{"id":63499,"date":"2025-11-10T18:19:13","date_gmt":"2025-11-10T21:19:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rio-milicias-chacinas-e-a-guerra-de-narrativas\/"},"modified":"2025-11-10T18:19:13","modified_gmt":"2025-11-10T21:19:13","slug":"rio-milicias-chacinas-e-a-guerra-de-narrativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rio-milicias-chacinas-e-a-guerra-de-narrativas\/","title":{"rendered":"Rio: Mil\u00edcias, chacinas e a guerra de narrativas"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1252\" height=\"822\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-10-at-18-17-43-2021-05-06t151610z-1588196164-rc2fan9247n8-rtrmadp-3-brazil-violencejpg-imagem-JPEG-1008-662-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-10-at-18-17-43-2021-05-06t151610z-1588196164-rc2fan9247n8-rtrmadp-3-brazil-violencejpg-imagem-JPEG-1008-662-pixels.png 1252w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-10-at-18-17-43-2021-05-06t151610z-1588196164-rc2fan9247n8-rtrmadp-3-brazil-violence.jpg-imagem-JPEG-1008-\u00d7-662-pixels-300x197.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Screenshot-2025-11-10-at-18-17-43-2021-05-06t151610z-1588196164-rc2fan9247n8-rtrmadp-3-brazil-violence.jpg-imagem-JPEG-1008-\u00d7-662-pixels-768x504.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1252px) 100vw, 1252px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, 5 de novembro, participei de uma manifesta\u00e7\u00e3o no Largo do Machado, no Rio de Janeiro, contra a opera\u00e7\u00e3o policial realizada na Penha e no Complexo do Alem\u00e3o no \u00faltimo dia 27 de outubro \u2014 a\u00e7\u00e3o que resultou em 131 mortos, segundo balan\u00e7os divulgados pela imprensa.<\/p>\n<p>Nos dias seguintes \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, policiais e ex-policiais ficaram exaustos de conceder entrevistas a podcasts e canais no YouTube. A narrativa imediata foi uma tentativa clara de enquadrar a opera\u00e7\u00e3o como ato heroico.<\/p>\n<p>Isso surtiu efeito na presen\u00e7a policial ostensiva durante a manifesta\u00e7\u00e3o na zona sul. Ostensiva n\u00e3o exatamente em quantidade. Atr\u00e1s dos homens do Choque, com escudos e balaclavas, estava o respaldo simb\u00f3lico das pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica. E isso os tornava gigantes.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15-1.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/15-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Enquanto caminhava nessa zona fronteiri\u00e7a entre as pessoas que protestavam e os policiais, ouvi elogios e cumprimentos dirigidos aos PMs: transeuntes paravam para dizer que a Pol\u00edcia do Rio era \u201ca melhor preparada do Brasil\u201d. A cena, diante de uma opera\u00e7\u00e3o que havia deixado mais de uma centena de mortos, parecia conter algo mais profundo do que o apoio imediato \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naquele momento, algumas informa\u00e7\u00f5es se entrela\u00e7avam e me permitiram compreender que a opera\u00e7\u00e3o \u2014 ou chacina \u2014 n\u00e3o pretendia somente combater crime organizado nas favelas, que h\u00e1 d\u00e9cadas atinge propor\u00e7\u00f5es brutais. A a\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m um gesto de poder pol\u00edtico e de dom\u00ednio comunicacional. E ela evidencia uma estrutura \u2014 que vem sendo constru\u00edda ao longo dos \u00faltimos anos \u2014 e se ergue, neste momento, como um transformer.<\/p>\n<p>No ano passado, entrevistei Leonardo Novo, ent\u00e3o vinculado \u00e0 Superintend\u00eancia da Secretaria Estadual da Pol\u00edcia Militar, que afirmou: vivemos uma guerra b\u00e9lica, jur\u00eddica e tamb\u00e9m comunicacional.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa terceira dimens\u00e3o \u2014 a comunicacional \u2014 que algo novo parece se desenhar. Logo ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o, \u201cinfluenciadores policiais\u201d passaram a ocupar os espa\u00e7os da m\u00eddia e das redes sociais, explicando a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Figuras como Rodrigo Pimentel, ex-capit\u00e3o do BOPE e coautor de Tropa de Elite, tornaram-se mediadores dessa l\u00f3gica militarizada. Canais como Flow Podcast, Intelig\u00eancia Ltda., P\u00e2nico Jovem Pan, Revista Oeste, CNN e Metr\u00f3poles exploraram a autoridade simb\u00f3lica da vers\u00e3o real associada ao personagem da fic\u00e7\u00e3o. Era como se o Capit\u00e3o Nascimento dialogasse diretamente com os anseios de uma popula\u00e7\u00e3o que sofre cotidianamente extors\u00f5es diversas \u2014 do g\u00e1s \u00e0 internet, da moradia aos servi\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Nessas entrevistas, ele e outras figuras aproveitaram para atacar jornalistas e acusar defensores de direitos humanos por n\u00e3o conhecer a realidade das favelas, ou mesmo \u201cfechar os olhos\u201d, \u201cpassar pano\u201d ou mesmo apoiar criminosos.<\/p>\n<p>Estava claro que a disputa por legitimidade se dava menos nas ruas e mais na guerra de narrativas.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/728x90-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/728x90-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>De fato, uma boa parte da sociedade n\u00e3o conhece as favelas \u2014 diferentemente da pol\u00edcia, que nelas atua h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em 2023, participei de um debate na EMERJ (Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro) com jornalistas, pesquisadores, promotores e defensores p\u00fablicos que acompanham o tema da seguran\u00e7a h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas. A mesa se dividia entre os que viam no tr\u00e1fico e os que viam na mil\u00edcia o principal c\u00e2ncer do Estado. Mas todos foram un\u00e2nimes em reconhecer uma realidade: O controle territorial \u00e9 t\u00e3o absoluto que n\u00e3o conseguimos atuar.<\/p>\n<p>Uma defensora p\u00fablica relatou receber cerca de 50 pedidos de ajuda diariamente de moradores extorquidos por milicianos ou traficantes. E foi perempt\u00f3ria ao concluir: \u201cn\u00e3o podemos fazer nada.\u201d A narrativa era corroborada por uma funcion\u00e1ria da Ouvidoria do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio (TJRJ), que me contou, em outro momento, que a maioria das reclama\u00e7\u00f5es recebidas envolve perda de im\u00f3veis e extors\u00f5es. Durante o evento na EMERJ, j\u00e1 se observava a retomada de \u00e1reas de mil\u00edcias pelo Comando Vermelho \u2014 um cen\u00e1rio de reorganiza\u00e7\u00e3o violenta das for\u00e7as locais.<\/p>\n<p>Nesse ponto \u00e9 dif\u00edcil discordar da pol\u00edcia: o Estado perdeu o controle sobre amplas parcelas do territ\u00f3rio. O que chama a aten\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 que a corpora\u00e7\u00e3o policial parece construir uma autonomia in\u00e9dita.<\/p>\n<p>Acompanhando podcasts e canais de YouTube feitos por ex-policiais ou policiais \u2014 como o Fala Guerreiro e o Fala Glauber \u2014 observei que alguns desses \u201cinfluenciadores da PM\u201d, em determinados momentos, cobraram uma atua\u00e7\u00e3o mais severa de Castro, mais alinhada com o pensamento da pol\u00edcia. Vale lembrar que Castro \u00e9 conhecido na cidade por sua rela\u00e7\u00e3o com setores ligados \u00e0 mil\u00edcia. O tom desses programas parecia sugerir uma autonomia maior da pol\u00edcia, que se distanciava ao mesmo tempo em que criticava o Estado \u2014 n\u00e3o para recus\u00e1-lo, at\u00e9 porque ela \u00e9 o bra\u00e7o do Estado em a\u00e7\u00e3o \u2014, mas para negociar com ele e se instituir enquanto poder paralelo. A opera\u00e7\u00e3o da Penha pode ter sido uma demonstra\u00e7\u00e3o dessa nova fase.<\/p>\n<p>O que a narrativa policial tenta apagar \u00e9 que o crime se estruturou no Rio com a coniv\u00eancia de setores da pr\u00f3pria pol\u00edcia. Na entrevista que me concedeu, Leonardo Novo evitou usar o termo \u201cmil\u00edcia\u201d, sob a justificativa de que hoje ela e o tr\u00e1fico \u201cfazem as mesmas coisas\u201d: exploram servi\u00e7os b\u00e1sicos e vendem drogas. Mas omitir \u00e9 apagar as ramifica\u00e7\u00f5es que o termo guarda \u2014 a rela\u00e7\u00e3o da PM com o crime. A atua\u00e7\u00e3o de Ronnie Lessa, Adriano da N\u00f3brega, entre outros, n\u00e3o nos deixa esquecer.<\/p>\n<p>O cinema explorou a corrup\u00e7\u00e3o policial com precis\u00e3o. Em Tropa de Elite 1 e 2, Jos\u00e9 Padilha mostrou a viol\u00eancia policial em sua dimens\u00e3o mais crua \u2014 espancamentos, tortura com sacos pl\u00e1sticos, amea\u00e7as de estupro com cabos de vassoura, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e os \u201carregos\u201d di\u00e1rios, o caixa dois da seguran\u00e7a p\u00fablica. Padilha pesquisou a fundo a corrup\u00e7\u00e3o policial e pol\u00edtica no Brasil para retrat\u00e1-la em seus filmes. O tema foi evidenciado em \u00d4nibus 174, Tropa de Elite 1 e 2 e na s\u00e9rie O Mecanismo.<\/p>\n<p>Casos recentes refor\u00e7am essa zona cinzenta entre poder policial e crime organizado. Em 2022, a ju\u00edza Tula Corr\u00eaa de Mello e seu marido, o policial do CORE Marquini, foram fotografados em uma festa de fim de ano \u2014 ou de Natal \u2014 na casa de Marcelo Cupim, chefe da contraven\u00e7\u00e3o na Zona Norte. Cupim mantinha fortes liga\u00e7\u00f5es com milicianos como Marquinhos Catrini. Questionada pelo jornal Extra, a ju\u00edza respondeu:<\/p>\n<p>\u201cMeu filho e a filha dele estudaram no mesmo col\u00e9gio. N\u00e3o costumo pedir a FAC das pessoas que conhe\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>Cupim foi preso em 2023, ap\u00f3s ter ficado foragido desde o ano anterior. A justificativa da ju\u00edza soa fr\u00e1gil diante do cargo do marido: o CORE, tropa de elite da Pol\u00edcia Civil, \u00e9 reconhecido pelo rigor t\u00e9cnico e pela atua\u00e7\u00e3o em investiga\u00e7\u00f5es complexas. Seu s\u00edmbolo \u00e9 o falc\u00e3o \u2014 \u201co animal que tudo v\u00ea\u201d \u2014 lema que sugere intelig\u00eancia, lideran\u00e7a e vigil\u00e2ncia. Marquini, segundo colegas, n\u00e3o era um policial qualquer, mas uma refer\u00eancia dentro da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa tentativa de reescrever parte de sua hist\u00f3ria recente, esses mesmos \u201cinfluencers policiais\u201d tamb\u00e9m transformam jornalistas em alvos de desinforma\u00e7\u00e3o. A narrativa de que a imprensa \u201cdefende bandidos\u201d ou \u201cn\u00e3o noticia o terror imposto por fac\u00e7\u00f5es criminosas\u201d ignora que Tim Lopes morreu investigando o tr\u00e1fico; que Caco Barcellos escreveu Abusado e Rota 66; que Bruno Paes Manso, Rafael Soares e Vera Ara\u00fajo documentaram o avan\u00e7o das mil\u00edcias e o assassinato de Marielle Franco; e que rep\u00f3rteres do O Dia foram torturados em 2008 por milicianos \u2014 epis\u00f3dio que originou a CPI das Mil\u00edcias.<\/p>\n<p>Seria mais coerente que as cr\u00edticas fossem dirigidas \u00e0s empresas de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aos jornalistas que, muitas vezes sob risco de vida, persistem em narrar o que o poder tenta silenciar. A maioria deles n\u00e3o enriquece com isso. Continuam escrevendo por convic\u00e7\u00e3o \u2014 e por compreender que a imprensa \u00e9 um dos pilares da democracia, que, por mais imperfeita que seja, ainda \u00e9 o melhor jogo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Outro dado importante neste momento \u00e9 a aus\u00eancia de transpar\u00eancia da Secretaria Estadual da Pol\u00edcia Militar (SEPM) do Rio de Janeiro. Descobri, no ano passado, conversando com a ju\u00edza titular do II Tribunal do J\u00fari, que n\u00e3o temos dados sobre o n\u00famero de policiais militares que v\u00e3o a j\u00fari popular \u2014 como r\u00e9us ou como v\u00edtimas. De setembro do ano passado a dezembro, pedi, via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI), esses dados junto ao Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro (TJRJ) e \u00e0 SEPM. O TJRJ respondeu que o sistema n\u00e3o registra as partes pela profiss\u00e3o, mesmo se tratando de um agente do Estado. E a SEPM disse n\u00e3o ter esses n\u00fameros. Seria o mesmo que confessar que o Estado n\u00e3o tem controle algum sobre a atua\u00e7\u00e3o de seus agentes \u2014 o que claramente n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>A Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) \u2014 Lei n\u00ba 12.527\/2011 \u2014 \u00e9 um dos pilares da transpar\u00eancia p\u00fablica no Brasil. Ela concretiza o direito constitucional de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, previsto no artigo 5\u00ba, inciso XXXIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que garante a qualquer cidad\u00e3o o direito de receber dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos informa\u00e7\u00f5es de interesse coletivo ou particular.<\/p>\n<p>Independentemente disso, pesquisas recentes (Quest) mostram que mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o apoia a\u00e7\u00f5es de exterm\u00ednio como solu\u00e7\u00e3o final para o crime \u2014 talvez cansada do terror cotidiano. O que constitui um paradoxo.<\/p>\n<p>Contudo, mais de 40% reivindicam como solu\u00e7\u00e3o o acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas e direitos b\u00e1sicos \u2014 saneamento, moradia, sa\u00fade \u2014 direitos que come\u00e7aram a ser estruturados nas primeiras gest\u00f5es de Lula, mas nunca se consolidaram como pol\u00edtica de Estado, especialmente no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Talvez o verdadeiro enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia n\u00e3o se d\u00ea por meio das armas, mas pela afirma\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda capazes de reconstruir o tecido social. Porque o que est\u00e1 em disputa, no fundo, n\u00e3o \u00e9 apenas o territ\u00f3rio, mas a pr\u00f3pria ideia de que a vida seja poss\u00edvel \u2014 e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Nas ruas, manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 a\u00e7\u00e3o se chocavam aos elogios \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o. Algo parece se repetir \u2013 que entrela\u00e7a o crime, pol\u00edcias e os \u201cher\u00f3is de farda\u201d <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/rio-milicias-chacinas-e-a-guerra-de-narrativas\/\">Rio: Mil\u00edcias, chacinas e a guerra de narrativas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63500,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[29293,27644,3003,27402,6455,29294,6007,10976,29295,70,5651,29296,29297,506],"tags":[],"class_list":["post-63499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitao-nascimento","category-chacina-do-rio","category-claudio-castro","category-complexo-da-penha","category-complexo-do-alemao","category-core","category-crise-brasileira","category-lei-de-acesso-a-informacao","category-massacre-do-rio","category-milicias","category-policia-civil","category-secretaria-estadual-da-policia-militar","category-tropa-de-elite","category-violencia-policial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63499\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}