{"id":65203,"date":"2025-11-18T18:14:48","date_gmt":"2025-11-18T21:14:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trabalhar-menos-para-que-a-terra-descanse\/"},"modified":"2025-11-18T18:14:48","modified_gmt":"2025-11-18T21:14:48","slug":"trabalhar-menos-para-que-a-terra-descanse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trabalhar-menos-para-que-a-terra-descanse\/","title":{"rendered":"Trabalhar menos para que a Terra descanse"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1452\" height=\"870\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/photo_4965288468753877916_w1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/photo_4965288468753877916_w1.jpg 1452w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/photo_4965288468753877916_w1-300x180.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/photo_4965288468753877916_w1-768x460.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1452px) 100vw, 1452px\"><figcaption><em>Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto foi escrito por <strong>Cesar Sanson<\/strong> e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<p><em>Os brancos quase n\u00e3o dormem. S\u00f3 falam de trabalho e do dinheiro que<br \/>lhes falta. Vivem sem alegria e envelhecem depressa, sempre atarefados,<br \/>com o pensamento vazio e sempre desejando adquirir novas mercadorias<\/em><br \/>\u2013 Davi Kopenawa.<\/p>\n<h3><strong>Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h3>\n<p>H\u00e1 registros de que desde o S\u00e9culo XVI trabalhadores travam a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. \u00c0 \u00e9poca, os companheiros contratados pelos artes\u00e3os se lan\u00e7am em movimentos grevistas para trabalharem menos. Com a chegada da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial \u2013 S\u00e9culo XVIII \u2013, trabalhadores e trabalhadoras se insurgem contra as jornadas laborais exaustivas transformando a redu\u00e7\u00e3o pelo tempo de trabalho em uma das principais bandeiras da classe trabalhadora.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15--10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15--10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/15-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Relatos colhidos por Marx (2017) cont\u00eam descri\u00e7\u00f5es que mostram a mesquinhez do furto de minutos que eram destinados ao descanso de trabalhadores e descri\u00e7\u00f5es aterradoras a que eram submetidas crian\u00e7as a partir dos nove anos, \u00e0s vezes menos, em jornadas de trabalho que se iniciavam \u00e0s 6hs da manh\u00e3 e se prolongavam at\u00e9 as 20hs, 21hs da noite, com pequenas pausas para o caf\u00e9 e o almo\u00e7o. Ainda mais, havia jornadas que se estendiam noite adentro, mesmo para as crian\u00e7as, e estrat\u00e9gias de revezamento no trabalho que flagelavam os trabalhadores. As jornadas de trabalho esgotantes associada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es insalubres no local de trabalho produziam o que Marx denominava de \u201cbatalha industrial\u201d, uma refer\u00eancia ao elevado n\u00famero de acidentes de trabalho.<\/p>\n<p>Na origem da luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho encontram-se raz\u00f5es humanit\u00e1rias e de sa\u00fade; a de n\u00e3o permitir o trabalho de crian\u00e7as e de mulheres gestantes, reduzir a fadiga e, por conseguinte, os acidentes de trabalho. Posteriormente \u2013 S\u00e9culo XX \u2013, com o avan\u00e7o da conquista de uma jornada de 8hs di\u00e1rias[i], a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho ganha outras motiva\u00e7\u00f5es, particularmente duas: trabalhar menos para que mais pessoas trabalhem e a amplia\u00e7\u00e3o do tempo livre para melhorar a qualidade de vida e a conviv\u00eancia social (Aznar, 1995; Gorz, 2004). Essas t\u00eam sido ultimamente as principais raz\u00f5es e os principais argumentos a favor da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. H\u00e1, por\u00e9m, na chegada desse s\u00e9culo uma \u201cnovidade\u201d que n\u00e3o se colocava anteriormente e que pode ser acrescentada as anteriores para alargar o conte\u00fado e significado da luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Trata-se do fato de que nos confrontamos com uma crise que pode dar cabo da humanidade: a crise ecol\u00f3gica. A efetiva redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho pode contribuir para a descalonamento do agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O planeta Terra d\u00e1 sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento. Desde o relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 IPCC de 2007[ii], j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais contesta\u00e7\u00e3o de que o respons\u00e1vel pela evolu\u00e7\u00e3o acelerada da trag\u00e9dia ambiental \u00e9 a a\u00e7\u00e3o antropog\u00eanica sobre a Terra. \u00c0 \u00e9poca, o relat\u00f3rio dos pesquisadores e cientistas foi categ\u00f3rico e n\u00e3o deixou espa\u00e7o para d\u00favidas ao afirmar de forma contundente \u2013 o relat\u00f3rio utilizou a express\u00e3o \u201cinequ\u00edvoca\u201d \u2013 que o aquecimento global se deve \u00e0 interven\u00e7\u00e3o humana sobre o planeta. Desde ent\u00e3o, os relat\u00f3rios do IPCC t\u00eam escalado no alerta de que caminhamos aceleradamente para o ponto de n\u00e3o retorno. O relat\u00f3rio de 2023[iii] destaca que a temperatura global da superf\u00edcie aumentou mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro per\u00edodo de 50 anos durante os \u00faltimos 2000 anos. O Dia da Sobrecarga da Terra[iv], a data do ano em que a demanda da humanidade por recursos naturais supera a capacidade do planeta de produzir ou renovar esses recursos ao longo de 365 dias revela o crescente uso do \u201ccheque especial\u201d do globo terrestre. Em 2024, aconteceu em 1\u00ba de agosto. Atualmente, para atender aos padr\u00f5es de consumo seria necess\u00e1rio 1.7 planetas Terra. Avan\u00e7amos o sinal e muitos ambientalistas afirmam que j\u00e1 cruzamos o ponto de n\u00e3o retorno. James Lovelock[v] n\u00e3o se cansava de alertar que a Terra est\u00e1 gravemente doente, prestes a passar a um estado de febre m\u00f3rbida. Segundo ele, nosso planeta se manteve saud\u00e1vel e apto \u00e0 vida por mais de tr\u00eas bilh\u00f5es de anos, por\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o sem precedentes dos recursos naturais est\u00e1 levando a Terra a um estado de coma profundo.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o do impasse que vivemos encontra-se no modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico implantado, especialmente, ao longo dos \u00faltimos dois s\u00e9culos baseado no paradigma do crescimento ilimitado, na ideia de progresso infinito e na concep\u00e7\u00e3o de que os recursos naturais seriam inesgot\u00e1veis e de que a nossa interven\u00e7\u00e3o sobre a natureza se daria de maneira neutra (L\u00f6wy, 2019). H\u00e1 consenso entre os estudiosos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de que o aceleramento da crise ecol\u00f3gica pode ser datado. \u00c9 a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial que a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente ganha escala. Recentemente, a promessa de que inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas reduziriam o impacto sobre o meio ambiente n\u00e3o se cumpriram. A Revolu\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e ou Informacional dos anos de 1970 e, agora, a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 n\u00e3o desaceleraram a destrui\u00e7\u00e3o do planeta, ao contr\u00e1rio, os problemas clim\u00e1ticos se ampliaram.<\/p>\n<h3><strong>M\u00e9todo para repensar a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho humano<\/strong><\/h3>\n<p>Tomando como refer\u00eancia a afirma\u00e7\u00e3o de Bruno Latour[vi] que \u201co Novo Regime Clim\u00e1tico imp\u00f5e uma nova forma de fazer pol\u00edtica\u201d, sugere-se que o Novo Regime Clim\u00e1tico tamb\u00e9m exige uma nova forma de pensar e organizar o trabalho humano. Precisamos pensar formas novas de organiza\u00e7\u00e3o social do trabalho que colabore na mitiga\u00e7\u00e3o aos danos do planeta Terra. Como destacam os representantes das Centrais Sindicais no pref\u00e1cio do livro O Futuro \u00e9 a Redu\u00e7\u00e3o da Jornada de Trabalho (Sadi et Al., 2022, p. 21), \u201cprecisamos de uma Ci\u00eancia Social que ilumine o futuro e que esclare\u00e7a o debate presente para subsidiar as escolhas que precisamos fazer coletivamente\u201d. Ou seja, precisamos de novas ideias que \u201crepensem o modo de viver em sociedade\u201d (Calvete et Al., 2022, p. 396) afirmam os organizadores da obra citada anteriormente.<\/p>\n<p>Para a formula\u00e7\u00e3o dessas \u201cnovas ideias\u201d sugere-se um m\u00e9todo que d\u00ea pistas e orienta\u00e7\u00e3o sobre as prioridades a serem perseguidas. Propomos aqui o m\u00e9todo da complexidade de Morin no qual afirma que os \u201cnossos problemas n\u00e3o podem mais ser concebidos como separados uns dos outros\u201d. Trata-se de perceber que \u201cn\u00e3o s\u00f3 a parte est\u00e1 no todo, mas tamb\u00e9m que o todo est\u00e1 na parte\u201d[vii]. Tudo est\u00e1 interligado, entrela\u00e7ado, e h\u00e1 uma interdepend\u00eancia entre as crises. Nessa perspectiva, avaliamos que o princ\u00edpio da \u201cecologia da a\u00e7\u00e3o\u201d de Edgar Morin \u00e9 um princ\u00edpio orientador para o agir na sociedade atual diante do imperativo da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Desde o momento em que um indiv\u00edduo empreende uma a\u00e7\u00e3o, qualquer que seja ela, esta come\u00e7a a escapar de suas inten\u00e7\u00f5es. Ela entra num universo de intera\u00e7\u00f5es e finalmente o meio ambiente apossa-se dela num sentido que pode tornar-se contr\u00e1rio ao da inten\u00e7\u00e3o inicial. Com frequ\u00eancia a a\u00e7\u00e3o retorna em bumerangue sobre nossa cabe\u00e7a<\/em> (Morin, 2005, p. 80-81).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O que Morin quer dizer \u00e9 que toda a\u00e7\u00e3o implica em efeitos nem sempre control\u00e1veis e que mesmo uma a\u00e7\u00e3o realizada com o melhor dos prop\u00f3sitos, pode fugir ao controle e voltar-se contra o objetivo inicial. O princ\u00edpio da \u201cecologia da a\u00e7\u00e3o\u201d destaca que doravante toda e qualquer a\u00e7\u00e3o deve estar subordinada ao imperativo da crise ecol\u00f3gica, ou seja, faz-se necess\u00e1rio que tenhamos presente o fato de que tudo aquilo que realizamos tem consequ\u00eancias e sob esta perspectiva urge presumirmos os poss\u00edveis efeitos colaterais de nossa a\u00e7\u00e3o. A \u201cecologia da a\u00e7\u00e3o\u201d vale ainda mais para as decis\u00f5es institucionais, particularmente \u00e0quelas do mundo dos neg\u00f3cios e do Estado que possuem repercuss\u00e3o maior sobre o conjunto da popula\u00e7\u00e3o e do ambiente.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ADC30_Engels_anuncio_OP-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ADC30_Engels_anuncio_OP-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Descanso da Terra<\/strong><\/h3>\n<p>Orientado pelo m\u00e9todo da complexidade e pelo princ\u00edpio da Ecologia da A\u00e7\u00e3o de Morin, sustenta-se que a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e a cria\u00e7\u00e3o de empregos voltados ao cuidado com a natureza constituem duas iniciativas potentes para mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 primeira dimens\u00e3o \u2014 a redu\u00e7\u00e3o da jornada \u2014, h\u00e1 evid\u00eancias de sua efetividade na diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2. Diversos estudos t\u00eam mostrado que jornadas mais curtas s\u00e3o ben\u00e9ficas para o meio ambiente. Entre eles, destaca-se <em>Could working less reduce pressures on the environment? A cross-national panel analysis of OECD countries, 1970\u20132007<\/em> (Trabalhar menos poderia reduzir as press\u00f5es sobre o meio ambiente? Uma an\u00e1lise de pain\u00e9is transnacionais dos pa\u00edses da OCDE, 1970-2007), de Knight, Rosa e Schor, publicado na revista <em>Global Environmental Change<\/em> (2013)[viii]. Os autores demonstram que pa\u00edses com jornadas de trabalho mais extensas consomem mais recursos, emitem maiores volumes de carbono e apresentam pegadas ecol\u00f3gicas ampliadas, uma vez que o aumento das horas trabalhadas no PIB se converte diretamente em maior uso de recursos e eleva\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Na mesma linha, o estudo <em>Are Shorter Work Hours Good for the Environment? A Comparison of U.S. and European Energy Consumption <\/em>(Jornadas de trabalho mais curtas s\u00e3o ben\u00e9ficas para o meio ambiente? Uma compara\u00e7\u00e3o entre o consumo de energia nos EUA e na Europa), de Rosnick e Weisbrot, publicado na <em>Sage Journals<\/em> (2007)[ix], evidencia que, caso os trabalhadores da Uni\u00e3o Europeia tivessem a mesma carga hor\u00e1ria dos Estados Unidos, o consumo de energia europeu seria pelo menos 15% superior.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o estudo <em>Reducing Working Hours as a Means to Foster Low(er)-Carbon Lifestyles? An Exploratory Study on Swiss Employees<\/em> (Reduzir a jornada de trabalho como meio de promover estilos de vida com menor emiss\u00e3o de carbono? Um estudo explorat\u00f3rio com trabalhadores su\u00ed\u00e7os), de Hanbury, Bader e Moser, publicado na revista <em>Sustainability<\/em> (2019)[x]. Os autores demonstram que a amplia\u00e7\u00e3o do tempo livre tende a reduzir a produ\u00e7\u00e3o de carbono em fun\u00e7\u00e3o dos estilos de vida adotados, refor\u00e7ando a associa\u00e7\u00e3o entre jornadas mais curtas e menores emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Por fim, vale destacar a evid\u00eancia emp\u00edrica trazida por um estudo publicado pelo portal <em>Nature Climate Change<strong>[xi]<\/strong><\/em>: em abril de 2020, durante as medidas de bloqueio impostas pela pandemia de COVID-19, registrou-se uma redu\u00e7\u00e3o de 17% nas emiss\u00f5es globais di\u00e1rias de carbono em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. Esse dado ilustra, em escala global, como a diminui\u00e7\u00e3o da atividade produtiva e do tempo de trabalho pode impactar significativamente a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Os estudos destacados ressaltam que, al\u00e9m de contribuir para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2, a diminui\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho tamb\u00e9m amplia o tempo livre e melhora a qualidade de vida das pessoas. Nesse sentido, insere-se tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do debate sobre o fim da escala 6\u00d71 no Brasil. A redu\u00e7\u00e3o da jornada possibilitaria novas formas de uso do tempo, como dedicar domingos e feriados ao descanso efetivo ou a outras atividades. Como afirmam Borsari, Scapini, Krein e Manzano (2024, p. 1), \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 trabalho. Pelo contr\u00e1rio, o trabalho precisa proporcionar as condi\u00e7\u00f5es para as pessoas viverem ela em todas as suas dimens\u00f5es\u201d. Assim, reduzir a jornada significa n\u00e3o apenas menor press\u00e3o sobre o meio ambiente, mas tamb\u00e9m ganhos em qualidade de vida.<\/p>\n<h3><strong>Que tipo de trabalho queremos?<\/strong><\/h3>\n<p>Por outro lado, considerando que a redu\u00e7\u00e3o da jornada amplia a gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, faz-se necess\u00e1rio que estas novas atividades ocupacionais n\u00e3o anulem os esfor\u00e7os dos ganhos com a redu\u00e7\u00e3o da jornada e seus efeitos de minora\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ainda mais, trata-se de agora em diante tendo presente o imperativo da crise ecol\u00f3gica, criar pol\u00edticas de gera\u00e7\u00e3o de emprego prioritariamente direcionadas para o cuidado com o meio ambiente. Doravante o desafio \u00e9 associar trabalho e renda \u00e0 crise ecol\u00f3gica. O axioma sugerido \u00e9 n\u00e3o descolar o trabalho da ecologia. Neste sentido, pol\u00edticas de desonera\u00e7\u00e3o fiscal poderiam ser canalizadas para as empresas que ofertem \u201cempregos verdes\u201d[xii]. No Semin\u00e1rio <em>Trabalho para todas as pessoas: \u00e9 poss\u00edvel?<strong>[xiii]<\/strong><\/em>, promovido pelo Instituto de Economia e o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho \u2013 CESIT da Unicamp, os pesquisadores Brenda Neves e Lucca Rodrigues mostraram que \u00e9 poss\u00edvel se avan\u00e7ar nesta perspectiva[xiv].<\/p>\n<p>No mesmo Semin\u00e1rio, debateu-se o Programa de Garantia de Emprego (PGE) que se origina a partir do pensamento de uma nova Teoria Monet\u00e1ria, a <em>Modern Money Theory<\/em> (MMT). A ideia central \u00e9 de que o Estado tenha como horizonte o pleno emprego dissociado das flutua\u00e7\u00f5es c\u00edclicas da atividade econ\u00f4mica (Gerioni, 2020). Nesta perspectiva, o Estado seria o respons\u00e1vel pela gera\u00e7\u00e3o de empregos para aqueles que n\u00e3o s\u00e3o absorvidos pelo mercado de trabalho. Considerando, entretanto, a imperatividade da crise ambiental um PGE precisa levar em conta o desafio das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. As atividades que podem ser geradas com o cuidado da natureza s\u00e3o numerosas. Dessa forma, milhares de pessoas poderiam ser inclu\u00eddos e passariam a receber uma renda provendo o seu sustento e, ao mesmo tempo, preservando o ambiente. Cabe destacar que muitos j\u00e1 realizam estas atividades de forma volunt\u00e1ria e gratuita. Se junta, portanto, uma atividade \u00fatil \u00e0 sociedade com uma renda. Destacamos algumas possibilidades de emprego que poderiam ser gerados pelo PGE: pessoas contratadas para se dedicarem ao plantio de \u00e1rvores nas cidades, ao cuidado de pra\u00e7as, canteiros, alamedas e jardins p\u00fablicos; pessoas contratadas como \u201ccuidadoras\u201d das \u00e1guas dos rios, lagos e praias urbanas.<\/p>\n<p>Ainda nesta linha de racioc\u00ednio de um PGE associado \u00e0 crise ecol\u00f3gica, outros milhares de empregos poderiam ser criados a partir de obras de infraestrutura de baixo impacto ambiental e \u00fatil para a sociedade. Este arranjo poderia ser efetivado atrav\u00e9s de um Planejamento Territorial Participativo[xv] em que as popula\u00e7\u00f5es locais \u2013 bairros, vilas, distritos, ocupa\u00e7\u00f5es \u2013 apresentariam as suas demandas. Esse planejamento se desenvolveria em parceria com o Poder P\u00fablico. Atrav\u00e9s desta parceria, milhares de a\u00e7\u00f5es, gerando trabalho, poderiam ser desenvolvidas. Pensando na infraestrutura P\u00fablica poderiam ser ampliadas as obras de dispositivos de drenagem urbana sustent\u00e1vel como pavimentos perme\u00e1veis, canais vegetados abertos, reservat\u00f3rios de acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, lagoas de infiltra\u00e7\u00e3o, faixas vegetadas, jardins de chuva, conten\u00e7\u00e3o de encostas (taludes, arrimos etc.), saneamento b\u00e1sico, entre outras. A ideia \u00e9 sempre conectar trabalho e cuidado com o ambiente.<\/p>\n<p>Esta escala de pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m poderia ser transferida para a esfera dom\u00e9stica com remunera\u00e7\u00e3o. Exemplos: pagar pessoas que criam jardins e hortas em suas casas, pagar pessoas que se disp\u00f5em a criar hortos de \u00e1rvores frut\u00edferas e sombreiras para ser distribu\u00eddas gratuitamente, remunerar \u00e0queles que edificam sistemas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1guas das chuvas em suas resid\u00eancias, remunerar os que se utilizam de sistemas de uso de energia renov\u00e1veis em suas casas e escrit\u00f3rios etc.<\/p>\n<p>A mesma perspectiva pode ser aplicada a cadeias produtivas que provocam grandes impactos ambientais. Tomemos como exemplo o agroneg\u00f3cio e sua escala industrial de explora\u00e7\u00e3o do Cerrado e da Amaz\u00f4nia. Como mitigar tais efeitos, reduzindo danos e, ao mesmo tempo, gerando atividades remuneradas voltadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o? As monoculturas de soja, milho, algod\u00e3o, cana-de-a\u00e7\u00facar e a pecu\u00e1ria extensiva t\u00eam efeitos devastadores: ocupam \u00e1reas imensas, esgotam os nutrientes do solo, comprometem mananciais de \u00e1gua com irriga\u00e7\u00e3o intensiva e, em muitos casos, est\u00e3o diretamente relacionadas ao desmatamento.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, milhares de postos de trabalho poderiam ser criados, de norte a sul do pa\u00eds, em duas frentes complementares. Em um primeiro momento, para fortalecer a fiscaliza\u00e7\u00e3o e coibir pr\u00e1ticas que geram danos ambientais; em um segundo, para promover a revers\u00e3o das \u00e1reas degradadas, com trabalhadores contratados pelo Estado e pelas pr\u00f3prias empresas exploradoras da regi\u00e3o. Tais a\u00e7\u00f5es poderiam incluir a restaura\u00e7\u00e3o de nascentes, a recomposi\u00e7\u00e3o de matas ciliares, o reflorestamento, al\u00e9m de iniciativas de preserva\u00e7\u00e3o da fauna e da flora. Assim, seria poss\u00edvel transformar a crise ambiental em oportunidade de gera\u00e7\u00e3o de trabalho digno e de cuidado com os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A ideia, grosso modo, \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica do PGE em que as pessoas recebam uma renda, preferencialmente com os direitos de prote\u00e7\u00e3o social, para prover a vida em suas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e que essas atividades sejam direcionadas para o cuidado com os outros e o ambiente. Tendo presente de que a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho criar\u00e1 mais postos de trabalho, sugere-se que na iniciativa privada sejam alocados prioritariamente no que se denomina de \u201cempregos verdes\u201d e pelo Estado, via o PGE, em atividades de cuidado com o meio ambiente, como destacado.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>A luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho imp\u00f4s-se como uma das principais bandeiras da classe trabalhadora nos \u00faltimos s\u00e9culos. No nascedouro da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, trabalhar menos significava, em grande medida, a diferen\u00e7a entre abreviar ou prolongar a vida. Ao longo dos S\u00e9culos XVIII, XIX e in\u00edcio do S\u00e9culo XX, as lutas organizadas em torno dessa pauta conquistaram, gradativamente, o patamar das oito horas di\u00e1rias. Um marco decisivo nesse processo foi a greve de 1886, em Chicago (EUA), que n\u00e3o apenas consolidou essa reivindica\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m deu origem ao 1\u00ba de Maio, institu\u00eddo como Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a principal motiva\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o da jornada esteve vinculada \u00e0 sa\u00fade: trabalhar menos significava ampliar o descanso, diminuir o esgotamento e garantir tempo livre para a frui\u00e7\u00e3o da vida. Posteriormente, somou-se a esse argumento outro elemento de peso: a redu\u00e7\u00e3o da jornada como forma de ampliar a gera\u00e7\u00e3o de empregos. At\u00e9 recentemente, portanto, essa luta esteve fortemente associada a tr\u00eas fatores centrais: sa\u00fade, tempo livre e empregabilidade.<\/p>\n<p>Atualmente, contudo, um novo argumento vem ganhando relev\u00e2ncia: a rela\u00e7\u00e3o entre a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Este artigo buscou demonstrar que a redu\u00e7\u00e3o da jornada precisa ser incorporada ao debate da crise ecol\u00f3gica a partir de dois eixos fundamentais: a diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sobre o planeta e a gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho associados ao cuidado com o meio ambiente. Ambas as dimens\u00f5es convergem para uma mesma necessidade, agora urgente: o descanso da Terra.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>AZNAR, G. <strong>Trabalhar menos para trabalharem todos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: P\u00e1gina Aberta Ltda., 1995.<\/p>\n<p>BORSARI, P.; SCAPINI, E.; KREIN, J. D.; MANZANO, M. <strong>Jornada de trabalho na escala 6\u00d71: a insustentabilidade dos argumentos econ\u00f4micos e uma agenda a favor dos trabalhadores e das trabalhadoras<\/strong>. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cesit.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/NotaCesit.pdf<\/p>\n<p>CALVETE, C; KREIN, J.D; SADI, D. R e CARDOSO, A.C.M, (2022). Considera\u00e7\u00f5es finais (ou sobre as disputas em torno do tempo da vida de trabalhadores e trabalhadoras). In: SADI, D. R.; CARDOSO, A. C. M.; CALVETE, C. S.; KREIN, J. D. (Orgs). <strong>O futuro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/strong>. Porto Alegre: CirKula, 2022.<\/p>\n<p>GERIONI, E. M. <strong>A macroeconomia do pleno emprego na periferia<\/strong>. [Tese de Doutorado]. Campinas: Unicamp, 2020.<\/p>\n<p>GORZ, A. <strong>Mis\u00e9rias do presente, riqueza do poss\u00edvel<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Annablume, 2004.<\/p>\n<p>HANBURY, H.; BADER, C.; MOSER, S. Reducing Working Hours as a Means to Foster Low(er)-Carbon Lifestyles? An Exploratory Study on Swiss Employees. <strong>Sustainability<\/strong>, v. 11, n. 7, pp. 1-17, 2019.<\/p>\n<p>KOPENAWA, D.; B, A. <strong>A queda do c\u00e9u: palavras de um xam\u00e3 yanomami<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2015.<\/p>\n<p>KNIGHT, K.W.; ROSA, E. A.; SCHOR, J. B. Could working less reduce pressures on the environment? A cross-national panel analysis of OECD countries, 1970\u20132007. <strong>Global Environmental Change<\/strong>, v. 23, n. 4, pp. 691-826, 2013.<\/p>\n<p>L\u00d6WY, M. <strong>O que \u00e9 o Ecossocialismo<\/strong>, por Michael L\u00f6wy. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.esda.net\/artigo\/o-que-e-o-ecossocialismo-por-michael-lowy-1\/59573<\/p>\n<p>MARX, K. <strong>O capital<\/strong>. [Volume I]. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p>\n<p>MORIN, E. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento complexo<\/strong>. Porto Alegre: Sulina, 2005. Pp. 80-81.<\/p>\n<p>ROSNICK, D.; WEISBROT, M. Are Shorter Work Hours Good for the Environment? A Comparison of U.S. and European Energy Consumption. <strong>Sage Journals<\/strong>, v. 37, n. 3, 2007.<\/p>\n<p>SADI, D. R.; CARDOSO, A. C. M.; CALVETE, C. S.; KREIN, J. D. (Orgs). <strong>O futuro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/strong>. Porto Alegre: CirKul<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[i] Embora, a jornada de trabalho de 8hs tenha se consolidado apenas no s\u00e9culo XX, \u00e9 importante o registro de que no s\u00e9culo XIX esta j\u00e1 era uma bandeira do movimento oper\u00e1rio. \u00c9 bastante conhecido o lema de Robert Owen (1771 \u2013 1858): oito horas de trabalho, oito horas para lazer e oito horas de descanso (<em>8 hours labour, 8 hours recreation, 8 hours rest<\/em>).<\/p>\n<p>[ii] Grupo Intergubernamental de Expertos sobre el Cambio Clim\u00e1tico \u2013 IPCC 2007. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ipcc.ch\/languages-2\/spanish\/<\/p>\n<p>[iii] Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima \u2013 IPCC 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/syr\/downloads\/report\/IPCC_AR6_SYR_LongerReport_PO.pdf<\/p>\n<p>[iv] O Dia de Sobrecarga da Terra, tamb\u00e9m conhecido como Dia do excesso de capacidade da Terra, marca a data em que a demanda da humanidade por recursos e servi\u00e7os ecol\u00f3gicos em um determinado ano excede o que a Terra pode regenerar neste mesmo per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>[v] Cientista brit\u00e2nico (1919-2022) formulador da hip\u00f3tese de Gaia em 1970 junto com a cientista americana Lynn Margulis. A hip\u00f3tese apresenta a Terra como um sistema complexo capaz de se autorregular que cria e mant\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es para a vida no planeta.<\/p>\n<p>[vi] LATOUR, B. \u201cO Novo Regime Clim\u00e1tico imp\u00f5e uma nova forma de fazer pol\u00edtica. Entrevista com Bruno Latour\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/617246-todos-se-sentem-traidos-entendemos-que-esse-modelo-nao-e-mais-possivel-entrevista-com-bruno-latour.<\/p>\n<p>[vii] MORIN, Edgar. \u201cO pensamento complexo de Edgar Morin\u201d. [Entrevista]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cultloja.com.br\/produto\/cult-111-marco-2007\/.<\/p>\n<p>[viii] Global Environmental Change, Volume 23, Edi\u00e7\u00e3o 4, pp. 691-826 (Agosto, 2013). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0959378013000472.<\/p>\n<p>[ix] Sage Journals, Volume 37, Edi\u00e7\u00e3o 3, Julho 2007. Dispon\u00edvel em: https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.2190\/D842-1505-1K86-9882.<\/p>\n<p>[x] Sustainability 2019, 11. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mdpi.com\/2071-1050\/11\/7\/2024\/notes?utm_source=chatgpt.com<\/p>\n<p>[xi] Nature Climate Change, 10, 647\u2013653 (2020). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-020-0797-x.<\/p>\n<p>[xii] De acordo com a OIT, o conceito de \u201cempregos verdes\u201d diz respeito a transforma\u00e7\u00e3o das economias, das empresas, dos ambientes de trabalho e dos mercados laborais em dire\u00e7\u00e3o a uma economia sustent\u00e1vel que proporcione um trabalho digno com baixo consumo de carbono.<\/p>\n<p>[xiii] Semin\u00e1rio promovido pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp (Cesit\/IE\/Unicamp) realizado nos dias 03 e 04 de abril de 2025 em Campinas-SP.<\/p>\n<p>[xiv] \u201cEmpregos Verdes no Brasil: um olhar a partir de diferentes esferas produtivas\u201d (paper), apresenta\u00e7\u00e3o de Brenda Neves e Lucca Rodrigues em Unicamp, 04 abril, 2025.<\/p>\n<p>[xv] Algo parecido como o Or\u00e7amento Participativo, no caso, um Or\u00e7amento Participativo Verde.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Bruno Latour e Edgar Morin mostram que um novo regime clim\u00e1tico exige tamb\u00e9m reorganizar produ\u00e7\u00e3o e recursos \u2013 e priorizar, por exemplo, trabalhos com foco no cuidado com a natureza<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/trabalhar-menos-para-que-a-terra-descanse\/\">Trabalhar menos para que a Terra descanse<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":65204,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[8019,26984,27204,2519,154,5504,2008,30599,570,1970,5834],"tags":[],"class_list":["post-65203","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antropoceno","category-bruno-latour","category-cesit-jornada","category-cop30","category-crise-climatica","category-edgar-morin","category-fim-da-escala-6x1","category-mochael-lowy","category-mudancas-climaticas","category-reducao-da-jornada-de-trabalho","category-trabalho-e-precariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65203\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}