{"id":63765,"date":"2025-11-11T16:52:43","date_gmt":"2025-11-11T19:52:43","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/50-anos-da-independencia-de-angola\/"},"modified":"2025-11-11T16:52:43","modified_gmt":"2025-11-11T19:52:43","slug":"50-anos-da-independencia-de-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/50-anos-da-independencia-de-angola\/","title":{"rendered":"50 anos da Independ\u00eancia de Angola"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, em 11 de novembro de 1975, Angola conquistava sua independ\u00eancia de Portugal, ap\u00f3s ser submetida a mais de quatro s\u00e9culos de ocupa\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio colonial.<\/p>\n<p>A luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional foi longa e marcada por intensos conflitos. A guerra colonial se arrastou por 13 anos, opondo o governo portugu\u00eas a tr\u00eas movimentos guerrilheiros: o MPLA, a FNLA e a UNITA.<\/p>\n<p>Esses grupos, embora unidos pelo objetivo comum de p\u00f4r fim ao dom\u00ednio portugu\u00eas, divergiam profundamente em ideologias, composi\u00e7\u00f5es e alian\u00e7as internacionais, o que acabou por dividir o movimento anticolonial.<\/p>\n<p>O processo de independ\u00eancia foi impulsionado pela Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, ocorrida em Portugal em 1974, que derrubou a ditadura do Estado Novo e abriu caminho para a autonomia das col\u00f4nias africanas.<\/p>\n<p>Assumindo o governo angolano, Agostinho Neto, l\u00edder do MPLA, tentou implementar uma gest\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o socialista, mas foi confrontado pelos demais movimentos. Seguiu-se uma violenta guerra civil que durou 27 anos e deixou centenas de milhares de mortos.<\/p>\n<h3>A coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa<\/h3>\n<p>At\u00e9 o fim do s\u00e9culo 15, o territ\u00f3rio hoje correspondente a Angola era habitado por diversos povos e grupos \u00e9tnicos, sobretudo de origem Bantu, organizados em torno de estruturas pol\u00edticas de car\u00e1ter mon\u00e1rquico, como os reinos de Congo e Dongo. A chegada dos europeus deu in\u00edcio a um violento processo de enfraquecimento e desagrega\u00e7\u00e3o dessas estruturas, que foram gradualmente enfraquecidas, subjugadas e dissolvidas.<\/p>\n<p>As primeiras incurs\u00f5es portuguesas a Angola remontam a 1482, quando o navegador Diogo C\u00e3o chegou \u00e0 foz do Rio Congo e estabeleceu contato com as autoridades locais. O processo de coloniza\u00e7\u00e3o se intensificou a partir de 1576, quando Paulo Dias de Novais fundou Luanda. A cidade serviria de base para as expedi\u00e7\u00f5es ao interior, permitindo a prolifera\u00e7\u00e3o das feitorias e postos comerciais controlados pela coroa portuguesa.<\/p>\n<p>Entre os s\u00e9culos 16 e meados do s\u00e9culo 19, Angola seria utilizada principalmente como centro fornecedor de m\u00e3o de obra escravizada. Milh\u00f5es de nativos angolanos foram capturados e submetidos ao trabalho for\u00e7ado no Brasil e nas demais col\u00f4nias europeias do continente americano.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia do Brasil em 1822, no entanto, fez com que Angola se convertesse na principal fonte de recursos do Imp\u00e9rio Portugu\u00eas. A ocupa\u00e7\u00e3o colonial foi refor\u00e7ada e as expedi\u00e7\u00f5es se proliferaram. A Confer\u00eancia de Berlim (1884-1885) referendou o dom\u00ednio colonial de Portugal sobre o territ\u00f3rio angolano, legitimando uma s\u00e9rie de campanhas militares brutais contra os povos nativos, como os Ovimbundo, os Kwanyama e os Bakongo.<\/p>\n<p>As ofensivas militares foram marcadas por in\u00fameros massacres, realoca\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e expropria\u00e7\u00e3o de terras em larga escala. Os povos origin\u00e1rios tamb\u00e9m sofriam com o trabalho for\u00e7ado. Embora a escravid\u00e3o estivesse formalmente abolida desde 1878, os angolanos seguiram submetidos a regimes de trabalho compuls\u00f3rio at\u00e9 meados do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>O governo portugu\u00eas tamb\u00e9m instituiu o \u201cregime do indigenato\u201d, institucionalizando a segrega\u00e7\u00e3o racial. O sistema estabelecia uma hierarquia entre os povos locais, concedendo alguns direitos civis b\u00e1sicos somente aos chamados \u201cassimilados\u201d, \u2014 os angolanos que falavam portugu\u00eas e seguiam a f\u00e9 crist\u00e3 e os costumes dos colonizadores \u2014 excluindo parte substancial da popula\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<h3>O movimento anticolonial<\/h3>\n<p>Desde a chegada dos portugueses, os povos angolanos resistiram de diversas formas \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o e ao dom\u00ednio pol\u00edtico, econ\u00f4mico e cultural imposto pela metr\u00f3pole. Ainda no s\u00e9culo 17, Mwene Nzinga Mbandi, a rainha de Matamba, comandou uma aguerrida luta contra as tropas coloniais.<\/p>\n<p>A expropria\u00e7\u00e3o de terras, a cobran\u00e7a abusiva de impostos e a imposi\u00e7\u00e3o do trabalho for\u00e7ado motivaram o surgimento de grandes insurrei\u00e7\u00f5es camponesas entre os s\u00e9culos 19 e 20, incluindo a Revolta dos Dembos, a Revolta do Bailundo e o Levante dos Ovambo. A viol\u00eancia extrema empregada por Portugal no combate a esses movimentos evidenciou ainda mais a legitimidade da luta anticolonial.<\/p>\n<p>A conjuntura estabelecida ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Segunda Guerra Mundial favoreceu a eclos\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00f5es nacionalistas. O enfraquecimento das pot\u00eancias europeias abriu espa\u00e7o para o surgimento de movimentos anticoloniais bem articulados nos territ\u00f3rios ocupados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a discuss\u00e3o sobre os horrores perpetrados pelos regimes nazifascistas levantou s\u00f3lidos questionamentos sobre a legitimidade da coloniza\u00e7\u00e3o e o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos foi referendado pela Carta da ONU. Ap\u00f3s a Confer\u00eancia de Bandung (1955), uma s\u00e9rie de levantes independentistas armados eclodiram na \u00c1frica e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Em Angola, intelectuais como Viriato da Cruz organizaram movimentos de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura aut\u00f3ctone e lan\u00e7aram campanhas internacionais de condena\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio colonial portugu\u00eas. Em 1953, foi criado o Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUA), o primeiro partido pol\u00edtico a reivindicar a independ\u00eancia angolana.<\/p>\n<p>Dois anos depois, em 1955, os irm\u00e3os Joaquim e M\u00e1rio Pinto de Andrade fundaram o Partido Comunista Angolano (PCA). Em 10 de dezembro de 1956, PCA e PLUA se fundiram para formar o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA), que se consolidaria como a principal organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia angolana.<\/p>\n<p>O MPLA era uma organiza\u00e7\u00e3o marxista-leninista, com forte presen\u00e7a nos n\u00facleos urbanos e composi\u00e7\u00e3o multi\u00e9tnica, embora predominassem os angolanos Mbundos. O m\u00e9dico Agostinho Neto assumiu a dire\u00e7\u00e3o do movimento e o poeta Viriato da Cruz, uma das principais lideran\u00e7as do PCA, tornou-se secret\u00e1rio geral da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do MPLA, Angola contava com outros dois importantes movimentos independentistas. Em 1954, foi fundada a Uni\u00e3o dos Povos de Angola (UPA), organiza\u00e7\u00e3o liderada por Holden Roberto. Era composta predominantemente pelos Bakongo e tinha um forte car\u00e1ter rural. Em 1962, a UPA se uniu ao Partido Democr\u00e1tico de Angola, formando a Frente Nacional de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (FNLA), que evoluiria para se tornar uma agremia\u00e7\u00e3o conservadora e anticomunista.<\/p>\n<p>Em 1966, foi criada a Uni\u00e3o Nacional para a Independ\u00eancia Total de Angola (UNITA), uma dissid\u00eancia da FNLA liderada por Jonas Savimbi, congregando sobretudo o povo Ovimbundu. A princ\u00edpio, a UNITA chegou a agregar n\u00facleos substanciais de nacionalistas de esquerda, mas tamb\u00e9m se consolidou como uma organiza\u00e7\u00e3o conservadora.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-237430\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0.webp\" alt=\"\" width=\"1320\" height=\"785\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0.webp 1320w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0-300x178.webp 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0-1024x609.webp 1024w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0-768x457.webp 768w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0-150x89.webp 150w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0-750x446.webp 750w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d2ce591a-38af-4549-845b-289933d3e7d0-1140x678.webp 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1320px) 100vw, 1320px\"><figcaption>Guerrilheiros ativos na luta pela independ\u00eancia angolana <br \/>Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A Guerra de Independ\u00eancia<\/h3>\n<p>A repress\u00e3o \u00e0 Greve da Baixa do Cassange marcou o in\u00edcio da luta armada contra o dom\u00ednio colonial portugu\u00eas. A greve teve in\u00edcio em 4 de janeiro de 1961, quando os trabalhadores da Companhia Geral dos Algod\u00f5es cruzaram os bra\u00e7os para exigir melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sal\u00e1rios dignos, o fim dos castigos f\u00edsicos e do trabalho for\u00e7ado.<\/p>\n<p>As autoridades portuguesas responderam com enorme brutalidade, enviando as For\u00e7as Armadas para reprimir a paralisa\u00e7\u00e3o. Os militares portugueses realizaram bombardeios a\u00e9reos sobre a regi\u00e3o do Cassange, jogando bombas incendi\u00e1rias e napalm nos povoados. Mais de 10.000 pessoas foram mortas durante a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O massacre enfureceu os angolanos, que deram in\u00edcio \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de enfrentamento armado e guerrilha. Em 4 de fevereiro de 1961, militantes do movimento independentista realizaram um ataque \u00e0 Casa de Reclus\u00e3o e outras instala\u00e7\u00f5es coloniais em Luanda, visando libertar prisioneiros pol\u00edticos. Novamente, os portugueses retaliaram de forma implac\u00e1vel, assassinando mais de 3.000 pessoas.<\/p>\n<p>Ainda em 1961, a FNLA lan\u00e7ou um potente ataque ao norte de Angola, logrando obter o controle sobre algumas regi\u00f5es nas prov\u00edncias de U\u00edge e Zaire. Portugal respondeu lan\u00e7ando a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Viriato\u201d, um campanha com 30.000 soldados que conseguiu for\u00e7ar os guerrilheiros ao recuo.<\/p>\n<p>As tentativas do MPLA de criar uma frente \u00fanica contra as for\u00e7as coloniais fracassaram em fun\u00e7\u00e3o das profundas diverg\u00eancias pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas entre as organiza\u00e7\u00f5es angolanas \u2014 que, em determinados momentos, passaram mais tempo lutando entre si do que contra Portugal.<\/p>\n<p>As diverg\u00eancias se aprofundaram ainda mais com a internacionaliza\u00e7\u00e3o do conflito, projetando sobre a luta anticolonial as particularidades da Guerra Fria. Enquanto o MPLA recebia apoio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e de Cuba, a FNLA e a UNITA contavam com o respaldo dos Estados Unidos e do governo da \u00c1frica do Sul, ent\u00e3o sob regime do apartheid.<\/p>\n<p>Sob a coordena\u00e7\u00e3o de Agostinho Neto, o MPLA intensificou as atividades de guerrilha, conseguindo importantes avan\u00e7os com as frentes de Cabinda e do Leste de Angola. Nos territ\u00f3rios libertados, o MPLA inaugurava creches, escolas, cl\u00ednicas m\u00e9dicas e servi\u00e7os de apoio aos camponeses, angariando crescente apoio popular \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portugal detinha superioridade num\u00e9rica de tropas (em propor\u00e7\u00e3o superior a 2 por 1) e mais recursos b\u00e9licos. Desde que Lyndon Johnson assumira a Casa Branca, Lisboa tamb\u00e9m passou a contar com o apoio discreto dos Estados Unidos e do regime sul-africano.<\/p>\n<p>Apesar disso, as tropas portuguesas tiveram muita dificuldade em responder \u00e0s estrat\u00e9gias de guerrilha empregadas pelos movimentos angolanos. Tendo de se adaptar aos enfrentamentos n\u00e3o convencionais e sem conhecimento do terreno, os soldados portugueses foram perdendo gradualmente as vantagens que possu\u00edam no in\u00edcio do conflito. No fim dos anos 60, parte substancial do territ\u00f3rio angolano j\u00e1 n\u00e3o estava sob dom\u00ednio de Portugal.<\/p>\n<h3>Independ\u00eancia<\/h3>\n<p>A Guerra de Independ\u00eancia se prolongou por 13 anos, causando enorme devasta\u00e7\u00e3o e deixando milhares de v\u00edtimas. Em Portugal, o conflito tamb\u00e9m era cada vez mais impopular. Os gastos militares eram exorbitantes, chegando a representar mais de 40% do or\u00e7amento nacional. A guerra colonial se tornou mais um forte fator de descontentamento da popula\u00e7\u00e3o portuguesa com o regime autorit\u00e1rio do Estado Novo.<\/p>\n<p>Em 25 de abril de 1974, setores progressistas das For\u00e7as Armadas de Portugal depuseram o presidente Marcello Caetano, sucessor de Salazar, no evento conhecido como Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. Com a posse de um novo governo de inspira\u00e7\u00e3o socialista em Portugal, a pauta da descoloniza\u00e7\u00e3o finalmente come\u00e7ou a avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meses de negocia\u00e7\u00f5es, os Acordos de Alvor foram assinados em 15 de janeiro de 1975 entre o governo portugu\u00eas e representantes do MPLA, da FNLA e da UNITA. O documento estabelecia a forma\u00e7\u00e3o de um governo de transi\u00e7\u00e3o conjunto com participa\u00e7\u00e3o proporcional dos tr\u00eas grupos, a integra\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas guerrilheiras no ex\u00e9rcito nacional.<\/p>\n<p>Em 11 de novembro de 1975, Agostinho Neto proclamou a independ\u00eancia de Angola. Ele tamb\u00e9m foi nomeado primeiro presidente do pa\u00eds. Agostinho implementou um governo de orienta\u00e7\u00e3o socialista, decretando a expropria\u00e7\u00e3o de terras e propriedades dos antigos colonos, nacionalizando bancos e ind\u00fastrias e dando in\u00edcio a uma s\u00e9rie de reformas.<\/p>\n<h3>Guerra Civil<\/h3>\n<p>Os demais movimentos n\u00e3o aceitaram a legitimidade do governo do MPLA, dando in\u00edcio \u00e0 Guerra Civil Angolana \u2014 na pr\u00e1tica, um dos conflitos \u201cpor procura\u00e7\u00e3o\u201d provenientes da polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da Guerra Fria, opondo os blocos capitalista e socialista.<\/p>\n<p>O MPLA continuou sendo apoiado por Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Cuba, ganhando ainda o endosso de Mo\u00e7ambique e da Alemanha Oriental. Do outro lado, FNLA e UNITA, congregando setores anticomunistas, liberais e conservadores, se uniram em um bloco apoiado por Estados Unidos e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Paralelamente, o MPLA se fragmentou com uma s\u00e9rie de dissid\u00eancias internas que, somadas \u00e0s tentativas de golpes de Estado, minaram a estabilidade necess\u00e1ria para quaisquer avan\u00e7os na concretiza\u00e7\u00e3o de sua agenda.<\/p>\n<p>O primeiro per\u00edodo da Guerra Civil Angolana durou de 1975 a 1991. Ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o MPLA passou por transforma\u00e7\u00f5es profundas, abdicando da orienta\u00e7\u00e3o marxista e passando a se posicionar como um partido socialdemocrata.<\/p>\n<p>Angola adotou um sistema pol\u00edtico multipartid\u00e1rio. Em 1992, foram realizadas as primeiras elei\u00e7\u00f5es presidenciais e parlamentares, vencidas pelo candidato do MPLA, Jos\u00e9 Eduardo dos Santos. A UNITA n\u00e3o aceitou os resultados e retomou a Guerra Civil, que transcorreu em mais dois per\u00edodos: de 1992 a 1994 e de 1998 a 2002.<\/p>\n<p>A Guerra Civil foi encerrada com a assinatura de um tratado de paz em 2002, ap\u00f3s os acordos de Luena. As elei\u00e7\u00f5es de 2008, 2012 e 2017 foram realizadas em clima de paz e reconhecidas como leg\u00edtimas pelos principais movimentos pol\u00edticos angolanos.<\/p>\n<p>Mesmo tendo decrescido nas duas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, o MPLA segue como principal for\u00e7a pol\u00edtica no pa\u00eds, tendo conseguido reeleger Jo\u00e3o Louren\u00e7o para a presid\u00eancia no \u00faltimo pleito. A UNITA, no entanto, n\u00e3o reconheceu o resultado.<\/p>\n<p>Ao todo, a Guerra Civil Angolana se arrastou por 27 anos. As estimativas sobre o n\u00famero de mortos no conflito variam entre 500 mil e dois milh\u00f5es de pessoas. A destrui\u00e7\u00e3o da economia, da infraestrutura e da oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos segue impactando fortemente o pa\u00eds at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O post 50 anos da Independ\u00eancia de Angola apareceu primeiro em Opera Mundi.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-avanca-no-caminho-do-desenvolvimento-inclusivo-apontam-senadores\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil avan\u00e7a no caminho do desenvolvimento inclus...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/se-programe-pela-agenda-de-cultura-da-ultima-semana-de-marco-aqui-no-bdf-pr\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Se programe pela Agenda de Cultura da \u00faltima seman...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/boca-de-urna-aponta-vitoria-dos-conservadores-na-alemanha\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Boca de urna aponta vit\u00f3ria dos conservadores na A...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/politica\/2025\/11\/daiana-santos-articula-apoios-a-projeto-de-lei-da-escala-5x2\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Daiana Santos articula apoios a projeto de lei da ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, em 11 de novembro de 1975, Angola conquistava sua independ\u00eancia de Portugal, ap\u00f3s ser submetida a mais de quatro s\u00e9culos de ocupa\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio colonial. A luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional foi longa e marcada por intensos conflitos. A guerra colonial se arrastou por 13 anos, opondo o governo portugu\u00eas a tr\u00eas movimentos [\u2026]<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/pensar-a-historia\/50-anos-da-independencia-de-angola\/\">50 anos da Independ\u00eancia de Angola<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63766,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1917,1918,9279,5622,505],"tags":[],"class_list":["post-63765","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agostinho-neto","category-angola","category-independencia","category-pensar-a-historia","category-portugal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63765\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}