{"id":62345,"date":"2025-11-04T17:12:05","date_gmt":"2025-11-04T20:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trabalhar-sem-direitos-envelhecer-sem-protecao\/"},"modified":"2025-11-04T17:12:05","modified_gmt":"2025-11-04T20:12:05","slug":"trabalhar-sem-direitos-envelhecer-sem-protecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trabalhar-sem-direitos-envelhecer-sem-protecao\/","title":{"rendered":"Trabalhar sem direitos, envelhecer sem prote\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"795\" height=\"526\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-04-at-17-11-55-capa-entregadoras-terceirizadas-do-ifood-nao-registram-funcionarios-junto-ao-governo-federal-1jpg-imagem-JPEG-640-427-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-04-at-17-11-55-capa-entregadoras-terceirizadas-do-ifood-nao-registram-funcionarios-junto-ao-governo-federal-1jpg-imagem-JPEG-640-427-pixels.png 795w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-04-at-17-11-55-capa-entregadoras-terceirizadas-do-ifood-nao-registram-funcionarios-junto-ao-governo-federal-1.jpg-imagem-JPEG-640-\u00d7-427-pixels-300x198.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-04-at-17-11-55-capa-entregadoras-terceirizadas-do-ifood-nao-registram-funcionarios-junto-ao-governo-federal-1.jpg-imagem-JPEG-640-\u00d7-427-pixels-768x508.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 795px) 100vw, 795px\"><figcaption>Foto: Jos\u00e9 C\u00edcero\/Ag\u00eancia P\u00fablica<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original<br \/><strong>Quando o trabalho n\u00e3o \u00e9 mais garantia: o abismo previdenci\u00e1rio dos novos arranjos laborais no Brasil<\/strong><\/p>\n<h3><strong>A heran\u00e7a hist\u00f3rica de um sistema excludente<\/strong><\/h3>\n<p><em><strong>Do pacto constitucional \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o sist\u00eamica<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do trabalho no Brasil \u00e9 marcada por profundas contradi\u00e7\u00f5es entre a promessa de prote\u00e7\u00e3o social e a realidade de exclus\u00e3o que atravessa gera\u00e7\u00f5es. Desde as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, quando a Seguridade Social brasileira iniciou seu processo de estrutura\u00e7\u00e3o, fundamentada na l\u00f3gica do seguro social, estabeleceu-se uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o acesso \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social e a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho formal (TEIXEIRA; RODRIGUES; MATOS, 2015). Essa configura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica criou um sistema dual onde trabalhadores formais acessam direitos enquanto milh\u00f5es permanecem \u00e0 margem. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, embora tenha incorporado caracter\u00edsticas de dois distintos modelos de prote\u00e7\u00e3o social, manteve a Previd\u00eancia Social fundada na l\u00f3gica bismarckiana do seguro social, de modo que s\u00f3 s\u00e3o considerados segurados, com acesso aos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, trabalhadores formais ou aqueles que recolhem suas contribui\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria (TEIXEIRA; RODRIGUES; MATOS, 2015).<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12-1-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12-1-3.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/12-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A trajet\u00f3ria da informalidade no mercado de trabalho brasileiro n\u00e3o pode ser compreendida como fen\u00f4meno recente ou transit\u00f3rio, mas como elemento estrutural que perpassa toda a forma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica nacional. Dados hist\u00f3ricos sobre o trabalho informal e a parcela de for\u00e7a de trabalho excedente evidenciam que uma parte expressiva da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o teve e n\u00e3o tem acesso \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social, especialmente quando se trata de pol\u00edtica de Previd\u00eancia Social (TEIXEIRA; RODRIGUES; MATOS, 2015). Estudos demonstram que a informalidade funciona como reservat\u00f3rio de m\u00e3o de obra que pressiona sal\u00e1rios para baixo e reduz custos empresariais, criando uma interdepend\u00eancia perversa entre os setores formal e informal da economia (ROUBAUD; RAZAFINDRAKOTO et al., 2020). A uberiza\u00e7\u00e3o nomeia um novo tipo de gest\u00e3o e controle da for\u00e7a de trabalho, resultando das formas contempor\u00e2neas de elimina\u00e7\u00e3o de direitos, transfer\u00eancia de riscos e custos para os trabalhadores e novos arranjos produtivos, sintetizando processos em curso h\u00e1 d\u00e9cadas ao mesmo tempo em que se apresenta como tend\u00eancia para o futuro do trabalho (AB\u00cdLIO; AMORIM; GROHMANN, 2021).<\/p>\n<p>O desafio contempor\u00e2neo frente a esse novo tipo de organiza\u00e7\u00e3o envolve elementos complexos, residindo em compreender as plataformas digitais como um novo meio poderoso pelo qual as rela\u00e7\u00f5es de trabalho v\u00eam se reestruturando, sem incorrer em determinismo tecnol\u00f3gico que mistifique os processos sociais (AB\u00cdLIO; AMORIM; GROHMANN, 2021). A perspectiva thompsoniana de an\u00e1lise do trabalho, que enfatiza a experi\u00eancia vivida pelos trabalhadores e as rela\u00e7\u00f5es de classe como processos hist\u00f3ricos din\u00e2micos, oferece ferramental te\u00f3rico fundamental para compreender essas transforma\u00e7\u00f5es. As plataformas digitais constituem um novo tipo de organiza\u00e7\u00e3o de trabalho que se reapropria da informalidade para extra\u00e7\u00e3o do mais-valor, al\u00e9m de aumentar a precariedade e a explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores em um cen\u00e1rio sem precedentes de trabalho sob demanda (GROHMANN; SALVAGNI, 2024).<\/p>\n<p><em><strong>Algoritmos, pe\u00e7as e a ilus\u00e3o da autonomia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A suposta media\u00e7\u00e3o das plataformas consiste em elaborado mecanismo de controle do trabalho, no qual o sal\u00e1rio por pe\u00e7a exerce importante papel, mesmo sob a pecha do fim do assalariamento (SILVA; NASCIMENTO, 2022). Os microempreendedores individuais representam outro arranjo que, embora tenha formalizado milh\u00f5es de trabalhadores, criou uma categoria com contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria significativamente reduzida em compara\u00e7\u00e3o aos trabalhadores formais tradicionais. A consolida\u00e7\u00e3o desses novos arranjos laborais ocorre em um contexto em que as novas formas de organiza\u00e7\u00e3o e controle do trabalho na sociedade brasileira se relacionam com a precariza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do trabalhador, mediante o aprimoramento das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o que viabilizam a uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho, flexibilizando as atividades na mesma propor\u00e7\u00e3o em que se intensificam as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es de trabalho (SOUZA; MARTINS, 2022).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o previdenci\u00e1ria reveste-se de dramaticidade quando confrontamos os n\u00fameros que emergem das estat\u00edsticas oficiais. Levantamento baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua demonstra que apenas 34,4% dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria contribu\u00edam para a Previd\u00eancia no segundo trimestre de 2025, sendo que entre aqueles sem CNPJ essa parcela cai para meros 18,8%. Entre os colaboradores de plataformas digitais, o percentual de contribui\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a apenas 27,8%. O trabalho por aplicativos, por empresas que utilizam as plataformas digitais como forma de explora\u00e7\u00e3o de motoristas e motofretistas, \u00e9 a face mais vis\u00edvel desse iceberg das tecnologias digitais, com dados do Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento apontando para 1,6 milh\u00e3o de trabalhadores por aplicativo no Brasil (FERREIRA; ASSIS, 2024). Essas estat\u00edsticas revelam um d\u00e9ficit atuarial estimado em R$ 2,052 trilh\u00f5es no futuro, sendo R$ 1,894 trilh\u00e3o referente aos MEIs e R$ 157,6 bilh\u00f5es aos trabalhadores de plataformas.<\/p>\n<h3><strong>Entre a Constitui\u00e7\u00e3o e o <\/strong><strong>m<\/strong><strong>ercado \u2013 <\/strong><strong>d<\/strong><strong>ireitos <\/strong><strong>s<\/strong><strong>ociais em <\/strong><strong>d<\/strong><strong>isputa<\/strong><\/h3>\n<p><em><strong>O pacto constitucional de 1988 e suas promessas n\u00e3o cumpridas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, conhecida como Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, estabeleceu em seu artigo 6\u00ba que s\u00e3o direitos sociais a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a seguran\u00e7a, a previd\u00eancia social, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e \u00e0 inf\u00e2ncia, a assist\u00eancia aos desamparados (BRASIL, 1988). O artigo 7\u00ba elenca extenso rol de direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, incluindo prote\u00e7\u00e3o contra despedida arbitr\u00e1ria, seguro-desemprego, FGTS, d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, repouso semanal remunerado, f\u00e9rias, licen\u00e7a-maternidade e paternidade, al\u00e9m da integra\u00e7\u00e3o \u00e0 previd\u00eancia social. A Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei 5.452\/1943, estabelece em seu artigo 3\u00ba que se considera empregado toda pessoa f\u00edsica que prestar servi\u00e7os de natureza n\u00e3o eventual a empregador, sob a depend\u00eancia deste e mediante sal\u00e1rio, configurando os requisitos da rela\u00e7\u00e3o de emprego que s\u00e3o a pessoalidade, a n\u00e3o eventualidade, a onerosidade e a subordina\u00e7\u00e3o (BRASIL, 1943).<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/banner-Outras-palavras-_-setembro.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/banner-Outras-palavras-_-setembro.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/banner-Outras-palavras-_-setembro-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O cerne da controv\u00e9rsia jur\u00eddica sobre trabalhadores de plataformas digitais reside precisamente na caracteriza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio. O Tribunal Superior do Trabalho tem enfrentado casos emblem\u00e1ticos nos quais motoristas e entregadores pleiteiam o reconhecimento da rela\u00e7\u00e3o de emprego. Em decis\u00f5es recentes, magistrados trabalhistas t\u00eam interpretado que o controle algor\u00edtmico exercido pelas plataformas, a fixa\u00e7\u00e3o unilateral de pre\u00e7os, as avalia\u00e7\u00f5es de desempenho e a possibilidade de desconex\u00e3o do aplicativo configuram subordina\u00e7\u00e3o estrutural, ainda que diferente da subordina\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. Contudo, a jurisprud\u00eancia permanece oscilante, com decis\u00f5es divergentes em diferentes Tribunais Regionais do Trabalho, evidenciando a dificuldade do sistema jur\u00eddico em enquadrar essas novas formas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho nas categorias tradicionais do Direito do Trabalho.<\/p>\n<p><em><strong>O mito do d\u00e9ficit e os interesses ocultos nas reformas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O debate sobre a sustentabilidade da Previd\u00eancia Social brasileira tem sido marcado por disputas interpretativas fundamentais. O artigo 201 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal determina que a previd\u00eancia social ser\u00e1 organizada sob a forma do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, de car\u00e1ter contributivo e de filia\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, estabelecendo que sua organiza\u00e7\u00e3o dever\u00e1 atender \u00e0 cobertura de eventos de incapacidade, idade avan\u00e7ada, tempo de servi\u00e7o, desemprego involunt\u00e1rio, encargos familiares e reclus\u00e3o ou morte (BRASIL, 1988). A Lei 8.213\/1991, que disp\u00f5e sobre os Planos de Benef\u00edcios da Previd\u00eancia Social, classifica como segurados obrigat\u00f3rios o empregado, o empregado dom\u00e9stico, o contribuinte individual, o trabalhador avulso e o segurado especial. Os trabalhadores de plataformas e MEIs enquadram-se majoritariamente como contribuintes individuais, categoria que exige iniciativa pr\u00f3pria para recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es, sem a garantia de contrapartida patronal que caracteriza o emprego formal.<\/p>\n<p>A economista Denise Gentil demonstra em suas an\u00e1lises que a Seguridade Social \u00e9 superavit\u00e1ria quando se consideram todas as fontes de receitas previstas constitucionalmente, incluindo a COFINS, CSLL, PIS\/PASEP e outras contribui\u00e7\u00f5es sociais (GENTIL, 2006; LACAZ; TRAP\u00c9, 2017; SALIBA; SANTOS, 2019). O argumento do d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio, segundo Fagnani (2019), constitui uma mentira que vem sendo contada desde 1989, utilizada repetidamente para justificar reformas que retiram direitos conquistados. Fagnani (2019) argumenta que o governo nunca cumpriu a sua parte no financiamento tripartite estabelecido pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que determina contribui\u00e7\u00f5es de empregados, empregadores e governo por meio de impostos. O economista da Unicamp assevera que o verdadeiro prop\u00f3sito das reformas \u00e9 soterrar o pacto social de 1988, transformando seguridade em assistencialismo e preparando terreno para expans\u00e3o da previd\u00eancia privada vinculada aos grandes bancos (FAGNANI, 2019).<\/p>\n<p>Para compreender melhor as disparidades no sistema previdenci\u00e1rio brasileiro, \u00e9 fundamental observar as diferen\u00e7as entre as categorias de trabalhadores no que se refere \u00e0s al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o e aos rendimentos m\u00e9dios. A tabela a seguir apresenta essas informa\u00e7\u00f5es de forma comparativa:<\/p>\n<p><strong>Tabela 1 \u2013 Compara\u00e7\u00e3o entre categorias de trabalhadores: contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e rendimentos m\u00e9dios<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td><strong>Categoria de Trabalhador<\/strong><\/td>\n<td><strong>Al\u00edquota de Contribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td><strong>Rendimento M\u00e9dio dos Contribuintes (R$)<\/strong><\/td>\n<td><strong>Rendimento M\u00e9dio dos N\u00e3o Contribuintes (R$)<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual de Contribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Empregado formal (CLT)<\/td>\n<td>At\u00e9 14% (empregado) + 20% (empregador) = ~31%<\/td>\n<td>4.183<\/td>\n<td>2.073<\/td>\n<td>65,9% da popula\u00e7\u00e3o ocupada<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Contribuinte individual aut\u00f4nomo<\/td>\n<td>20% sobre sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>4.446<\/td>\n<td>2.174<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Microempreendedor Individual (MEI)<\/td>\n<td>5% do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/td>\n<td>5.179 (com CNPJ)<\/td>\n<td>1.901 (sem CNPJ)<\/td>\n<td>76,9% (conta pr\u00f3pria com CNPJ)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trabalhador por conta pr\u00f3pria sem CNPJ<\/td>\n<td>20% (se contribuir)<\/td>\n<td>3.343<\/td>\n<td>1.901<\/td>\n<td>18,8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trabalhador de plataforma digital<\/td>\n<td>Vari\u00e1vel (se contribuir como aut\u00f4nomo)<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td>27,8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>M\u00e9dia geral dos conta pr\u00f3pria<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<td>4.446 (contribuintes)<\/td>\n<td>2.174 (n\u00e3o contribuintes)<\/td>\n<td>34,4%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em dados da PNAD Cont\u00ednua (IBGE, 2025) e estudos de Feij\u00f3 e Peruchetti citados nos documentos anexos.<\/p>\n<p>A Lei Complementar 123\/2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e criou o Simples Nacional, estabeleceu o regime do Microempreendedor Individual em 2008. O MEI recolhe mensalmente valor fixo que corresponde a 5% do sal\u00e1rio m\u00ednimo para a Previd\u00eancia Social, al\u00e9m de R$ 1,00 de ICMS para estados e R$ 5,00 de ISS para munic\u00edpios, quando a atividade for sujeita a esses tributos. Esse recolhimento garante acesso a benef\u00edcios como aposentadoria por idade, aposentadoria por invalidez, aux\u00edlio-doen\u00e7a, sal\u00e1rio-maternidade e pens\u00e3o por morte. Contudo, a al\u00edquota de 5% \u00e9 significativamente inferior aos 20% do contribuinte individual aut\u00f4nomo e aos aproximadamente 31% que resulta da soma da contribui\u00e7\u00e3o do empregado e do empregador no regime de emprego formal, o que inevitavelmente gera desequil\u00edbrio atuarial de longo prazo.<\/p>\n<p><em><strong>Regula\u00e7\u00e3o pendente e propostas legislativas fracassadas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O Projeto de Lei 12\/2024, apresentado pelo governo federal, buscou regular o trabalho por aplicativos, garantindo direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios, mas enfrentou resist\u00eancia tanto das plataformas quanto de parcela significativa dos pr\u00f3prios trabalhadores, temerosos de perderem a flexibilidade que o modelo atual proporciona. O Supremo Tribunal Federal foi provocado a se manifestar sobre a constitucionalidade da aus\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio entre plataformas e trabalhadores, quest\u00e3o que permanece pendente de julgamento definitivo. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, em sua Recomenda\u00e7\u00e3o 204, estabelece diretrizes para a transi\u00e7\u00e3o da economia informal para a economia formal, incluindo extens\u00e3o da seguridade social, fortalecimento do di\u00e1logo social, promo\u00e7\u00e3o da igualdade e elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o e apoio ao empreendedorismo e desenvolvimento de compet\u00eancias (OIT, 2015).<\/p>\n<p>O artigo 195 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que a seguridade social ser\u00e1 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos provenientes dos or\u00e7amentos da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, e das contribui\u00e7\u00f5es sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, do trabalhador e dos demais segurados da previd\u00eancia social e sobre a receita de concursos de progn\u00f3sticos (BRASIL, 1988). Fagnani (2016) questiona por que o debate sobre sustentabilidade da Previd\u00eancia n\u00e3o inclui medidas como redu\u00e7\u00e3o dos gastos com juros da d\u00edvida p\u00fablica que alcan\u00e7aram R$ 500 bilh\u00f5es em 2014, tributa\u00e7\u00e3o das grandes fortunas e heran\u00e7as, revis\u00e3o de incentivos fiscais que representaram R$ 300 bilh\u00f5es em 2016 equivalente a 25% das receitas federais e combate \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o fiscal estimada em 14% do PIB. A l\u00f3gica contributiva do sistema brasileiro cria um paradoxo estrutural onde quanto maior a informalidade e menor a contribui\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos trabalhadores, maior a press\u00e3o sobre o financiamento da Previd\u00eancia Social, gerando argumentos para reformas que tendem a restringir direitos ou aumentar exig\u00eancias para acesso aos benef\u00edcios, criando um c\u00edrculo vicioso de exclus\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Encruzilhadas do <\/strong><strong>t<\/strong><strong>rabalho <\/strong><strong>c<\/strong><strong>ontempor\u00e2neo \u2013 <\/strong><strong>e<\/strong><strong>ntre o <\/strong><strong>f<\/strong><strong>uturo <\/strong><strong>d<\/strong><strong>ist\u00f3pico e as <\/strong><strong>a<\/strong><strong>lternativas <\/strong><strong>po<\/strong><strong>ss\u00edveis<\/strong><\/h3>\n<p><em><strong>Futuros negados<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os dados apresentados no in\u00edcio deste texto revelam dimens\u00e3o assustadora do problema previdenci\u00e1rio brasileiro. Um d\u00e9ficit estimado em mais de dois trilh\u00f5es de reais n\u00e3o representa apenas cifra abstrata nos balan\u00e7os governamentais, mas traduz milh\u00f5es de vidas que, ap\u00f3s d\u00e9cadas de trabalho \u00e1rduo, encontrar-se-\u00e3o desprotegidas na velhice, na doen\u00e7a ou na incapacidade. A trabalhadora que vende mercadorias como camel\u00f4, o motorista que dirige dezesseis horas di\u00e1rias para plataformas de transporte, o entregador que atravessa a cidade sob sol escaldante ou chuva torrencial \u2013 todos contribuem para a riqueza nacional, para o consumo, para a movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas permanecem exclu\u00eddos do pacto social que deveria garantir-lhes seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o transcende debates sobre modelos de neg\u00f3cio ou efici\u00eancia econ\u00f4mica, situando-se no terreno \u00e9tico da justi\u00e7a social e da dignidade humana. Sociedade que naturaliza trabalho prec\u00e1rio, que celebra empreendedorismo como solu\u00e7\u00e3o individual para problemas estruturais, que transfere riscos e custos das empresas para trabalhadores isolados, constr\u00f3i futuro de inseguran\u00e7a generalizada e aprofundamento de desigualdades. A ret\u00f3rica da flexibilidade e da liberdade, frequentemente mobilizada para justificar esses arranjos, oculta realidade de subordina\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, jornadas extenuantes, rendimentos inst\u00e1veis e aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o social b\u00e1sica.<\/p>\n<p><em><strong>Renda, contribui\u00e7\u00e3o e o ciclo da exclus\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os rendimentos m\u00e9dios confirmam que trabalhadores contribuintes da Previd\u00eancia recebem quase o dobro daqueles que n\u00e3o contribuem, evidenciando correla\u00e7\u00e3o entre capacidade contributiva e renda. Mas essa correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser interpretada como justificativa para exclus\u00e3o dos mais pobres da prote\u00e7\u00e3o social \u2013 pelo contr\u00e1rio, demonstra necessidade urgente de repensar modelo que condiciona acesso a direitos fundamentais \u00e0 capacidade de pagamento individual. O sistema previdenci\u00e1rio brasileiro, ao manter l\u00f3gica contributiva estrita, perpetua desigualdades hist\u00f3ricas e falha em sua fun\u00e7\u00e3o primordial de prote\u00e7\u00e3o social universal.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o internacional oferece perspectivas importantes. Pa\u00edses europeus t\u00eam avan\u00e7ado em regulamenta\u00e7\u00f5es que reconhecem direitos de trabalhadores de plataformas sem necessariamente enquadr\u00e1-los no modelo tradicional de emprego, criando categorias intermedi\u00e1rias que garantem prote\u00e7\u00e3o social adequada. Espanha e Portugal desenvolveram legisla\u00e7\u00f5es que presumem v\u00ednculo empregat\u00edcio em determinadas circunst\u00e2ncias, enquanto outros pa\u00edses europeus estabeleceram contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias das plataformas para fundos de seguridade social. A experi\u00eancia internacional demonstra que alternativas existem e que escolhas pol\u00edticas determinam quais caminhos ser\u00e3o trilhados.<\/p>\n<p><em><strong>A juventude precarizada e o futuro hipotecado<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A dimens\u00e3o geracional do problema merece aten\u00e7\u00e3o especial. Jovens que iniciam trajet\u00f3ria laboral atrav\u00e9s de plataformas digitais ou como microempreendedores individuais, sem contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria adequada, construir\u00e3o futuro de vulnerabilidade extrema. D\u00e9cadas de trabalho n\u00e3o se converter\u00e3o em prote\u00e7\u00e3o na velhice, transformando envelhecimento em processo de pauperiza\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel. A impaci\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es, mencionada por especialistas, relaciona-se menos com caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas individuais e mais com aus\u00eancia de perspectivas de estabilidade no mercado formal e com estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia em contexto de crise econ\u00f4mica persistente e desemprego estrutural.<\/p>\n<p>A sustentabilidade do sistema previdenci\u00e1rio brasileiro encontra-se amea\u00e7ada n\u00e3o apenas pelo envelhecimento populacional, mas fundamentalmente pela eros\u00e3o da base contributiva resultante da precariza\u00e7\u00e3o generalizada do trabalho. Reformas que se limitam a aumentar idade m\u00ednima ou tempo de contribui\u00e7\u00e3o, sem enfrentar quest\u00e3o da informalidade e dos novos arranjos laborais, atacam sintomas sem tocar nas causas profundas do desequil\u00edbrio. \u00c9 necess\u00e1rio reconhecer que modelo de financiamento exclusivamente baseado em contribui\u00e7\u00f5es sobre folha salarial formal torna-se progressivamente invi\u00e1vel em economia onde essa modalidade de trabalho representa porcentagem decrescente do total de ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em><strong>Escolhas pol\u00edticas e futuros poss\u00edveis<\/strong><\/em><\/p>\n<p>As perspectivas futuras dependem de escolhas pol\u00edticas que a sociedade brasileira far\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos. Um caminho poss\u00edvel envolve a manuten\u00e7\u00e3o do <em>status quo<\/em>, com milh\u00f5es permanecendo \u00e0 margem da prote\u00e7\u00e3o social, gerando custos sociais imensur\u00e1veis em sofrimento humano, instabilidade social e press\u00e3o sobre sistemas de assist\u00eancia social. A alternativa exige repensar fundamentalmente a arquitetura da prote\u00e7\u00e3o social brasileira, ampliando a base de financiamento para al\u00e9m das contribui\u00e7\u00f5es sobre trabalho formal, estabelecendo obriga\u00e7\u00f5es contributivas para plataformas digitais proporcionais ao valor capturado do trabalho, fortalecendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o para coibir fraudes na pejotiza\u00e7\u00e3o e criando mecanismos que garantam prote\u00e7\u00e3o universal, desvinculada da forma espec\u00edfica de inser\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n<p>O trabalho continua sendo elemento central da exist\u00eancia humana e da organiza\u00e7\u00e3o social, mas suas formas contempor\u00e2neas exigem atualiza\u00e7\u00e3o dos marcos regulat\u00f3rios e das estruturas de prote\u00e7\u00e3o social constru\u00eddos no s\u00e9culo XX. A tecnologia n\u00e3o determina inevitavelmente precariza\u00e7\u00e3o \u2013 ela pode ser direcionada para cria\u00e7\u00e3o de trabalho digno, com prote\u00e7\u00e3o adequada e distribui\u00e7\u00e3o justa dos ganhos de produtividade. A quest\u00e3o \u00e9 quem controlar\u00e1 essas tecnologias, quais interesses prevalecer\u00e3o e que sociedade desejamos construir para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>AB\u00cdLIO, L. C.; AMORIM, H.; GROHMANN, R. Uberiza\u00e7\u00e3o e plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas. <strong>Sociologias<\/strong>, Porto Alegre, v. 23, n. 57, p. 26-56, 2021.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 1988.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Decreto-Lei n\u00ba 5.452, de 1\u00ba de maio de 1943<\/strong>. Aprova a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 1943.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Lei n\u00ba 8.213, de 24 de julho de 1991<\/strong>. Disp\u00f5e sobre os Planos de Benef\u00edcios da Previd\u00eancia Social e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 1991.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Lei Complementar n\u00ba 123, de 14 de dezembro de 2006<\/strong>. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 2006.<\/p>\n<p>FAGNANI, E. <strong>Previd\u00eancia: o debate desonesto \u2013 subs\u00eddios para a a\u00e7\u00e3o social e parlamentar \u2013 pontos inaceit\u00e1veis da reforma de Bolsonaro<\/strong>. S\u00e3o Paulo: [s.n.], 2019.<\/p>\n<p>FAGNANI, E. O prop\u00f3sito velado da \u201creforma\u201d da Previd\u00eancia. <strong>Le Monde Diplomatique Brasil<\/strong>, 12 jul. 2019.<\/p>\n<p>FAGNANI, E. Perversa, reforma da Previd\u00eancia ignora desigualdades sociais. In: JINKINGS, I.; DORIA, K.; CLETO, M. (Orgs.). <strong>Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2016. p. 85-92.<\/p>\n<p>FERREIRA, R. C.; ASSIS, M. L. Precariza\u00e7\u00e3o do trabalho em plataformas digitais: narrativas de desgaste e desalento de motoristas e entregadores. <strong>Sa\u00fade em Debate<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 48, n. 143, 2024.<\/p>\n<p>GENTIL, D. L. <strong>A pol\u00edtica fiscal e a falsa crise da seguridade social brasileira<\/strong>: an\u00e1lise financeira do per\u00edodo 1990-2005. 2006. Tese (Doutorado em Economia) \u2013 Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.<\/p>\n<p>GROHMANN, R.; SALVAGNI, J. Trabalhadores(as) em plataformas digitais: precariza\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia. <strong>Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 40, n. 3, 2024.<\/p>\n<p>LACAZ, F. A. C.; TRAP\u00c9, C. A. Crise do capital e o desmonte da Previd\u00eancia Social no Brasil. <strong>Servi\u00e7o Social &amp; Sociedade<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 130, p. 467-486, 2017.<\/p>\n<p>ORGANIZA\u00c7\u00c3O INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). <strong>Recomenda\u00e7\u00e3o 204 sobre a transi\u00e7\u00e3o da economia informal para a economia formal<\/strong>. Genebra: OIT, 2015.<\/p>\n<p>ROUBAUD, F.; RAZAFINDRAKOTO, M. et al. Conceitos, defini\u00e7\u00f5es e mensura\u00e7\u00e3o do trabalho informal no Brasil. <strong>IE-UFRJ Discussion Paper<\/strong>, Rio de Janeiro, n. 031, 2020.<\/p>\n<p>SALIBA, P. A.; SANTOS, J. P. An\u00e1lise cr\u00edtica da proposta de reforma da previd\u00eancia social no Brasil entre os anos 2016 e 2018. <strong>Servi\u00e7o Social &amp; Sociedade<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 135, p. 315-333, 2019.<\/p>\n<p>SILVA, J. M.; NASCIMENTO, A. F. A funcionalidade do sal\u00e1rio por pe\u00e7a no trabalho mediado por plataformas digitais. <strong>Revista Kat\u00e1lysis<\/strong>, Florian\u00f3polis, v. 25, n. 2, p. 234-243, 2022.<\/p>\n<p>SOUZA, M. T.; MARTINS, R. A. Tecnologia e precariza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do trabalhador: uma coexist\u00eancia na era digital. <strong>Servi\u00e7o Social &amp; Sociedade<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 144, p. 234-251, 2022.<\/p>\n<p>TEIXEIRA, S. M.; RODRIGUES, V. S.; MATOS, M. B. A previd\u00eancia social e o trabalhador: entre o acesso ao direito e a contribui\u00e7\u00e3o. <strong>Revista Kat\u00e1lysis<\/strong>, Florian\u00f3polis, v. 18, n. 2, p. 273-281, 2015.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Trabalhar sem direitos, envelhecer sem prote\u00e7\u00e3o appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/braga-netto-nega-pressao-sobre-militares-e-rechaca-plano-de-assassinatos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54581136473_7865a2c4cc_k-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Braga Netto nega press\u00e3o sobre militares e recha\u00e7a...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/numero-de-eleitores-com-mais-de-60-anos-cresceu-74-aponta-pesquisa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">N\u00famero de eleitores com mais de 60 anos cresceu 74...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rehuna-denuncia-criminalizacao-e-pede-para-atuar-em-defesa-de-medico-condenado-apos-parto-domiciliar\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-7-24-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">ReHuNa denuncia \u2018criminaliza\u00e7\u00e3o\u2019 e pede para atuar...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bancarios-do-df-realizam-ato-no-palacio-buriti-em-defesa-do-patrimonio-publico\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Banc\u00e1rios do DF realizam ato no Pal\u00e1cio Buriti em ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ret\u00f3rica do empreendedorismo individual esconde uma realidade de explora\u00e7\u00e3o coletiva. Sem garantias, sem Previd\u00eancia e sem futuro, o trabalhador carrega sozinho o peso do desmonte social. Ao condicionar direitos \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o, o sistema perpetua desigualdades<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/trabalhar-sem-direitos-envelhecer-sem-protecao\/\">Trabalhar sem direitos, envelhecer sem prote\u00e7\u00e3o<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":62346,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[18309,4815,4052,377,5834,25489,2248],"tags":[],"class_list":["post-62345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exclusao","category-precariado","category-previdencia-social","category-trabalho","category-trabalho-e-precariado","category-trabalho-plataformizado","category-uberizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62345\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}