{"id":58607,"date":"2025-10-15T18:20:32","date_gmt":"2025-10-15T21:20:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/divida-publica-o-que-celso-furtado-ja-avisava\/"},"modified":"2025-10-15T18:20:32","modified_gmt":"2025-10-15T21:20:32","slug":"divida-publica-o-que-celso-furtado-ja-avisava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/divida-publica-o-que-celso-furtado-ja-avisava\/","title":{"rendered":"D\u00edvida p\u00fablica: O que Celso Furtado j\u00e1 avisava?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"630\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20210519_celso_furtado.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20210519_celso_furtado.png 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20210519_celso_furtado-300x158.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20210519_celso_furtado-768x403.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O reconhecido economista brasileiro Celso Furtado, h\u00e1 d\u00e9cadas, apontava o endividamento p\u00fablico (na ocasi\u00e3o, principalmente o endividamento externo), como um risco estrutural \u00e0 soberania econ\u00f4mica e pol\u00edtica nacional. Para ele, a d\u00edvida, quando descontrolada, e inserida em um contexto internacional desfavor\u00e1vel, cria uma depend\u00eancia de pol\u00edticas ditadas por credores e organismos multilaterais, travando o desenvolvimento de longo prazo do pa\u00eds. Em novembro de 1998, o Brasil quebrou financeiramente, tendo que recorrer ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que fez, at\u00e9 ent\u00e3o, o maior empr\u00e9stimo da hist\u00f3ria do Fundo, de US$ 41,5 bilh\u00f5es. Era o desfecho de uma pol\u00edtica de terra entreguista e antinacional, que visava apenas resolver a crise nos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>A partir dali, vieram as condicionalidades do FMI, presentes at\u00e9 hoje na economia nacional: ajuste fiscal infinito (ado\u00e7\u00e3o do conceito de super\u00e1vit prim\u00e1rio nas contas p\u00fablicas), reformas \u201cestruturais\u201d, privatiza\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as cambiais (consolida\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio flutuante com metas de infla\u00e7\u00e3o, a partir de 1999). Era o Brasil, mais uma vez, \u201ccomendo na m\u00e3o\u201d do predador. O governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi uma aula completa de como tornar o pa\u00eds vulner\u00e1vel \u00e0s pot\u00eancias: ainda sob esse governo, as finan\u00e7as do Brasil iriam \u00e0 lona mais duas vezes, precisando recorrer aos empr\u00e9stimos do FMI em 2001 e 2002.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1960, Furtado alertava que pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o deveriam ficar ref\u00e9ns do calend\u00e1rio de rolagem da d\u00edvida e da sensibilidade dos fluxos financeiros de curto prazo. Se referia, nesse caso, \u00e0 d\u00edvida externa, que era o grande problema \u00e0 \u00e9poca. Como Ministro do Planejamento de Jo\u00e3o Goulart, Furtado estruturou o Plano Trienal (1963\u20131965), que procurava, dentre outras medidas, enfrentar a restri\u00e7\u00e3o externa, a gest\u00e3o da d\u00edvida e a vulnerabilidade a fluxos de curto prazo. O economista sabia que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desenvolver pol\u00edtica econ\u00f4mica adequada, se n\u00e3o houver independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constrangimentos financeiros de curto prazo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/4Semana-12-18-Parcerias-OP_-Armazem-do-Campo-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/4Semana-12-18-Parcerias-OP_-Armazem-do-Campo-3.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/4.Semana-12-18-Parcerias-OP_-Armazem-do-Campo-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Furtado era um cr\u00edtico da \u201carmadilha dos juros\u201d: afirmava que juros persistentemente altos podem gerar uma din\u00e2mica em que a pr\u00f3pria d\u00edvida se retroalimenta, desviando recursos do investimento produtivo e acentuando a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia. Que \u00e9 exatamente o que ocorre hoje no Brasil: cada 1 ponto percentual da taxa Selic, significa, em 12 meses, R$ 38,0 bilh\u00f5es a mais em juros. Furtado recomendava tamb\u00e9m a prioriza\u00e7\u00e3o de excedentes de exporta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas com objetivo cont\u00e1bil, mas tamb\u00e9m como estrat\u00e9gia para reduzir a depend\u00eancia dos bancos, especialmente do financiamento internacional.<\/p>\n<p>Celso Furtado, desde a d\u00e9cada de 1960, apontava alguns aspectos em rela\u00e7\u00e3o ao endividamento p\u00fablico, que permanecem extremamente atuais. Para ele a d\u00edvida p\u00fablica funcionava como mecanismo de \u201cnova depend\u00eancia\u201d, termo que se contrapunha \u00e0 \u201cantiga depend\u00eancia\u201d, ou seja, o legado colonial que inseriu o Brasil em uma posi\u00e7\u00e3o subalterna dentro da divis\u00e3o internacional do trabalho, fen\u00f4meno analisado pelo economista em sua obra. A \u201cnova depend\u00eancia\u201d, para o economista, representava uma mudan\u00e7a de formato no controle externo, em que as rela\u00e7\u00f5es de poder deixaram de ser diretamente comerciais e passaram a ser financeiras e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Furtado tinha consci\u00eancia que ambas as formas de depend\u00eancia tornavam a situa\u00e7\u00e3o brasileira muito vulner\u00e1vel. Por\u00e9m, a nova depend\u00eancia era particularmente nociva porque, enquanto a industrializa\u00e7\u00e3o era um caminho para superar a antiga depend\u00eancia, o crescimento do endividamento externo reintroduziu novos tipos de depend\u00eancia. Essa depend\u00eancia financeira perpetuou o atraso econ\u00f4mico e manteve o Brasil subordinado \u00e0s din\u00e2micas do imperialismo. Furtado denunciava que os ajustes monetaristas \u201cortodoxos\u201d do per\u00edodo da crise da d\u00edvida (no caso da d\u00edvida externa, cuja situa\u00e7\u00e3o foi agravada nos anos de 1980) aprofundaram a recess\u00e3o e o desemprego sem enfrentar os entraves estruturais do pa\u00eds. Entraves como industrializa\u00e7\u00e3o incompleta, restri\u00e7\u00e3o externa, e desigualdade social.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise econ\u00f4mica de Furtado tem alguns eixos anal\u00edticos centrais:<\/p>\n<p>1.<strong>D\u00edvida externa como vetor de depend\u00eancia<\/strong>: Mais do que um simples passivo financeiro, a d\u00edvida estabelece rela\u00e7\u00f5es de poder que determinam pol\u00edticas internas. As condicionalidades associadas ao acesso ao financiamento, impostas pelos credores (austeridade fiscal, abertura financeira etc.) estreitam a autonomia da pol\u00edtica econ\u00f4mica como um todo, incluindo a pol\u00edtica industrial e da renda. Furtado se referia mais \u00e0 d\u00edvida externa, principal problema em sua \u00e9poca. Mas todo o racioc\u00ednio vale para a d\u00edvida interna. A pol\u00edtica de obten\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit prim\u00e1rio a qualquer custo, condiciona a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica como um todo. A pol\u00edtica destinada \u00e0 reindustrializa\u00e7\u00e3o neste ano, por exemplo, representa uma fra\u00e7\u00e3o dos gastos com juros da d\u00edvida.<\/p>\n<p>2. <strong>Cr\u00edtica ao monetarismo e aos ajustes pr\u00f3-ciclo<\/strong>: Furtado criticava o combate inflacion\u00e1rio pelo vi\u00e9s monet\u00e1rio, sem considerar pol\u00edticas de desenvolvimento, o que levava a longas recess\u00f5es, com desemprego e todas as suas consequ\u00eancias. Furtado entendia o combate inflacion\u00e1rio como parte de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento nacional e n\u00e3o como um fim em si mesmo.<\/p>\n<p>3.<strong>A \u201crestri\u00e7\u00e3o externa\u201d e o padr\u00e3o de financiamento do crescimento<\/strong>: Furtado apontava o gargalo recorrente que a economia encontrava no setor externo, o que levava o pa\u00eds a recorrer ao endividamento externo. Quando o ciclo econ\u00f4mico se revertia (por exemplo nas desvaloriza\u00e7\u00f5es cambiais), o governo tinha que fazer choques de ajuste, que conduzia o pa\u00eds \u00e0 recess\u00e3o. Ainda que, neste momento, o pa\u00eds disponha de reservas internacionais, ou seja, o gargalo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, o problema permanece, na medida em que a Selic \u00e9 mantida nas alturas, visando atrair d\u00f3lares, mantendo assim uma taxa de c\u00e2mbio em equil\u00edbrio, ou seja, evitando a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, que pressiona os pre\u00e7os. Quando a Selic sobe, o diferencial de juros entre Brasil e exterior tende a aumentar (especialmente em termos reais), tornando ativos em reais relativamente mais atraentes. Isso estimula a entrada de capitais, elevando a oferta de d\u00f3lares no mercado dom\u00e9stico. Importados e bens com alto conte\u00fado de insumos importados ficam relativamente mais baratos, impactando outros pre\u00e7os e reduzindo as press\u00f5es de curto prazo na infla\u00e7\u00e3o de bens transacion\u00e1veis. Al\u00e9m do c\u00e2mbio, h\u00e1 outros canais de transmiss\u00e3o dos juros para os pre\u00e7os, como a demanda e o cr\u00e9dito: juros mais altos encarecem e restringem o cr\u00e9dito, desestimulando consumo e investimento, aliviando press\u00f5es de demanda.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>4.<strong>Desenvolvimento do mercado interno como estrat\u00e9gia de desenvolvimento<\/strong>: o economista relacionava a sa\u00edda para a quest\u00e3o do endividamento ao aumento da capacidade de gerar divisas e de promover o crescimento da economia com base na expans\u00e3o do mercado interno. Entre as medidas chaves sugeridas estavam a amplia\u00e7\u00e3o do mercado interno atrav\u00e9s da eleva\u00e7\u00e3o da renda e a reforma agr\u00e1ria, visando aumentar a demanda, produtividade, e desenvolvimento industrial.<\/p>\n<p>Celso Furtado, que normalmente tinha posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica moderada, era extremamente consciente dos malef\u00edcios causadas pelo endividamento, especialmente o externo. Sabia que a vulnerabilidade \u00e9 maior quando predominam passivos em moeda estrangeira e de curto prazo. Logo, alongar prazos, reduzir exposi\u00e7\u00e3o cambial e priorizar financiamento em moeda dom\u00e9stica s\u00e3o coerentes com sua vis\u00e3o.<\/p>\n<p>O economista enxergava a estabilidade de pre\u00e7os n\u00e3o como um fim em si mesmo, mas como meio de desenvolvimento do pa\u00eds. Em mais de uma ocasi\u00e3o defendeu a morat\u00f3ria da d\u00edvida, como instrumento de retomada do crescimento. Pregou o uso desse recurso de forma planejada, sem improvisa\u00e7\u00e3o, com prepara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e institucional. A an\u00e1lise de Furtado traz um componente fundamental e atual, que \u00e9 o problema da vulnerabilidade estrutural das economias perif\u00e9ricas, que est\u00e3o inseridas de modo subordinado na divis\u00e3o internacional do trabalho. H\u00e1 uma hierarquia do sistema internacional, atrav\u00e9s da mecanismos como moedas fortes e fracas, acesso a tecnologias, acesso a bens de capital, que for\u00e7a os pa\u00edses atrasados a adotarem determinadas pol\u00edticas compat\u00edveis com a situa\u00e7\u00e3o. As pol\u00edticas econ\u00f4micas nos pa\u00edses atrasados, se sujeitam a essa hierarquia internacional, inclusive via endividamento. Apesar do problema ser mais grave quando a d\u00edvida \u00e9 externa \u2013 ou seja, se encontra em moeda estrangeira \u2013 mesmo com d\u00edvida interna o problema continua persistindo. Isso ocorre por alguns motivos:<\/p>\n<ul>\n<li>A moeda dom\u00e9stica est\u00e1 abaixo na hierarquia monet\u00e1ria internacional, n\u00e3o serve como reserva global. As moedas de reserva global s\u00e3o as moedas dos principais pa\u00edses imperialistas.<\/li>\n<li>A defesa do c\u00e2mbio exige juros elevados e ortodoxia fiscal, refor\u00e7ando o peso da renda financeira sobre o or\u00e7amento nacional.<\/li>\n<li>Choques externos (termos de troca, liquidez global) definem as pol\u00edticas financeiras internas. Por exemplo, o Copom, quando aumenta ou mant\u00e9m a taxa Selic, muitas vezes d\u00e1 um peso, nessa tomada de decis\u00e3o, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o internacional.<\/li>\n<\/ul>\n<p> Ou seja, a d\u00edvida interna, em moeda nacional tem uma \u201cface externa\u201d porque as bases jur\u00eddicas e institucionais nacionais trabalham sob uma disciplina de finan\u00e7as globalizadas. \u00c0 luz das formula\u00e7\u00f5es do economista, pode-se citar alguns mecanismos concretos de como a d\u00edvida p\u00fablica restringe a economia brasileira:<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Taxa b\u00e1sica elevada e indexa\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos<\/strong>: existe uma elevada correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel da Selic e o custo de rolagem da d\u00edvida. Quando a Selic sobe, o custo de carregar e rolar a d\u00edvida p\u00fablica tende a subir quase automaticamente, especialmente quando h\u00e1 parcela relevante de t\u00edtulos indexados \u00e0 pr\u00f3pria Selic ou com prazos curtos. Quando h\u00e1 o chamado aperto monet\u00e1rio, ou seja, quando aumenta a taxa de juros, h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para pagar os juros da d\u00edvida. Taxa de juros altas significa previd\u00eancia social e sa\u00fade, em risco.<\/p>\n<p>\u2022 \u201c<strong>Colch\u00f5es de liquidez\u201d<\/strong>: a remunera\u00e7\u00e3o de liquidez banc\u00e1ria por opera\u00e7\u00f5es de mercado aberto\/dep\u00f3sitos remunerados cria um piso para taxas de curto prazo, assegurando renda financeira est\u00e1vel aos bancos. Esse mecanismo que combina \u201creservas\/dep\u00f3sitos remunerados + compromissadas\u201d para criar um piso \u00e9 pr\u00e1tica comum em outros pa\u00edses, com diferentes r\u00f3tulos. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o peso das opera\u00e7\u00f5es compromissadas no Brasil.<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Abertura da conta de capitais<\/strong>: juros altos atraem capitais especulativos, de curto prazo, aumentando a aprecia\u00e7\u00e3o e a volatilidade cambial; a aprecia\u00e7\u00e3o cambial retroalimenta a necessidade de manter juros elevados para zelar pelas expectativas dos chamados agentes econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Tratamento tribut\u00e1rio e distributivo<\/strong>: O Estado brasileiro, ao mesmo tempo em que remunera detentores de t\u00edtulos e passivos do Banco Central com juros extremamente generosos, tributa pouco essa mesma renda financeira. De outro lado, a estrutura tributa fortemente consumo e trabalho; o resultado \u00e9 uma monstruosa transfer\u00eancia l\u00edquida de renda dos estratos de renda mais baixos para os de renda mais alta.<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Regras fiscais feitas para garantir o servi\u00e7o da d\u00edvida<\/strong>: toda a \u00eanfase est\u00e1 na obten\u00e7\u00e3o de resultado prim\u00e1rios, quando se sabe que o problema fiscal do Brasil \u00e9 o custo da d\u00edvida p\u00fablica. A renda financeira dos grandes grupos \u00e9 sagrada, nela n\u00e3o se pode mexer. Pode-se fazer infinitas \u201creformas\u201d na previd\u00eancia social, diminuindo o acesso da popula\u00e7\u00e3o a ela, mas os ganhos dos rentistas \u00e9 intoc\u00e1vel.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post D\u00edvida p\u00fablica: O que Celso Furtado j\u00e1 avisava? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-uma-ruptura-civilizacional-esquenta-pra-cop30\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Por uma ruptura civilizacional | Esquenta pra COP3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-e-flavio-mais-cautelosos-que-o-usual-deixam-publico-dar-recados-no-7-de-setembro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula e Fl\u00e1vio, mais cautelosos que o usual, deixam...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/donald-trump-poderia-retirar-tropas-estadunidenses-da-siria-opina-mre-turco\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Donald Trump poderia retirar tropas estadunidenses...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/encurralado-pela-economia-global-trump-ve-colapso-da-hegemonia-dos-eua-com-continuidade-da-guerra\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Encurralado pela economia global, Trump v\u00ea \u2018colaps...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00edtico da \u201carmadilha dos juros\u201d, o economista brasileiro alertou para a retroalimenta\u00e7\u00e3o rentista que desvia recursos do investimento produtivo. O retrato de hoje: a cada 1% da Selic significa, em 12 meses, R$ 38 bilh\u00f5es a mais em juros aos financistas<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/divida-publica-o-que-celso-furtado-ja-avisava\/\">D\u00edvida p\u00fablica: O que Celso Furtado j\u00e1 avisava?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58608,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11694,10651,10493,381,1178,25145,607,4431,6021,2956,25146,4972],"tags":[],"class_list":["post-58607","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitalismo-financeiro","category-celso-furtado","category-divida-externa","category-divida-publica","category-fhc","category-fiancismo","category-fmi","category-juros-da-divida","category-mercado-x-democracia","category-neoliberalismo","category-nova-dependencia","category-rentismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58607"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58607\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}