{"id":58423,"date":"2025-10-14T19:23:16","date_gmt":"2025-10-14T22:23:16","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agroecologia-um-campo-para-a-justica-climatica\/"},"modified":"2025-10-14T19:23:16","modified_gmt":"2025-10-14T22:23:16","slug":"agroecologia-um-campo-para-a-justica-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agroecologia-um-campo-para-a-justica-climatica\/","title":{"rendered":"Agroecologia, um campo para a justi\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/agroecologia-Brasil-ciclovivo-1024x683-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/agroecologia-Brasil-ciclovivo-1024x683-1.jpg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/agroecologia-Brasil-ciclovivo-1024x683-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/agroecologia-Brasil-ciclovivo-1024x683-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/agroecologia-Brasil-ciclovivo-1024x683-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A emerg\u00eancia clim\u00e1tica e a necessidade de se conquistar a seguran\u00e7a e a soberania alimentar fizeram com que a discuss\u00e3o sobre A agroecologia ultrapassasse os muros da academia e come\u00e7asse a ganhar corpo no espa\u00e7o p\u00fablico. E se, como conceito, ela nasceu como proposta de ci\u00eancia critica, pouco a pouco foi ganhando a participa\u00e7\u00e3o de pequenos agricultores, quilombolas e ind\u00edgenas que transformaram sua pr\u00e1tica e seu conhecimento, estabelecendo uma nova din\u00e2mica que pode ser fundamental n\u00e3o s\u00f3 para o futuro do Brasil, mas como do pr\u00f3prio planeta, cada vez mais em risco.<\/p>\n<p>O 13\u00ba Congresso Brasileiro de Agroecologia, que vai ser realizado em Juazeiro, na Bahia, entre os dias 15 e 18 de outubro, tem como uma de suas miss\u00f5es consolidar a uni\u00e3o entre os saberes tradicionais e a inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. se a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o teve como um dos objetivos questionar a constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do agroneg\u00f3cio, contestando o lema de que o \u201cagro \u00e9 pop\u201d, agora, o momento pol\u00edtico propicia outros tipos de reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s costumamos fazer o Congresso no final do ano, mas desta vez optamos pela realiza\u00e7\u00e3o nas v\u00e9speras da COP-30 [30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima], e tamb\u00e9m para coincidir com o Dia Internacional da Alimenta\u00e7\u00e3o (16 de outubro). O objetivo \u00e9 vincular a agroecologia com essas duas agendas: a alimentar e a clim\u00e1tica. E mandar uma mensagem pra COP: n\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o pra uma ou para outra. Ou conjuga as duas ou n\u00e3o ser\u00e3o solu\u00e7\u00e3o\u201d, explica o agr\u00f4nomo Paulo Petersen, coordenador executivo da AS-PTA \u2013 Agricultura Familiar e Agroecologia, membro do n\u00facleo executivo da Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia (ANA) e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), organiza\u00e7\u00e3o que realiza o evento.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-4.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/5.Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo Petersen, trata-se de uma oportunidade para posicionar de forma mais assertiva a agricultura familiar na agenda clim\u00e1tica. \u201cO Brasil tem que mudar seus sistemas alimentares. O agroneg\u00f3cio n\u00e3o est\u00e1 feliz com a ideia de que ele \u00e9 o grande respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es de gases que causam o efeito estufa, j\u00e1 que o Plano Clima, que aprofundou suas metas, atribui uma parcela dessa responsabilidade a ele\u201d, pontua.<\/p>\n<h3><strong>Agroneg\u00f3cio e colapso clim\u00e1tico<\/strong><\/h3>\n<p>O Plano Clima mencionado por Petersen \u00e9 o guia das a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica empreendidas pelo Brasil at\u00e9 2035, sob o acordo de Paris. Tendo como pilares a mitiga\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o dos sistemas naturais e humanos aos efeitos da crise do clima, o pa\u00eds se comprometeu com a redu\u00e7\u00e3o de 59% a 67% das emiss\u00f5es l\u00edquidas de gases de efeito estufa, na compara\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 2005. Isso equivale a alcan\u00e7ar um corte de emiss\u00f5es entre 850 milh\u00f5es e 1,05 bilh\u00e3o de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico equivalente no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em 2023, a emiss\u00f5es brutas totais de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) somaram 2,3 bilh\u00f5es de toneladas, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa do Observat\u00f3rio do Clima (SEEG), divulgados no ano passado. Isso representou uma redu\u00e7\u00e3o de 12% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, a maior queda desde 2009, resultado impulsionado, principalmente, pela queda de 24% nas emiss\u00f5es por desmatamento. A maior parte das emiss\u00f5es totais, 46%, se refere ao setor de mudan\u00e7as no uso da terra. Em seguida, v\u00eam as do setor agropecu\u00e1rio, representando 28% do total; energia, processos industriais e uso de produtos, respondem por 22%, e res\u00edduos, por 4% das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Se a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento trouxe o total de emiss\u00f5es para baixo, a agropecu\u00e1ria fez o contr\u00e1rio, com seu quarto recorde consecutivo e uma eleva\u00e7\u00e3o de 2,2%, devida principalmente \u00e0 expans\u00e3o do rebanho bovino. A maior parte das emiss\u00f5es nesta \u00e1rea vem da fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica, o \u201carroto\u201d do boi, com 405 milh\u00f5es de toneladas em 2023, superando, por exemplo, toda a produ\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Contudo, essa an\u00e1lise s\u00f3 aborda o volume produzido pelas atividades em si e n\u00e3o sua poss\u00edvel vincula\u00e7\u00e3o com o desmatamento e as queimadas, por exemplo. E o Relat\u00f3rio Anual do Desmatamento no Brasil, realizado pelo Mapbiomas e divulgado em 2025, apontava que o agroneg\u00f3cio era o principal respons\u00e1vel pelo desmatamento ilegal no pa\u00eds, pontuando que a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria em larga escala havia provocado 97% de toda a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa entre 2019 e 2024.<\/p>\n<p>\u201cSomando as emiss\u00f5es por desmatamento e outras mudan\u00e7as de uso da terra com as do setor agropecu\u00e1rio, conclui-se que a atividade agropecu\u00e1ria em sentido amplo responde por 74% de toda a polui\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica brasileira\u201d, conclu\u00eda um relat\u00f3rio sobre a an\u00e1lise das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa lan\u00e7ado em 2023, avaliando dados de 1970 a 2021. Em outras palavras, sem mudar o modelo predat\u00f3rio do agroneg\u00f3cio, o Brasil vai continuar emitindo gases de efeito estufa em grande quantidade e pode ter dificuldades para cumprir seus compromissos assumidos no \u00e2mbito do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>Integrantes do pr\u00f3prio governo j\u00e1 reconheceram esta necessidade. Durante plen\u00e1ria na 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Meio Ambiente, realizada em setembro, o secret\u00e1rio nacional substituto de Mudan\u00e7a do Clima do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima (MMA), Aloisio Melo, afirmou que, para cumprir a Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em ingl\u00eas) apresentada pelo governo brasileiro no final de 2023, o pa\u00eds ter\u00e1 que frear o desmatamento n\u00e3o apenas nas \u00e1reas p\u00fablicas, mas tamb\u00e9m na utiliza\u00e7\u00e3o do solo pela agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/VENETA.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/VENETA.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/VENETA-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>A resili\u00eancia do povo do Semi\u00e1rido<\/strong><\/h3>\n<p>O local escolhido para a realiza\u00e7\u00e3o do Congresso Brasileiro de Agroecologia representa o sucesso do modelo agroecol\u00f3gico tanto na produ\u00e7\u00e3o de alimentos como na rela\u00e7\u00e3o equilibrada com o meio ambiente, ilustrando alternativas reais ao agroneg\u00f3cio. Juazeiro fica no Semi\u00e1rido brasileiro, regi\u00e3o fundamental para que comida de verdade chegue \u00e0 mesa das pessoas.<\/p>\n<p>Segundo o Censo Agropecu\u00e1rio de 2017, aproximadamente 48% dos estabelecimentos da agricultura familiar do Brasil est\u00e3o localizados no Semi\u00e1rido. Isso significa que, dos cerca de 3,9 milh\u00f5es de estabelecimentos classificados como agricultura familiar no pa\u00eds, aproximadamente 1,86 milh\u00e3o ficam na regi\u00e3o. Esses estabelecimentos s\u00e3o um dos pilares da economia local, j\u00e1 que representam 81% de todas as propriedades rurais dali, produzindo culturas como feij\u00e3o, milho, mandioca e a cria\u00e7\u00e3o de caprinos e ovinos.<\/p>\n<p>\u201cA agroecologia \u00e9 uma estrat\u00e9gia fundamental para a conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido. Sem ela, forjada a partir dos territ\u00f3rios hist\u00f3ricos e das pr\u00e1ticas ancestrais dos povos da regi\u00e3o, o semi\u00e1rido n\u00e3o seria o que \u00e9 hoje, um territ\u00f3rio vivo e produtivo\u201d, conta Leila Santana, da dire\u00e7\u00e3o Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). \u201cAfirmar isso \u00e9 reconhecer que o semi\u00e1rido atual se sustenta justamente na agroecologia desenvolvida por essas popula\u00e7\u00f5es, mesmo antes de o termo existir. Foi a partir dessas pr\u00e1ticas que se consolidou um modo de vida capaz de lidar com as adversidades clim\u00e1ticas, criando sistemas produtivos alternativos e sustent\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p>Leila destaca ainda que a pr\u00e1tica agroecol\u00f3gica articula conhecimentos locais e cient\u00edficos para fortalecer a resili\u00eancia do bioma Caatinga na regi\u00e3o. \u201cEssa integra\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e saberes n\u00e3o apenas garante a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, mas tamb\u00e9m representa uma forma de resist\u00eancia territorial e de produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de conhecimento\u201d, aponta. \u00c9 uma mudan\u00e7a da l\u00f3gica do \u201ccombate \u00e0 seca\u201d para a conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>O projeto \u201cMapeamento de Sistemas Agr\u00edcolas Familiares Resilientes \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Desertifica\u00e7\u00e3o no Semi\u00e1rido Brasileiro\u201d, financiado pelo CNPq, conseguiu detalhar como se d\u00e1 essa o desenvolvimento dessa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o dos camponeses \u00e0 realidade local. \u201cOs resultados mostraram que muitas fam\u00edlias no semi\u00e1rido brasileiro t\u00eam respondido positivamente aos desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da desertifica\u00e7\u00e3o. Elas demonstraram grande capacidade de inova\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia, baseadas na intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o por meio da valoriza\u00e7\u00e3o dos recursos locais, do uso de tecnologias apropriadas e da diversifica\u00e7\u00e3o dos sistemas produtivos. Essas fam\u00edlias criaram redes de manejo integrado, utilizando sistemas complementares para a forma\u00e7\u00e3o de estoques de \u00e1gua, forragens, alimentos e sementes, o que resulta em uma maior circula\u00e7\u00e3o de nutrientes, biomassa e energia dentro dos agroecossistemas\u201d, apontam o pesquisador do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (INSA), Aldrin M. P\u00e9rez-Marine, e o professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), Jonas Duarte, em artigo.<\/p>\n<p>Eles ressaltam a import\u00e2ncia do desenvolvimento de tecnologias sociais e de pol\u00edticas p\u00fablicas para dar suporte \u00e0s fam\u00edlias. \u201cA ado\u00e7\u00e3o de tecnologias sociais, como cisternas e po\u00e7os, tem garantido uma importante seguran\u00e7a h\u00eddrica para consumo dom\u00e9stico e produ\u00e7\u00e3o. A reciprocidade ecol\u00f3gica e social observada nas iniciativas agroecol\u00f3gicas foi alta, com mais de 80% de efic\u00e1cia, o que fortaleceu a capacidade das comunidades de lidar com a escassez de \u00e1gua e melhorar sua produtividade\u201d, pontuam. \u201cAl\u00e9m dos benef\u00edcios produtivos, os sistemas agr\u00edcolas familiares de bases agroecol\u00f3gicas contribu\u00edram para a gera\u00e7\u00e3o de renda. As fam\u00edlias comercializam seus produtos em diversos mercados locais, como feiras, o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE). Isso resultou em uma renda est\u00e1vel e crescente, que, somada \u00e0 renda n\u00e3o agr\u00edcola, garantiu uma economia familiar mais robusta, com lucro entre 2 a 3 d\u00f3lares para cada d\u00f3lar investido, e uma maior soberania econ\u00f4mica.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Desafios e contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m da COP30, o Congresso busca tamb\u00e9m colocar o tema da agroecologia como priorit\u00e1rio no cen\u00e1rio pol\u00edtico-institucional, em vista das elei\u00e7\u00f5es de 2026. Como lembra o texto da programa\u00e7\u00e3o do evento, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas foram institucionalizados no pa\u00eds diversos instrumentos de pol\u00edticas p\u00fablicas que incorporam estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, do manejo sustent\u00e1vel e da justi\u00e7a alimentar. Mas se avan\u00e7os foram conquistados, os desafios, diante de um quadro persistente de desigualdade em diversos aspectos e das mudan\u00e7as no clima, permanecem.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um exemplo para o mundo de como implementar pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de fazer a diferen\u00e7a. Quase metade da agricultura familiar do pa\u00eds est\u00e1 concentrada na regi\u00e3o do semi\u00e1rido, que se tornou uma refer\u00eancia justamente por isso \u2014 por mostrar caminhos concretos para a conviv\u00eancia sustent\u00e1vel com o clima e o territ\u00f3rio\u201d, observa Paulo Petersen. \u201cNo entanto, as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o grandes. A maior parte dos recursos p\u00fablicos ainda se concentra na produ\u00e7\u00e3o de commodities, o que gera impactos profundos, inclusive sobre os sistemas alimentares. Enquanto isso, as pol\u00edticas voltadas \u00e0 agroecologia continuam subfinanciadas.\u201d<\/p>\n<p>Nesse sentido, seria necess\u00e1rio dar um salto em termos de investimentos e prioriza\u00e7\u00e3o de recursos por parte do Estado. \u201cApesar de haver algum apoio p\u00fablico \u2014 at\u00e9 porque vivemos um governo de coaliz\u00e3o \u2014, os incentivos continuam desiguais. H\u00e1 subs\u00eddios significativos para o agroneg\u00f3cio, para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ultraprocessados, o uso de agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos, enquanto a agricultura familiar e a agroecologia recebem menos investimentos. \u00c9 preciso inverter essa l\u00f3gica e reorientar a destina\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos\u201d, defende o agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a agroecologia tamb\u00e9m trazem outros aprendizados e despertam outras necessidades, como pontua Leila Santana. \u201cAs pol\u00edticas e programas voltados ao semi\u00e1rido deixaram um legado importante: o de pensar a seguran\u00e7a e a soberania alimentar dentro das pr\u00f3prias pol\u00edticas p\u00fablicas. Isso passa por compreender a necessidade de territorializar essas pol\u00edticas. Ou seja, adapt\u00e1-las \u00e0s condi\u00e7\u00f5es naturais, sociais e culturais de cada regi\u00e3o, para que seus impactos sejam concretos e sustent\u00e1veis\u201d, explica.<\/p>\n<p>Dentro desse cen\u00e1rio, as iniciativas que mais se territorializaram foram justamente aquelas que se moldaram \u00e0s realidades locais, respeitando o bioma e incorporando metodologias pr\u00f3prias de constru\u00e7\u00e3o territorial. \u201cEsse \u00e9 um aprendizado essencial deixado pelo conjunto de programas implementados no semi\u00e1rido, como os sistemas de acesso \u00e0 \u00e1gua para consumo e produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Leila. Esses exemplos mostram, segundo ela, que n\u00e3o existem pol\u00edticas eficazes quando atuam de forma isolada.<\/p>\n<p>A encruzilhada brasileira (e mundial) se torna mais n\u00edtida, persistir em um modelo agropecu\u00e1rio que aprofunda a crise clim\u00e1tica e social ou abra\u00e7ar pr\u00e1ticas como a da agroecologia como um caminho rumo \u00e0 soberania alimentar e \u00e0 justi\u00e7a ambiental. A COP30 se aproxima, e com ela a oportunidade de o Brasil ir al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de metas, demonstrando que a verdadeira pot\u00eancia reside na capacidade de alimentar seu povo e preservar seu territ\u00f3rio, honrando a resili\u00eancia de quem faz da terra um espa\u00e7o de vida, e n\u00e3o de lucro predat\u00f3rio.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Diversas experi\u00eancias, inclusive o local que a sediar\u00e1, mostram que uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel \u00e9 poss\u00edvel. Mas depende de investimentos robustos do Estado<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/agroecologia-um-campo-para-a-justica-climatica\/\">Agroecologia, um campo para a justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58424,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[306,25002,2519,1760,8064,570,1300,1265,5840],"tags":[],"class_list":["post-58423","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agroecologia","category-congresso-brasileiro-de-agroecologia","category-cop30","category-eleicoes-2026","category-mpa","category-mudancas-climaticas","category-seguranca-alimentar","category-soberania-alimentar","category-terra-e-antropoceno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}