{"id":60628,"date":"2025-10-27T06:00:00","date_gmt":"2025-10-27T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fazendeiro-diz-ter-mantido-selo-starbucks-mesmo-apos-caso-de-trabalho-escravo\/"},"modified":"2025-10-27T06:00:00","modified_gmt":"2025-10-27T09:00:00","slug":"fazendeiro-diz-ter-mantido-selo-starbucks-mesmo-apos-caso-de-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fazendeiro-diz-ter-mantido-selo-starbucks-mesmo-apos-caso-de-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Fazendeiro diz ter mantido \u2018selo Starbucks\u2019 mesmo ap\u00f3s caso de trabalho escravo\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><strong>NA FAZENDA FLORESTA<\/strong>, em Heliodora, no Sul de Minas Gerais, 20 trabalhadores foram resgatados de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em agosto de 2021. Novas evid\u00eancias obtidas pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>apontam, no entanto, que mesmo ap\u00f3s o flagrante de trabalho escravo a propriedade continuou certificada pela C.A.F.E Practices, o programa de verifica\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas da rede de cafeterias Starbucks.\u00a0<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez que vem a p\u00fablico evid\u00eancias de que o selo da Starbucks foi mantido para uma fazenda brasileira ap\u00f3s um flagrante de trabalho escravo. O caso \u00e9 detalhado no relat\u00f3rio \u201cSTARBUCKS: novos casos de escravid\u00e3o envolvendo fornecedores de caf\u00e9 da multinacional\u201d, publicado nesta segunda-feira (27) pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas na Fazenda Floresta sofriam descontos ilegais nos sal\u00e1rios e dormiam em alojamentos sem forro e com frestas nas paredes, segundo o relat\u00f3rio da fiscaliza\u00e7\u00e3o conduzida por auditores do MTE (Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego). Um dos dormit\u00f3rios destinados ao grupo ficava ao lado de uma \u00e1rea com esgoto \u00e0 c\u00e9u aberto, de acordo com o mesmo documento, que classificou como degradantes as condi\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 m\u00e3o de obra.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Pelo caso, o dono da Fazenda Floresta, o produtor Guilherme Sodr\u00e9 Alckmin J\u00fanior, foi inclu\u00eddo em abril de 2023 na Lista Suja do trabalho escravo, cadastro divulgado pelo governo federal que lista o nome dos empregadores responsabilizados pela pr\u00e1tica. A inclus\u00e3o ocorre ap\u00f3s direito \u00e0 defesa em duas inst\u00e2ncias na esfera administrativa do MTE.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/trabalho-escravo.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/trabalho-escravo-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/trabalho-escravo-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/trabalho-escravo-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/trabalho-escravo.jpg 1439w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Trabalhadores resgatados na Fazenda Floresta relataram que equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, como luvas e botas, n\u00e3o eram fornecidos gratuitamente. Foto: (Arquivo\/ADERE)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mesmo ap\u00f3s sua entrada na Lista Suja, no entanto, a propriedade continuou com a certifica\u00e7\u00e3o C.A.F.E. Practices. \u00c9 o que alega o produtor em uma notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial de outubro de 2023, obtida em agosto deste ano pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. O documento foi anexado a uma a\u00e7\u00e3o movida contra o fazendeiro pela subsidi\u00e1ria no Brasil da multinacional europeia Louis Dreyfus Company (LDC). Na notifica\u00e7\u00e3o, a assessoria jur\u00eddica do produtor alegou que a Fazenda Floresta detinha, naquele momento, a certifica\u00e7\u00e3o C.A.F.E. Practices, com validade at\u00e9 julho de 2024.<\/p>\n<p>A LDC figura na lista de fornecedores da Starbucks. Na a\u00e7\u00e3o judicial, a companhia pedia a rescis\u00e3o de tr\u00eas contratos de compra e venda de caf\u00e9 assinados com Alckmin J\u00fanior em 2020 para a entrega de 1,2 mil sacas do gr\u00e3o em safras posteriores. Os documentos, acessados pela reportagem, indicavam que o caf\u00e9 entregue deveria ser de lotes certificados pelo programa C.A.F.E. Practices.<\/p>\n<p>O pedido de rescis\u00e3o contratual ocorreu por dois motivos: pela inclus\u00e3o do nome do empregador na Lista Suja, o que a LDC alegou ser uma viola\u00e7\u00e3o ao seu Manual de Conduta para Fornecedores de Mat\u00e9ria-Prima, e pela n\u00e3o entrega do produto por parte de Alckmin Junior. Segundo a defesa do produtor, o caf\u00e9 n\u00e3o foi entregue em raz\u00e3o de geadas ocorridas na lavoura.<\/p>\n<p>Numa notifica\u00e7\u00e3o encaminhada \u00e0 empresa, os advogados do cafeicultor classificaram a rela\u00e7\u00e3o com a LDC como \u201csadia, justa, equilibrada, de confian\u00e7a e principalmente de boa-f\u00e9\u201d, o que resultou na inclus\u00e3o da Fazenda Floresta no programa de certifica\u00e7\u00e3o C.A.F.E. Practices por interm\u00e9dio da multinacional. A defesa destacou tamb\u00e9m que a Fazenda Floresta passou por v\u00e1rias auditorias desde 2018 e que \u201cap\u00f3s a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho em agosto de 2021, foram oportunizadas visitas de verifica\u00e7\u00e3o das empresas e certificadoras que constataram e documentaram a conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o\u201d, disse a assessoria jur\u00eddica do produtor \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Alckmin J\u00fanior permaneceu na Lista Suja at\u00e9 pelo menos outubro de 2024. O empregador entrou na Justi\u00e7a para anular o auto de infra\u00e7\u00e3o por trabalho escravo e a consequente entrada no cadastro. O produtor perdeu em primeira e segunda inst\u00e2ncia e agora aguarda o julgamento de um recurso final no Tribunal Superior do Trabalho.<\/p>\n<p>A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> procurou Alckmin Junior por meio de seu advogado, mas o produtor optou por n\u00e3o se manifestar, afirmando que todas as informa\u00e7\u00f5es pertinentes ao caso j\u00e1 foram prestadas \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A LDC afirmou que tomou conhecimento do caso em 2021 e confirmou que, \u00e0 \u00e9poca, realizou uma vistoria no local. Disse tamb\u00e9m que suspendeu novas compras do produtor e que, em 2023, rescindiu os contratos devido \u00e0 inclus\u00e3o de Alckmin Junior na Lista Suja. Atualmente, afirmou a empresa, o cafeicultor n\u00e3o \u00e9 fornecedor da LDC.\u00a0<\/p>\n<p>A Starbucks foi questionada sobre o caso pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, que apresentou os documentos onde o produtor afirmou ter permanecido no programa mesmo ap\u00f3s a sua inclus\u00e3o na Lista Suja. A empresa, no entanto, n\u00e3o comentou o caso espec\u00edfico, limitando-se a apresentar informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas sobre suas pol\u00edticas de responsabilidade relacionadas \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 no Brasil. A resposta da Starbucks pode ser lida, na \u00edntegra, aqui.<\/p>\n<h2>Escravid\u00e3o em fazendas ligadas a fornecedor da Starbucks\u00a0<\/h2>\n<p>O relat\u00f3rio publicado nesta segunda-feira pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> tamb\u00e9m destaca os novos flagrantes de trabalho escravo, identificados na safra de 2025, que envolveram fazendeiros ligados a um dos maiores fornecedores globais da Starbucks no Brasil, a Cooxup\u00e9 (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxup\u00e9).<\/p>\n<p>Maior cooperativa de caf\u00e9 ar\u00e1bica do Brasil, a Cooxup\u00e9 exportou 80% do caf\u00e9 recebido de seus cooperados em 2024. A Starbucks \u00e9 apontada como um dos principais clientes da cooperativa no exterior e integra a lista de fornecedores de caf\u00e9 divulgada pela companhia americana.\u00a0<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es repassadas pelo MTE \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>indicam que, ao longo da colheita de caf\u00e9 na safra de 2025, conclu\u00edda em setembro, foram flagrados 15 casos de trabalho escravo em fazendas brasileiras produtoras do gr\u00e3o. Desse total, cinco envolviam cafeicultores membros da Cooxup\u00e9.\u00a0<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cafe_mg_05_2023-36.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cafe_mg_05_2023-36-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cafe_mg_05_2023-36-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cafe_mg_05_2023-36-768x512.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cafe_mg_05_2023-36-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cafe_mg_05_2023-36.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Entre abril e agosto deste ano, 15 produtores de caf\u00e9 foram autuados por trabalho escravo; Cooxup\u00e9 bloqueou a matr\u00edcula de 5. Na foto, fazenda de caf\u00e9 no Sul de Minas Gerais (Foto: Lela Beltr\u00e3o\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em setembro, a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> mostrou que uma crian\u00e7a de 12 anos, um adolescente de 16 e um idoso de 72 estavam entre as 81 v\u00edtimas resgatadas nos casos de produtores ligados \u00e0 cooperativa, segundo relat\u00f3rios de fiscaliza\u00e7\u00e3o e autos de infra\u00e7\u00e3o que descrevem os flagrantes, acessados pela reportagem.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o da reportagem, a Cooxup\u00e9 afirmou que bloqueou a matr\u00edcula dos cinco produtores. Tamb\u00e9m disse que \u201cn\u00e3o comercializa caf\u00e9 de propriedades que descumpram a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d e que todos os cooperados devem cumprir o C\u00f3digo de Conduta \u00c9tica e o Programa de Integridade da cooperativa, \u201cque incluem a obedi\u00eancia expressa \u00e0s leis trabalhistas vigentes\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na ocasi\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, a <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>perguntou \u00e0 Starbucks se os cinco cooperados da Cooxup\u00e9 flagrados usando m\u00e3o de obra escrava este ano integram ou j\u00e1 integraram o seu programa de aquisi\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. A empresa, no entanto, n\u00e3o respondeu \u00e0 pergunta. A Starbucks afirmou apenas que compra caf\u00e9 de \u201cuma pequena fra\u00e7\u00e3o\u201d das fazendas de membros da Cooxup\u00e9 e somente daquelas verificadas por meio de seu programa C.A.F.E. Practices, que, segundo ela, inclui \u201cauditorias rigorosas\u201d.<\/p>\n<p>Procurada novamente pela reportagem, a Starbucks n\u00e3o fez coment\u00e1rios espec\u00edficos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cooxup\u00e9. A empresa disse que \u201cpermanece comprometida\u201d em trabalhar junto aos fornecedores para avan\u00e7ar em pr\u00e1ticas trabalhistas e ressaltou que, no Brasil, mant\u00e9m um Centro de Apoio ao Produtor que oferece forma\u00e7\u00f5es sobre responsabilidade social para produtores e fornecedores de caf\u00e9 sobre a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira.\u00a0<\/p>\n<p>A companhia tamb\u00e9m afirmou revisar e fortalecer continuamente o programa C.A.F.E. Practices e sua abordagem de devida dilig\u00eancia, trabalhando com organiza\u00e7\u00f5es com \u201cexpertise relevante em remedia\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de recomenda\u00e7\u00f5es, tanto no n\u00edvel dos fornecedores quanto das fazendas\u201d. Leia aqui a resposta da Starbucks na \u00edntegra.\u00a0<\/p>\n<h2>Cooperativas fazem \u2018tudo o que est\u00e1 ao alcance\u2019?<\/h2>\n<p>Dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da reportagem sobre os cinco cooperados da Cooxup\u00e9, uma nota assinada pelo presidente do Conselho Nacional do Caf\u00e9, organiza\u00e7\u00e3o que representa os interesses do setor, apontou que \u201cas cooperativas n\u00e3o est\u00e3o no campo colhendo a safra\u201d e que a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores \u00e9 de responsabilidade dos produtores. \u201cOu seja, tudo que est\u00e1 ao alcance das cooperativas \u00e9 feito para punir os cooperados flagrados em tais condi\u00e7\u00f5es\u201d, diz trecho da nota.<\/p>\n<p>\u201cEssa alega\u00e7\u00e3o de que eles adotam todas as pr\u00e1ticas cab\u00edveis n\u00e3o se sustenta\u201d, avalia Fernanda Drummond, assessora do programa de Defesa dos Direitos Socioambientais da organiza\u00e7\u00e3o Conectas. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, empresas como a Starbucks e seus fornecedores deveriam ser mais transparentes sobre os cafeicultores com quem fazem neg\u00f3cios para que problemas trabalhistas em fazendas possam ser monitorados em di\u00e1logo com organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores e outros atores da sociedade civil.<\/p>\n<p>\u201cNem a Adere e nem v\u00e1rios sindicatos com quem que temos contato em muitos munic\u00edpios foram alguma vez consultados por cooperativas ou certificadoras sobre casos de trabalho escravo no setor\u201d, afirma Jorge Ferreira dos Santos, coordenador da Adere-MG (Articula\u00e7\u00e3o dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais), organiza\u00e7\u00e3o que recebe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es trabalhistas no campo e alerta \u00e0s autoridades.<\/p>\n<p>Para Jorge dos Santos, cooperativas e empresas deveriam adotar uma s\u00e9rie de medidas para promover melhores pr\u00e1ticas trabalhistas na cafeicultura. Elas incluem, por exemplo, incentivar acordos coletivos entre sindicatos rurais e representantes dos fazendeiros, prover assist\u00eancia t\u00e9cnica a produtores rurais sobre normas de sa\u00fade e seguran\u00e7a na colheita, al\u00e9m de suporte cont\u00e1bil para a contrata\u00e7\u00e3o formal da m\u00e3o de obra.\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>Processo judicial nos EUA<\/h2>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o da Starbucks com casos de trabalho escravo ligados \u00e0 Cooxup\u00e9 \u00e9 citada tamb\u00e9m em um processo movido contra a multinacional na Justi\u00e7a americana. A a\u00e7\u00e3o, protocolada pela ONG International Rights Advocates (IRAdvocates) em abril deste ano, pede que a companhia indenize oito trabalhadores migrantes resgatados de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em fazendas de caf\u00e9 de Minas Gerais.\u00a0<\/p>\n<p>O processo judicial tem como base a TVPRA (Lei de Reautoriza\u00e7\u00e3o da Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas de Tr\u00e1fico de Pessoas), que permite processar empresas com sede ou que atuem nos EUA por crimes ocorridos fora do pa\u00eds. \u201cA acusada Starbucks tinha conhecimento das viola\u00e7\u00f5es de trabalho for\u00e7ado e tr\u00e1fico cometidas pela Cooxup\u00e9 e suas fazendas membros\u201d, diz a IRAdvocates na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/starbucks_credito_pexels_dom_J.jpg\" alt=\"Na a\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o pede \u00e0 Starbucks mais de USD 200 milh\u00f5es (o equivalente a R$ 1,1 bilh\u00e3o) em indeniza\u00e7\u00f5es aos trabalhadores (Foto: Pexels\/Dom J)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/starbucks_credito_pexels_dom_J-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/starbucks_credito_pexels_dom_J-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/starbucks_credito_pexels_dom_J-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/starbucks_credito_pexels_dom_J.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Na a\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o IRAdvocates pede \u00e0 Starbucks mais de USD 200 milh\u00f5es (o equivalente a R$ 1,1 bilh\u00e3o) em indeniza\u00e7\u00f5es aos trabalhadores (Foto: Pexels\/Dom J)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dos casos descritos ocorreu nos s\u00edtios C\u00f3rrego do Jacu e Paquera, em Juruaia (MG). Os dois s\u00edtios foram inspecionados no dia 17 de junho de 2024. Foram resgatados seis trabalhadores, entre eles um adolescente. \u00c0 \u00e9poca do flagrante, a <strong>Rep\u00f3rter Brasi<\/strong>l mostrou que o produtor autuado por trabalho escravo era cooperado da Cooxup\u00e9.\u00a0<\/p>\n<h2>\u2018Sistema projetado para falhar\u2019<\/h2>\n<p>\u201c\u00c9 chocante que a Starbucks continue a afirmar que cumpre integralmente os seus pr\u00f3prios padr\u00f5es de pr\u00e1ticas cafeeiras e o seu pr\u00f3prio C\u00f3digo de Conduta, quando os fatos mostram claramente que as viola\u00e7\u00f5es s\u00e3o comuns\u201d, afirma Terrence Collingsworth, fundador e diretor-executivo da IRAdvocates, ao comentar os novos casos de trabalho escravo identificados pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> em cooperados da Cooxup\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cA Starbucks foi informada repetidamente desses problemas e que eles estavam documentados de forma muito p\u00fablica. Mesmo assim, a Starbucks n\u00e3o corrigiu seus sistemas [de compra de caf\u00e9] e tratou esses casos de escravid\u00e3o como se fossem ma\u00e7\u00e3s podres aleat\u00f3rias\u201d, diz Etelle Higonnet, fundadora e diretora da ONG Coffee Watch.<\/p>\n<p>Para Higonnet, ao manter essas condi\u00e7\u00f5es em sua cadeia de fornecimento de caf\u00e9, a Cooxup\u00e9, o programa C.A.F.E. Practices e a Starbucks est\u00e3o \u201ccriando condi\u00e7\u00f5es para o fracasso\u201d.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post Fazendeiro diz ter mantido \u2018selo Starbucks\u2019 mesmo ap\u00f3s caso de trabalho escravo\u00a0 appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entenda-as-alegacoes-de-alexandre-de-moraes-para-prender-braga-netto\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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novas evid\u00eancias apontam que, mesmo ap\u00f3s o flagrante, propriedade foi mantida no C.A.F.E. Practices, programa de boas pr\u00e1ticas da Starbucks<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2025\/10\/fazendeiro-selo-starbucks-apos-c-trabalho-escravo\/\">Fazendeiro diz ter mantido \u2018selo Starbucks\u2019 mesmo ap\u00f3s caso de trabalho escravo\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":60629,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,2632,10347,5879,5799,26856,7747,974],"tags":[],"class_list":["post-60628","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-cafe","category-certificacao","category-conteudo-original-em-portugues","category-reportagens","category-selo","category-starbucks","category-trabalho-escravo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60628"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60628\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}