{"id":61276,"date":"2025-10-29T17:24:13","date_gmt":"2025-10-29T20:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-direita-convida-a-politica-do-medo\/"},"modified":"2025-10-29T17:24:13","modified_gmt":"2025-10-29T20:24:13","slug":"a-direita-convida-a-politica-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-direita-convida-a-politica-do-medo\/","title":{"rendered":"A direita convida \u00e0 pol\u00edtica do medo"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"892\" height=\"595\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1.png 892w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1-300x200.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1-768x512.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 892px) 100vw, 892px\"><figcaption>Foto: REUTERS\/Ricardo Moraes <\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo: <strong>Entre as chacinas e as urnas: quando a (in)seguran\u00e7a p\u00fablica vira palanque eleitoral<\/strong>. Este texto \u00e9 uma parceria entre o <em><strong>WikiFavelas \u2013 Dicion\u00e1rio das Favelas Marielle Franco<\/strong> <\/em>e <em>Outras Palavras<\/em>\u00a0<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro viveu mais uma chacina nesta ter\u00e7a-feira (28\/10). A opera\u00e7\u00e3o mais letal da hist\u00f3ria do estado, at\u00e9 o momento. H\u00e1 not\u00edcias que mencionam ao menos 110 pessoas mortas e mais de 2.500 agentes da pol\u00edcia civil e militar envolvidos, tanto do BOPE como da CORE. N\u00e3o por acaso, um ano antes das elei\u00e7\u00f5es para o cargo de governador. Assim como em 2021, quando vivemos uma das maiores chacinas na favela do Jacarezinho, com dezenas de execu\u00e7\u00f5es, houve o alastramento do p\u00e2nico moral em toda a popula\u00e7\u00e3o, fato que se conecta diretamente com a abertura de um per\u00edodo de campanhas para a sucess\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>O governador Cl\u00e1udio Castro (PL), em franca disputa com o governo federal petista, tentou transformar o debate da chacina que ele conduziu na cidade em palanque para atacar um suposto abandono do presidente Lula (PT) diante da situa\u00e7\u00e3o do Estado. A pol\u00edtica do medo ocupou as ruas, em uma megaopera\u00e7\u00e3o que mais parecia um espet\u00e1culo, envolvendo milhares de trabalhadores das for\u00e7as de seguran\u00e7a, com ve\u00edculos blindados (mais conhecidos como Caveir\u00f5es), helic\u00f3pteros sobrevoando casas, escolas e servi\u00e7os de sa\u00fade fechados, vidas sob cerco. Para al\u00e9m dos complexos do Alem\u00e3o e da Penha, diretamente envolvidos nas opera\u00e7\u00f5es nesta ter\u00e7a-feira, h\u00e1 relatos de retalia\u00e7\u00f5es por parte das fac\u00e7\u00f5es em toda a regi\u00e3o metropolitana, com fechamento de vias e saques em com\u00e9rcios.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Prancheta--21.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Prancheta--21.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 o tema que mais preocupa os brasileiros, e n\u00e3o por acaso aparece recorrentemente na agenda dos gestores das grandes cidades e estados, em uma certa confus\u00e3o sobre a atribui\u00e7\u00e3o de cada ente do pacto federativo. Um problema que temos observado \u00e9 que muitos vendem mais viol\u00eancia como solu\u00e7\u00e3o: na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, o Prefeito Eduardo Paes (PSD) decidiu armar a guarda municipal, treinando-a militarmente, em um ato que contraria as principais indica\u00e7\u00f5es de pesquisadores e ativistas na \u00e1rea da seguran\u00e7a p\u00fablica. Afinal, isso reproduz a l\u00f3gica equivocada de que o aumento da for\u00e7a policial ou armamento garante seguran\u00e7a, quando, na pr\u00e1tica, amplia a viol\u00eancia, refor\u00e7a desigualdades e exp\u00f5e ainda mais a popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica ao risco de morte. No caso da capital fluminense, o armamento da guarda significa maior repress\u00e3o aos trabalhadores informais e a completa fal\u00eancia de um modelo de gest\u00e3o que, incapaz de lidar com os conflitos urbanos cotidianos por meio de esfor\u00e7os intersetoriais, decide incrementar as ontologias militarizadas de governo.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, o Rio de Janeiro vive uma grande crise na seguran\u00e7a p\u00fablica, que merece ser analisada a partir de esfor\u00e7os multidimensionais, intersetoriais e de longo prazo. Pesquisas e experi\u00eancias nacionais e internacionais mostram que seguran\u00e7a p\u00fablica efetiva se constr\u00f3i por meio de preven\u00e7\u00e3o, com pol\u00edticas sociais, investimento em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e infraestrutura comunit\u00e1ria, n\u00e3o com fuzis, blindados e opera\u00e7\u00f5es espetaculares que transformam o medo em espet\u00e1culo. A experi\u00eancia da Col\u00f4mbia, por exemplo, demonstra como a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia integra um programa articulado de inclus\u00e3o social, di\u00e1logo comunit\u00e1rio e fortalecimento de institui\u00e7\u00f5es locais que promovam o acesso a direitos b\u00e1sicos e a reconstru\u00e7\u00e3o do tecido social. Isso mostra que seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9, antes de tudo, um projeto de cuidado coletivo e preven\u00e7\u00e3o, e que pol\u00edticas baseadas na repress\u00e3o e na espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia s\u00f3 perpetuam ciclos de morte e medo, aprofundando desigualdades e fragilizando a cidadania.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, na contram\u00e3o, vemos a intensifica\u00e7\u00e3o de uma certa agenda de guerra urbana, coordenada pelo Estado, como parte das t\u00e1ticas de governan\u00e7a da extrema-direita, com o terror sendo o principal alicerce de um projeto ultraliberal de retirada de direitos da popula\u00e7\u00e3o. Por um lado, intensifica-se a viol\u00eancia de Estado nas favelas e periferias e, por outro, violam-se direitos dos trabalhadores.\u00a0<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, ao abordar o epis\u00f3dio de ontem, a m\u00eddia hegem\u00f4nica deveria usar o nome adequado para se referir ao ocorrido. N\u00e3o \u00e9 opera\u00e7\u00e3o policial, \u00e9 chacina. E, talvez, a maior da hist\u00f3ria do pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p>O endurecimento de pr\u00e1ticas violentas de Estado ocupa um lugar central nessa agenda de retirada de direitos, como nos lembra Wacquant (em \u201cPunir os Pobres\u201d, livro publicado em 2001), pois a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e a militariza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas urbanas refor\u00e7am a l\u00f3gica de exclus\u00e3o social necess\u00e1ria para avan\u00e7ar agendas ultraliberais. Como elucidado pelo autor, o Estado neoliberal desloca seu eixo da prote\u00e7\u00e3o social para o controle penal, punindo os pobres em vez de proteg\u00ea-los. O que se v\u00ea, ao longo do dia, s\u00e3o milhares de trabalhadores desesperados sem ter como voltar para suas casas, sem not\u00edcias precisas de suas fam\u00edlias e dezenas de pessoas executadas, inclusive trabalhadores das for\u00e7as de seguran\u00e7a. O pano de fundo das grandes opera\u00e7\u00f5es policiais, que se inscrevem em uma agenda de exterm\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es negras no Brasil, tamb\u00e9m se relaciona com a desarticula\u00e7\u00e3o de quaisquer possibilidades de organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, que vive sob cerco, sem direitos e sem perspectivas de uma vida digna e tranquila. Nesse cen\u00e1rio, a seguran\u00e7a p\u00fablica deixa de ser uma garantia cidad\u00e3 e se converte em m\u00e9todo de controle social, eleitoral e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O resultado concreto \u00e9 a morte em escala industrial e o aprofundamento de uma l\u00f3gica de governan\u00e7a pelo terror. Uma pol\u00edtica que substitui direitos por tiros, e cidadania por medo. Qual \u00e9 o espa\u00e7o para a esperan\u00e7a em um cotidiano marcado pela suspens\u00e3o total de direitos \u2014 at\u00e9 mesmo do direito de sonhar? Essa militariza\u00e7\u00e3o crescente, longe de resolver qualquer problema de seguran\u00e7a, amplia os abismos social e racial do Rio de Janeiro. Enquanto as favelas se tornam palco de guerra, outros espa\u00e7os da cidade assistem, paralisados, ao espet\u00e1culo que naturaliza o exterm\u00ednio como rotina. Ser\u00e1 que os moradores de Ipanema viveram as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es que os moradores do Complexo da Penha?\u00a0<\/p>\n<h3><strong>O padr\u00e3o da chacina como pol\u00edtica de Estado<\/strong><\/h3>\n<p>Pesquisas reunidas pelo Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco (Fiocruz) demonstram que o Rio de Janeiro vive h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas sob a recorr\u00eancia de chacinas que se repetem com a mesma l\u00f3gica, as mesmas v\u00edtimas e a mesma impunidade. O verbete Chacinas em favelas no Rio de Janeiro identifica esses epis\u00f3dios como parte de um padr\u00e3o estrutural de atua\u00e7\u00e3o violenta do Estado, voltado especialmente contra popula\u00e7\u00f5es negras e perif\u00e9ricas. Casos como Acari (1990), Candel\u00e1ria (1993), Vig\u00e1rio Geral (1993), Borel (2003), Complexo do Alem\u00e3o (2007) e Jacarezinho (2021), entre tantos outros, revelam n\u00e3o eventos isolados, mas uma pol\u00edtica cont\u00ednua de exterm\u00ednio, sustentada por pr\u00e1ticas de militariza\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de responsabiliza\u00e7\u00e3o. A sucess\u00e3o dessas trag\u00e9dias evidencia que as chacinas n\u00e3o s\u00e3o desvios ou excessos pontuais, mas express\u00f5es permanentes de um projeto de seguran\u00e7a p\u00fablica que naturaliza a morte nas favelas como forma de governo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia3-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/HUCITEC-basaglia3-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia3-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A continuidade da letalidade, mesmo diante de decis\u00f5es judiciais que tentaram restringir opera\u00e7\u00f5es (como a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas), revela a fal\u00eancia da pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica e a fragilidade da capacidade estatal de controlar suas pr\u00f3prias for\u00e7as. N\u00e3o se trata de uma pol\u00edcia \u201cfora de controle\u201d; trata-se de uma pol\u00edtica que, em muitos momentos, escolhe n\u00e3o controlar.\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto a ret\u00f3rica da guerra ao tr\u00e1fico insiste em transformar favelas em campos de batalha, o que se observa cotidianamente \u00e9 que as opera\u00e7\u00f5es letais e descoordenadas pouco alteram a estrutura do crime organizado. Estudos promovidos por institui\u00e7\u00f5es como o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) ou pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (CESeC) t\u00eam mostrado que as fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias n\u00e3o se sustentam apenas pela venda de drogas nas comunidades, mas por redes complexas de circula\u00e7\u00e3o de armas, lavagem de dinheiro e corrup\u00e7\u00e3o institucional que operam fora delas, nas fronteiras, nos portos, nas institui\u00e7\u00f5es financeiras e nas pr\u00f3prias for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado. Sufocar as favelas \u00e9 enxugar gelo: a cada invas\u00e3o violenta, o Estado reorganiza o pr\u00f3prio terreno da criminalidade, mantendo toda a popula\u00e7\u00e3o sitiada e produzindo medo e inseguran\u00e7a em larga escala, enquanto os verdadeiros fluxos do crime permanecem intocados.<\/p>\n<p>Uma alternativa \u00e0 pol\u00edtica de exterm\u00ednio passa por recolocar a intelig\u00eancia e a coordena\u00e7\u00e3o entre os diferentes entes federativos no centro da estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a p\u00fablica. Aqui, n\u00e3o convoco a intelig\u00eancia como uma entidade abstrata, mas justamente como um ator capaz de produzir investiga\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos de trabalho que sejam menos letais e mais eficazes. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver em um dos estados que mais gasta dinheiro com seguran\u00e7a p\u00fablica (estudos apontam que o RJ \u00e9 o estado que mais investe nas pol\u00edcias no Brasil) e, ainda assim, n\u00e3o conseguir apontar horizontes de resolver o problema que se coloca para a popula\u00e7\u00e3o, sem combater os grupos civis armados vinculados ao tr\u00e1fico de drogas ou aos grupos milicianos que tamb\u00e9m dominam grande parte dos territ\u00f3rios. Fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o o oposto do Estado, mas se relacionam com esse modelo contempor\u00e2neo de governar a vida, como efeito de redes que emergem das brechas da corrup\u00e7\u00e3o, das desigualdades, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e da pr\u00f3pria pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es mais eficazes em apreens\u00e3o de fuzis, drogas e muni\u00e7\u00f5es, inclusive as que levaram \u00e0 pris\u00e3o de agentes como Ronnie Lessa (envolvido na execu\u00e7\u00e3o da vereadora Marielle Franco, do PSOL), foram conduzidas sem tiros, com base em investiga\u00e7\u00e3o, cruzamento de dados e coopera\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os. Por que n\u00e3o seguir sempre assim? N\u00e3o foram em favelas, tampouco exigiram blindados ou helic\u00f3pteros. Mostraram, na pr\u00e1tica, que o enfrentamento \u00e0 criminalidade organizada depende muito mais de m\u00e9todo e integra\u00e7\u00e3o do que de uma afirma\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica de for\u00e7a. Esse contraste revela que o modelo militarizado n\u00e3o \u00e9 a via mais eficaz, mas \u00e9 a via que produz visibilidade pol\u00edtica. Nossa seguran\u00e7a precisa de coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e nitidez pol\u00edtica do que deve ser enfrentado \u2014 e n\u00e3o de espet\u00e1culos de poder. A administra\u00e7\u00e3o seletiva dos ilegalismos, portanto, permite que as engrenagens lucrativas do crime continuem rodando, enquanto vende solu\u00e7\u00f5es falsas para a seguran\u00e7a, associando pobreza e criminalidade em leituras modernas do positivismo criminol\u00f3gico.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>O faroeste \u00e9 terra sem lei (e n\u00e3o tem preceitos fundamentais)<\/strong><\/h3>\n<p>As megaopera\u00e7\u00f5es em favelas do Rio de Janeiro j\u00e1 foram objeto de debate at\u00e9 mesmo no Supremo Tribunal Federal, por for\u00e7a da A\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental, protocolada pelo PSB em conjunto com dezenas de movimentos sociais e institui\u00e7\u00f5es com atua\u00e7\u00e3o em favelas. A ADPF das Favelas, proposta em 2019, indicou a gravidade das opera\u00e7\u00f5es e requereu limites concretos para incidir sobre a escalada de letalidade policial no estado. Entre as decis\u00f5es preliminares do STF, estava o uso obrigat\u00f3rio de c\u00e2meras corporais pelos policiais, aviso pr\u00e9vio ao Minist\u00e9rio P\u00fablico antes de opera\u00e7\u00f5es, preserva\u00e7\u00e3o das cenas do crime e restri\u00e7\u00f5es ao uso de helic\u00f3pteros como plataforma de tiros, atos que reduziram temporariamente as mortes, sobretudo no contexto da pandemia de coronav\u00edrus.\u00a0<\/p>\n<p>Em 2025, quando concluiu o julgamento da a\u00e7\u00e3o, o Tribunal homologou parcialmente o plano do Estado do Rio de Janeiro para redu\u00e7\u00e3o da letalidade policial, afrouxando certas restri\u00e7\u00f5es \u00e0s opera\u00e7\u00f5es policiais: por exemplo, foi autorizada a retirada da exig\u00eancia de excepcionalidade para incurs\u00f5es nas favelas e foi permitida uma maior atua\u00e7\u00e3o dos helic\u00f3pteros e blindados (os Caveir\u00f5es) em opera\u00e7\u00f5es rotineiras. Avan\u00e7os normativos (como uso de c\u00e2meras e informes ao Minist\u00e9rio P\u00fablico) sem monitoramento e responsabiliza\u00e7\u00e3o real tendem a se traduzir em letra morta.\u00a0<\/p>\n<p>O Estado do Rio n\u00e3o fornece dados consistentes e detalhados para justificar as opera\u00e7\u00f5es, justamente porque n\u00e3o h\u00e1 um desenvolvimento com intelig\u00eancia que as justifique. N\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o externa efetiva para dizer se helic\u00f3pteros e blindados s\u00e3o usados conforme regras, ou se os protocolos de preserva\u00e7\u00e3o de cena s\u00e3o realmente seguidos, pois a decis\u00e3o final do STF n\u00e3o discrimina protocolos para tais a\u00e7\u00f5es ou respons\u00e1veis por elas. As pr\u00f3prias opera\u00e7\u00f5es seguem sob justificativas de combate ao tr\u00e1fico, como foi nesta ter\u00e7a-feira, que podem driblar a aplica\u00e7\u00e3o das regras.<\/p>\n<p>Ainda assim, o governador parece preferir viver em um Estado sem lei, j\u00e1 que tem tratado a ADPF como problema, mesmo com tantas flexibiliza\u00e7\u00f5es depois da decis\u00e3o final do STF. Essa postura sinaliza que, para o projeto de poder atual, a lei n\u00e3o serve como media\u00e7\u00e3o, mas como um entrave. O \u201cfaroeste\u201d que ele prefere n\u00e3o \u00e9 apenas terra sem lei; \u00e9 um territ\u00f3rio onde a cidadania \u00e9 permanentemente suspensa para que a governan\u00e7a pelo terror possa operar livremente. N\u00e3o por acaso, o l\u00edder do governo na Alerj, deputado Rodrigo Amorim (PL), prop\u00f4s que o estado voltasse a pagar a famosa \u2018gratifica\u00e7\u00e3o faroeste\u2018, que, na pr\u00e1tica, instituiria um b\u00f4nus financeiro para policiais que promovessem a neutraliza\u00e7\u00e3o de \u201ccriminosos\u201d durante opera\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da apreens\u00e3o de armas de grosso calibre.<\/p>\n<p>Essa emenda ao projeto de reestrutura\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil, aprovada pela Alerj em setembro, significaria a legaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de exterm\u00ednio e a transforma\u00e7\u00e3o da letalidade em meta de trabalho. Ela pretendia institucionalizar um incentivo financeiro para a l\u00f3gica do abate que a pr\u00f3pria ADPF 635 tentava conter.\u00a0<\/p>\n<p>O governador, pressionado pelos movimentos sociais, STF e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, vetou a emenda na semana passada (23\/10). Contudo, a justificativa oficial para o veto n\u00e3o se baseou na defesa da vida ou nos preceitos constitucionais, mas em supostas quest\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras, ligadas ao Regime de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal. Isso exp\u00f5e a controv\u00e9rsia que tratamos aqui: h\u00e1 um grupo pol\u00edtico que tenta institucionalizar um mundo sem leis, com incentivos discursivos e at\u00e9 mesmo financeiros para que mais mortes sejam operadas pelo Estado. Essa encena\u00e7\u00e3o comp\u00f5e um roteiro pol\u00edtico. Em entrevistas, o governador preferiu atacar publicamente a ADPF, creditando o seu fracasso como gestor aos mecanismos de controle da barb\u00e1rie, em uma certa articula\u00e7\u00e3o entre interven\u00e7\u00f5es na cidade e militariza\u00e7\u00e3o do medo, das favelas ao asfalto.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Aumentar as mortes para aumentar os votos? Outro mundo precisa ser poss\u00edvel<\/strong><\/h3>\n<p>Por enquanto, as esperan\u00e7as est\u00e3o dispersas entre tantas opera\u00e7\u00f5es. O que precisamos entender, nesse momento, \u00e9 que a recorr\u00eancia das chacinas em per\u00edodos eleitorais n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. Nos \u00faltimos anos, grandes interven\u00e7\u00f5es militarizadas de alta letalidade se intensificaram em momentos de disputa pol\u00edtica. Como esquecer a interven\u00e7\u00e3o militar no Rio em 2018, logo antes de se escancarar os port\u00f5es do inferno que possibilitaram a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro e Wiztel? Como esquecer cada opera\u00e7\u00e3o policial, sempre quebrando recordes de letalidade, ao mesmo tempo em que os grupos civis armados (tanto tr\u00e1fico como mil\u00edcias) apenas aprofundam seu poderio no Estado?\u00a0<\/p>\n<p>A cada ano, a ret\u00f3rica da guerra \u00e9 reativada porque ela tem a capacidade de reposicionar lideran\u00e7as pol\u00edticas diante da opini\u00e3o p\u00fablica. Mesmo com a guerra constante, nunca vivemos um per\u00edodo real e duradouro de conten\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas do crime organizado por aqui. O p\u00e2nico moral, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma ferramenta de marketing de longa dura\u00e7\u00e3o: a viol\u00eancia \u00e9 apresentada como demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e controle \u2014 com megaopera\u00e7\u00f5es, enquanto a inseguran\u00e7a cotidiana produzida por essa pol\u00edtica ineficaz \u00e9 transformada em justificativa para o autoritarismo do Estado. Essa t\u00e1tica, caracter\u00edstica de um modo bolsonarista de fazer pol\u00edtica, refor\u00e7a o medo como linguagem de governo e alimenta o ciclo que torna a morte uma cena p\u00fablica legitimada.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos naturalizar a narrativa de Claudio Castro de que os direitos humanos seriam obst\u00e1culos \u00e0 seguran\u00e7a. O governador diz que \u201cn\u00e3o acredita que seguran\u00e7a se faz politizando\u201d, mas politiza quando segue o padr\u00e3o de governo no qual o direito de viver \u00e9 substitu\u00eddo pelas bonifica\u00e7\u00f5es por atirar.\u00a0<\/p>\n<p>Que a gente n\u00e3o se esque\u00e7a, contudo, que h\u00e1 frestas de resist\u00eancia: grupos de m\u00e3es, movimentos e coletivos constroem lutas por outro mundo, com diversas a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia de Estado. \u00c9 preciso transformar essa pot\u00eancia em projeto e disputar o sentido da seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Superar a l\u00f3gica da morte exige deslocar o debate da seguran\u00e7a p\u00fablica do campo da viol\u00eancia para o campo dos direitos humanos. Uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a cidad\u00e3 precisa caminhar junto de pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o, cultura, sa\u00fade e infraestrutura. Seguran\u00e7a se constr\u00f3i com confian\u00e7a, cuidado e prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o com Caveir\u00e3o e fuzil. Isso implica relocalizar a presen\u00e7a do Estado nas favelas, construindo esperan\u00e7a de que a vida pode ser melhor.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A direita convida \u00e0 pol\u00edtica do medo appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/resultado-fuvest-confira-lista-da-segunda-chamada-da-usp\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/nota_corte-e1764351574873-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Resultado Fuvest: confira lista da segunda chamada...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/violencia-de-genero-e-negligencia-do-estado-sao-denunciadas-em-seminario-na-assembleia-legislativa-gaucha\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/48f64e87b7241043b1f513dd7879699d-1536x192-1-150x150.gif') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Viol\u00eancia de g\u00eanero e neglig\u00eancia do estado s\u00e3o de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-colonialismo-de-ontem-e-de-hoje-escancarado-no-oscar-2025\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/no_other_land_1-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O colonialismo de ontem e de hoje escancarado no O...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/banco-central-endurece-regras-de-seguranca-para-instituicoes-de-pagamento\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/bdf-20250905-183924-c08d35-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Banco Central endurece regras de seguran\u00e7a para in...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobram sinais de que no Rio houve chacina planejada, para levantar governador que, deca\u00eddo, flerta apenas com o medo. Direita se agarrar\u00e1 \u00e0 brutalidade das armas, consolo que lhe resta. Para outro Brasil, \u00e9 preciso propor outra Seguran\u00e7a<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/direita-assanhada\/pm-a-direita-convida-a-politica-do-medo\/\">A direita convida \u00e0 pol\u00edtica do medo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":61277,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,27288,3003,7155,7052,73,7158],"tags":[],"class_list":["post-61276","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-chacina-no-rio","category-claudio-castro","category-dicionario-marielle-franco","category-direita-assanhada","category-seguranca-publica","category-wikifavelas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61276\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}