{"id":66964,"date":"2025-11-27T18:02:19","date_gmt":"2025-11-27T21:02:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fim-da-escala-6x1-uma-luta-tambem-antirracista\/"},"modified":"2025-11-27T18:02:19","modified_gmt":"2025-11-27T21:02:19","slug":"fim-da-escala-6x1-uma-luta-tambem-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fim-da-escala-6x1-uma-luta-tambem-antirracista\/","title":{"rendered":"Fim da escala 6\u00d71: Uma luta tamb\u00e9m antirracista"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/43gautierembed3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/43gautierembed3.jpg 600w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/43gautierembed3-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/43gautierembed3-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\"><figcaption>Foto: Getty Images para Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto foi escrito por <strong><strong>Ta\u00eds Dias de Moraes<\/strong><\/strong>, com o t\u00edtulo original <strong>Por que lutar contra a escala 6\u00d71 \u00e9 lutar contra a desigualdade racial?<\/strong>, e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Desde a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o negra (pretos e pardos) permanece em posi\u00e7\u00f5es de desvantagem estrutural no mercado de trabalho brasileiro, resultado de um racismo que se mant\u00e9m como tra\u00e7o central da sociedade e se manifesta na persistente desigualdade de oportunidades e condi\u00e7\u00f5es (De Moraes, 2025). O Estado brasileiro teve papel decisivo nesse processo, seja por meio da exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra das principais prote\u00e7\u00f5es sociais na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho de 1943, seja pela neglig\u00eancia da quest\u00e3o racial durante a consolida\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e mesmo ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 (De Moraes, 2025).<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Prancheta--24.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Prancheta--24.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Embora per\u00edodos de crescimento econ\u00f4mico e pol\u00edticas sociais tenham promovido avan\u00e7os pontuais, tais conquistas foram fr\u00e1geis e sujeitas a retrocessos, especialmente ap\u00f3s a crise de 2015-2016 e a ado\u00e7\u00e3o de agendas que enfraqueceram a prote\u00e7\u00e3o social e trabalhista (De Moraes, 2025). A partir da Contrarreforma Trabalhista de 2017, intensificou-se a despadroniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, ampliando contratos at\u00edpicos e a despadroniza\u00e7\u00e3o da jornada, com impactos mais severos sobre os grupos mais vulner\u00e1veis (Cardoso, 2022) \u2013 especialmente jovens, mulheres e negros. Essa din\u00e2mica resultou em aumento da informalidade, da subocupa\u00e7\u00e3o e da exaust\u00e3o (Car-doso, 2022; Junqueira, 2024), fen\u00f4menos nos quais a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e1 sobrerrepresentada, perpetuando ciclos de exclus\u00e3o e adoecimento (De Moraes, 2025). A perspectiva racial \u00e9, portanto, fundamental para compreender os impactos da despadroniza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho, pois revela como as desigualdades hist\u00f3ricas se atualizam e se aprofundam diante das transforma\u00e7\u00f5es recentes no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Frente a essa problem\u00e1tica, o presente artigo tem como objetivo analisar como a despadroniza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho afeta a qualidade de vida dos trabalhadores no Brasil, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as entre grupos raciais. A pergunta que orienta este estudo \u00e9: de que maneira jornadas de trabalho mais longas impactam de forma diferenciada trabalhadores negros e brancos? Parte-se da hip\u00f3tese de que a despadroniza\u00e7\u00e3o das normas referentes ao tempo de trabalho, em favor dos interesses dos empregadores, agrava as desigualdades raciais, uma vez que afeta de maneira mais intensa a popula\u00e7\u00e3o negra por ser a maioria dentre os ocupadas em trabalhos ditos prec\u00e1rios. Logo, a defesa de uma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista protetiva seria fundamental para a promo\u00e7\u00e3o de um mercado de trabalho mais igualit\u00e1rio racialmente.<\/p>\n<p><strong>Despadroniza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho e qualidade de vida dos trabalhadores: as diferen\u00e7as da experi\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra<\/strong><\/p>\n<p>Jornadas de trabalho mais longas e intensas t\u00eam impactos diretos na sa\u00fade f\u00edsica e mental dos trabalhadores, devido ao aumento de estresse, ansiedade e depress\u00e3o, como argumenta o estudo do Observat\u00f3rio do Estado Social Brasileiro (2025): das 20 ocupa\u00e7\u00f5es com maiores ocorr\u00eancias de acidentes de trabalho, 12 tamb\u00e9m aparecem no ranking de profiss\u00f5es com maior carga hor\u00e1ria. E, dentre as jornadas de trabalho extensas (com 44 horas ou mais), a escala 6\u00d71 \u2013 seis dias de trabalho e um de descanso \u2013 merece destaque por estar associada a altos \u00edndices de insatisfa\u00e7\u00e3o e demiss\u00e3o, como resultado dos impactos negativos dessa forma de organiza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores (Teixeira et AI., 2025).<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, dificuldades de mensura\u00e7\u00e3o exata do n\u00famero de pessoas que trabalham nesse tipo de escala, devido \u00e0 falta de dados quantitativos oficiais. Portanto, apesar de n\u00e3o serem diretamente equivalentes, se utiliza como potencial grupo empregado nesse tipo de escala aqueles que trabalham 44 horas ou mais por semana (Teixeira et AI., 2025). A partir dessa forma de c\u00e1lculo, constata-se que essa realidade atinge especialmente jovens, nos setores com\u00e9rcio e servi\u00e7os (Borsari et AI., 2024), e tem se tornado cada vez mais comum desde a crise de 2015-2016, evoluindo de uma parcela de aproximadamente 39% do total dos ocupados, em 2015, para um pico de 48,6% em 2018 \u2013 patamar que se manteve mais ou menos inalterado desde ent\u00e3o (apenas com uma pequena queda ap\u00f3s 2021) (Ottoni, 2025).<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio, ainda, \u00e9 agravado pela crescente intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a partir de novas tecnologias e m\u00e9todos organizacionais, que exigem cada vez mais esfor\u00e7o (f\u00edsico, mental e ps\u00edquico) do trabalhador, dificultando ainda mais o aproveitamento do tempo livre pelo alto n\u00edvel de cansa\u00e7o \u2013 processo que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o considera, mantendo-se defasada ao permitir uma jornada m\u00e1xima de 44 horas semanais, mesmo frente \u00e0s v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es que ocorreram desde 1988 (Cardoso e Morgado 2019; DIEESE, 2021). Ainda, a flexibiliza\u00e7\u00e3o, ao privilegiar interesses econ\u00f4micos dos empregadores, acentua a polariza\u00e7\u00e3o entre os subocupados e os trabalhadores com sobre-jornada (Cardoso et AI, 2022), ambos com sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o negra (De Moraes, 2025).<\/p>\n<p>No contexto da escala 6\u00d71, o perfil dos trabalhadores evidencia grande vulnerabiliza\u00e7\u00e3o: no terceiro trimestre de 2024, 46,1% dos trabalhadores formais estavam em empregos de 44 horas semanais ou mais, sendo 47, 7% negros (em contraposi\u00e7\u00e3o a parcela de 44,2% dos brancos), 50% com baixa escolariza\u00e7\u00e3o e 50,4% ganhando entre 1 e 2 sal\u00e1rios-m\u00ednimos (Ottoni, 2025).<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HUCITEC-basaglia3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HUCITEC-basaglia3.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia3-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os efeitos negativos da flexibiliza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho na qualidade de vidas dos trabalhadores, em conjunto com o perfil vulner\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o empregada nesse tipo de jornada, refor\u00e7am a necessidade de a luta por direitos trabalhistas estar sempre associada \u00e0 luta contra as formas de discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e opress\u00e3o, presentes na sociedade brasileira, tal como as desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a (Borsari et AI., 2024). Al\u00e9m de serem maioria em indicadores de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, esses grupos vivenciam os fen\u00f4menos de intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalho de forma diferentes, pelo ac\u00famulo de desigualdades em v\u00e1rias outras dimens\u00f5es da vida, tais como acesso diferenciado a transporte p\u00fablico, moradia, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o e outras discrimina\u00e7\u00f5es que dificultam, por exemplo, sua ascens\u00e3o social (Da Silva Rodrigues e De Lima, 2025).<\/p>\n<p>Quando analisadas as m\u00e9dias das horas semanais habitualmente trabalhadas, para o 4\u00b0 trimestre de 2024, de acordo com o recorte de g\u00eanero e ra\u00e7a, a princ\u00edpio, o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00e9dia maior para mulheres e homens brancos, com mais de 1 hora, e a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e homens negros (Teixeira et AI., 2025). Vale ressaltar que essa m\u00e9dia \u00e9 \u201cpuxada para baixo\u201d no caso das pessoas negras porque s\u00e3o elas que apresentam as maiores propor\u00e7\u00f5es nos indicadores de subocupa\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia de horas<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Nesse sentido, ao analisar isoladamente o n\u00famero de ocupados em jornadas acima de 44 horas para esses grupos raciais \u00e9 poss\u00edvel perceber que a maior parte \u00e9 de homens negros (36,7%), seguido por homens brancos (29,5%), mulheres negras (17,6%) e mulheres brancas (15,1%). Ou seja, negros s\u00e3o maioria nessa categoria, representando 54,3% dos ocupados, contra 44,6% de representa\u00e7\u00e3o branca. Essa diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior \u2013 11,8 pontos percentuais (p.p.) \u2013 quando n\u00e3o consideramos a posi\u00e7\u00e3o \u201cempregadores\u201d, muito mais expressiva para brancos (60,9%) do que para negros (36,6%). E, considerando apenas os trabalhadores com v\u00ednculos formais \u2013 aqueles que poderiam ser afetados pelo fim da escala 6\u00d71 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u2013 a diferen\u00e7a \u00e9 de 13 p.p. (56% para os negros e 43% para os brancos). Em n\u00fameros absolutos, seriam, aproximadamente, 3.8 milh\u00f5es de pessoas brancas e 5 milh\u00f5es de pessoas negras que poderiam se beneficiar com essa mudan\u00e7a na jornada de trabalho (Teixeira et AI., 2025).<\/p>\n<p>Em adi\u00e7\u00e3o, no agregado da economia, a potencialidade de cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, que o fim da escala 6\u00d71 representa, aumentaria a massa salarial e proporcionaria maior dinamismo econ\u00f4mico (Borsari et AI., 2024). E, como os indicadores de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, precariza\u00e7\u00e3o e desemprego recaem mais intensamente na popula\u00e7\u00e3o negra (De Moraes, 2025), esta representa um contingente potencial expressivo a ser beneficiado por uma poss\u00edvel cria\u00e7\u00e3o de novos postos<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos n\u00fameros, aspectos qualitativos da experi\u00eancia de pessoas negras com jornadas de trabalho extensas s\u00e3o essenciais para compreender o real significado dos efeitos de uma poss\u00edvel diminui\u00e7\u00e3o dos dias de trabalho na semana. No que tange a escolaridade, cada vez mais exigida pelo mercado de trabalho, h\u00e1 dificuldades expressivamente maiores dos negros em rela\u00e7\u00e3o aos brancos. H\u00e1 uma menor possibilidade de dedica\u00e7\u00e3o do jovem negro trabalhador aos estudos, principalmente pela inser\u00e7\u00e3o mais prec\u00e1ria desses no mercado de trabalho (Santos e Scopinho, 2011). Associam-se, ainda, fatores como maior comprometimento com a sobreviv\u00eancia familiar e com afazeres dom\u00e9sticos (DIEESE, 1999). O resultado \u00e9 um ciclo de exclus\u00e3o que se perpetua entre gera\u00e7\u00f5es: os n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o inferiores, para ambos os sexos, explicariam, em alguma medida, a maior inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra em ocupa\u00e7\u00f5es com menor qualifica\u00e7\u00e3o, configurando um \u201cc\u00edrculo vicioso que alimenta a exclus\u00e3o do negro de melhores n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o e melhores oportunidades de trabalho\u201d (DIEESE, 1999, p. 33).<\/p>\n<p>O status socioecon\u00f4mico inicial tamb\u00e9m exerce influ\u00eancia diferenciada sobre grupos raciais. O b\u00f4nus de ter uma origem mais vantajosa s\u00e3o mais ben\u00e9ficas para o grupo racial branco e o \u00f4nus de uma posi\u00e7\u00e3o inicial mais desvantajosa s\u00e3o maiores para os negros. Os efeitos da busca por uma educa\u00e7\u00e3o melhor, como consequ\u00eancia, tamb\u00e9m s\u00e3o menores para o segundo grupo no que tange ao acr\u00e9scimo de renda esperada. Por isso, a desvantagem socioecon\u00f4mica quando combinada com o quesito racial, representa um ponto de aten\u00e7\u00e3o importante para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais inclusivas no Brasil (Santos, 2023).<\/p>\n<p>Nesse sentido, ser negro (e ind\u00edgena) aumenta a chance de ser pobre de tempo no Brasil, corroborando a evid\u00eancia internacional de que minorias \u00e9tnicas s\u00e3o mais pobres de tempo do que as demais (Filippi et AI., 2023). Aspectos como idade, regionalidade, escolaridade e g\u00eanero tamb\u00e9m interferem nessa tend\u00eancia: pessoas jovens, mulheres, m\u00e3es de filhos de menos de 14 anos, pessoas com baixa escolaridade, residentes de \u00e1rea urbana e da regi\u00e3o Nordeste, s\u00e3o as caracter\u00edsticas que re\u00fanem maior probabilidade de um indiv\u00edduo enfrentar pobreza de tempo (Ribeiro, 2012; Silva, 2015).<\/p>\n<p>Assim, o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e, consequentemente, a gest\u00e3o do tempo de seu trabalho, tem grande influ\u00eancia sobre a organiza\u00e7\u00e3o das suas atividades ao longo dos sete dias da semana. Por isso, n\u00e3o apenas as jornadas longas (de 44 horas ou mais), mas tamb\u00e9m o tipo da escala interfere na autonomia de organiza\u00e7\u00e3o do tempo de lazer, que, devido \u00e0s desigualdades do mercado de trabalho brasileiro, se restringe apenas \u00e0queles grupos populacionais mais instru\u00eddos e mais bem colocados no mercado de trabalho (Neubert, Mont\u2019Alv\u00e3o e Tavares, 2016).<\/p>\n<p>Outro componente que contribui \u00e0 maior tend\u00eancia \u00e0 pobreza de tempo \u00e9 a diferencia\u00e7\u00e3o significativa do tempo de deslocamento entre a resid\u00eancia e o local de trabalho entre os grupos raciais. De acordo com o Retrato das Desigualdades da PNAD, durante todo o per\u00edodo entre 1996 e 2008, a faixa de tempo de deslocamento de at\u00e9 30 minutos \u2013 que tende a indicar maior bem-estar \u2013 apresentou uma porcentagem mais significativa da popula\u00e7\u00e3o branca do que a da popula\u00e7\u00e3o negra. \u00c0 exemplo de 2008, 69,3% da popula\u00e7\u00e3o branca estava nessa faixa, enquanto a popula\u00e7\u00e3o negra foi de 64,9%. Em contraposi\u00e7\u00e3o, nas faixas de maior tempo de deslocamento, entre 30 minutos e uma hora e de uma a duas horas, os negros tinham maior participa\u00e7\u00e3o: 24% e 8%, em contraposi\u00e7\u00e3o aos brancos que apresentaram uma participa\u00e7\u00e3o de 21% e 6%, respectivamente (Bonetti e Abreu, 2011).<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a se d\u00e1 principalmente pela desigualdade de acesso \u00e0 cidade entre os grupos raciais<sup>4<\/sup>, se evidenciando um ciclo vicioso entre pobreza monet\u00e1ria e pobreza de tempo. Al\u00e9m dessa desigualdade, h\u00e1 dificuldade no acesso \u00e0 infraestrutura, servi\u00e7os e bens \u2013 sem contar, ainda, a quest\u00e3o da criminalidade e da seguran\u00e7a p\u00fablica. Finalmente, as grandes dist\u00e2ncias a serem percorridas diariamente tamb\u00e9m compromete a renda dos moradores de bairros perif\u00e9ricos<sup>5 <\/sup>(De Sousa, 2021).<\/p>\n<p>Ainda no que se refere \u00e0 renda, dentre as pessoas que trabalham mais de 40 horas por semana, 41% recebem at\u00e9 1,5 do sal\u00e1rio m\u00ednimo (14 milh\u00f5es de trabalhadores) (Ottoni, 2025). E, quando nos deparamos com os dados de remunera\u00e7\u00e3o por ra\u00e7a dos setores que comumente aderem \u00e0 escala 6\u00d71, encontramos uma desigualdade expressiva: a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das pessoas pretas e pardas, tanto para homens quanto para mulheres, \u00e9 consideravelmente menor em todos os setores (Silva, 2024).<\/p>\n<p>Outro aspecto importante que exp\u00f5e a diferen\u00e7a da experi\u00eancia de pessoas negras e brancas com jornadas extensas \u00e9 a sa\u00fade, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados de sa\u00fade mental, que apresentam disparidades significativas no acesso e nos resultados de interven\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. Na pr\u00e1tica, isso pode significar uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o com problemas de sa\u00fade mental n\u00e3o tratados ou diagnosticados (Da Silva Barbosa, De Paula Black e Da Silva, 2024).<\/p>\n<p>De acordo com a psic\u00f3loga Ana Lu\u00edsa Ara\u00fajo Dias, Mestra em Sa\u00fade Comunit\u00e1ria pela Universidade Federal da Bahia, seria poss\u00edvel, inclusive \u2013 a partir dos casos diagnosticados de <em>burnout, <\/em>ansiedade e depress\u00e3o, por exemplo -, fazer um paralelo ao trabalho na escala 6\u00d71 com a escravid\u00e3o pelo corpo do trabalhador em ambos os casos n\u00e3o ser visto como digno de vitalidade e enxergado apenas a partir da \u00f3tica da produ\u00e7\u00e3o e da exaust\u00e3o (Junqueira, 2024). Esse tipo de escala de trabalho n\u00e3o teria espa\u00e7o para uma fase de recupera\u00e7\u00e3o, o que recairia de forma ainda mais intensa sobre as pessoas negras pela marca hist\u00f3rica subjetiva do modo de trabalho cont\u00ednuo e exaustivo para essa parcela da popula\u00e7\u00e3o (Junqueira, 2024), como demonstrado anteriormente. O racismo, ao estruturar a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e limitar o reconhecimento do trabalhador negro, \u00e9 fonte de sofrimento ps\u00edquico e de adoecimento, tornando o ambiente laboral um espa\u00e7o de reprodu\u00e7\u00e3o da desigualdade e da desvaloriza\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9tnico-racial (Silva e Rocha, 2018).<\/p>\n<p>Outro efeito muito preocupante da pobreza de tempo refere-se ao isolamento social, dado que a falta de tempo impossibilita as rela\u00e7\u00f5es de serem vividas, o que fragiliza muito a sa\u00fade mental das pessoas. Por fim, ainda h\u00e1 a falta de conviv\u00eancia familiar, que impossibilita o acompanhamento dos pais na vida e no desenvolvimento de seus filhos<sup>6<\/sup> .Ou seja, o dia de folga n\u00e3o serviria para o descanso, para a sociabiliza\u00e7\u00e3o, para a conviv\u00eancia familiar, nem para o lazer, mas apenas para a prepara\u00e7\u00e3o para o retorno ao trabalho por mais seis dias seguidos (Junqueira, 2024).<\/p>\n<p>Nesse sentido, como defendem Silva e Carneiro (2023), pelo fato do racismo estrutural e das desigualdades sociais criarem condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de sofrimento, a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental deve estar associada ao enfrentamento das formas de explora\u00e7\u00e3o do capitalismo, das pr\u00e1ticas neoliberais e do racismo. Por fim, as desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a se entrela\u00e7am de maneira ainda mais evidente na divis\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico. Entre 1996 e 2008, havia uma maior propor\u00e7\u00e3o de mulheres negras cuidando das atividades dom\u00e9sticas do que de mulheres brancas \u2013 na m\u00e9dia, 2,5 pontos percentuais de diferen\u00e7a \u2013 devido \u00e0 desigualdade de renda entre os dois grupos. Consequentemente, tal diferen\u00e7a pode ser observada na quantidade de horas semanais despendidas neste tipo de afazeres, com uma hora a mais, em m\u00e9dia, para o primeiro grupo. J\u00e1 entre os homens brancos e negros, n\u00e3o se observa a mesma tend\u00eancia, apenas uma diferen\u00e7a (8,6 horas semanais) para a primeira e \u00faltima faixa de rendimento (8.6 p.p. e tr\u00eas horas). Na verdade, as mulheres em domic\u00edlios com o tipo de arranjo familiar \u201ccasal\u201d, com ou sem filhos, trabalham, em m\u00e9dia, 4,5 horas a mais do que aquelas que n\u00e3o tem companheiros. Ou seja, a presen\u00e7a de um homem no domic\u00edlio gera consider\u00e1vel sobrecarga de tarefas dom\u00e9sticas \u00e0 mulher (Bonetti e Abreu, 2011). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres que tamb\u00e9m mant\u00e9m uma ocupa\u00e7\u00e3o remunerada no mercado de trabalho, se percebe uma diferen\u00e7a significativa de horas semanais despendidas em afazeres dom\u00e9sticos entre as tr\u00eas primeiras faixas de jornada de trabalho semanal (at\u00e9 14 horas, de 15 a 39 horas e de 40 a 44 horas): com m\u00e9dias de 29,5, 24,0 e 17,8 horas semanais, respectivamente, em 2008. Essa m\u00e9dia nas \u00faltimas duas faixas de jornada de trabalho, por\u00e9m, praticamente n\u00e3o se altera, mantendo-se em 17, 9 horas semanais, em 2008, tanto para as que trabalham entre 45 e 48 horas, quanto para aquelas que trabalham mais de 49 horas (Bonetti e Abreu, 2011).<\/p>\n<p>Ainda, al\u00e9m da sobrecarga das tarefas dom\u00e9sticas e da dupla ou tripla jornada, \u00e9 fundamental considerar o papel central das mulheres negras como chefes de fam\u00edlia no Brasil, uma vez que fam\u00edlias monoparentais chefiadas por elas cresceram significativamente entre 1995 e 2015. Esse fen\u00f4meno \u00e9 crucial porque essas fam\u00edlias est\u00e3o entre as mais pobres do pa\u00eds<sup>7<\/sup>, principalmente devido a inser\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria das chefes de fam\u00edlia no mercado de trabalho, contribuindo para um fen\u00f4meno de transmiss\u00e3o intergeracional da pobreza (De Moraes, 2020).<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>O presente artigo analisou como a crescente despadroniza\u00e7\u00e3o das normas referentes ao tempo de trabalho afeta cada vez mais a qualidade de vida dos trabalhadores no Brasil, com foco nas desigualdades raciais. Os dados e debates apresentados mostram que a informalidade, a subocupa\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o atingem de forma desproporcional trabalhadores negros, especialmente mulheres, perpetuando barreiras hist\u00f3ricas \u00e0 inser\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio se agrava diante do avan\u00e7o de discursos autorit\u00e1rios que ignoram as necessidades dos trabalhadores e aprofundam a divis\u00e3o da classe trabalhadora, dificultando avan\u00e7os coletivos e mantendo as hierarquias sociais e raciais (De Moraes, 2025). Diante disso, \u00e9 fundamental que as lutas sindicais e pol\u00edticas avancem para al\u00e9m da revers\u00e3o de retrocessos recentes, mas que tamb\u00e9m incluam a formaliza\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o de segmentos historicamente exclu\u00eddos, com aten\u00e7\u00e3o especial para as mulheres negras. Apenas uma agenda que una a defesa da qualidade de vida, a redu\u00e7\u00e3o da jornada e o combate \u00e0s desigualdades raciais e de g\u00eanero poder\u00e1 promover um mercado de trabalho mais democr\u00e1tico e inclusivo.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>2 \u2013 De acordo com os dados da PNAD, analisados pelo Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho da Unicamp, a taxa de subocupados por insufici\u00eancia de horas no 4\u00b0 trimestre de 2024 era de 5,8% para os negros e 3,4% para os brancos (aproximadamente, 3,4 milh\u00f5es e 1.5 milh\u00e3o de pessoas, respectivamente) \u2013 ou seja, 69% dos subocupados por insufici\u00eancia de horas eram negros. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores informais, os negros representavam 63,2%, no mesmo per\u00edodo \u2013 a taxa de informalidade era de 46,9% para os negros e 35,2% para os brancos (aproximadamente, 27.1 e 15. 7 milh\u00f5es de pessoas, respectivamente).<\/p>\n<p>3 \u2013 Em car\u00e1ter exemplificativo, per\u00edodos de crescimento econ\u00f4mico e de melhora das condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013 especialmente no que tange a formaliza\u00e7\u00e3o -, foi poss\u00edvel observar uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o gradual da desigualdade racial no mercado de trabalho, apesar da resist\u00eancia da disparidade (De Moraes, 2025; IPEA, 2012).<br \/>4 \u2013 De acordo com o Censo de 2022, a popula\u00e7\u00e3o das Favelas e Comunidades Urbanas era, em sua maioria, negra. As propor\u00e7\u00f5es de pardos (56,8%) e pretos (16,1%) era, inclusive, superior \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o como um todo (45,3% e 10,2%, respectivamente). Em contrapartida, pessoas brancas tinham sua participa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o total bem abaixo do observado na popula\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es perif\u00e9ricas (43,5% e 26,6%, respectivamente).<br \/>5 \u2013 No Rio de Janeiro, em 2020, por exemplo, esse gasto chegava a comprometer mais de um ter\u00e7o da renda dos residentes de diversos bairros perif\u00e9ricos da cidade (De Sousa, 2021).<br \/>6 \u2013 Relatos de trabalhadoras confirmam esse cen\u00e1rio. Ver: AGUIAR, E. \u2018Merecemos mais dignidade que a escala 6Xl\u2019, diz trabalhadora negra perif\u00e9rica. Ag\u00eancia Mural, 20 nov. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/agenciamural.org.br\/merecemos-mais-digni-dade-que-a-escala-6xl-diz-trabalhadora-negra-periferica\/.<br \/>7 \u2013 Em 2009, a renda domiciliar per capita m\u00e9dia de uma fam\u00edlia chefiada por um homem branco era de R$ 997, e a de uma mulher negra, R$ 491. Al\u00e9m disso, 69% das fam\u00edlias chefiadas por mulheres negras viviam com at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo, frente a 41 % das fam\u00edlias chefiadas por homens brancos (De Moraes, 2020).<br \/>8 \u2013 Jornadas extensas, que somam trabalho remunerado e n\u00e3o remunerado, deixam pouco tempo para o cuidado e acompanhamento dos filhos \u2013 que, por sua vez, tem seu desenvolvimento impactado negativamente. Isso dificulta a perman\u00eancia das crian\u00e7as na escola e restringe suas oportunidades de mobilidade social. Ou seja, o racismo estrutural e a desigualdade de g\u00eanero contribuem para a transmiss\u00e3o intergeracional da pobreza.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BONETTI, A. L.; ABREU, M. A. A. (Orgs.). <strong>Faces da desigualdade de g\u00eanero e ra\u00e7a no Brasil. <\/strong>Bras\u00edlia: IPEA, 2011.<\/p>\n<p>BORSARI, P. SCAPINI, E. KREIN J. 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Dispositivo de racialidade e sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o negra: algumas reflex\u00f5es pol\u00edticas e psicanal\u00edticas. <strong>Psicologia <\/strong>&amp; <strong>Sociedade,<\/strong>v. 35, pp. e276440, 2023.<\/p>\n<p>SILVA, A. P. S.; ROCHA, M. L. M. Trabalho, racismo e sofrimento ps\u00edquico: uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica. <strong>Psicologia: Ci\u00eancia e Profiss\u00e3o,<\/strong>v. 38, n. 2, pp. 372-387, 2018.<\/p>\n<p>SILVA, C. R. Negros s\u00e3o maioria dos trabalhadores na escala 6xl e t\u00eam os menores sal\u00e1rios. <strong>Alma Preta Jornalismo, <\/strong>15 nov. 2024. Dispon\u00edvel em: https :\/\/almapreta.com.br\/sessao\/politica\/negros-sao-maioria-na-escala-6x-1-e-tem-os-menores-salarios\/.<\/p>\n<p>SILVA, J. C. <strong>Ensaios sobre pobreza, desigualdade de renda e crescimento econ\u00f4mico no Brasil. <\/strong>[Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado]. Fortaleza: UFCE, 2015.<\/p>\n<p>OBSERVAT\u00d3RIO DO ESTADO SOCIAL BRASILEIRO. <strong>O que esconde a escala 6\u00d71: roubo de tempo e cotidiano dos trabalhadores precarizados.<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<p>Rio de Janeiro: SECRJ, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wordpress-direta.s3.sa-east-1. amazonaws.com\/sites\/860\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/28131840\/ Ebook-O-que-esconde-a-escala-6xl-roubo-de-tempo-e-cotidiano-dos-traba-lhadores-preca rizados. pdf.<\/p>\n<p>TEIXEIRA, M.; SALIBA, C.; OLIVEIRA, C. L.; ALSISI, L. B. O Brasil est\u00e1 pronto para trabalhar menos: a PEC da redu\u00e7\u00e3o da jornada e o fim da es-cala 6xl. <strong>Nota de Economia 04\/2025, <\/strong>n. 13. Campinas: Transforma\/ UNICAMP, 2025.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Tamb\u00e9m seria poss\u00edvel combater outra desigualdade racial: a \u201cpobreza de tempo\u201d, que impacta na sa\u00fade mental e acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, alimentando um ciclo vicioso de exclus\u00e3o<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/fim-da-escala-6x1-uma-luta-tambem-antirracista\/\">Fim da escala 6\u00d71: Uma luta tamb\u00e9m antirracista<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66965,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[7499,27204,7053,1963,614,31778,5834],"tags":[],"class_list":["post-66964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acesso-a-educacao","category-cesit-jornada","category-desigualdades-raciais","category-escala-6x1","category-saude-mental","category-sobrecarga-domestica","category-trabalho-e-precariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}