{"id":63962,"date":"2025-11-12T16:14:43","date_gmt":"2025-11-12T19:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/kamala-harris-e-a-liturgia-da-virtude\/"},"modified":"2025-11-12T16:14:43","modified_gmt":"2025-11-12T19:14:43","slug":"kamala-harris-e-a-liturgia-da-virtude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/kamala-harris-e-a-liturgia-da-virtude\/","title":{"rendered":"Kamala Harris e a liturgia da virtude"},"content":{"rendered":"<p><span>Quando Barbara Ehrenreich, na d\u00e9cada de 1970, descreveu a ascens\u00e3o das classes profissionais gerenciais e seu consequente distanciamento da classe trabalhadora, ela antecipou com precis\u00e3o o que viria a se consolidar nas d\u00e9cadas seguintes. No Livro \u201cO Medo da Queda\u201d (Escritta, 1989), Ehrenreich apontou que os trabalhadores desamparados, sem forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e tratados como m\u00e3o de obra descart\u00e1vel \u2013 como se seu servi\u00e7o fosse uma <\/span><i><span>commodity<\/span><\/i><span> \u2013 tenderiam a se afastar da elite educada, a mesma que passava a ocupar as posi\u00e7\u00f5es gerenciais em expans\u00e3o nas corpora\u00e7\u00f5es. Ela previu que, diante desse abismo simb\u00f3lico e material, esses trabalhadores acabariam aderindo \u00e0 direita, compreendendo-a como a for\u00e7a pol\u00edtica que restauraria dignidade, emprego e pertencimento.<\/span><\/p>\n<p><span>N\u00e3o deu outra. Nos anos 1980, essa massa trabalhadora apoiou Ronald Reagan, embalada pelo slogan <\/span><b>\u201c<\/b><span>Make America Great Again\u201d, o mesmo que, d\u00e9cadas depois, seria reciclado por Donald Trump. No Reino Unido, algo similar ocorreu com a ascens\u00e3o de Margaret Thatcher, que soube capitalizar a insatisfa\u00e7\u00e3o de uma classe m\u00e9dia branca e trabalhadora em meio \u00e0 crise do emprego e do Estado de bem-estar social. Ambas as experi\u00eancias revelaram o mesmo deslocamento: a esquerda, enquanto se intelectualizava e moralizava o discurso, se afastava do cotidiano material das pessoas comuns. E parte dessa esquerda era formada por uma classe m\u00e9dia intelectualizada e culturalmente engajada, rec\u00e9m sa\u00edda das universidades.<\/span><\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-237540\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kamala-harris.webp\" alt=\"A ent\u00e3o candidata \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos, Kamala Harris, durante evento de campanha em Las Vegas, Nevada. (Foto: Gage Skidmore \/ Flickr)\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kamala-harris.webp 1024w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kamala-harris-300x200.webp 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kamala-harris-768x512.webp 768w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kamala-harris-150x100.webp 150w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kamala-harris-750x500.webp 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>A ent\u00e3o candidata \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos, Kamala Harris, durante evento de campanha em Las Vegas, Nevada. <br \/>(Foto: Gage Skidmore \/ Flickr)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span>Quarenta anos depois, o ciclo se repete. A crise financeira de 2008, embora tenha fortalecido setores ligados \u00e0 tecnologia e \u00e0 gest\u00e3o do conhecimento, aprofundou ainda mais a concentra\u00e7\u00e3o de renda e deixou uma massa de trabalhadores fora do ideal de classe m\u00e9dia que sustentou o imagin\u00e1rio americano nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960. Quando, em 2016, a imprensa liberal se surpreendeu com a vit\u00f3ria de Trump sobre Hillary Clinton, o espanto revelava mais sobre a bolha cultural dos jornalistas \u2013 eles pr\u00f3prios parte da classe profissional gerencial descrita por Ehrenreich \u2013 do que sobre o eleitorado. Era a elite cultural que n\u00e3o percebia que o pa\u00eds havia mudado de base, que a promessa meritocr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o superior e do sucesso profissional j\u00e1 n\u00e3o bastava para garantir estabilidade ou esperan\u00e7a \u2013 algo que, j\u00e1 se sabe, se perpetua nos Estados Unidos de hoje.<\/span><\/p>\n<p><span>Kamala Harris \u00e9 filha direta desse contexto. Ap\u00f3s deixar a vice-presid\u00eancia no governo Biden, ela escreveu um livro sobre os 107 dias de sua campanha presidencial (<\/span><i><span>107 Days<\/span><\/i><span>, Simon &amp; Schuster, 2025). Era uma tentativa de reaproxima\u00e7\u00e3o com o eleitorado? N\u00e3o pareceu, pois estava mais prop\u00edcio a ser um <\/span><i><span>rebrand<\/span><\/i><span> profissional e eleitoral que apenas reafirma a dist\u00e2ncia entre o discurso democrata-liberal e a realidade social americana. O evento de lan\u00e7amento do livro, em Los Angeles, reuniu um p\u00fablico de f\u00e3s, majoritariamente entre 40 e 70 anos, em sua maioria brancos, embora houvesse uma presen\u00e7a importante de, talvez, 15% de pessoas negras e latinas. Eram, em ess\u00eancia, membros da elite urbana \u2013 financeiramente confort\u00e1veis e simbolicamente alinhados ao ethos democr\u00e1tico liberal.<\/span><\/p>\n<p><span>Kamala foi entrevistada pela atriz Kerry Washington, amiga pessoal sua, o que deu \u00e0 conversa um tom promocional e confort\u00e1vel. A ex-vice-presidente repetiu frases gen\u00e9ricas sobre a necessidade de \u201couvir as pessoas\u201d e \u201cengajar-se na luta pol\u00edtica\u201d. Quando afirmou que, se fosse presidente, criaria uma Secretaria da Cultura porque \u201co povo americano \u00e9 muito criativo e o mundo precisa dos americanos\u201d, a plateia aplaudiu entusiasmada, como se estivesse diante de uma epifania. Em outro momento, disse: \u201cse voc\u00ea \u00e9 latino, entre de cabe\u00e7a erguida em um lugar onde s\u00f3 h\u00e1 brancos\u201d. A ret\u00f3rica identit\u00e1ria substituiu a pol\u00edtica: um discurso centrado na autoestima, n\u00e3o na redistribui\u00e7\u00e3o; na performance simb\u00f3lica, n\u00e3o na estrutura material.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Essa fala \u00e9 o retrato da liturgia da virtude, que domina o campo liberal norte-americano \u2013 e, em certa medida, tamb\u00e9m o brasileiro. Aponta a professora e cr\u00edtica cultural americana Catherine Liu que trata-se de um progressismo esvaziado, que confunde representa\u00e7\u00e3o com transforma\u00e7\u00e3o e que se contenta em produzir gestos morais no lugar de programas pol\u00edticos focados na classe trabalhadora. A defesa das minorias \u00e9 leg\u00edtima, mas, quando feita em tom de <\/span><i><span>slogan<\/span><\/i><span>, refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de elitismo e isola ainda mais a esquerda das classes populares que est\u00e3o sofrendo para fechar suas contas. \u00c9 o que Barbara Ehrenreich j\u00e1 havia diagnosticado: a classe profissional gerencial, altamente educada, cosmopolita e moralmente convicta, n\u00e3o fala mais para o povo, mas para o espelho de sua pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span>Enquanto Kamala discursava sobre \u201couvir as pessoas\u201d, n\u00e3o mencionou nenhuma proposta concreta sobre sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o ou renda \u2013 temas centrais num pa\u00eds onde um tratamento de c\u00e2ncer pode levar uma fam\u00edlia \u00e0 fal\u00eancia. O <\/span><i><span>Obamacare<\/span><\/i><span> foi uma exce\u00e7\u00e3o importante aos mais pobres em meio a um v\u00e1cuo de pol\u00edticas universais que contemplem toda a sociedade americana. O restante da agenda democrata segue preso a palavras de ordem moral, \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da diversidade e a uma f\u00e9 difusa na boa vontade do mercado. \u00c9 um discurso que conforta os convertidos, mas n\u00e3o convence os desiludidos.<\/span><\/p>\n<p><span>A extrema-direita, por sua vez, compreendeu melhor o sentimento de abandono. Surfou na frustra\u00e7\u00e3o das classes trabalhadoras \u2013 jovens, desempregados, niilistas, descrentes no modelo americano de sucesso. Enquanto a esquerda insistia em explicar derrotas eleitorais por \u201cfake news\u201d e \u201ccrise das media\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 Kamala, a prop\u00f3sito, repetiu isso insistentemente \u2013, a direita oferecia algo mais simples: um inimigo palp\u00e1vel e uma promessa de repertencimento.<\/span><\/p>\n<p><span>No Brasil, h\u00e1 algo semelhante ocorrendo. A esquerda institucional democr\u00e1tica parece ter dificuldade em dialogar com o chamado \u201cmeio termo\u201d \u2013 essa classe m\u00e9dia que n\u00e3o se entende nem como de esquerda nem como de direita, que n\u00e3o \u00e9 bolsonarista, mas quer estabilidade, seguran\u00e7a e honestidade. S\u00e3o demandas elementares, associadas \u00e0 moralidade cotidiana que s\u00e3o base de nossa cultura \u2013 crist\u00e3, que seja dito \u2013 e que deveriam estar no centro de qualquer projeto pol\u00edtico progressista.<\/span><\/p>\n<p><span>Pesquisas recentes nos Estados Unidos, publicadas por ve\u00edculos como a <\/span><i><span>Jacobin<\/span><\/i><span>, mostram que a maioria dos americanos apoia pol\u00edticas pr\u00e9-distributivas \u2013 aquelas que garantem melhores sal\u00e1rios, acesso \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013 muito mais do que as p\u00f3s-distributivas, centradas apenas na necess\u00e1ria revis\u00e3o da taxa\u00e7\u00e3o de bilion\u00e1rios. \u00c9 nesse terreno, o das pol\u00edticas concretas e universais, que a esquerda deveria reconstruir sua base, e n\u00e3o na ret\u00f3rica moralista que hoje domina seus palcos.<\/span><\/p>\n<p><span>O evento da Kamala, portanto, foi mais do que uma palestra: foi a encena\u00e7\u00e3o perfeita da crise de representa\u00e7\u00e3o da classe gerencial globalizada. Um espet\u00e1culo de boas inten\u00e7\u00f5es sem consequ\u00eancia, um culto da virtude performativa que revela, a cada aplauso, a dist\u00e2ncia entre quem fala e quem trabalha.<\/span><\/p>\n<p><b><i>(*) Leonardo Moura <\/i><\/b><i><span>\u00e9 jornalista, pesquisador e doutorando em Comunica\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas de Consumo pela ESPM-SP. \u00c9 autor dos livros Conte\u00fado de Marca: Os Fundamentos e a Pr\u00e1tica do Branded Content (finalista do Pr\u00eamio Jabuti 2022), Como Analisar Filmes e S\u00e9ries na Era do Streaming e V\u00eddeos Curtos: Como O Novo Consumo Transforma o Audiovisual e A Publicidade, todos publicados pela Summus Editorial. Atua como professor universit\u00e1rio e consultor em comunica\u00e7\u00e3o e cultura digital.<\/span><\/i><\/p>\n<p>O post Kamala Harris e a liturgia da virtude apareceu primeiro em Opera Mundi.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/governo-lula-inicia-estudos-para-reduzir-ou-eliminar-tarifas-de-onibus-em-todo-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Governo Lula inicia estudos para reduzir ou elimin...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-intensifica-agendas-pro-industria-com-destaque-para-caca-supersonico\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/55168277676_c365ba96c0_c-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula intensifica agendas pr\u00f3-ind\u00fastria com destaqu...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/megaoperacao-com-pf-prende-21-hackers-de-ataque-que-desviou-do-pix-r-813-mi-maior-golpe-cibernetico-da-historia-financeira-do-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Megaopera\u00e7\u00e3o com PF prende 21 hackers de ataque qu...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-famosa-inteligencia-sionista-que-ja-havia-falhado-miseravelmente-contra-o-hamas-nao-sabia-que-o-ira-a-detonaria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">A famosa intelig\u00eancia sionista que j\u00e1 havia falhad...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Barbara Ehrenreich, na d\u00e9cada de 1970, descreveu a ascens\u00e3o das classes profissionais gerenciais e seu consequente distanciamento da classe trabalhadora, ela antecipou com precis\u00e3o o que viria a se consolidar nas d\u00e9cadas seguintes. 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