{"id":60312,"date":"2025-10-24T18:43:00","date_gmt":"2025-10-24T21:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-tras-da-vitrine-da-cop-da-amazonia\/"},"modified":"2025-10-24T18:43:00","modified_gmt":"2025-10-24T21:43:00","slug":"por-tras-da-vitrine-da-cop-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-tras-da-vitrine-da-cop-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Por tr\u00e1s da vitrine da \u201cCOP da Amaz\u00f4nia\u201d"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1050\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_5179258439450954608_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_5179258439450954608_y.jpg 1050w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_5179258439450954608_y-300x171.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_5179258439450954608_y-768x439.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1050px) 100vw, 1050px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original: <strong>Contradi\u00e7\u00f5es da COP30 e precariza\u00e7\u00e3o da vida na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>Por <strong>Andre Luiz de Souza<\/strong><sup><sup>1<\/sup><\/sup>, <strong>Francisco Di\u00e9tima da Silva Bezerra<sup><sup>2<\/sup><\/sup> <\/strong>e J<strong>os\u00e9 Alfonso Klein<\/strong><sup><sup>3<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da COP30, em 2025, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, condensa, sob uma \u00f3tica sociol\u00f3gica hist\u00f3rica, o dilema cl\u00e1ssico de forma\u00e7\u00f5es dependentes: enquanto projeta a Amaz\u00f4nia ao epicentro da governan\u00e7a clim\u00e1tica, desnuda o descompasso entre ambi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica e desigualdades territoriais, sociais e ambientais acumuladas por uma moderniza\u00e7\u00e3o seletiva e um desenvolvimento associado e subalterno. Desde o in\u00edcio de 2025, an\u00e1lises p\u00fablicas apontaram que a pr\u00f3pria montagem do evento reproduzia assimetrias organizacionais, restringindo a participa\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas e de lideran\u00e7as locais (Lima, 2025) \u2014 sintoma de \u201cautonomia tutelada\u201d que limita a sociedade regional. No plano da coer\u00eancia clim\u00e1tica, a simult\u00e2nea discuss\u00e3o sobre novas frentes de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas, \u00e0 sombra da confer\u00eancia, foi qualificada por Carlos Nobre como \u201ctotalmente contradit\u00f3ria\u201d (Nobre, 2025), recolocando a exig\u00eancia de alinhar discurso e pr\u00e1tica e de subordinar os imperativos imediatos da acumula\u00e7\u00e3o a um projeto p\u00fablico e socioambiental efetivamente democr\u00e1tico.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editora-10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editora-10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O deslocamento da velha dicotomia conserva\u00e7\u00e3o\/produ\u00e7\u00e3o para arranjos que articulam renda e floresta em p\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma moda tecnocr\u00e1tica, mas herda seu conte\u00fado normativo das lutas de Chico Mendes e ressurge nas proposi\u00e7\u00f5es de uma bioeconomia enraizada no territ\u00f3rio e nos sujeitos coletivos que o constituem (Souza; Bezerra; Schneider; Aquino, 2025). Em chave hist\u00f3rico-estrutural, a precariza\u00e7\u00e3o da vida amaz\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 anomalia corrig\u00edvel por megaeventos; \u00e9 a forma \u201cnormal\u201d assumida por um padr\u00e3o perif\u00e9rico de ocupa\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o, produto de uma moderniza\u00e7\u00e3o dependente que combina concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, colonialidade do poder e subordina\u00e7\u00e3o das economias locais ao circuito expansivo do capital (Quijano, 2005). Assim, o territ\u00f3rio \u00e9 reiteradamente reinscrito como fronteira de saque \u2014 e os grupos subalternos, reduzidos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho descart\u00e1vel ou de \u201cbenefici\u00e1rios\u201d tutelados por pol\u00edticas epis\u00f3dicas (Lima, 2025). Sem reforma institucional que desfa\u00e7a a tutela, democratize a propriedade e o acesso aos recursos, e reconstrua a capacidade estatal a partir de baixo \u2014 cr\u00e9dito e compras p\u00fablicas orientados \u00e0 sociobiodiversidade, infraestrutura do comum, ci\u00eancia e tecnologia situadas \u2014 a bioeconomia arrisca converter-se em novo r\u00f3tulo para velhas pr\u00e1ticas de espolia\u00e7\u00e3o. Trata-se de passar da \u201cintegra\u00e7\u00e3o subordinada\u201d a uma integra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, na qual a Amaz\u00f4nia deixe de ser periferia funcional e se torne sujeito hist\u00f3rico da transi\u00e7\u00e3o socioecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 novidade; constitui a forma \u201cnormal\u201d assumida por um desenvolvimento perif\u00e9rico que, desde o ciclo colonial at\u00e9 as frentes contempor\u00e2neas de expans\u00e3o do capital, combina moderniza\u00e7\u00e3o dependente e marginaliza\u00e7\u00e3o social. A persistente aus\u00eancia de infraestrutura b\u00e1sica \u2014 saneamento, transporte, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o \u2014 articula-se ao avan\u00e7o de atividades predat\u00f3rias, como garimpo ilegal e desmatamento, que dissolvem modos de vida e corroem a capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o social dos grupos subalternos. Nesse quadro, vigora uma cidadania regulada, em que direitos s\u00e3o concedidos de modo intermitente e tutelado, enquanto o territ\u00f3rio \u00e9 tratado como zona de extra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como espa\u00e7o de vida e de conhecimento. \u00c9 o que Abramovay sintetiza ao afirmar que \u201ca Amaz\u00f4nia tem sido tratada como fronteira de saque e n\u00e3o como territ\u00f3rio de vida, conhecimento e inova\u00e7\u00e3o\u201d (Abramovay, 2020, p. 112).<\/p>\n<p>Na chave cr\u00edtica de Marx, \u201co capital \u00e9 trabalho morto\u201d que se anima ao sugar trabalho vivo (Marx, 2013, p. 307), e sua expans\u00e3o converte desigualdades em mecanismo: \u201ca acumula\u00e7\u00e3o de riqueza num polo \u00e9, ao mesmo tempo, acumula\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria no polo oposto\u201d (Marx, 2013, p. 721). Esse dispositivo ajuda a ler a Amaz\u00f4nia descrita aqui: frentes extrativas e grandes projetos urbanos funcionam como aparelhos de extra\u00e7\u00e3o de mais-valor e transfer\u00eancia de excedentes, enquanto a financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza (cr\u00e9ditos de carbono) atualiza cercamentos \u2014 formas contempor\u00e2neas de expropria\u00e7\u00e3o do produtor direto (Marx, 2013, p. 787\u2013788).<\/p>\n<p>Sob o olhar do mundo, \u00e0s v\u00e9speras da COP30, promove-se, na regi\u00e3o, uma verdadeira corrida contra o tempo para a finaliza\u00e7\u00e3o de obras de grande porte, a fim de contornar car\u00eancias hist\u00f3ricas como o d\u00e9ficit na infraestrutura de saneamento b\u00e1sico. O Censo Demogr\u00e1fico de 2022 mostrou que o norte brasileiro \u00e9 a regi\u00e3o mais prec\u00e1ria em termos de servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua, esgotamento sanit\u00e1rio e manejo dos res\u00edduos s\u00f3lidos. Somente 24,41% dos domic\u00edlios est\u00e3o conectados \u00e0 rede de esgoto, 80,5% contam com coleta de lixo e 56% t\u00eam acesso \u00e0 rede geral de abastecimento de \u00e1gua. Bel\u00e9m, sede da COP30, \u00e9 a segunda pior capital da regi\u00e3o Norte em termos de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas dos domic\u00edlios da regi\u00e3o Norte em rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os do saneamento \u2013 2022<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"261\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-5-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-5-1.png 596w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-5-300x131.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\"><\/figure>\n<p>Fonte: Censo Demogr\u00e1fico de 2022 (SIDRA\/IBGE).<\/p>\n<p>A precariedade dos indicadores socioecon\u00f4micos n\u00e3o fica restrita ao saneamento. Em 2023, a regi\u00e3o Norte apresentou uma das maiores taxas de pobreza e extrema pobreza do pa\u00eds, ficando atr\u00e1s apenas do Nordeste. Nesse ano, 38,5% da popula\u00e7\u00e3o encontrava-se abaixo da linha de pobreza e 6,0% vivia em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, percentuais superiores \u00e0 m\u00e9dia nacional. Entre os estados nortistas, o Acre registrou os piores indicadores, com 51,5% da popula\u00e7\u00e3o abaixo da linha de pobreza e 13,2% em extrema pobreza. Esse \u00e9 um reflexo do modelo de desenvolvimento adotado para a regi\u00e3o e das pol\u00edticas desconectadas da realidade local, as quais, na maioria das vezes, s\u00e3o do tipo <em>top-down, <\/em>pensadas por organismos multilaterais e ag\u00eancias internacionais de fomento que desconhecem as reais necessidades da popula\u00e7\u00e3o, agravando, assim, o quadro de vulnerabilidade social.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia5-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia5-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia5-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Propor\u00e7\u00e3o de pessoas em extrema pobreza e abaixo da linha de pobreza, regi\u00e3o Norte e unidades da federa\u00e7\u00e3o \u2013 2023<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"359\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-7-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-7-2.png 922w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-7-300x117.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-7-768x299.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 922px) 100vw, 922px\"><\/figure>\n<p>Fonte: S\u00edntese de Indicadores Sociais (IBGE).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Graziano da Silva, ex-diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) e idealizador do programa Fome Zero, afirmou, durante o F\u00f3rum Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o 2025, em Roma, que a Amaz\u00f4nia se tornou o novo epicentro da fome e pobreza no Brasil. Para ele, a regi\u00e3o \u201cesconde sob o manto verde da floresta\u201d uma realidade marcada pela pobreza, desnutri\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a alimentar. Graziano destacou que, na Amaz\u00f4nia, \u201conde convivem a fartura natural e a priva\u00e7\u00e3o humana, o combate \u00e0 fome \u00e9 tamb\u00e9m uma batalha pela civiliza\u00e7\u00e3o \u2014 pela sobreviv\u00eancia dos povos origin\u00e1rios, pela preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e pela dignidade de milh\u00f5es de brasileiros invis\u00edveis\u201d. Segundo o ex-diretor da FAO, o desafio amaz\u00f4nico revela o paradoxo de uma terra rica em recursos naturais, mas marcada pela exclus\u00e3o e pela aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas.<\/p>\n<p>Com efeito, a falta de dinamismo da estrutura produtiva da regi\u00e3o para gerar postos de trabalho mais atrativos ainda \u00e9 uma quest\u00e3o que se coloca no plano da economia regional, sobretudo pela falta de incentivos concretos para a atra\u00e7\u00e3o de investimentos privados. Os setores de servi\u00e7os e da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica predominam na absor\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho na Regi\u00e3o Norte, particularmente a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, defesa, seguridade social, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade (20,0%) e o com\u00e9rcio, repara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotores e motocicletas (19,9%).<\/p>\n<p><strong>Pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de refer\u00eancia por grupamento de atividade no trabalho principal<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"357\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-8-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-8-3.png 922w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-8-300x116.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-8-768x297.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 922px) 100vw, 922px\"><\/figure>\n<p>Fonte: PNADC\/IBGE (2023).<\/p>\n<p>Em 2024, o rendimento m\u00e9dio domiciliar <em>per capita <\/em>da popula\u00e7\u00e3o local foi de R$ 1.389,00, valor 1,6% inferior ao sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente naquele ano (R$ 1.412,00) e 31,2% abaixo da m\u00e9dia nacional (R$ 2.020,00). Do ponto de vista sociol\u00f3gico, essa defasagem expressa uma inser\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e dependente no capitalismo brasileiro: a elevada presen\u00e7a do emprego p\u00fablico atua como amortecedor, n\u00e3o como motor de desenvolvimento, enquanto o predom\u00ednio de servi\u00e7os de baixa produtividade reproduz um mercado de trabalho segmentado. Numa chave marxiana (2013), a compress\u00e3o da massa salarial e a transfer\u00eancia do excedente para fora do territ\u00f3rio limitam a reprodu\u00e7\u00e3o social; numa leitura polanyiana (2000), a mercantiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho sem contrapesos institucionais (infraestrutura, prote\u00e7\u00e3o social, cr\u00e9dito produtivo) desancora a economia do tecido comunit\u00e1rio. Pela lente bourdieusiana (1986), a escassez de capitais econ\u00f4mico e cultural (baixa qualifica\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, redes fr\u00e1geis de mercado) trava a mobilidade; e, no registro centro\u2013periferia e de mercados territoriais, a especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1rio-extrativa conectada a cadeias longas tende a internalizar riscos e externalizar rendas. Em s\u00edntese, o dado de renda \u00e9 menos um \u201cn\u00famero\u201d e mais o sintoma de uma estrutura de oportunidades restrita, que demanda pol\u00edticas de qualifica\u00e7\u00e3o, densifica\u00e7\u00e3o de cadeias curtas e compras p\u00fablicas, expans\u00e3o de infraestrutura b\u00e1sica e regula\u00e7\u00e3o do trabalho para romper o c\u00edrculo de baixa produtividade \u2013 baixa renda.<\/p>\n<p><strong>Rendimento m\u00e9dio mensal real domiciliar <em>per capita<\/em>, a pre\u00e7os m\u00e9dios do ano, Brasil e Grandes Regi\u00f5es \u2013 2024<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"261\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-4-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-4-2.png 596w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-4-300x131.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\"><\/figure>\n<p>Fonte: PNADC\/IBGE (2023).<\/p>\n<p>No plano urbano, a prepara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m confirma a l\u00f3gica do \u201curbanismo de exce\u00e7\u00e3o\u201d: acelera\u00e7\u00e3o de obras, reordenamento or\u00e7ament\u00e1rio e promessa de \u201clegados\u201d divorciados das necessidades estruturais de saneamento, mobilidade e habita\u00e7\u00e3o (Vainer, 2011). Em uma cidade na qual cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o reside em \u00e1reas suscet\u00edveis a alagamentos, projetos de macrodrenagem foram reembalados como heran\u00e7a da COP30 sob fundada desconfian\u00e7a popular \u2014 um ajuste espacial que socializa custos nas periferias e privatiza benef\u00edcios nos circuitos centrais do capital (Amorim, 2025). Trata-se da reprodu\u00e7\u00e3o de uma heteronomia estrutural: sem reforma urbana democr\u00e1tica, planejamento participativo efetivo e prioridade a bens coletivos, a exce\u00e7\u00e3o converte-se em regra e as desigualdades territoriais, sociais e ambientais se consolidam como princ\u00edpio organizador da cidade.<\/p>\n<p>Em contraponto \u00e0 gram\u00e1tica das grandes obras, proliferam arranjos <em>place-based<\/em> \u2014 sistemas agroflorestais, manejo comunit\u00e1rio do pescado, redes cooperativas \u2014 que mant\u00eam a floresta em p\u00e9, ampliam a renda local e adensam a governan\u00e7a territorial. N\u00e3o s\u00e3o vitrines tecnocr\u00e1ticas: expressam capacidades sociopol\u00edticas enraizadas e reorientam o investimento p\u00fablico do excepcional para o cotidiano da reprodu\u00e7\u00e3o social (Souza; Bezerra; Schneider; Aquino, 2025).<\/p>\n<p>No plano propriamente clim\u00e1tico, a coer\u00eancia adquire estatuto normativo. Ao qualificar como \u201ctotalmente contradit\u00f3ria\u201d a abertura de novas frentes de explora\u00e7\u00e3o na Foz do Amazonas \u00e0s v\u00e9speras da COP30, Nobre submete a pol\u00edtica clim\u00e1tica a um teste de consist\u00eancia entre ambi\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica (Nobre, 2025a). Em setembro, reiterou a gravidade do momento \u2014 \u201cnunca vivemos uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica como a de agora\u201d (Nobre, 2025b). Em termos de sociologia pol\u00edtica, observa-se a fric\u00e7\u00e3o entre narrativas de lideran\u00e7a verde e a in\u00e9rcia de matrizes f\u00f3sseis, sinal de uma integra\u00e7\u00e3o subordinada que converte promessas de transi\u00e7\u00e3o em ret\u00f3rica compensat\u00f3ria (Nobre, 2025a; 2025b).<\/p>\n<p>A financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza \u2014 em especial via mercados de carbono \u2014 intensifica ambival\u00eancias. Investiga\u00e7\u00f5es recentes registram sobreposi\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas entre projetos geradores de cr\u00e9ditos e \u00e1reas com concess\u00f5es miner\u00e1rias na Amaz\u00f4nia, corroendo adicionalidade, integridade clim\u00e1tica e justi\u00e7a territorial (Bispo, 2025). Em paralelo, relat\u00f3rio da Rede MTI\/FGV prop\u00f5e salvaguardas robustas para territ\u00f3rios coletivos, advertindo que, sem direitos no centro \u2014 demarca\u00e7\u00e3o, consentimento livre, pr\u00e9vio e informado, e governan\u00e7a comunit\u00e1ria \u2014 tais instrumentos arriscam subordinar popula\u00e7\u00f5es a l\u00f3gicas especulativas (Baptista <em>et al.<\/em>, 2025). Em s\u00edntese, sem integridade e salvaguardas, o \u201ccolonialismo verde\u201d reapresenta, sob nova linguagem, a velha estrutura de espolia\u00e7\u00e3o que a agenda clim\u00e1tica alega combater (Bispo, 2025; Baptista <em>et al<\/em>., 2025).<\/p>\n<p>Sob a \u00f3tica da justi\u00e7a socioambiental, alimentar e sanit\u00e1ria, clima e vida cotidianas s\u00e3o indissoci\u00e1veis. Como sustenta Abramovay, a amea\u00e7a contempor\u00e2nea \u00e0 seguran\u00e7a alimentar deriva menos da escassez do que do excesso: um regime produtivo que organiza desperd\u00edcios, difunde dietas de alto impacto e desestrutura o cuidado como princ\u00edpio ordenador (Abramovay, 2024; 2025). Reconhecer a natureza como ator pol\u00edtico \u2014 portadora de direitos e ag\u00eancia \u2014 desloca a quest\u00e3o de \u201crecursos\u201d para a de \u201csujeitos\u201d, repondo a necessidade de pol\u00edticas orientadas \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o social e ao conhecimento situado. Para a Amaz\u00f4nia, isso significa transi\u00e7\u00f5es agroalimentares territorializadas, que articulem ci\u00eancia e saberes locais, e um Estado capaz de coordenar cr\u00e9dito, compras p\u00fablicas e infraestrutura do comum, com <em>accountability<\/em> social (Abramovay, 2024; 2025).<\/p>\n<p>\u00c0 luz desse quadro, a legitimidade da COP30 depender\u00e1 menos de comunicados diplom\u00e1ticos e mais de sua capacidade efetiva de: (i) assegurar participa\u00e7\u00e3o materialmente vi\u00e1vel \u2014 log\u00edstica, financiamento e voz \u2014 a povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, trabalhadores e periferias urbanas; (ii) direcionar investimentos para saneamento, mobilidade e habita\u00e7\u00e3o sob controle social, e n\u00e3o como \u201clegados\u201d abstratos; (iii) estabelecer linhas vermelhas<sup><sup>4<\/sup><\/sup> compat\u00edveis com a emerg\u00eancia clim\u00e1tica, inclusive a rejei\u00e7\u00e3o de novas fronteiras f\u00f3sseis; (iv) subordinar instrumentos de mercado a salvaguardas robustas e a direitos territoriais. Sem esses deslocamentos, prevalece a integra\u00e7\u00e3o subordinada: uma vitrine verde que ritualiza a moderniza\u00e7\u00e3o dependente e naturaliza hierarquias antigas, em vez de instaurar uma integra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica fundada na universaliza\u00e7\u00e3o de direitos (Fernandes, 1975).<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a COP30 em Bel\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 avaliada pela coreografia diplom\u00e1tica, mas por sua capacidade efetiva de reduzir vulnerabilidades historicamente produzidas. Ao escancarar contradi\u00e7\u00f5es, a confer\u00eancia pode inaugurar um ciclo de desenvolvimento sociobiodiverso assentado em quatro eixos: (i) participa\u00e7\u00e3o popular com meios materiais de voz e decis\u00e3o; (ii) universaliza\u00e7\u00e3o de infraestrutura b\u00e1sica; (iii) transi\u00e7\u00f5es agroalimentares territorializadas; e (iv) coer\u00eancia clim\u00e1tica que estabele\u00e7a linhas vermelhas reais. Ausentes esses deslocamentos, reiterar-se-\u00e1 o enredo conhecido: territ\u00f3rios fragilizados, popula\u00e7\u00f5es precarizadas e promessas peri\u00f3dicas de reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia deve ser pensada a partir de suas realidades concretas e, sobretudo, de suas contradi\u00e7\u00f5es. \u201cTerrit\u00f3rio amaz\u00f4nico\u201d n\u00e3o \u00e9 um vazio verde, mas uma constru\u00e7\u00e3o social tecida por conflitos, assimetrias e m\u00faltiplas formas de uso da terra e dos comuns. O olhar internacional tende a reduzir a regi\u00e3o \u00e0 fauna e \u00e0 flora; contudo, aqui vivem mais de 28 milh\u00f5es de pessoas que dependem de pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes e de estrat\u00e9gias de desenvolvimento capazes de assegurar dignidade, trabalho, renda e direitos. Em chave florestaniana, trata-se de substituir a integra\u00e7\u00e3o subordinada \u2014 que naturaliza hierarquias \u2014 por uma integra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica orientada \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o de direitos (Fernandes, 1975).<\/p>\n<p>Romper o \u201cteto de vidro\u201d da COP30 significa ir al\u00e9m da celebra\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9 e enfrentar, simultaneamente, a quest\u00e3o social, econ\u00f4mica e institucional de um espa\u00e7o fr\u00e1gil e potente. Desde a coloniza\u00e7\u00e3o, o Estado brasileiro tem tratado a Amaz\u00f4nia como celeiro e fronteira de apropria\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, relegando a segundo plano as condi\u00e7\u00f5es de vida de seus habitantes. Inverter essa l\u00f3gica implica territorializar pol\u00edticas, fortalecer economias da sociobiodiversidade, qualificar servi\u00e7os p\u00fablicos e instituir uma governan\u00e7a polic\u00eantrica com controle social, que reconhe\u00e7a a pluralidade de atores, modos de vida e projetos de futuro. S\u00f3 assim a Amaz\u00f4nia deixar\u00e1 de ser periferia funcional e se afirmar\u00e1 como sujeito hist\u00f3rico da transi\u00e7\u00e3o socioecol\u00f3gica.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ABRAMOVAY, R. <strong>A amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a alimentar hoje \u00e9 o excesso, n\u00e3o a escassez<\/strong>. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/ihu.unisinos.br\/657058-ameaca-a-seguranca-alimentar-hoje-e-o-excesso-nao-a-escassez-artigo-de-ricardo-abramovay\/<\/u>. Acesso em: 1 out. 2025. <u>IHU Unisinos<\/u><\/p>\n<p>ABRAMOVAY, R. A natureza como ator pol\u00edtico. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/catedrajc.fsp.usp.br\/participacao\/a-natureza-como-ator-politico-por-ricardo-abramovay\/<\/u>. Acesso em: 1 out. 2025.<\/p>\n<p>ABRAMOVAY, R. <strong>Amaz\u00f4nia:<\/strong> por uma economia do conhecimento da natureza. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2020.<\/p>\n<p>AMORIM, Cec\u00edlia Alves. <strong>Em Bel\u00e9m, cidade-sede da COP30, 10% da popula\u00e7\u00e3o vive em risco de inunda\u00e7\u00f5es e alagamentos em meio ao crescimento urbano desordenado<\/strong><em><strong>. <\/strong><\/em>Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/infoamazonia.org\/2025\/07\/01\/em-belem-cidade-sede-da-cop30-10-da-populacao-vive-em-risco-de-inundacoes-e-alagamentos-em-meio-ao-crescimento-urbano-desordenado\/<\/u>. Acesso em: 05 out. 2025.<\/p>\n<p>ANDREONI, Manuela. Brazil tackles COP30 hotel costs, under pressure from developing nations. Reuters, 16 jul. 2025. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.reuters.com\/sustainability\/cop\/brazil-tackles-cop30-hotel-costs-under-pressure-developing-nations-2025-07-16\/nobre.ghtml<\/u>. Acesso em: 6 out. 2025.<\/p>\n<p>BAPTISTA, Tain\u00e1 Holanda Caldeira; LE\u00c3O, Andrea; SILVA, Tarc\u00edsio Feitosa da; BRAGA, Jamilye; SILVA, Josimar Costa da; PINHEIRO, M\u00e1rcia Cunha. <strong>Mercado de carbono em territ\u00f3rios coletivos na Amaz\u00f4nia: alertas e recomenda\u00e7\u00f5es para a prote\u00e7\u00e3o de direitos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: FGVces, 2025. 30p. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/eaesp.fgv.br\/sites\/eaesp.fgv.br\/files\/u1087\/rede_mti_mercado_de_carbono_em_territorios_coletivos_na_amazonia-2025.pdf<\/u>. Acesso em: 05 out. 2025.<\/p>\n<p>BISPO, F\u00e1bio. <strong>Mais da metade dos cr\u00e9ditos de carbono da Amaz\u00f4nia est\u00e1 \u2018contaminada\u2019 pela minera\u00e7\u00e3o<\/strong><em><strong>.<\/strong><\/em> InfoAmazonia, 26 jun. 2025. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/infoamazonia.org\/2025\/06\/26\/mais-da-metade-dos-creditos-de-carbono-da-amazonia-esta-contaminada-pela-mineracao\/<\/u>. Acesso em: 05 out. 2025.<\/p>\n<p>BOURDIEU, Pierre. The forms of capital. In: RICHARDSON, John (ed.). <strong>Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education<\/strong>. New York: Greenwood, 1986. p. 241\u2013258.<\/p>\n<p>BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. <strong>Censo Demogr\u00e1fico de 2022<\/strong><em><strong>.<\/strong><\/em> Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/pesquisa\/censo-demografico\/demografico-2022\/primeiros-resultados-populacao-e-domicilios<\/u>. Acesso em: 05 out. 2025.<\/p>\n<p>BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. <strong>Painel Pnad Cont\u00ednua do Mercado de Trabalho<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/painel.ibge.gov.br\/pnadc\/. Acesso em: 05 out. 2025.<\/p>\n<p>CONCERTA\u00c7\u00c3O PELA AMAZ\u00d4NIA. COP 30: Brasil inicia 2025 com expectativa para confer\u00eancia do clima, mas postos-chave ainda n\u00e3o foram definidos. 7 jan. 2025. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/concertacaoamazonia.com.br\/cop-30-brasil-inicia-2025-com-expectativa-para-conferencia-do-clima-mas-postos-chave-ainda-nao-foram-definidos\/<\/u>. Acesso em: 1 out. 2025.<\/p>\n<p>DEHM, Julia. Beyond climate due diligence: fossil fuels, \u2018red lines\u2019 and reparations. <strong>Business and Human Rights Journal<\/strong>, Cambridge, v. 8, n. 2, p. 151\u2013179, 2023. DOI: 10.1017\/bhj.2023.30. Dispon\u00edvel em: <u>https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/business-and-human-rights-journal\/article\/beyond-climate-due-diligence-fossil-fuels-red-lines-and-reparations\/C2A2B2B586BD71B240CA91282DDB03CB<\/u>. Acesso em: 7 out. 2025.<\/p>\n<p>FERNANDES, F<strong>. 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Acesso em: 07 out. de 2025.<\/p>\n<p>1 Andre Luiz de Souza \u00e9doutor em Sociologia, professor do IFAC \u2013 Campus Cruzeiro do Sul (AC) e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agricultura, Alimenta\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (GEPAD).\u00a0\u00a0 E-mail:\u00a0<u>andre.luiz@ifac.edu.br<\/u>\u00a0\u2013 ORCID:\u00a0<u>https:\/\/orcid.org\/0000-0002-2283-5274<\/u>.<\/p>\n<p>2 Francisco Di\u00e9tima da Silva Bezerra\u00e9 doutor em Economia, professor do IFAC \u2013 Campus Cruzeiro do Sul (AC) e membro do Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o Agroecol\u00f3gica do Juru\u00e1 (GPEAJ).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>E-mail:\u00a0<u>francisco.bezerra@ifac.edu.br<\/u>\u00a0\u2013 ORCID:\u00a0<u>https:\/\/orcid.org\/0000-0002-9631-7939<\/u>.\u00a0<\/p>\n<p>3 Jos\u00e9 Alfonso Klein \u00e9 doutor em Ci\u00eancias Sociais pela PUC-SP, professor da Unioeste \u2013 Campus Marechal C\u00e2ndido Rondon (PR). E-mail: <u>kleinengel@yahoo.com.br<\/u> ORCID: https:\/\/orcid.org\/0009-0002-2430-9523.<\/p>\n<p>4 O termo \u201clinhas vermelhas\u201d \u00e9 empregado na literatura jur\u00eddico-ambiental para designar limites substantivos n\u00e3o negoci\u00e1veis \u00e0 expans\u00e3o f\u00f3ssil e para orientar repara\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas (Dehm, 2023). No debate p\u00fablico, a express\u00e3o foi popularizada por movimentos de justi\u00e7a clim\u00e1tica na COP21 (Klein, 2015).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Fam\u00edlias ganham 31,2% abaixo da m\u00e9dia nacional. \u00c9 a regi\u00e3o com menor acesso ao saneamento. Floresta \u00e9 financeirizada. Evento deveria oferecer muito mais que comunicados diplom\u00e1ticos<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/por-tras-da-vitrine-da-cop-da-amazonia\/\">Por tr\u00e1s da vitrine da \u201cCOP da Amaz\u00f4nia\u201d<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":60313,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[894,24846,2303,26700,2519,154,15527,98,26701,5840],"tags":[],"class_list":["post-60312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belem","category-carlos-nobre","category-chico-mendes","category-cop-da-amazonia","category-cop30","category-crise-climatica","category-crise-social","category-desigualdades","category-ricardo-abramovay","category-terra-e-antropoceno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}