{"id":62878,"date":"2025-11-06T20:07:49","date_gmt":"2025-11-06T23:07:49","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/seguranca-publica-o-que-fazer\/"},"modified":"2025-11-06T20:07:49","modified_gmt":"2025-11-06T23:07:49","slug":"seguranca-publica-o-que-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/seguranca-publica-o-que-fazer\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a P\u00fablica: O que fazer"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"694\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/359cc6f6-f55e-445c-b9b0-42c45b831a71.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/359cc6f6-f55e-445c-b9b0-42c45b831a71.jpg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/359cc6f6-f55e-445c-b9b0-42c45b831a71-300x203.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/359cc6f6-f55e-445c-b9b0-42c45b831a71-768x521.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Arte: Riel\/Exposi\u00e7\u00e3o Inseguran\u00e7a P\u00fablica\/Centro Cultural UFMG<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original:<strong> O que fazer<\/strong><\/p>\n<p>O controle territorial por grupos armados no Rio de Janeiro submete a popula\u00e7\u00e3o residente nessas \u00e1reas a um dom\u00ednio tir\u00e2nico e a toda sorte de abusos, incluindo a cobran\u00e7a de taxas por bens e servi\u00e7os e interdi\u00e7\u00f5es ao exerc\u00edcio de direitos b\u00e1sicos. Trata-se, portanto, n\u00e3o apenas de um s\u00e9rio problema de seguran\u00e7a p\u00fablica como de uma forma de negar aos mais pobres o respeito e a condi\u00e7\u00e3o plena de cidadania. Esse controle territorial armado \u00e9 exercido por dois tipos de organiza\u00e7\u00f5es criminosas: as fa\u00e7\u00f5es criminais e as mil\u00edcias.<\/p>\n<p>Durante o governo Cl\u00e1udio Castro, as fac\u00e7\u00f5es e as mil\u00edcias expandiram seus territ\u00f3rios, sendo que as mil\u00edcias mais que dobraram o n\u00famero de pessoas sob seu dom\u00ednio. Atualmente, mais de dois milh\u00f5es de pessoas vivem em \u00e1reas controladas por mil\u00edcias no Rio. Por qualquer indicador de gravidade poss\u00edvel, o desafio de desmontar as organiza\u00e7\u00f5es milicianas \u00e9, de longe, o mais urgente e o mais importante pela simples raz\u00e3o de que as mil\u00edcias s\u00e3o formadas sobretudo por policiais e ex-policiais e n\u00e3o h\u00e1 como se pensar em qualquer pol\u00edtica de seguran\u00e7a s\u00e9ria no RJ se as institui\u00e7\u00f5es policiais seguirem infiltradas pelo crime organizado.\u00a0\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/13-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/13-5.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/13-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O crime organizado se infiltrou nas institui\u00e7\u00f5es policiais, porque elas operam em uma moldura institucional de ampla autonomia e nenhum controle. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribuiu ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP) a miss\u00e3o do controle externo da atividade policial, miss\u00e3o que nunca foi cumprida efetivamente. No caso do RJ, a omiss\u00e3o institucional \u00e9 mais pronunciada e tem se confundido com a coniv\u00eancia com a viol\u00eancia policial e as pr\u00e1ticas de exterm\u00ednio. Entre 2003 e 2024, 22.361 pessoas foram mortas por a\u00e7\u00f5es policiais no estado do Rio de Janeiro. Menos de 10% dos casos chegaram a julgamento. O MP do RJ tem se colocado como aliado do governo do Estado; foi contr\u00e1rio \u00e0 ADPF 635 e, diante do questionamento que o procurador federal Dr. Julio Ara\u00fajo dirigiu ao governador, depois da chacina, solicitou ao Conselho Nacional do MP que impedisse sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesse ponto, o governador Cl\u00e1udio Castro ofereceu valiosa contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s mil\u00edcias no momento em que garantiu \u00e0s Pol\u00edcias Civil e Militar duas Secretarias de Estado n\u00e3o subordinadas a um \u00f3rg\u00e3o centralizado de gest\u00e3o. A mensagem, desde o in\u00edcio, n\u00e3o poderia ser mais clara: \u201cfa\u00e7am o que voc\u00eas quiserem\u201d. As mil\u00edcias apreciaram muito.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de controle efetivo sobre as pol\u00edcias \u00e9 funcional \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, irm\u00e3s siamesas que crescem nas gest\u00f5es ineptas ou s\u00f3cias do crime e se disseminam em met\u00e1stase pela m\u00e1quina p\u00fablica.\u00a0 Vejamos o exemplo cl\u00e1ssico do fen\u00f4meno que esteve na g\u00eanese da degrada\u00e7\u00e3o policial fluminense: quando a autoridade superior concede ao policial na ponta liberdade para matar (n\u00e3o se trata de leg\u00edtima defesa, por \u00f3bvio), concede-lhe tamb\u00e9m liberdade para, em vez de matar, negociar a sobreviv\u00eancia do suspeito. A vida converte-se numa moeda, que se inflaciona c\u00e9lere e indefinidamente. Os policiais dispostos a vender a sobrevida do suspeito se organizam e as permutas escalam do varejo ao atacado, at\u00e9 que se firmem pactos, acordos, os \u201carregos\u201d, fazendo com que muitos profissionais da seguran\u00e7a sejam s\u00f3cios do crime. Nascem dessa din\u00e2mica perversa n\u00e3o apenas os esquadr\u00f5es da morte e <em>scuderies<\/em> policiais, como as pr\u00f3prias mil\u00edcias. Vendo os acordos e pagamentos se processando sem pudor, desde cedo, os jovens dos bairros pobres aprendem a olhar com desconfian\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 as pol\u00edcias, mas tamb\u00e9m a Justi\u00e7a criminal, a pol\u00edtica e o conjunto das institui\u00e7\u00f5es. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O resultado tem sido expresso por elevados indicadores de letalidade por a\u00e7\u00e3o policial e pela absoluta inefici\u00eancia das \u201copera\u00e7\u00f5es\u201d sempre realizadas em comunidades pobres nas quais jovens pretos s\u00e3o chacinados e policiais s\u00e3o expostos a riscos desnecess\u00e1rios. Nos epis\u00f3dios necr\u00f3filos de 28 de outubro, que envolveram mutila\u00e7\u00f5es, facadas e decapita\u00e7\u00e3o de suspeitos, o Estado n\u00e3o controlou o territ\u00f3rio sequer por um dia. Logo ap\u00f3s a matan\u00e7a de suspeitos e a morte de quatro policiais, as din\u00e2micas criminais anteriores retomaram seu curso e o dom\u00ednio territorial do tr\u00e1fico seguiu inabalado.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em que nos encontramos na \u00e1rea da Seguran\u00e7a \u00e9 exatamente o legado de anos em que se faz mais do mesmo, sobretudo no Rio de Janeiro: mais descaso ante o tr\u00e1fico de armas e a epidemia de homic\u00eddios, mais descaso com a per\u00edcia e a investiga\u00e7\u00e3o inteligente, mais descoordena\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es, mais toler\u00e2ncia com a corrup\u00e7\u00e3o e a brutalidade policiais, mais neglig\u00eancia com o controle das pol\u00edcias, mais encarceramento, mais abandono do sistema penitenci\u00e1rio, mais guerra \u00e0s drogas, mais descaso com os policiais como profissionais e cidad\u00e3os \u2013 inclusive com sua forma\u00e7\u00e3o, sua sa\u00fade e seguran\u00e7a -, mais recusa em repensar a arquitetura institucional da seguran\u00e7a p\u00fablica que herdamos da ditadura, mais indiferen\u00e7a no tratamento de dados, pesquisas, evid\u00eancias e avalia\u00e7\u00f5es, mais improviso voluntarista e reativo, mais cumplicidade corporativista \u2013 mais cloroquina e negacionismo, menos vacina, preven\u00e7\u00e3o e conhecimento.<\/p>\n<p>Diante de um quadro dessa gravidade, as posi\u00e7\u00f5es sustentadas pelo governo federal tem sido, at\u00e9 agora, parte do problema e n\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es. \u00c9 inadmiss\u00edvel que o Brasil, um dos pa\u00edses mais violentos do mundo, n\u00e3o conte sequer com um Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica capaz de exercer a governan\u00e7a no setor e ser o centro proponente de pol\u00edticas p\u00fablicas com base em evid\u00eancias. Ao se afastar do tema da seguran\u00e7a, o governo federal preferiu habitar o deserto herdado, permitindo que os seres do deserto, como Cl\u00e1udio Castro, falassem sozinhos.<\/p>\n<p>Para enfrentar os complexos problemas da Seguran\u00e7a P\u00fablica no Rio de Janeiro, seria preciso adotar medidas iniciais e estruturantes. Entre elas, propomos 25 iniciativas:<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<ul>\n<li>Restabelecer a autoridade da secretaria de seguran\u00e7a sobre as pol\u00edcias, que deixariam de se vincular a secretarias pr\u00f3prias;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Promover a independ\u00eancia da Per\u00edcia;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Contando com o apoio da Pol\u00edcia Federal \u2013 respons\u00e1vel pela quest\u00e3o -, impedir o envolvimento de policiais no agenciamento de seguran\u00e7a privada informal e ilegal, o que exigir\u00e1 revis\u00e3o das bases salariais;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Construir um pacto com a sociedade civil e com os Poderes em torno da redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios como centro de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a capaz de proteger o bem essencial, aos moldes do Pacto Pela Paz proposto pelo Instituto Cidade, atuando em cidades como Niter\u00f3i (RJ) e Pelotas (RS), apontadas internacionalmente como exemplos na redu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Desenvolver a estrat\u00e9gia de policiamento conhecida como \u201cDissuas\u00e3o Focada\u201d para a redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios, aplicada com sucesso em todo o mundo e j\u00e1 com experi\u00eancias concretas em alguns munic\u00edpios brasileiros. A estrat\u00e9gia sup\u00f5e a qualifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de investiga\u00e7\u00e3o e per\u00edcia e exige sua independ\u00eancia;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Definir pol\u00edtica de repress\u00e3o qualificada ao tr\u00e1fico de armas, interceptando seu fluxo, evitando que cheguem aos bunkers criminosos e substituindo incurs\u00f5es de tipo b\u00e9lico por a\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas inteligentes fora das favelas;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Definir uma estrat\u00e9gia de policiamento de \u201chot spots\u201d, uma das iniciativas reconhecidamente mais impactantes na preven\u00e7\u00e3o situacional do crime em todo o mundo, rompendo com a din\u00e2mica inoperante do policiamento aleat\u00f3rio;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Iniciar a reforma da execu\u00e7\u00e3o penal implementando projeto piloto de tratamento com base no modelo de Risco, Necessidade e Responsividade (Modelo RNR), comprovadamente capaz de reduzir reincid\u00eancia;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Implantar o modelo das APACs (Associa\u00e7\u00f5es de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia aos Condenados) em todo o estado para construir um caminho efetivo de desist\u00eancia do crime com foco em jovens vinculados ao tr\u00e1fico;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Implantar pol\u00edtica s\u00e9ria de uso de c\u00e2meras corporais no policiamento que registre todas as interven\u00e7\u00f5es policiais e seus contatos com os residentes;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Realizar pesquisa de vitimiza\u00e7\u00e3o sobre os policiais fluminenses para diagn\u00f3stico do tipo e da intensidade da viol\u00eancia, abandono e estresse vividos pelos profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica, com a competente defini\u00e7\u00e3o de um programa efetivo de sa\u00fade mental;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Prevenir roubos e furtos de celulares aos moldes da pol\u00edtica exitosa desenvolvida pela pol\u00edcia no Piau\u00ed que, em tr\u00eas anos, reduziu esses crimes em 50%;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Definir com a sociedade civil pol\u00edticas espec\u00edficas para prote\u00e7\u00e3o de grupos em maior vulnerabilidade social como mulheres, p\u00fablico LGBTQIAP+ e pessoas com transtornos mentais, desenvolvendo protocolos espec\u00edficos para a abordagem desses grupos;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Produzir uma estrat\u00e9gia de policiamento antirracista e desenvolver pol\u00edtica efetiva de letramento racial no Poder P\u00fablico e de rigoroso protocolo de abordagens de suspeitos, colocando em xeque procedimentos e m\u00e9todos que tendem a reproduzir o vi\u00e9s racista e a seletividade social nas a\u00e7\u00f5es policiais;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Suprimir o uso de tecnologias, que, sob apar\u00eancia de neutralidade e mera efetividade operacional, reproduzem o vi\u00e9s de ra\u00e7a, classe e territ\u00f3rio, como \u00e9 o caso da identifica\u00e7\u00e3o facial;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Instituir a Ouvidoria das Pol\u00edcias independente, a partir de indica\u00e7\u00f5es da sociedade civil, aos moldes do realizado pelas Defensorias P\u00fablicas, com mandato, recursos e autoridade para receber den\u00fancias contra policiais e de policiais contra suas institui\u00e7\u00f5es, e dar sequ\u00eancia \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o administrativa e judicial;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Autorizar a PM a lavrar Termos Circunstanciados de Ocorr\u00eancia, sem necessidade de condu\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 delegacia de Pol\u00edcia Civil, quando se tratar de transgress\u00e3o da Lei 9.099 (crimes de pequeno potencial ofensivo);<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Mobilizar o poder regulador municipal para identificar e mitigar funcionamento irregular de transporte e com\u00e9rcio, em territ\u00f3rios vulnerabilizados, propondo que as Guardas Municipais atuem em conflitos de baixa intensidade que degradam a vida dos residentes como disputas entre vizinhos e incivilidades;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Articular o trabalho de intelig\u00eancia e investigativo (das Pol\u00edcias Civil e Federal) \u00e0s a\u00e7\u00f5es administrativas municipais, visando identificar fluxos de lavagem de dinheiro, extors\u00e3o e monopoliza\u00e7\u00e3o no acesso \u00e0 energia, bens imobili\u00e1rios e outros bens.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Afastar das tarefas externas, temporariamente, policiais envolvidos em confrontos, e lhes fornecer atendimento psicol\u00f3gico, estendendo a aten\u00e7\u00e3o terap\u00eautica \u00e0queles que demonstrem sofrimento ps\u00edquico, relacionados ou n\u00e3o \u00e0 drogadi\u00e7\u00e3o (uso abusivo de \u00e1lcool e outras drogas, l\u00edcitas ou n\u00e3o);<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Dado o contexto fluminense, \u00e9 indispens\u00e1vel suprimir o princ\u00edpio de que a palavra do policial deve prevalecer, incondicionalmente, sobre a de testemunhas;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Investir no encarceramento que decorra de investiga\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo de homicidas, feminicidas, criminosos sexuais e corruptos -, revertendo a din\u00e2mica irracional de pris\u00f5es em flagrante presumido, as quais, al\u00e9m de ineficientes, superlotam as penitenci\u00e1rias e refor\u00e7am as fac\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Revisar o plano de acompanhamento de jovens que cumprem medidas socioeducativas, cuja interna\u00e7\u00e3o \u00e9 supervisionada pelo Estado e o per\u00edodo subsequente, aberto, \u00e9 coordenado pela assist\u00eancia social dos munic\u00edpios, desprovida, entretanto, de recursos e pessoal suficientes para fun\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada e importante. O desenho atual \u00e9 interessante, mas as atribui\u00e7\u00f5es deveriam corresponder \u00e0 dota\u00e7\u00e3o dos meios pertinentes;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Em parceria com o minist\u00e9rio e a secretaria estadual de Educa\u00e7\u00e3o, mobilizando entidades da sociedade civil no esfor\u00e7o comum, \u00e9 urgente implementar iniciativas voltadas para a redu\u00e7\u00e3o da evas\u00e3o escolar;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Embora o tema provoque resist\u00eancia severa e escape ao poder de institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas estaduais, \u00e9 urgente insistir no debate p\u00fablico em torno da necessidade imperiosa de mudar a pol\u00edtica de drogas, que t\u00eam promovido encarceramento em massa de jovens varejistas do com\u00e9rcio de subst\u00e2ncias il\u00edcitas, for\u00e7ando-os a vincular-se, para sobreviver, \u00e0s fac\u00e7\u00f5es criminosas que dominam unidades prisionais, ante o descumprimento da Lei de Execu\u00e7\u00f5es penais por parte do Estado. O proibicionismo, o predom\u00ednio do flagrante presumido (posto que a PM \u00e9 proibida de investigar) no encarceramento e o descaso com o sistema penitenci\u00e1rio constituem o principal mecanismo de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada das fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pensando os desafios da Seguran\u00e7a P\u00fablica no Brasil, \u00e9 urgente e imprescind\u00edvel que o Governo Federal tome iniciativas concretas como a constru\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, aglutinando, nesse espa\u00e7o de governan\u00e7a, policiais qualificados, pesquisadores de ponta e t\u00e9cnicos com experi\u00eancia em gest\u00e3o e bloqueando, pelo menos nesse minist\u00e9rio, as din\u00e2micas tradicionais do clientelismo pol\u00edtico e das nomea\u00e7\u00f5es desqualificadas.<\/p>\n<p>Uma vez formado o minist\u00e9rio, se poder\u00e1 abrir no Brasil uma agenda de reformas na Seguran\u00e7a P\u00fablica, envolvendo mudan\u00e7as de m\u00e9dio e longo prazos, como, por exemplo, a refunda\u00e7\u00e3o do modelo de pol\u00edcia herdado do Imp\u00e9rio e da ditadura. Nesse tema, destacamos a import\u00e2ncia de que cada pol\u00edcia tenha apenas uma carreira, como ocorre em todo o mundo, de modo que se assegure aos policiais as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias de valoriza\u00e7\u00e3o e progress\u00e3o funcional e que se rompa com as pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias internas \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es e que vitimam os policiais em posi\u00e7\u00f5es subalternas. A introdu\u00e7\u00e3o do ciclo completo para todas as pol\u00edcias \u00e9 outra reforma essencial para que o Brasil possa ter mais efici\u00eancia na \u00e1rea; assim como o estabelecimento de padr\u00f5es nacionais de recrutamento e forma\u00e7\u00e3o policial; padroniza\u00e7\u00e3o de registros; garantia de transpar\u00eancia e nova sistem\u00e1tica de controle externo.\u00a0<\/p>\n<p>O momento, sobretudo, exige discernimento, ousadia e disposi\u00e7\u00e3o para pensar pol\u00edticas em di\u00e1logo com as evid\u00eancias cient\u00edficas e para ouvir os bons policiais e a popula\u00e7\u00e3o oprimida por uma \u201cguerra\u201d que s\u00f3 produz mais sofrimento e votos para demagogos.\u00a0<\/p>\n<p>* Antrop\u00f3logo e cientista pol\u00edtico, professor da C\u00e1tedra Patricia Acioli do Col\u00e9gio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, ex-secret\u00e1rio nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica, ex-subsecret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do estado do Rio de Janeiro e ex-secret\u00e1rio municipal de Preven\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia em Porto Alegre e Nova Igua\u00e7u, autor de \u201cEscolha sua distopia; ou pense pelo avesso\u201d (Edi\u00e7\u00f5es 70, 2025).<\/p>\n<p>** Pesquisador, membro fundador do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Professor da Universidade Lasalle em Canoas (RS). Autor, entre outros de: \u201cA S\u00edndrome da Rainha Vermelha, policiamento e seguran\u00e7a p\u00fablica no s\u00e9c. XXI\u201d (Zahar) e \u201cA Forma\u00e7\u00e3o de Jovens Violentos: estudo sobre a etiologia da viol\u00eancia extrema (Appris).<\/p>\n<p>*** Professora titular do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social da UFRJ. L\u00edder do Grupo de Pesquisa do CNPq \u201cN\u00facleo Pol\u00edticas de Preven\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia, Acesso \u00e0 Justi\u00e7a, Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos e G\u00eanero\u201d. Co-coordenadora do Observat\u00f3rio dos Conselhos e Observat\u00f3rio do Feminic\u00eddio no Estado do Rio de Janeiro. Ex-diretora do Centro de Observa\u00e7\u00e3o Criminol\u00f3gica do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Governo hesita. Mas alternativas, concretas e j\u00e1 testadas em diversos pontos do mundo, pode refundar a Seguran\u00e7a e as Pol\u00edcias<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/seguranca-publica-o-que-fazer\/\">Seguran\u00e7a P\u00fablica: O que fazer<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":62879,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,27288,3003,6007,28767,27609,73],"tags":[],"class_list":["post-62878","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-chacina-no-rio","category-claudio-castro","category-crise-brasileira","category-dissuasao-focada","category-faccoes-criminosas","category-seguranca-publica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62878"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62878\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}