{"id":67527,"date":"2025-12-01T18:09:42","date_gmt":"2025-12-01T21:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/reducao-da-jornada-que-grupos-sociais-lideram-as-lutas\/"},"modified":"2025-12-01T18:09:42","modified_gmt":"2025-12-01T21:09:42","slug":"reducao-da-jornada-que-grupos-sociais-lideram-as-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/reducao-da-jornada-que-grupos-sociais-lideram-as-lutas\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o da jornada: que grupos sociais lideram as lutas"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps-272x182.jpg 272w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2BrequeDosApps.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Mobiliza\u00e7\u00e3o nacional #BrequedosApps realizada no dia 01 de julho \u2013 S\u00e3o Paulo (Luca Meola)<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto foi escrito por <strong><strong>Nat\u00e1lia Cindra e Tiago Magaldi<\/strong><\/strong>, com o t\u00edtulo original <strong>Juventude, precariza\u00e7\u00e3o e novos horizontes de resist\u00eancia: o que de novo mostram as lutas pela vida al\u00e9m do trabalho?<\/strong>, e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o \u00e9 segredo que enfrentamos, no Brasil, anos de \u201cofensiva neoliberal restauradora\u201d (Marcelino e Galv\u00e3o, 2020). Ainda que a elei\u00e7\u00e3o de Lula para um terceiro mandato em 2022 tenha significado uma desacelera\u00e7\u00e3o real da blitzkrieg neoliberal e reacion\u00e1ria representada por Bolsonaro e seu bloco, os tempos s\u00e3o claramente de conten\u00e7\u00e3o t\u00e1tica e recuo estrat\u00e9gico das for\u00e7as progressistas: arredondam-se arestas de bandeiras hist\u00f3ricas da esquerda, amplia-se ao limite o arco de alian\u00e7as.<\/p>\n<p>Essa ofensiva teve in\u00edcio ainda nos anos de 1990, n\u00e3o por acaso a d\u00e9cada na qual o tema da precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho passou para o centro da pesquisa sociol\u00f3gica. Grande desafio para a imagina\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica brasileira: o instrumental anal\u00edtico acumulado para investigar o padr\u00e3o fordista n\u00e3o parecia dar conta das novas realidades (Ramalho, 2008). Algo semelhante parece estar ocorrendo no presente momento, e \u00e9 urgente elaborar a respeito das recentes mudan\u00e7as.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Prancheta-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Prancheta-4.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Desde ent\u00e3o, o movimento que caracterizou a d\u00e9cada de 1990 seguiu seu curso, culminando com a aprova\u00e7\u00e3o da Lei 13.467\/2017, a chamada Reforma Trabalhista, no governo golpista de Michel Temer. Mas ele n\u00e3o se esgotou nela: como demonstram os estudos de Sayonara Grillo e coautores (Artur, Grillo e Pessanha, 2023; Grillo e Carelli, 2021), seguimos em um contexto de \u201creforma trabalhista permanente\u201d, com a degrada\u00e7\u00e3o regular e sistem\u00e1tica do v\u00ednculo de trabalho formal.<\/p>\n<p>Como era de se esperar, j\u00e1 come\u00e7am a surgir rea\u00e7\u00f5es. Mesmo em um contexto de hegemonia conservadora \u2013 ou, talvez, justamente por isso-, os resultados precarizantes da desregulamenta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho tem produzido movimentos sociais que podem significar embri\u00f5es de um novo ciclo de luta dos trabalhadores. \u00c9 preciso, no entanto, que tais movimentos sejam corretamente analisados nas suas possibilidades e limites, bem como \u2013 e \u00e9 o que tentaremos aqui \u2013 nas causas espec\u00edficas que os fizeram nascer. As duas categorias das quais partiremos, comerci\u00e1rios e trabalhadores plataformizados, s\u00e3o um caso particular desse movimento que, a nosso ver, compartilham, cada uma a seu modo, um fundo cr\u00edtico comum: uma reivindica\u00e7\u00e3o de um tempo al\u00e9m do trabalho. O que isso significa exatamente?<\/p>\n<h3><strong>Jovens, negros e precarizados<\/strong><\/h3>\n<p>Comecemos pelo perfil desses trabalhadores.<\/p>\n<p>Em conjunto com o setor de servi\u00e7os, o com\u00e9rcio representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds. P\u00f3s pandemia, tem crescido todos os anos o n\u00famero de postos de trabalho, significando em 2023 10,5 milh\u00f5es de pessoas (IBGE, 2024). N\u00e3o \u00e0 toa, o setor \u00e9 comumente entendido como a principal porta de entrada no mercado de trabalho por, na maioria das vezes, n\u00e3o exigir qualifica\u00e7\u00e3o formal ou treinamento espec\u00edfico.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio \u00e9 composto por uma grande diversidade de estabelecimentos, que divergem em tamanho, p\u00fablico, sistem\u00e1tica de remunera\u00e7\u00e3o (como comiss\u00e3o por vendas, premia\u00e7\u00f5es coletivas por metas etc.) e rela\u00e7\u00f5es de trabalho[i]: lojas familiares de pequeno porte, lojas de luxo de shopping centers e grandes redes internacionais varejistas encontram-se lado a lado no setor. No entanto, h\u00e1 importantes caracter\u00edsticas comuns: baixas remunera\u00e7\u00f5es, alta rotatividade e, sobretudo, longas jornadas. Os comerci\u00e1rios, mesmo os formais, trabalham em dias e hor\u00e1rios que outros trabalhadores n\u00e3o est\u00e3o trabalhando, como domingos, feriados e, quando h\u00e1 proximidade a datas comemorativas, inclusive de madrugada. Nesse sentido, segundo dados da RAIS\/MTE (2023), 91% dos contratos do com\u00e9rcio s\u00e3o para jornadas maiores do que 40h semanais. Considerando que a extens\u00e3o da jornada de trabalho no com\u00e9rcio muitas vezes n\u00e3o \u00e9 formalizada propriamente<strong>, <\/strong>compreende-se que esse n\u00famero \u00e9 subnotificado, sendo ainda maior na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ainda, considerando que nos grandes centros urbanos os trabalhadores com baixa remunera\u00e7\u00e3o moram em regi\u00f5es perif\u00e9ricas, o tempo de deslocamento \u00e9 tamb\u00e9m significativo. Assim, \u00e9 de se imaginar que o tempo que esses trabalhadores disp\u00f5em para trabalhar (considerando deslocamento e o tempo no trabalho) ocupa quase todo o seu dia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os dados recentes chamam aten\u00e7\u00e3o sobre a escolaridade. Ainda segundo a RAIS\/MTE 2023, cerca de 82% dos comerci\u00e1rios t\u00eam pelo menos o Ensino M\u00e9dio completo, m\u00e9dia maior que em outros setores, com exce\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e dos profissionais da ci\u00eancia e das artes. No entanto, mesmo tendo a grande maioria do setor com Ensino M\u00e9dio completo e extensas jornadas de trabalho, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do com\u00e9rcio n\u00e3o supera 1,6 sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/HUCITEC-eticadissidencia.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/HUCITEC-eticadissidencia.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-eticadissidencia-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Destaque importante do perfil comerci\u00e1rio \u00e9 a forte presen\u00e7a de jovens no com\u00e9rcio. Cerca de 42% dos trabalhadores do com\u00e9rcio no Brasil s\u00e3o jovens de at\u00e9 29 anos e 26% t\u00eam de 30 a 39 anos. Ou seja, considerando a categoria de \u201cjovem trabalhador\u201d atribu\u00edda a pessoas inseridas no mercado de trabalho com at\u00e9 35 anos, podemos concluir que a maioria do setor do com\u00e9rcio \u00e9 formado por jovens trabalhadores.<\/p>\n<p>Sobre ra\u00e7a\/cor, a base de dados do Minist\u00e9rio do Trabalho \u00e9 insuficiente. Por\u00e9m, em pesquisa nacional recente sobre a escala 6\u00d71 organizada pelo Observat\u00f3rio do Estado Social Brasileiro e pelo Sindicato dos Comerci\u00e1rios do Rio, a grande maioria dos trabalhadores do com\u00e9rcio \u00e9 composta por pessoas negras, sendo 43% autodeclaradas pardas e 19% autodeclaradas pretas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, podemos perceber que os comerci\u00e1rios brasileiros s\u00e3o compostos por uma maioria de pessoas negras, com baixas remunera\u00e7\u00f5es, extensas jornadas de trabalho, Ensino M\u00e9dio completo sendo, em sua maioria, jovens trabalhadores.<\/p>\n<p>Trata-se de um perfil muito pr\u00f3ximo ao dos entregadores plataformizados. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD-C), produzida pelo IBGE (2023), em 2022 a m\u00e9dia de idade dos entregadores era de 34,2 anos, sendo que 42% deles possu\u00edam entre 14 e 29 anos; s\u00e3o, em m\u00e9dia, cerca de 5 anos mais jovens que os trabalhadores formais e informais, embora seu contingente n\u00e3o seja constitu\u00eddo apenas de jovens. Eram trabalhadores majoritariamente n\u00e3o-brancos (58%) e que apresentaram mais anos de estudos que outros trabalhadores informais (11,6 contra 10,4 anos). Por fim, 42% afirmam serem chefes de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s caracter\u00edsticas comparadas das atividades propriamente ditas, vejamos a Tabela 1 abaixo:<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"957\" height=\"417\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Screenshot-2025-12-01-at-14-53-37-Artigo-15pdf-Reducao-da-Jornada15pdf.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Screenshot-2025-12-01-at-14-53-37-Artigo-15pdf-Reducao-da-Jornada15pdf.png 957w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Screenshot-2025-12-01-at-14-53-37-Artigo-15.pdf-Reducao-da-Jornada15.pdf-300x131.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Screenshot-2025-12-01-at-14-53-37-Artigo-15.pdf-Reducao-da-Jornada15.pdf-768x335.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 957px) 100vw, 957px\"><\/figure>\n<p>Quanto \u00e0s horas trabalhadas, nota-se que os entregadores trabalham, em m\u00e9dia, 44,4 horas, bem acima de trabalhadores informais (35 horas) e formais (40,6 horas). Essa tend\u00eancia ao alongamento da jornada se mostra tamb\u00e9m quando comparamos o percentual daqueles que declararam trabalhar 60 horas semanais ou mais: 19% para entregadores, 6% para informais e 6% para formais. Em compensa\u00e7\u00e3o, essa superjornada remunera mais em m\u00e9dia os entregadores que os informais, e com uma grande diferen\u00e7a: R$ 2.525,00 para entregadores e R$ 1.849,00 os informais; o trabalho formal em geral segue sendo mais bem remunerado, com uma m\u00e9dia de R$ 3.591,00. No entanto, se compararmos a propor\u00e7\u00e3o de renda por horas trabalhadas, as medidas se aproximam: a de entregadores \u00e9 de 13,1 reais por hora trabalhada, enquanto a dos trabalhadores informais \u00e9 de 12,2 reais. Isto \u00e9, os trabalhadores de plataforma recebem mais, mas trabalham muito mais horas. Novamente, aqui, o trabalho formal apresenta a melhor marca: 20,4 reais por hora trabalhada, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Em suma, temos nos entregadores trabalhadores mais jovens que a m\u00e9dia do mercado de trabalho formal e informal; quase metade de chefes de fam\u00edlia, n\u00e3o-brancos em sua maioria e que trabalham longas jornadas, com quase 20% deles declarando trabalhar 60 horas ou mais por semana. Essa jornada, como ocorre tamb\u00e9m com os trabalhadores formais no regime 6xl, na maioria das vezes engloba o trabalho nos finais de semana, quando a demanda por entrega de refei\u00e7\u00f5es aumenta significativamente.<\/p>\n<p>Assim, podemos perceber que o perfil geral dos entregadores subordinados a plataformas e dos comerci\u00e1rios t\u00eam muitas aproxima\u00e7\u00f5es. Para al\u00e9m de proximidades demogr\u00e1ficas, ambas as categorias trabalham longamente e em hor\u00e1rios e dias em que outras categorias descansam. O que a experi\u00eancia desse tipo de trabalho tem produzido?<\/p>\n<h3><strong>A luta pelo tempo e pela remunera\u00e7\u00e3o digna: o VAT e os Breques<\/strong><\/h3>\n<p>Ainda hoje, a principal bandeira de luta que mobiliza os trabalhadores e trabalhadoras do com\u00e9rcio \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho, ou, em caso de ter que trabalhar mais dias, remunera\u00e7\u00e3o apropriada. Nesse sentido, podemos perceber movimentos externos \u00e0 estrutura sindical tradicional, mas que se relacionam com ela. O caso da greve nos supermercados Mundial e do VAT \u2013 Vida Al\u00e9m do Trabalho \u00e9 exemplar a esse respeito.<\/p>\n<p>Em 2017, logo ap\u00f3s o decreto de Michel Temer que tornou supermercados servi\u00e7os essenciais, a dire\u00e7\u00e3o dos supermercados Mundial na cidade do Rio decidiu n\u00e3o remunerar os domingos e feriados trabalhados como horas extras, sem nenhum aviso pr\u00e9vio aos trabalhadores ou \u00e0 representa\u00e7\u00e3o sindical. Ao receberem o pagamento, as trabalhadoras dos caixas do supermercado perceberam a discrep\u00e2ncia entre o valor pago do que era esperado e decidiram parar. Atrav\u00e9s de grupos de WhatsApp, a revolta rapidamente se espalhou e diversas plantas do supermercado Mundial na cidade do Rio que precisaram fechar as portas naquele dia. No dia seguinte, o Sindicato dos Comerci\u00e1rios do Rio (SEC-RJ), \u00e0 \u00e9poca dirigido por um jovem trabalhador e por uma caixa de supermercado, se incorporou \u00e0 luta. As paralisa\u00e7\u00f5es duraram alguns dias e compuseram um ciclo grevista e contestat\u00e1rio que estava em cena naquela d\u00e9cada[ii]. A greve foi hist\u00f3rica para a categoria e, apesar de algumas demiss\u00f5es ilegais, conquistou novos acordos coletivos, observou o surgimento de novas lideran\u00e7as e um crescimento da taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o do segmento.<\/p>\n<p>Mais recentemente, outro movimento externo \u00e0 estrutura sindical tradicional chamou aten\u00e7\u00e3o: o VAT, Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho. Ele surge, em um primeiro momento, como uma campanha impulsionada por um trabalhador do com\u00e9rcio por meio das redes sociais: em setembro de 2023, Rick Azevedo, ap\u00f3s 10 anos trabalhando no com\u00e9rcio formal em regime de escala 6xl, decide fazer um v\u00eddeo-den\u00fancia no TikTok. O que ele n\u00e3o esperava \u00e9 que esse v\u00eddeo viralizasse e tivesse relev\u00e2ncia nacional. Assim, diferentemente de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos \u201ccl\u00e1ssicos\u201d que surgiram atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o originariamente coletiva, o VAT surge como algo individual \u201cvirai\u201d. No ano seguinte, Azevedo \u00e9 eleito vereador do Rio de Janeiro; no mesmo ano, a Deputada Federal Erika Hilton leva a bandeira de luta para a pauta do Congresso Nacional, alimentando ainda mais a discuss\u00e3o p\u00fablica sobre o tema.<\/p>\n<p>Em ambos os casos \u00e9 interessante perceber a rela\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o e afastamento do Sindicato como organiza\u00e7\u00e3o tradicional de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. A rela\u00e7\u00e3o entre velhas organiza\u00e7\u00f5es e novas formas de mobiliza\u00e7\u00e3o geram novos repert\u00f3rios para antigas lutas, como argumentam McAdam, Tarrow e Tilly (2009, p. 25):<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Os repert\u00f3rios existentes corporificam uma tens\u00e3o criativa entre inova\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia, refletindo suas l\u00f3gicas instrumental e expressiva muito diferentes. A efic\u00e1cia instrumental de um repert\u00f3rio deriva basicamente de sua novidade, de sua habilidade [ \u2026 ]. O uso repetido do mesmo repert\u00f3rio diminui sua efic\u00e1cia instrumental e, dessa forma, encoraja a inova\u00e7\u00e3o t\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Nesse sentido, mesmo que historicamente a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho esteja presente na a\u00e7\u00e3o sindical, e que os sindicatos e centrais tenham se posicionado veementemente contra a Reforma Trabalhista, foi no exemplo pr\u00e1tico da redu\u00e7\u00e3o salarial para as trabalhadoras do Mundial e nas inova\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o do VAT que essas bandeiras tiveram maior capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, tanto na categoria como na opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 trivial notar que a dimens\u00e3o do tempo se tornou central para o trabalhador comerci\u00e1rio, a tal ponto que essa indigna\u00e7\u00e3o espec\u00edfica se materializou em um movimento pol\u00edtico particular. O caso dos entregadores subordinados a plataformas tamb\u00e9m sublinha essa dimens\u00e3o, mas por outro caminho: aqui, o modo como o tempo \u00e9 vivido no trabalho \u00e9, em grande medida, elogiado em compara\u00e7\u00e3o com outras experi\u00eancias de trabalho. O que isso nos diz?<\/p>\n<p>Embora as mobiliza\u00e7\u00f5es dos Breques dos Apps venham apresentando diversas inova\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas, sobretudo no que tange ao uso de aplicativos para mobilizar, como mostra Santana (2023), o conte\u00fado das reivindica\u00e7\u00f5es segue sem maiores consensos para al\u00e9m do aumento do valor pago por entrega. Deixa-se de lado, por ser \u201cpol\u00eamica\u201d na categoria, a exig\u00eancia de reconhecimento do v\u00ednculo de trabalho via CLT.<\/p>\n<p>Em pesquisas que v\u00eam sendo realizadas nas cidades de Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia (Festi et AI., 2024; Fioravanti, Rangel e Rizek, 2024; Ma-galdi et AI., 2024; Pires e Perin, 2023), um ponto vem sendo recorrentemente apresentado pelos entregadores como digno de elogio do trabalho plataformizado: a relativa autonomia na organiza\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, de seu tempo. Esse \u00e9 um dos motivos (existem outros) que freiam a pretens\u00e3o de reconhecimento do v\u00ednculo formal.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas a literatura sociol\u00f3gica vem, paralelamente ao registro dos impactos precarizantes concretos da flexibiliza\u00e7\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o trabalhista, elaborando a respeito das mudan\u00e7as ideol\u00f3gicas que acompanham esse processo (Lima, 2010, 2024; Silva, 2002). Partindo dessas elabora\u00e7\u00f5es, a falta de consenso parece significar a continuidade e o adensamento do processo de reorganiza\u00e7\u00e3o dos termos da domina\u00e7\u00e3o do trabalho no pa\u00eds, cujo norte ideol\u00f3gico passaria a ser o par empreendedorismo\/empregabilidade, antag\u00f4nico \u00e0 f\u00f3rmula fordista do trabalho \u201clivre, mas protegido\u201d. Exemplo mais bem acabado da desregulamenta\u00e7\u00e3o de massa promovida pelas plataformas, a reorganiza\u00e7\u00e3o das atividades de entrega por essas empresas parece ter contribu\u00eddo para \u201centornar o caldo\u201d da legitimidade do trabalho regulado no seio desses trabalhadores, em seu lugar entrando a legitimidade das rela\u00e7\u00f5es de trabalho just-in-time[iii]. A quantidade se torna qualidade: a recorrente experi\u00eancia de v\u00ednculos de trabalho formal precarizados parece estar tendo o cond\u00e3o de produzir uma cr\u00edtica ao modelo em geral por parte desses trabalhadores.<\/p>\n<p>Mesmo os trabalhadores formalizados do com\u00e9rcio perderam, sobretudo ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, as seguran\u00e7as e benef\u00edcios prometidos pela carteira de trabalho. Na quest\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o, por exemplo, a forte flexibiliza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios de vendedores, constru\u00eddos por vezes exclusivamente sobre o valor de comiss\u00f5es (Magaldi, 2022), \u00e9 exemplo cristalino disso. N\u00e3o seria a escala 6xl outro exemplo? Em um contexto de precariza\u00e7\u00e3o como regra universal, a formaliza\u00e7\u00e3o deixa de ser percebida como garantia concreta de seguridade ou qualidade de vida no trabalho. Isso poderia explicar a grande resist\u00eancia dos trabalhadores plataformizados a exigir a formaliza\u00e7\u00e3o de seu v\u00ednculo de emprego: a promessa getulista de trabalho livre, mas protegido, perdeu seu efeito.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 justamente na dimens\u00e3o tempo que a experi\u00eancia de trabalho de entregadores de plataforma e de trabalhadores formais do com\u00e9rcio na escala 6\u00d71 permite uma compara\u00e7\u00e3o interessante. A cr\u00edtica central contra a escala 6\u00d71 centra fogo no pouco tempo pass\u00edvel de ser dedicado \u00e0 vida pessoal: vida al\u00e9m do trabalho \u00e9 o que exigem. Essa reivindica\u00e7\u00e3o traz impl\u00edcita a afirma\u00e7\u00e3o de que a vida no trabalho \u00e9 menos vida que a que est\u00e1 al\u00e9m dele, aquela que come\u00e7a quando o trabalho acaba; isto \u00e9, que o trabalho assalariado n\u00e3o \u00e9 propriamente vida: est\u00e1 radicalmente separado da vida que vale a pena. E mais: que a regula\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o significa necessariamente uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho digna. No caso dos comerci\u00e1rios, a regulamenta\u00e7\u00e3o recente n\u00e3o significou melhora nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Assim, parece ser justamente a percep\u00e7\u00e3o de um insuflar de uma vida \u201cal\u00e9m do trabalho\u201d no pr\u00f3prio interior da jornada de trabalho que produz certo engajamento dos entregadores no trabalho de plataforma. A relativa autonomia na organiza\u00e7\u00e3o de seu tempo, embora de margem bastante reduzida, \u00e9, como vem apontando a literatura mais recente, muit\u00edssimo valorizada pelos entregadores justamente porque permite que a sua vida al\u00e9m do trabalho se insira nas frestas da sua vida aqu\u00e9m do trabalho: uma relativa margem de manobra na escolha dos dias de \u201cfolga\u201d (n\u00e3o remunerada), a decis\u00e3o sobre quantas horas trabalhar em determinado dia, a interrup\u00e7\u00e3o da jornada para resolver quest\u00f5es da vida pessoal etc. t\u00eam sido interpretados como uma reapropria\u00e7\u00e3o do tempo dos trabalhadores \u2013 mesmo que feita no interior de uma rela\u00e7\u00e3o subordinada.<\/p>\n<p>Evidentemente, isso n\u00e3o significa afirmar uma emancipa\u00e7\u00e3o do tempo do trabalhador via plataformas, em qualquer aspecto; mas aponta para um elemento cr\u00edtico comum que parece dar o tom das expectativas do trabalhador jovem brasileiro, seja comerci\u00e1rio, seja plataformizado: a exig\u00eancia de reapropria\u00e7\u00e3o do tempo est\u00e1 na ordem do dia, seja reduzindo a jornada (caso da cr\u00edtica \u00e0 escala 6xl), seja tornando-a mais aderente ao ritmo da vida al\u00e9m do trabalho (caso da plataformiza\u00e7\u00e3o). O trabalho formal inflex\u00edvel e prec\u00e1rio n\u00e3o se torna alternativa atraente para nova gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores.<\/p>\n<p>Nesse sentido, propostas que visem tornar mais porosa a jornada, sem intensific\u00e1-la e sem reduzir a remunera\u00e7\u00e3o, teriam grande ades\u00e3o entre esses trabalhadores e, supomos, entre os trabalhadores jovens em geral: uma jornada que permita ao trabalhador inserir sua vida nas frestas do trabalho n\u00e3o necessariamente est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com uma cr\u00edtica da explora\u00e7\u00e3o do trabalho. A limita\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u2013 e esse parece ser o consenso constru\u00eddo entre os trabalhadores plataformizados \u2013 n\u00e3o implica necessariamente que esta seja cumprida em bloco; ela pode ser limitada e flex\u00edvel. Um just-in-time invertido, puxado pelas demandas do tempo de vida; no qual o trabalho se equilibra com a vida do trabalhador, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. N\u00e3o parece ser esse, ali\u00e1s, o motivo pelo qual notamos a defesa intransigente do home-office por indiv\u00edduos de classe m\u00e9dia alocados em profiss\u00f5es de maior qualifica\u00e7\u00e3o, intelectuais dentre eles? Um novo pacto de classes parece come\u00e7ar a urgir, e no centro dele percebemos uma renegocia\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o do tempo aqu\u00e9m do trabalho socialmente leg\u00edtimo.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ARTUR, K.; GRILLO, S.; PESSANHA, E. Direito do trabalho e Supremo Tribunal Federal: embates entre a regula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de mercado e a justi\u00e7a social. Revista de Direito do Consumidor, v. 147, pp. 195-224, 2023.<\/p>\n<p>DIEESE. Pesquisa nacional da Cesta B\u00e1sica de Alimentos. 2025. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.dieese.org.br\/analisecestabasica\/salarioMinimo.html&gt;.<\/p>\n<p>FESTI, R.; Et AL. O que pensam os entregadores sobre o debate da regula\u00e7\u00e3o do trabalho por aplicativos? Resultados de survey aplicada em 2023. Mercado de trabalho: conjuntura e an\u00e1lise, v. 30, 2024.<\/p>\n<p>FIORAVANTI, L. M.; RANGEL, F.; RIZEK, C. Plataformas digitais e fluxos urbanos: dispers\u00e3o e controle do trabalho prec\u00e1rio. Cadernos Metr\u00f3pole, v. 26, n. 59, pp. 69-96, 2024.<\/p>\n<p>GRILLO, S.; CARELLI, R. Respostas judiciais \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o: debates e tend\u00eancias recentes. Caderno CRH, v. 34, pp. 1-11, 2021.<\/p>\n<p>IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) Cont\u00ednua: 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.<\/p>\n<p>IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) Cont\u00ednua: 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.<\/p>\n<p>IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADC). M\u00f3dulo \u201cTeletrabalho e trabalho por meio de plataformas digitais 2022\u201d. 2022. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/ liv102035_informativo.pdf&gt;.<\/p>\n<p>LIMA, J. C. Participa\u00e7\u00e3o, empreendedorismo e autogest\u00e3o: Uma nova cultura do trabalho? Sociologias, v. 12, n. 25, pp. 158-198, 2010.<\/p>\n<p>LIMA, J. C. Sobre empreendedorismo e cultura do trabalho. Revista Brasileira de Ci\u00eancias Sociais, v. 39, pp. 1-18, 2024.<\/p>\n<p>MAGALDI, T. Justi\u00e7a e moral no trabalho: vendedores do com\u00e9rcio varejista do Rio de Janeiro. [Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado]. S\u00e3o Carlos: Universidade de S\u00e3o Carlos, 2022.<\/p>\n<p>MAGALDI, T.; AZAIS, C.; RAZAFINDRAKOTO, M.; ROUBAUD, F. Uma \u201cescolha muito dif\u00edcil\u201d: CLT versus plataformas na avalia\u00e7\u00e3o dos trabalhadores brasileiros em uma abordagem qualiquanti. Revista de Economia Contempor\u00e2nea, n. 28, pp. 1-41, 2024.<\/p>\n<p>MARCELINO, P.; GALV\u00c3O, A. O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora. Tempo Social, v. 32, n. 1, pp. 157-182, 2020.<\/p>\n<p>McADAM, D.; TARROW, S.; TILLY, C. Para mapear o confronto pol\u00edtico. Revista Lua Nova, n. 76, pp. 11-48, 2009.<\/p>\n<p>PIRES, A. S.; PERIN, J. P. F. Juventude e os sentidos do trabalho: experi\u00eancias e perspectivas dos cicloentregadores plataformizados. Revista Brasileira de Sociologia, v. 11, n. 29, pp. 124-150, 2023.<\/p>\n<p>RAMALHO, J. R. Novas fronteiras de pesquisa na sociologia do trabalho. Pol\u00edtica &amp; Sociedade, n. 13, pp. 229-249, 2008.<\/p>\n<p>SANTANA, M. A. As plataformas e as lutas: desafios para a a\u00e7\u00e3o digital da classe trabalhadora. ln: ANTUNES, R. (Org.). Icebergs \u00e0 deriva: o trabalho nas plataformas digitais. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023. Pp. 469-490.<\/p>\n<p>SILVA, L. A. M. Da informalidade \u00e0 empregabilidade (reorganizando a domina\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho). Caderno CRH, v. 83, n. 37, pp. 81-109, 2002.<\/p>\n<p>TR\u00d3PIA, P. V. Classe m\u00e9dia, situa\u00e7\u00e3o de trabalho e comportamento sindical: o caso dos comerci\u00e1rios de S\u00e3o Paulo. [Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado]. Campinas: Unicamp, 1994.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[i] Tropia (1994), em pioneiro trabalho, analisa que diferentes estabelecimentos comerciais, dist\u00e2ncias entre o dono e\/ou gerente do trabalhador, produzem diferentes rela\u00e7\u00f5es de trabalho, o que leva a diferentes percep\u00e7\u00f5es dos comerci\u00e1rios sobre seus pr\u00f3prios direitos.<\/p>\n<p>[ii] Para saber mais, veja CINDRA, N. \u201cFaria tudo de novo\u201d: a greve dos\/as comerci\u00e1rios\/as do Rio de Janeiro. ln: SANTANA, M. A.; FRAGA, A. B. (Orgs.). Juventude trabalhadora e sindicatos: Formas e din\u00e2micas da a\u00e7\u00e3o coletiva no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Letras, 2023. Pp. 15-32.<\/p>\n<p>[iii] Evidentemente, tal processo n\u00e3o se d\u00e1 apenas por meio de um giro ideol\u00f3gico, pela simples imposi\u00e7\u00e3o de uma nova \u201cmentalidade\u201d, mas se encontra diretamente ligada ao processo de desconstru\u00e7\u00e3o concreta das prote\u00e7\u00f5es ao trabalho no Brasil das \u00faltimas d\u00e9cadas. Os exemplos dessa desconstru\u00e7\u00e3o s\u00e3o in\u00fameros, mas podemos nos deter no pr\u00f3prio sal\u00e1rio-m\u00ednimo: embora n\u00e3o tenha sofrido perdas depois de 2017, ele foi constitucionalmente firmado enquanto um valor \u201ccapaz de atender a suas [do trabalhador ou trabalhadora] necessidades vitais b\u00e1sicas e \u00e0s de sua fam\u00edlia com moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer, vestu\u00e1rio, higiene, transporte e previd\u00eancia social\u201d, segundo o art. 7\u00b0, inciso IV da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Seu valor no corrente ano (R$ 1.518,00) representa um quinto do necess\u00e1rio para cumprir esse preceito, segundo o DIEESE (2025).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Redu\u00e7\u00e3o da jornada: que grupos sociais lideram as lutas appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/noticias-do-dia-com-o-jornal-tvt-news-segunda-edicao-20-08-2025\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/jornal_tvt_news-25-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Not\u00edcias do dia com o Jornal TVT News Segunda Edi\u00e7...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ha-mais-de-um-ano-tarcisio-sabia-do-esquema-do-pcc-com-combustiveis-e-usinas-mas-calou-se\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">H\u00e1 mais de um ano Tarc\u00edsio sabia do esquema do PCC...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/protesto-no-recife-pede-prisao-de-bolsonaro-e-fim-da-escala-6x1\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Protesto no Recife pede pris\u00e3o de Bolsonaro e fim ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/camara-aprova-pl-que-preve-r-22-bi-para-inovacao-tecnologica-das-empresas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Renildo-Calheiros-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">C\u00e2mara aprova PL que prev\u00ea R$ 22 bi para inova\u00e7\u00e3o ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre comerci\u00e1rios e entregadores, as principais categorias \u00e0 frente do combate, destaca-se a presen\u00e7a jovem e negra. Superexplora\u00e7\u00e3o \u00e9 constante: Chegam a enfrentar 60 horas semanais, sem pagamento extra. Por isso, cravaram duas greves hist\u00f3ricas recentes<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/reducao-da-jornada-que-grupos-sociais-lideram-as-lutas\/\">Redu\u00e7\u00e3o da jornada: que grupos sociais lideram as lutas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":67528,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[4483,27204,4612,2008,32034,32035,25478,4815,2482,32036,474,5834,1964,25323],"tags":[],"class_list":["post-67527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-breque-dos-apps","category-cesit-jornada","category-entregadores","category-fim-da-escala-6x1","category-juventude-precarizada","category-lutas-trabalhalhistas","category-plataformizados","category-precariado","category-reducao-da-jornada","category-remuneracao-digna","category-sindicatos","category-trabalho-e-precariado","category-vat","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67527\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}