{"id":62870,"date":"2025-11-06T16:52:47","date_gmt":"2025-11-06T19:52:47","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-luta-por-tempo-livre-e-o-mito-do-capitalismo-justo\/"},"modified":"2025-11-06T16:52:47","modified_gmt":"2025-11-06T19:52:47","slug":"a-luta-por-tempo-livre-e-o-mito-do-capitalismo-justo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-luta-por-tempo-livre-e-o-mito-do-capitalismo-justo\/","title":{"rendered":"A luta por tempo livre e o mito do capitalismo justo"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"630\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/share_share_image-27287d04-0a51-494d-b6e4-ab3cb853ef58-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/share_share_image-27287d04-0a51-494d-b6e4-ab3cb853ef58-1.jpg 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/share_share_image-27287d04-0a51-494d-b6e4-ab3cb853ef58-1-300x158.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/share_share_image-27287d04-0a51-494d-b6e4-ab3cb853ef58-1-768x403.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>\u201cSpirit Labour\u201d: Instala\u00e7\u00e3o de arte que explora e tematiza a passagem do tempo | Artista: Sun Furong<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto, originalmente intitulado\u00a0<strong>A promessa incumprida de mais tempo livre ao trabalhador<\/strong> foi escrito por <strong>Leonardo Lani de Abreu<\/strong> e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<p>A liberdade humana \u00e9 inconceb\u00edvel sem o tempo, a ponto de se poder afirmar que, na aus\u00eancia do tempo livre, isto \u00e9, o per\u00edodo temporal em que uma pessoa n\u00e3o est\u00e1 obrigada a trabalhar ou a realizar outras atividades impostas, inexiste tamb\u00e9m a liberdade real. Quem n\u00e3o \u00e9 dotado de tempo livre tem pouca margem para pensar, criar, estudar, descansar ou participar da vida pol\u00edtica. O resultado dessa priva\u00e7\u00e3o \u00e9 o surgimento em larga escala de indiv\u00edduos autocentrados, intelectualmente embotados, esgotados, ou, numa palavra, infelizes. Esta \u00e9 a raz\u00e3o por que Marx (2011) identificou a riqueza genu\u00edna como o tempo livre dispensado ao alcance da plenitude do desenvolvimento humano, em vez do ac\u00famulo de bens materiais.<\/p>\n<p>Em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, as jornadas longas e intensas, o empobrecimento do tempo livre e o rebaixamento da vida \u00e0 fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pura e simples, na quadra hist\u00f3rica atual, patenteiam a subordina\u00e7\u00e3o do tempo \u00e0s l\u00f3gicas do trabalho, da produtividade irrestrita e do lucro. Este sequestro do tempo \u00e9, ao fim e ao cabo, uma diminui\u00e7\u00e3o da liberdade. Apesar de formalmente \u201clivres\u201d, as pessoas ou n\u00e3o disp\u00f5em de tempo para exercerem sua liberdade, ou, quando arranjam algum tempo livre, est\u00e3o fatigadas e\/ou sem recursos para aproveit\u00e1-lo. Resta saber por que um regime t\u00e3o adverso \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o humana apresenta tanta resili\u00eancia, sumarizada na doutrina TINA, acr\u00f4nimo de \u201c<em>There Is No Alternative<\/em>\u201d, verdadeiro mantra de Margareth Thatcher (1925-2013), ex-primeira-ministra do Reino Unido.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12-1-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12-1-5.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/12-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A resposta mais \u00f3bvia \u00e9 a de que a sobrevida do sistema capitalista adv\u00e9m da domina\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. E n\u00e3o poderia ser de outra maneira, pois a economia burguesa, ao privar a esmagadora maioria dos cidad\u00e3os dos meios b\u00e1sicos para uma exist\u00eancia digna e frut\u00edfera, s\u00f3 consegue subsistir mediante o emprego da viol\u00eancia, nas suas mais diversas modalidades. Parafraseando o lema do bras\u00e3o chileno, trata-se de uma coercitividade estabelecida \u201cpela raz\u00e3o ou pela for\u00e7a\u201d. O presente artigo se prop\u00f5e a analisar essas duas estrat\u00e9gias de perpetua\u00e7\u00e3o do capital, no intuito de desnaturaliz\u00e1-las.<\/p>\n<p>Num primeiro momento, ser\u00e1 feito um delineamento geral de como o capitalismo, a despeito de se apresentar como \u00fanica op\u00e7\u00e3o produtiva para a humanidade, est\u00e1 fundado e se sustenta na arbitrariedade, o que p\u00f5e em relevo sua ilegitimidade. Em seguida, ocorrer\u00e1 o escrut\u00ednio das formas mais encobertas da domina\u00e7\u00e3o capitalista, em especial, os posicionamentos de que o sistema \u00e9 permeado por uma racionalidade otimizadora de recursos e de que o sacrif\u00edcio despendido pelos trabalhadores \u00e9 tempor\u00e1rio e ser\u00e1 mitigado numa fase mais pr\u00f3spera \u2013 a velha hist\u00f3ria de que \u00e9 preciso esperar o bolo crescer para depois dividi-lo. Por \u00faltimo, ser\u00e3o salientadas as potencialidades anticapitalistas do enfrentamento \u00e0 escala 6X1. A hip\u00f3tese de trabalho \u00e9 a de que a luta pelo fim dessa escala pode ser precursora de uma contesta\u00e7\u00e3o mais ampla \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o do tempo dos trabalhadores. A metodologia utilizada \u00e9 qualitativa, explorat\u00f3ria e bibliogr\u00e1fica e a abordagem \u00e9 dedutiva.<\/p>\n<h3><strong>A propens\u00e3o capitalista \u00e0 for\u00e7a bruta<\/strong><\/h3>\n<p>Por mais que pare\u00e7a espont\u00e2nea e inevit\u00e1vel, em decorr\u00eancia de um processo de naturaliza\u00e7\u00e3o do social encampado de forma ininterrupta pelos seus apologistas, a ordem econ\u00f4mica capitalista notabiliza-se, desde a sua g\u00eanese, pela recorr\u00eancia \u00e0 for\u00e7a. \u00c9 o que mostra Marx (2025) na an\u00e1lise sobre a \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d, processo instaurado entre os S\u00e9culos XV e XVIII que lan\u00e7ou as bases para o surgimento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, com a expuls\u00e3o massiva de camponeses de suas terras e resid\u00eancias, a dissolu\u00e7\u00e3o de formas comunit\u00e1rias de reprodu\u00e7\u00e3o existencial e a pauperiza\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria desses sujeitos, a fim de integr\u00e1-los ao mercado laboral, em que s\u00e3o obrigados a vender sua for\u00e7a de trabalho, quase que invariavelmente em condi\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o desvantajosas.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d fulmina a vis\u00e3o id\u00edlica de que a ordem econ\u00f4mica atual assenta-se na industriosidade de seus pioneiros, que teriam adquirido, pelo trabalho duro e pela poupan\u00e7a, a supremacia sobre uma malta pr\u00f3diga e imprevidente, compelida a trabalhar por um sal\u00e1rio: \u201cNada mais falso: sem a destrui\u00e7\u00e3o violenta e sanguin\u00e1ria das sociedades baseadas na fus\u00e3o entre o trabalho e os meios de produ\u00e7\u00e3o o capital n\u00e3o poderia desenvolver uma din\u00e2mica pr\u00f3pria, encetada pela sua autovaloriza\u00e7\u00e3o\u201d (Mariutti, 2019, p. 14). Uma transforma\u00e7\u00e3o dessa magnitude contou com uma maci\u00e7a interven\u00e7\u00e3o estatal, consubstanciada em medidas como a cria\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00f5es coercitivas, os cercamentos de terras e a repress\u00e3o aos estilos de exist\u00eancia independentes da l\u00f3gica mercantil, todas elas voltadas \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o da reprodu\u00e7\u00e3o social aos ditames de um mercado autorregulado (Polanyi, 2000).<\/p>\n<p>A mercantiliza\u00e7\u00e3o de todas as inst\u00e2ncias da vida social, \u00ednsita ao neoliberalismo, guarda rela\u00e7\u00e3o estreita com a mercantiliza\u00e7\u00e3o do trabalho. A primeira s\u00f3 pode ocorrer sob a condi\u00e7\u00e3o de \u201c[\u2026] que os trabalhadores tenham sido expropriados em massa dos meios de produ\u00e7\u00e3o e que, com isso, sejam constrangidos a vender a sua for\u00e7a de trabalho para um pequeno n\u00famero de detentores de tais meios\u201d (Kashiura J\u00fanior, 2014, p. 184-185). Pode-se alegar que, na ordem atual das coisas, os trabalhadores s\u00e3o, tanto quanto os demais atores econ\u00f4micos, livres, e podem escolher vender ou n\u00e3o sua for\u00e7a de trabalho, o que representaria uma sens\u00edvel evolu\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com os modos de produ\u00e7\u00e3o anteriores. A fal\u00e1cia desse argumento salta aos olhos, pois a sobreviv\u00eancia dos que s\u00e3o desprovidos dos meios de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 atrelada \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de seu labor.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 a categoria antropol\u00f3gica fundamental, por representar \u201c[\u2026] a atividade pela qual o metabolismo entre o homem e a natureza \u00e9 mediado\u201d (Marx e Engels, 1988, p. 40, Tradu\u00e7\u00e3o Nossa). N\u00e3o obstante tamanha import\u00e2ncia, desenvolve-se, no capitalismo, sob a \u00e9gide da aliena\u00e7\u00e3o, de forma que o trabalhador n\u00e3o \u00e9 livre nem para decidir como produzir, nem para se apropriar dos frutos da produ\u00e7\u00e3o. A \u00ednfima parcela que lhe cabe daquilo que produz serve estritamente para garantir a perman\u00eancia de sua pr\u00f3pria explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nenhum exagero encarar tal jugo como uma metamorfose da escravid\u00e3o, com o agravante de que, no contexto atual, a vida humana se torna cada vez mais irrelevante, face \u00e0 primazia do trabalho morto sobre o trabalho vivo, que joga na desocupa\u00e7\u00e3o imensos contingentes de trabalhadores, enquanto que na escravid\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o da vida do escravo era imperativa, \u201c[\u2026] pois ele representava uma reserva de capital e a depreda\u00e7\u00e3o da sua sa\u00fade e capacidade de trabalhar implicava em preju\u00edzos diretos ao seu dono\u201d (Bertolotti, 2011, p. 78). <em>Mutatis mutandis<\/em>, pode-se aplicar o mesmo racioc\u00ednio no cotejo entre o capitalismo e o feudalismo.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Ademais, as crises sist\u00eamicas do capital t\u00eam como saldo o encolhimento paulatino no n\u00famero de empregos formais, e \u00e0 massa crescente de desempregados resta tentar a sorte num setor informal cada vez mais saturado ou so\u00e7obrar na mis\u00e9ria. \u00c9 escusado dizer que viol\u00eancia aberta no capitalismo n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno historicamente datado, mas uma caracter\u00edstica inerente ao modus operandi burgu\u00eas, que se torna mais vis\u00edvel nos momentos de turbul\u00eancia econ\u00f4mica. Da\u00ed a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza, vislumbrada tanto no encarceramento em massa, com o qual o Estado tenta lidar com um excedente de m\u00e3o de obra cada vez mais amplo (De Giorgi, 2006), quanto na persegui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica aos movimentos sociais, que tendem a engrossar suas fileiras em contraponto \u00e0s pol\u00edticas de austeridade fiscal e \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o de direitos sociais.<\/p>\n<h3><strong>O mito do capitalismo justo<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c0 primeira vista, a viol\u00eancia f\u00edsica como meio de imposi\u00e7\u00e3o de vontade de algu\u00e9m a outrem \u00e9 a forma incontest\u00e1vel de exerc\u00edcio do poder. Isto se d\u00e1 porque a parte menos poderosa da contenda \u00e9 obrigada a se submeter aos des\u00edgnios da mais poderosa, sob pena de suportar preju\u00edzos irrepar\u00e1veis ou at\u00e9 mesmo perecer. \u00c9 assim que, historicamente, firmou-se a ascend\u00eancia dos donos dos meios de produ\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores. Conquanto a viol\u00eancia imediata exer\u00e7a ineg\u00e1vel capacidade dissuas\u00f3ria sobre a inten\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o rebelar-se contra o sistema institu\u00eddo, ela \u00e9 usada em regra com parcim\u00f4nia. A utiliza\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria da viol\u00eancia aberta desnudaria a artificialidade do status quo, o que poderia desembocar na multiplica\u00e7\u00e3o das insurrei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que \u201c[\u2026] onde h\u00e1 poder h\u00e1 resist\u00eancia\u201d (Foucault, 2009, p. 105), tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro que, se se quiser diminuir a resist\u00eancia desencadeada pelo exerc\u00edcio do poder, \u00e9 necess\u00e1rio escamote\u00e1-lo. Um dos artif\u00edcios mais comuns para o encobrimento da viol\u00eancia capitalista \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o do sistema como uma consequ\u00eancia inescap\u00e1vel da l\u00f3gica econ\u00f4mica. Neste prisma, a iniciativa privada \u00e9 entendida como sin\u00f4nimo de efici\u00eancia e propalada como a melhor op\u00e7\u00e3o para gerir recursos escassos. Basta um breve olhar para a crise financeira de 2008, oriunda de pr\u00e1ticas financeiras duvidosas e da concess\u00e3o irrefreada de cr\u00e9dito, para demonstrar a fragilidade do discurso da efici\u00eancia do mercado.<\/p>\n<p>Em apoio \u00e0 ideia de racionalidade do capitalismo, a economia neocl\u00e1ssica, que tem grande influ\u00eancia no \u00e2mbito acad\u00eamico, prop\u00f5e modelos matem\u00e1ticos baseados em agentes racionais que buscam otimizar o processo de tomada de decis\u00e3o, de forma a obter o melhor resultado poss\u00edvel, expediente que obnubila o car\u00e1ter complexo dos sistemas sociais (Mallin, 2009). Outra requisi\u00e7\u00e3o de racionalidade do capitalismo \u00e9 o direito moderno, que estaria baseado em princ\u00edpios supostamente universais. Entretanto, o sujeito de direito, fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica por excel\u00eancia do Estado moderno, \u00e9 uma mistifica\u00e7\u00e3o inventada para caucionar a equipara\u00e7\u00e3o entre o capitalista, portador de poder econ\u00f4mico, t\u00e9cnico e jur\u00eddico, e o trabalhador, provido t\u00e3o somente de sua capacidade laborativa. Para defender uma improv\u00e1vel paridade entre polos t\u00e3o assim\u00e9tricos, os te\u00f3ricos modernos lan\u00e7aram m\u00e3o da ideia de igualdade (Kashiura J\u00fanior, 2014).<\/p>\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no fim dos Trinta Anos Gloriosos \u2013 1945 a 1975 \u2013, somada \u00e0 crise do petr\u00f3leo na d\u00e9cada de 1970, p\u00f4s a pique o Estado de Bem-Estar Social e o pacto t\u00e1cito de colabora\u00e7\u00e3o firmado entre a classe trabalhadora e os propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o. As provid\u00eancias para solucionar a crise \u2013 infla\u00e7\u00e3o, endividamento estatal e endividamento privado \u2013 revelaram-se de pouco f\u00f4lego e o Estado, dividido entre atender os direitos dos rentistas e os dos cidad\u00e3os, optou resolutantemente pelos primeiros, numa confirma\u00e7\u00e3o de seu pendor pr\u00f3-capital. Isto ajuda a explicar a eros\u00e3o da democracia em todo o mundo, sinalizada na ascens\u00e3o de governantes autorit\u00e1rios (Streeck, 2018). Antes \u00fatil \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital, agora a democracia \u00e9 um empecilho, a ser descartado sem nenhum pejo.<\/p>\n<p>A persuas\u00e3o capitalista exibe in\u00fameras facetas. O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, desde o S\u00e9culo XIX, levantou a expectativa, sustentada por uma ampla gama de discursos, de dilata\u00e7\u00e3o do tempo livre dos trabalhadores. Este triunfalismo se entrev\u00ea, dentre outras obras, no ensaio \u201cPossibilidades Econ\u00f4micas para os Nossos Netos\u201d (Keynes, [1930] 1984), em que o economista brit\u00e2nico vaticina que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e o crescimento da produtividade permitiriam uma jornada semanal de trabalho de 15 horas no espa\u00e7o de cem anos, bem como uma vida mais devotada ao \u00f3cio e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras de se completar o prazo estabelecido por Keynes, o que se testemunha \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho \u2013 maior produ\u00e7\u00e3o em um tempo id\u00eantico \u2013, a precariza\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o das jornadas \u2013 como no trabalho intermitente e por aplicativos \u2013, a extens\u00e3o do trabalho ao tempo livre \u2013 os meios telem\u00e1ticos e informatizados de comando, controle e supervis\u00e3o t\u00eam deixado os trabalhadores em um sobreaviso ininterrupto \u2013 e a coloniza\u00e7\u00e3o do tempo livre \u2013 o tempo que o trabalhador tem dispon\u00edvel para si, ao inv\u00e9s de ser utilizado para sua emancipa\u00e7\u00e3o, tem sido dedicado ao consumo, a ser sustentado pelo disp\u00eandio de mais trabalho.<\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, a luta contra a escala de trabalho 6X1, em que o funcion\u00e1rio trabalha seis dias e goza de um dia de folga, \u00e9 emblem\u00e1tica. A jornada 6X1 submete os que a ela est\u00e3o sujeitos a uma mir\u00edade de problemas: maior incid\u00eancia de s\u00edndrome de burnout, dist\u00farbios do sono, estresse cr\u00f4nico, dificuldades em equilibrar a vida profissional e pessoal e maior risco de doen\u00e7as ocupacionais e acidentes de trabalho. Todavia, tem o m\u00e9rito de desvelar a absoluta preced\u00eancia capitalista do lucro sobre as pessoas.<\/p>\n<p>Assim, iniciativas como o Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT), que advoga a redu\u00e7\u00e3o da jornada laboral para incrementar a qualidade de vida dos trabalhadores, e a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 PEC 8\/25 (Brasil, 2025), que visa reduzir a jornada para 36 horas semanais, com a ado\u00e7\u00e3o de uma escala 4X3 (quatro dias de trabalho seguidos por tr\u00eas de descanso), s\u00e3o bem-vindas, por oportunizarem uma maior politiza\u00e7\u00e3o da classe obreira, uma reflex\u00e3o mais alentada sobre a \u00edndole espoliativa do capitalismo e, espera-se, o acr\u00e9scimo de tempo livre de que os trabalhadores andam t\u00e3o necessitados.<\/p>\n<h3><strong>O potencial de insurg\u00eancia da luta contra a escala 6X1<\/strong><\/h3>\n<p>Esperar racionalidade do capitalismo, al\u00e9m da mera adequa\u00e7\u00e3o instrumental entre meios e fins, em que os meios s\u00e3o os trabalhadores e a natureza e os fins s\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o da propriedade privada e a maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros, \u00e9 esperar em v\u00e3o. Se os trabalhadores pretendem desfrutar de uma vida que n\u00e3o se restrinja ao atendimento das demandas do capital, v\u00e3o ter de se organizarem coletivamente a si mesmos. Esta recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 daquelas mais f\u00e1ceis de dizer do que de fazer, ainda mais numa conjuntura de refluxo do movimento sindical, acarretado por fatores diversos, tais como:<\/p>\n<blockquote>\n<p>[\u2026] subcontrata\u00e7\u00f5es e terceiriza\u00e7\u00f5es, precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos de trabalho, internacionaliza\u00e7\u00e3o das redes produtivas, redu\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria, mudan\u00e7a na forma de organiza\u00e7\u00e3o das empresas, aumento do sindicalismo de classe m\u00e9dia, com outra l\u00f3gica de a\u00e7\u00e3o, e principalmente o desemprego (Venturini, 2000, p. 17)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Adiciona-se aos aspectos mencionados o asfixiamento financeiro das entidades sindicais, promovido pela Reforma Trabalhista de 2017, com o fim da contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria. N\u00e3o por azar, um dos setores da legisla\u00e7\u00e3o que sofreram as modifica\u00e7\u00f5es mais substantivas com referida reestrutura\u00e7\u00e3o foi o da jornada de trabalho, vide o incremento nas formas de acordo individual, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao banco de horas, jornada parcial e regime 12\u00d736, e a cria\u00e7\u00e3o da jornada intermitente (Brasil, 2017). Em desacordo com o que era de se supor, a rea\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u00e0 supress\u00e3o de seus direitos foi ap\u00e1tica, o que ajudou a pavimentar a vit\u00f3ria, nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, de Jair Bolsonaro, que aprofundou a fragiliza\u00e7\u00e3o das salvaguardas juslaborais.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, no pleito de 2022, suscitou a esperan\u00e7a de revoga\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) implementadas pela gest\u00e3o Temer. Por\u00e9m, a pretens\u00e3o do governo Lula de uma contrarreforma trabalhista (Konchinski, 2023) esbarrou numa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as amplamente desfavor\u00e1vel no Congresso Nacional. Na realidade, Lula passou boa parte de seu terceiro mandato quase que sitiado pela direita, seja ela extrema, tradicional ou fisiol\u00f3gica. O objetivo dessa oposi\u00e7\u00e3o cerrada \u00e9, se n\u00e3o derrotar o mandat\u00e1rio em 2026, ao menos enfraquec\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Quando o des\u00e2nimo parecia tomar conta do campo progressista, eis que surge um sopro de renova\u00e7\u00e3o: em setembro de 2023, o influenciador Rick (Ricardo) Azevedo, ent\u00e3o balconista em farm\u00e1cia e hoje vereador pelo PSOL-RJ, publicou um v\u00eddeo no TikTok atacando a escala 6X1. Este foi o estopim para uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, como o Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT), que organizou peti\u00e7\u00f5es online, mobiliza\u00e7\u00f5es nas redes e articula\u00e7\u00f5es com parlamentares, e a defesa, pela deputada \u00c9rika Hilton (PSOL-SP), da PEC que prop\u00f5e jornada de 36 horas semanais e modelo 4\u00d73, sem redu\u00e7\u00e3o salarial, que angariou as 171 assinaturas exigidas para tramitar em novembro de 2024 (Tavares, 2025).<\/p>\n<p>Esta movimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 auspiciosa, no m\u00ednimo, por dois aspectos. Em primeiro lugar, possui um vi\u00e9s universalista, apto a congregar uma esquerda cada vez mais dividida por reivindica\u00e7\u00f5es de cariz identit\u00e1rio e a atrair a simpatia de amplos segmentos da popula\u00e7\u00e3o. Afinal, a necessidade de tempo livre \u00e9 comum a todos os que s\u00e3o obrigados a fazer de seu tempo uma mercadoria. Em segundo lugar, coloca em evid\u00eancia a dupla natureza do trabalho explicitada por Marx (2025), que estabeleceu a distin\u00e7\u00e3o entre valor de uso \u2013 utilidade de um bem, ou seja, seu pendor de satisfazer uma necessidade humana \u2013 e valor de troca \u2013 quanto uma mercadoria pode ser permutada por outra no mercado, valor dependente do montante de trabalho incorporado em sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O valor de uso prov\u00e9m do trabalho concreto, essencialmente qualitativo e direcionado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de algo \u00fatil. J\u00e1 o valor de troca emana do trabalho abstrato, que \u00e9 aquele considerado em termos quantitativos, independentemente das especificidades da atividade feita, e mensurado pelo tempo de dura\u00e7\u00e3o. O trabalho concreto est\u00e1 para a autodetermina\u00e7\u00e3o assim como o trabalho abstrato est\u00e1 para a aliena\u00e7\u00e3o (Holloway, 2013). Isto porque, enquanto o primeiro corresponde a uma \u201catividade vital consciente\u201d (Marx, 2004, p. 84), por interm\u00e9dio da qual o ser humano satisfaz suas m\u00faltiplas necessidades, o segundo est\u00e1 destinado precipuamente ao enriquecimento dos titulares dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Logo, a ado\u00e7\u00e3o, pelos ativistas contra a escala 6X1, do mote \u201cvida al\u00e9m do trabalho\u201d, indica um movimento de recusa \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o dos sujeitos em objetos, t\u00edpica do trabalho abstrato, o que abre fissuras na sociabilidade capitalista, que podem ser alargadas por lutas subsequentes.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Pelo exposto, demonstra-se que o capitalismo n\u00e3o \u00e9 neutro. Quem acreditou que ele resolvesse por si mesmo suas contradi\u00e7\u00f5es, teve as aspira\u00e7\u00f5es baldadas. Todas as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es trabalhistas de oper\u00e1rios e camponeses, ao longo da hist\u00f3ria do capitalismo, n\u00e3o foram benesses concedidas por liberalidade dos empregadores, mas o resultado de intensas lutas hist\u00f3ricas. O desmonte deste arcabou\u00e7o protetivo adv\u00e9m da desmobiliza\u00e7\u00e3o do proletariado, que por ora capitulou ante o neoliberalismo.<\/p>\n<p>O oportunismo das elites econ\u00f4micas em aproveitar a passividade tempor\u00e1ria da classe trabalhadora para implodir o pouco que resta do Estado de bem-estar social \u00e9 um indicativo de seu descompromisso com a eleva\u00e7\u00e3o dos patamares civilizat\u00f3rios. Isto s\u00f3 refor\u00e7a a dimens\u00e3o retr\u00f3grada do capital, aut\u00eantica for\u00e7a cega que n\u00e3o tem outro des\u00edgnio sen\u00e3o o de sua pr\u00f3pria valoriza\u00e7\u00e3o indefinida. Este desiderato \u00e9 de imposs\u00edvel consecu\u00e7\u00e3o, pois colide com limites ambientais, sociais e econ\u00f4micos intranspon\u00edveis. Cabe aos deserdados do neoliberalismo, portanto, redobrar a press\u00e3o social para a derrocada do sistema, e a discuss\u00e3o sobre o fim da escala 6X1 d\u00e1 uma excelente contribui\u00e7\u00e3o nesse sentido.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>BERTOLOTTI, F. <strong>Os conte\u00fados sociais da crise ecol\u00f3gica: a reprodu\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano e a ocupa\u00e7\u00e3o da Guarapiranga<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Labur Edi\u00e7\u00f5es, 2011.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o n\u00ba 8\/2025<\/strong>. Bras\u00edlia, 2025.<\/p>\n<p>BRASIL. <strong>Lei n\u00ba 13.467, de 13 de julho de 2017.<\/strong> Bras\u00edlia, 2017.<\/p>\n<p>DE GIORGI, A. <strong>A mis\u00e9ria governada atrav\u00e9s do sistema penal<\/strong>. Rio de Janeiro: Revan, 2006.<\/p>\n<p>FOUCAULT, M. <strong>Hist\u00f3ria da Sexualidade I: A Vontade de Saber<\/strong>. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Graal, 2009.<\/p>\n<p>HOLLOWAY, J. <strong>Fissurar o capitalismo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Publisher Brasil, 2013.<\/p>\n<p>KASHIURA J\u00daNIOR, C. N. <strong>Sujeito de direito e capitalismo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Outras Express\u00f5es; Dobra Universit\u00e1rio, 2014.<\/p>\n<p>KEYNES, J. M. As possibilidades econ\u00f4micas de nossos netos. [1930]. In: SZMRECS\u00c1NYI, T. (Org.). <strong>Keynes<\/strong>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1984.<\/p>\n<p>KONCHINSKI, V. <strong>Promessa de Lula, contrarreforma trabalhista deve ser fatiada para que avance no Congresso<\/strong>. Brasil de Fato, 30 abr. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/04\/30\/promessa-de-lula-contrarreforma-trabalhista-deve-ser-fatiada-para-que-avance-no-congresso\/<\/p>\n<p>MALLIN, S. A non-formal look at the non-formal economy. <strong>Real-World Economics Review<\/strong>, n. 49, pp. 36-41, 2009.<\/p>\n<p>MARIUTTI, E. B. Para al\u00e9m do economicismo: a acumula\u00e7\u00e3o de capital na perspectiva de Rosa Luxemburgo. <strong>Revista Novos Rumos<\/strong>, v. 56, n. 1, pp. 1-23, 2019.<\/p>\n<p>MARX, K. <strong>Grundrisse<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo; Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011.<\/p>\n<p>MARX, K. <strong>O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Ubu, 2025.<\/p>\n<p>MARX, K. <strong>Manuscritos Econ\u00f4mico-Filos\u00f3ficos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2004.<\/p>\n<p>MARX, K.; ENGELS, F. <strong>Collected Works<\/strong>. New York: International Publishers, 1988.<\/p>\n<p>POLANYI, K. <strong>A grande transforma\u00e7\u00e3o: as origens de nossa \u00e9poca<\/strong>. Rio de Janeiro: Campus, 2000.<\/p>\n<p>STREECK, W. <strong>Tempo comprado: a crise adiada do capitalismo democr\u00e1tico<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018.<\/p>\n<p>TAVARES, P. <strong>Rick Azevedo contra a jornada de trabalho 6 por 1<\/strong>. Revista Piau\u00ed, 17 abr. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/rick-azevedo-contra-a-jornada-de-trabalho-6-por-1\/.<\/p>\n<p>VENTURINI, W. A nova cara do sindicalismo brasileiro. Teoria e Debate, edi\u00e7\u00e3o 45, 01 jul. 2000. Dispon\u00edvel em: https:\/\/teoriaedebate.org.br\/2000\/07\/01\/a-nova-cara-do-sindicalismo-brasileiro\/.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A luta por tempo livre e o mito do capitalismo justo appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-um-livro-so-flavio-defendeu-massacre-do-carandiru-e-ditadura-negou-o-golpe-de-1964-e-questionou-as-urnas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Em um livro s\u00f3, Fl\u00e1vio defendeu massacre do Carand...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-e-malasia-avancam-para-criacao-de-fabrica-de-chips-diz-luciana-santos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54877136047_40216667a2_k-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil e Mal\u00e1sia avan\u00e7am para cria\u00e7\u00e3o de f\u00e1brica d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/moraes-concede-prisao-domiciliar-a-bolsonaro-apos-122-dias-na-cadeia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Moraes concede pris\u00e3o domiciliar a Bolsonaro ap\u00f3s ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/100-anos-de-uma-lenda-que-nao-queria-uma-estatua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fidel-castro-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">100 anos de uma lenda que n\u00e3o queria uma est\u00e1tua<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com o extraordin\u00e1rio avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, nunca se trabalhou tanto \u2013 reflexo direto do desmonte de direitos e chantagens patronais que abriram portas para jornadas primitivas. A luta contra a escala 6&#215;1 \u00e9 apenas a ponta do problema de uma batalha mais ampla<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/a-luta-por-tempo-livre-e-o-mito-do-capitalismo-justo\/\">A luta por tempo livre e o mito do capitalismo justo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":62871,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[28686,978,27204,5836,2008,2026,6808,5301,28687,28688,20266,5834,1964,25323],"tags":[],"class_list":["post-62870","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-automacao-do-trabalho","category-capitalismo","category-cesit-jornada","category-exploracao-do-trabalho","category-fim-da-escala-6x1","category-karl-marx","category-keynes","category-mais-valia","category-privacao-de-liberdade","category-rick-azevedo","category-tempo-livre","category-trabalho-e-precariado","category-vat","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62870\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}