{"id":63952,"date":"2025-11-12T20:20:36","date_gmt":"2025-11-12T23:20:36","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/cop30-tudo-o-que-esta-em-jogo-em-belem\/"},"modified":"2025-11-12T20:20:36","modified_gmt":"2025-11-12T23:20:36","slug":"cop30-tudo-o-que-esta-em-jogo-em-belem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/cop30-tudo-o-que-esta-em-jogo-em-belem\/","title":{"rendered":"COP30: Tudo o que est\u00e1 em jogo em Bel\u00e9m"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-12-at-202133.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-12-at-202133.jpeg 1000w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-12-at-20.21.33-300x200.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-12-at-20.21.33-768x512.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-12-at-20.21.33-272x182.jpeg 272w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A chamada \u201cagenda de negocia\u00e7\u00e3o\u201d das confer\u00eancias sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 a que produz os acordos que s\u00e3o adotados por todos os pa\u00edses e t\u00eam valor de lei internacional. Esses acordos, no entanto, dependem do consenso das mais de 190 na\u00e7\u00f5es que fazem parte da Conven\u00e7\u00e3o do Clima e do Acordo de Paris, cujo objetivo \u00e9 conter o aumento da temperatura do planeta e, assim, evitar a extin\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Este ano, alcan\u00e7ar consensos entre os governos tornou-se muito mais dif\u00edcil devido ao contexto global. Ao fazer do negacionismo da mudan\u00e7a clim\u00e1tica uma pol\u00edtica oficial e usar explicitamente o poder econ\u00f4mico e militar dos Estados Unidos para amea\u00e7ar outros pa\u00edses, Donald Trump agravou a deteriora\u00e7\u00e3o j\u00e1 em curso das rela\u00e7\u00f5es internacionais. Nos \u00faltimos anos, o mundo tem sido incapaz, por exemplo, de deter a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e o massacre dos palestinos por parte de Israel.<\/p>\n<p>Para completar o problema, a agenda de negocia\u00e7\u00e3o da COP30, a primeira confer\u00eancia sobre o clima que ser\u00e1 realizada na Amaz\u00f4nia, est\u00e1 cheia de lacunas. Como acontece todos os anos desde a primeira COP, em 1995, os temas desta agenda s\u00e3o herdados das confer\u00eancias anteriores. A de 2025 \u00e9 pouco ambiciosa porque, em teoria, quase todos os temas que tinham que ser negociados a partir do Acordo de Paris \u2013 o tratado internacional sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas assinado na COP21 em 2015 \u2013 j\u00e1 foram considerados. No entanto, as negocia\u00e7\u00f5es anteriores n\u00e3o estabeleceram caminhos claros para implementar medidas fundamentais para frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, como a elimina\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Prancheta--10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Prancheta--10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os movimentos socioambientais v\u00eam pressionando a dire\u00e7\u00e3o brasileira da COP30 para que proponha acordos mais ambiciosos. Agora esta press\u00e3o recebeu um impulso gra\u00e7as a uma decis\u00e3o hist\u00f3rica adotada em 23 de julho pela Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ), o principal tribunal da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Com base em tratados internacionais referentes ao clima, \u00e0 biodiversidade e aos direitos humanos, a CIJ concluiu que \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal de todos os pa\u00edses agir contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e que devem cooperar entre si para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Por mais que caiba a cada pa\u00eds determinar seu pr\u00f3prio objetivo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, o tribunal da ONU afirmou que este objetivo n\u00e3o pode ficar a seu arb\u00edtrio e deve representar \u00abuma contribui\u00e7\u00e3o adequada\u00bb para manter o aumento da temperatura do planeta em 1,5\u00b0C, como determina o objetivo \u00abprim\u00e1rio\u00bb do Acordo de Paris. Al\u00e9m disso, a Corte considerou que se poder\u00e1 responsabilizar legalmente os pa\u00edses que n\u00e3o cumprirem suas obriga\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o \u00e9 um \u00abparecer consultivo\u00bb, o que significa que seu cumprimento por parte dos governos n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio. No entanto, tem um peso pol\u00edtico e jur\u00eddico e pode dar lugar a processos em tribunais nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o da Corte da ONU refor\u00e7a a demanda por objetivos mais concretos e ambiciosos para as negocia\u00e7\u00f5es na COP de Bel\u00e9m. Em 19 de agosto, o presidente da confer\u00eancia, Andr\u00e9 Corr\u00eaa do Lago, anunciou um calend\u00e1rio de consultas at\u00e9 novembro com os governos e organiza\u00e7\u00f5es observadoras, com o objetivo de formular propostas que preenchessem as lacunas da agenda de negocia\u00e7\u00e3o. \u201cA humanidade n\u00e3o pode se permitir mais atrasos derivados de poss\u00edveis falhas de confian\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a COP30 marca precisamente a metade da d\u00e9cada que a melhor ci\u00eancia dispon\u00edvel considera cr\u00edtica para nossos esfor\u00e7os de limitar o aumento da temperatura a 1,5\u00b0C\u201d, disse ele em uma carta p\u00fablica. A seguir, abordamos o estado atual dos principais pontos desta agenda e o que estabelece o parecer sobre alguns deles[1].<\/p>\n<h3><strong>A luta por um cronograma para a elimina\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum ponto espec\u00edfico, na agenda das confer\u00eancias sobre o clima, que trate da elimina\u00e7\u00e3o progressiva dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. O compromisso com a \u00abtransi\u00e7\u00e3o para se afastar dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u00bb entrou pela primeira vez nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas como parte do acordo sobre o Balan\u00e7o Global, nome do documento aprovado na COP28, em 2023, que enumera os passos necess\u00e1rios para que se cumpra o Acordo de Paris. Como muitos dos documentos sobre o clima, o Balan\u00e7o Global tamb\u00e9m deixa pontos vagos sobre esta quest\u00e3o. N\u00e3o especifica, por exemplo, se se fala do uso ou da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o. Afirma, no entanto, que \u201cnesta d\u00e9cada cr\u00edtica\u201d \u00e9 preciso acelerar a elimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na COP28 tamb\u00e9m foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o do Di\u00e1logo dos Emirados \u00c1rabes Unidos para discutir a implementa\u00e7\u00e3o dos resultados do Balan\u00e7o Global. No entanto, as negocia\u00e7\u00f5es do Di\u00e1logo n\u00e3o avan\u00e7aram na COP29, reunida em 2024 no Azerbaij\u00e3o. Essas dificuldades tamb\u00e9m se apresentaram na reuni\u00e3o de meio de ano da Conven\u00e7\u00e3o sobre o Clima, que foi celebrada na cidade alem\u00e3 de Bonn e deu o pontap\u00e9 inicial \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es que finalizar\u00e3o \u2013 ou n\u00e3o \u2013 na COP do final de 2025. Os negociadores reunidos em Bonn enviaram para a reuni\u00e3o de Bel\u00e9m dois rascunhos distintos sobre a implementa\u00e7\u00e3o do Balan\u00e7o Global, mas nenhum deles menciona especificamente os combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>A maioria dos pa\u00edses rejeita a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo para monitorar a implementa\u00e7\u00e3o do Balan\u00e7o Global e afirma que cada pa\u00eds teria que trat\u00e1-lo individualmente, dentro dos objetivos nacionais de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. As organiza\u00e7\u00f5es socioambientais sustentam que o tema dos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 fundamental e \u00e9 preciso abord\u00e1-lo \u00e0 parte, j\u00e1 que sua queima gera mais de 75% das emiss\u00f5es. Trata-se do \u00abelefante na sala\u00bb, como diz Claudio Angelo, coordenador de pol\u00edtica internacional do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>Desde a COP28, a sociedade civil e alguns governos defendem que se estabele\u00e7a um cronograma para a elimina\u00e7\u00e3o gradual dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, com os pa\u00edses ricos \u00e0 frente. O Brasil incluiu o cronograma proposto no documento em que apresentou, em novembro de 2024, o objetivo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2035[2]. Em junho, uma carta assinada por mais de 250 cientistas pediu ao presidente brasileiro Luiz In\u00e1cio Lula da Silva que liderasse uma iniciativa nesse sentido.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/14-1-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/14-1-6.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Um estudo da organiza\u00e7\u00e3o Oil Change International mostrou que quatro pa\u00edses ricos \u2013 EUA, Canad\u00e1, Noruega e Austr\u00e1lia \u2013 s\u00e3o respons\u00e1veis por 70% da expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s prevista at\u00e9 2035. Os EUA de Donald Trump, sozinhos, s\u00e3o respons\u00e1veis pela maioria desses planos de amplia\u00e7\u00e3o. Na lista dos 20 pa\u00edses que lideram os projetos para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, o Brasil est\u00e1 em nono lugar, \u00e0 frente da Ar\u00e1bia Saudita. O governo de Lula da Silva pretende abrir uma nova frente de prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Bacia da Foz do Amazonas, uma regi\u00e3o de alta sensibilidade ambiental.<\/p>\n<p>A press\u00e3o dos movimentos socioambientais para que o Brasil proponha uma negocia\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, para a elimina\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis na COP30, foi refor\u00e7ada pelo parecer consultivo da CIJ. O parecer estabelece que os pa\u00edses que n\u00e3o adotarem medidas apropriadas para reduzir a produ\u00e7\u00e3o, o consumo, a concess\u00e3o de novas licen\u00e7as de explora\u00e7\u00e3o e os subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis poderiam ser acusados de cometer \u00abum ato internacionalmente il\u00edcito.<\/p>\n<h3><strong>Um plano de a\u00e7\u00e3o para todas as florestas<\/strong><\/h3>\n<p>Assim como com os combust\u00edveis f\u00f3sseis, n\u00e3o h\u00e1 nenhum ponto na agenda de negocia\u00e7\u00f5es das confer\u00eancias sobre o clima que trate especificamente das florestas. O tema tamb\u00e9m \u00e9 abordado no Balan\u00e7o Global, que destaca a import\u00e2ncia de conservar, proteger e restaurar a natureza e os ecossistemas e inclui a meta de desmatamento zero em 2030. O Balan\u00e7o Global fala da necessidade de apoio e financiamento para alcan\u00e7ar este objetivo, mas n\u00e3o prev\u00ea a elabora\u00e7\u00e3o de um plano para torn\u00e1-lo realidade. H\u00e1 uma men\u00e7\u00e3o ao pagamento pela redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, consequ\u00eancia do combate ao desmatamento, como acontece, por exemplo, nas doa\u00e7\u00f5es que recebe o Fundo Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a brasileira da confer\u00eancia pretende priorizar o financiamento das florestas em p\u00e9 e a restaura\u00e7\u00e3o florestal na chamada \u00abagenda de a\u00e7\u00e3o\u00bb da COP30. Esta agenda aborda compromissos entre grupos de pa\u00edses, empresas e organiza\u00e7\u00f5es. No entanto, estes compromissos n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a de lei internacional. O governo espera lan\u00e7ar em Bel\u00e9m o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido como TFFF (por sua sigla em ingl\u00eas), um mecanismo de mercado para remunerar os pa\u00edses florestais pelos chamados \u00abservi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u00bb que estes biomas proveem, por exemplo, na preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na regula\u00e7\u00e3o das chuvas. Este fundo, no entanto, n\u00e3o \u00e9 um instrumento que fa\u00e7a parte das negocia\u00e7\u00f5es sobre o clima. Tamb\u00e9m deve ser aprovada em Bel\u00e9m uma resolu\u00e7\u00e3o que estabele\u00e7a uma sinergia formal entre as tr\u00eas conven\u00e7\u00f5es \u2013 a do clima, a de biodiversidade e a de combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o \u2013 que sa\u00edram da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento que foi realizada no Rio de Janeiro em 1992.<\/p>\n<p>Como no caso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, as organiza\u00e7\u00f5es socioambientais defendem que o Brasil proponha uma decis\u00e3o da COP sobre as florestas. O Greenpeace lan\u00e7ou uma proposta de plano de a\u00e7\u00e3o para o fim do desmatamento em todo o mundo. \u00abAinda n\u00e3o temos uma abordagem estruturante para o tema das florestas dentro da Conven\u00e7\u00e3o do Clima\u00bb, diz Camila Jardim, do Greenpeace Brasil. \u00abO Brasil \u00e9 um exemplo de pa\u00eds florestal que tem uma atua\u00e7\u00e3o contundente no combate ao desmatamento e poderia liderar este plano\u00bb, sugere. O parecer do tribunal da ONU recorda que frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica implica tanto reduzir as emiss\u00f5es quanto fortalecer os \u00absumidouros\u00bb de carbono, como as florestas, outros biomas terrestres e os oceanos. Os sumidouros eliminam o g\u00e1s que causa o efeito estufa da atmosfera.<\/p>\n<h3><strong>A transi\u00e7\u00e3o justa ainda n\u00e3o tem destino<\/strong><\/h3>\n<p>O programa de trabalho sobre uma transi\u00e7\u00e3o justa foi estabelecido na COP27, reunida no Egito, para dar curso ao objetivo do Acordo de Paris de alcan\u00e7ar \u00abuma transi\u00e7\u00e3o justa da for\u00e7a laboral e a cria\u00e7\u00e3o de trabalho decente e empregos de qualidade\u00bb. Nas discuss\u00f5es, ampliou-se este conceito e ele agora abrange, al\u00e9m dos trabalhadores formais e informais, a participa\u00e7\u00e3o e os direitos de outros grupos da sociedade \u2013 como os ind\u00edgenas, os imigrantes e os jovens \u2013 na constru\u00e7\u00e3o de um modelo socioecon\u00f4mico que seja compat\u00edvel com a preserva\u00e7\u00e3o da vida e n\u00e3o aprofunde as desigualdades.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve acordo para aprovar um texto sobre transi\u00e7\u00e3o justa na COP28 e na COP29, mas, na reuni\u00e3o de junho passado em Bonn, este foi um dos pontos de negocia\u00e7\u00e3o que mais avan\u00e7aram. O rascunho que foi enviado a Bel\u00e9m inclui, pela primeira vez, as pessoas afrodescendentes entre os grupos que se consideram priorit\u00e1rios em uma transi\u00e7\u00e3o justa. Por sugest\u00e3o da Col\u00f4mbia, este \u00e9 tamb\u00e9m o \u00fanico documento dos que sa\u00edram de Bonn que menciona a elimina\u00e7\u00e3o gradual dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, em um par\u00e1grafo que trata sobre a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 energia limpa. No entanto, em \u00faltimo momento, os pa\u00edses \u00e1rabes sugeriram uma reda\u00e7\u00e3o alternativa, sem esta men\u00e7\u00e3o: o texto final ser\u00e1 negociado em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a grande pergunta \u00e9 se ser\u00e1 ou n\u00e3o estabelecido um mecanismo para supervisionar e apoiar a implementa\u00e7\u00e3o do acordo de transi\u00e7\u00e3o justa ou se ele ficar\u00e1 meramente como uma declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00abA transi\u00e7\u00e3o justa \u00e9 uma das tem\u00e1ticas mais novas na Conven\u00e7\u00e3o do Clima, mas \u00e9 extremamente relevante\u00bb, diz Mariana Belmont, do Geled\u00e9s-Instituto da Mulher Negra, do Brasil. E acrescenta:<br \/>Traz uma perspectiva social que faltava nos debates sobre a mitiga\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Este movimento tem que avan\u00e7ar para que os processos desta transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o aumentem as desigualdades. Acompanharemos de perto os pr\u00f3ximos passos para assegurar a perman\u00eancia dos afrodescendentes e a cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura que nos mostre um caminho que contemple os direitos humanos na agenda clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o da CIJ estabelece uma vincula\u00e7\u00e3o clara entre a obriga\u00e7\u00e3o de conter a emerg\u00eancia clim\u00e1tica e os direitos humanos, ao afirmar que os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica podem afetar significativamente a capacidade de usufruir destes direitos, entre os quais se incluem o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, o acesso \u00e0 comida e \u00e0 moradia, al\u00e9m dos direitos das mulheres, das crian\u00e7as e dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<h3><strong>O que fazer com a \u201clacuna de ambi\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o Acordo de Paris, este ano todos os signat\u00e1rios t\u00eam que entregar seu novo objetivo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, a Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC, por sua sigla em ingl\u00eas), com objetivos at\u00e9 2035. At\u00e9 o fechamento deste artigo, em 28 de julho, apenas 27 o haviam feito[3]; entre os que ainda devem entreg\u00e1-lo est\u00e3o a China e a Uni\u00e3o Europeia. Antes da COP30, a Conven\u00e7\u00e3o da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica divulgar\u00e1 um documento sobre as novas NDCs, que dir\u00e1 se os compromissos do conjunto de pa\u00edses s\u00e3o suficientes para cumprir o Acordo de Paris. Previu-se que a resposta ser\u00e1 negativa e que haver\u00e1 uma \u00ablacuna de ambi\u00e7\u00e3o\u00bb, ou seja, que os pa\u00edses ter\u00e3o que ir al\u00e9m do prometido para conter o aumento da temperatura m\u00e9dia do planeta idealmente abaixo de 1,5\u00b0C com rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial, ou pelo menos abaixo de 2\u00b0C.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum ponto formal da agenda de negocia\u00e7\u00e3o em Bel\u00e9m que aborde esta poss\u00edvel \u00ablacuna de ambi\u00e7\u00e3o\u00bb. No entanto, d\u00e1-se como certo que o tema ser\u00e1 discutido na c\u00fapula de chefes de Estado e de governo que preceder\u00e1 a COP30, ou na pr\u00f3pria confer\u00eancia. A quest\u00e3o \u00e9 se isto acarretar\u00e1 alguma declara\u00e7\u00e3o ou documento acordado por todos os pa\u00edses. \u00abSe a avalia\u00e7\u00e3o das NDCs mostrar um panorama em 2035 que n\u00e3o pare\u00e7a bom, teremos que agir coletivamente para mud\u00e1-lo. S\u00e3o tempos extraordin\u00e1rios que requerem muito mais unidade. Temos que recuperar nosso senso de urg\u00eancia em todos os n\u00edveis e n\u00e3o podemos nos deixar paralisar pelo contexto internacional\u00bb, diz o diplomata T\u00falio Andrade, chefe de Estrat\u00e9gia e Alinhamento da COP30.<\/p>\n<h3><strong>O dinheiro para a adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 garantido<\/strong><\/h3>\n<p>Uma decis\u00e3o da COP26 em Glasgow, Esc\u00f3cia, criou um Programa de Trabalho sobre o Objetivo Global de Adapta\u00e7\u00e3o (OGA), previsto no Acordo de Paris. A ideia \u00e9 estabelecer indicadores que possam medir o progresso dos pa\u00edses nas medidas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Este \u00e9 o ponto das negocia\u00e7\u00f5es nas confer\u00eancias sobre o clima que mais tem a ver com a vida cotidiana das pessoas.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de 100 indicadores, com a ajuda de especialistas, tem que ser completada este ano e aprovada em Bel\u00e9m. No entanto, as negocia\u00e7\u00f5es quase se paralisaram na reuni\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o sobre o Clima em Bonn, em junho, devido \u00e0 resist\u00eancia das na\u00e7\u00f5es ricas a que os indicadores inclu\u00edssem meios de implementa\u00e7\u00e3o, ou seja, os recursos monet\u00e1rios e tecnol\u00f3gicos para que os pa\u00edses adotem medidas de adapta\u00e7\u00e3o. Os denominados \u00abpa\u00edses em desenvolvimento\u00bb argumentam que este financiamento deve ser p\u00fablico, j\u00e1 que a adapta\u00e7\u00e3o depende em grande medida de obras de infraestrutura que n\u00e3o s\u00e3o rent\u00e1veis e, portanto, n\u00e3o atraem o setor privado.<\/p>\n<p>Ao final, mantiveram-se os meios de implementa\u00e7\u00e3o no texto que ser\u00e1 analisado em Bel\u00e9m. \u00abA inclus\u00e3o de indicadores de meios de implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 sem d\u00favida um bom sinal\u00bb, diz Thaynah Gutierrez, da Rede pela Adapta\u00e7\u00e3o Antirracista, do Brasil. \u00abMas este bom sinal veio com muita incerteza, j\u00e1 que a COP30 ainda tem que assegurar o financiamento para implementar os indicadores e os objetivos acordados\u00bb, explica. Para ela, outro desafio ser\u00e1 incluir as popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes como grupo priorit\u00e1rio na agenda de adapta\u00e7\u00e3o. Chegou-se a incluir esta men\u00e7\u00e3o, mas acabaram eliminando-a do documento negociado em Bonn. \u00abA Presid\u00eancia da COP30 tem sido enf\u00e1tica na men\u00e7\u00e3o aos afrodescendentes em todas as salas de negocia\u00e7\u00e3o, mas ainda falta di\u00e1logo com os pa\u00edses nos bastidores\u00bb.<\/p>\n<p>O parecer da CIJ tamb\u00e9m destaca a obrigatoriedade legal de adotar medidas de adapta\u00e7\u00e3o como um \u00abcomplemento \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o [redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es] para prevenir e reduzir as consequ\u00eancias nocivas da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u00bb.<\/p>\n<h3><strong>A rota Baku-Bel\u00e9m e o n\u00f3 do financiamento<\/strong><\/h3>\n<p>Em teoria, a negocia\u00e7\u00e3o sobre o financiamento no marco das confer\u00eancias sobre o clima foi conclu\u00edda na COP29. Em Baku, estabeleceu-se um novo objetivo de financiamento a cargo dos pa\u00edses ricos de 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, quantia que seria alcan\u00e7ada somente em 2035. Considerou-se que este montante \u00e9 insuficiente perante as necessidades, que s\u00e3o estimadas em pelo menos 1,3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares por ano. Al\u00e9m disso, houve descontentamento com o texto do acordo porque d\u00e1 import\u00e2ncia excessiva \u00e0 \u00abmobiliza\u00e7\u00e3o\u00bb de investimentos privados. Por isso o tema voltou a surgir este ano, quando pa\u00edses como a \u00cdndia e a Bol\u00edvia pressionaram para que se reabrisse o di\u00e1logo sobre o financiamento. A quest\u00e3o pode chegar a travar as negocia\u00e7\u00f5es em Bel\u00e9m e ainda n\u00e3o se sabe qual abordagem ser\u00e1 proposta pela lideran\u00e7a brasileira da COP30.<\/p>\n<p>Segundo a Conven\u00e7\u00e3o sobre o Clima de 1992, a obriga\u00e7\u00e3o de financiamento \u00e9 atribu\u00edda aos \u00abpoluidores hist\u00f3ricos\u00bb, os 24 pa\u00edses que naquele momento faziam parte da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), entre os quais estavam os EUA \u2013 que Trump retirou do Acordo de Paris \u2013, na\u00e7\u00f5es europeias como Fran\u00e7a e Alemanha, e Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e Jap\u00e3o. Esta obriga\u00e7\u00e3o ficou consagrada no princ\u00edpio das \u00abresponsabilidades comuns, por\u00e9m diferenciadas\u00bb. O parecer da CIJ reafirmou este princ\u00edpio, mas introduziu uma nuance nesta discuss\u00e3o. O documento afirma que a condi\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds como \u00abdesenvolvido\u00bb ou \u00abem desenvolvimento\u00bb n\u00e3o deve ser considerada \u00abest\u00e1tica\u00bb, mas sim que depende \u00abde uma avalia\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias atuais do pa\u00eds em quest\u00e3o\u00bb. Isto significa que os pa\u00edses que atualmente t\u00eam emiss\u00f5es muito altas ou possuem abundantes recursos financeiros \u2013 como Ar\u00e1bia Saudita, China ou R\u00fassia \u2013 poderiam ser considerados entre os que t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de financiar os demais.<\/p>\n<p>Por ora, o que h\u00e1 de concreto \u00e9 que o acordo da COP29 encarregou o Brasil e o Azerbaij\u00e3o de elaborarem uma \u00abrota Baku-Bel\u00e9m\u00bb que aponte meios para que o montante de financiamento clim\u00e1tico chegue a 1,3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares por ano. Na reuni\u00e3o de meio de ano da Conven\u00e7\u00e3o sobre o Clima, em Bonn, a secret\u00e1ria de Assuntos Internacionais do Minist\u00e9rio da Fazenda, Tatiana Rosito, apresentou algumas das medidas que ser\u00e3o propostas. A maioria delas fica fora do \u00e2mbito de decis\u00e3o das confer\u00eancias sobre o clima, como a reforma dos bancos multilaterais de desenvolvimento \u2013 institui\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) \u2013 e o aumento dos empr\u00e9stimos \u00abconcessionais\u00bb, ou seja, com condi\u00e7\u00f5es especiais de pagamento para os pa\u00edses com menos recursos. Hoje, os pa\u00edses ricos est\u00e3o reduzindo inclusive a chamada \u00abajuda ao desenvolvimento\u00bb, que n\u00e3o est\u00e1 necessariamente vinculada \u00e0 necessidade de conter a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es socioambientais pedem que a rota d\u00ea mais \u00eanfase ao financiamento p\u00fablico da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e a medidas como o perd\u00e3o da d\u00edvida externa aos pa\u00edses mais pobres para que possam investir na transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Outro ponto considerado essencial pela sociedade civil \u00e9 a inclus\u00e3o do princ\u00edpio de \u00abfazer com que os poluidores paguem\u00bb, com o estabelecimento de impostos extraordin\u00e1rios aos setores que mais emitem, como a ind\u00fastria petrol\u00edfera. Este dinheiro seria usado para ajudar os pa\u00edses em seus esfor\u00e7os para reduzir as emiss\u00f5es e adaptar-se aos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Uma interroga\u00e7\u00e3o que paira sobre a \u00abrota\u00bb \u00e9 se ela ser\u00e1 ou n\u00e3o incorporada de alguma maneira \u00e0s decis\u00f5es formais da COP30. \u00abA \u2018rota\u2019 Baku-Bel\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um ponto de negocia\u00e7\u00e3o, mas sim um relat\u00f3rio que resulta das negocia\u00e7\u00f5es entre as duas presid\u00eancias e que ser\u00e1 apresentado aos pa\u00edses\u00bb, explica Tatiana Oliveira, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, por sua sigla em ingl\u00eas). \u00abN\u00e3o sabemos se a citar\u00e3o, se a adotar\u00e3o, se ter\u00e1 um impulso no documento final. Sem isso, faltam dentes, como dizemos no direito internacional\u00bb, explica. Em outras palavras, poderia acabar simplesmente como mais um relat\u00f3rio, sem poder real para influenciar a realidade.<\/p>\n<h3><strong>Os afrodescendentes e o plano sobre g\u00eanero<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2014, na COP20 de Lima, Peru, estabeleceu-se um programa de trabalho sobre g\u00eanero e clima que criou um plano de a\u00e7\u00e3o para garantir que as quest\u00f5es de g\u00eanero fossem levadas em conta nas pol\u00edticas clim\u00e1ticas. Este plano venceu em 2024 e o programa de trabalho elabora um novo para substitu\u00ed-lo. O rascunho que saiu de Bonn e ser\u00e1 debatido em Bel\u00e9m menciona pela primeira vez as mulheres e meninas afrodescendentes como um dos grupos que \u00e9 preciso priorizar nas pol\u00edticas clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Esta inclus\u00e3o foi o resultado de uma estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas das organiza\u00e7\u00f5es antirracistas brasileiras e de defesa da popula\u00e7\u00e3o negra. A demanda contou com o apoio dos negociadores do Brasil. Leticia Leobet, do Geled\u00e9s-Instituto da Mulher Negra, recorda que a men\u00e7\u00e3o aos afrodescendentes j\u00e1 havia sido feita na reuni\u00e3o de Bonn no ano passado, mas a retiraram quando a negocia\u00e7\u00e3o do novo plano de a\u00e7\u00e3o chegou \u00e0 COP29, em Baku. \u00abEste ano o cen\u00e1rio \u00e9 diferente, mais otimista. O Brasil prop\u00f4s a inclus\u00e3o das pessoas afrodescendentes e a COP \u00e9 realizada no Brasil. Esperamos que os negociadores brasileiros levem a cabo as conversa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para respaldar a proposta\u00bb, diz Leobet, recordando que 56% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 afrodescendente.<\/p>\n<h3><strong>As ruas tentam evitar a paralisia dos governos<\/strong><\/h3>\n<p>Na primeira COP do clima realizada em um pa\u00eds democr\u00e1tico em quatro anos \u2013 as anteriores foram no Egito, Dubai e Azerbaij\u00e3o \u2013, espera-se uma grande press\u00e3o nas ruas dos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, assim como na C\u00fapula dos Povos e no espa\u00e7o da confer\u00eancia, para pressionar os negociadores. No \u00e2mbito dos governos predomina ainda uma forte paralisia, que impediu at\u00e9 agora a uni\u00e3o de blocos geopol\u00edticos contra o ass\u00e9dio de Trump, inclusive nos temas vinculados ao clima e ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da crise do multilateralismo, o custo das hospedagens em Bel\u00e9m, a capital do estado amaz\u00f4nico do Par\u00e1 onde ocorre a COP30, acrescentou tens\u00e3o \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o do encontro. Os grupos de pa\u00edses africanos, pa\u00edses-ilha e latino-americanos chegaram a pedir sua transfer\u00eancia para outra cidade, algo que o governo brasileiro descartou. Criou-se uma for\u00e7a-tarefa para ajudar as delega\u00e7\u00f5es a encontrar onde ficar, numa tentativa de evitar o risco de aus\u00eancias que poderiam p\u00f4r em d\u00favida a legitimidade da confer\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Nota: uma vers\u00e3o anterior deste artigo foi publicada na revista \u201cSuma\u00fama\u201d, em 7\/8\/2025, com o t\u00edtulo \u00abA agenda de negocia\u00e7\u00e3o da COP30 ponto por ponto: pequenos avan\u00e7os e omiss\u00f5es flagrantes\u00bb.<\/em><\/p>\n<hr>\n<p>[1]Nos apoiamos para isso em alguns relatos pr\u00e9vios, dispon\u00edveis em https:\/\/sumauma.com\/tag\/conferencia-do-clima\/.<\/p>\n<p>[2]Oil Change International: \u00abPlanet Wreckers: Top Global North Countries Responsible for Nearly 70% of Projected New Oil and Gas Expansion to 2035\u00bb, 16\/6\/2025, dispon\u00edvel em oilchange.org.<\/p>\n<p>[3]Ver o \u00abNDC Tracker\u00bb, no <em>Climate Watch:<\/em> www.climatewatchdata.org\/ndc-tracker.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Ser\u00e1 poss\u00edvel superar estas lacunas na Amaz\u00f4nia? Um guia para compreender o que veremos nos pr\u00f3ximos dias<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/cop30-tudo-o-que-esta-em-jogo-em-belem\/\">COP30: Tudo o que est\u00e1 em jogo em Bel\u00e9m<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63953,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[894,2519,154,5840],"tags":[],"class_list":["post-63952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belem","category-cop30","category-crise-climatica","category-terra-e-antropoceno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63952\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}