{"id":58868,"date":"2025-10-16T18:46:27","date_gmt":"2025-10-16T21:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-juventude-brasileira-nao-cabe-em-uma-jornada-6x1\/"},"modified":"2025-10-16T18:46:27","modified_gmt":"2025-10-16T21:46:27","slug":"a-juventude-brasileira-nao-cabe-em-uma-jornada-6x1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-juventude-brasileira-nao-cabe-em-uma-jornada-6x1\/","title":{"rendered":"A juventude brasileira n\u00e3o cabe em uma jornada 6\u00d71"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1166\" height=\"697\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-16-at-18-31-25-OP-PautasIdeias.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-16-at-18-31-25-OP-PautasIdeias.png 1166w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-16-at-18-31-25-OP-PautasIdeias-300x179.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-16-at-18-31-25-OP-PautasIdeias-768x459.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1166px) 100vw, 1166px\"><figcaption><em>Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<p>Terceiro texto da s\u00e9rie <em>Escala 6\u00d71 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/em><em>de trabalho<\/em>, publicado pelo <em>Outras Palavras<\/em> em parceria com o Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp. Leia tamb\u00e9m <em>As corpora\u00e7\u00f5es querem professores-rob\u00f4s<\/em>, primeiro artigo da s\u00e9rie, e <em>Escala 6\u00d71 e o ciclo intermin\u00e1vel da exaust\u00e3o<\/em>, o segundo.<\/p>\n<p>T\u00edtulo original:<br \/><strong>Fim da escala 6\u00d71 e redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em 25 de fevereiro de 2025, ap\u00f3s intensa mobiliza\u00e7\u00e3o social pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, foi protocolada na C\u00e2mara dos Deputados a Proposta de Emenda Constitucional 8\/25, que prop\u00f5e a jornada de trabalho de quatro dias por semana, com o m\u00e1ximo de at\u00e9 8 horas di\u00e1rias e 36 horas semanais. Se aprovada, a PEC acaba com a jornada 6\u00d71, realidade de milhares de brasileiros e brasileiras, que sofrem os impactos econ\u00f4micos, sociais e pessoais de uma vida tomada pelo trabalho. Em especial, queremos abordar os impactos da jornada de trabalho na vida da juventude brasileira.<\/p>\n<p>O jovem no Brasil \u00e9 um jovem que trabalha, e muito. \u00c9 a partir dessa afirma\u00e7\u00e3o que desenvolvemos o artigo a seguir com o objetivo de demonstrar que a juventude est\u00e1 inserida no mercado de trabalho, muitas vezes de forma prec\u00e1ria e que o trabalho, da forma como se apresenta para as e os jovens, rouba seu tempo de estudo, ou melhor, rouba seu tempo de juventude. N\u00e3o \u00e0 toa, o Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT), movimento que impulsionou a bandeira do fim da escala 6\u00d71 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, foi impulsionado por jovens, numa clara indica\u00e7\u00e3o de uma crise do que se convencionou como jornada de trabalho e como escala 6\u00d71, isto \u00e9, 44 horas semanais de trabalho em uma escala de somente um dia de descanso. Jovens que, ainda que trabalhando de maneira formal, s\u00e3o precarizados e estavam, at\u00e9 ent\u00e3o, invisibilizados (Abramo e Sobrinho, 2024).<\/p>\n<p>Segundo o Estatuto da Juventude (Brasil, 2013), que define como jovem aquele entre 15 e 29 anos, a oferta de condi\u00e7\u00f5es especiais de jornada de trabalho \u00e9 um direito, na qual seja poss\u00edvel compatibilizar trabalho e estudo. E, ainda, prev\u00ea que o Estado atue de forma preventiva e repressiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho realizados pelos jovens. Contudo, como exploraremos nesse texto, a realidade do trabalho juvenil tanto n\u00e3o propicia compatibilizar trabalho e estudo, com o trabalho se sobrepondo ao estudo, quanto ocorre de forma prec\u00e1ria e informal, haja visto que 38,5% dos jovens est\u00e3o na informalidade (IBGE, 2023) e mais da metade da juventude (53,7%) est\u00e1 inserida em algum posto de trabalho. Al\u00e9m disso, 40,2% jovens entre 14 e 29 anos que abandonaram os estudos apontaram o trabalho como causa principal (PNADC, 2023). Falta tempo para os jovens se dedicarem mais aos estudos, assim como falta tempo para os jovens viverem as outras dimens\u00f5es de suas vidas, como mostraremos ao longo do artigo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-9.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-9.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/5.Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Mas, lembremos, n\u00e3o \u00e9 toda juventude que trabalha e trabalha de forma exacerbada e sem prote\u00e7\u00e3o. Ao considerarmos isso, partimos da perspectiva que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel analisar a juventude trabalhadora considerando crit\u00e9rios de classe, g\u00eanero e ra\u00e7a de forma integrada. Assim como s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel analisar a juventude brasileira a partir de nossa forma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, a qual \u00e9 marcada pela alta taxa de participa\u00e7\u00e3o da juventude no mercado de trabalho, inserida de forma prec\u00e1ria e precoce, como \u00e9 caracter\u00edstica de pa\u00edses com economia dependente.<\/p>\n<p>Nosso intuito \u00e9 demonstrar que a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 uma necessidade se quisermos, de fato, garantir o acesso e a perman\u00eancia da juventude nas escolas e nas universidades, haja visto que na dif\u00edcil e desigual concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e estudo, \u00e9 o primeiro que sai ganhando, e que muitos acabam somente por trabalhar abandonando os estudos. Para tanto, num primeiro momento nos debru\u00e7amos em definir o que \u00e9 a juventude, compreendendo qual sua especificidade na disputa capital-trabalho. Considerando que a juventude \u00e9 uma categoria social e hist\u00f3rica, longe de uma defini\u00e7\u00e3o meramente biol\u00f3gica e exclusivamente et\u00e1ria, apontamos que a juventude \u00e9 um momento da vida com caracter\u00edsticas e necessidades pr\u00f3prias e com uma heterogeneidade de jovens na sua composi\u00e7\u00e3o que demandam aten\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas distintas.<\/p>\n<p>Por conseguinte, apresentamos as caracter\u00edsticas da inser\u00e7\u00e3o da juventude no mercado de trabalho, buscando enfatizar n\u00e3o s\u00f3 que os jovens brasileiros trabalham, demonstrando que \u00e9 um mito que a juventude brasileira em sua maioria est\u00e1 dedicada exclusivamente aos estudos ou que est\u00e1 majoritariamente desocupada, como tamb\u00e9m apresentamos que a necessidade de trabalhar figura como a causa primeira de abandono escolar. Ainda que saibamos que o tema do trabalho juvenil possui uma s\u00e9rie de recortes, nossa preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em relacionar trabalho e educa\u00e7\u00e3o, afirmando que h\u00e1 uma disputa pelo tempo da juventude, isto \u00e9, o quanto os jovens se dedicam a cada uma dessas dimens\u00f5es e o quanto a educa\u00e7\u00e3o acaba sendo submetida ao tempo do trabalho, especialmente para os jovens entre 18 e 29 anos e num claro recorte de classe.<\/p>\n<p>Por fim, diante da situa\u00e7\u00e3o de uma juventude que tem seu tempo de estudo roubado para o trabalho, ora numa dif\u00edcil concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e estudo, com um acento principal no primeiro por necessidade, ora somente trabalhando, afirmamos que a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e o fim da escala 6\u00d71 figura como uma das medidas de prote\u00e7\u00e3o ao jovem trabalhador. A medida, que precisa estar relacionada a condi\u00e7\u00f5es especiais de trabalho, bem como a uma diminui\u00e7\u00e3o na taxa de participa\u00e7\u00e3o da juventude no mercado de trabalho, se torna uma necessidade quando consideramos que 72,8% dos jovens ocupados entre 14 e 29 anos1 trabalharam 40 horas ou mais por semana em 2021 (PNADC)2.<\/p>\n<h3><strong>A juventude enquanto categoria social e hist\u00f3rica<\/strong><\/h3>\n<p>A an\u00e1lise da juventude enquanto categoria social necessita de uma escolha metodol\u00f3gica a respeito do que entendemos enquanto juventude. Afinal, ningu\u00e9m \u00e9 apenas jovem. No Brasil, a juventude representava, pelo crit\u00e9rio et\u00e1rio, aproximadamente 22,8% da popula\u00e7\u00e3o em 2022 (IBGE, 2023) e, ao mesmo tempo, est\u00e1 atravessada por quest\u00f5es de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero. Uma jovem negra da periferia com certeza experimenta sua juventude de uma maneira muito distinta de um jovem branco de classe m\u00e9dia. Existem pontos de conflito e converg\u00eancia entre os crit\u00e9rios objetivos e subjetivos do que significa ser jovem que torna a tarefa de definir a juventude desafiadora do ponto de vista cient\u00edfico e pol\u00edtico, haja visto que ela n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. Por\u00e9m, acreditamos que a juventude n\u00e3o \u00e9 um conceito abstrato, ou uma ideia sem lastro na realidade, e \u00e9 sim poss\u00edvel identificar um fio condutor comum do que significa ser jovem para al\u00e9m da idade biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Segundo Marx, \u201co sistema de produ\u00e7\u00e3o da vida material condiciona todo o processo da vida social, pol\u00edtica e intelectual\u201d (2008, p. 47), de modo que \u00e9 nas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e de reprodu\u00e7\u00e3o onde devemos buscar as respostas ao nosso modo de vida. Portanto, adotamos a defini\u00e7\u00e3o segundo a qual a juventude \u00e9 um produto da sociedade capitalista, em especial do processo de industrializa\u00e7\u00e3o do S\u00e9culo XIX, ou seja, um produto hist\u00f3rico social que emerge com a sociedade moderna (Foracchi, 1972). A necessidade de uma classe de trabalhadores que detivesse o m\u00ednimo de conhecimento da t\u00e9cnica e organiza\u00e7\u00e3o capitalista \u2013 desde no\u00e7\u00f5es de aritm\u00e9tica \u00e0 disciplina do trabalho e respeito \u00e0 autoridade \u2013 imp\u00f5e como condi\u00e7\u00e3o para a entrada no mercado de trabalho um per\u00edodo de preparo e qualifica\u00e7\u00e3o, que passou a ser realizado pela escola. Segundo Foracchi (1972), trata-se de uma etapa transit\u00f3ria marcada pela prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e intelectual da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Portanto, a juventude \u00e9 um per\u00edodo entre inf\u00e2ncia e vida adulta marcado pela prepara\u00e7\u00e3o para a inser\u00e7\u00e3o produtiva na sociedade que acontece pelo trabalho. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u00c9 poss\u00edvel afirmar tamb\u00e9m que a juventude se caracteriza por ser um per\u00edodo de experimenta\u00e7\u00e3o, no qual o jovem pode definir a forma de adulto que ele quer ser, isso dentro de certas determina\u00e7\u00f5es sociais. Cabe \u00e0 juventude receber e apreender conhecimentos, em seu sentido amplo, necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o e para a vida em sociedade. Contudo, uma an\u00e1lise que elimine as contradi\u00e7\u00f5es de classe corre o risco de reduzir o jovem a um padr\u00e3o de comportamento e consumo, ou a uma experi\u00eancia subjetiva no qual o que importa \u00e9 \u201csentir-se jovem\u201d. Aqui, o crit\u00e9rio objetivo \u2013 et\u00e1rio \u2013 mostra-se pertinente pois, ainda que insuficiente, permite explicar o porqu\u00ea os jovens s\u00e3o tamb\u00e9m os mais propensos a assumir postos de trabalho que exigem maior esfor\u00e7o f\u00edsico ou exposi\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es periculosas. Sendo assim, uma categoriza\u00e7\u00e3o da juventude exige um olhar sobre a totalidade do processo social.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Esse per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e intelectual \u00e9 extremamente importante pois trata-se de um per\u00edodo de valoriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. A no\u00e7\u00e3o de prepara\u00e7\u00e3o, inerente ao per\u00edodo da juventude, fez com que essa fosse confundida como um \u00fanico modo de ser, o de estudante. Dessa forma, a concep\u00e7\u00e3o de juventude est\u00e1 vinculada \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o, e mesmo o jovem que n\u00e3o est\u00e1 estudando deveria estar. Contudo, essa realidade do jovem estritamente estudante, \u00e9 uma caracter\u00edstica dos jovens de pa\u00edses centrais, nos quais o Estado de Bem-Estar Social garantiu com que esse per\u00edodo fosse, de fato, voltado para os estudos. Quando analisamos pa\u00edses de economia dependente, como o Brasil, a situa\u00e7\u00e3o da juventude \u00e9 marcada tamb\u00e9m pela viv\u00eancia no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da juventude \u00e9 atravessada por quest\u00f5es de classe na medida em que quanto mais precoce for a entrada no mercado de trabalho e menor o tempo dedicado aos estudos e qualifica\u00e7\u00e3o, maiores as chances de uma vida laboral marcada pela precariedade e pela informalidade. Os jovens s\u00e3o pressionados de forma constante a se dedicar exclusivamente ao trabalho. N\u00e3o \u00e0 toa, muitas pol\u00edticas de cunho precarizante da vida da juventude s\u00e3o voltadas para o aumento do tempo dedicado ao trabalho e uma diminui\u00e7\u00e3o do tempo dedicado aos estudos, como a Carteira de Trabalho Verde e Amarela3, somadas \u00e0s pol\u00edticas de controle e exterm\u00ednio da juventude, em especial, da juventude negra no Brasil. \u00c9 nesse sentido que emerge a no\u00e7\u00e3o de que o jovem \u00e9 tanto um sujeito de direitos quanto a no\u00e7\u00e3o de que o jovem precisa ser protegido, a exemplo da cria\u00e7\u00e3o do Estatuto da Juventude. Garantir o direito \u00e0 juventude \u00e9 garantir que o jovem tenha a possibilidade de desfrutar deste tempo de vida n\u00e3o apenas para dedica\u00e7\u00e3o ao estudo, mas tamb\u00e9m de todo significado social, cultural e pol\u00edtico que a vida oferece para al\u00e9m do trabalho. O Direito a Ser Jovem, portanto, passa a ser uma luta e uma conquista da juventude (Scapini, 2023).<\/p>\n<h3><strong>A juventude brasileira trabalha<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o IBGE (2023), os jovens entre 15 e 29 anos que s\u00f3 estudavam eram de, apenas, 24% em 2022. J\u00e1 os jovens inseridos no mercado de trabalho, ocupados ou n\u00e3o, corresponderam a 76% da juventude. Mesmo considerando a soma dos jovens que estavam ocupados e estudando (12,4%) com os s\u00f3 ocupados (41,3%), excluindo os n\u00e3o ocupados, temos mais da metade da juventude (53,7%) inserida em algum posto de trabalho. A contribui\u00e7\u00e3o dos jovens, especialmente em momentos de crise, \u00e9 fundamental para a composi\u00e7\u00e3o da renda das fam\u00edlias. A caracter\u00edstica de uma juventude que s\u00f3 estuda com um largo tempo dispon\u00edvel para isso, como \u00e9 caracter\u00edstica dos pa\u00edses centrais, n\u00e3o se sustenta quando analisamos a realidade brasileira. E, mesmo que os chamados \u201cnem-nem\u201d4, jovens que nem estudam e nem trabalham, tenham repercutido recentemente quando consideramos a juventude, correspondendo a 22,3% dos jovens, a juventude no Brasil \u00e9 uma juventude que trabalha.<\/p>\n<p>Para Sousa (2022), o Brasil caracteriza-se por uma elevada taxa de participa\u00e7\u00e3o dos jovens na for\u00e7a de trabalho, especialmente dos jovens entre 18 e 29 anos. A exce\u00e7\u00e3o cabe aos jovens-adolescentes entre 15 e 17 anos que, desde a d\u00e9cada de 1990, come\u00e7a a declinar sua participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, fruto, especialmente, da expans\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, da necessidade de postos de trabalho com maior escolariza\u00e7\u00e3o e da maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho. Assim, o decl\u00ednio da participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho dos jovens-adolescentes \u00e9 uma conquista para a juventude. Mas vale ressaltar que ainda se mant\u00e9m uma elevada participa\u00e7\u00e3o de jovens-adolescentes oriundos de fam\u00edlias mais pobres no mercado de trabalho, ou seja, n\u00e3o \u00e9 toda a juventude que trabalha e trabalha de forma prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m atingem a juventude. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia salarial, 67,1% dos jovens ocupados recebem at\u00e9 R$1.854,01 (MTE, 2025). Segundo pesquisa da EPSJ\/FIOCRUZ (2023), 33% dos acidentes de trabalho notificados entre 2016 e 2022 acometeram jovens entre 15 e 29 anos, fazendo com que esse seja o grupo et\u00e1rio mais propenso a sofrer acidentes de trabalho. Considerando jornadas acima de 40 horas5 em uma poss\u00edvel escala 6\u00d71, em 2023, 24,3% dos trabalhadores registrados no com\u00e9rcio eram jovens entre 18 e 24 anos, seguido de 18,47% de jovens entre 25 e 29 anos (RAIS, 2024)6. No setor de servi\u00e7os, 13,99% dos trabalhadores registrados eram jovens entre 18 e 24 anos, seguido de 13,31% de jovens entre 25 e 29 anos. Como afirmamos anteriormente, a juventude no Brasil trabalha, e muito. Contudo, diante de uma perspectiva que v\u00ea o jovem somente como adulto do futuro, isto \u00e9, se despreocupa com os problemas e anseios do jovem no presente e, a situa\u00e7\u00e3o da juventude trabalhadora, por vezes, acaba sendo invisibilizada. Para Abramo e Sobrinho (2024), mesmo com os jovens sendo acometidos por jornadas de trabalho extensivas e baixos sal\u00e1rios, a preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho juvenil centra-se, sumariamente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inatividade e ao desemprego.<\/p>\n<p>Ademais, a juventude abandona os estudos devido, especialmente, ao trabalho. Conforme IBGE (2023), cerca de 9,8 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 29 anos abandonaram a escola sem a conclus\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica em 2022. Desse n\u00famero, \u00e9 significativo o abandono nas faixas entre 18 e 24 anos e entre 25 a 29 anos. Na primeira faixa, foram 4,7 milh\u00f5es de abandono escolar e, na segunda faixa, 4,6 milh\u00f5es com a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica incompleta. A faixa entre 15 e 17 anos apresenta o menor n\u00famero, com 462 mil abandonos escolares. Vale ressaltar que o n\u00famero de abandono \u00e9 maior entre os jovens homens, com 58,5%, do que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s jovens mulheres, que somam 41,2%. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a, a diferen\u00e7a \u00e9 gritante, enquanto 27,9% dos que abandonam os estudos s\u00e3o brancos, 70,9% s\u00e3o negros. Quando buscamos os motivos, a necessidade de trabalhar aparece como justificativa priorit\u00e1ria, mesmo para ambos os sexos e para as ra\u00e7as branca e negra. Considerando o total de jovens entre 14 e 29 anos com n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o inferior ao Ensino M\u00e9dio completo que abandonaram os estudos, 40,2% apontaram o trabalho como motivo em 2022, sendo que para os homens esse n\u00famero chega a 51,6%. Chama a aten\u00e7\u00e3o que, quando consideramos as jovens mulheres, ainda que em primeiro lugar esteja o trabalho como motivo para o abandono com 24%, em segundo lugar est\u00e1 o abandono por gravidez com 22,4%.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"759\" height=\"424\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-de-2025-10-16-15-52-10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-de-2025-10-16-15-52-10.png 759w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-de-2025-10-16-15-52-10-300x168.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-de-2025-10-16-15-52-10-219x121.png 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 759px) 100vw, 759px\"><figcaption><em><strong>Fonte: <\/strong>PNADC, 2023.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir do exposto, \u00e9 poss\u00edvel concluir que a ideia de uma linearidade de trajet\u00f3ria da vida juvenil, com o jovem estudando integralmente e, depois, inserido no mercado de trabalho de maneira satisfat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 a trajet\u00f3ria majoritariamente preponderante na juventude brasileira. H\u00e1 um entrecruzamento de situa\u00e7\u00f5es que revelam a heterogeneidade da juventude e a desigual condi\u00e7\u00e3o a que est\u00e3o submetidos os jovens no Brasil.<\/p>\n<h3><strong>A necess\u00e1ria redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>Ainda que a redu\u00e7\u00e3o da jornada por si s\u00f3 n\u00e3o resolva a elevada taxa de participa\u00e7\u00e3o dos jovens na for\u00e7a de trabalho e a precariedade do trabalho juvenil, ela se apresenta como necessidade importante para a melhora da qualidade de vida e, especialmente, para que o tempo dedicado ao trabalho n\u00e3o se sobreponha ao tempo dedicado aos estudos. Contudo, \u00e9 v\u00e1lido ressaltar que a renda familiar figura como fator determinante para que a juventude entre precocemente no mercado de trabalho e\/ou abandone a educa\u00e7\u00e3o escolar e superior. O principal motivo do abandono, isto \u00e9, a necessidade de trabalhar, \u00e9, em outras palavras, a necessidade de sobreviver.<\/p>\n<p>A entrada precoce do jovem no mercado de trabalho se d\u00e1 principalmente pela necessidade de complementar a renda familiar, de modo que fam\u00edlias bem abastadas possibilitam que seus filhos apenas estudem, enquanto as de baixa renda muitas vezes necessitam do sal\u00e1rio do jovem para garantia da reprodu\u00e7\u00e3o m\u00ednima de vida. Por esse motivo, pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o tendem a ser ineficientes quando n\u00e3o articuladas com pol\u00edticas p\u00fablicas de renda que atinjam todo o n\u00facleo familiar, pois n\u00e3o adianta ter o ensino \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o se ele precisa ser conciliado com a preocupa\u00e7\u00e3o da sobreviv\u00eancia e em jornadas exaustivas de trabalho. Ademais, vale ressaltar que o aumento da qualifica\u00e7\u00e3o sem o aumento da atividade econ\u00f4mica que possibilite a gera\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho, faz com que essa m\u00e3o de obra qualificada n\u00e3o seja absorvida em sua totalidade no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 diante desse cen\u00e1rio alarmante e considerando que a condi\u00e7\u00e3o de vida dos jovens brasileiros \u00e9 uma tentativa de concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e estudos, numa corda bamba que, por vezes, o trabalho sai ganhando, que se faz necess\u00e1rio garantir medidas que protejam a juventude da sanha capitalista e das agruras do trabalho prec\u00e1rio que perpassa, entre outras medidas, pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Conforme Borsari et Al (2024), h\u00e1 um falacioso argumento econ\u00f4mico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e ao fim da escala 6\u00d71 que n\u00e3o se sustenta. O argumento recorrentemente do empresariado e do mainstream econ\u00f4mico de quebra da economia \u00e9 largamente utilizado, a exemplo, da implementa\u00e7\u00e3o do 13\u00b0 sal\u00e1rio e da valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio-m\u00ednimo, em que a quebra econ\u00f4mica, n\u00e3o foi constatada diante de tais conquistas para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Acrescentamos que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude, h\u00e1 um falacioso argumento que ora acredita que a maioria da juventude se dedica exclusivamente aos estudos e que ora n\u00e3o se preocupa em trabalhar e\/ou estudar. Como mostramos, a juventude no Brasil \u00e9 composta de jovens trabalhadores que enfrentam uma dura jornada de trabalho. Quando consideramos o segmento de jovens que estudam e trabalham, a sobreposi\u00e7\u00e3o de atividades com uma clara preponder\u00e2ncia do trabalho, torna a rotina ainda mais penosa. Diante desse contexto, nos perguntamos: em que momento a juventude descansa? Em que momento a juventude vive, de fato, as outras dimens\u00f5es da vida?<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Para a juventude, tamb\u00e9m trabalhadores da escala 6\u00d71, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho significa a possibilidade de conciliar o trabalho e os estudos, o que pode transformar a vida laboral de toda uma gera\u00e7\u00e3o, promovendo acesso a empregos de maior qualidade. O acesso a empregos formais e direitos sociais representa tamb\u00e9m a possibilidade de romper com o ciclo de pobreza, na qual o jovem come\u00e7a a trabalhar precocemente para complementar a renda familiar e, n\u00e3o concluindo os estudos, se lan\u00e7a em um futuro incerto, marcado pela informalidade.<\/p>\n<p>Portanto, o cen\u00e1rio \u00e9 de uma juventude diretamente afetada pela escala 6\u00d71, que pressionada pelas necessidades materiais, escolhe o trabalho em detrimento dos estudos \u2013 e do lazer, da sociabilidade etc. \u2013, quando incapaz de conciliar os dois. Se essa concilia\u00e7\u00e3o se mostra dif\u00edcil com uma jornada de segunda a sexta, ela se torna praticamente invi\u00e1vel na jornada 6\u00d71, na qual o \u00fanico dia de descanso precisa ser disputado entre estudos, tarefas dom\u00e9sticas, tempo de lazer, tempo com a fam\u00edlia e descanso. A jornada 6\u00d71 torna-se para o jovem um beco sem sa\u00edda, na medida que para alcan\u00e7ar melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho ele precisa passar por um processo de qualifica\u00e7\u00e3o e profissionaliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, por\u00e9m, n\u00e3o disp\u00f5e do tempo necess\u00e1rio para isso.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que, al\u00e9m do Estatuto da Juventude, que resguarda os direitos dos jovens brasileiros, o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o Ibero-Americana dos Direitos da Juventude, incorporando-o no nosso direito interno. Atrav\u00e9s desta conven\u00e7\u00e3o, o Brasil reconhece que a juventude possui o direito de \u201cusufruir e apreciar todos os direitos humanos, comprometendo\u2013se a respeitar e garantir aos jovens, o total benef\u00edcio e exerc\u00edcio dos seus direitos civis, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais, e culturais\u201d como tamb\u00e9m \u201cao desenvolvimento social, econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural e a serem considerados como metas priorit\u00e1rias das iniciativas que se implementam para o efeito\u201d (ORGANIZA\u00c7\u00c3O IBERO-AMERICANA DE JUVENTUDE, 2005). Essas diretrizes s\u00e3o coerentes com um Estado Democr\u00e1tico de Direito que preza pela valoriza\u00e7\u00e3o da vida, do usufruto de uma vida social e cultural saud\u00e1veis, al\u00e9m dos valores sociais do trabalho. Atingir essas metas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude passa necessariamente por construir uma sociedade na qual se possa viver al\u00e9m do trabalho, liberando o tempo e preservando a energia f\u00edsica, mental e emocional de uma juventude que est\u00e1 hoje esgotada pelas demandas do mundo do trabalho.<\/p>\n<p>A juventude brasileira \u00e9 uma juventude que trabalha. H\u00e1 um claro recorte de classe, g\u00eanero e ra\u00e7a que contribuiu para que parte da juventude esteja submetida a jornadas exaustivas de trabalho, como s\u00e3o os jovens que trabalham na escala 6\u00d71 e, como \u00e9 caracter\u00edstico de pa\u00edses de economia dependente, uma elevada taxa de participa\u00e7\u00e3o dos jovens na for\u00e7a de trabalho. Assim, considerando que 72,8% dos jovens ocupados entre 14 e 29 anos trabalham 40 horas ou mais, a redu\u00e7\u00e3o da jornada se torna imperativo necess\u00e1rio se quisermos que a juventude n\u00e3o tenha seu tempo de estudo e de vida roubado para o trabalho e se acreditarmos que o jovem n\u00e3o deve ser resumido ao seu trabalho e a sua explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ABRAMO, H.; SOBRINHO, A. <strong>A reapari\u00e7\u00e3o dos invis\u00edveis. S\u00e3o Paulo<\/strong>: Outras Palavras, 2024.<\/p>\n<p>ARRAIS, T. P. A.; Et AL. <strong>O que esconde a escala 6\u00d71: roubo de tempo e cotidiano dos trabalhadores precarizados.<\/strong> Goi\u00e2nia: Editora dos Autores, 2025.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Estatuto da Juventude (Lei n\u00ba12.852\/2013)<\/strong>. Bras\u00edlia, 2013.<\/p>\n<p>BORSARI, P.; Et AL. <strong>Jornada de trabalho na escala 6\u00d71: a insustentabilidade dos argumentos econ\u00f4micos e uma agenda a favor dos trabalhadores e das trabalhadoras.<\/strong> 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cesit.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/NotaCesit.pdf<\/p>\n<p>FIOCRUZ. <strong>Panorama da situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de jovens brasileiros: Intersec\u00e7\u00f5es entre Juventude, Sa\u00fade e Trabalho: 2016 a 2022.<\/strong> [Organizado por Bianca Leandro, Andr\u00e9 Sobrinho e Helena Abramo]. Rio de Janeiro : EPS-JV \/ Coopera\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia \/ Fiocruz \/ SUS \/ MS \/ Governo Federal Brasil Uni\u00e3o e Reconstru\u00e7\u00e3o, 2024.<\/p>\n<p>EPSJ\/FIOCRUZ. <strong>Agenda Jovem Fiocruz e Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio. Panorama da Situa\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade de Jovens Brasileiros de 2016 a 2022: Intersec\u00e7\u00f5es entre Juventude, Sa\u00fade e Trabalho.<\/strong> 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.epsjv.fiocruz.br\/sites\/default\/files\/files\/DOSSIE_juventude.pdf<\/p>\n<p>ORGANIZA\u00c7\u00c3O IBERO-AMERICANA DE JUVENTUDE. <strong>Conven\u00e7\u00e3o Ibero-Americana dos Direitos da Juventude.<\/strong> Badajoz, 2005.<\/p>\n<p>DIEESE. <strong>Nem-nem ou sem-sem? Jovens querem trabalhar, mas n\u00e3o t\u00eam oportunidades no mercado.<\/strong> Boletim Emprego em Pauta, n. 27 \u2013 Setembro de 2024. Dispon\u00edvel: https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimempregoem-pauta\/2024\/boletimEmpregoemPauta27.pdf<\/p>\n<p>FORACCHI, M. <strong>A juventude na sociedade moderna.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Edusp, 1972.<\/p>\n<p>IBGE. <strong>S\u00edntese de indicadores sociais: uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong>: 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.<\/p>\n<p>MARX, K. <strong>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2008.<\/p>\n<p>MTE. <strong>Os jovens e um futuro do trabalho com intelig\u00eancia artificial.<\/strong> 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/trabalho-e-emprego\/pt-br\/noti-cias-e-conteudo\/2025\/abril\/Apresentao.pdf<\/p>\n<p>PNADC. <strong>Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua educa\u00e7\u00e3o: 2022.<\/strong> 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/index.php\/biblioteca-catalogo?view=detalhes&amp;id=2102002<\/p>\n<p>RAIS (2024). <strong>Dados da RAIS extra\u00eddo e elaborado por: ARRAIS, T. P. A.; Et Al., em: \u201cO que esconde a escala 6\u00d71: roubo de tempo e cotidiano dos trabalhadores precarizados\u201d.<\/strong> Goi\u00e2nia: Editora dos Autores, 2025.<\/p>\n<p>SCAPINI, E. Z. <strong>Um olhar sobre a juventude. <\/strong>S\u00e3o Paulo, 2023 [Mimeo].<\/p>\n<p>SOUZA, E. J. S. <strong>Juventude, trabalho e o subdesenvolvimento.<\/strong> Curitiba: Appris, 2022.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>1 A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (PNAD) considera a idade de 14 anos, pois \u00e9 a idade m\u00ednima para ingresso no mercado de trabalho brasileiro, conforme nossa legisla\u00e7\u00e3o. Contudo, por vezes, o IBGE considera a idade firmada no Estatuto da Juventude que considera como jovens aqueles entre 15 e 29 anos.<\/p>\n<p>2 Elaborado por Fiocruz, 2023.<\/p>\n<p>3 A Carteira de Trabalho Verde e Amarela foi uma proposta do governo de Jair Bolsonaro, implementada pela medida provis\u00f3ria 905\/2019 que buscava \u201cfacilitar\u201d a contrata\u00e7\u00e3o de jovens entre 18 e 29 anos que nunca tiveram emprego formal, atrav\u00e9s da precariza\u00e7\u00e3o dos contratos de trabalho, estabelecendo redu\u00e7\u00e3o de encargos, flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos estabelecidos na CLT etc. Ou seja, a entrada de jovens no mercado de trabalho se dava pela via da precariza\u00e7\u00e3o. A medida foi duramente criticada e revogada em abril de 2020.<\/p>\n<p>4 Segundo o Dieese (2024), a situa\u00e7\u00e3o de jovem \u201cnem-nem\u201d n\u00e3o exprime a realidade da situa\u00e7\u00e3o: \u201cCham\u00e1-los de nem-nem traz a falsa sensa\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o eles os respons\u00e1veis por uma situa\u00e7\u00e3o de inatividade que nem mesmo \u00e9 real, j\u00e1 que a maioria n\u00e3o est\u00e1 parada: est\u00e1 procurando trabalho, dedicando-se a algum tipo de curso n\u00e3o regular ou cuidando dos afazeres dom\u00e9sticos (p. 4). Para a entidade, \u00e9 prefer\u00edvel identificar tais jovens como \u201csem-sem\u201d: \u201cEles nem trabalham nem estudam por falta de vagas de trabalho ou oportunidades para a continua\u00e7\u00e3o dos estudos. Muitos n\u00e3o disp\u00f5em de recursos financeiros para estudar e at\u00e9 mesmo para procurar trabalho\u201d (p. 4).<\/p>\n<p>5 \u00c9 v\u00e1lido ressaltar que a Rela\u00e7\u00e3o Anual de Rela\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS) n\u00e3o capta estat\u00edsticas em rela\u00e7\u00e3o aos tipos de escala, por isso, a pressuposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a escala.<\/p>\n<p>6 Elabora\u00e7\u00e3o de Arrais (2025).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Trabalho ocupa o espa\u00e7o do estudo e do lazer, e leva \u00e0 exaust\u00e3o e ao abandono escolar. Reduzir a jornada \u00e9 enfrentar o modelo que transforma o futuro do pa\u00eds em uma for\u00e7a de trabalho barata e quase invis\u00edvel<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/a-juventude-brasileira-nao-cabe-em-uma-jornada-6x1-2\/\">A juventude brasileira n\u00e3o cabe em uma jornada 6\u00d71<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58869,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2008,23230,1948,67,4815,377,5834,25323],"tags":[],"class_list":["post-58868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fim-da-escala-6x1","category-jornada-6x1","category-jornada-de-trabalho","category-juventude","category-precariado","category-trabalho","category-trabalho-e-precariado","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58868\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}