{"id":58873,"date":"2025-10-16T19:50:01","date_gmt":"2025-10-16T22:50:01","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/os-filhos-bastardos-de-hayek\/"},"modified":"2025-10-16T19:50:01","modified_gmt":"2025-10-16T22:50:01","slug":"os-filhos-bastardos-de-hayek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/os-filhos-bastardos-de-hayek\/","title":{"rendered":"Os filhos bastardos de Hayek"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"893\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251016-AltRight5.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251016-AltRight5.jpeg 922w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251016-AltRight5-300x291.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251016-AltRight5-768x744.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 922px) 100vw, 922px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Quinn Slobodian<\/strong>, entrevistado por <strong>Nick Serpe<\/strong>, em <em>Dissident <\/em>| Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>Em seus tr\u00eas \u00faltimos livros, Quinn Slobodian, professor de Hist\u00f3ria Internacional na Universidade de Boston, enriqueceu nossa compreens\u00e3o da hist\u00f3ria do neoliberalismo. <em>Globalistas: <\/em><em>O fim do Imp\u00e9rio e o nascimento do Neoliberalismo<\/em> (2018) contava a hist\u00f3ria dos neoliberais que buscaram construir uma ordem global para proteger o capitalismo, uma narrativa que desafiava a ideia, mais difundida, de que neoliberalismo \u00e9 sin\u00f4nimo de antiestatismo.<em>Capitalismo Destrutivo: os radicais do mercado e a amea\u00e7a de um mundo sem democracia<\/em>(2023) mostrava como esse mesmo impulso de blindar o capitalismo levou os radicais pr\u00f3-mercado a apoiar a fragmenta\u00e7\u00e3o da soberania em microterrit\u00f3rios onde pudessem reinar o capital e as for\u00e7as competitivas. E em seu livro mais recente, <em><em>Hayek\u2019s Bastards<\/em><\/em> [\u201cOs Filhos Bastardos de Hayek: Ra\u00e7a, Ouro, QI e o Capitalismo da Ultradireita\u201d], Slobodian sustenta que a extrema direita contempor\u00e2nea \u00e9 melhor entendida se for considerada um ramo do projeto neoliberal e n\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o contra ele. A direita radical logrou combinar com sucesso a competi\u00e7\u00e3o de mercado com ideias importadas da neuroci\u00eancia, da psicologia evolutiva, da gen\u00e9tica e outras ci\u00eancias naturais, um \u00abnovo fusionismo\u00bb com ecos do velho darwinismo social. Nesta entrevista, Slobodian fala sobre seu \u00faltimo livro, a pol\u00edtica da era Trump e o futuro do neoliberalismo.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"630\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Quinn-Slobodian.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Quinn-Slobodian.png 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Quinn-Slobodian-300x158.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Quinn-Slobodian-768x403.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption><em>Slobodian: \u201cExtrema direita tem sido apresentada como  rea\u00e7\u00e3o contra o neoliberalismo e  tentativa de proteger as pessoas. Quis mostrar que seus pensadores mais influentes operavam de outra maneira\u201d<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>Hayek\u2019s Bastards<\/strong><\/em><strong> \u00e9, de certo modo, uma pr\u00e9-hist\u00f3ria da direita alternativa (alt-right), a extrema direita contempor\u00e2nea. O que distingue a direita alternativa? No que se equivocam a maioria das narrativas sobre suas origens?<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Camp-10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Camp-10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/5.Semana-12-18-Parcerias-OP-Armazem-do-Campo-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Definiria a direita alternativa, ou extrema direita, como uma tentativa de desmontar a obra do humanismo liberal igualit\u00e1rio dos \u00faltimos 200 anos e restaurar uma ordem hier\u00e1rquica, baseada nas diferen\u00e7as naturais entre os seres humanos. Essa ordem pode remeter principalmente \u00e0 ci\u00eancia, \u00e0 religi\u00e3o ou a interpreta\u00e7\u00f5es mais populares de ess\u00eancias tradicionais.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o mais importante que foi deixado de lado? Desde 2016, aproximadamente, a extrema direita tem sido apresentada como uma rea\u00e7\u00e3o contra o neoliberalismo e uma tentativa de proteger as pessoas das press\u00f5es de uma ordem demasiado implac\u00e1vel e competitiva. Na esquerda h\u00e1 quem a veja como uma vers\u00e3o do que Karl Polanyi chamou de \u00abduplo movimento\u00bb: uma vez que as pessoas foram arrancadas de seu contexto social e obrigadas a se tratar mutuamente como objetos, produz-se uma rea\u00e7\u00e3o pela qual tentam se proteger e se reinserir de uma forma nova. Polanyi sempre teve muito claro que isso podia provir tanto da direita quanto da esquerda. No contexto em que escrevia, na d\u00e9cada de 1940, era mais prov\u00e1vel que proviesse da direita.<\/p>\n<p>Houve uma tend\u00eancia a copiar e colar a seco essa interpreta\u00e7\u00e3o durante o auge do movimento MAGA [Make America Great Again], o Brexit e v\u00e1rios fen\u00f4menos de extrema direita na Europa e al\u00e9m. Eu quis mostrar que alguns dos pensadores mais influentes dentro desta nova forma\u00e7\u00e3o de extrema direita operavam de maneira bastante distinta. N\u00e3o buscavam reverter nem contrarrestar a competi\u00e7\u00e3o capitalista, mas sim, na realidade, aceleravam o conflito de soma zero pr\u00f3prio do mercado. Essa parecia uma perspectiva faltante, e senti que era necess\u00e1rio incorpor\u00e1-la para termos uma imagem correta do advers\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Quando come\u00e7ou a se dar esta forma\u00e7\u00e3o? Que tipo de problemas <\/strong><strong>estes pensadores <\/strong><strong>abordavam, que os neoliberais que os precederam n\u00e3o haviam <\/strong><strong>toc<\/strong><strong>ado?<\/strong><\/p>\n<p>Assim como no meu livro anterior, <em>Capitalismo <\/em><em>Destrutivo<\/em>, muito disso \u00e9 uma trama p\u00f3s-Guerra Fria. \u00c9 uma esp\u00e9cie de hist\u00f3ria revisionista dos anos 90. O desfecho efetivo do confronto hist\u00f3rico mundial entre o bloco sovi\u00e9tico, por um lado, e o liderado pelos Estados Unidos, por outro, deixou as pessoas com a pergunta de se tinha se criado de fato um novo mundo, ou se o inimigo tinha meramente mudado de cor ou apar\u00eancia exterior. Grande parte do que descrevo como a extrema direita contempor\u00e2nea cristalizou-se nesse momento em que as pessoas encontraram novos inimigos para combater, al\u00e9m do comunismo. Esses inimigos tomaram a forma do movimento ambientalista, do movimento feminista, do movimento antirracista e das demandas por direitos para a popula\u00e7\u00e3o <em>queer<\/em>. A ideia de construcionismo social e a cren\u00e7a de que a identidade podia ser reinventada como um produto de consumo tornaram-se aterradoras para as pessoas de extrema direita.<\/p>\n<p>Essa cren\u00e7a de que o inimigo tinha passado do vermelho para o verde e o f\u00facsia tornou-se o polo unificador de oposi\u00e7\u00e3o para aqueles que, de outro modo, n\u00e3o poderiam ter atuado em conjunto. Entre estes estavam os neoconfederados, os tradicionalistas crist\u00e3os e os anarcocapitalistas como Murray Rothbard e Lew Rockwell. Pode ser que n\u00e3o tivessem muito em comum, mas compartilhavam a cren\u00e7a de que, ainda que o socialismo tivesse morrido, o leviat\u00e3 seguia vivo e era preciso combat\u00ea-lo por outros meios.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea chama isso de \u00abnovo fusionismo\u00bb. Qual \u00e9 a ess\u00eancia deste projeto? Ele substitui o antigo fusionismo da direita ou se baseia nele?<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia1-3.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 uma forma muito conhecida de descrever o movimento conservador nos EUA como um movimento de fus\u00e3o entre pessoas interessadas principalmente na liberdade econ\u00f4mica e o liberalismo de mercado, por um lado, e pessoas focadas nos valores crist\u00e3os e na ordem tradicional, por outro. Os historiadores descreveram uma alian\u00e7a entre estas duas alas da direita estadunidense a partir da d\u00e9cada de 1950. Mais tarde, ela ganhou certo poder no governo de Ronald Reagan e no segundo mandato de George H.W. Bush.<\/p>\n<p>O novo fusionismo que descrevo no livro come\u00e7a a se conformar na d\u00e9cada de 1990. Aqueles que discutiam sobre os perigos do Estado e a persist\u00eancia do socialismo, e sobre a necessidade de defender o capitalismo e a liberdade econ\u00f4mica, come\u00e7aram a apelar n\u00e3o mais a categorias religiosas, mas a categorias cient\u00edficas: em particular, a biologia evolutiva, a psicologia cognitiva e inclusive as pseudoci\u00eancias raciais. Este foi um campo no qual se observou um grande entusiasmo e efervesc\u00eancia intelectual nos anos 90, especialmente quando livros como <em>The Bell Curve<\/em> [A Curva do Sino] popularizaram ideias sobre as diferen\u00e7as raciais e a intelig\u00eancia. Ao mesmo tempo, avan\u00e7os cient\u00edficos como o projeto do genoma humano pareciam mostrar que nossos corpos continham um tipo particular de verdade que nenhum acad\u00eamico de humanidades podia negar. Apelar \u00e0 ci\u00eancia tornou-se um modo eficaz de travar essa luta no \u00e2mbito das ideias: na academia, nas p\u00e1ginas das revistas e nos programas de entrevistas. De alguma maneira, tinha mais solidez que o tradicional recurso \u00e0 doutrina crist\u00e3.<\/p>\n<p>Como ocorre com todas as formas de sucesso da direita estadunidense, e tamb\u00e9m da esquerda, n\u00e3o se trata tanto de substituir completamente uma coisa por outra, mas sim de somar uma torrente larga e caudalosa de influ\u00eancias. H\u00e1 muita gente de extrema direita para a qual a cren\u00e7a religiosa segue sendo um fator motivador fundamental. E algumas das pessoas sobre as quais escrevo no livro foram muito h\u00e1beis para combinar elementos aparentemente distantes entre si, como o cristianismo evang\u00e9lico e a cren\u00e7a de que \u00e9 necess\u00e1rio voltar ao padr\u00e3o-ouro. Houve uma forma acrob\u00e1tica de unir os fios da ci\u00eancia e da ideologia do livre mercado, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo entrela\u00e7ando-os com a doutrina crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Em alguns casos, isso parece menos uma quest\u00e3o de ideias incompat\u00edveis unidas por necessidade pol\u00edtica, e mais uma quest\u00e3o de afinidades, de ideias que se refor\u00e7am mutuamente.<\/strong><\/p>\n<p>Creio que \u00e9 melhor entend\u00ea-las como ideias em movimento. O interesse que despertam n\u00e3o reside em sua pureza doutrin\u00e1ria nem em sua perfei\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. S\u00e3o ideias que resultam \u00fateis em diferentes momentos de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como pontos de consenso entre grupos frequentemente muito diferentes entre si. Isto \u00e9 evidente no John Randolph Club, uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica emergente da d\u00e9cada de 1990, similar \u00e0 Sociedade Mont Pelerin, mas muito menor. O clube tentava descobrir o que podiam encontrar em comum dois grupos de pessoas que aparentemente n\u00e3o compartilhavam muitas ideias, em prol da estrat\u00e9gia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Um dos pontos interessantes aos quais chegaram foi a ideia de comunidade contratual. Seja voc\u00ea um anarcocapitalista que n\u00e3o acredita em Deus e acredita no direito de escolher livremente seu parceiro sexual, ou um crist\u00e3o tradicionalista que acredita na necessidade de preservar o matrim\u00f4nio heterossexual, em qualquer caso pode concordar com a ideia de que os Estados n\u00e3o deveriam impor uma ou outra forma de comportamento sexual, e que estes assuntos deveriam ser decididos por comunidades de livre contrato, separadas umas das outras, o que em <em>Capitalismo <\/em><em>Destrutivo <\/em>chamo de secess\u00e3o suave ou microordenamento. Esta ideia surge de uma discuss\u00e3o pol\u00edtica estrat\u00e9gica, n\u00e3o de algu\u00e9m que se dirige ao topo de uma montanha para dilucidar qual \u00e9 a vers\u00e3o mais pura de uma sociedade livre. Isso \u00e9 o que eu acho perversamente inspirador em algumas destas quest\u00f5es. Mesmo para os cr\u00edticos, como eu, \u00e9 estimulante ver gente que compreende que as ideias t\u00eam impacto. N\u00e3o s\u00e3o simplesmente objetos de culto, para manter atr\u00e1s de um vidro em um museu ou em uma sala de aula, mas devem ser colocadas em contato com a gente comum e com projetos de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Uma dessas ideias \u00fateis \u00e9 a de quociente de intelig\u00eancia. O pensamento e os estudos sobre o QI desempenham um papel importante na extrema direita contempor\u00e2nea. Uma not\u00edcia recente me fez compreender como a direita pensa sobre a intelig\u00eancia. Trump atribuiu uma s\u00e9rie de incidentes de avia\u00e7\u00e3o \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de controladores a\u00e9reos sob as pol\u00edticas de diversidade, igualdade e inclus\u00e3o [DEI, pela sigla em ingl\u00eas]. Segundo se informa, sugeriu substitu\u00ed-los por \u00abg\u00eanios do MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts]\u00bb para solucionar o problema.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sustenta que, ainda que as ideias de livros como <em>A Curva do Sino <\/em>tenham sido refutadas empiricamente muitas vezes, tamb\u00e9m \u00e9 importante compreend\u00ea-las desde a \u00f3tica da economia pol\u00edtica. Como isso nos ajuda a entender por que o quociente de intelig\u00eancia se tornou t\u00e3o importante?<\/strong><\/p>\n<p>Isso me leva a outra perspectiva que quero incorporar. A extrema direita da d\u00e9cada de 1990 costuma ser analisada estritamente em termos culturais e pol\u00edticos. Estou tentando introduzir a quest\u00e3o do capitalismo e perguntar com que tipo de economia pol\u00edtica operavam implicitamente e o que tinham em mente em termos prescritivos. O quociente de intelig\u00eancia \u00e9 uma express\u00e3o eugenista que se encaixa muito bem na era da informa\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se refere principalmente aos atores econ\u00f4micos humanos como trabalhadores no sentido manual ou f\u00edsico. Foca em sua capacidade cognitiva para resolver problemas complexos e para manipular objetos mentalmente de formas que os tornem mais h\u00e1beis como trabalhadores administrativos, engenheiros de software e trabalhadores intelectuais de diversos tipos. Na d\u00e9cada de 1990, a vanguarda da competitividade estadunidense residia na alta tecnologia e na pesquisa e era preciso selecionar pessoas que se destacassem nesses aspectos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Esse era o discurso predominante naquela \u00e9poca, e \u00e9 poss\u00edvel que continue sendo. A linguagem da meritocracia foi t\u00e3o dominante, especialmente na esquerda liberal, desde a d\u00e9cada de 1990 at\u00e9 a era de Barack Obama, que terminou validando este fetichismo sobre o quociente de intelig\u00eancia, porque prop\u00f5e que existem diamantes em bruto que podem ser descobertos e que deveriam ser recompensados por seu brilho individual. Os racistas do quociente de intelig\u00eancia concordam com isso, mas v\u00e3o um passo al\u00e9m. Afirmam que se podemos quantificar com objetividade a capacidade cognitiva de algu\u00e9m, ent\u00e3o deve haver, estatisticamente, algum tipo de distribui\u00e7\u00e3o ao longo de uma curva, e isso pode ser determinado com certa precis\u00e3o segundo os pontos de origem demogr\u00e1fica das pessoas.<\/p>\n<p>A extrema direita nasce destes debates populares e depois os retorce de uma maneira que os torna politicamente repulsivos. Mas n\u00e3o opera a partir de um universo conceitual totalmente diferente. Basta pensar nos adesivos colados nos carros e nas placas em jardins que se viam durante o primeiro governo de Donald Trump com a legenda \u00abConfia na ci\u00eancia\u00bb ou \u00abAcredito nos cientistas\u00bb. Os novos fusionistas concordariam, s\u00f3 que com uma ideia diferente do que \u00e9 a ci\u00eancia. Para quem critica a extrema direita, seria demasiado simples relegar essa ideologia a um \u00e2mbito de irracionalidade e misticismo que se pode refutar com facilidade. Frequentemente esta corrente opera com o mesmo esp\u00edrito de investiga\u00e7\u00e3o rigorosa que n\u00f3s, s\u00f3 que atrav\u00e9s de uma estrutura e um instrumental epistemol\u00f3gicos diferentes.<\/p>\n<p><strong>Quando algumas destas ideias emerg<\/strong><strong>em<\/strong><strong> pela primeira vez, muitos as considera<\/strong><strong>r<\/strong><strong> marginais. Mas logo se abr<\/strong><strong>ie<\/strong><strong> caminho para a popularidade, da mesma maneira que <\/strong><strong>ocorreu com<\/strong><em><strong>A Curva do Sino<\/strong><\/em><strong>. <\/strong><strong>Voc\u00ea <\/strong><strong>v\u00ea algum ponto de decolagem, onde o novo fusionismo come\u00e7ou a <\/strong><strong>constituir <\/strong><strong>mais hegemonia, na direita e fora dela?<\/strong><\/p>\n<p>Se reduzirmos a extrema direita \u00e0 palavra \u00ab\u00f3dio\u00bb ou \u00abressentimento\u00bb, ent\u00e3o tudo o que haveria a fazer seria dissipar a falsa consci\u00eancia das pessoas. \u00c9 modelo que prop\u00f5e o livro <em>What\u2019s the Matter with Kansas?<\/em> [O que h\u00e1 com o Kansas?]: gente que vota contra seus interesses econ\u00f4micos. No entanto, se se segue a alguns destes pensadores, observa-se que grande parte deste discurso esteve fermentando no fundo desde o princ\u00edpio. Um exemplo que utilizo no livro \u00e9 o de Peter Brimelow. O autor foi fundador do VDare.com, um dos sites web nativistas e antiimigra\u00e7\u00e3o mais importantes nos EUA. \u00c0s vezes o descrevem como uma esp\u00e9cie de padrinho da direita alternativa, vinculado a Larry Kudlow e Roger Ailes. A partir da d\u00e9cada de 1980 publicou artigos de opini\u00e3o no <em>Financial Post<\/em> e na <em>Forbes<\/em>, onde propunha ideias sobre o racismo cient\u00edfico e diferen\u00e7a racial, ideias provocativas sobre a necessidade de selecionar os imigrantes em fun\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a. Estes mesmos debates se prolongaram na d\u00e9cada de 1990 em torno de figuras como Pat Buchanan e William F. Buckley.<\/p>\n<p>Sempre existiu uma parte n\u00e3o totalmente subterr\u00e2nea da extrema direita disposta a considerar ideias que agora, em retrospectiva, soam alarmantes. Existia uma esp\u00e9cie de pol\u00edtica de respeitabilidade dentro do pr\u00f3prio Partido Republicano, que fazia com que algumas destas ideias parecessem mais marginais, no sentido de que n\u00e3o lhes era dada uma plataforma dentro do Congresso ou da Casa Branca. Por mais extremas que fossem as a\u00e7\u00f5es de George W. Bush, durante seu mandato ele nunca se dedicou a \u00absuscitar perguntas\u00bb sobre diferen\u00e7as raciais. Por isso, 2016 segue sendo um momento impactante, porque muitas destas discuss\u00f5es sa\u00edram repentinamente \u00e0 luz.<\/p>\n<p><em>A Curva do Sino<\/em>, uma tentativa de reviver as pseudoci\u00eancias raciais, foi um sucesso de vendas. Amanda \u00abBinky\u00bb Urban, uma das agentes liter\u00e1rias mais importantes de Nova York, representava Charles Murray \u2013 coautor de <em>A Curva do Sino<\/em>. <em>Alien Nation<\/em> [Na\u00e7\u00e3o Estrangeira], de Brimelow, foi publicado em 1995, e seu agente era Andrew Wylie, que segue sendo um dos agentes liter\u00e1rios mais poderosos. Esse livro basicamente escreveu o roteiro do que est\u00e1 acontecendo agora com a pol\u00edtica migrat\u00f3ria nos EUA. Isto j\u00e1 se sabia. Ouvia-se no r\u00e1dio. Aparecia em websites. Ocasionalmente chegava a artigos de opini\u00e3o e colunas. Agora, Trump emitiu uma ordem executiva sobre o Instituto Smithsoniano na qual critica uma mostra de arte por negar o fato de que a ra\u00e7a se baseia em diferen\u00e7as biol\u00f3gicas. O argumento do \u00abrealismo racial\u00bb agora faz parte da reforma cultural da direita, e foi uma pequena <em>cause c\u00e9l\u00e8bre<\/em> em torno de best-sellers como <em>A Curva do Sino<\/em> e <em>Alien Nation<\/em>, que ajudaram a romper tabus e voltaram a colocar em circula\u00e7\u00e3o certos discursos entre as elites, os jornalistas e os acad\u00eamicos.<\/p>\n<p><strong>Em um artigo que escreveu para a <em>New York Review of Books<\/em> em fevereiro deste ano, voc\u00ea aponta tr\u00eas tend\u00eancias a respeito das pessoas que integram e cercam o governo de Trump. Est\u00e3o entre eles o mundo do capital privado e os investidores de d\u00edvida em dificuldades, a nova direita que se formou em oposi\u00e7\u00e3o ao New Deal e, finalmente, a direita aceleracionista com presen\u00e7a na internet. Como se sobrep\u00f5em estas divis\u00f5es com a hist\u00f3ria que voc\u00ea conta no livro? Os \u00abfilhos bastardos de Hayek\u00bb teriam alcan\u00e7ado a hegemonia completa na direita? Todas estas fac\u00e7\u00f5es respiram o mesmo ar ideol\u00f3gico?<\/strong><\/p>\n<p>A vers\u00e3o do neoliberalismo que descrevi em <em>Globalistas<\/em> era muito legalista. Tratava-se do desenho de marcos regulat\u00f3rios que consolidariam o livre com\u00e9rcio, os direitos de propriedade e a possibilidade de disrup\u00e7\u00e3o por parte de novos participantes no mercado, e que criariam mercados onde n\u00e3o havia. Era uma vers\u00e3o do neoliberalismo que considerava o Estado uma ferramenta muito \u00fatil para o controle e a prote\u00e7\u00e3o dos mercados. N\u00e3o me ocupei tanto do tipo de pessoas que operariam dentro desses marcos. A natureza humana n\u00e3o era o principal objeto de investiga\u00e7\u00e3o ou interesse daqueles hayekianos que, desde a d\u00e9cada de 1930 at\u00e9 a de 1990, se dedicaram a conceber um marco para a globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que distingue esta nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 que est\u00e1 muito focada na natureza humana. Interessa-lhe menos o redesenho dos sistemas do que devolver a iniciativa e o poder a grupos muito menores. Meu argumento no artigo da <em>New York Review of Books<\/em> era que, assim como os paleoconservadores no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, estas figuras hoje podem concordar que a exist\u00eancia de um Estado grande e relativamente bem financiado \u00e9 problem\u00e1tica em si mesma, e que uma boa parte das condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas deveria estar nas m\u00e3os de atores privados fora de qualquer supervis\u00e3o. Somos ou clientes de provedores de servi\u00e7os, ou uma alian\u00e7a de comunidades de pessoas afins, autossuficientes e autogovernadas. Esse deslocamento do foco desde o sistema ou o marco de alto n\u00edvel para o indiv\u00edduo e a quest\u00e3o de quem \u00e9 um ser humano valioso \u2013 a quem deveria ser permitido formar parte da comunidade \u2013 \u00e9 algo compartilhado pelos setores insurgentes mais poderosos da direita neste momento.<\/p>\n<p>O novo fusionismo que descrevo possivelmente tenha triunfado. Tanto a ala tecnolibert\u00e1ria quanto a direita tradicionalista coincidem em que existe uma hierarquia identific\u00e1vel de seres humanos, que poderia ser medida de uma forma ou outra, e que o objetivo de desenhar novas leis e novos sistemas \u00e9 determinar quem deveria ficar dentro e quem fora. Esse sistema de inclus\u00e3o e exclus\u00e3o \u00e9 uma nova variante da racionalidade neoliberal, mas hesito em consider\u00e1-lo simplesmente como mais do mesmo neoliberalismo. Esta mudan\u00e7a de \u00abproteger o sistema\u00bb para \u00abclassificar a natureza humana\u00bb \u00e9 algo que altera profundamente os pressupostos sobre como deveriam ser organizados, ou inclusive ser desmantelados, os Estados.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o dos neoliberais que n\u00e3o deram este giro, seja porque aderem a um pensamento mais economicista ou porque t\u00eam cren\u00e7as mais progressistas?<\/strong><\/p>\n<p>A ala de boa f\u00e9 do movimento neoliberal, que valoriza a liberdade econ\u00f4mica acima de outras liberdades, mas espera n\u00e3o ter que sacrificar todas as demais para consegui-la, tamb\u00e9m se adaptou. Talvez voc\u00ea se lembre do movimento \u00abne0liberal\u00bb [sic] de uns anos atr\u00e1s: jovens libert\u00e1rios que tentam revitalizar o movimento neoliberal. Os hayekianos de boa f\u00e9 mais consistentes s\u00e3o aqueles que interpretam sua met\u00e1fora evolutiva no sentido de que n\u00e3o podemos determinar de antem\u00e3o o que surgir\u00e1 de uma sociedade de mercado; o melhor que podemos fazer \u00e9 introduzir restri\u00e7\u00f5es m\u00ednimas aos indiv\u00edduos para que estes possam encontrar seu caminho para seus pr\u00f3prios desejos, o que de alguma maneira se somar\u00e1 ao conjunto coletivo de prazeres e capacidades imaginativas humanas.<\/p>\n<p>O que est\u00e3o fazendo agora? Est\u00e3o impulsionando a agenda da abund\u00e2ncia. (Isto certamemente <em>n\u00e3o <\/em>significa propor que o conceito de \u00ababund\u00e2ncia\u00bb est\u00e1, como consequ\u00eancia, contaminado). Se algu\u00e9m acredita no potencial criativo do mercado e em sua capacidade para levar a cabo um processo de descoberta atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o individual, da inova\u00e7\u00e3o e da competi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio buscar aliados que estejam dispostos a criar sistemas abertos que lhe proporcionem acesso a um conjunto diverso de agentes potenciais e participantes inventivos no mercado que se espera construir. Com o globalismo neoliberal na defensiva, faz sentido que os neoliberais de boa f\u00e9 tenham mudado de estrat\u00e9gia e tenham come\u00e7ado a ver como poderiam trabalhar produtivamente dentro de um marco mais nacionalista. Para mim, uma das confus\u00f5es em torno do debate sobre a abund\u00e2ncia \u00e9 que ele n\u00e3o est\u00e1 sendo realizado em refer\u00eancia \u00e0 agenda econ\u00f4mica de Joe Biden. Porque o que est\u00e3o propondo \u00e9: um esfor\u00e7o de reengenharia do Estado para permitir o investimento para fins socialmente desej\u00e1veis, sem tirar a capacidade de a\u00e7\u00e3o dos atores privados do mercado, e, ao contr\u00e1rio, reduzindo o risco de sua atividade.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea acredita, como acreditava Hayek, que a qualidade de um sistema pode ser medida no n\u00famero de humanos que \u00e9 capaz de produzir \u2013 que o c\u00e1lculo de custos \u00e9 o c\u00e1lculo de vidas \u2013, ent\u00e3o deveria estar mais aberto a emular os competidores exitosos. Os neoliberais fascinados pelo modelo chin\u00eas provavelmente s\u00e3o mais fi\u00e9is ao esp\u00edrito do economista austr\u00edaco do que aqueles que come\u00e7aram a investir tanta aten\u00e7\u00e3o no solo e no sangue.<\/p>\n<hr>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Os filhos bastardos de Hayek appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-ameaca-impor-tarifas-de-100-a-russia-se-nao-houver-acordo-sobre-ucrania\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Trump amea\u00e7a impor tarifas de 100% \u00e0 R\u00fassia se n\u00e3o...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/cada-copa-um-brasil-como-cada-titulo-brasileiro-no-mundial-cruzou-a-historia-e-a-economia-do-pais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Cada Copa, um Brasil: como cada t\u00edtulo brasileiro ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/russia-defende-iniciativa-de-brasil-e-china-sobre-ucrania-e-diz-que-propostas-ocidentais-para-guerra-sao-inaceitaveis\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/whatsapp-image-2025-02-10-at-14.48.28-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">R\u00fassia defende iniciativa de Brasil e China sobre ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sonia-guajajara-e-primeira-indigena-doutora-honoris-causa-da-uerj\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Sonia Guajajara \u00e9 primeira ind\u00edgena doutora honori...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo livro de historiador canadense v\u00ea na ultradireita um ramo sem verniz do projeto neoliberal. Ela recha\u00e7a o humanismo. Incorpora, \u00e0 luta contra o social, o recalque branco e masculino. E tenta revesti-lo com suposta \u201cci\u00eancia\u201d malthusiana<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/direita-assanhada\/filhos-bastardos-de-hayek\/\">Os filhos bastardos de Hayek<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58874,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[25352,25353,5511,25354,23098,2687,25355,7052,25356,5591,2956,5604,25357,1453,7173,25358],"tags":[],"class_list":["post-58873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ataque-a-esquerda","category-ataque-ao-socialismo","category-capa","category-capitalismo-e-fascismo","category-capitalismo-e-ultradireita","category-crise-civilizatoria","category-crise-do-capitalismo","category-direita-assanhada","category-hayek","category-maga","category-neoliberalismo","category-pos-capitalismo","category-quinn-slobodian","category-trump","category-ultradireita","category-ultradireita-e-neoliberalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58873\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}