/a\/6kxbrTgBwDptJJz9t9RCjRB\/<\/u>. Acesso em: 24 set. 2025.<\/p>\n<p>RIBEIRO, Carlos Antonio Costa. Riqueza e status entre mulheres negras no Brasil. <strong>Sociedade e Estado<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 24, n. 3, p. 815-835, set.\/dez. 2009. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/se\/a\/WLyKHQkz3KcVbS8BpPvWmnR\/<\/u>. Acesso em: 25 set. 2025.<\/p>\n<p>SANTOS, Sales Augusto dos. G\u00eanero e ra\u00e7a na desigualdade social brasileira recente. <strong>Estudos Avan\u00e7ados<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 19, n. 53, p. 31-35, jan.\/abr. 2005. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/RGrfjV8wFpzRxkw4kmf9Dvz\/<\/u>. Acesso em: 21 set. 2025.<\/p>\n<p>SILVA, Fernando Teixeira da; NEGRO, Antonio Luigi. A regula\u00e7\u00e3o do trabalho feminino em um sistema pol\u00edtico masculino, Brasil: 1932-1943. <strong>Estudos Hist\u00f3ricos<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 29, n. 59, p. 667-686, set.\/dez. 2016. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/eh\/a\/nC7nYwNgQRRSJ9c65byvvRx\/<\/u>. Acesso em: 11 set. 2025.<\/p>\n<p>SILVA, Lorena Holzmann da; LIMA, Jacob Carlos. Adeus \u00e0 divis\u00e3o sexual do trabalho?: desigualdade de g\u00eanero na cadeia produtiva da confec\u00e7\u00e3o. <strong>Sociedade e Estado<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 32, n. 3, p. 709-732, set.\/dez. 2017. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/se\/a\/93kRWJRdWyT85LKRxtLZj3n\/<\/u>. Acesso em: 14 set. 2025.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Lorena Holzmann da; LE\u00c3O, Luciana de Souza. Segrega\u00e7\u00e3o ocupacional e diferenciais de renda por g\u00eanero e ra\u00e7a no Brasil: uma an\u00e1lise de grupos et\u00e1rios. <strong>Revista Brasileira de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 38, e0146, p. 1-26, 2021. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbepop\/a\/9ZbQKBWxQ3BwHbg6KNYCb3y\/<\/u>. Acesso em: 22 set. 2025.<\/p>\n<p>SOARES, Sergei Suarez Dillon. Tend\u00eancias da desigualdade salarial para coortes de mulheres brancas e negras no Brasil. <strong>Economia e Sociedade<\/strong>, Campinas, v. 13, n. 1, p. 21-45, jan.\/jun. 2004. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/ee\/a\/zvnJGCdwyHSkTMSGTB9M5Fw\/<\/u>. Acesso em: 21 set. 2025.<\/p>\n<p>SOUZA, Elaine Martins de; GUEDES, Dyeggo Rocha. Discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero em grandes empresas no Brasil. <strong>Revista Estudos Feministas<\/strong>, Florian\u00f3polis, v. 24, n. 1, p. 141-165, jan.\/abr. 2016. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.scielo.br\/j\/ref\/a\/b63KGwqRVrTvtvhC6FkXLZf\/<\/u>. Acesso em: 21 set. 2025.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Trabalho: Como o patriarcado sabota as mulheres appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/hoje-o-pais-esta-montado-para-funcionar-afirma-lula\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Hoje o pa\u00eds est\u00e1 montado para funcionar\u2019, afirma ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/erika-hilton-embaixada-dos-eua-reafirma-transfobia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Erika Hilton: Embaixada dos EUA reafirma transfobi...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/company-fined-for-slave-labor-supplies-philip-morris-and-syngenta\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ministrosMTE_MarceloCamargo_AgenciaBrasil-1-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Company fined for slave labor supplies Philip Morr...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/acolher-incluir-e-organizar\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/54059485801_bdd0a36628_o-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Acolher, incluir e organizar<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de avan\u00e7os, desigualdades s\u00e3o brutais. Mais escolarizadas, ganham menos e n\u00e3o atingem cargos de lideran\u00e7a. Predominam em empregos tempor\u00e1rios e prec\u00e1rios. \u201cDiversidade\u201d nas empresas \u00e9 ret\u00f3rica. Realidade \u00e9 ainda pior para mulheres negras<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/trabalho-como-o-patriarcado-sabota-as-mulheres\/\">Trabalho: Como o patriarcado sabota as mulheres<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58421,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[25006,4940,25007,25008,6956,25009,1031,5507,25010,25011],"tags":[],"class_list":["post-58420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desigualdade-de-genero-e-raca","category-diferenca-salarial","category-disparidade-salarial","category-duplas-jornadas","category-feminismos","category-interseccionalidade","category-mercado-de-trabalho","category-patriarcado","category-racismo-estrutural-no-mercado-de-trabalho","category-segregacao-ocupacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58420"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58420\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}