{"id":58611,"date":"2025-10-15T19:08:06","date_gmt":"2025-10-15T22:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wikifavelas-uma-autoanalise-para-a-soberania-tecnologica\/"},"modified":"2025-10-15T19:08:06","modified_gmt":"2025-10-15T22:08:06","slug":"wikifavelas-uma-autoanalise-para-a-soberania-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wikifavelas-uma-autoanalise-para-a-soberania-tecnologica\/","title":{"rendered":"Wikifavelas: Uma autoan\u00e1lise para a soberania tecnol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5152445602867120964.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5152445602867120964.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5152445602867120964-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5152445602867120964-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As <u>Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TICs)<\/u> constituem, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, um dos eixos centrais de reorganiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas sociais, econ\u00f4micas e culturais. Seu desenvolvimento est\u00e1 associado a uma transforma\u00e7\u00e3o profunda nas formas de acesso, produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do conhecimento, ao mesmo tempo em que gera novas modalidades de intera\u00e7\u00e3o entre sujeitos e institui\u00e7\u00f5es. No entanto, a centralidade adquirida pelas <u>tecnologias digitais<\/u> n\u00e3o se distribui de forma homog\u00eanea. A estrutura\u00e7\u00e3o da internet em torno de plataformas controladas por grandes conglomerados tecnol\u00f3gicos \u2013 as chamadas <em>big techs<\/em> \u2013 introduz um paradoxo: amplia-se o alcance das TICs, mas preserva-se a l\u00f3gica de concentra\u00e7\u00e3o de poder e de mercantiliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caso brasileiro ilustra bem essa tens\u00e3o. Segundo levantamento recente, o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds no mundo em tempo m\u00e9dio de <u>perman\u00eancia online<\/u>, atr\u00e1s apenas das Filipinas (Metr\u00f3poles, 2024)<sup><sup>1<\/sup><\/sup>. Esse dado sugere uma intensa incorpora\u00e7\u00e3o das tecnologias digitais no cotidiano da popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m convida a refletir sobre a qualidade desse engajamento. Trata-se de um uso efetivamente emancipador, capaz de promover novas formas de participa\u00e7\u00e3o social, ou de um consumo predominantemente mediado pelas grandes plataformas, reproduzindo padr\u00f5es de aliena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e depend\u00eancia digital?<\/p>\n<p>Assim, discutir as TICs implica ir al\u00e9m de sua dimens\u00e3o instrumental e considerar os desafios relacionados \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o social de suas potencialidades, considerando seu papel como mediadoras carregadas de valores, interesses e disputas (Faustino, Lippold, 2023). Torna-se fundamental questionar at\u00e9 que ponto a hegemonia mercantil das <em>big techs<\/em> limita a diversidade de usos e como alternativas \u2013 tanto no campo das pol\u00edticas p\u00fablicas quanto em iniciativas comunit\u00e1rias e acad\u00eamicas \u2013 que podem contribuir para ampliar horizontes de inclus\u00e3o, autonomia e democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Prancheta-4-8.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Prancheta-4-8.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Essa tens\u00e3o se evidencia ainda mais quando deslocamos o olhar para as favelas e periferias brasileiras. A mesma infraestrutura digital que promete \u201cinclus\u00e3o\u201d \u00e9 tamb\u00e9m a que refor\u00e7a barreiras de acesso, vigil\u00e2ncia e estigmatiza\u00e7\u00e3o. Como destacam Fleury, Fornazin e Silva (2021), o debate sobre favelas \u00e9 fragmentado e hier\u00e1rquico, o que tende a invisibilizar os saberes locais e a rebaixar a produ\u00e7\u00e3o cultural das periferias a um lugar subalterno. \u00c9 essa mesma l\u00f3gica que se reproduz no espa\u00e7o digital, t\u00e3o celebrado como territ\u00f3rio da liberdade, mas que continua a reproduzir as l\u00f3gicas coloniais e excludentes do mundo f\u00edsico: acesso prec\u00e1rio, concentra\u00e7\u00e3o de poder em poucas plataformas e apagamento sistem\u00e1tico de vozes perif\u00e9ricas. Os autores citam Arendt para lembrar que a apropria\u00e7\u00e3o discursiva \u00e9 fundamento da condi\u00e7\u00e3o humana, e proibir o discurso \u00e9 negar o indiv\u00edduo como sujeito de a\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, disputar o espa\u00e7o digital torna-se parte central das lutas pela cidadania e pelo direito \u00e0 cidade. Deivison Faustino (2023) prop\u00f5e uma cr\u00edtica hacker-fanoniana ao colonialismo digital, destacando que o horizonte emancipat\u00f3rio n\u00e3o est\u00e1 em rejeitar a tecnologia, mas em calibaniz\u00e1-la, isto \u00e9, ressignific\u00e1-la a partir de pr\u00e1ticas anticoloniais. Nesse contexto, abordamos o caso do Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco, que, por meio da <u>plataforma WikiFavelas<\/u>, age como um instrumento de resist\u00eancia \u00e0s pr\u00e1ticas colonialistas de epistemic\u00eddio ao elaborar um sistema agregador de saberes m\u00faltiplos sobre espa\u00e7os de favelas e periferias do Brasil e do mundo. Nesse sentido, apresentamos uma an\u00e1lise dos verbetes desta plataforma associados \u00e0 <u>palavra-chave \u201cTecnologia\u201d<\/u> e suas varia\u00e7\u00f5es. Este mapeamento evidenciou que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico nas periferias envolve tanto o uso pr\u00e1tico como a apropria\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que moradores e moradoras fazem da elabora\u00e7\u00e3o das tecnologias.<\/p>\n<h3><strong>A plataforma Wikifavelas<\/strong><\/h3>\n<p>A <u>Wiki<\/u><u>F<\/u><u>avelas<\/u> \u00e9 uma plataforma wiki agregadora de conhecimento perif\u00e9rico, que conta com equipe multidisciplinar da qual fazem parte pessoas de favelas e periferias, junto a diferentes atores envolvidos na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e pol\u00edticas para esses territ\u00f3rios. O projeto, lan\u00e7ado em 2019, \u00e9 uma plataforma aberta, gratuita e livre, que funciona de forma colaborativa, com o objetivo de apresentar conte\u00fados diversos sobre as hist\u00f3rias e mem\u00f3rias das favelas, contribuindo para a difus\u00e3o de saberes, narrativas e pr\u00e1ticas plurais.<\/p>\n<p>A WikiFavelas.com.br \u00e9 estruturada em verbetes, que representam produ\u00e7\u00f5es autorais sobre temas relacionados a favelas e periferias, podendo ser diversos tipos de manifesta\u00e7\u00f5es. Qualquer pessoa pode incluir um verbete e todas as entradas est\u00e3o abertas para acesso e colabora\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, com a inten\u00e7\u00e3o de que diversas opini\u00f5es e vis\u00f5es acerca dos temas abordados sejam contempladas. O conte\u00fado \u00e9 classificado em <u>eixos de an\u00e1lise e categorias tem\u00e1ticas<\/u>, al\u00e9m de haver um sistema de indexa\u00e7\u00e3o a partir de palavras-chave. Como uma plataforma colaborativa e aberta, as palavras-chave s\u00e3o inseridas por pessoas usu\u00e1rias, criando uma esp\u00e9cie de folksonomia das periferias, uma ontologia das palavras mais usadas por moradores de favelas e de vozes que rompem o sil\u00eancio. Sendo assim, o Dicion\u00e1rio procura construir um sistema que foge da categoriza\u00e7\u00e3o em linguagem formal \u2013 universalizante -, mas procura apresentar as epistemologias perif\u00e9ricas m\u00faltiplas e invisibilizadas.<\/p>\n<p>Dentro desse universo colaborativo, a tecnologia surge como um tema recorrente e revelador. Ao analisar os verbetes associados \u00e0 palavra-chave \u201cTecnologia\u201d e suas varia\u00e7\u00f5es (\u201cTecnologias\u201d, \u201cTecnologia Digital\u201d), abre-se um campo f\u00e9rtil para compreender como esses territ\u00f3rios vivenciam e reconfiguram as ferramentas digitais e comunicacionais. O mapeamento mostra que, nas favelas, a tecnologia n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de dispositivos ou softwares, mas atravessa \u00e1reas cruciais como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, seguran\u00e7a e empreendedorismo.<\/p>\n<p>Aqui emerge uma quest\u00e3o central: essas tecnologias s\u00e3o criadas desde as favelas, como express\u00f5es de autonomia e criatividade, ou chegam de fora, impostas por l\u00f3gicas mercantis e estatais que pouco dialogam com as realidades locais? Essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 meramente t\u00e9cnica. Ela toca diretamente naquilo que alguns te\u00f3ricos chamam de aliena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u2013 a dist\u00e2ncia entre quem cria, controla e lucra com as tecnologias e quem apenas as consome ou sofre seus efeitos.<\/p>\n<p>O Dicion\u00e1rio de Favelas, ao reunir verbetes sobre tecnologia, oferece um contraponto potente a essa aliena\u00e7\u00e3o. Ele permite que a favela fale de tecnologia em seus pr\u00f3prios termos, nomeando experi\u00eancias, criando narrativas e registrando usos que n\u00e3o cabem nas categorias impostas de fora. Ao mesmo tempo, evidencia que as periferias n\u00e3o s\u00e3o apenas consumidoras passivas de inova\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m produtoras de solu\u00e7\u00f5es criativas que desafiam a l\u00f3gica dominante.<\/p>\n<p>Mais do que perguntar \u201cquem tem acesso \u00e0 tecnologia?\u201d, a provoca\u00e7\u00e3o \u00e9: quem a define, quem a controla e quem a ressignifica? A an\u00e1lise dos verbetes indexados pela plataforma do Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco nos convida a questionar as formas dominantes de apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, ao mesmo tempo em que abre espa\u00e7o para imaginar outras maneiras de produzir e compartilhar conhecimento \u2013 a partir do territ\u00f3rio, da coletividade e da insurg\u00eancia.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Pensando a m<\/strong><strong>etodologia<\/strong><\/h3>\n<p>A WikiFavelas ultrapassou, em setembro de 2025, a marca dos 3000 verbetes, contando com cerca de 2700 usu\u00e1rios cadastrados. A predomin\u00e2ncia de verbetes nas categorias tem\u00e1ticas \u2018Associativismo e Movimentos Sociais\u2019, \u2018Cultura\u2019 e \u2018Favelas e Periferias\u2019 evidencia a relev\u00e2ncia de temas sociais e culturais, al\u00e9m da presen\u00e7a crescente de novos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos na plataforma. O foco geogr\u00e1fico da produ\u00e7\u00e3o ainda se concentra no Rio de Janeiro, mas seguindo para maior diversifica\u00e7\u00e3o. A maior frequ\u00eancia de termos indexadores como \u2018Localidades\u2019, \u2018Pol\u00edticas P\u00fablicas\u2019 e \u2018Direitos Humanos\u2019 indica forte presen\u00e7a de tem\u00e1ticas ligadas aos territ\u00f3rios, a\u00e7\u00f5es estatais e direitos sociais.<\/p>\n<p>A coleta dos dados da pesquisa aqui proposta foi realizada dentro do banco de dados da plataforma, que usa o <em>software <\/em>livre<em> phpMyAdmin<\/em> \u2013 alinhada com os princ\u00edpios de ci\u00eancia aberta adotados pela plataforma -, que permite o gerenciamento de banco de dados e extra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de linguagem SQL. As palavras-chave usadas para a extra\u00e7\u00e3o de dados foram \u201ctecnologia\u201d, \u201cdados\u201d, e suas varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir das buscas dos termos escolhidos, as palavras-chave encontradas foram: Ci\u00eancia e Tecnologia (1 verbete), Tecnologia (17), Tecnologia social (2), Tecnologias (20), Tecnologias digitais (5), Dados (25), Dados cidad\u00e3os (9) e Produ\u00e7\u00e3o de dados (1) \u2013 \u00e9 importante ressaltar que a utiliza\u00e7\u00e3o das palavras-chaves n\u00e3o \u00e9 excludente, logo, um verbete pode ter um ou mais termos indexados. Retirando duplicatas de verbetes que foram encontrados em ambas as buscas, 71 verbetes finais foram elencados. Cinco verbetes foram exclu\u00eddos da an\u00e1lise, um deles por ser a tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas de um dos verbetes j\u00e1 selecionados e outros 4 por estarem fora do escopo da pesquisa sobre tecnologias digitais e inova\u00e7\u00e3o. Sendo assim, 66 verbetes foram inclu\u00eddos na an\u00e1lise.<\/p>\n<h3><strong>Alguns r<\/strong><strong>esultados<\/strong><\/h3>\n<p>A plataforma do Dicion\u00e1rio de Favelas ainda n\u00e3o apresenta uma categoria tem\u00e1tica espec\u00edfica que re\u00fana verbetes relacionados \u00e0 tecnologia, por isso os verbetes que tratam do assunto est\u00e3o dispersos em diferentes se\u00e7\u00f5es \u2013 sem uma que os unifique. Entre as categorias que concentram maior n\u00famero de verbetes relacionados ao tema, as mais proeminentes s\u00e3o Associativismo e Movimentos Sociais (15), Pesquisas (13) e M\u00eddia e Comunica\u00e7\u00e3o (8). Esse mapeamento indica que os verbetes que tratam sobre tecnologia e dados possuem ampla preval\u00eancia de iniciativas de movimentos sociais e comunit\u00e1rios, pesquisas sobre os temas a partir do ponto de vista das favelas e periferias e formas de cria\u00e7\u00e3o, armazenamento e propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, com metodologias e processos que desafiam as l\u00f3gicas hegem\u00f4nicas de produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Dos 66 verbetes selecionados pelos par\u00e2metros apresentados, cinco continham a palavra-chave \u201cTecnologia social\u201d: <u>Mapeamento da Economia Criativa Enquanto Tecnologia Social<\/u>, <u>Shopping do Buraco<\/u>, <u>Dois Projetos e uma Tecnologia Social \u2013 A Constru\u00e7\u00e3o Ativa de uma Metodologia<\/u>, <u>Amor \u00e9 pol\u00edtica e tecnologia na Luta Contra as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/u> e <u>Bancos Comunit\u00e1rios de Desenvolvimento como Tecnologias de Resili\u00eancia<\/u>.<\/p>\n<p>Estes verbetes da WikiFavelas destacam experi\u00eancias comunit\u00e1rias que se configuram como tecnologias sociais, conceito entendido como \u201cConjunto de t\u00e9cnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas e\/ou aplicadas na intera\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o e apropriadas por ela, que representam solu\u00e7\u00f5es para inclus\u00e3o social e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida\u201d<sup><sup>2<\/sup><\/sup>. O texto relativo ao \u2018<u>Mapeamento da economia criativa enquanto tecnologia social<\/u>\u2019 aborda a articula\u00e7\u00e3o entre cultura, criatividade e gera\u00e7\u00e3o de renda na Mangueira, revelando como pr\u00e1ticas locais podem impulsionar inclus\u00e3o e autonomia econ\u00f4mica. O verbete \u2018<u>Shopping do Buraco<\/u>\u2019 narra a forma\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o comercial informal no Complexo de Manguinhos, onde comerciantes organizam coletivamente alternativas ao mercado formal, gerando trabalho e circula\u00e7\u00e3o de recursos. J\u00e1 \u2018<u>Dois projetos e<\/u><u>uma tecnologia social<\/u>\u2019 descreve a constru\u00e7\u00e3o participativa de metodologias educativas, envolvendo diretamente moradores na formula\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es adequadas ao seu cotidiano.<\/p>\n<p>O verbete \u2018<u>Amor \u00e9 pol\u00edtica e tecnologia na luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/u>\u2019 evidencia pr\u00e1ticas lideradas por mulheres negras que transformam solidariedade e cuidado em estrat\u00e9gias de enfrentamento \u00e0 crise clim\u00e1tica e \u00e0 aus\u00eancia do Estado. J\u00e1 \u2018<u>Bancos Comunit\u00e1rios de Desenvolvimento como tecnologias de resili\u00eancia<\/u>\u2019 analisa experi\u00eancias de microcr\u00e9dito comunit\u00e1rio em Niter\u00f3i, demonstrando como instrumentos financeiros adaptados ao contexto local fortalecem a autonomia e a resili\u00eancia das comunidades. Em todos os casos, verifica-se a centralidade da participa\u00e7\u00e3o popular, a apropria\u00e7\u00e3o coletiva das pr\u00e1ticas e a busca por inclus\u00e3o social e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias dialogam entre si ao enfatizarem protagonismo comunit\u00e1rio, organiza\u00e7\u00e3o coletiva e inova\u00e7\u00e3o social. Contudo, distinguem-se pelos campos de atua\u00e7\u00e3o: a economia criativa foca na cultura e simbologia; o Shopping do Buraco na pr\u00e1tica comercial autogerida; os projetos educativos na metodologia participativa; as a\u00e7\u00f5es contra mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na solidariedade pol\u00edtica; e os bancos comunit\u00e1rios na gest\u00e3o financeira local. Assim, tratam de m\u00faltiplas express\u00f5es de tecnologias sociais enraizadas nas favelas, que combinam criatividade, resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o social. Juntas, revelam que a tecnologia social n\u00e3o se restringe a instrumentos t\u00e9cnicos, mas tamb\u00e9m envolve afetos, economia, cultura e formas de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, mostrando a pot\u00eancia das favelas como espa\u00e7os de inova\u00e7\u00e3o social e de constru\u00e7\u00e3o de alternativas sustent\u00e1veis ao modelo excludente dominante.<\/p>\n<h3><strong>An\u00e1lise dos dados<\/strong><\/h3>\n<p>O primeiro passo para a an\u00e1lise dos verbetes foi identific\u00e1-los como tecnologias concretas ou tecnologias como conceito, com o primeiro objetivo de compreender se o conhecimento discutido no Dicion\u00e1rio se concentrava mais nas iniciativas e poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas do dia a dia das favelas e periferias ou se havia maior aprofundamento nas quest\u00f5es conceituais e nos impactos sociais. Tal distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se fez importante pois permitiu mapear iniciativas reais, como aplicativos, plataformas, laborat\u00f3rios e eventos que procuram impactar a vida cotidiana de moradores de \u00e1reas marginalizadas, al\u00e9m de identificar como as periferias interpretam a introdu\u00e7\u00e3o massiva da tecnologia na vida social, refletindo sobre seus efeitos pol\u00edticos, culturais e sociais. Esse primeiro mapeamento revela n\u00e3o apenas o que est\u00e1 sendo feito com tecnologia nos territ\u00f3rios, mas tamb\u00e9m como essas comunidades elaboram leituras cr\u00edticas e estrat\u00e9gicas sobre sua presen\u00e7a e seus desdobramentos.<\/p>\n<p>Essa estrutura de an\u00e1lise tamb\u00e9m serviu para evidenciar que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico nas periferias, dentro do universo da WikiFavelas, envolve tanto o uso pr\u00e1tico como a apropria\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que os pr\u00f3prios moradores fazem da elabora\u00e7\u00e3o da tecnologia. Ao mapear as iniciativas tang\u00edveis, como projetos, observat\u00f3rios, laborat\u00f3rios e aplicativos, foi poss\u00edvel identificar como a tecnologia \u00e9 incorporada para enfrentar desafios locais, promover inclus\u00e3o e criar novas oportunidades. Simultaneamente, entender o que a periferia pensa e debate sobre o impacto da tecnologia \u00e9 essencial para garantir que essas transforma\u00e7\u00f5es ocorram de forma \u00e9tica, justa e alinhada \u00e0s necessidades sociais, culturais e pol\u00edticas desses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Ao nos debru\u00e7armos sobre os verbetes identificados como tecnologia concreta, encontramos ferramentas, plataformas e iniciativas que se manifestam como experi\u00eancias reais, acess\u00edveis e reconhec\u00edveis pelas comunidades. Essa percep\u00e7\u00e3o surge do entendimento de que a tecnologia n\u00e3o \u00e9 apenas um c\u00f3digo ou um software, mas uma ferramenta ou um processo implementado para resolver problemas espec\u00edficos. A Plataforma <u>Voz das Comunidades<\/u> e o Jornal <u>Fala Ro\u00e7a<\/u>, por exemplo, constituem inst\u00e2ncias concretas do uso da tecnologia na forma de m\u00eddias digitais comunit\u00e1rias. Elas n\u00e3o apenas transmitem informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m funcionam como instrumentos de mobiliza\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, demonstrando como aplicativos e plataformas digitais se materializam na vida cotidiana, ocupando o lugar de ve\u00edculos que d\u00e3o visibilidade a realidades perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Outros exemplos de como as tecnologias se expressam concretamente se encontram em projetos e laborat\u00f3rios como o <u>LabJaca<\/u>, rebatizado como Instituto Decodifica, que aparecem como espa\u00e7os f\u00edsicos e colaborativos voltados para experimenta\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es a partir do territ\u00f3rio. O verbete <u>Gera\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de Dados \u2013 Cartografia dos Coletivos de Comunica\u00e7\u00e3o para promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/u> \u00e9 um exemplo de projeto de pesquisa que utiliza a tecnologia para mapear a\u00e7\u00f5es de coletivos populares. J\u00e1 o <u>Dados Sem Ca\u00f4<\/u> \u00e9 um guia pr\u00e1tico que ensina a acessar e tratar dados, democratizando o conhecimento e as ferramentas tecnol\u00f3gicas para jovens de favelas. Essas iniciativas demonstram como a tecnologia n\u00e3o se limita ao universo digital, mas pode se materializar em espa\u00e7os coletivos de aprendizagem e cria\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, elas oferecem ferramentas concretas de empoderamento comunit\u00e1rio, articulando ci\u00eancia, arte e pol\u00edtica para responder a desafios locais.<\/p>\n<p>Os verbetes que remetem a eventos culturais mediados pela tecnologia, como o <u>Criptofunk<\/u> e o <u>Cripto Agosto<\/u>, tamb\u00e9m s\u00e3o exemplos de concretude. Ambos mobilizam estruturas digitais e midi\u00e1ticas para potencializar experi\u00eancias culturais, ao mesmo tempo em que se tornam vitrines para talentos locais. Nesses casos, a tecnologia n\u00e3o aparece apenas como suporte, mas como parte constitutiva da realiza\u00e7\u00e3o e da difus\u00e3o, seja pela infraestrutura de som e imagem, seja pela circula\u00e7\u00e3o em plataformas digitais que ampliam o alcance das iniciativas.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia da tecnologia concreta \u00e9 sua capacidade de ser um catalisador de mudan\u00e7a social. Ela n\u00e3o se limita a um produto final, mas \u00e9 o processo e o resultado de uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. \u00c9 o oposto de algo abstrato; \u00e9 o que realmente funciona no dia a dia. Ao focar em projetos, eventos e plataformas, essa categoria destaca a tecnologia como uma for\u00e7a ativa e palp\u00e1vel, diretamente envolvida na transforma\u00e7\u00e3o das realidades comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o feita sobre as iniciativas concretas mostra ainda que as mais recorrentes s\u00e3o podcasts e projetos, seguidos por plataformas digitais (<u>Mapa das Periferias<\/u>, <u>Data Favela<\/u>, <u>Tabnet Municipal<\/u><sup><sup>3<\/sup><\/sup>) e por formatos como laborat\u00f3rios de pesquisa (<u>Labjaca,<\/u> <u>Pipas Labs Casa Voz<\/u>). Em menor escala, surgem ainda startups, observat\u00f3rios e projetos de pesquisa, al\u00e9m de exemplos pontuais como institutos, coletivos, healthtechs ou mesmo ferramentas espec\u00edficas, como o WhatsApp. Projetos comunit\u00e1rios de produ\u00e7\u00e3o de dados (<u>Rede Gera\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de Dados<\/u>, <u>De Olho na Mar\u00e9<\/u>), e iniciativas que promovem conectividade e autonomia (<u>M\u00e3es da Favela On<\/u>, <u>Favela Gaming<\/u>) tamb\u00e9m s\u00e3o bastante recorrentes. E eventos como o <u>I Semin\u00e1rio de Gera\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de Dados<\/u> criam uma experi\u00eancia real de troca de conhecimento e fortalecimento de redes. Juntos, esses tipos de verbetes mostram que a tecnologia nas periferias \u00e9, sobretudo, algo interativo e participativo, manifestando-se em iniciativas que demandam a\u00e7\u00e3o e engajamento direto das pessoas, e n\u00e3o apenas o consumo de um produto digital.<\/p>\n<p>Verbetes como <u>De Olho na Mar\u00e9<\/u> e <u>Gera\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de Dados<\/u> n\u00e3o se resumem a um aplicativo ou site; eles representam um trabalho cont\u00ednuo de pesquisa, monitoramento e capacita\u00e7\u00e3o. Isso sugere que as comunidades perif\u00e9ricas est\u00e3o priorizando abordagens sustentadas e estrat\u00e9gicas, onde a tecnologia \u00e9 uma ferramenta para alcan\u00e7ar objetivos sociais a longo prazo, como a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento local.<\/p>\n<p>Esse resultado pode indicar uma \u00eanfase estrat\u00e9gica das periferias em transformar a tecnologia em meios de narrativa, visibilidade e mobiliza\u00e7\u00e3o, mais do que em solu\u00e7\u00f5es puramente t\u00e9cnicas ou mercadol\u00f3gicas. Os projetos, laborat\u00f3rios e plataformas digitais que articulam inclus\u00e3o digital, gera\u00e7\u00e3o de conhecimento local e monitoramento social revelam uma preocupa\u00e7\u00e3o central com a capacidade das comunidades de se apropriarem da tecnologia para transformar suas realidades, questionar invisibiliza\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas e construir protagonismo pol\u00edtico-social \u2013 espa\u00e7os de experimenta\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o e fortalecimento comunit\u00e1rio. Assim, a predomin\u00e2ncia dessas formas concretas evidencia que a pr\u00e1tica tecnol\u00f3gica nas periferias se constr\u00f3i sobretudo pela produ\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de dados, inova\u00e7\u00e3o social aplicada e a participa\u00e7\u00e3o ativa dos moradores na utiliza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o das tecnologias, refletindo uma tecnologia mais humana e territorializada.<\/p>\n<p>Em contrapartida, os verbetes agrupados em tecnologia como conceito apontam para reflex\u00f5es mais profundas sobre o papel estrutural e simb\u00f3lico da tecnologia na contemporaneidade, como uma for\u00e7a que molda e \u00e9 moldada pela sociedade conforme avan\u00e7am conjuntamente. Tal perspectiva investiga como as tecnologias n\u00e3o funcionam apenas como ferramentas neutras \u2013 alheias \u00e0s demandas e idiossincrasias das sociedades onde est\u00e3o inseridas -, mas como estruturas capazes de provocar reflex\u00f5es, disputar espa\u00e7os e alterar rela\u00e7\u00f5es de poder. Tais verbetes possibilitam uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre os processos de opacidade, controle social e vieses embutidos, que extrapolam o mero funcionamento t\u00e9cnico para envolver desigualdades historicamente constru\u00eddas.<\/p>\n<p>Nessa categoria, temos como exemplo os verbetes <u>Algoritmos e Favela<\/u> e <u>Racismo Algor\u00edtmico<\/u>, que abordam quest\u00f5es \u00e9ticas relacionadas como a falta de transpar\u00eancia dos algoritmos em diversas \u00e1reas e sua interfer\u00eancia e\/ou perpetua\u00e7\u00e3o nas formas de (in)visibilidade, marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas. J\u00e1 o verbete Impacto da <u>IA nas Favelas \u2013 desafios e oportunidades<\/u> explora o tema da intelig\u00eancia artificial, problematizando os riscos \u00e9ticos, os vieses discriminat\u00f3rios e as disputas por justi\u00e7a social digital. Nesse contexto, a tecnologia n\u00e3o \u00e9 uma ferramenta em si, mas um sistema de for\u00e7as que pode ter profundos impactos na sociedade, especialmente em comunidades marginalizadas.<\/p>\n<p>A categoria de verbete que aborda a tecnologia como conceito tamb\u00e9m inclui reflex\u00f5es sobre o uso pol\u00edtico, aut\u00f4nomo e emancipat\u00f3rio da tecnologia, como no verbete <u>Ciberativismo Negro<\/u>, que discute tecnopol\u00edtica a partir da luta por cidadania digital e fortalecimento das identidades negras. Outro exemplo relevante \u00e9 o verbete <u>Letramento Digital<\/u>, que discute sobre a inclus\u00e3o digital e a import\u00e2ncia do desenvolvimento de compet\u00eancias cr\u00edticas para o uso das tecnologias, longe de ser apenas orientar a usar um computador ou plataforma, mas utilizar o letramento para inclus\u00e3o social e a cidadania digital. Essa perspectiva conceitual \u00e9 refor\u00e7ada em <u>Jovens pobres e o uso das NTICs na cria\u00e7\u00e3o de novas esferas p\u00fablicas democr\u00e1ticas<\/u>, verbete em que se argumenta que a educa\u00e7\u00e3o e, consequentemente, ampla utiliza\u00e7\u00e3o de novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o tem a capacidade de auxiliar mobiliza\u00e7\u00f5es sociais para a melhoria de qualidade de vida e garantia de direitos.<\/p>\n<p>Como se p\u00f4de observar, a categoria de tecnologia como conceito foca na sua capacidade de intervir profundamente nas din\u00e2micas sociais, servindo para contextualizar e teorizar sobre o papel das ferramentas digitais no mundo contempor\u00e2neo, analisando como elas podem ser instrumentos de controle, mas tamb\u00e9m de resist\u00eancia, empoderamento e transforma\u00e7\u00e3o. Esses verbetes nos convidam a pensar sobre o porqu\u00ea e o como, em vez de apenas o qu\u00ea, da tecnologia, e a entender as suas implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, sociais e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Os dois eixos de an\u00e1lise iniciais apresentados \u2013 tecnologia concreta e tecnologia como conceito \u2013 oferecem uma abordagem que se complementa para entender as m\u00faltiplas facetas da tecnologia nas favelas e periferias, combinando a materialidade e as experi\u00eancias com as dimens\u00f5es simb\u00f3licas, pol\u00edticas e te\u00f3ricas da tecnologia e da inova\u00e7\u00e3o social nesses contextos.<\/p>\n<p>Outro ponto de an\u00e1lise dos verbetes foi quanto \u00e0s \u00e1reas de aplica\u00e7\u00e3o em que s\u00e3o utilizadas as tecnologias, o que revelou uma variedade de situa\u00e7\u00f5es, voltadas principalmente em como a inova\u00e7\u00e3o se interliga com quest\u00f5es sociais e comunit\u00e1rias. A sa\u00fade p\u00fablica emerge como um ponto central que utiliza a tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e o combate a doen\u00e7as. No contexto da pandemia da Covid-19, o Dicion\u00e1rio teve papel relevante na divulga\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es e atividades de mitiga\u00e7\u00e3o dos profundos danos causados pelo isolamento social nas favelas sem o apoio necess\u00e1rio do Estado: os verbetes <u>CoronaTrack no Santa Marta<\/u> e <u>Painel Unificador Covid-19 nas Favelas<\/u> s\u00e3o exemplos dessa participa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o projeto <u>Dengue no Jacarezinho<\/u> investiga a rela\u00e7\u00e3o entre a doen\u00e7a e as favelas, mostrando o uso da tecnologia para mapear e combater a dengue.<\/p>\n<p>Outra aplica\u00e7\u00e3o de relev\u00e2ncia foi na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, mostrando a import\u00e2ncia da tecnologia como uma ferramenta para o desenvolvimento da cidadania e para inclus\u00e3o social. A tecnologia \u00e9 apresentada como um meio crucial para promover o letramento digital, que vai al\u00e9m do uso b\u00e1sico de ferramentas e abrange a capacidade de entender e utilizar a tecnologia de forma cr\u00edtica e consciente. A educa\u00e7\u00e3o, nesse contexto, \u00e9 vista como um pilar para a autonomia, permitindo que as comunidades n\u00e3o apenas consumam tecnologia, mas tamb\u00e9m a produzam e a utilizem para a mobiliza\u00e7\u00e3o social, a cria\u00e7\u00e3o de novas esferas de debate e a defesa de direitos.<\/p>\n<p>As tecnologias elencadas s\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de sujeitos, entre os quais se destacam os moradores de favelas e periferias, coletivos comunit\u00e1rios, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e empresas privadas. Grande parte dessas realiza\u00e7\u00f5es ocorre por meio de grupos organizados que atuam em favelas e periferias utilizando a produ\u00e7\u00e3o de dados, mem\u00f3rias e conhecimento como ferramentas pol\u00edticas e sociais para enfrentar a exclus\u00e3o digital e garantir protagonismo local. Essas iniciativas frequentemente emergem de uma abordagem cr\u00edtica, voltada para a justi\u00e7a social e racial, o que valoriza o papel da tecnologia como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Poucos projetos apresentam realizadores individuais, sendo a grande maioria projetos coletivos muitas vezes h\u00edbridos. Entre projetos privados, pode-se evidenciar o verbete <u>AfroSa\u00fade<\/u> \u2013 iniciativa criada por Arthur Lima e Igor Leonardo, em Salvador \u2013 uma healthtech de impacto social, que desenvolve solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas em sa\u00fade especializada voltada para a popula\u00e7\u00e3o negra com a cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma onde pacientes e especialistas negros podem entrar em contato, para que assim a comunidade negra brasileira possa se reconhecer no atendimento em sa\u00fade e receber melhor atendimento. Outro empreendimento privado \u00e9 o de Adilio Camargo de Sapucaia do Sul, no RS \u2013 fundador da Sky Key Technology, empresa destaque na <u>Expo Favela RS 2024<\/u> -, a startup \u00e9 especializada no desenvolvimento de drones inovadores, integrando motoriza\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis n\u00e3o poluentes.<\/p>\n<p>Ao observar as a\u00e7\u00f5es coletivas das tecnologias concretas mapeadas, um destaque importante \u00e9 o papel do <u>Data Labe<\/u> \u2013 sediado no <u>complexo da Mar\u00e9<\/u> \u2013 que atua como um observat\u00f3rio de dados cr\u00edticos e comunit\u00e1rios com foco na democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das narrativas locais. O laborat\u00f3rio \u00e9 fundamental para o enfrentamento das desigualdades, apoiando processos de produ\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e comunica\u00e7\u00e3o de dados produzidos pelos moradores das favelas e periferias, o que fortalece o protagonismo das comunidades na constru\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre suas pr\u00f3prias realidades. Nesse sentido, a equipe que mapeia, analisa e divulga os dados \u00e9 formada por jovens moradores de territ\u00f3rios populares, introduzindo novas narrativas por meio das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Esse tipo de iniciativa representa uma converg\u00eancia entre coletivos, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e at\u00e9 institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>Outro ator relevante na realiza\u00e7\u00e3o dessas iniciativas concretas \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica de ci\u00eancia e sa\u00fade de destaque no apoio e coordena\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisa e promo\u00e7\u00e3o no uso de tecnologias nas periferias. Verbetes como <u>Mapa das Periferias<\/u> e <u>Painel Unificador Covid-19 nas Favelas<\/u> exemplificam esse tipo de atua\u00e7\u00e3o coordenada, al\u00e9m de facilitar o di\u00e1logo entre ci\u00eancia, tecnologia e demandas sociais expressas por comunidades perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e de pesquisa p\u00fablica, v\u00e1rias secretarias governamentais tamb\u00e9m criaram e realizam tecnologias concretas que atuam diretamente nas periferias. Exemplos not\u00e1veis incluem a <u>Secretaria Nacional de Periferias<\/u>, que coordena a\u00e7\u00f5es como o <u>Mapa das Periferias<\/u>, e a Secretaria Municipal de Sa\u00fade do Rio de Janeiro, respons\u00e1vel pelo <u>Tabnet Municipal<\/u>, tecnologia desenvolvida pelo DATASUS que permite consultas a bancos de dados de sistemas de informa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. Essas iniciativas revelam uma tentativa do poder p\u00fablico em articular tecnologias que possam atender especificidades locais, aumentar a transpar\u00eancia na gest\u00e3o p\u00fablica e promover o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos direitos b\u00e1sicos para popula\u00e7\u00f5es historicamente marginalizadas.<\/p>\n<p>Por fim, vale destacar o protagonismo dos coletivos comunit\u00e1rios na realiza\u00e7\u00e3o de projetos concretos. Coletivos como o <u>Redes da Mar\u00e9<\/u>, <u>Data Labe<\/u>, ONG Gerando Falc\u00f5es, <u>Voz das Comunidades<\/u>, Instituto Decodifica (antigo <u>LabJaca<\/u>), <u>Frente de Mobiliza\u00e7\u00e3o da Mar\u00e9<\/u>, <u>Instituto Ra\u00edzes em Movimento<\/u> e a <u>Central \u00danica das Favelas (CUFA)<\/u> atuam de forma articulada e aut\u00f4noma desenvolvendo e implementando tecnologias em seus territ\u00f3rios. Essa atua\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 essencial para garantir que as tecnologias aplicadas tenham ra\u00edzes locais e respondam concretamente \u00e0s necessidades das popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, representando uma resist\u00eancia tecnol\u00f3gica que busca transformar desigualdades reais a partir do ch\u00e3o das favelas e periferias. Dessa forma, a realiza\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 um aspecto central e constitutivo das tecnologias concretas nessas regi\u00f5es, pois conjuga ci\u00eancia, Estado e movimentos sociais numa rede colaborativa de produ\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o e conhecimento.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Longe de representar apenas ferramentas neutras ou simples dispositivos t\u00e9cnicos, as tecnologias constituem espa\u00e7os simb\u00f3licos e pr\u00e1ticos onde acontecem disputas por visibilidade, autonomia e reconhecimento social. A plataforma do <u>Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco<\/u> se apresenta, assim, n\u00e3o apenas como um reposit\u00f3rio de saberes perif\u00e9ricos, mas como uma pr\u00f3pria pr\u00e1tica de emancipa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que fortalece narrativas alternativas e possibilita a apropria\u00e7\u00e3o cr\u00edtica das TICs por seus moradores.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mostra que favelas e periferias brasileiras possuem uma rela\u00e7\u00e3o multifacetada e din\u00e2mica com a tecnologia, que extrapola o consumo passivo para envolver usos diversos em \u00e1reas como sa\u00fade, cultura, seguran\u00e7a, economia e mobiliza\u00e7\u00e3o social. Essa pluralidade de usos demonstra como as comunidades n\u00e3o desejam ser meros receptores de tecnologias importadas, mas agentes ativos na cria\u00e7\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00e3o de dispositivos e processos que dialogam com suas necessidades.<\/p>\n<p>Entretanto, a pesquisa mostra que a educa\u00e7\u00e3o e o letramento digital ainda permanecem como desafios centrais para a amplia\u00e7\u00e3o dessa emancipa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. O desenvolvimento de compet\u00eancias cr\u00edticas para navegar e utilizar as TICs de maneira consciente e aut\u00f4noma \u00e9 fundamental para que os moradores das periferias possam n\u00e3o s\u00f3 acessar a tecnologia, mas tamb\u00e9m domin\u00e1-la e transform\u00e1-la em ferramenta efetiva de inclus\u00e3o social e cidadania. Estas s\u00e3o reflex\u00f5es presentes nos pr\u00f3prios verbetes que tratam desse tema, evidenciando o papel fundamental do letramento digital nestes espa\u00e7os da cidade, ao enfatizar, para al\u00e9m do uso instrumental das tecnologias, a capacidade de compreens\u00e3o cr\u00edtica sobre seus impactos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos, bem como a necessidade de participa\u00e7\u00e3o ativa em sua produ\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para auxiliar nesse trajeto, \u00e9 importante que o Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco amplie ainda mais seu acervo relacionado \u00e0 tecnologia, fortalecendo a presen\u00e7a de verbetes sobre TICs, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, cultura digital e pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias de produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Esse crescimento contribuir\u00e1 para dar mais visibilidade \u00e0s m\u00faltiplas formas de apropria\u00e7\u00e3o tecnossocial e para sustentar a constru\u00e7\u00e3o colaborativa de conhecimento cr\u00edtico que questiona as hegemonias tecnol\u00f3gicas e desenvolve agendas pr\u00f3prias de tecnologia com ra\u00edzes e refer\u00eancias perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Assim, pensar a tecnologia nas favelas e periferias implica reconhecer sua dimens\u00e3o pol\u00edtica e simb\u00f3lica, n\u00e3o apenas t\u00e9cnica. \u00c9 reconhecer que a apropria\u00e7\u00e3o da tecnologia pode significar um modo potente de ag\u00eancia e poder popular, capaz de promover transforma\u00e7\u00f5es sociais profundas, fortalecer identidades e garantir direitos. \u00c9 um convite \u00e0 constru\u00e7\u00e3o coletiva de territ\u00f3rios digitais de resist\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o, pautados na coopera\u00e7\u00e3o, na solidariedade e na justi\u00e7a social.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>FLEURY, Sonia; POLYCARPO, Clara; FORNAZIN; Marcelo; MENEZES, Palloma. O Dicion\u00e1rio De Favelas Marielle Franco e a Descoloniza\u00e7\u00e3o Do Conhecimento. Trabalho apresentado na 32\u00aa Reuni\u00e3o Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 30 de outubro e 06 de novembro de 2020.<\/p>\n<p>FLEURY, Sonia; FORNAZIN, Marcelo; SILVA, Ca\u00edque. Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco \u2013 media\u00e7\u00f5es e subjetiva\u00e7\u00f5es, \u00c9tudes de communication, 57 | 2021, 167-184.<\/p>\n<p>FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma cr\u00edtica hacker-fanoniana. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023.<\/p>\n<p>1 Brasil \u00e9 o 2\u00b0 pa\u00eds em que usu\u00e1rios passam mais tempo on-line | Metr\u00f3poles. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.metropoles.com\/colunas\/m-buzz\/brasil-e-o-2-pais-em-que-usuarios-passam-mais-tempo-on-line&gt;. Publicado em: 04\/04\/24. Acesso em: 12 set. 2025.<\/p>\n<p>2 Instituto de Tecnologia Social. Cadernos de Debates: Tecnologia Social no Brasil. Instituto de Tecnologia Social, novembro de 2004. itsbrasil.org.br\/publicacoes-cadernos\/. Acessado em 10\/09\/2025<\/p>\n<p>3 Tabnet Municipal \u00e9 uma tecnologia desenvolvida pelo DATASUS, que permite consultas a bancos de dados de sistemas de informa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade via Internet. Portanto, trata-se de uma iniciativa estatal que abrange \u00e1reas de favelas e periferias.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Wikifavelas: Uma autoan\u00e1lise para a soberania tecnol\u00f3gica appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/desembargador-cita-foto-de-brazao-com-camisa-13-da-dilma-em-vitoria-de-nikolas-contra-pt-no-tjdf\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Desembargador cita foto de Braz\u00e3o com camisa 13 da...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/associacao-gaucha-de-protecao-ao-ambiente-natural-cria-diretorias-para-juventude-e-comunicacao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-2-32-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/colombia-vira-a-direita-el-tigre-vence-por-margem-minima-e-derrota-a-esquerda\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Col\u00f4mbia vira \u00e0 direita: \u2018El Tigre\u2019 vence por marg...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/debate-sobre-clima-e-reforma-agraria-em-porto-alegre-defende-ruptura-com-capitalismo-e-agronegocio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-1-30-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Debate sobre clima e Reforma Agr\u00e1ria em Porto Aleg...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir dos pr\u00f3prios verbetes, Dicion\u00e1rio Marielle Franco analisa as tecnologias de informa\u00e7\u00e3o sob a \u00f3tica das favelas. Mostra como as <i>big techs<\/i> limitam a autonomia das comunidades e invisibiliza os saberes locais \u2013 e as plataformas de resist\u00eancia colaborativas<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/wikifavelas-uma-autoanalise-para-a-soberania-tecnologica\/\">Wikifavelas: Uma autoan\u00e1lise para a soberania tecnol\u00f3gica<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58612,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[8242,597,25167,25168,25169,25170,25171,25172,4543,12008,5493],"tags":[],"class_list":["post-58611","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-algoritimos","category-big-techs","category-ciberativismo-negro","category-de-olho-na-mare","category-favelas-cariocas","category-ia-nas-favelas","category-letramento-digital","category-maes-da-favela-on","category-racismo-algoritmico","category-software-livre","category-tecnologia-em-disputa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58611\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}