{"id":67891,"date":"2025-12-17T18:00:00","date_gmt":"2025-12-17T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fim-da-escala-6x1-o-que-muda-e-quem-se-beneficia-se-proposta-for-aprovada-no-congresso-2\/"},"modified":"2025-12-17T18:00:00","modified_gmt":"2025-12-17T21:00:00","slug":"fim-da-escala-6x1-o-que-muda-e-quem-se-beneficia-se-proposta-for-aprovada-no-congresso-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fim-da-escala-6x1-o-que-muda-e-quem-se-beneficia-se-proposta-for-aprovada-no-congresso-2\/","title":{"rendered":"Fim da escala 6\u00d71: o que muda e quem se beneficia se proposta for aprovada no Congresso"},"content":{"rendered":"<p>Trabalhar seis dias na semana e folgar um \u00e9 a rotina de milh\u00f5es de brasileiros ao redor do pa\u00eds. O modelo, que deixa pouco tempo para viver al\u00e9m do trabalho, pode estar com os dias contados. A Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) do Senado Federal aprovou na \u00faltima quarta-feira, 10 de dezembro, uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que garante dois dias de descanso remunerado, preferencialmente aos s\u00e1bados e domingos, al\u00e9m de reduzir progressivamente a jornada m\u00e1xima de trabalho para 36 horas semanais. <span>A PEC que acaba com a escala 6\u00d71 ser\u00e1 analisada pelo plen\u00e1rio do Senado e, se aprovada, segue para a C\u00e2mara dos Deputados.<\/span><\/p>\n<p>Mas, afinal, o que pode mudar com as propostas em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso? Quem s\u00e3o as pessoas que trabalham na jornada 6\u00d71 e podem ser beneficiadas? Quais os argumentos a favor e contra? A <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica <\/strong>conversou com especialistas e<strong> <\/strong>responde \u00e0s principais perguntas sobre o tema.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h2>Por que isso importa?<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Pelo menos 65% da popula\u00e7\u00e3o brasileira aprova o fim da escala 6\u00d71. O dado \u00e9 de uma pesquisa do Nexus divulgada em mar\u00e7o deste ano<\/li>\n<li>Levantamentos apontam que a maioria dos trabalhadores em escala 6\u00d71 no Brasil s\u00e3o negros e ganham at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<h2><strong>Quais as propostas na mesa e o que elas mudariam?<\/strong><\/h2>\n<p>A luta pelo fim da escala 6\u00d71 ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos dois anos, mas propostas para reduzir a jornada de trabalho estabelecida na Constitui\u00e7\u00e3o v\u00eam sendo apresentadas no Congresso desde os anos 1990.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 pelo menos quatro projetos de lei (PLs) ou PECs tramitando, tanto no Senado quanto na C\u00e2mara, que buscam acabar com a jornada 6\u00d71. Parte das propostas estabelece a jornada 5\u00d72, mas h\u00e1 proposi\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo para tornar a 4\u00d73 como padr\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da PEC 8\/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton e outros deputados ap\u00f3s a repercuss\u00e3o do Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT). A proposta busca reduzir a jornada semanal para 36 horas, com uma escala de quatro dias de trabalho para tr\u00eas de descanso. Na justificativa, a parlamentar afirma que a altera\u00e7\u00e3o \u201c<span>reflete um movimento global em dire\u00e7\u00e3o a modelos de trabalho mais flex\u00edveis aos trabalhadores, reconhecendo a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas realidades do mercado de trabalho<\/span> e \u00e0s demandas por melhor qualidade de vida dos trabalhadores e de seus familiares\u201d.<\/p>\n<p>A PEC apresentada por Hilton ainda n\u00e3o foi direcionada a comiss\u00f5es pelo presidente da C\u00e2mara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas uma Subcomiss\u00e3o Especial voltada para discutir o assunto foi criada na Comiss\u00e3o de Trabalho. O relator da Subcomiss\u00e3o, deputado Luiz Gast\u00e3o (PSD-CE), no entanto, surpreendeu ao apresentar no in\u00edcio do m\u00eas um relat\u00f3rio que mant\u00e9m a previs\u00e3o de escala 6\u00d71, apenas reduzindo o limite semanal para 40 horas de maneira gradual e estabelecendo pagamento em dobro para jornadas que excederem seis horas di\u00e1rias aos s\u00e1bados e domingos. O relat\u00f3rio, criticado por Hilton, ainda n\u00e3o foi votado ap\u00f3s pedido de vista coletivo.<\/p>\n<p>J\u00e1 a PEC 148\/2015, aprovada pela CCJ do Senado, tramita h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, mas incluiu o fim da escala 6\u00d71 recentemente, propondo uma altera\u00e7\u00e3o mais branda em compara\u00e7\u00e3o ao texto de Erika Hilton. A proposta, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS) em conjunto com outros senadores, tem a tramita\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada at\u00e9 o momento.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>O relat\u00f3rio aprovado na CCJ tamb\u00e9m reduz a jornada para 36 horas semanais, com a manuten\u00e7\u00e3o do limite de oito horas di\u00e1rias, mas estabelece uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso a partir do ano seguinte \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, al\u00e9m prop\u00f4r uma redu\u00e7\u00e3o gradual do n\u00famero de horas. Segundo o texto, a mudan\u00e7a come\u00e7aria com 40 horas semanais a partir de 1\u00ba de janeiro do ano seguinte e seria reduzida em uma hora por ano, at\u00e9 chegar em 36.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a PEC 4\/2025, do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que prop\u00f5e redu\u00e7\u00e3o da jornada para 40 horas semanais e o estabelecimento de jornada 5\u00d72. J\u00e1 o PL 67\/2025, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), busca a mesma altera\u00e7\u00e3o, mas com mudan\u00e7as n\u00e3o constitucionais. O projeto que tramita na C\u00e2mara teve relat\u00f3rio apresentado na Comiss\u00e3o de Trabalho, propondo regras de transi\u00e7\u00e3o e prevendo a possibilidade de uma escala 4\u00d73, al\u00e9m da 5\u00d72 como padr\u00e3o. O texto ainda n\u00e3o foi votado.<\/p>\n<p>As propostas discutidas no Congresso determinam que n\u00e3o deve haver redu\u00e7\u00e3o salarial, mesmo com a diminui\u00e7\u00e3o das horas de trabalho. Os demais direitos trabalhistas, como f\u00e9rias remuneradas, 13\u00ba e outros permanecem sem altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>P\u00fablica<\/strong>, a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ju\u00edza titular da 4\u00aa Vara do Trabalho de Porto Alegre, Valdete Souto Severo, chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que as altera\u00e7\u00f5es propostas pelos parlamentares ter\u00e3o efeito limitado caso n\u00e3o haja proibi\u00e7\u00e3o dos regimes de compensa\u00e7\u00e3o de jornada, que ganharam tra\u00e7\u00e3o com a reforma trabalhista e permitem que horas trabalhadas a mais, sejam trocadas por redu\u00e7\u00e3o da jornada ou folga (banco de horas), ao inv\u00e9s de pagamento de hora extra.<\/p>\n<p>\u201cNa realidade, esses limites de oito [horas di\u00e1rias] e 44 [horas semanais] s\u00e3o extrapolados por esses regimes de compensa\u00e7\u00e3o de jornada, como ocorre na escala 12 por 36. <span>Ent\u00e3o, se houver altera\u00e7\u00e3o nos limites di\u00e1rio e semanal da Constitui\u00e7\u00e3o e da CLT, mas continuar sendo permitido regime de compensa\u00e7\u00e3o, as pessoas v\u00e3o seguir trabalhando \u2013 como hoje trabalham \u2013, al\u00e9m dos limites legal e constitucional\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<h2><strong>Quantas pessoas seriam beneficiadas pelo fim da escala 6\u00d71?<\/strong><\/h2>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados oficiais sobre o n\u00famero de trabalhadores em escala 6\u00d71, mas \u00e9 poss\u00edvel chegar a um c\u00e1lculo aproximado. O mais frequentemente utilizado \u00e9 o n\u00famero de pessoas com carteira assinada trabalhando entre 41 e 44 horas semanais, extra\u00eddo da RAIS (Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais), levantamento peri\u00f3dico feito pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego.<\/p>\n<p>Segundo n\u00fameros de dezembro de 2023, 33,51 milh\u00f5es de pessoas trabalhavam nessas condi\u00e7\u00f5es na \u00e9poca, o \u00faltimo m\u00eas com dados completos dispon\u00edveis. Esse montante representa 61,2% de um total de 54,7 milh\u00f5es de CLTs (n\u00e3o h\u00e1 dados sobre quantidade de horas trabalhadas de cerca de 2,6 milh\u00f5es de CLTs; se considerarmos apenas os que t\u00eam dados, s\u00e3o 64,3% em jornadas maiores que 40 horas). Como o m\u00e1ximo de horas de trabalho por dia \u00e9 geralmente limitado a oito horas, \u00e9 nesse contingente que se encontram os trabalhadores em escala 6\u00d71 \u2013 mas tamb\u00e9m est\u00e3o aqui funcion\u00e1rios em escala 12\u00d736, por exemplo.<\/p>\n<p>O n\u00famero pode ser maior, j\u00e1 que h\u00e1 quase 40 milh\u00f5es de brasileiros na informalidade e tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas com carteira que trabalham menos de 40 horas semanais, mas que t\u00eam suas horas distribu\u00eddas em seis dias.<\/p>\n<h2><strong>Maioria dos trabalhadores em escala 6\u00d71 \u00e9 formada por pessoas negras<\/strong><\/h2>\n<p>Alguns estudos e levantamentos se debru\u00e7aram em tentar entender qual o perfil dos trabalhadores que encaram jornadas de seis dias com um de folga no Brasil. <span>S\u00e3o trabalhadores que recebem at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas e s\u00e3o majoritariamente negros \u2013 com as mulheres negras recebendo uma remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia menor do que os homens. A maioria tem ensino m\u00e9dio completo e\/ou superior incompleto.<\/span><\/p>\n<p>Segundo dados da RAIS, presentes em relat\u00f3rio da FIEMG, os setores com maior porcentagem de trabalhadores com escalas maiores que 40 horas \u2013 majoritariamente em escala 6\u00d71 \u2013 s\u00e3o agropecu\u00e1ria, extra\u00e7\u00e3o vegetal, ca\u00e7a e pesca (95,5% do total), constru\u00e7\u00e3o civil (94,2%), com\u00e9rcio (92,2%) e ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (90,3%). Esses quatro setores somados representam 22,7 milh\u00f5es de trabalhadores, cerca de 41% do total de celetistas. O setor de servi\u00e7os, que emprega 31,1 milh\u00f5es de pessoas (57% do total), tem 58,1% dos trabalhadores em regime de mais de 40 horas semanais. \u00c9 no setor de servi\u00e7os em que se encontram os trabalhadores de alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o, um dos grupos que mais seria beneficiado com o fim da escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>Microdados da RAIS de 2022, trabalhados pelo jornalista Marcelo Soares, da Lagom Data, para a Carta Capital mostram que 42% desses trabalhadores recebiam at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo e que Santa Catarina era o estado com maior percentual de trabalhadores em jornadas maiores que 40 horas \u2013 80% do total. Goi\u00e1s, Mato Grosso e Rond\u00f4nia tinham cerca de 75%.<\/p>\n<p>A predomin\u00e2ncia de trabalhadores negros entre os que t\u00eam jornadas de trabalho superiores a 40 horas semanais aparece em um levantamento do N\u00facleo de Estudos Raciais do Insper, publicado no site Alma Preta. O estudo, feito a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua, do IBGE, mostra que 65,5% dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o, 65,2% dos da agricultura e \u00e1reas correlatas e 60% de alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o negros, cen\u00e1rio que se repete em outros setores em que predomina a escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas da Escala 6\u00d71, elaborado pelo Observat\u00f3rio do Estado Social Brasileiro, pelo Sindicato dos Comerci\u00e1rios do Rio de Janeiro e pela Associa\u00e7\u00e3o Trabalho, Rede, Acompanhamento e Mem\u00f3ria (Trama), 46% dos trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas recebem entre um e 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo. Outros 22% recebem at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo. A an\u00e1lise utilizou dados da RAIS e do IBGE.<\/p>\n<h2><strong>Quais os argumentos favor\u00e1veis e contr\u00e1rios? Quem \u00e9 a favor e quem \u00e9 contra?<\/strong><\/h2>\n<p>A proposta impulsionada pelo vereador Rick Azevedo ganhou repercuss\u00e3o nacional e angariou apoio massivo, mas tamb\u00e9m gerou rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, especialmente do setor produtivo.<\/p>\n<p>De um lado, a ideia de que deve existir vida al\u00e9m do trabalho e de que jornadas como a 6\u00d71 aumentam o risco de doen\u00e7as f\u00edsicas e mentais e de afastamentos por burnout, al\u00e9m de aumentar as chances de acidentes de trabalho. Do outro, a perspectiva de danos \u00e0 economia e \u00e0 empregabilidade no pa\u00eds com a redu\u00e7\u00e3o da jornada.<\/p>\n<p>Entre os setores favor\u00e1veis, est\u00e3o movimentos sociais e sindicais. A proposta tem sido encampada pelo governo Lula (PT) e deve ser uma das principais bandeiras do partido do presidente na elei\u00e7\u00e3o de 2026. Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, Guilherme Boulos, a posi\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 de apoiar a proposta que tramitar mais rapidamente.<\/p>\n<p>Para o advogado trabalhista e sindical Espedito Fonseca, integrante da Rede Lado, <span>\u201co movimento VAT surge como uma resposta a uma insatisfa\u00e7\u00e3o concreta da sociedade com jornadas exaustivas e a falta de tempo para viver\u201d<\/span>. \u201cAo defender o fim da escala 6\u00d71, o movimento d\u00e1 voz a uma realidade sentida por milh\u00f5es de trabalhadores, para quem o \u00fanico dia de descanso serve apenas para recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica, e n\u00e3o para lazer, fam\u00edlia ou cuidado com a sa\u00fade\u201d, aponta Fonseca, que enxerga um cen\u00e1rio mais favor\u00e1vel a mudan\u00e7as no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Entre os setores contr\u00e1rios \u00e0 proposta, se destacam os ligados \u00e0 ind\u00fastria. Um estudo da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por exemplo, sintetiza os principais argumentos de quem se op\u00f5e \u00e0 mudan\u00e7a. O relat\u00f3rio fala em queda de at\u00e9 16% do Produto Interno Bruto (PIB), aumento de custos para as empresas, perda de competitividade, eleva\u00e7\u00e3o da informalidade e fechamento de at\u00e9 18 milh\u00f5es de postos de trabalho no pa\u00eds, em um cen\u00e1rio em que a produtividade n\u00e3o aumente.<\/p>\n<p>J\u00e1 uma an\u00e1lise feita por Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), traz um cen\u00e1rio um pouco menos alarmante. O economista estima uma queda no PIB de 2,6% em caso de redu\u00e7\u00e3o para 40 horas semanais e de 7,4% em caso de redu\u00e7\u00e3o para 36 horas, tamb\u00e9m considerando um cen\u00e1rio de manuten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de produtividade atual.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do advogado Espedito Fonseca, no entanto, os contr\u00e1rios \u00e0 proposta \u201cse baseiam na ideia de que direitos impedem o crescimento econ\u00f4mico e a gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d, mas a \u201cexperi\u00eancia brasileira recente desmente esse discurso\u201d, afirma. <span>\u201cA reforma trabalhista de 2017, apresentada como solu\u00e7\u00e3o para o desemprego, resultou em maior precariza\u00e7\u00e3o e informalidade, sem melhora significativa na qualidade ou no volume dos empregos\u201d<\/span>, aponta Fonseca, citando estudos que mostram que aumentar os direitos trabalhistas \u201cpode contribuir para equil\u00edbrio econ\u00f4mico e justi\u00e7a social\u201d.<\/p>\n<p>Para Souto Severo, da UFGRS, \u201ca jornada extensa adoece o trabalhador, compromete o v\u00ednculo familiar e pode causar dano efetivo a quem convive com essa pessoa que est\u00e1 exausta\u201d. \u201c\u00c9 um problema que diz em que tipo de sociedade a gente quer viver. Se \u00e9 uma sociedade de pessoas exaustas e sem tempo, ou se \u00e9 uma sociedade de pessoas que t\u00eam sa\u00fade e tempo para o resto da vida, inclusive, para pensar sobre o que a gente est\u00e1 fazendo com o mundo\u201d, aponta a professora e ju\u00edza, fazendo men\u00e7\u00e3o \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio do senador Rog\u00e9rio Carvalho (PT-SE), relator da PEC aprovada na CCJ, \u00e9 citada a experi\u00eancia vivida pelo Brasil na \u00faltima vez que houve altera\u00e7\u00e3o na jornada. \u201cQuando a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 reduziu de 48 para 44 horas a jornada semanal de trabalho, n\u00e3o houve aumento do desemprego em 1989. Ao contr\u00e1rio, (\u2026), verificou-se um aumento do sal\u00e1rio real por hora em rela\u00e7\u00e3o aos demais trabalhadores\u201d, diz o texto, que tamb\u00e9m cita experi\u00eancias internacionais positivas com a altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma audi\u00eancia p\u00fablica na Comiss\u00e3o de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara, o ministro Guilherme Boulos tamb\u00e9m rebateu as cr\u00edticas ao movimento. \u201cFala-se muito que n\u00e3o podemos reduzir a jornada porque nossa produtividade \u00e9 menor. Mas como ela vai aumentar se a trabalhadora e o trabalhador n\u00e3o t\u00eam tempo para estudar, descansar e melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho?\u201d, afirmou Boulos. \u201cO tema envolve n\u00fameros e impactos econ\u00f4micos, mas envolve tamb\u00e9m humanidade. O mercado se adapta\u201d, apontou.<\/p>\n<h2><strong>Como a pauta ganhou relev\u00e2ncia no debate nacional?<\/strong><\/h2>\n<p>O pleito por redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho n\u00e3o \u00e9 algo novo, remetendo \u00e0s primeiras greves de trabalhadores ao redor do mundo. Mas, no Brasil, a discuss\u00e3o ganhou tra\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a um v\u00eddeo no TikTok e muita revolta com um modelo descrito como uma \u201cescravid\u00e3o moderna\u201d.<\/p>\n<p>Isso bastou para que o tocantinense Rick Azevedo, que trabalhava como caixa em uma farm\u00e1cia no Rio de Janeiro, colocasse a escala 6\u00d71 na boca de boa parte dos brasileiros. A publica\u00e7\u00e3o, feita em setembro de 2023, viralizou e se transformou no Movimento Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT), catapultando Azevedo a uma vaga na C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro em 2024, pelo PSOL. Uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica feita pelo VAT atingiu quase tr\u00eas milh\u00f5es de assinaturas e fez com que a pauta ganhasse for\u00e7a no Congresso Nacional, por meio de uma PEC protocolada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que impulsionou a tramita\u00e7\u00e3o de outras propostas.<\/p>\n<h2><strong>O que prev\u00ea a lei atualmente?<\/strong><\/h2>\n<p>At\u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a legisla\u00e7\u00e3o previa uma jornada m\u00e1xima de 48 horas semanais e de oito horas di\u00e1rias. Na \u00e9poca, parte dos constituintes tentaram reduzir o teto para 40 horas, mas prevaleceu uma reda\u00e7\u00e3o mais conservadora, estabelecendo 44 horas semanais e mantendo as oito horas di\u00e1rias, al\u00e9m de permitir compensa\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios e redu\u00e7\u00e3o de jornada mediante acordo ou conven\u00e7\u00e3o coletiva. A Constitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estabelece que \u00e9 direito do trabalhador ter ao menos um dia de repouso semanalmente, de prefer\u00eancia aos domingos. Na pr\u00e1tica, isso abre margem para jornadas de trabalho 6\u00d71.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da jornada de seis dias de trabalho para um de descanso, criticada por movimentos como o VAT, tamb\u00e9m h\u00e1 outros tipos de modelo de trabalho. Entre as mais comuns est\u00e3o a escala 5\u00d72 e a 12\u00d736.<\/p>\n<p>A 5\u00d72 \u00e9 a mais recorrente na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por exemplo. Nesse modelo, geralmente se trabalha em uma escala de oito horas di\u00e1rias durante a semana e se descansa aos finais de semana, totalizando 40 horas semanais.<\/p>\n<p>J\u00e1 a escala 12\u00d736 \u00e9 especialmente comum em setores que funcionam com escala de plant\u00e3o, como a sa\u00fade, seguran\u00e7a e portarias. A previs\u00e3o desse tipo de regime de trabalho passou a constar na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis de Trabalho (CLT) a partir da Reforma Trabalhista de 2017. Nesse caso, o trabalhador atua por 12 horas consecutivas (com pausa para refei\u00e7\u00e3o) e descansa por 36 horas. Na pr\u00e1tica, \u00e9 uma escala em que se trabalha um dia sim e um dia n\u00e3o. No c\u00f4mputo geral do m\u00eas, a m\u00e9dia de trabalho semanal \u00e9 de 42 horas.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/unimusica-abre-a-serie-entreluzeiros-com-show-de-mateus-aleluia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Unim\u00fasica abre a s\u00e9rie \u2018entreluzeiros\u2019 com show de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/protestos-contra-donald-trump-nos-eua-reunem-multidoes-em-mais-de-2-500-atos-pelo-pais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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