{"id":59064,"date":"2025-10-17T18:50:18","date_gmt":"2025-10-17T21:50:18","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/morte-digna-seis-historias-latinoamericanas\/"},"modified":"2025-10-17T18:50:18","modified_gmt":"2025-10-17T21:50:18","slug":"morte-digna-seis-historias-latinoamericanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/morte-digna-seis-historias-latinoamericanas\/","title":{"rendered":"Morte digna: seis hist\u00f3rias latinoamericanas"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"828\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1-1500x828.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1-768x424.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1-1536x848.jpg 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1-700x387.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1-219x121.jpg 219w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/251017-Antonio-Cicero3b-1.jpg 1961w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption><em>O escritor e poeta Antonio C\u00edcero, cuja morte completa um ano em 23 de outubro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>1\u00aa hist\u00f3ria: O poeta brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Ele sorria enquanto contemplava a cidade.<\/p>\n<p>Foi o que contou o figurinista Marcelo Pies, marido do poeta Antonio C\u00edcero, 79. Era outubro do ano passado. O casal flanava por Paris. Foram \u00e0 Sainte-Chapelle, uma j\u00f3ia g\u00f3tica do s\u00e9culo XIII que sempre deslumbrava o escritor. Aos restaurantes favoritos. A uma exposi\u00e7\u00e3o em homenagem ao centen\u00e1rio do Surrealismo, no Centro Georges Pompidou.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Prancheta--10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Prancheta--10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p><u>Era uma despedida.<\/u> N\u00e3o de uma cidade, de um amor, de uma etapa profissional, as quais nos s\u00e3o mais palp\u00e1veis. Mas de algo que pouqu\u00edssimos t\u00eam a chance de fazer conscientemente: era a despedida da vida de C\u00edcero.<\/p>\n<p>O poeta \u2014 tamb\u00e9m compositor de sucessos da MPB como <em>Fullg\u00e1s<\/em>, para a sua irm\u00e3 Marina Lima, e <em>\u00daltimo Rom\u00e2ntico<\/em>, para Lulu Santos \u2014 foi diagnosticado com Alzheimer, um ano antes. Temia uma \u201cvirada de chave\u201d que o faria perder a lucidez.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o me lembro sequer de algumas coisas que ocorreram n\u00e3o apenas no passado remoto, mas mesmo de coisas que ocorreram ontem [\u2026] N\u00e3o consigo me concentrar nem mesmo para ler, que era a coisa de que eu mais gostava no mundo\u201d, escreveu no email de despedida aos amigos. A morte assistida tornou-se op\u00e7\u00e3o. E ele tinha pressa.<\/p>\n<p>Contatou a Dignitas, uma organiza\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a defensora do direito \u00e0 morte digna, pa\u00eds onde o procedimento \u00e9 legal. O tr\u00e2mite n\u00e3o \u00e9 simples nem r\u00e1pido, como desejava C\u00edcero. Exige extensas an\u00e1lises m\u00e9dicas, cartas juramentadas e um exame de lucidez 15 dias antes de sua chegada a Zurique, local do suic\u00eddio assistido.<\/p>\n<p>Enfim, no dia 23 de outubro do ano passado, C\u00edcero sentou-se numa poltrona e tomou uma subst\u00e2ncia letal e indutora do coma. Adormeceu em quinze minutos. Em vinte, estava morto, com as m\u00e3os entre as de seu companheiro de vida e morte.<\/p>\n<p><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p>Existe uma certa confus\u00e3o entre eutan\u00e1sia e suic\u00eddio assistido, muitas vezes tomados, com raz\u00e3o, como quase sin\u00f4nimos. Quando um m\u00e9dico administra a subst\u00e2ncia letal ao paciente, chama-se eutan\u00e1sia. J\u00e1 o suic\u00eddio assistido \u00e9 quando o enfermo terminal, em geral acompanhado de um profissional de sa\u00fade, executa ele mesmo o ato final.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Na mesma Su\u00ed\u00e7a, por exemplo, a eutan\u00e1sia \u00e9 proibida. Por isso, C\u00edcero teve que ingerir o l\u00edquido, em vez de receber uma inje\u00e7\u00e3o, pois o suic\u00eddio assistido, isso sim, \u00e9 legal no pa\u00eds desde 1942. Este pioneirismo a fez conhecida pelo \u201cturismo da morte\u201d, pessoas em busca de um fim ao sofrimento que n\u00e3o era garantido em seus pa\u00edses, como o poeta brasileiro. Ao todo, o procedimento custou mais de 70 mil reais. Algo para poucos.<\/p>\n<p>Poucos pa\u00edses legalizaram o direito \u00e0 morte digna. Na Europa, a eutan\u00e1sia \u00e9 permitida na B\u00e9lgica, Portugal, Luxemburgo, Espanha e Holanda. O Senado franc\u00eas votar\u00e1 em breve sobre o tema. Dez estados dos Estados Unidos tamb\u00e9m aprovaram o procedimento, entre eles a Calif\u00f3rnia, o mais populoso do pa\u00eds. Canad\u00e1 e Nova Zel\u00e2ndia tamb\u00e9m e tudo indica que a Austr\u00e1lia far\u00e1 parte desta lista em breve.<\/p>\n<p>O debate avan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina. A Col\u00f4mbia foi pioneira: desde 1997, a pr\u00e1tica tornou-se legal, sendo regulamentada em 2015. O Equador o fez em fevereiro do ano passado, enquanto no Peru, ap\u00f3s uma corajosa cruzada, a psic\u00f3loga Ana Estrada, 47, conseguiu uma autoriza\u00e7\u00e3o in\u00e9dita da Justi\u00e7a para a eutan\u00e1sia. Ana sofria de poliomiosite, uma doen\u00e7a incur\u00e1vel e progressiva que afeta os m\u00fasculos, e sua milit\u00e2ncia abriu portas para o debate no pa\u00eds. No Chile, o presidente Gabriel Boric reacendeu recentemente a press\u00e3o pela aprova\u00e7\u00e3o de um projeto de lei sobre eutan\u00e1sia h\u00e1 muito tempo parado no Senado. Agora, o Uruguai se torna o terceiro pa\u00eds latino-americano a permitir a eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>A eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio assistido s\u00e3o proibidos no Brasil. Sequer s\u00e3o termos que constam no C\u00f3digo Penal. Quem pratic\u00e1-los pode ser acusado de homic\u00eddio doloso, com pena de at\u00e9 20 anos. Em geral, h\u00e1 um sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o a este tema. O caso de C\u00edcero gerou um debate t\u00edmido no pa\u00eds. Somente a ortotan\u00e1sia \u2014 a recusa de tratamentos que prolonguem artificialmente a vida de um paciente terminal, com base em sua vontade expressa ou no consentimento da fam\u00edlia \u2014 \u00e9 regulamentada.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se abre [a discuss\u00e3o] no Congresso por medo, pois s\u00e3o discuss\u00f5es delicadas. [\u2026] Nunca foi ao Plen\u00e1rio uma discuss\u00e3o sobre eutan\u00e1sia, trava na Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a. O Congresso tem obriga\u00e7\u00e3o moral de pautar esses temas, mas n\u00e3o pauta. \u00c9 um conservadorismo moral, pol\u00edtico\u201d,<u> aponta Volnei Garrafa<\/u>, professor de bio\u00e9tica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). E tampouco o STF foi provocado a decidir em algum caso concreto.<\/p>\n<p><strong>2\u00aa hist\u00f3ria: A grande dor de um uruguaio<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"690\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/imgselpaiscom_.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/imgselpaiscom_.jpeg 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/imgs.elpais.com_-300x173.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/imgs.elpais.com_-768x442.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>Foto: El Pais<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pablo Salgueiro foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotr\u00f3fica (conhecida como ELA, uma doen\u00e7a neurodegenerativa e sem cura) em 2017, aos 54 anos. Come\u00e7ou a batalha: n\u00e3o exatamente para adiar a morte, mas para desfrutar qualidade de vida, dentro do poss\u00edvel. Os tratamentos alternativos davam esperan\u00e7a, mas n\u00e3o resultados. Tr\u00eas anos depois, em 2020, agonizando com crises respirat\u00f3rias e afogamento, disse aos m\u00e9dicos de cuidados paliativos:<\/p>\n<p>\u201cEu quero morrer, tudo o que tinha para viver eu j\u00e1 vivi\u201d. \u201cO que o senhor est\u00e1 pedindo \u00e9 ilegal\u201d, responderam. Florencia Salgueiro, sua filha, testemunhou a luta de seu pai para receber assist\u00eancia para acabar com a pr\u00f3pria vida quando a enfermidade tornou seus dias insuport\u00e1veis. Ele foi<u> obrigado a viver uma tortura<\/u>, contou ela, uma das fundadoras do grupo Empat\u00eda, cuja bandeira \u00e9 o respeito ao desejo do adulto de acabar com seu sofrimento. \u201cEscutem as vozes dos pacientes e dos familiares!\u201d, s\u00e3o as palavras de ordem.<\/p>\n<p>A C\u00e2mara dos Representantes uruguaia aprovou a legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia e do suic\u00eddio assistido em 2022, mas o projeto foi engavetado pelo Senado, ent\u00e3o dominado por partidos conservadoras. Tudo mudou quando a Frente Amplia venceu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, com Yamand\u00fa Orsi, e formou maioria no Legislativo. Com 20 votos a favor de um total de 31 senadores presentes, o texto intitulado \u201cMorte Digna\u201d foi aprovado nesta quinta, 16\/10.<\/p>\n<p>A lei vale para todo uruguaio ou residente no pa\u00eds. O paciente, psiquicamente apto e com uma patologia incur\u00e1vel, pode solicitar o procedimento por escrito e pessoalmente perante o m\u00e9dico respons\u00e1vel, que avaliar\u00e1 em at\u00e9 tr\u00eas dias, contando com o parecer de um segundo m\u00e9dico independente. Aparentemente o tr\u00e2mite \u00e9 r\u00e1pido, eficiente e desburocratizado.<\/p>\n<p>O senhor Salgueiro morreu v\u00edtima da doen\u00e7a em 19 de mar\u00e7o de 2020, poucos dias ap\u00f3s o projeto \u201cMorte Digna\u201d come\u00e7ar a tramitar no Congresso. \u201cMeu pai morreu pedindo por eutan\u00e1sia, e hoje se fez justi\u00e7a para os que vir\u00e3o\u201d, disse sua filha no dia em que a lei foi aprovada. \u201cAcompanhamos seu sofrimento, mas sua morte n\u00e3o foi como ele queria. Agora outros ter\u00e3o a liberdade de decidir\u201d.<\/p>\n<p><strong>3\u00aa hist\u00f3ria: O equatoriano azarado<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1056\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-42-26-PXUIPCFBCJGCTLUP3GATUTVY3Eavif-imagem-AVIF-1200-676-pixels-Redimensionada-88.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-42-26-PXUIPCFBCJGCTLUP3GATUTVY3Eavif-imagem-AVIF-1200-676-pixels-Redimensionada-88.png 1056w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-42-26-PXUIPCFBCJGCTLUP3GATUTVY3E.avif-imagem-AVIF-1200-\u00d7-676-pixels-Redimensionada-88-300x169.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-42-26-PXUIPCFBCJGCTLUP3GATUTVY3E.avif-imagem-AVIF-1200-\u00d7-676-pixels-Redimensionada-88-768x433.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1056px) 100vw, 1056px\"><figcaption>Foto: Arquivo pessoal do personagem<\/figcaption><\/figure>\n<p>O carro do advogado Renato Ortu\u00f1o, 38, era seguido com discri\u00e7\u00e3o pelas ruas de Quito, Equador. Poderia ser coincid\u00eancia \u2014 ou n\u00e3o, pois a onda de viol\u00eancia no pa\u00eds era avassaladora. Ao chegar ao seu destino, esperou o port\u00e3o el\u00e9trico do estacionamento abrir-se lentamente. Foi a deixa para dois pistoleiros saltarem armados. \u201cFui atingido por nove tiros, quatro dos quais me feriram. Um dos tiros atravessou todo o meu pesco\u00e7o, causando ferimentos graves e irrevers\u00edveis\u201d, consta em seu pedido de eutan\u00e1sia. Ficou tetrapl\u00e9gico. Era junho de 2023.<\/p>\n<p>Renato foi confundido. Tinha a mesma descri\u00e7\u00e3o f\u00edsica e carro (modelo e cor) que outro homem marcado para morrer. Uma coincid\u00eancia tr\u00e1gica. Outra era que o direito \u00e0 morte assistida, e suas implica\u00e7\u00f5es legais, foi o tema de seu doutorado. Ele n\u00e3o desejou de pronto submeter-se a algum procedimento para terminar com sua vida. Numa jornada exaustiva, viajou para toda parte \u2014 Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, Espanha \u2014 em busca de especialistas que pudessem reverter seu quadro. Submeteu-se a diversas terapias experimentais. Nada. Sequer recuperou algum movimento \u2014 \u201cqualidade de vida mais ou menos decente\u201d, disse. Vivia com dor constante e depress\u00e3o profunda, a qual compartilhava em seu TikTok. \u201cIa dormir pedindo a Deus para n\u00e3o voltar a me acordar\u201d, confessou em um de seus v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Desde fevereiro de 2024, o Equador reconhece o direito \u00e0 morte assistida. Foi uma decis\u00e3o hist\u00f3rica da Corte Constitucional ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o movida por Paola Rold\u00e1n, uma mulher com esclerose lateral amiotr\u00f3fica (ELA), que abriu a porta para morrer com dignidade em um pa\u00eds profundamente conservador. Em agosto de 2023, Rold\u00e1n moveu uma a\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade do artigo 144 do C\u00f3digo Penal Integral, que amea\u00e7ava processar por homic\u00eddio quem ajudasse uma pessoa que manifestasse o desejo de optar pela eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p>Esta batalha, permitiu a Renato optar pela morte. O tr\u00e2mite para isso \u00e9 demorado. Em setembro deste ano, ele conseguiu. Despediu-se, antes, de quem acompanhava seu sofrimento pelas redes sociais: \u201cN\u00e3o pe\u00e7o que todos estejam de acordo com minha decis\u00e3o, porque temos direito a discordar. S\u00f3 os convido a refletir, e pe\u00e7o respeito. Amo muito voc\u00eas\u201d. Desligou a c\u00e2mera. Foi seu \u00faltimo v\u00eddeo.<\/p>\n<p><strong>4\u00aa hist\u00f3ria: A Joana d\u2019Arc colombiana<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"894\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-43-59-00hs-death-tatiana-11b-wjmf-superJumbowebp-imagem-WEBP-2048-1363-pixels-Redimensionada-43.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-43-59-00hs-death-tatiana-11b-wjmf-superJumbowebp-imagem-WEBP-2048-1363-pixels-Redimensionada-43.png 894w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-43-59-00hs-death-tatiana-11b-wjmf-superJumbo.webp-imagem-WEBP-2048-\u00d7-1363-pixels-Redimensionada-43-300x200.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-43-59-00hs-death-tatiana-11b-wjmf-superJumbo.webp-imagem-WEBP-2048-\u00d7-1363-pixels-Redimensionada-43-768x511.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-43-59-00hs-death-tatiana-11b-wjmf-superJumbo.webp-imagem-WEBP-2048-\u00d7-1363-pixels-Redimensionada-43-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 894px) 100vw, 894px\"><figcaption>Foto: Federico Rios Escobar\/NYT<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cComo \u00e9 que podemos falar sobre ter uma morte digna quando falamos sobre o direito \u00e0 sa\u00fade?\u201d, questionou Tatiana Andia, diagnosticada em 2023 com \u201cum c\u00e2ncer incur\u00e1vel, catastr\u00f3fico, todos os adjetivos terr\u00edveis\u201d, como ela havia descrito minutos antes a uma plateia constrangida, pois tocar no tema da morte, e da pr\u00f3pria morte, \u00e9 desconfort\u00e1vel para muitos.<\/p>\n<p>Ela era professora universit\u00e1ria e ex-funcion\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade da Col\u00f4mbia, reconhecida por negociar intransigentemente com poderosas farmac\u00eauticas pre\u00e7os mais baixos para medicamentos no pa\u00eds. A doen\u00e7a terminal a sufocaria at\u00e9 a morte. Este seria seu fim inevit\u00e1vel. E evitar isso se tornou seu objetivo. Queria morrer com o m\u00ednimo de sofrimento, consciente e podendo controlar o processo. A Col\u00f4mbia, afinal, era pioneira na legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia. Mas ela descobriria que uma lei progressista n\u00e3o significava, necessariamente, acesso a um direito, pois era bloqueada por barreiras institucionais na cultura m\u00e9dica conservadora. Que, \u00e0s vezes, a lei fica \u00e0 frente do que uma sociedade quer aceitar.<\/p>\n<p>Em 2023, somente um em cada tr\u00eas hospitais havia estabelecido os comit\u00eas de revis\u00e3o exigidos. E as empresas de seguro de sa\u00fade, que deveriam organizar as mortes assistidas, s\u00e3o t\u00e3o burocr\u00e1ticas que as pessoas morrem de sua doen\u00e7a ou desistem antes de obter o acesso. Como resultado, as mortes assistidas permanecem raras. Entre 2015 e 2023, houve um total de 692 mortes em um pa\u00eds de 53 milh\u00f5es, <u>apurou o <\/u><em><u>New York Times,<\/u><\/em><u> que narrou toda a jornada de Tatiana.<\/u><\/p>\n<p>Ela decidiu que seu \u00faltimo ato em uma carreira na luta pela sa\u00fade seria fazer de si mesma um exemplo para auxiliar os colombianos a abra\u00e7arem uma maneira melhor de morrer. Iria documentar seu caminho at\u00e9 a morte. Come\u00e7ou uma coluna de jornal e aparecia regularmente em podcasts e programas de TV. Tatiana via nisso uma maneira de ampliar o acesso \u00e0 sa\u00fade, desmistificando o processo de morte assistida e trazendo-o para o debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Seus m\u00e9dicos sugeriram um novo medicamento. Havia uma chance em quatro de um pouco mais de tempo de vida. Produzido pela AstraZeneca, custaria US$ 10 mil\/m\u00eas ao sistema p\u00fablico. Recusou, em protesto: questionava o pre\u00e7o abusivo de um rem\u00e9dio desenvolvido com pesquisa p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 Joana d\u2019Arc\u201d, disse seu esposo.<\/p>\n<p>\u201cComo se eu estivesse t\u00e3o preocupada em ter mais seis meses de vida. O que isso me d\u00e1?\u201d<\/p>\n<p>\u201cUm dia divertido?\u201d<\/p>\n<p>A eutan\u00e1sia seria realizada em sua pr\u00f3pria casa. O quarto estava repleto de rosas colhidas na fazenda de seu irm\u00e3o, enquanto \u201cI\u2019ll Catch You\u201d, dos Get Up Kids, uma de suas m\u00fasicas favoritas, tocava sem parar. Sua fam\u00edlia mantinha uma vig\u00edlia silenciosa. Boris, seu irm\u00e3o, come\u00e7ou a cantar can\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia, e a voz fr\u00e1gil de Tatiana uniu-se \u00e0 dele num dueto t\u00eanue. Seu pai embalou-a suavemente uma \u00faltima vez antes de deixar o quarto. Ent\u00e3o, seu marido deitou-se ao seu lado e envolveu-a em um abra\u00e7o. A m\u00e9dica que realizaria o procedimento inseriu um cateter intravenoso no antebra\u00e7o de Tatiana, administrando o sedativo e o f\u00e1rmaco que pararia seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>5\u00aa hist\u00f3ria: O espanhol que n\u00e3o foi \u00e0 Su\u00ed\u00e7a<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1057\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-45-39-https___ep01epimg_net_politica_imagenes_2017_04_05_actualidad_1491414684_118351_1491474197_noticia_fotogramaavif-imagem-AVIF-1200-675-pixels-Redimensionada-88.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-45-39-https___ep01epimg_net_politica_imagenes_2017_04_05_actualidad_1491414684_118351_1491474197_noticia_fotogramaavif-imagem-AVIF-1200-675-pixels-Redimensionada-88.png 1057w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-45-39-https___ep01.epimg_.net_politica_imagenes_2017_04_05_actualidad_1491414684_118351_1491474197_noticia_fotograma.avif-imagem-AVIF-1200-\u00d7-675-pixels-Redimensionada-88-300x169.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-17-at-17-45-39-https___ep01.epimg_.net_politica_imagenes_2017_04_05_actualidad_1491414684_118351_1491474197_noticia_fotograma.avif-imagem-AVIF-1200-\u00d7-675-pixels-Redimensionada-88-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1057px) 100vw, 1057px\"><figcaption>Imagem: El Pais<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na manh\u00e3 de abril de 2017, Jos\u00e9 Antonio Arrabal sorveu com um canudo dois frascos de medicamento comprados pela internet. Estava em seu apartamento em Madrid; a fam\u00edlia despediu-se dele e o deixou sozinho. A subst\u00e2ncia primeiro o faria adormecer e, depois, provocaria uma parada card\u00edaca. Aquele foi um dos seus \u00faltimos atos de vontade: diagnosticado com ELA em 2015, sua condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica se deteriorara progressivamente at\u00e9 aquele momento. Ele decidiu tirar a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Havia se preparado meticulosamente. Deixou documentos na mesa: carteira de identidade, hist\u00f3rico cl\u00ednico, testamento, uma carta dirigida ao juiz, um termo de doa\u00e7\u00e3o de seu c\u00e9rebro para a ci\u00eancia e uma folha com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cN\u00e3o reanima\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><u>Ao <\/u><em><u>El Pais<\/u><\/em><u>,<\/u> que o entrevistou quando planejava o ato, disse haver selecionado at\u00e9 o que leria para aguardar o efeito dos medicamentos: Trilogia<em> del Baztan<\/em>, da Dolores Redondo. \u201cCheguei a 24% do terceiro. N\u00e3o terei tempo de termin\u00e1-lo\u201d, admitiu com certa ironia.<\/p>\n<p>Ele fez as contas: custaria doze mil euros o suic\u00eddio assistido na Su\u00ed\u00e7a. \u201cNo total, levaria alguns meses e teria de gastar um dinheiro que, assim, fica para minha fam\u00edlia\u201d, foi o que pesou.<\/p>\n<p><strong>6\u00aa hist\u00f3ria: A pr\u00e1xis do mexicano<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"660\" height=\"439\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/14786233891010.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/14786233891010.jpg 660w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/14786233891010-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/14786233891010-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\"><figcaption>Foto: El Mundo Espa\u00f1a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um provocador carism\u00e1tico. Federico Rebolledo <u>desejava morrer aos 75 anos<\/u>. Um <em>deadline<\/em> autoimposto. Nem mais nem menos, em bom estado de sa\u00fade ou n\u00e3o. Sua justificativa era cl\u00ednica: \u00e9 nesta idade que o corpo come\u00e7a a falhar e apresentar mais sintomas de padecimento. Seria assoprar as velinhas, pesar se algo valeria a pena ser vivido antes do pr\u00f3ximo anivers\u00e1rio e partir\u2026 Quem sabe, ap\u00f3s encher a casa de amigos para uma festa memor\u00e1vel! N\u00e3o era uma fanfarronice m\u00f3rbida: ele falava s\u00e9rio!<\/p>\n<p>O doutor Rebolledo dedicou sua vida a estudar a morte e a dor, a partir da medicina, psicologia, antropologia, filosofia e espiritualidade. Era formado em bio\u00e9tica, tanatologia e cuidados paliativos. E anestesi\u00f3logo especializado no tratamento da dor. Cuidou, ao longo da carreira, de mais de dois mil pacientes em estado terminal. Fartava-se de assistir, sem muito poder fazer, o supl\u00edcio de pessoas que pediam para <em>simplesmente<\/em> pararem de sofrer. N\u00e3o podia ajud\u00e1-las, pois a eutan\u00e1sia \u00e9 proibida no M\u00e9xico, tipificada como homic\u00eddio. \u201cNingu\u00e9m quer morrer at\u00e9 que esteja morrendo\u201d, dizia. Tornou-se, claro, uma das vozes mais intransigentes pelo direito \u00e0 morte digna no pa\u00eds. Era muito atacado, inclusive de ser um \u201canjo da morte\u201d que administrava inje\u00e7\u00f5es letais aos seus pacientes que clamavam pelo fim da vida, sem o conhecimento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, o M\u00e9xico teve avan\u00e7os nesta quest\u00e3o. O primeiro na capital: em 2008, foi aprovado o direito do paciente recusar tratamento que prolongue artificialmente a vida quando a morte \u00e9 iminente. Depois, em 2022, Oaxaca tornou-se o primeiro estado mexicano a descriminalizar a eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p>\u201cPreciso de ajuda para fazer minha revolu\u00e7\u00e3o. O plano \u00e9: n\u00e3o morremos, terminar a vida\u201d. E, assim, em 2019, Rebolledo aceitou o convite para um document\u00e1rio sobre seu trabalho com cuidados paliativos. Mas as coisas tomaram outro rumo durante o processo de filmagem. O doutor inteirou-se de que tinha um c\u00e2ncer terminal. Continuou a trabalhar, ajudando aqueles desesperan\u00e7ados de cura, como ele. Mas vivencia sua doen\u00e7a em sigilo: era algo \u00edntimo.<\/p>\n<p>Ao longo do filme, <em>A \u00daltima Viagem<\/em>, vemos como sua morte iminente suscita quest\u00f5es delicadas: como lidamos com a nossa pr\u00f3pria morte ou com a das pessoas que amamos? Como renovamos nossa conex\u00e3o com esta vida que se foi repentinamente? Afinal, a morte digna \u00e9 cheia de nuances e contradi\u00e7\u00f5es: e vemos um Federico, n\u00e3o o tanat\u00f3logo prestigiado, \u201cadiando\u201d o momento de realizar a eutan\u00e1sia, gerando dor e conflitos, mas convicto: eutan\u00e1sia e suic\u00eddio assistido \u00e9, justamente, o direito de dizer \u201cquando eu quiser\u201d \u2013 n\u00e3o da fam\u00edlia, m\u00e9dicos ou Estado. \u00c9 um ato de autonomia pessoal.<\/p>\n<p>Federico Rebolledo morreu em decorr\u00eancia do c\u00e2ncer, em 2021. Aparentemente, n\u00e3o por eutan\u00e1sia. Aos 71 anos, a quatro de concretizar seu plano.<\/p>\n<p><strong>Ep\u00edlogo: Direito \u00e0 vida ou obriga\u00e7\u00e3o de viver?<\/strong><\/p>\n<p>O coletivo Prudencia Uruguay, contr\u00e1rio \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, advogava, durante debates calorosos no pa\u00eds que estavam em quest\u00e3o, em ess\u00eancia, duas vis\u00f5es distintas de direitos humanos. \u201cUma concep\u00e7\u00e3o individualista, onde cada um \u00e9 dono de sua vida, independentemente de causas sociais, e outra que entende que existem certos limites \u2014 que, por humanismo, a sociedade n\u00e3o pode descartar a pessoa, mesmo que ela assim o queira\u201d, disse seu porta-voz, Miguel Pastorino.<\/p>\n<p>O cerne argumentativo do coletivo \u00e9, portanto, aquele que talvez seja o maior pacto da humanidade: a defesa incondicional da vida. Foi, claro, \u201cassinado\u201d gradualmente ap\u00f3s horrores hist\u00f3ricos como genoc\u00eddios, escravid\u00e3o, tortura e fome \u2014 e, n\u00e3o raro, \u00e9 quebrado. Enfim: a preserva\u00e7\u00e3o da vida a qualquer custo poderia ser uma armadilha ao invisibilizar o sofrimento humano? Pessoas biologicamente vivas, submetidas a condi\u00e7\u00f5es degradantes e que, conscientemente, acreditam que sua perman\u00eancia no mundo n\u00e3o significa mais valor para elas, mas um fardo insuport\u00e1vel, devem ter o direito a uma morte digna?<\/p>\n<p>Essas provoca\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas por Jos\u00e9 Micaelson Lacerda Morais, professor do Departamento de Economia da Universidade Regional do Cariri (URCA), em <u>artigo publicado em<\/u><em><u> Outras Palavras<\/u><\/em>. Ele ressalta que, claro, este direito n\u00e3o significa que o Estado n\u00e3o deve prover um robusto sistema de cuidados paliativos, sa\u00fade mental e justi\u00e7a social. \u201cAssim, quando a vida se converte em sofrimento extremo, perda de autonomia e esvaziamento de sentido, torna-se necess\u00e1rio distinguir entre o direito \u00e0 vida, entendido como prote\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia, a neglig\u00eancia e a mis\u00e9ria, e a obriga\u00e7\u00e3o de viver, que, ao ser imposta de forma absoluta, pode desconsiderar a vontade do indiv\u00edduo e violar sua dignidade mais fundamental. Surge, ent\u00e3o, uma quest\u00e3o \u00e9tica incontorn\u00e1vel\u201d, escreve.<\/p>\n<p>Est\u00e3o a\u00ed bons pontos \u2014 e hist\u00f3rias \u2014 para o Brasil, t\u00e3o atrasado neste tema, refletir.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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A eutan\u00e1sia, recurso da sa\u00fade, perturba os moralistas. A dif\u00edcil decis\u00e3o final, em casos complexos. As mortes clandestinas. Relatos sobre um combate necess\u00e1rio ao conservadorismo<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/capa\/\">Morte digna: seis hist\u00f3rias latinoamericanas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":59065,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[25550,5511,7169,25551,2687,25552,25553,1511,25554,1512,753,25555,15714,1513,25556],"tags":[],"class_list":["post-59064","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antonio-cicelro","category-capa","category-conservadorismo","category-conservadorismo-medico","category-crise-civilizatoria","category-cuidados-paliativos","category-direito-a-morte-digna","category-eutanasia","category-eutanasia-e-conservadorismo","category-morte-assistida","category-saude-publica","category-sofrimento-extremo","category-suicidio","category-suicidio-assistido","category-vida-digna"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}