{"id":65548,"date":"2025-11-20T08:00:00","date_gmt":"2025-11-20T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/consciencia-vs-apropriacao-na-periferia-jovens-disputam-o-mercado-da-moda\/"},"modified":"2025-11-20T08:00:00","modified_gmt":"2025-11-20T11:00:00","slug":"consciencia-vs-apropriacao-na-periferia-jovens-disputam-o-mercado-da-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/consciencia-vs-apropriacao-na-periferia-jovens-disputam-o-mercado-da-moda\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia vs apropria\u00e7\u00e3o: na periferia, jovens disputam o mercado da moda"},"content":{"rendered":"<p>Eram 14h de uma quinta-feira de setembro. Ele estava em casa, e como de costume, se encontrava bem trajado. No corpo, pe\u00e7as que remetiam \u00e0 sua inf\u00e2ncia: bon\u00e9 da Lacoste, Mizuno nos p\u00e9s, \u00f3culos Juliet e um sorriso no rosto. Nascido e criado na Cidade Tiradentes, Felipe Garcia sempre teve a periferia como lar. Modelo, viu sua vida ganhar uma nova roupagem quando decidiu ingressar no mundo da moda.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Garcia n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. <span>Na periferia de S\u00e3o Paulo, jovens talentos est\u00e3o desenvolvendo carreiras, criando suas pr\u00f3prias marcas e reinventando a est\u00e9tica local.<\/span> Apesar das barreiras sociais e econ\u00f4micas, a cultura das ruas vem ganhando espa\u00e7o no mercado, como mostram relatos e dados recentes sobre moda perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Em julho deste ano, o Instituto Data Favela ouviu 16 mil moradores de favelas em todo o Brasil, revelando h\u00e1bitos de consumo e aspira\u00e7\u00f5es. <span>O estudo mostra que as favelas brasileiras movimentam R$ 300 bilh\u00f5es por ano.<\/span><\/p>\n<p>Outros dados chamam aten\u00e7\u00e3o: 78% dos moradores se esfor\u00e7am para comprar coisas que n\u00e3o tiveram acesso na inf\u00e2ncia, 85% se sentem realizados ao conquistar esses itens, e 62% j\u00e1 se sentiram exclu\u00eddos por n\u00e3o conseguir consumir algo da moda. O consumo nas periferias vai al\u00e9m do poder aquisitivo: ele est\u00e1 ligado \u00e0 autoestima e ao senso de pertencimento. <span>Cerca de 50% relatam j\u00e1 terem sido constrangidos ou humilhados por n\u00e3o ter determinado produto ou marca.<\/span><\/p>\n<p>Outro levantamento, feito em mar\u00e7o, mostra quais marcas predominam no consumo das periferias, refor\u00e7ando padr\u00f5es e prefer\u00eancias do p\u00fablico: na frente, est\u00e3o a esportiva Nike, seguida da Lacoste, grife que estampa o bon\u00e9 de Felipe Garcia. Em terceiro, est\u00e1 outra esportiva, a Adidas.<\/p>\n<p>O acesso a roupas de marca \u00e9 um marcador social importante para moradores da periferia, e o mercado da moda tamb\u00e9m pode ser uma op\u00e7\u00e3o de carreira e de express\u00e3o art\u00edstica.\u201c<\/p>\n<p>O Jo\u00e3ozinho n\u00e3o \u00e9 \u2018ningu\u00e9m\u2019 desde pequeno na escola, mas quando ele compra um bon\u00e9 da Lacoste, ele \u00e9 o Jo\u00e3ozinho da Lacoste\u201d<strong>, <\/strong>explica o modelo. \u201c[Na periferia] a gente tem logos grandes estampados, e por frequentar esses lugares [agora], eu vi que, \u00e0s vezes, isso nem \u00e9 bem visto\u201d<strong>, <\/strong>completa.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h2>Por que isso importa?<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Pesquisa do Instituto Data Favela com 16 mil moradores em todo o pa\u00eds aponta que quase metade relata j\u00e1 ter sido constrangido ou humilhado por n\u00e3o ter determinado produto, ou marca.<\/li>\n<li>Por outro lado, o mercado da moda tem adotado est\u00e9ticas da periferia, muitas vezes como apropria\u00e7\u00e3o sem valorizar os criadores e trabalhadores que v\u00eam dessa realidade.<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-effect=\"slide\">\n<div>\n<ul>\n<li>\n<figure><figcaption>No apartamento que mora com a av\u00f3,  Felipe adaptou um espa\u00e7o de costura no quarto e a sala, onde ensaia poses e experimenta looks de roupas, de passarela<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li>\n<figure><figcaption>No apartamento que mora com a av\u00f3,  Felipe adaptou um espa\u00e7o de costura no quarto e a sala, onde ensaia poses e experimenta looks de roupas, de passarela<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li>\n<figure><figcaption>No apartamento que mora com a av\u00f3,  Felipe adaptou um espa\u00e7o de costura no quarto e a sala, onde ensaia poses e experimenta looks de roupas, de passarela<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li>\n<figure><figcaption>No apartamento que mora com a av\u00f3,  Felipe adaptou um espa\u00e7o de costura no quarto e a sala, onde ensaia poses e experimenta looks de roupas, de passarela<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li>\n<figure><figcaption>No apartamento que mora com a av\u00f3,  Felipe adaptou um espa\u00e7o de costura no quarto e a sala, onde ensaia poses e experimenta looks de roupas, de passarela<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span>Garcia lembra que, desde pequeno, aprendeu com a m\u00e3e que, na periferia, a roupa tinha uma fun\u00e7\u00e3o: proteger da viol\u00eancia policial.<\/span> \u201cPor morar na periferia e com a presen\u00e7a constante da pol\u00edcia, ela [minha m\u00e3e] queria que eu sa\u00edsse bem vestido de casa. Mesmo que eu seguisse meu pr\u00f3prio estilo, eu tinha que sair sempre bem vestido\u201d, relembra. Ele diz tamb\u00e9m que o sonho da sua m\u00e3e era justamente ser modelo ou estilista.<\/p>\n<p>Sobre epis\u00f3dios de preconceito velado, ele relembra uma situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel quando estava prestes a participar de um grande desfile no JK Iguatemi, um dos maiores e mais caros shoppings de SP. \u201cEra o meu primeiro desfile l\u00e1, n\u00e3o tinha muita refer\u00eancia de onde peg\u00e1vamos a pulseira de identifica\u00e7\u00e3o\u201d, relembra. Ao solicitar uma informa\u00e7\u00e3o ao seguran\u00e7a, teve um tratamento pouco cordial. \u201cAntes do desfile, alguns seguran\u00e7as acabavam respondendo por obriga\u00e7\u00e3o, e era percept\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, o tratamento foi totalmente diferente no final do desfile: \u201cO p\u00f3s foi diferente, era percept\u00edvel o tratamento diferente; estava maquiado e recebia o reconhecimento de algumas pessoas que assistiram, al\u00e9m de olhares e at\u00e9 cumprimentos de alguns seguran\u00e7as\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Enquanto convers\u00e1vamos, Garcia relembrou um fato que ocorreu com o rapper Kyan, que tamb\u00e9m vem da periferia, na Praia Grande, S\u00e3o Paulo. \u201cA Lacoste queria fazer um trabalho com o Kyan, mas queria pagar com roupas ao inv\u00e9s de pagarem com cach\u00ea, enquanto outros modelos iriam receber em dinheiro. Para mim, pela Lacoste ser simb\u00f3lica na periferia, quiseram fazer isso, achei nada a ver, falta de respeito\u201d.<\/p>\n<p>A <strong>P\u00fablica <\/strong>entrou em contato com a Lacoste em busca de posicionamento, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Garcia atribui \u00e0s marcas na periferia o poder de gerar sensa\u00e7\u00e3o de conquista, n\u00e3o se tratando apenas de um gasto pelo gasto, mas de uma forma de dizer \u2018cheguei l\u00e1\u2019: \u201cSa\u00ed recentemente do CLT e a primeira coisa que eu fiz foi comprar um mizuno, tem um valor afetivo\u201d, complementa.<\/p>\n<h2><strong>Est\u00e9tica da periferia, olhar do mainstream<\/strong><\/h2>\n<p>Quando grandes marcas come\u00e7am a olhar para a moda perif\u00e9rica, oferecendo visibilidade, \u00e0s vezes essa a\u00e7\u00e3o fica apenas na superf\u00edcie, incorporando elementos de forma rasa e sem reconhecer o contexto cultural e criativo que os originou. A especialista em moda e tend\u00eancias Andressa Jurema aponta que, para al\u00e9m da visibilidade, \u00e9 preciso valorizar o movimento de forma leg\u00edtima:<\/p>\n<p>\u201cA linha est\u00e1 no reconhecimento do movimento por tr\u00e1s da moda perif\u00e9rica. Quando grandes marcas, criadores e semanas de moda valorizam os profissionais e coletivos das periferias, n\u00e3o apenas com \u2018visibilidade\u2019 pelas redes sociais \u2014 mas de fato colocando-os no centro do processo criativo, com cr\u00e9dito e remunera\u00e7\u00e3o justa, h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o leg\u00edtima. A inspira\u00e7\u00e3o se torna apropria\u00e7\u00e3o no momento em que a est\u00e9tica perif\u00e9rica \u00e9 usada sem qualquer refer\u00eancia ao movimento de quem a construiu culturalmente\u201d, critica.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"691ef4c3b1f27\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>J\u00falia e Felipe fazem parte do coletivo Na Atividade. O projeto atua com artistas perif\u00e9ricos que buscam espa\u00e7o no mercado da moda<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jurema defende que a moda perif\u00e9rica<strong> <\/strong>n\u00e3o deve ser vista como uma campanha pontual, \u00e9 necess\u00e1rio oferecer oportunidades concretas e justas:<\/p>\n<p>\u201cAinda percebo sendo tratada como algo pontual, muitas vezes em <em>styling <\/em>e dire\u00e7\u00e3o criativa de editoriais. <span>O mercado precisa se aprofundar al\u00e9m da est\u00e9tica e da narrativa visual, transformando estruturas sociais e pol\u00edticas por meio da inclus\u00e3o real<\/span>: editais espec\u00edficos, bolsas de estudo, parcerias com coletivos independentes, programas de mentoria e, sobretudo, a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais perif\u00e9ricos em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Para Ferr\u00e9z, escritor e fundador da marca 1DaSul, a trajet\u00f3ria da marca \u00e9 tamb\u00e9m um registro hist\u00f3rico de resist\u00eancia. \u201cA 1DaSul surgiu em 1999 com a vontade de ser uma marca de periferia. Eu achava que tinha que ter algo com a cara do bairro, alguma coisa que refletisse a nossa realidade.<\/p>\n<p>Desde a sua funda\u00e7\u00e3o, a 1DaSul conquistou a periferia quando esse mercado ainda n\u00e3o era valorizado por marcas maiores. \u201cDurante tr\u00eas anos consecutivos, a 1DaSul virou uma mania de vendas de bon\u00e9. Os moleques soltavam pipa com a marca, foram pegando adesivos e colando nas bicicletas, motos; a marca se consolidou porque compreendia o territ\u00f3rio e suas necessidades: \u201cAs grandes marcas n\u00e3o entenderam muita coisa, n\u00e3o entenderam cor, n\u00e3o entenderam design\u2026 est\u00e3o voltadas ao esporte de elite, n\u00e3o \u00e0 realidade da quebrada.\u201d<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, a 1DaSul precisou lidar com a percep\u00e7\u00e3o externa que minimizava seu impacto. \u201cO que eu mais escuto \u00e9: \u2018ah, \u00e9 s\u00f3 uma lojinha\u2019. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma lojinha, a gente j\u00e1 tem v\u00e1rias lojas. Tem esse desmerecimento quando \u00e9 uma coisa perif\u00e9rica e tem muita coisa perif\u00e9rica que \u00e9 importante, que fez hist\u00f3ria, que chegou antes de todo mundo, mas n\u00e3o tem o reconhecimento devido.\u201d<\/p>\n<p>Para Ferr\u00e9z, apropria\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o externa: \u201cQuando voc\u00ea v\u00ea uma grande varejista pegando pra fazer a identidade do gueto, eles pegam um s\u00edmbolo nosso e come\u00e7am a replicar nas camisetas, a\u00ed \u00e9 uma apropria\u00e7\u00e3o. Agora quando a gente faz de dentro, usando os nossos artistas colaborativos, chamando as pessoas para ter essa representatividade mesmo na fonte \u00e9 valoriza\u00e7\u00e3o. A marca sempre teve esse lugar de fala.\u201d<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria de resist\u00eancia encontra eco na an\u00e1lise contempor\u00e2nea de Wesley Xavier, especialista em comportamento e tend\u00eancias perif\u00e9ricas. \u201cElas fizeram o movimento mais dif\u00edcil: foram as primeiras a evidenciar que a periferia n\u00e3o era apenas um mercado consumidor, mas uma fonte potente de identidade, est\u00e9tica e narrativa. Voc\u00ea at\u00e9 podia ter um t\u00eanis da Nike, mas ter um bon\u00e9 da 1DaSul diferenciava voc\u00ea, caracterizava pertencimento e autenticidade que outros produtos n\u00e3o permitiam acessar.\u201d<\/p>\n<p>Xavier ressalta que a apropria\u00e7\u00e3o acontece quando a marca tenta ser protagonista, extraindo a est\u00e9tica, os c\u00f3digos e o hype da rua para benef\u00edcio pr\u00f3prio: \u201cEla se torna uma caricatura, um produto sem alma.\u201d A valoriza\u00e7\u00e3o verdadeira, segundo ele, exige constru\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos, fortalecimento das comunidades e cr\u00e9dito para os artistas locais: \u201cValorizar \u00e9 dar cr\u00e9dito, \u00e9 colaborar, \u00e9 entender que navegar nesse universo \u00e9 um campo minado que exige respeito para evitar crises culturais. A valoriza\u00e7\u00e3o, por outro lado, acontece quando a marca entende que seu papel \u00e9 o de ser suporte da cultura, n\u00e3o o protagonista.\u201d<\/p>\n<h2><strong>A moda do corre: pe\u00e7as criticam rotina do trabalho 6\u00d71<\/strong><\/h2>\n<p>Quando decidiu criar o coletivo Na Atividade, aos 19 anos, J\u00falia Ramos, produtora de moda nascida e criada na periferia do Graja\u00fa, enfrentou momentos de des\u00e2nimo. \u201cNo meu primeiro trabalho coletivo, ningu\u00e9m apareceu, pensei em desistir\u201d, relembra. O epis\u00f3dio se tornou um divisor de \u00e1guas, ajudando a filtrar quem realmente estava engajado com o projeto.<\/p>\n<p>Antes disso, ela havia trabalhado como estagi\u00e1ria de costura \u2014 uma experi\u00eancia breve, mas marcante: \u201cFoi muito bom. S\u00f3 sei costurar hoje gra\u00e7as a esse est\u00e1gio\u201d, conta.<\/p>\n<p>O primeiro editorial do projeto nasceu com a proposta de transmitir a mensagem do corre, em cr\u00edtica \u00e0 rotina exaustiva do trabalho em escala 6\u00d71. Por falta de material para o styling e devido \u00e0 chuva, as imagens precisaram ser feitas de forma improvisada: algumas na rua e outras no bar do China, na regi\u00e3o da Rep\u00fablica, centro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"691ef4c3b23db\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Julia Ramos critica a atua\u00e7\u00e3o de grandes marcas que se apropriam da est\u00e9tica, mas n\u00e3o fortalecem a periferia.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao revisar o material, contudo, ela percebeu que ele n\u00e3o dialogava diretamente com o tema original: havia apenas fotos no metr\u00f4, mostrando os jovens nos meios de transporte.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que decidiu reorganizar o editorial em tr\u00eas fases \u2013 Resenha, Vis\u00e3o e Corre \u2013 simbolizando etapas vividas por um jovem perif\u00e9rico. A Resenha destaca a import\u00e2ncia do lazer e do conv\u00edvio com os amigos; a Vis\u00e3o traz reflex\u00e3o sobre o futuro e a realidade perif\u00e9rica; e o Corre representa a virada de chave que todo jovem perif\u00e9rico enfrenta ou vai enfrentar em algum momento da vida.<\/p>\n<p>Ramos observa que muitas vezes as grandes marcas buscam o trabalho perif\u00e9rico sem representar a realidade local, enquanto produ\u00e7\u00f5es feitas por quem vive na quebrada traduzem sentimentos como inseguran\u00e7a, medo e raiva, criando conex\u00e3o verdadeira com a comunidade. Ela acrescenta que esses sentimentos tamb\u00e9m s\u00e3o fonte de inspira\u00e7\u00e3o, motivando novas cria\u00e7\u00f5es. E cr\u00edtica que: \u201cA realidade continua na quebrada; eles [as grandes marcas] s\u00f3 levam a est\u00e9tica.\u201d<\/p>\n<h2><strong>\u201cEu j\u00e1 fazia a minha moda, mesmo sem saber o que era\u201d, diz designer<\/strong><\/h2>\n<p>O Asa Dudu \u00e9 um projeto do Fundo Agbara, em parceria com a estilista M\u00f4nica Anjos, que busca incluir mulheres negras e afro-ind\u00edgenas na moda, fortalecendo empreendedoras j\u00e1 atuantes no setor. O programa oferece forma\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria da moda, corte, costura, modelagem, styling e planejamento econ\u00f4mico, ministradas por profissionais como Carol Barreto, Alexandre dos Anjos e o coletivo Ateli\u00ea TRANSmoras.<\/p>\n<div>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"691ef4c3b2758\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>H\u00e1 13 anos, a designer Fa Thereza atua no mercado da moda com a marca pr\u00f3pria que visa atender as demandas da comunidade negra.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Entre hist\u00f3rias marcantes das empreendedoras que participam do projeto est\u00e1 a de Fa Thereza da Silva, mulher preta atuante h\u00e1 anos no mercado da moda e militante do movimento negro. Quilombola de Rio de Contas, na Bahia, Silva conta como a moda entrou em sua vida naturalmente: \u201cQuando eu morava no interior da Bahia j\u00e1 fazia a minha moda, mesmo sem saber o que era. As pessoas j\u00e1 diziam: \u2018a sua roupa \u00e9 diferente, o seu estilo \u00e9 diferente\u2019. Eu n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00e3o, era totalmente intuitivo\u201d, relembra.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 20 anos em S\u00e3o Paulo, foi l\u00e1 que a virada de chave veio, atrav\u00e9s de uma indica\u00e7\u00e3o inesperada de uma conhecida: \u201cVim para S\u00e3o Paulo, trabalhava em subemprego, at\u00e9 que me indicaram para prestar servi\u00e7o artesanal em um ateli\u00ea. Em um m\u00eas fui contratada e aquele momento foi um divisor de \u00e1guas, porque ali que encontrei minha ess\u00eancia de criadora, ali me encontrei. A partir da\u00ed, nunca mais sa\u00ed da moda\u201d, conta.<\/p>\n<p>E assim come\u00e7ou a sua trajet\u00f3ria \u2013 de fato \u2013 no mercado. Se formou em Design de Moda e p\u00f3s-graduou em Educa\u00e7\u00e3o e Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais.<\/p>\n<p>Treze anos ap\u00f3s ter deixado o mundo corporativo e aberto sua pr\u00f3pria marca, Silva reflete sobre sua maior conquista nesse tempo: \u201cTenho orgulho de ter criado uma marca que representa a comunidade preta, e que as pessoas se orgulham e se encontram enquanto pessoas pretas atrav\u00e9s desse trabalho\u201d. A Santa Thereza Design, sua marca autoral, tem como miss\u00e3o trabalhar a identidade e o empoderamento da popula\u00e7\u00e3o e est\u00e9tica negra.<\/p>\n<p>Militante do movimento negro, Silva tamb\u00e9m exp\u00f5e os maiores desafios enquanto mulher preta no mercado de moda: \u201cO grande desafio pra pessoas pretas, sobretudo num mercado elitista e europeu como a moda \u00e9 o racismo, n\u00e9? Mas \u00e9 poss\u00edvel estar no mundo da moda e ser um profissional negro apresentando a cultura afro. N\u00f3s podemos \u2014 e, juntas, conseguimos ir muito al\u00e9m por meio do conhecimento, do empoderamento, da nossa hist\u00f3ria e da nossa cultura\u201d, conclui.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/desmatamento-na-amazonia-cresce-92-em-um-ano-enquanto-pl-da-devastacao-avanca-no-congresso\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/bdf-20250606-165203-321803-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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