{"id":63083,"date":"2025-11-07T19:33:11","date_gmt":"2025-11-07T22:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-manifesto-das-periferias-pela-justica-climatica\/"},"modified":"2025-11-07T19:33:11","modified_gmt":"2025-11-07T22:33:11","slug":"um-manifesto-das-periferias-pela-justica-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-manifesto-das-periferias-pela-justica-climatica\/","title":{"rendered":"Um Manifesto das Periferias pela Justi\u00e7a Clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/KCMTVLIQW5NMLPXSGTJY3LHO5E.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/KCMTVLIQW5NMLPXSGTJY3LHO5E.jpg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/KCMTVLIQW5NMLPXSGTJY3LHO5E-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/KCMTVLIQW5NMLPXSGTJY3LHO5E-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/KCMTVLIQW5NMLPXSGTJY3LHO5E-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<h3><strong>Contexto socioambiental das periferias \u2013 O clima t\u00e1 tenso<\/strong><\/h3>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A Frente Perif\u00e9rica por Direitos re\u00fane militantes, ativistas, trabalhadores por conta que empreendem nas quebradas, al\u00e9m de coletivos e movimentos engajados nas lutas sociais dos mais variados segmentos, dos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos. Em setembro de 2024, lan\u00e7amos nosso \u201cManifesto das periferias\u201d, que inaugurou nosso movimento e apresentou 98 propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a esses territ\u00f3rios, assinado por candidatos a prefeito e vereador compromissados com sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo de 2025, promovemos rodas de conversa e semin\u00e1rios em todas as regi\u00f5es da cidade de S\u00e3o Paulo, em um processo de di\u00e1logo e de constru\u00e7\u00e3o coletiva da <strong>Carta Compromisso: Periferias pelo Clima \u2013 O clima t\u00e1 tenso!<\/strong> Esse processo envolveu, aproximadamente, 1.050 lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, pesquisadores, ambientalistas, trabalhadores por conta, cooperativas, m\u00eddias comunit\u00e1rias, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, sindicatos, grupos pastorais, parlamentares e suas assessorias. De maneira din\u00e2mica e participativa, essa consulta popular teve como objetivo sistematizar o contexto socioambiental das periferias, suas precariedades, mas, sobretudo, suas pot\u00eancias e solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As periferias de S\u00e3o Paulo, historicamente, sofreram os impactos ambientais decorrentes da falta de planejamento urbano. A expans\u00e3o acelerada da cidade n\u00e3o foi neutra: priorizou grandes interesses econ\u00f4micos, como os do mercado imobili\u00e1rio, cuja sua l\u00f3gica da exclus\u00e3o relegou a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica a \u00e1reas degradadas e de risco. Em vez de pensar uma cidade resiliente diante dos eventos clim\u00e1ticos extremos que j\u00e1 se anunciavam, o poder p\u00fablico reproduziu um modelo excludente de urbaniza\u00e7\u00e3o, naturalizando a desigualdade socioespacial.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/13-7.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/13-7.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/13-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao longo dos anos, essas comunidades vivenciaram trag\u00e9dias causadas por chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de encostas. Se antes esses desastres j\u00e1 comprometiam as condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas, por faz\u00ea-las perder seus pertences e at\u00e9 suas moradias, atualmente impactam tamb\u00e9m a sa\u00fade f\u00edsica e mental das pessoas, seja pelo alastramento de doen\u00e7as contagiosas, seja por traumas emocionais das perdas, chegando at\u00e9 mesmo a provocar mortes.<\/p>\n<p>Este \u201cdesplanejamento\u201d, ou planejamento urbano ca\u00f3tico promovido pelo poder p\u00fablico durante d\u00e9cadas, n\u00e3o apenas n\u00e3o resolveu os problemas estruturais das periferias como agravou as vulnerabilidades socioambientais. A exclus\u00e3o social tem em sua raiz marcadores de ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e territ\u00f3rio. A pol\u00edtica da morte ou necropol\u00edtica\u00b9 s\u00e3o elementos centrais deste \u201cfalso planejamento urbano\u201d.<\/p>\n<p>Segundo dados do Mapa das Desigualdades de 2022, a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica \u00e9 constitu\u00edda majoritariamente por pessoas negras (pretas ou pardas), o que evidencia um quadro estrutural de racismo ambiental. As m\u00e3es solos, pessoas trans, com defici\u00eancia, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ada (PopRua) s\u00e3o evidentemente muito mais expostas a condi\u00e7\u00f5es muito mais degradantes geradas pela injusti\u00e7a clim\u00e1tica. Al\u00e9m disso, preconceitos contra as identidades culturais, lingu\u00edsticas e territoriais refor\u00e7am barreiras simb\u00f3licas que invisibilizam as dores dos sujeitos perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Esse quadro de marginaliza\u00e7\u00e3o social acentua a vulnerabilidade diante de enchentes, deslizamentos, ilhas de calor e outras express\u00f5es da crise clim\u00e1tica urbana, configurando um ciclo de exclus\u00e3o em que ser negro, migrante \u2013 em especial nordestino \u2013, imigrante, refugiado nas periferias, significa carregar m\u00faltiplos estigmas que intensificam a injusti\u00e7a clim\u00e1tica e socioambiental.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es pol\u00edticas que v\u00eam favorecendo os processos de gentrifica\u00e7\u00e3o\u00b2 evidenciam que a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e os detentores do poder atuam para aprofundar a exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o empobrecida. Deixar as comunidades perif\u00e9ricas nestas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 obra do acaso.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica de transformar o modo de viver em mercadoria, em que o direito \u00e0 moradia, ao lazer, ao esporte, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e o acesso \u00e0 natureza \u00e9 mercantilizado, imp\u00f5e a exclus\u00e3o dos sujeitos perif\u00e9ricos. O capitalismo, em sua ess\u00eancia, convive com as desigualdades, com a mis\u00e9ria extrema e a exclus\u00e3o social. Num contexto de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de bens naturais e a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas se acentuam, enquanto o negacionismo clim\u00e1tico impulsiona a l\u00f3gica de exclus\u00e3o social gerada pelo capitalismo, revelando que excluir os sujeitos perif\u00e9ricos \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Realizamos, no dia 26 de outubro de 2025, o lan\u00e7amento oficial da carta compromisso \u2013 Periferias Pelo Clima, a qual esperamos que apoie a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e projetos socioambientais que intervenham nos impactos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Se a exclus\u00e3o dos sujeitos perif\u00e9ricos \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica, este instrumento surge como inspira\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m cobran\u00e7a por medidas mais efetivas no combate \u00e0s desigualdades socioambientais e na conten\u00e7\u00e3o dos danos causados pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica, especialmente nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos, que s\u00e3o os que mais sofrem.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/728x90-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/728x90-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<hr>\n<h3><strong>Um papo reto \u2013 o clima t\u00e1 tenso<\/strong><\/h3>\n<p>O sil\u00eancio muitas vezes domina o nosso cotidiano. Muitas vezes, de cabe\u00e7a baixa, percorremos o trajeto de ida e vinda do trabalho. Enchente ap\u00f3s enchente, engolimos seco a dor de perder tudo. Mandam o lixo da cidade pra c\u00e1, nos tratam como lixo. Trazem ind\u00fastrias poluentes pra c\u00e1, desrespeitando nossa sa\u00fade. Precarizam nosso transporte, transformando o direito de ir e vir numa guerra di\u00e1ria. O clima t\u00e1 tenso e \u00e9 hora do papo reto!<\/p>\n<p>Mortes nas quebradas por quest\u00f5es ambientais j\u00e1 acontecem. Leptospirose, desinteria, pneumonia se tornaram frequentes, e a nossa sa\u00fade mental afunda. N\u00e3o pode ser diferente pra quem convive com esgoto a c\u00e9u aberto, polui\u00e7\u00e3o do ar e da \u00e1gua. Soma-se a isso o problema cr\u00f4nico da gest\u00e3o de res\u00edduos: incineradores que envenenam o ar com gases t\u00f3xicos, aterros que contaminam o solo e os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, sem qualquer planejamento de compensa\u00e7\u00e3o ambiental ou cuidado com as popula\u00e7\u00f5es vizinhas. Essa pol\u00edtica do descaso transforma nossos territ\u00f3rios em zonas de sacrif\u00edcio, onde a vida da popula\u00e7\u00e3o vale menos do que o lucro das empresas e a omiss\u00e3o do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 nosso! \u00c9 do povo negro, ind\u00edgena e perif\u00e9rico e queremos ser ouvidos. Nossos ancestrais tinham outra rela\u00e7\u00e3o com a natureza antes da escravid\u00e3o que nos massacrou. Estamos nos reconectando com nossas ra\u00edzes, da\u00ed a necessidade de regenerar nossa rela\u00e7\u00e3o ancestral e nossa rela\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Os poderosos estar\u00e3o na COP 30 decidindo o futuro da humanidade, enquanto n\u00f3s, as v\u00edtimas e sobreviventes da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, ficaremos fora dos sal\u00f5es principais. N\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o pol\u00edtica leg\u00edtima sobre emerg\u00eancia clim\u00e1tica que n\u00e3o envolva a n\u00f3s, sujeitos perif\u00e9ricos. Enquanto as elites debatem a \u201ccrise clim\u00e1tica\u201d em salas refrigeradas, nossas quebradas est\u00e3o soterradas, no calor extremo ou debaixo d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Quem perde tudo nas enchentes? Quem sofre com esgoto a c\u00e9u aberto, com calor insuport\u00e1vel e transporte prec\u00e1rio?<\/p>\n<p>Somos n\u00f3s, que respiramos o ar pobre dos lix\u00f5es. N\u00f3s, que somos expostos aos gases t\u00f3xicos das ind\u00fastrias, dos incineradores e f\u00e1bricas poluidoras. Somos n\u00f3s que convivemos com ratos, a podrid\u00e3o do esgoto e suas doen\u00e7as. Somos n\u00f3s que enfrentamos filas e descaso nos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica. Somos n\u00f3s que recebemos toneladas e toneladas do lixo das \u00e1reas nobres da cidade e dos grandes geradores.<\/p>\n<p>Na COP 30, precisamos afirmar que as quebradas n\u00e3o s\u00e3o apenas territ\u00f3rios de dor, mas de pot\u00eancia cultural, de trabalho coletivo e de sabedoria popular. Aqui se cria, se recicla, se planta, se canta e se luta. Aqui nasce o futuro que n\u00e3o aceita injusti\u00e7a. As vozes aqui representadas s\u00e3o as vozes das batalhas de rima, dos slans, do Hip Hop e dos saraus. S\u00e3o as vozes dos catadores, das senhoras da reciclagem e das crian\u00e7as que cuidam das hortas. S\u00e3o as vozes dos podcasts perif\u00e9ricos, das r\u00e1dios e TVs comunit\u00e1rias. S\u00e3o as vozes das mulheres, jovens, negros, negras e do povo LGBTQIAPN+. S\u00e3o tamb\u00e9m as vozes das espiritualidades que celebram a cultura de paz, n\u00e3o a \u201cpaz branca\u201d que imobiliza e manda nos calar, mas uma paz insurgente, feita de luta, dignidade e resist\u00eancia e que n\u00e3o se calam diante das injusti\u00e7as.<\/p>\n<p>O mundo precisa conhecer a cara da quebrada: do pastor de igreja ao MC de batalha, do padre das pastorais aos botecos de vila, as nossas belezas culturais. Quantos nas quebradas n\u00e3o se envolvem nas cooperativas de reciclagem? Quantos n\u00e3o se encantam com a compostagem dom\u00e9stica? Quantos encontram, num simples passeio no parque, um acesso gratuito ao contato com a natureza e os animais? Quantos n\u00e3o cuidam uns dos outros nos desastres ambientais? Quantos acolhem aqueles que perdem tudo, aqueles que est\u00e3o doentes e debilitados? Quantos j\u00e1 n\u00e3o foram num plantio popular? Quantos n\u00e3o estudaram os princ\u00edpios da Ecologia Integral e se engajam nos trabalhos pastorais? Nossas professoras, mesmo precarizadas, ensinam sobre os ODS. Nossas crian\u00e7as crescem com uma mentalidade ambientalmente mais avan\u00e7ada. Nossas quebradas s\u00e3o pot\u00eancia, mas tamb\u00e9m s\u00e3o resist\u00eancia!<\/p>\n<p>Vamos ocupar a COP, porque os poderosos t\u00eam que nos ouvir. Nem que tenhamos que gritar. O clima t\u00e1 tenso, somos v\u00edtimas de cat\u00e1strofes socioambientais e precisamos agir contra isso. Chegou a hora do papo reto!<\/p>\n<p>De quebrada pra quebrada o papo \u00e9 reto!<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>A realidade das quebradas, den\u00fancias, suas potenciais e propostas de solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>As lutas sociais da Frente Perif\u00e9rica por Direitos n\u00e3o est\u00e3o dissociadas das lutas hist\u00f3ricas pela transforma\u00e7\u00e3o social. \u00c9 neste sentido que reafirmamos nossas bandeiras de luta: moradia, saneamento, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, cultura, seguran\u00e7a alimentar, combate \u00e0 opress\u00e3o s\u00e3o lutas transversais que reconhecem a crise clim\u00e1tica tamb\u00e9m como fruto das desigualdades estruturais que marcam a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Nas quebradas, a realidade fala mais alto do que qualquer diagn\u00f3stico t\u00e9cnico. S\u00e3o territ\u00f3rios onde o barulho das enchentes se mistura ao das sirenes, onde o calor extremo e o esgoto a c\u00e9u aberto fazem parte do cotidiano. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o espa\u00e7os de pot\u00eancia, onde a juventude cria, denuncia e prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es. As quebradas n\u00e3o esperam o poder p\u00fablico agir: constroem hortas comunit\u00e1rias em terrenos abandonados, formam coletivos de mulheres para o cuidado ambiental, organizam campanhas de limpeza, plantio e reaproveitamento de res\u00edduos, e fazem da arte uma ferramenta pol\u00edtica de den\u00fancia e mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A den\u00fancia que vem das periferias \u00e9 contundente: a crise clim\u00e1tica tem cor, g\u00eanero e territ\u00f3rio. As pol\u00edticas ambientais que ignoram essa realidade reproduzem o racismo ambiental e aprofundam as desigualdades. \u00c9 necess\u00e1rio ouvir os coletivos de base, os movimentos de moradia, as juventudes perif\u00e9ricas e os povos tradicionais urbanos, que j\u00e1 elaboram suas pr\u00f3prias agendas clim\u00e1ticas a partir das viv\u00eancias cotidianas.<\/p>\n<p>As propostas de solu\u00e7\u00e3o nascem das bordas: programas de reflorestamento comunit\u00e1rio, fortalecimento das cooperativas de reciclagem, amplia\u00e7\u00e3o das redes de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva, incentivos \u00e0 agroecologia urbana, cria\u00e7\u00e3o de zonas de respiro ambiental nas \u00e1reas densamente ocupadas e planos de adapta\u00e7\u00e3o local liderados pela pr\u00f3pria comunidade. O poder p\u00fablico deve reconhecer e financiar essas iniciativas, garantindo suporte t\u00e9cnico, infraestrutura e forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.<\/p>\n<p>Reconhecer a realidade das quebradas \u00e9 reconhecer que nelas pulsa a vanguarda da luta por justi\u00e7a ambiental e social. \u00c9 ali que se tece, com solidariedade e consci\u00eancia, o projeto de um outro futuro poss\u00edvel \u2014 um futuro em que o direito \u00e0 cidade, ao ar puro e \u00e0 dignidade seja universal, e onde a periferia deixe de ser vista como problema para ser reconhecida como solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Reconhecimento do racismo ambiental<\/strong><\/h3>\n<p>Nas periferias, a cor e o CEP seguem ditando quem mais sofre com enchentes, deslizamentos, ilhas de calor, ar contaminado e falta d\u2019\u00e1gua. Loteamentos sem infraestrutura, moradias em \u00e1reas de risco, c\u00f3rregos canalizados e assoreados, aus\u00eancia de \u00e1reas verdes e a proximidade de aterros, ind\u00fastrias poluentes e vias de tr\u00e1fego pesado formam um mapa do sofrimento que coincide com o mapa da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre. Essa desigualdade n\u00e3o \u00e9 \u201cacidente urbano\u201d: \u00e9 fruto hist\u00f3rico de pol\u00edticas de urbaniza\u00e7\u00e3o excludentes, remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e investimentos que privilegiam o centro e sacrificam as bordas.<\/p>\n<p>O conceito de racismo ambiental revela que os impactos da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e da crise clim\u00e1tica n\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddos de forma igualit\u00e1ria: recaem, sobretudo, sobre popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas. Essa realidade se expressa no abandono das pol\u00edticas p\u00fablicas, na aus\u00eancia de saneamento b\u00e1sico, na precariedade da coleta de lixo e na exposi\u00e7\u00e3o cotidiana a riscos ambientais que colocam vidas em permanente vulnerabilidade. Reconhecer o racismo ambiental \u00e9 compreender que as injusti\u00e7as ambientais s\u00e3o tamb\u00e9m injusti\u00e7as raciais e territoriais.<\/p>\n<p>Apesar disso, as periferias constroem sa\u00eddas: mutir\u00f5es de limpeza de c\u00f3rregos, hortas e viveiros comunit\u00e1rios, brigadas solid\u00e1rias em temporais, redes de vizinhan\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o popular. As cooperativas de reciclagem e os catadores de lixo fazem a diferen\u00e7a na gest\u00e3o de res\u00edduos. No campo da educa\u00e7\u00e3o, os educadores sociais, coletivos de cultura e professores atuam incansavelmente na divulga\u00e7\u00e3o das ODS, sempre alertando sobre as condi\u00e7\u00f5es de racismo ambiental vivida nas periferias.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias revelam uma pedagogia da resist\u00eancia ambiental, em que o saber popular se torna instrumento de transforma\u00e7\u00e3o. A luta pelo direito ao territ\u00f3rio, \u00e0 moradia digna e ao saneamento b\u00e1sico se entrela\u00e7a \u00e0 luta antirracista e feminista, pois s\u00e3o as mulheres negras, em especial, que assumem a linha de frente na defesa da vida e do meio ambiente nas comunidades. \u00c9 a partir dessas pr\u00e1ticas locais que surgem solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis e inovadoras, capazes de inspirar pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas e participativas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio reconhecer oficialmente o racismo ambiental na elabora\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas e no arcabou\u00e7o legal em todos os \u00e2mbitos. \u00c9 necess\u00e1rio que a prefeitura implemente planos de bairro capazes de incidir em metas vinculantes de redu\u00e7\u00e3o de risco por local, tratando em car\u00e1ter de urg\u00eancia bairros com incid\u00eancia de \u00e1reas de alto risco ambiental. Al\u00e9m disso, mensurar detalhadamente o investimento priorit\u00e1rio em drenagem das \u00e1guas pluviais e infraestrutura verde-azul. A infraestrutura urbana deve adotar pr\u00e1ticas avan\u00e7adas de cidades-esponja<sup>3<\/sup>, equilibrando \u00e1reas verdes, \u00e1gua e habita\u00e7\u00e3o; reconhecer o racismo ambiental \u00e9 tamb\u00e9m fortalecer nossa cultura ancestral de respeito \u00e0 natureza do povo negro e ind\u00edgena. A tecnologia de compostagem org\u00e2nica sempre esteve presente na cultura ind\u00edgena, bem como propagado nas religi\u00f5es de matriz afro. Este car\u00e1ter simb\u00f3lico fortalece as identidades das popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas e suas pr\u00e1ticas ancestrais de respeito \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>Assim, o reconhecimento do racismo ambiental n\u00e3o deve se limitar ao discurso, mas se traduzir em pol\u00edticas concretas, com or\u00e7amento participativo, repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e protagonismo das comunidades afetadas. Somente com justi\u00e7a ambiental e racial ser\u00e1 poss\u00edvel construir cidades mais humanas, resilientes e solid\u00e1rias, onde o direito \u00e0 vida e \u00e0 natureza seja garantido a todas e todos.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Justi\u00e7a clim\u00e1tica e social<\/strong><\/h3>\n<p>Quem menos emite \u00e9 quem mais paga a conta. Nas quebradas, as concession\u00e1rias de \u00e1gua e energia el\u00e9trica praticam pre\u00e7os abusivos, aproveitando situa\u00e7\u00f5es de falta de instru\u00e7\u00e3o. A conta de luz \u00e9 mais cara proporcionalmente, o transporte \u00e9 mais demorado e poluente, nos locais mais altos a vaz\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 reduzida, em locais afastados falta energia. Crises respirat\u00f3rias, propaga\u00e7\u00e3o de dengue e estresse t\u00e9rmico<sup>4<\/sup> s\u00e3o comuns nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos. A cada chuva forte, fam\u00edlias perdem m\u00f3veis, documentos e anos de vida. Sem renda est\u00e1vel e com servi\u00e7os p\u00fablicos intermitentes, o risco clim\u00e1tico vira risco social permanente.<\/p>\n<p>Falta rede de esgoto nos territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis, enchentes s\u00e3o frequentes e nos fazem conviver diariamente com trag\u00e9dias amplamente anunciadas. N\u00e3o existe sistema de alerta de cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas, o desassoreamento e a despolui\u00e7\u00e3o de rios e c\u00f3rregos s\u00e3o meramente simb\u00f3licos, e a infraestrutura de drenagem simplesmente n\u00e3o chega at\u00e9 n\u00f3s: bueiros entupidos, aus\u00eancia de jardins de chuva, hortas comunit\u00e1rias esquecidas, corredores ecol\u00f3gicos e parques urbanos que nunca saem do papel. E onde est\u00e3o as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o ambiental que deveriam conscientizar sobre o lixo jogado nos c\u00f3rregos? Elas n\u00e3o existem, porque o poder p\u00fablico virou as costas para o nosso povo.<\/p>\n<p>Esse abandono tem consequ\u00eancias diretas: nossas enchentes n\u00e3o s\u00e3o obra da natureza, s\u00e3o resultado da omiss\u00e3o pol\u00edtica! Fam\u00edlias inteiras perdem tudo, ano ap\u00f3s ano. M\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos, roupas, tudo levado pela \u00e1gua suja e contaminada. N\u00e3o \u00e9 apenas a perda material \u2014 \u00e9 o adoecimento coletivo: leptospirose, desinteria e doen\u00e7as graves proliferam com a polui\u00e7\u00e3o dos rios. Al\u00e9m do corpo, a mente tamb\u00e9m adoece. O sofrimento psicol\u00f3gico de ver sua vida sendo destru\u00edda repetidamente, enquanto governos cruzam os bra\u00e7os, \u00e9 viol\u00eancia de Estado contra o povo perif\u00e9rico.<\/p>\n<p>Na esfera ambiental, os ataques s\u00e3o ainda mais cru\u00e9is. Situa\u00e7\u00f5es como a da Petroqu\u00edmica de Santo Andr\u00e9 e outras zonas industriais despejam gases t\u00f3xicos que envenenam o ar e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, em especial, nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos. Projetos absurdos como amplia\u00e7\u00e3o de aterros e incineradores t\u00eam sido comuns atualmente. Os dutos da Petrobr\u00e1s carregam volumes absurdos de combust\u00edvel. Com compensa\u00e7\u00f5es ambientais insuficientes \u00e0s comunidades impactadas. Essa l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o desenfreada, t\u00edpica do neoextrativismo, transforma nossos territ\u00f3rios em \u00e1reas de sacrif\u00edcio: concentra os lucros nas m\u00e3os da ind\u00fastria e do Capital, enquanto distribui a contamina\u00e7\u00e3o, a precariedade e a doen\u00e7a para o povo. Quem lucra \u00e9 a ind\u00fastria, quem adoece \u00e9 a comunidade.<\/p>\n<p>Mas a resposta j\u00e1 pulsa nos territ\u00f3rios: cozinhas solid\u00e1rias, cooperativas de reciclagem, bancos de alimentos, redes de acolhimento em enchentes, aplicativos de celular, empreendimentos solid\u00e1rios, coletivos de educomunica\u00e7\u00e3o e r\u00e1dios comunit\u00e1rias que alertam sobre riscos, coletivos de jovens que mapeiam \u00e1rvores e pontos de calor, escolas que se transformam em centros de abrigo. Essas pr\u00e1ticas salvam vidas, reduzem perdas e mostram que justi\u00e7a clim\u00e1tica come\u00e7a pela organiza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Entre as propostas est\u00e3o: Instituir Or\u00e7amento Clim\u00e1tico Perif\u00e9rico com metas por bairro; Ampliar a tarifa social ampliada de energia e \u00e1gua com b\u00f4nus por efici\u00eancia; corredores de \u00f4nibus el\u00e9tricos nas rotas mais longas; cria\u00e7\u00e3o de protocolos de sa\u00fade para CAPS e UBSs para situa\u00e7\u00f5es de onda de calor, de enchente e doen\u00e7as consequentes de situa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas; seguro param\u00e9trico comunit\u00e1rio para eventos extremos; Aloca\u00e7\u00e3o do programa POT, e outras frentes de trabalho, que oficializem os \u201cempregos verdes\u201d (poda urbana, reflorestamento, educa\u00e7\u00e3o ambiental, manejo de drenagem, telhados frios); metas de redu\u00e7\u00e3o de mortalidade causadas por doen\u00e7as direta ou indiretamente ligadas a quest\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Fomentar iniciativas de Economia Solid\u00e1ria, em especial empreendimentos que trabalham com reaproveitamento de res\u00edduos \u2014 como pr\u00e1ticas de <em>upcycling<\/em> ou aproveitamento integral de alimentos \u2014 \u00e9 uma estrat\u00e9gia que alia gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda com sustentabilidade ambiental. Essas iniciativas fortalecem a organiza\u00e7\u00e3o coletiva, estimulam a criatividade produtiva e contribuem para a redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, ao transformar materiais e recursos que seriam descartados em novos produtos e oportunidades econ\u00f4micas. Al\u00e9m disso, refor\u00e7am uma l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o baseada na coopera\u00e7\u00e3o e na valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes populares, rompendo com modelos de consumo e descarte t\u00edpicos da economia capitalista tradicional.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Participa\u00e7\u00e3o social nas decis\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Planos sobre clima e cidade costumam nascer longe de quem vive os problemas. Audi\u00eancias p\u00fablicas no centro, linguagem t\u00e9cnica inacess\u00edvel, consultas sem retorno e conselhos capturados afastam a popula\u00e7\u00e3o e transformam participa\u00e7\u00e3o em ritual vazio. O resultado s\u00e3o obras que n\u00e3o dialogam com a realidade e refor\u00e7am desigualdades.<\/p>\n<p>Os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o social, como conselhos gestores, foram sequestrados por assessorias parlamentares e gabinetes, reduzindo a democracia participativa a um jogo de cartas marcadas. A aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o popular nas decis\u00f5es sobre o clima \u00e9 uma das principais causas da inefic\u00e1cia das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o passa por:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Descentraliza\u00e7\u00e3o e Acessibilidade:<\/strong> Realizar audi\u00eancias p\u00fablicas e consultas em locais acess\u00edveis nas periferias, em hor\u00e1rios compat\u00edveis com a jornada de trabalho da popula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Linguagem Simples e Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Garantir que a linguagem t\u00e9cnica seja traduzida para o portugu\u00eas simples e que haja materiais de apoio visual e did\u00e1tico.<\/li>\n<li><strong>Fortalecimento dos Conselhos:<\/strong> Devolver a autonomia aos conselhos gestores, garantindo a representatividade de movimentos sociais e coletivos perif\u00e9ricos.<\/li>\n<li><strong>Or\u00e7amento Participativo Clim\u00e1tico:<\/strong> Criar mecanismos de or\u00e7amento participativo espec\u00edficos para projetos de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nas periferias.<\/li>\n<li><strong>Educa\u00e7\u00e3o para a Participa\u00e7\u00e3o:<\/strong> Promover a forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e ativistas para que possam incidir de forma qualificada nos espa\u00e7os de decis\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 um favor, mas um direito e uma necessidade para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas clim\u00e1ticas justas e eficazes.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa e igualit\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o pode ser mais um processo que aprofunda as desigualdades. A substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis por energias renov\u00e1veis, a eletrifica\u00e7\u00e3o da frota de ve\u00edculos e a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias verdes devem ser acompanhadas de pol\u00edticas de inclus\u00e3o social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o justa deve garantir:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Empregos Verdes e Qualifica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Investimento em programas de qualifica\u00e7\u00e3o profissional para a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, com foco em energias renov\u00e1veis, constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, agroecologia e gest\u00e3o de res\u00edduos.<\/li>\n<li><strong>Acesso \u00e0 Energia Limpa:<\/strong> Incentivo \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares em moradias populares e equipamentos p\u00fablicos, com tarifa social e modelos de cooperativas de energia.<\/li>\n<li><strong>Mobilidade Sustent\u00e1vel:<\/strong> Expans\u00e3o de corredores de \u00f4nibus el\u00e9tricos, ciclovias e cal\u00e7adas acess\u00edveis nas periferias, reduzindo a depend\u00eancia do transporte individual poluente.<\/li>\n<li><strong>Economia Circular e Solid\u00e1ria:<\/strong> Fortalecimento das cooperativas de reciclagem e dos empreendimentos de economia solid\u00e1ria, reconhecendo o papel dos catadores como agentes ambientais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica s\u00f3 ser\u00e1 justa se for constru\u00edda com e para as periferias, garantindo que os benef\u00edcios ambientais e econ\u00f4micos sejam distribu\u00eddos de forma igualit\u00e1ria.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Luta pela vida, pela terra e pela paz<\/strong><\/h3>\n<p>A luta pela vida nas periferias \u00e9 indissoci\u00e1vel da luta pela terra e pela paz. A viol\u00eancia urbana, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o faces da mesma moeda.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Regulariza\u00e7\u00e3o Fundi\u00e1ria e Moradia Digna:<\/strong> A regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria \u00e9 uma medida de justi\u00e7a social e ambiental, pois garante a seguran\u00e7a da posse e permite o investimento em infraestrutura.<\/li>\n<li><strong>Seguran\u00e7a Alimentar e Agroecologia:<\/strong> Apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos e agroecol\u00f3gicos em hortas comunit\u00e1rias e urbanas, garantindo o acesso a alimentos saud\u00e1veis e a soberania alimentar.<\/li>\n<li><strong>Cultura de Paz e Direitos Humanos:<\/strong> Investimento em programas de cultura, esporte e lazer nas periferias, como ferramentas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A paz nas periferias passa pela garantia dos direitos b\u00e1sicos e pela constru\u00e7\u00e3o de um ambiente saud\u00e1vel e seguro para todos.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Por um novo modelo econ\u00f4mico, mais democr\u00e1tico, sustent\u00e1vel, justo e inclusivo<\/strong><\/h3>\n<p>O modelo econ\u00f4mico atual, baseado na explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e na concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, \u00e9 a raiz da crise clim\u00e1tica e das desigualdades. \u00c9 urgente construir um novo modelo que coloque a vida no centro.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Economia Solid\u00e1ria e Circular:<\/strong> Incentivo a modelos de produ\u00e7\u00e3o e consumo baseados na coopera\u00e7\u00e3o, na reciclagem e no reaproveitamento de res\u00edduos.<\/li>\n<li><strong>Tributa\u00e7\u00e3o Progressiva:<\/strong> Ado\u00e7\u00e3o de impostos sobre grandes fortunas e emiss\u00f5es de carbono, para financiar a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e as pol\u00edticas sociais.<\/li>\n<li><strong>Bancos Comunit\u00e1rios e Moedas Sociais:<\/strong> Fortalecimento de iniciativas de finan\u00e7as solid\u00e1rias, que promovem a circula\u00e7\u00e3o de riqueza nas comunidades.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O futuro que queremos \u00e9 aquele em que a economia serve \u00e0 vida, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Propostas gerais<\/strong><\/h3>\n<p>As propostas da Frente Perif\u00e9rica por Direitos se organizam em eixos tem\u00e1ticos, visando a transforma\u00e7\u00e3o estrutural das periferias:<\/p>\n<figure>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Eixo Tem\u00e1tico<\/th>\n<th>Propostas Chave<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Infraestrutura e Saneamento<\/strong><\/td>\n<td>Investimento maci\u00e7o em drenagem, infraestrutura verde-azul (cidades-esponja), saneamento b\u00e1sico universal e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Energia e Mobilidade<\/strong><\/td>\n<td>Tarifa social ampliada, incentivo a energias renov\u00e1veis (solar), corredores de \u00f4nibus el\u00e9tricos e ciclovias.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Sa\u00fade e Bem-Estar<\/strong><\/td>\n<td>Protocolos de sa\u00fade para eventos clim\u00e1ticos extremos, combate a doen\u00e7as vetoriais (dengue), cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de respiro ambiental.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Economia e Trabalho<\/strong><\/td>\n<td>Fortalecimento da economia solid\u00e1ria, empregos verdes (POT), qualifica\u00e7\u00e3o profissional para a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Participa\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td>Descentraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es, or\u00e7amento participativo clim\u00e1tico, reconhecimento do racismo ambiental e educa\u00e7\u00e3o ambiental popular.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<hr>\n<h3><strong>A luta continua<\/strong><\/h3>\n<p>A Carta Compromisso \u00e9 um ponto de partida, n\u00e3o de chegada. A luta por justi\u00e7a clim\u00e1tica e social nas periferias \u00e9 um processo cont\u00ednuo, que exige mobiliza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e press\u00e3o popular.<\/p>\n<p><strong>Frente Perif\u00e9rica por Direitos<\/strong> <strong>S\u00e3o Paulo, outubro de 2025<\/strong><\/p>\n<hr>\n<p><em>\u00b9 Necropol\u00edtica \u00e9 um conceito filos\u00f3fico que faz refer\u00eancia ao uso do poder social e pol\u00edtico para decretar como algumas pessoas podem viver e como outras devem morrer; ou seja, na distribui\u00e7\u00e3o desigual da oportunidade de viver e morrer no sistema capitalista atual.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00b2 Gentrifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de transforma\u00e7\u00e3o urbana que altera o car\u00e1ter de um bairro, substituindo a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda por outra de maior poder aquisitivo. Isso acontece quando uma \u00e1rea antes desvalorizada \u00e9 valorizada por meio de investimentos em infraestrutura, reformas e revitaliza\u00e7\u00e3o, atraindo novos moradores com maior capital. Consequentemente, o custo de vida, como alugu\u00e9is, sobe, for\u00e7ando a sa\u00edda dos moradores originais.<\/em><\/p>\n<p><em><sup>3<\/sup> Uma cidade-esponja \u00e9 uma cidade projetada para absorver, reter e usar a \u00e1gua da chuva, em vez de simplesmente permitir o escoamento r\u00e1pido que causa enchentes. Para isso, utiliza \u201csolu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza\u201d como pavimentos perme\u00e1veis, telhados verdes e parques, combinados com infraestrutura de engenharia para armazenar e reutilizar a \u00e1gua coletada, tornando o ambiente urbano mais resiliente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 4<\/em><\/p>\n<p><em><sup>4<\/sup> Estresse t\u00e9rmico \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do corpo quando a temperatura interna aumenta por absorver mais calor do que consegue dissipar, o que pode ser causado por calor extremo, umidade, atividade f\u00edsica e desidrata\u00e7\u00e3o. Seus sintomas incluem sede, tontura, n\u00e1useas e frequ\u00eancia card\u00edaca elevada, e em casos graves, pode evoluir para exaust\u00e3o pelo calor, insola\u00e7\u00e3o e at\u00e9 problemas cardiovasculares fatais.<\/em><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Um Manifesto das Periferias pela Justi\u00e7a Clim\u00e1tica appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-protesto-na-cop-governo-anuncia-avanco-na-demarcacao-de-duas-terras-munduruku\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ap\u00f3s protesto na COP, governo anuncia avan\u00e7o na de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/governo-troca-presidente-do-inss-em-meio-as-investigacoes-de-fraude\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Governo troca presidente do INSS em meio \u00e0s invest...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/parlamentares-reagem-a-ataques-contra-ministra-marina-silva\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/leinir-de-assis-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Parlamentares reagem a ataques contra ministra Mar...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/haddad-deve-ser-candidato-ao-governo-de-sao-paulo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Haddad deve ser candidato ao governo de S\u00e3o Paulo<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de levarem debate clim\u00e1tico \u00e0s franjas da cidade, movimentos, ativistas e trabalhadores de S\u00e3o Paulo lan\u00e7am documento com vistas \u00e0 COP 30. Eis a proposta de quem sofre os impactos do racismo ambiental e do <i>desplanejamento<\/i> urbano<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/cidadesemtranse\/manifesto-das-periferias-pela-justica-climatica\/\">Um Manifesto das Periferias pela Justi\u00e7a Clim\u00e1tica<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63084,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1011,5923,2519,154,2276,28936,570,486,140,2095,11514],"tags":[],"class_list":["post-63083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidades","category-cidades-em-transe","category-cop30","category-crise-climatica","category-desigualdade","category-espaco-urbano","category-mudancas-climaticas","category-periferia","category-racismo-ambiental","category-transicao-ecologica","category-transicao-verde"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63083\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}