{"id":66727,"date":"2025-11-26T18:31:45","date_gmt":"2025-11-26T21:31:45","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rio-o-massacre-e-o-livreiro-do-alemao\/"},"modified":"2025-11-26T18:31:45","modified_gmt":"2025-11-26T21:31:45","slug":"rio-o-massacre-e-o-livreiro-do-alemao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rio-o-massacre-e-o-livreiro-do-alemao\/","title":{"rendered":"Rio: O massacre e o livreiro do Alem\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"464\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Falte-de-agua-e-energia-Foto-de-Leo-Lima-696x464-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Falte-de-agua-e-energia-Foto-de-Leo-Lima-696x464-1.jpg 696w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Falte-de-agua-e-energia-Foto-de-Leo-Lima-696x464-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Falte-de-agua-e-energia-Foto-de-Leo-Lima-696x464-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\"><figcaption>Foto: L\u00e9o Lima\/Ag\u00eancia Nacional das Favelas<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original: <strong>A economia da aten\u00e7\u00e3o, Cl\u00e1udio Castro e o livreiro do Alem\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ao preparar um caf\u00e9 na manh\u00e3 do dia 28 de outubro, avistei da janela da \u00e1rea de servi\u00e7o duas espessas colunas de fuma\u00e7a negra que se elevavam no horizonte do lado oposto ao meu. A Linha Amarela divide meu ponto de observa\u00e7\u00e3o, no bairro de Del Castilho, do Complexo do Alem\u00e3o, de onde a fuma\u00e7a se erguia \u00e0 dist\u00e2ncia. Achei a imagem curiosa porque as duas colunas de fuma\u00e7a eram relativamente uniformes e pareciam relativamente afastadas, mas n\u00e3o me detive muito mais e minha aten\u00e7\u00e3o logo voltou ao que estava fazendo. Instantes depois, ap\u00f3s ver algumas publica\u00e7\u00f5es nas redes sociais, liguei a TV para acompanhar o notici\u00e1rio ao vivo. Descobri ent\u00e3o que aquelas colunas de fuma\u00e7a eram ainda mais numerosas e decorriam de barricadas incendiadas feitas para impedir a progress\u00e3o da pol\u00edcia que realizava uma opera\u00e7\u00e3o no Complexo do Alem\u00e3o. No dia seguinte, n\u00e3o lecionei as minhas aulas na UFRRJ porque estavam suspensas em raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a que ainda persistiam na cidade do Rio de Janeiro. No entanto, foi como professor que comecei a refletir sobre o curso dos acontecimentos e agora entrego um breve texto discutindo o assunto.<\/p>\n<p>Ao longo daquele dia, as not\u00edcias apresentavam um quadro embrutecido do ocorrido: 64 mortos e, entre eles, 4 policiais, al\u00e9m de dezenas de presos e apreens\u00e3o de in\u00fameros fuzis. O n\u00famero superlativo de v\u00edtimas fatais parecia refletir mais um cen\u00e1rio de guerra do que deveria ser uma opera\u00e7\u00e3o policial, mesmo considerando o aspecto militarizado do bra\u00e7o armado das organiza\u00e7\u00f5es criminosas ligadas ao tr\u00e1fico de drogas estabelecido em muitas comunidades da cidade do Rio de Janeiro. Na manh\u00e3 do dia seguinte, as not\u00edcias eram ainda mais aterradoras. Moradores estavam enfileirando mais corpos em uma pra\u00e7a, retirados de uma \u00e1rea de mata no Complexo da Penha. Ent\u00e3o, o n\u00famero de mortos havia pelo menos dobrado. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, uma interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia militar em uma rebeli\u00e3o na Casa de Deten\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, no dia 2 de outubro de 1992, havia provocado a morte de 111 detentos, fato notoriamente assombroso.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15--18.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15--18.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/15-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A morte de 121 pessoas se transformou em um valor pol\u00edtico para a economia da aten\u00e7\u00e3o. A sangrenta opera\u00e7\u00e3o policial repercutiu n\u00e3o apenas em raz\u00e3o da sua feroz dimens\u00e3o em termos de vidas perdidas, mas tamb\u00e9m pela oportunidade imediata de mobiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica. A ocorr\u00eancia de in\u00fameras mortes foi anunciada pelas autoridades do governo e das pol\u00edcias como uma vit\u00f3ria sobre o crime organizado. De forma oposta, foi apontada como resultado de um grave abuso legal, j\u00e1 que pareciam indicar que garantias legais do Estado de direito n\u00e3o foram observadas no evento. Al\u00e9m da intensa cobertura jornal\u00edstica, ouvindo pol\u00edticos e especialistas com opini\u00f5es divergentes, as not\u00edcias desencadearam uma ativa participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m discordante nas redes sociais.<sup>1<\/sup> In\u00fameros personagens da vida p\u00fablica se aproveitaram da ocasi\u00e3o para impulsionar suas a\u00e7\u00f5es. No dia 30, Cl\u00e1udio Castro, governador do Estado do Rio de Janeiro, que j\u00e1 havia declarado que a opera\u00e7\u00e3o foi um sucesso porque entre as v\u00edtimas contavam apenas quatro policiais mortos, reuniu-se com outros governadores aliados e anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um \u201ccons\u00f3rcio da paz\u201d.<\/p>\n<p>Apesar do calculado marketing social promovido atrav\u00e9s do uso das palavras cons\u00f3rcio e paz, ainda no dia 29 o governador Cl\u00e1udio Castro havia exposto sua concep\u00e7\u00e3o de como se produz uni\u00e3o de modo nada conciliat\u00f3rio: \u201cA gente n\u00e3o vai ficar respondendo nem ministro nem autoridade que queira transformar esse momento em uma batalha pol\u00edtica. O recado \u00e9: ou soma no combate \u00e0 criminalidade ou suma!\u201d<sup>2<\/sup> A linguagem adotada \u00e9 transparente. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, um slogan da ditadura militar no Brasil foi \u201cBrasil, ame-o ou deixe-o\u201d. H\u00e1 o mesmo sentido autorit\u00e1rio na advert\u00eancia \u201csoma ou suma\u201d de Cl\u00e1udio Castro. Em ambos os casos, \u00e9 tra\u00e7ada uma linha divis\u00f3ria entre um lado e o outro. A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 uma t\u00e1tica historicamente eficiente operada pela extrema direita para impulsionar rapidamente uma base de apoio, especialmente ao se utilizar de uma linguagem hostil, prop\u00edcia ao estabelecimento de um contexto de f\u00e1cil identifica\u00e7\u00e3o. O discurso de exclus\u00e3o n\u00e3o admite nuances. Pelo contr\u00e1rio, o que conecta \u00e9 a aus\u00eancia de alguma ambiguidade. Por isso, seu engajamento imediato.<\/p>\n<p>O trabalho de comunica\u00e7\u00e3o da extrema direita hoje no mundo \u00e9 selecionar temas que possuem elementos de car\u00e1ter incendi\u00e1rio, isto \u00e9, que uma vez levados \u00e0 esfera p\u00fablica, inflamam prontamente\u00a0 uma tomada de posi\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 sustentada energicamente enquanto se mant\u00eam em visibilidade. Quando Cl\u00e1udio Castro anuncia que a opera\u00e7\u00e3o policial em uma favela, tendo ocasionado mais de uma centena de mortos, foi um \u201csucesso\u201d, ele n\u00e3o est\u00e1 apenas fazendo uma aprecia\u00e7\u00e3o fantasiosa do que efetivamente aconteceu. Notavelmente, ele sabe que se trata de uma afirma\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 repercutir dramaticamente na percep\u00e7\u00e3o coletiva, que assim ser\u00e1 inescap\u00e1vel manter sua afirma\u00e7\u00e3o em evid\u00eancia em toda a m\u00eddia. A mesma coisa acontece quando o governador defende que as fac\u00e7\u00f5es criminosas ligadas ao tr\u00e1fico, como o Comando Vermelho, sejam definidas legalmente como terroristas. Mesmo que n\u00e3o alcance o pretendido, sabe que apenas o fato de anunciar a proposta, em um momento que parece favor\u00e1vel para uma intensa disputa de narrativas sobre o seu real significado, se mant\u00e9m em evid\u00eancia com repercuss\u00e3o na sua popularidade.<\/p>\n<p>Cinco dias ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o policial com n\u00famero recorde de mortos, Cl\u00e1udio Castro foi aplaudido em uma igreja cat\u00f3lica na Barra da Tijuca, ap\u00f3s cantar, retomando um h\u00e1bito semanal.<sup>3<\/sup> Pesquisa do Datafolha mostrou que, para 57% dos moradores da capital e da regi\u00e3o metropolitana, a opera\u00e7\u00e3o foi considerada um sucesso.<sup>4<\/sup> As duas informa\u00e7\u00f5es constituem registros de aprova\u00e7\u00e3o popular mensurada, obtida pelo governador. No entanto, pensamentos mais cr\u00edticos nos levam a compreender a inten\u00e7\u00e3o do projeto pol\u00edtico do qual Cl\u00e1udio Castro participa ao realizar uma opera\u00e7\u00e3o policial em \u00e1rea da cidade marcadamente popular para exibir um n\u00famero espantoso de mortos, como se entregasse um resultado necess\u00e1rio. An\u00e1lises j\u00e1 demonstraram, como a que fez o soci\u00f3logo Gabriel Feltran<sup>5<\/sup>, o significado pol\u00edtico mais largo do que tem representado recentemente com a emerg\u00eancia pol\u00edtica da extrema direita, a promo\u00e7\u00e3o da morte em opera\u00e7\u00f5es policiais: impulsionar um regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O debate sobre a necessidade da observa\u00e7\u00e3o de garantias constitucionais em uma opera\u00e7\u00e3o policial e sobre o que pretende a extrema direita ao recrudescer as pol\u00edticas de exterm\u00ednio quando governa, \u00e9 imprescind\u00edvel para a compreens\u00e3o dos rumos da sociedade brasileira na contemporaneidade. Sem essa compreens\u00e3o, n\u00e3o se pode seguir adequadamente na luta por um pa\u00eds mais democr\u00e1tico na concep\u00e7\u00e3o de uma sociedade economicamente mais justa e politicamente emancipada para as classes populares. Todavia, como professor lecionando na gradua\u00e7\u00e3o do curso de Pedagogia e na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o, gostaria de propor agora um desvio de rota da nossa aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso dizer que a resson\u00e2ncia sobre a viol\u00eancia e o abuso das no\u00e7\u00f5es mais elementares do direito constitu\u00eddo como assuntos praticamente exclusivos, ao se discutir uma opera\u00e7\u00e3o policial com 121 mortos em territ\u00f3rio caracteristicamente popular, \u00e9 uma pol\u00edtica da aten\u00e7\u00e3o de interesse da extrema direita hoje no pa\u00eds. \u00c9 preciso elaborar ainda outros debates em que a resist\u00eancia pol\u00edtica e social tamb\u00e9m apare\u00e7a, mas sobretudo com um vislumbre criador para as lutas de soberania popular.<\/p>\n<p>Ainda nas primeiras horas em que acompanhei as not\u00edcias sobre a opera\u00e7\u00e3o policial no Complexo do Alem\u00e3o, recordei-me de um livro que li h\u00e1 alguns anos e costumo mencionar nas minhas aulas da disciplina Juventude e Educa\u00e7\u00e3o: <em>O livreiro do Alem\u00e3o<\/em>, de Ot\u00e1vio J\u00fanior<sup>6<\/sup>. Algumas passagens do livro me marcaram sobremaneira porque apresentavam uma imagem de crian\u00e7as e jovens vivendo em condi\u00e7\u00f5es muito restritas, como a que reproduzo a seguir: \u201cSei, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, que as crian\u00e7as daqui t\u00eam uma vis\u00e3o muito estreita do mundo. Quase n\u00e3o saem da favela. Tudo \u00e9 perto. A escola, a igreja, o campo de futebol, o mercadinho, as ONGs. Muitas nem conhecem a praia. Ficam presas aqui dentro. Foi a leitura que me libertou dessa pris\u00e3o\u201d.<sup>7<\/sup> Ent\u00e3o, quando vejo uma not\u00edcia de que determinado n\u00famero de jovens de uma comunidade morreram eliminados pela pol\u00edcia, n\u00e3o consigo deixar de considerar que se trata de uma popula\u00e7\u00e3o confinada e sentenciada; de pessoas sem as mesmas alternativas existenciais poss\u00edveis para quem vive em outros territ\u00f3rios da cidade \u2014 ou ainda que morem no mesmo lugar, mas que por algum motivo possuem mais chances de n\u00e3o morrer t\u00e3o precocemente em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ot\u00e1vio J\u00fanior residia, na ocasi\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o do livro, no Complexo da Penha. Ainda morador da regi\u00e3o em que ocorreu a maior chacina promovida pelo Estado, sua voz possui uma autenticidade para narrar a vida no lugar que a distingue de outras que muitas vezes destoam exatamente pela falta de conhecimento aut\u00eantico a respeito das condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia desses jovens. <em>O livreiro do Alem\u00e3o<\/em>\u00a0narra como um epis\u00f3dio ocorrido ainda na inf\u00e2ncia, quando recolheu no lixo um livro que o encantou com as ilustra\u00e7\u00f5es, o transformou em um leitor. Com os anos, fez-se tamb\u00e9m artista, autor, criador cultural e incentivador da leitura na sua comunidade. Entre outros reconhecimentos que alcan\u00e7ou, no ano de 2020 recebeu o Pr\u00eamio Jabuti de Literatura Infantil com o livro <em>Da minha janela<\/em>. Consider\u00e1vel tamb\u00e9m em sua narrativa o fato de que, para prosseguir com as suas realiza\u00e7\u00f5es, deixou a escola: \u201cComecei a achar as aulas chatas\u201d.<sup>8<\/sup>\u00a0Posteriormente, concluiu o ensino m\u00e9dio. A vida de Ot\u00e1vio J\u00fanior poderia ser vista apenas como uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o, mas a sua narrativa \u00e9 muito mais generosa do que oferecer um exemplo pessoal. O que encontramos em <em>O livreiro do Alem\u00e3o <\/em>\u00e9 um olhar muito significativo sobre o lugar e um interesse leg\u00edtimo sobre as perspectivas de vida das pessoas que ali moram.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/banner-outras-palavras_-02257-4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/banner-outras-palavras_-02257-4.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/banner-outras-palavras_-02257-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Curiosamente, <em>O livreiro do Alem\u00e3o <\/em>foi concebido em fins de novembro de 2010, exatamente quando ocorreu na regi\u00e3o uma opera\u00e7\u00e3o organizada pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado com apoio das for\u00e7as armadas para a \u201cretomada do territ\u00f3rio\u201d. Ot\u00e1vio J\u00fanior finaliza o livro com alguma desconfian\u00e7a: \u201cEm lugar do al\u00edvio, tenho d\u00favidas\u201d. De fato, de in\u00edcio a chamada ocupa\u00e7\u00e3o parecia promissora, mas n\u00e3o se concretizou.<sup>9<\/sup> Ot\u00e1vio J\u00fanior j\u00e1 deixava uma pergunta decisiva em seu livro: \u201cComo mostrar agora para esses jovens que vivem aliciados pelo crime organizado, que passam o dia desocupados, que se sentem exclu\u00eddos pela sociedade, que h\u00e1 esperan\u00e7a de mudan\u00e7as na vida de todos\u201d.<sup>10<\/sup> Ele mesmo responde: \u201cTalvez a resposta esteja nos livros\u201d. Mais do que indicar que os livros s\u00e3o capazes por si s\u00f3 de criar alternativas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o existentes, a resposta de Ot\u00e1vio J\u00fanior parece apontar na dire\u00e7\u00e3o das possibilidades originalmente emancipat\u00f3rias. De modo algum se trata de \u201crecuperar o territ\u00f3rio\u201d, mas recri\u00e1-lo em favor de oportunidades de vida mais vastas, abertas e plurais, que realizem o pleno sentido de habitar uma cidade.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1 OMENA, Mateus. Megaopera\u00e7\u00e3o no Rio: o que dizem as pesquisas e as redes. <strong>exame.<\/strong>,31 out. 2025. Brasil. Dispon\u00edvel em: https:\/\/exame.com\/brasil\/megaoperacao-no-rio-o-que-dizem-as-pesquisas-e-as-redes\/. Acesso em: 16 nov. 2025.<\/p>\n<p>2 COELHO, Henrique. Ap\u00f3s mais de 120 mortes, Castro diz que megaopera\u00e7\u00e3o no RJ foi \u201csucesso\u201d: \u201cDe v\u00edtimas l\u00e1, s\u00f3 tivemos os policiais\u201d. <strong>G1<\/strong>, 20 out. 2025. Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p>https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2025\/10\/29\/claudio-castro-entrevista-apos-megaoperacao.ghtml. Acesso em: 2 nov. 2025.<\/p>\n<p>3 Cl\u00e1udio Castro \u00e9 aplaudido ap\u00f3s cantar em igreja no Rio. <strong>ICL Not\u00edcias. <\/strong>Dispon\u00edvel em: https:\/\/iclnoticias.com.br\/claudio-castro-e-aplaudido-apos-cantar-em-igreja-no-rio\/. Acesso em: 6 nov. 2025.<\/p>\n<p>4 GIELOW, Igor. Datafolha: Opera\u00e7\u00e3o mais letal foi sucesso para 57% dos moradores do Rio. <strong>Folha de S. Paulo<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 1 nov. 2025. Cotidiano. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/11\/datafolha-operacao-mais-letal-foi-sucesso-para-57-dos-moradores-do-rio.shtml. Acesso em: 6 nov. 2025.<\/p>\n<p>5 FELTRAN, Gabriel. Opera\u00e7\u00e3o no Rio faz parte de um projeto totalit\u00e1rio de extrema direita, diz pesquisador da viol\u00eancia. Entrevista concedida a Andr\u00e9 Fontenelle. <strong>Folha de S. Paulo<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 3 nov. 2025. Cotidiano. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/11\/operacao-no-rio-faz-parte-de-projeto-totalitario-de-extrema-direita-diz-pesquisador-da-violencia.shtml. Acesso em: 8 nov. 2025.<\/p>\n<p>6 J\u00daNIOR, Ot\u00e1vio. <strong>O livreiro do alem\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Panda Books, 2011.<\/p>\n<p>7 Ibidem, p. 14\/15.<\/p>\n<p>8 Ibidem, p. 40.<\/p>\n<p>9 HERINGER, Carolina; AMORIM, Diego. Dez anos ap\u00f3s retomada, Complexo do Alem\u00e3o perde servi\u00e7os, e o tr\u00e1fico volta a dominar. <strong>O Globo<\/strong>, Rio de Janeiro, 22 de nov. 2020. Rio. Dispon\u00edvel em: https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/dez-anos-apos-retomada-complexo-do-alemao-perde-servicos-o-trafico-volta-dominar-24759604. Acesso em: 17 nov. 2025.<\/p>\n<p>10 Ibidem, p. 78\/79.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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