{"id":63944,"date":"2025-11-12T19:00:45","date_gmt":"2025-11-12T22:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/divida-e-juros-quatro-decadas-de-um-beco-sem-saida\/"},"modified":"2025-11-12T19:00:45","modified_gmt":"2025-11-12T22:00:45","slug":"divida-e-juros-quatro-decadas-de-um-beco-sem-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/divida-e-juros-quatro-decadas-de-um-beco-sem-saida\/","title":{"rendered":"D\u00edvida e juros: Quatro d\u00e9cadas de um beco sem sa\u00edda"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1165\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pag03_Le_Monde_Edicao_210_Editorial_Claudius-2048x1591-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pag03_Le_Monde_Edicao_210_Editorial_Claudius-2048x1591-1-1500x1165.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pag03_Le_Monde_Edicao_210_Editorial_Claudius-2048x1591-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pag03_Le_Monde_Edicao_210_Editorial_Claudius-2048x1591-1-768x597.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pag03_Le_Monde_Edicao_210_Editorial_Claudius-2048x1591-1-1536x1193.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pag03_Le_Monde_Edicao_210_Editorial_Claudius-2048x1591-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Claudius<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os anos 1980 e meados dos 1990 marcam um per\u00edodo em que a\u00a0d\u00edvida p\u00fablica se tornou uma esp\u00e9cie de ref\u00e9m da hiperinfla\u00e7\u00e3o. O Brasil enfrentava infla\u00e7\u00e3o acelerada \u2014 especialmente ap\u00f3s os choques de pre\u00e7o do petr\u00f3leo na d\u00e9cada de 1970 \u2014 e a d\u00edvida p\u00fablica era financiada atrav\u00e9s de instrumentos de curt\u00edssimo prazo, com forte indexa\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa b\u00e1sica de juros e, frequentemente, \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Esta combina\u00e7\u00e3o era guiada por uma l\u00f3gica perversa: quando a infla\u00e7\u00e3o disparava, os juros subiam para cont\u00ea-la, o que automaticamente aumentava o custo de rolagem da d\u00edvida. Diferentemente dos dias atuais, a infla\u00e7\u00e3o realmente era muito alta: no ano de 1993, por exemplo, que precedeu o ano de implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real, a infla\u00e7\u00e3o chegou a 2.477,15%, medida pelo IPCA-IBGE. Com o processo de indexa\u00e7\u00e3o, a d\u00edvida p\u00fablica tornou-se um\u00a0mecanismo de transmiss\u00e3o de instabilidade\u00a0para toda a economia.<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o galopante inviabilizava fazer planejamento de m\u00e9dio e longo prazos. Com infla\u00e7\u00e3o que, em alguns per\u00edodos, chegou a 1,5% ao dia, as empresas se limitavam a tentar proteger o valor do seu capital. Havia um tipo de aplica\u00e7\u00e3o financeira, por exemplo, chamada de <em>overnight<\/em>\u00a0(da noite para o dia), com prazo de apenas um dia \u00fatil, com rentabilidade equivalente as taxas de juros di\u00e1rias, extremamente altas para acompanhar a infla\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, as empresas maiores, os ricos, e a classe m\u00e9dia, conseguiam preservar seu capital de forma relativamente segura, mas o grosso da popula\u00e7\u00e3o ficava \u00e0 merc\u00ea da queda cont\u00ednua e r\u00e1pida do seu poder aquisitivo. A superinfla\u00e7\u00e3o funcionava como uma esp\u00e9cie de mecanismo extra de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Nesse ambiente, a d\u00edvida p\u00fablica consumia recursos que tirava do sistema a capacidade de investir na produ\u00e7\u00e3o e no aumento da produtividade. A d\u00edvida tinha que ser constantemente refinanciada a taxas crescentes, consumindo recursos p\u00fablicos atrav\u00e9s dos juros elevados e protegendo os detentores dos t\u00edtulos p\u00fablicos.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15-1-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15-1-5.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/15-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Com a chegada do Plano Real, em 1994, que fixou a taxa de c\u00e2mbio (pol\u00edtica que foi mantida at\u00e9 1999), a d\u00edvida continuou indexada ao d\u00f3lar. Para estabilizar a infla\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma \u00e2ncora cambial, foi necess\u00e1rio aceitar uma\u00a0d\u00edvida mais cara. Entre 1995 e 1998, a\u00a0taxa m\u00e9dia de juros real (Selic menos a infla\u00e7\u00e3o) foi de aproximadamente 22% ao ano. No per\u00edodo de 1995 e 1998 a taxa chegou a aproximadamente\u00a030% ao ano. Nesse per\u00edodo a taxa de juros real brasileira era\u00a0a mais alta do mundo\u00a0em termos reais. Em\u00a01999, a taxa de juros chegou a\u00a045% ao ano\u00a0em termos nominais, para uma IPCA-IBGE de 8,94%. Ou seja, o pa\u00eds tinha uma taxa de juros reais de 36%., o que tornava quase imposs\u00edvel o investimento produtivo. Na realidade, era uma combina\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica macroecon\u00f4mica para matar qualquer ambi\u00e7\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Em 18 de janeiro de 1999 o governo anunciou a ado\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio flutuante. At\u00e9 ent\u00e3o, o Brasil operava com uma \u00e2ncora cambial, ou seja, o regime de c\u00e2mbio fixo. Em fun\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a, o pre\u00e7o do d\u00f3lar disparou. No in\u00edcio de janeiro a moeda estava cotada em torno de R$ 1,20 e, ao final do m\u00eas, tinha chegado a R$ 2,10, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do real de cerca de 75% em poucos dias. No in\u00edcio de\u00a0mar\u00e7o de 1999, a cota\u00e7\u00e3o chegou a\u00a0R$ 2,20, representando uma desvaloriza\u00e7\u00e3o acumulada de\u00a0mais de 83%.\u00a0 Esse per\u00edodo ficou conhecido como a\u00a0\u201cmaxidesvaloriza\u00e7\u00e3o de 1999\u201d\u00a0e teve reflexos muito significativos na infla\u00e7\u00e3o e na economia geral do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para o c\u00e2mbio flutuante no Brasil em janeiro de 1999 foi decorr\u00eancia de uma crise econ\u00f4mica brutal ao n\u00edvel internacional \u2013 que arrastou as economias mais fr\u00e1geis \u2013 assim como dos problemas estruturais da economia brasileira. O pa\u00eds estava enfrentando grande fuga de capitais, decorrentes da Crise Russa de 1998, que gerou p\u00e2nico nos mercados globais. Investidores internacionais retiraram recursos de economias atrasadas, com medo de um efeito domin\u00f3 e o Brasil era uma das economias mais expostas ao cont\u00e1gio. Um sintoma da doen\u00e7a foi o comportamento das reservas internacionais brasileiras, que despencaram de US$ 74 bilh\u00f5es em julho de 1998 para US$ 42 bilh\u00f5es em janeiro de 1999 (7,6% do PIB). Nesse per\u00edodo a capacidade do Brasil em termos de reservas era muito pequena. Para efeitos comparativos, atualmente o pa\u00eds possui US$ 346,4 bilh\u00f5es de reservas, cerca de 15% do PIB<\/p>\n<p>O regime de c\u00e2mbio fixo (ou \u00e2ncora cambial) do Plano Real, que mantinha o d\u00f3lar artificialmente controlado, tornou-se insustent\u00e1vel porque o pa\u00eds tinha um grande d\u00e9ficit nas transa\u00e7\u00f5es externas e a d\u00edvida externa crescia continuamente, porque o pa\u00eds precisava tomar d\u00f3lares emprestados para manter a cota\u00e7\u00e3o fixa. Como os especuladores apostavam que o real seria\u00a0inevitavelmente desvalorizado a qualquer momento, havia uma fuga de capitais, que aumentou a press\u00e3o sobre as reservas. O Banco Central tinha que injetar d\u00f3lares o tempo todo na economia para defender a paridade, sustent\u00e1culo do Plano Real.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio flutuante em janeiro de 1999 aumentou o peso da d\u00edvida externa em reais, decorrente da aprecia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. A d\u00edvida interna, por sua vez, cresceu expressivamente em fun\u00e7\u00e3o de juros reais extorsivos, que ultrapassavam 30%, visando financiar o d\u00e9ficit fiscal e manter a estabilidade da moeda, a qualquer custo. Esses juros reais visavam manter o controle da infla\u00e7\u00e3o e a confian\u00e7a na moeda, ingrediente fundamental do regime cambial, baseado, at\u00e9 janeiro de 1999, na paridade com o d\u00f3lar.\u00a0 Um dos efeitos desses juros foi o crescimento da d\u00edvida p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, que passou de 17,6% em 1994, para 31,7% em 1998, praticamente dobrando em 4 anos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo 2003 a 2013, a d\u00edvida p\u00fablica entrou em fase de al\u00edvio relativo. Este per\u00edodo reuniu tr\u00eas fatores, de rara converg\u00eancia, que aliviaram o peso da d\u00edvida p\u00fablica:<\/p>\n<ol>\n<li>Crescimento econ\u00f4mico razo\u00e1vel\u00a0(m\u00e9dia pouco acima de 3% ao ano)<\/li>\n<li>Termos de troca favor\u00e1veis\u00a0(pre\u00e7os de commodities em alta, em fun\u00e7\u00e3o da demanda chinesa)<\/li>\n<li>Super\u00e1vits prim\u00e1rios robustos\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n<p>Apesar da reuni\u00e3o destes fatores a d\u00edvida p\u00fablica fechou o per\u00edodo apontado um pouco acima do que iniciou, em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, chegando a 63,2% em 2013. Este al\u00edvio moment\u00e2neo com os gastos com a d\u00edvida, deve ser bastante relativizado. Mesmo com toda a conflu\u00eancia positiva de fatores apontada acima, os gastos com servi\u00e7o da p\u00fablica em 2013 correspondeu a 8,3% do PIB, ou seja, o sistema da d\u00edvida permaneceu intacto. Para efeitos comparativos o Brasil gastou no mesmo ano 7,5% do PIB com a previd\u00eancia. Neste mesmo ano, cerca de 42% do or\u00e7amento federal\u00a0foi destinado ao pagamento dos servi\u00e7os da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O fato \u00e9 que, por condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas muito excepcionais, foi poss\u00edvel compatibilizar durante um curto per\u00edodo, os gastos com a d\u00edvida p\u00fablica, com um modesto ciclo de crescimento. Obviamente este al\u00edvio era estruturalmente muito fr\u00e1gil. Dependia de pre\u00e7os de commodities que o Brasil n\u00e3o controlava e de crescimento econ\u00f4mico que n\u00e3o era robusto o suficiente. O peso da d\u00edvida caiu um pouco por conta de fatores externos, que de certa forma encobriam problemas estruturais, como baixa taxa de investimentos, pobreza, desemprego e os pr\u00f3prios gastos com a d\u00edvida. Quando as condi\u00e7\u00f5es externas mudaram, especialmente a partir da crise de 2008, a d\u00edvida voltaria a subir rapidamente: a raz\u00e3o entre d\u00edvida e PIB, que em 2008 chegou a 47,7%, em 2013 j\u00e1 estava em 63,2%.<\/p>\n<p>A partir de 2014, j\u00e1 em um cen\u00e1rio de franca opera\u00e7\u00e3o do golpe de 2016, os indicadores desabam. Os pre\u00e7os das commodities em 2013 d\u00e3o os primeiros sinais de desacelera\u00e7\u00e3o. O ano de 2014 pode ser considerado um ano de virada: cai abruptamente pre\u00e7os de min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo, soja e outras commodities exportadas pelo Brasil, com efeitos em cascata na economia brasileira. H\u00e1 uma queda das receitas p\u00fablicas: redu\u00e7\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o de impostos sobre exporta\u00e7\u00f5es; diminui\u00e7\u00e3o de royalties e participa\u00e7\u00f5es especiais do pr\u00e9-sal. A taxa de desemprego saltou de cerca de 5% em 2014 para 11% em 2016. Neste quadro h\u00e1 a deteriora\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica: com a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento aumenta a raz\u00e3o d\u00edvida\/PIB, chegando em 2015 a 74%.<\/p>\n<p>A crise \u00e9 amplificada, em fun\u00e7\u00e3o do peso da d\u00edvida p\u00fablica. Cai a receita p\u00fablica, o PIB recua, juros aumentam em fun\u00e7\u00e3o do aumento do risco-pa\u00eds; juros mais altos exigem mais super\u00e1vits prim\u00e1rios para pagar os servi\u00e7os da d\u00edvida, s\u00e3o feitos cortes em investimentos p\u00fablicos e sociais, o que aumenta a recess\u00e3o. \u00c9 um ciclo perverso que se retroalimenta: recess\u00e3o \u2192 eleva\u00e7\u00e3o da d\u00edvida \u2192 cortes de gastos \u2192 recess\u00e3o mais profunda. E assim por diante. As crescentes obriga\u00e7\u00f5es com a d\u00edvida, cada vez mais d\u00e3o a t\u00f4nica nas decis\u00f5es de pol\u00edtica p\u00fablica.\u00a0 Os juros reais elevados durante este per\u00edodo, em torno de 5%, quase sempre o mais alto do mundo no per\u00edodo, representavam menos recursos para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Os pa\u00edses imperialistas em geral, operavam com taxas de juros reais pr\u00f3ximas de zero ou negativas nesse per\u00edodo, o que destacava ainda mais a posi\u00e7\u00e3o do Brasil como l\u00edder em juros reais mundiais.<\/p>\n<p>Em 2023, o novo arcabou\u00e7o fiscal substitui o teto de gastos, implantado pelo governo golpista de Michel Temer, que vigorava desde 1\u00ba de janeiro de 2017. Como sempre, o novo arcabou\u00e7o manteve a l\u00f3gica de todos os planos fiscais das \u00faltimas d\u00e9cadas. Criou uma f\u00f3rmula de controle dos gastos prim\u00e1rios, procurando manter o super\u00e1vit nesses gastos, mas sem nenhuma medida voltada para o fulcro do problema, que s\u00e3o os gastos com a d\u00edvida. A partir de 2023, a d\u00edvida volta a subir, ainda que moderadamente, em fun\u00e7\u00e3o dos juros reais extremamente elevados e baixo crescimento da economia.<\/p>\n<p>A economia brasileira nesse per\u00edodo, como at\u00e9 agora, \u00e9 prisioneira da pol\u00edtica de manter juros l\u00e1 em cima, supostamente para controlar a infla\u00e7\u00e3o. Essa pol\u00edtica impede investimentos e reduzem o crescimento. Essa combina\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica macroecon\u00f4mica, que \u00e9 a mesma, com nuances, independentemente do governo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, conduz o pa\u00eds a um beco sem sa\u00edda: os juros s\u00e3o aumentados para manter infla\u00e7\u00e3o sob controle, mas juros altos impedem investimento, reduzem crescimento, e com isso, impedem que a d\u00edvida caia em rela\u00e7\u00e3o ao PIB. \u00c9 um beco sem sa\u00edda para o pa\u00eds como um todo, mas uma situa\u00e7\u00e3o maravilhosa para quem ganha muito dinheiro com o ciclo especulativo que se forma a partir dele.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria completa da d\u00edvida nas \u00faltimas d\u00e9cadas, revela um padr\u00e3o, que \u00e9 comum a todos os per\u00edodos, independentemente do ciclo econ\u00f4mico que esteja vigorando: sempre que h\u00e1 choques econ\u00f4micos de todo tipo (infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio, crise financeiras globais), h\u00e1 uma deteriora\u00e7\u00e3o no quadro da d\u00edvida p\u00fablica, e a resposta \u00e9 sempre direcionada para os gastos prim\u00e1rios que, em princ\u00edpio, nada t\u00eam a ver com a d\u00edvida. N\u00e3o s\u00e3o os gastos prim\u00e1rios que deterioram a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB, e sim a pr\u00f3pria eleva\u00e7\u00e3o dos juros, ou o baixo crescimento da economia. As a\u00e7\u00f5es de combate aos gastos prim\u00e1rios, cortes de gastos sociais, redu\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolvem o problema, como deterioram ainda mais a situa\u00e7\u00e3o e tornam a economia ainda mais vulner\u00e1vel aos choques futuros.<\/p>\n<p>Longe de ser uma vari\u00e1vel econ\u00f4mica dependente, os gastos com a d\u00edvida p\u00fablica no Brasil, e o conjunto de medidas que s\u00e3o tomadas para garantir a normalidade do fluxo desses gastos, impedem o enfrentamento de problemas centrais da economia brasileira: vulnerabilidade a choques externos, fragilidade da base produtiva e desindustrializa\u00e7\u00e3o e baixa taxa de investimentos. O mais impressionante nesse processo \u00e9 que, independentemente da posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos governos, todos atacaram o problema fiscal exclusivamente sob a \u00f3tica dos gastos prim\u00e1rios, mantendo intocado os lucros de banqueiros e especuladores.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post D\u00edvida e juros: Quatro d\u00e9cadas de um beco sem sa\u00edda appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/anvisa-libera-fabrica-da-ype-mas-mantem-restricao-a-lotes-especificos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Anvisa libera f\u00e1brica da Yp\u00ea, mas mant\u00e9m restri\u00e7\u00e3o...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tarifa-zero-pode-garantir-mais-acesso-a-servicos-de-saude-diz-estudo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Tarifa zero pode garantir mais acesso a servi\u00e7os d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/educacao\/2025\/10\/defensoria-publica-ajuiza-acao-para-manter-matriculas-do-6o-ano-em-escolas-municipais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Defensoria P\u00fablica aju\u00edza a\u00e7\u00e3o para manter matr\u00edcu...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/10\/forum-de-entidades-discute-gestao-da-cidade-no-novo-plano-diretor\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">F\u00f3rum de Entidades discute gest\u00e3o da cidade no nov...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da hiperinfla\u00e7\u00e3o nos anos 1990 \u00e0s crises internacionais do fim do s\u00e9culo e de 2008, passando pelo golpe e at\u00e9 os dias de hoje, a economia brasileira ostenta juros absurdos. Pa\u00eds alimenta ciclo perverso, engorda rentismo e se mant\u00e9m eternamente vulner\u00e1vel<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/divida-e-juros-quatro-decadas-de-um-beco-sem-saida\/\">D\u00edvida e juros: Quatro d\u00e9cadas de um beco sem sa\u00edda<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63945,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2626,119,121,4881,29613,26123,122,4431,6021,4972,602,2729],"tags":[],"class_list":["post-63944","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arcabouco-fiscal","category-banco-central","category-copom","category-crise-financeira","category-governo-fhc","category-governo-temer","category-inflacao","category-juros-da-divida","category-mercado-x-democracia","category-rentismo","category-selic","category-teto-de-gastos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63944\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}