{"id":63091,"date":"2025-11-07T20:16:03","date_gmt":"2025-11-07T23:16:03","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pos-capitalismo-outra-familia-e-possivel\/"},"modified":"2025-11-07T20:16:03","modified_gmt":"2025-11-07T23:16:03","slug":"pos-capitalismo-outra-familia-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pos-capitalismo-outra-familia-e-possivel\/","title":{"rendered":"P\u00f3s-capitalismo: outra fam\u00edlia \u00e9 poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"830\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo-1500x830.jpeg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo-300x166.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo-768x425.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo-1536x850.jpeg 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo-700x387.jpeg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo-219x121.jpeg 219w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sem-titulo.jpeg 1644w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Arte: Amy Bennett, \u201cProblem Child,\u201d 2018.<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Jazm\u00edn Baz\u00e1n<\/strong>, no <em>Nuso<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Ao final do dia de trabalho, nem sempre come\u00e7a o descanso: come\u00e7a outro tipo de trabalho. Cozinhar, limpar, organizar, cuidar dos filhos ou familiares, resolver tarefas dom\u00e9sticas. Uma rotina que raramente aparece nas estat\u00edsticas, quase nunca \u00e9 remunerada e, no entanto, sustenta a vida. Esse territ\u00f3rio invis\u00edvel \u2013 o tempo destinado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do cotidiano \u2013 \u00e9 o que Helen Hester e Nick Srnicek examinam em <em>Depois do Trabalho. Uma Hist\u00f3ria do Lar e a Luta pelo Tempo Livre<\/em> (Caja Negra, 2024).<\/p>\n<p>O livro insere-se numa s\u00e9rie de ensaios que, nos \u00faltimos anos, buscam pensar horizontes al\u00e9m do capitalismo. Mas sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 singular, na medida em que situa o trabalho reprodutivo e as desigualdades de g\u00eanero no pr\u00f3prio n\u00facleo dessa discuss\u00e3o. Em vez de se limitar a acrescentar um cap\u00edtulo feminista \u00e0 cr\u00edtica do capital, o trabalho de Hester e Srnicek desloca o centro de gravidade para a vida dom\u00e9stica, entendida como espa\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, como campo poss\u00edvel de emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12-1-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12-1-6.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/12-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Na sua abordagem, sem d\u00favida inovadora, Hester e Srnicek adotam a perspectiva do p\u00f3s-trabalho, definida como uma corrente que imagina \u201cvis\u00f5es de mundo alternativas que apontam para a aboli\u00e7\u00e3o desta forma social\u201d. A partir da\u00ed, colocam em primeiro plano o trabalho reprodutivo n\u00e3o remunerado e as assimetrias estruturais de g\u00eanero, um \u00e2ngulo frequentemente relegado noutros debates do mesmo campo. Neste gesto residem tanto a premissa como a maior contribui\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>O percurso do livro organiza-se em seis cap\u00edtulos, cada um intitulado segundo os eixos que os estruturam. Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, abre-se o cap\u00edtulo \u201cTecnologias\u201d, no qual ambos os autores exploram por que a promessa de al\u00edvio t\u00e9cnico no trabalho reprodutivo nunca se cumpriu. \u201cPadr\u00f5es\u201d, o segundo cap\u00edtulo, indaga sobre os mandatos que definem o dom\u00e9stico e a moral impl\u00edcita que os sustenta. Entretanto, a terceira parte, intitulada \u201cFam\u00edlias\u201d, analisa a fun\u00e7\u00e3o desta institui\u00e7\u00e3o como uma engrenagem adaptativa da ordem econ\u00f4mica. Depois, no cap\u00edtulo \u201cEspa\u00e7os\u201d, Hester e Srnicek perguntam-se como ampliar os postulados do p\u00f3s-trabalho para o \u00e2mbito reprodutivo. Finalmente, \u201cDepois do Trabalho\u201d esbo\u00e7a medidas e orienta\u00e7\u00f5es para avan\u00e7ar rumo a um modelo alternativo de cuidado e uso do tempo.<\/p>\n<p><strong>Trabalho assalariado e soberania temporal<\/strong><\/p>\n<p>O ensaio parte de uma premissa clara: o trabalho assalariado est\u00e1 desprovido de liberdade. Quem ingressa no mercado de trabalho o faz por necessidade, sem outras alternativas reais, e fica submetido tanto \u00e0 domina\u00e7\u00e3o pessoal de gerentes e supervisores como \u00e0 coa\u00e7\u00e3o \u201cimpessoal\u201d das l\u00f3gicas do sistema. O projeto de Hester e Srnicek n\u00e3o se limita a melhorar as condi\u00e7\u00f5es do emprego que descreve: o seu prop\u00f3sito \u00e9 super\u00e1-las.<\/p>\n<p>Os autores interv\u00eam num debate hist\u00f3rico que atravessou feministas da \u201csegunda onda\u201d, te\u00f3ricas da reprodu\u00e7\u00e3o social e pensadoras socialistas. Nesse contexto, sustentam que as tarefas reprodutivas e de cuidado s\u00e3o uma forma de trabalho \u2013 \u201ctrabalhar \u00e9 cuidar, cuidar \u00e9 trabalhar\u201d \u2013 e, como tal, devem ser reduzidas e redistribu\u00eddas socialmente. S\u00f3 assim se poder\u00e1 recuperar a \u201csoberania temporal\u201d, entendida como a capacidade coletiva de decidir o que fazer com o tempo liberado do trabalho necess\u00e1rio. Este horizonte pressup\u00f5e uma reorganiza\u00e7\u00e3o social na qual a acumula\u00e7\u00e3o deixa de ser o princ\u00edpio orientador.<\/p>\n<p>Neste ponto, a refer\u00eancia a Karl Marx \u00e9 constante, ainda que sem ades\u00e3o \u00e0s suas teses mais radicais. Nos <em>Manuscritos Econ\u00f4micos e Filos\u00f3ficos<\/em> de 1844, Marx alertava que uma comunidade s\u00f3 pode cultivar-se espiritualmente se romper com a escravid\u00e3o das necessidades imediatas. Tamb\u00e9m sublinhava que, gra\u00e7as ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, o que antes requeria o esfor\u00e7o de centenas podia realizar-se em quest\u00e3o de horas. Para Hester e Srnicek, o tempo livre n\u00e3o equivale ao \u00f3cio passivo: constitui a condi\u00e7\u00e3o mesma do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Num paradigma de an\u00e1lise deste tipo, n\u00e3o \u00e9 casual que conceitos como o de \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d apare\u00e7am reatualizados num marco contempor\u00e2neo: as transforma\u00e7\u00f5es do trabalho, as crises econ\u00f4micas recorrentes e as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que, longe de libertar tempo, frequentemente refor\u00e7am a explora\u00e7\u00e3o. O livro, ent\u00e3o, prop\u00f5e-se reativar essa tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em di\u00e1logo com as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas atuais.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Prancheta-4-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Prancheta-4-6.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Justamente nesse contexto, a crise financeira global de 2008 ocupa um lugar-chave. Os autores assumem que essa crise deixou para tr\u00e1s austeridade, desigualdade e sofrimento, mas afirmam que tamb\u00e9m abriu novos espa\u00e7os de esperan\u00e7a e de imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: desde buscas ecosocialistas at\u00e9 plataformas cooperativas e renovadas discuss\u00f5es sobre planejamento econ\u00f4mica. O acerto principal deste diagn\u00f3stico consiste em recolocar o trabalho dom\u00e9stico no centro da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Hester e Srnicek reconhecem o valor afetivo do lar como ref\u00fagio frente aos imperativos externos, mas insistem que essa dimens\u00e3o n\u00e3o deve ocultar a necessidade de reduzir, redistribuir e desprivatizar as tarefas de cuidado. A explora\u00e7\u00e3o invis\u00edvel da casa, lembram, tem sido denunciada por uma longa tradi\u00e7\u00e3o feminista. Poderiam subscrever a conhecida frase da acad\u00eamica e ativista feminista \u00edtalo-americana Silvia Federici: \u201cIsso a que chamam amor, n\u00f3s chamamos trabalho n\u00e3o pago\u201d. No entanto, afastam-se tanto da proposta de sal\u00e1rio para o trabalho dom\u00e9stico como das leituras mais recentes da autora, que tendem a refor\u00e7ar a centralidade do lar como espa\u00e7o pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Embora reconhe\u00e7am a import\u00e2ncia pioneira de Federici, assinalam \u2013 seguindo Zo\u00eb Sutherland e Marina Vishmidt \u2013 que nos seus \u00faltimos textos a defesa do trabalho reprodutivo nem sempre se articula com uma cr\u00edtica aberta \u00e0s divis\u00f5es de g\u00eanero, e que at\u00e9 mesmo essas pr\u00e1ticas chegam a ser ressignificadas como formas de \u201cresist\u00eancia ao capital\u201d em contextos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia, cuidado comunal e padr\u00f5es culturais<\/strong><\/p>\n<p>O olhar sobre a fam\u00edlia constitui um dos n\u00facleos mais incisivos do livro. Na sua forma dominante \u2013 nuclear, heterossexual, privatizada \u2013, n\u00e3o s\u00f3 reproduz desigualdades, como tamb\u00e9m se revela ineficiente como dispositivo de organiza\u00e7\u00e3o social. O problema, assinalam Hester e Srnicek, n\u00e3o \u00e9 apenas como as tarefas s\u00e3o repartidas dentro do lar, mas o pr\u00f3prio desenho da fam\u00edlia como unidade de reprodu\u00e7\u00e3o. Funciona como um \u201camortecedor\u201d que absorve responsabilidades deslocadas pelo capital e, ao estar organizada em torno do parentesco biol\u00f3gico, deixa de fora amplos setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hester e Srnicek admitem que a palavra de ordem \u201caboli\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia\u201d possui uma \u201ccarga emocional explosiva\u201d, mas delineiam uma alternativa fundada no princ\u00edpio do \u201ccuidado comunal\u201d. Tratar-se-ia de criar redes de v\u00ednculos compartilhados que transbordem o isolamento dom\u00e9stico e possibilitem outras formas de conviv\u00eancia. A pergunta central que colocam \u00e9 direta: como organizar o cuidado de um modo diferente do modelo privatizado? A sua resposta aponta para um \u201cecossistema de institui\u00e7\u00f5es\u201d que descentralize, socialize e democratize as tarefas reprodutivas.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise desloca-se tamb\u00e9m para as disposi\u00e7\u00f5es culturais que regulam a vida dom\u00e9stica. Padr\u00f5es de limpeza, ordem e cria\u00e7\u00e3o operam como pilares morais e mecanismos de distin\u00e7\u00e3o. As exig\u00eancias de uma casa impec\u00e1vel, as refei\u00e7\u00f5es elaboradas como sinal de status ou a press\u00e3o para \u201cinvestir\u201d nos filhos n\u00e3o s\u00e3o meros h\u00e1bitos: conformam, segundo os autores, um ideal de vida aspiracional sustentado pelo marketing e pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Esta trama simb\u00f3lica, advertem, legitima a autoexplora\u00e7\u00e3o e naturaliza a sobrecarga.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a atual cria\u00e7\u00e3o intensiva aparece como um fen\u00f4meno relativamente recente. \u201cCom o decorrer do s\u00e9culo XX \u2013 escrevem \u2013, as tarefas de maternidade come\u00e7aram a aproximar-se mais das que conhecemos hoje em dia\u201d. Historicamente, a inf\u00e2ncia como etapa dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento pessoal, em vez do trabalho, s\u00f3 se consolidou depois da Segunda Guerra Mundial. Inclusive o termo parenting (\u201ccria\u00e7\u00e3o dos filhos\u201d) s\u00f3 se tornou de uso comum na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>Esta organiza\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, baseada na individualiza\u00e7\u00e3o do cuidado, teve um impacto direto no desenvolvimento das tecnologias dom\u00e9sticas. Como explicam Hester e Srnicek, em vez de transformar de maneira integral a distribui\u00e7\u00e3o do trabalho, a inova\u00e7\u00e3o limitou-se a mecanizar tarefas pontuais. A lavagem de roupa, por exemplo, transferiu-se em maior medida para dispositivos espec\u00edficos sem alterar a l\u00f3gica geral das tarefas nem o seu sentido social.<\/p>\n<p><strong>G\u00eanero, tecnologias dom\u00e9sticas e \u201cparadoxo de Cowan\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A dimens\u00e3o de g\u00eanero aparece com nitidez neste percurso. Muitas inven\u00e7\u00f5es primitivas \u2013 como o fog\u00e3o, o tecido manufaturado ou a farinha industrializada \u2013 reduziram certas tarefas masculinas (cortar lenha, curtir couro, moer gr\u00e3o), mas ao mesmo tempo expandiram as femininas: preparar uma maior variedade de comidas, lavar pe\u00e7as mais delicadas ou responder \u00e0s novas exig\u00eancias da farinha branca. Deste modo, a inova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica aliviou o esfor\u00e7o dos homens enquanto multiplicava as obriga\u00e7\u00f5es das mulheres.<\/p>\n<p>Esta transi\u00e7\u00e3o insere-se num processo mais amplo, que Hester e Srnicek resumem com precis\u00e3o: a passagem da casa como espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o para a casa como espa\u00e7o de consumo. Nessa transforma\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica n\u00e3o funcionou como um agente libertador, mas sim como uma engrenagem que reconfigurou o trabalho sem questionar a sua reparti\u00e7\u00e3o nem o seu sentido social.<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 fundamental a recupera\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o do feminismo materialista. Seguindo a feminista italiana Mariarosa Dalla Costa, Hester e Srnicek enfatizam que \u201ca jornada de trabalho da dona de casa \u00e9 intermin\u00e1vel n\u00e3o por n\u00e3o dispor de m\u00e1quinas, mas porque est\u00e1 isolada\u201d. O diagn\u00f3stico desmonta a ideia de que a emancipa\u00e7\u00e3o dependa unicamente do aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico: o obst\u00e1culo \u00e9, antes de tudo, pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Enquanto o cuidado permanecer privatizado em lares fragmentados, nenhuma inova\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 racionalizar o trabalho nem aliviar a sobrecarga das mulheres.<\/p>\n<p>O chamado \u201cparadoxo de Cowan\u201d torna-se um ponto de apoio fundamental. Ao longo do s\u00e9culo XX, apesar da prolifera\u00e7\u00e3o de eletrodom\u00e9sticos, o tempo dedicado ao lar n\u00e3o se reduziu de maneira significativa. Segundo a historiadora do trabalho Ruth Schwartz Cowan, a introdu\u00e7\u00e3o de novas m\u00e1quinas n\u00e3o simplificou as din\u00e2micas gerais, mas manteve \u2013 e at\u00e9 incrementou \u2013 as exig\u00eancias sociais vinculadas ao cuidado: em vez de libertar tempo, redefiniu os padr\u00f5es de limpeza, ordem e aten\u00e7\u00e3o que se esperavam das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Atualmente, assinalam os autores de <em>Depois do Trabalho<\/em>, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. De fato, sustentam que \u201cnumerosos fornecedores de lares inteligentes conceberam futuros especulativos repletos de tecnologias de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o\u201d, mas sempre \u201cno marco de um mundo de habita\u00e7\u00f5es familiares individuais e de uma divis\u00e3o do trabalho em fun\u00e7\u00e3o do g\u00eanero\u201d. Inclusive ferramentas que prometiam al\u00edvio, como a bomba extratora de leite, acabaram por refor\u00e7ar a press\u00e3o para compatibilizar emprego e maternidade intensiva. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o problema n\u00e3o s\u00e3o os dispositivos em si mesmos, mas o imagin\u00e1rio social que guia a sua cria\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o e uso.<\/p>\n<p><strong>Alternativas ao tecno-otimismo, luxo p\u00fablico e comunas<\/strong><\/p>\n<p>Afastando-se do tecno-otimismo, os autores introduzem outra pergunta crucial: o que acontece quando \u2013 como em muitos trabalhos reprodutivos \u2013 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ou mesmo n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel automatizar as tarefas? A falta de respostas claras levou a assumir que as \u00fanicas alternativas s\u00e3o valorizar esses trabalhos, exalt\u00e1-los simbolicamente ou, no melhor dos casos, reparti-los com maior justi\u00e7a. Para Hester e Srnicek, essas sa\u00eddas resultam insuficientes.<\/p>\n<p>Perante este impasse, prop\u00f5em explorar caminos baseados na coopera\u00e7\u00e3o cotidiana, na ajuda m\u00fatua e em novas formas de provis\u00e3o coletiva. Esta perspectiva liga-se a uma das suas contribui\u00e7\u00f5es mais sugestivas: o conceito de luxo p\u00fablico. Em contraposi\u00e7\u00e3o ao luxo privado \u2013 associado ao consumo exclusivo \u2013, o luxo p\u00fablico designa uma infraestrutura compartilhada, gratuita e de alta qualidade que alivie a carga dom\u00e9stica e eleve a qualidade de vida. N\u00e3o se trata de acumular objetos em cada lar, mas de gerar servi\u00e7os coletivos que devolvam tempo e energia a quem hoje vive exausto.<\/p>\n<p>Embora o termo seja novo, a ideia tem antecedentes hist\u00f3ricos. A socializa\u00e7\u00e3o do cuidado foi uma das bandeiras do feminismo socialista. Neste ponto, Hester e Srnicek recuperam a experi\u00eancia das comunas sovi\u00e9ticas como um \u201cmomento not\u00e1vel de experimenta\u00e7\u00e3o\u201d frente ao modelo de habita\u00e7\u00e3o unifamiliar. A primeira comuna de Moscou inclu\u00eda cozinhas coletivas, lavandarias compartilhadas e servi\u00e7os p\u00fablicos pensados para racionalizar o trabalho dom\u00e9stico. Estas iniciativas acompanharam outras medidas do jovem Estado oper\u00e1rio, como a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e do div\u00f3rcio, a cria\u00e7\u00e3o de jardins de inf\u00e2ncia e a amplia\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as de maternidade.<\/p>\n<p>No entanto, muitas comunas foram frustradas pela falta de recursos e pela limitada aceita\u00e7\u00e3o social. O livro recorda o seu car\u00e1cter experimental, mas n\u00e3o chega a situar o seu decl\u00ednio no marco da consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo. A restaura\u00e7\u00e3o de um modelo familiar conservador, juntamente com a restri\u00e7\u00e3o do aborto e do div\u00f3rcio, formou parte de uma ofensiva reacion\u00e1ria mais ampla que desativou essa primeira tentativa de socializa\u00e7\u00e3o do cuidado.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m destas omiss\u00f5es, Hester e Srnicek advertem que a expans\u00e3o do sub\u00farbio estadunidense ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial significou a consolida\u00e7\u00e3o de um modelo oposto. A habita\u00e7\u00e3o unifamiliar tornou-se s\u00edmbolo de sucesso e de \u201cref\u00fagio contra o comunismo\u201d, no marco de uma estrat\u00e9gia ideol\u00f3gica deliberada. A casa aparecia como espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o, mas operava como tecnologia pol\u00edtica: privatizava o cuidado, fragmentava os la\u00e7os sociais, desencorajava a a\u00e7\u00e3o coletiva e produzia um \u201cdesperd\u00edcio colossal de tempo, esfor\u00e7o e trabalho humano\u201d.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es individualizadas, mulheres no mercado de trabalho e realismo dom\u00e9stico<\/strong><\/p>\n<p>Em continuidade com a sua cr\u00edtica \u00e0s solu\u00e7\u00f5es individualizadas, Hester e Srnicek rejeitam a ideia de que a desigual reparti\u00e7\u00e3o de tarefas possa resolver-se apenas ampliando a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho. Embora reconhe\u00e7am efeitos positivos \u2013 como maior autonomia material ou certa redu\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico \u2013, advertem que esta estrat\u00e9gia equivale a \u201ctrocar uma forma de sujei\u00e7\u00e3o por outra\u201d.<\/p>\n<p>Aqui, no entanto, a an\u00e1lise apresenta um vazio. Figuras como Friedrich Engels, Aleksandra Kollontai e feministas da segunda onda, citadas pelos autores, n\u00e3o se limitaram a defender a incorpora\u00e7\u00e3o das mulheres ao emprego assalariado. O seu horizonte implicava uma transforma\u00e7\u00e3o profunda das rela\u00e7\u00f5es sociais, onde a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sindical e militante permitia questionar tamb\u00e9m a esfera reprodutiva. Esse aspeto n\u00e3o aparece totalmente desenvolvido no livro.<\/p>\n<p>Hester e Srnicek assinalam, n\u00e3o obstante, que a casa e o terreno funcionam como tecnologias produtoras de subjetividade. N\u00e3o s\u00e3o apenas ativos econ\u00f4micos: induzem conformidade pol\u00edtica atrav\u00e9s de distra\u00e7\u00f5es individualizadas. Longe de responder \u00e0s urg\u00eancias das pessoas, estas configura\u00e7\u00f5es habitacionais obedecem aos imperativos do capital de plataformas. Eletrodom\u00e9sticos \u201cinteligentes\u201d, ambientes controlados por dados e objetos conectados apresentam-se como al\u00edvios ao trabalho, mas na realidade operam como dispositivos inteiramente capitalistas, desenhados para extrair lucros, informa\u00e7\u00e3o e controle.<\/p>\n<p>Inspirados em Mark Fisher, os autores identificam a\u00ed uma l\u00f3gica de \u201crealismo dom\u00e9stico\u201d: um limite que, no espa\u00e7o privado, impede imaginar modos alternativos de vida. Retomando Fredric Jameson, sugerem que hoje parece mais f\u00e1cil pensar o fim do mundo que o fim do lar tal como o conhecemos. A casa converte-se, ent\u00e3o, na \u00e2ncora de um presente sem horizonte, onde as rotinas de cuidado privatizado sustentam a reprodu\u00e7\u00e3o social do capital.<\/p>\n<p>No entanto, um dos pontos mais fr\u00e1geis do livro reside na escassa defini\u00e7\u00e3o dos seus caminhos estrat\u00e9gicos. Embora os autores sustentem a necessidade de transcender a rela\u00e7\u00e3o capital\/trabalho, n\u00e3o precisam como se poderia alcan\u00e7ar essa transforma\u00e7\u00e3o. Srnicek, coautor de <em>Inventar o Futuro<\/em> e do <em>Manifesto por uma Pol\u00edtica Aceleracionista<\/em>, tinha proposto antes medidas concretas como a redu\u00e7\u00e3o da jornada laboral, o rendimento b\u00e1sico universal e a desvincula\u00e7\u00e3o entre sal\u00e1rio e emprego. Em <em>Depois do Trabalho<\/em>, em contrapartida, o termo aceleracionismo desaparece e a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica torna-se mais amb\u00edgua: os benef\u00edcios que se projetam parecem os de uma revolu\u00e7\u00e3o, mas sem uma rutura radical com as estruturas existentes.<\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-capitalismo e transi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os autores esclarecem que preferem falar de p\u00f3s-capitalismo em vez de comunismo, devido \u00e0 \u201cbagagem hist\u00f3rica e pol\u00edtica\u201d que este \u00faltimo termo arrasta. A escolha n\u00e3o \u00e9 apenas terminol\u00f3gica: para Marx, Engels e diversas articula\u00e7\u00f5es socialistas posteriores fundadas em leituras das suas obras, qualquer reorganiza\u00e7\u00e3o profunda das condi\u00e7\u00f5es de vida requeria pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em Hester e Srnicek, em contrapartida, a aposta passa por uma reconfigura\u00e7\u00e3o institucional de grande magnitude, sem uma reflex\u00e3o clara sobre o papel do Estado nem sobre os sujeitos sociais capazes de protagonizar a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Defendem que a sociedade p\u00f3s-laboral n\u00e3o deve entender-se como um ponto de chegada ut\u00f3pico, mas sim como um \u201cprocesso prometeico intermin\u00e1vel para ampliar o \u00e2mbito da liberdade\u201d. As reformas que prop\u00f5em seriam apenas passos interm\u00e9dios, orientados a preparar o terreno para uma socializa\u00e7\u00e3o mais ampla do trabalho dom\u00e9stico. Nessa linha, sintetizam: \u201cEnquanto continuarmos a viver sob o capitalismo, o objetivo ser\u00e1 desmercantilizar a habita\u00e7\u00e3o, de modo que o acesso a uma casa segura, confi\u00e1vel e de boa qualidade n\u00e3o dependa do sal\u00e1rio\u201d. Esta posi\u00e7\u00e3o poderia constituir um eco das argumenta\u00e7\u00f5es da chamada esquerda \u201cautonomista\u201d, que ganhou relev\u00e2ncia durante a d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>A pergunta, no entanto, permanece aberta: trata-se de desenvolver uma pol\u00edtica de acumula\u00e7\u00e3o progressiva de mudan\u00e7as graduais dentro do sistema? A sua proposta de luxo p\u00fablico \u00e9 sugestiva, mas encarna essa mesma tens\u00e3o. Apresenta-se como infraestrutura transformadora, ainda que a sua implementa\u00e7\u00e3o se imagine dentro de l\u00f3gicas que n\u00e3o confrontam diretamente as estruturas de poder que perpetuam a desigualdade. Inclusive os exemplos hist\u00f3ricos que reivindicam \u2013 desde a R\u00fassia revolucion\u00e1ria at\u00e9 o Estado de bem-estar do p\u00f3s-guerra ou os experimentos comunit\u00e1rios e separatistas \u2013 refor\u00e7am essa ambiguidade entre rutura e reforma.<\/p>\n<p>No plano t\u00e9cnico, algumas afirma\u00e7\u00f5es ficam pouco desenvolvidas. \u201cUma conclus\u00e3o chave \u00e9 que n\u00e3o temos as tecnologias que merecemos\u201d, escrevem os autores. Se a t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 neutra e est\u00e1 atravessada por rela\u00e7\u00f5es sociais, que incentivo teria o capital para promover inova\u00e7\u00f5es que reduzam o tempo de trabalho, se esse tempo constitui a sua principal fonte de lucro? A contradi\u00e7\u00e3o fica planteada, embora n\u00e3o totalmente resolvida.<\/p>\n<p>Ainda com estas limita\u00e7\u00f5es, o livro conserva uma voca\u00e7\u00e3o transformadora. Oferece uma leitura do lar como bra\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o capitalista e da opress\u00e3o de g\u00eanero, historiza pr\u00e1ticas cotidianas que costumam ser naturalizadas \u2013 a limpeza, a cria\u00e7\u00e3o, a maternidade intensiva, a distribui\u00e7\u00e3o do cansa\u00e7o \u2013 e formula perguntas de enorme atualidade. \u201cO futuro do trabalho n\u00e3o \u00e9 a programa\u00e7\u00e3o, mas o cuidado\u201d, sustentam os autores, condensando uma viragem cultural e pol\u00edtica. Reivindicam, al\u00e9m disso, que o lar, habitualmente despolitizado, deve ser ressignificado como um lugar neuralgico de liberdade e disputa.<\/p>\n<p>A interse\u00e7\u00e3o entre classe, g\u00eanero e ra\u00e7a tamb\u00e9m aparece com for\u00e7a. Nos pa\u00edses de altos rendimentos, lembram, a alternativa para resolver as tarefas dom\u00e9sticas oscila entre \u201cuma m\u00e1quina custosa ou uma empregada barata\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o exp\u00f5e com crudeza as desigualdades existentes. E embora a an\u00e1lise se concentre no Reino Unido e nos Estados Unidos, os pr\u00f3prios autores admitem que est\u00e1 pendente uma hist\u00f3ria mundial e comparada da reprodu\u00e7\u00e3o social. Um marco assim permitiria examinar as tens\u00f5es espec\u00edficas do Sul global: acesso desigual \u00e0 tecnologia, sistemas de cuidado fr\u00e1geis e uma depend\u00eancia ainda mais marcada da venda da for\u00e7a de trabalho, sem redes p\u00fablicas ou privadas que amortizem a precariedade.<\/p>\n<p>A maior virtude do livro \u00e9 que ele n\u00e3o encerra o debate, mas o abre com perguntas urgentes: \u00e9 poss\u00edvel uma soberania temporal sem uma transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de fundo? Que lugar conserva a classe como categoria estrat\u00e9gica em um cen\u00e1rio marcado pelas interse\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XXI? Pode o tempo emancipar-se sem desmontar os alicerces da fam\u00edlia? Quem tomar\u00e1 o c\u00e9u de assalto, quando boa parte da sociedade segue confinada entre paredes dom\u00e9sticas?<\/p>\n<p>\u201cQuando o rel\u00f3gio se leva ao pesco\u00e7o, repousa pr\u00f3ximo \u00e0s batidas menos regulares do cora\u00e7\u00e3o\u201d. Com essa imagem, Edward P. Thompson descrevia a viol\u00eancia do tempo capitalista sobre quem \u201cn\u00e3o tem nada a perder, a n\u00e3o ser as suas correntes\u201d. Tamb\u00e9m \u2013 como sugere este livro \u2013 as correntes que atam ao tempo.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Chave pode estar no conceito de \u201cluxo p\u00fablico\u201d e em infraestruturas coletivas voltadas ao Cuidado<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/pos-capitalismo-outra-familia-e-possivel\/\">P\u00f3s-capitalismo: outra fam\u00edlia \u00e9 poss\u00edvel?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63092,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,28953,28954,6956,28955,28956],"tags":[],"class_list":["post-63091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-cuidado-invisivel","category-feminismo-e-familia","category-feminismos","category-reproducao-social-da-vida","category-soberania-temporal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63091\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}