{"id":6908,"date":"2024-11-30T10:37:34","date_gmt":"2024-11-30T13:37:34","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/eleicoes-2024-olhando-alem-das-aparencias\/"},"modified":"2024-11-30T10:37:34","modified_gmt":"2024-11-30T13:37:34","slug":"eleicoes-2024-olhando-alem-das-aparencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eleicoes-2024-olhando-alem-das-aparencias\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es 2024: olhando al\u00e9m das apar\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p>Os resultados das elei\u00e7\u00f5es municipais de outubro j\u00e1 foram objeto das mais variadas <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/11\/22\/as-eleicoes-municipais-na-regiao-metropolitana-de-porto-alegre\">avalia\u00e7\u00f5es<\/a> nas \u00faltimas semanas. Estas avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o meramente exerc\u00edcios jornal\u00edsticos ou acad\u00eamicos, porque o balan\u00e7o dos resultados tamb\u00e9m incide sobre o processo pol\u00edtico. Este impacto se d\u00e1 tanto do ponto de vista da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na sociedade como do impacto dos resultados sobre cada um dos atores pol\u00edticos envolvidos na disputa.<\/p>\n<p>No primeiro caso, a avalia\u00e7\u00e3o de quem ganhou e quem perdeu fortalece e\/ou enfraquece <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/11\/12\/dividido-entre-volta-a-esquerda-ou-projecao-a-centro-direita-pt-se-discute-apos-eleicoes-municipais\">projetos pol\u00edticos<\/a>. Os vencedores s\u00e3o apontados como exemplos do caminho a ser seguido. No segundo caso, esta avalia\u00e7\u00e3o dos resultados baliza tamb\u00e9m o debate interno acerca das estrat\u00e9gias de cada um dos partidos pol\u00edticos. Portanto \u00e9 evidente a import\u00e2ncia de que este balan\u00e7o seja feito com base em m\u00e9todos rigorosos e evid\u00eancias emp\u00edricas.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que a avalia\u00e7\u00e3o dos resultados das elei\u00e7\u00f5es municipais de outubro at\u00e9 agora tem sido feita de uma forma pouco sistem\u00e1tica e muito superficial. Tanto nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, entre os \u201canalistas especializados\u201d, como dentro e em torno dos partidos pol\u00edticos, a discuss\u00e3o sobre o processo eleitoral muitas vezes se baseia menos nos dados emp\u00edricos e mais no vi\u00e9s pol\u00edtico de cada um dos analistas. Por isso a ideia nesta nota \u00e9 a de apresentar alguns dados e uma leitura mais cr\u00edtica e complexa dos resultados que sa\u00edram das urnas em outubro deste ano.<\/p>\n<p>Olhando para al\u00e9m da superf\u00edcie<\/p>\n<p>Quando se olha as avalia\u00e7\u00f5es nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o h\u00e1 um elemento em comum, a ideia de que houve uma <a href=\"https:\/\/www.brasildefatoce.com.br\/2024\/11\/25\/o-que-o-resultado-das-eleicoes-2024-sobre-a-esquerda-direita-centrao-e-extrema-direita-no-brasil\">vit\u00f3ria do \u201ccentro\u201d<\/a>, que as elei\u00e7\u00f5es marcaram um recha\u00e7o ao radicalismo, tanto de direita como de esquerda. A isto se soma uma ideia de que a esquerda perdeu espa\u00e7o porque o eleitorado se demonstrou mais conservador. Como decorr\u00eancia desta an\u00e1lise, comum a quase todos os analistas da m\u00eddia corporativa, tr\u00eas mensagens subjacentes s\u00e3o apresentadas.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 de que o governo de Lula precisa levar mais em conta as demandas dos seus aliados de centro, que teriam sa\u00eddo fortalecidos das elei\u00e7\u00f5es. A segunda \u00e9 a de que a extrema direita n\u00e3o foi bem-sucedida, uma vez que cresceu muito menos do que se propunha. E a terceira \u00e9 a de que a mensagem desta elei\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a esquerda perdeu, e que, portanto, precisa moderar o seu discurso e suas propostas, pois o eleitorado teria se tornado mais conservador.\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nO ponto de partida para que se possa avaliar a consist\u00eancia desta avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 olhar o n\u00famero de vit\u00f3rias de cada um dos partidos na elei\u00e7\u00e3o municipal. Mas isto n\u00e3o \u00e9 o suficiente, pois os resultados precisam ser analisados de forma est\u00e1tica. \u00c9 preciso, de sa\u00edda, analisar a evolu\u00e7\u00e3o dos resultados tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o anterior, comparando os n\u00fameros obtidos com a quantidade de prefeituras que cada um dos partidos tinha eleito na disputa anterior, as elei\u00e7\u00f5es de 2020. Com isso se pode identificar a trajet\u00f3ria de cada uma das for\u00e7as pol\u00edticas. O quadro abaixo mostra os resultados de 2024 e a sua evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Um olhar mais cuidadoso para os n\u00fameros, portanto, permite fazer leituras muito distintas acerca dos resultados de outubro de 2024. De sa\u00edda se pode constatar que a tal vit\u00f3ria do centro \u00e9 uma miragem. A ideia de uma vit\u00f3ria do centro se sustenta no fato de que o PSD, o MDB e o PP elegeram, de longe, o maior n\u00famero de prefeituras. Isto \u00e9 fato ineg\u00e1vel. Mas os resultados no seu conjunto mostram um quadro muito mais complexo. \u00c9 importante olhar a evolu\u00e7\u00e3o de cada for\u00e7a pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao quadro anterior. Porque ao mesmo tempo que for\u00e7as de centro cresceram, outros partidos deste mesmo espectro pol\u00edtico tiveram muitas perdas. Isto mostra que o que aconteceu de fato foi um realinhamento das for\u00e7as de centro. O PSD elegeu 235 prefeituras a mais do que em 2020, o MDB 80 a mais e o PP 67 a mais. Ao mesmo tempo o PRD (ex PTB) perdeu 184 prefeituras no mesmo per\u00edodo e o Podemos perdeu 339. Portanto n\u00e3o houve um aumento do eleitorado de centro, que continua com um espa\u00e7o pol\u00edtico semelhante ao que tinha nas elei\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>O quadro abaixo nos permite visualizar de forma mais n\u00edtida estes resultados. Nele agrupamos os partidos em quatro grandes blocos: a) a extrema direita: (PL, Republicanos e Novo); b) o \u201ccentr\u00e3o\u201d: PP, PSD, Uni\u00e3o, PRD, Podemos e todos os outros pequenos partidos deste campo pol\u00edtico; c) o centro tradicional: MDB, PSDB e Cidadania; e d) a esquerda: PDT, PSB, PT, PSOL, PV, Rede e PCdoB. Este \u00e9 um agrupamento meio arbitr\u00e1rio, mas eficiente para efeitos da compreens\u00e3o da din\u00e2mica pol\u00edtica, pois se pode perceber a evolu\u00e7\u00e3o dos partidos de uma elei\u00e7\u00e3o para a outra. Para isto este tipo de agrupamento em blocos pode ser bastante esclarecedor, como se pode ver abaixo.<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>O \u201cvitorioso\u201d centro de fato reduziu o seu peso em termos de prefeitos eleitos. O resultado final do deslocamento de votos internos ao bloco do \u201ccentr\u00e3o\u201d, onde alguns partidos ganharam muito e outros perderam muito, resultou, de fato, em uma perda agregada de 222 prefeituras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 2020, o que representa um recuo de 8%. E o resultado do bloco do centro mais tradicional foi ainda pior: o MDB ganhou 80 a mais, mas o PSDB perdeu 245 prefeituras entre 2020 e 2024. O Cidadania perdeu 33. No seu conjunto as for\u00e7as do centro tradicional, portanto, perderam espa\u00e7o nestas elei\u00e7\u00f5es. E esta perda foi muito significativa, um recuo de 18%. Esta trajet\u00f3ria dos votos do \u201ccentr\u00e3o\u201d e do centro tradicional mostra que a ideia de que o eleitorado mandou nestas elei\u00e7\u00f5es uma mensagem de modera\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante equivocada.<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nIsto porque os melhores resultados deste processo eleitoral, do ponto de vista do crescimento do n\u00famero de prefeitos eleitos, foram os da extrema direita. Ainda que no conjunto este bloco fique em terceiro lugar, atr\u00e1s do \u201ccentr\u00e3o\u201d e do centro tradicional, os partidos da extrema direita apresentaram um crescimento de 73% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es anteriores. O nanico partido Novo passou de uma prefeitura em 2020 para 19 em 2024. O Republicanos passou de 211 para 440 prefeituras, um crescimento de mais de 100%. E o PL, que teve resultados muito longe das suas expectativas iniciais, ainda assim passou de 345 para 517 prefeituras. Um resultado, sem d\u00favida, muito significativo. O PL foi, individualmente, o partido que obteve o maior n\u00famero de votos, 15,5 milh\u00f5es de votos, 13,9% do total. O quadro abaixo, com a vota\u00e7\u00e3o de cada um dos partidos ajuda a compreender o peso de cada uma das for\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Este quadro com o n\u00famero de votos tamb\u00e9m nos ajuda a entender de forma melhor a complexidade do quadro pol\u00edtico que emerge das elei\u00e7\u00f5es de 2024. E atrav\u00e9s dele se pode ver de uma forma distinta os resultados. O PL \u00e9 apenas o 5\u00ba em termos do n\u00famero de prefeituras eleitas, mas \u00e9 o partido que teve mais votos para prefeito. Isto acontece tamb\u00e9m com o PT, que fica em 9\u00ba lugar em termos de prefeituras eleitas, mas \u00e9 o 6\u00ba em termos de vota\u00e7\u00e3o. Olhando estes n\u00fameros em termos dos blocos de partidos, a extrema direita elegeu 17% das prefeituras, mas teve 22% do total de votos e a esquerda elegeu apenas 13% dos prefeitos, mas fez 20% dos votos (um em cada cinco dos eleitores votou na esquerda). J\u00e1 os partidos do \u201cCentr\u00e3o\u201d, os supostos vencedores, elegeram quase metade das prefeituras (49%) mas obteve apenas 39% dos votos.\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nO \u00fanico aspecto mais pr\u00f3ximo da realidade na an\u00e1lise predominante na m\u00eddia corporativa \u00e9 o que diz respeito resultado t\u00edmido das for\u00e7as da esquerda. Este recuo aconteceu de fato mas, como vimos acima, n\u00e3o deve ser superestimado. E est\u00e1 associado, como veremos adiante, com a alta absten\u00e7\u00e3o eleitoral. O bloco de partidos mais progressistas perdeu 62 prefeituras entre 2020 e 2024, um recuo de 8%. Ainda assim, este recuo se deu fundamentalmente em fun\u00e7\u00e3o das perdas do PDT, que encolheu de 314 para 151 prefeituras, ou seja, mais da metade das prefeituras que tinha conquistado em 2020. A isto se somam os resultados do PCdoB, que caiu de 46 para 19 prefeituras.\u00a0<\/p>\n<p>Mas o PT passou de 183 prefeituras em 2020 para 252 em 2024, um crescimento de 37,7%. \u00a0E o PSB passou de 253 para 312 no mesmo per\u00edodo, aumentando em 23,3% o n\u00famero de prefeitos eleitos. Ou seja, o recuo \u00e0 esquerda se deu por conta das perdas daquele partido deste bloco que \u00e9 mais pr\u00f3ximo do centro. Al\u00e9m disso, no caso do PT, \u00e9 importante considerar que, por conta da estrat\u00e9gia de suporte ao governo federal em muitos casos o partido abriu m\u00e3o de ter candidaturas, apoiando outros partidos da coaliz\u00e3o governista. Deste movimento resulta que o PT, al\u00e9m das 252 prefeituras, elegeu tamb\u00e9m 290 vices em coliga\u00e7\u00f5es com outros partidos.<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nEm resumo, do ponto de vista dos resultados, a suposta vit\u00f3ria dos partidos do centro do espectro pol\u00edtico na verdade expressou apenas uma certa in\u00e9rcia pol\u00edtica, uma vez que estes partidos apenas mantiveram um espa\u00e7o que j\u00e1 estava consolidado a muito tempo. E como s\u00e3o partidos que j\u00e1 tinham muitas prefeituras, o sucesso na maior parte dos casos este bloco foi resultado de reelei\u00e7\u00f5es. Esta in\u00e9rcia foi certamente benefici\u00e1ria do enorme montante de recursos que vieram das emendas parlamentares, que garantiu que a imensa maioria dos prefeitos candidatos \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o fossem reconduzidos \u00e0s prefeituras. J\u00e1 a derrota da esquerda, como vimos, \u00e9 muito circunscrita aos maus resultados do PDT e do PCdoB.<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nMas a evolu\u00e7\u00e3o mais not\u00e1vel nesta elei\u00e7\u00e3o foi o dos partidos da direita. Este bloco em 2024 superou o bloco da esquerda como terceira for\u00e7a pol\u00edtica. E este fortalecimento se deu independente do fracasso individual de sua principal lideran\u00e7a, Jair Bolsonaro. O ex-presidente sofreu uma s\u00e9rie de derrotas com candidatos que foram pessoalmente apoiados por ele, como Ramagem no Rio de Janeiro, Marcelo Queiroga em Jo\u00e3o Pessoa ou Bruno Engler em Belo Horizonte. De uma lista de 68 candidatos que contaram com o apoio direto de Bolsonaro 44 deles n\u00e3o foram eleitos. Mas o que isso mostra \u00e9 que, de fato, a extrema direita \u00e9 mais plural e diversificada, e n\u00e3o depende apenas da figura do ex-presidente. O resultado das elei\u00e7\u00f5es mostra que a direita radical como projeto pol\u00edtico vem em trajet\u00f3ria de crescimento, independente de lideran\u00e7as individuais. E neste caso lideran\u00e7as como Tarc\u00edsio de Freitas, Ronaldo Caiado e mesmo Pablo Mar\u00e7al emergem como alternativas para a disputa do esp\u00f3lio que ser\u00e1 deixado pelo bolsonarismo em decad\u00eancia.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>A recusa da participa\u00e7\u00e3o eleitoral<\/p>\n<p>Outro elemento objetivo que aponta os limites da tese de que o eleitorado se deslocou para o centro e est\u00e1 mais conservador \u00e9 o fato de que quando se discute isso se est\u00e1 olhando apenas para aquele contingente de eleitores que de fato votou em algum candidato. Mas para compreender efetivamente o cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro a partir das elei\u00e7\u00f5es de outubro n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar o fato de que uma parte muito significativa dos cidad\u00e3os se recusou a participar das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/10\/08\/falta-de-identificacao-com-projetos-pode-explicar-alta-de-abstencoes-em-porto-alegre-rs-apontam-especialistas\">absten\u00e7\u00f5es<\/a>, os votos nulos e brancos foram a maioria em muitos dos munic\u00edpios, especialmente nas capitais e nas cidades maiores. No pa\u00eds como um todo 21,7% dos eleitores aptos n\u00e3o compareceram no primeiro turno. Foram quase 34 milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o se preocuparam em votar. A estes se somam mais 5,3 milh\u00f5es de votos nulos e mais 3,4 milh\u00f5es de votos em branco. No total as absten\u00e7\u00f5es, votos brancos e nulos representam 28,8%. Mais de um quarto dos eleitores se recusou a votar em qualquer um dos candidatos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da pol\u00edtica, estes n\u00fameros apontam para um enorme desgaste da pol\u00edtica e dos pol\u00edticos no Brasil. Pois o recha\u00e7o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o eleitoral tamb\u00e9m \u00e9 por si mesmo, um ato pol\u00edtico. O desinteresse e a recusa a participar na maioria dos casos est\u00e3o relacionados a uma descren\u00e7a no sistema, uma percep\u00e7\u00e3o de que o processo eleitoral n\u00e3o altera a vida do cidad\u00e3o, de que os pol\u00edticos s\u00e3o todos iguais e de que o voto n\u00e3o vai fazer diferen\u00e7a. Este enorme contingente de eleitores que n\u00e3o votou, votou em branco ou nulo, est\u00e1 de manifestando de forma ativa o seu rep\u00fadio ao que entende como um sistema que n\u00e3o os representa. Este tipo de percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser um pensamento moderado, ou centrista. Pelo contr\u00e1rio, expressa uma postura de cr\u00edtica radical em rela\u00e7\u00e3o a um processo pol\u00edtico que n\u00e3o \u00e9 mais capaz de sensibilizar os eleitores.<br \/>\n\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<br \/>\n\u00c9 evidente que o desinteresse pela pol\u00edtica e pelas elei\u00e7\u00f5es representa tamb\u00e9m uma certa despolitiza\u00e7\u00e3o, mas esta despolitiza\u00e7\u00e3o se constitui em uma mistura de conformismo (\u201cnada vai mudar, n\u00e3o adianta votar) com inconformismo (\u201cn\u00e3o vou votar porque sou contra os pol\u00edticos e tudo que est\u00e1 a\u00ed\u201d). Ainda assim, tanto em sua dimens\u00e3o mais c\u00e9tica e imobilista quanto na sua dimens\u00e3o de rebeldia e revolta contra o sistema, representam uma vis\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, \u00e0 democracia representativa, ao sistema pol\u00edtico.\u00a0<\/p>\n<p>O cidad\u00e3o que se abst\u00e9m \u00e9 tudo menos um moderado, que considera que as coisas devem continuar como est\u00e3o. Ele \u00e9 um desiludido, que n\u00e3o se sente representado pelo sistema.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o geral de desafei\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao processo pol\u00edtico \u00e9 generalizada, e n\u00e3o s\u00f3 no Brasil. E atinge n\u00e3o apenas aqueles cidad\u00e3os que se abst\u00e9m, vota em branco ou nulo.\u00a0<\/p>\n<p>O desgaste do sistema \u00e9 majorit\u00e1rio entre os cidad\u00e3os. Uma pesquisa realizada no ano passado em todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina mostrou que 69% dos entrevistados se sente insatisfeito ou muito insatisfeito com o funcionamento da democracia no seu pa\u00eds. No Brasil s\u00e3o 66%. Dois ter\u00e7os do eleitorado em nosso pais se declaram insatisfeitos. Em outra pesquisa desta mesma institui\u00e7\u00e3o, do ano de 2020, 73% dos cidad\u00e3os entrevistados afirmavam que o seu pa\u00eds \u201c\u00e9 governado por grupos poderosos que agem em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio\u201d enquanto apenas 22% afirmavam que \u201co pa\u00eds \u00e9 governado para o bem de todo o povo\u201d. Este \u00e9 o pano de fundo que embala um enorme contingente de cidad\u00e3os em sua decis\u00e3o de n\u00e3o votar, votar nulo ou em branco.\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nUma an\u00e1lise do perfil do contingente de cidad\u00e3os que comp\u00f5em este grupo que se recusou a votar permite compreender tamb\u00e9m de maneira mais precisa qual \u00e9 a tend\u00eancia real do eleitorado no seu conjunto, que inclui os votantes e os n\u00e3o votantes. O perfil do p\u00fablico que se abst\u00e9m mostra que este contingente tem uma composi\u00e7\u00e3o muito mais pr\u00f3xima, do ponto de vista territorial, demogr\u00e1fico e sociol\u00f3gico, das caracter\u00edsticas do eleitorado da esquerda.<\/p>\n<p>Absten\u00e7\u00e3o nas grandes cidades<\/p>\n<p>A absten\u00e7\u00e3o foi muito maior nas grandes cidades, onde em geral o voto \u00e9 mais politizado e o eleitorado mais progressista. Para uma absten\u00e7\u00e3o geral de 21,7% no pa\u00eds, tivemos em Porto Alegre, por exemplo, uma absten\u00e7\u00e3o de 31,5%. Na capital do RS n\u00famero de absten\u00e7\u00f5es, de votos brancos e nulos foi maior do que a vota\u00e7\u00e3o do candidato vencedor. Em todas as grandes capitais do pa\u00eds a absten\u00e7\u00e3o foi em torno de um ter\u00e7o dos eleitores e, assim como em Porto Alegre, em muitas delas a soma das absten\u00e7\u00f5es, dos votos brancos e nulos foi maior do que a vota\u00e7\u00e3o dos prefeitos eleitos.<\/p>\n<p>Estes altos \u00edndices se apresentam tamb\u00e9m na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre onde Cachoeirinha teve 28,8% de absten\u00e7\u00e3o, Novo Hamburgo 28,3% e Gua\u00edba 25,2% e Esteio 29,8%. Da mesma forma os \u00edndices foram acima da m\u00e9dia nas cidades maiores do interior do estado, como em Caxias (25,1%), Passo Fundo (24,5%) e Bag\u00e9 (27,2%). Este cen\u00e1rio se repete em escala nacional.<\/p>\n<p>Portanto nas capitais, nas cidades maiores e nas regi\u00f5es metropolitanas houve uma redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o eleitoral. E estes s\u00e3o territ\u00f3rios geralmente associados a uma vota\u00e7\u00e3o na esquerda. Por outro lado, nas pequenas cidades do interior, geralmente mais conservadoras, os \u00edndices de absten\u00e7\u00e3o foram muito menores. Isto \u00e9 que fez com que, no c\u00f4mputo geral, a vota\u00e7\u00e3o da esquerda seja menor do que poderia ser e que o conservadorismo dos eleitores dos munic\u00edpios pequenos seja superdimensionado.<\/p>\n<p>Este recorte territorial se revela consistente com o recorte demogr\u00e1fico geralmente associado a um voto mais \u00e0 esquerda. Segundo dados do TSE a absten\u00e7\u00e3o \u00e9 maior naquelas faixas do eleitorado de menor escolaridade. Em Porto Alegre, entre os eleitores com ensino fundamental a absten\u00e7\u00e3o foi de 44,3%, caindo para 31,9% entre os eleitores com ensino m\u00e9dio e recuando ainda mais, para 26,5% entre os eleitores com ensino superior. Como via de regra o perfil da escolaridade corresponde quase que diretamente ao perfil da renda \u00e9 poss\u00edvel inferir que os setores populares, de renda mais baixa, s\u00e3o os que se caracterizam pela maior absten\u00e7\u00e3o. E este \u00e9 o eleitorado que tende a ser associado ao voto na esquerda.<\/p>\n<p>Da mesma forma o perfil et\u00e1rio da absten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se associa a um perfil do eleitorado da esquerda. A absten\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior entre os mais jovens, atingindo 33,8% na faixa dos 18 aos 20 anos e chegando a 41,4% na faixa de 21 a 29 anos. E entre os eleitores mais velhos a absten\u00e7\u00e3o cai drasticamente, chegando a 26,3% na faixa de 45 a 49 anos e 22,8% na faixa dos 50 aos 54 anos. A juventude, que historicamente vota de maneira mais progressista, votou menos nestas elei\u00e7\u00f5es de outubro. E os mais velhos, tendencialmente mais conservadores, votaram mais. Da mesma forma, o perfil \u00e9tnico da absten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estabelece um vi\u00e9s favor\u00e1vel ao conservadorismo. A absten\u00e7\u00e3o foi de 25,1% entre os eleitores pardos e 29,9% entre os eleitores negros, ao passo que entre os eleitores brancos a absten\u00e7\u00e3o foi de 17,5%.\u00a0<\/p>\n<p>Estes dados permitem constatar que a absten\u00e7\u00e3o foi consideravelmente mais alta junto a um contingente de cidad\u00e3os que \u00e9 muito mais pr\u00f3ximo do perfil do voto da esquerda do que o do conservadorismo. Portanto as afirma\u00e7\u00f5es de que o eleitorado se tornou mais conservador s\u00f3 podem ser consideradas verdadeiras na medida em que omitem o fato de que uma parte importante da cidadania n\u00e3o participou do processo eleitoral. E mais ainda, que o eleitorado que se distanciou da participa\u00e7\u00e3o \u00e9 um contingente que historicamente tendia a votar nos candidatos mais \u00e0 esquerda.<br \/>\nAlgumas hip\u00f3teses para a reflex\u00e3o<br \/>\n\u00a0\u00a0 \u00a0<br \/>\nOs dados apresentados acima permitem afirmar que as vers\u00f5es mais correntes acerca do significado dos resultados eleitorais de outubro de 2024 s\u00e3o muito mais ideol\u00f3gicas, resultante de um vi\u00e9s pol\u00edtico de seus autores, do que fundamentadas em n\u00fameros. A vit\u00f3ria das for\u00e7as de centro se revela mais uma ilus\u00e3o estat\u00edstica do que um fato. Quem j\u00e1 tinha muitas prefeituras continuou tendo, especialmente com or\u00e7amentos turbinados por emendas parlamentares. Mas como vimos acima, estas for\u00e7as de centro tiveram um desempenho com pouco crescimento, ou mesmo perdas. Mesmo quando cresceram, as for\u00e7as de centro apresentam uma trajet\u00f3ria que, no longo prazo, revela uma perda de espa\u00e7o. O MDB, por exemplo, que cresceu de 784 prefeituras em 2020 para 864 em 2024, tinha conquistado 1036 na elei\u00e7\u00e3o anterior em 2016.<\/p>\n<p>Extrema direita vem crescendo<\/p>\n<p>Quem realmente vem crescendo neste per\u00edodo \u00e9 a extrema direita, que vem elevando de forma consistente a sua vota\u00e7\u00e3o a cada elei\u00e7\u00e3o que passa. Se o PL elegeu muito menos prefeituras do que tinha projetado, isto n\u00e3o pode obscurecer o fato de que este partido foi o mais votado entre todos os demais. E que as outras for\u00e7as da direita radical tamb\u00e9m est\u00e3o entre as que mais cresceram, tanto em termos de vota\u00e7\u00e3o como de prefeitos eleitos. A tend\u00eancia do eleitorado, portanto, n\u00e3o \u00e9 a da modera\u00e7\u00e3o, mas a de buscar alternativas que se prop\u00f5em justamente ao contr\u00e1rio, a \u201cmudar tudo isto que est\u00e1 a\u00ed\u201d. Esta tend\u00eancia se mostra tamb\u00e9m no campo da esquerda, onde o moderado PDT foi quem mais perdeu, enquanto o PT teve crescimento.<\/p>\n<p>J\u00e1 os dados da absten\u00e7\u00e3o, dos votos brancos e nulos mostram que o que aconteceu de fato \u00e9 que uma parte do eleitorado potencial da esquerda vem se afastando dos processos eleitorais. Portanto o crescimento de um eventual conservadorismo resulta menos de uma mudan\u00e7a ideol\u00f3gica ou pol\u00edtica e mais de uma mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o do eleitorado que de fato votou. Um significativo contingente de eleitores que em geral forma a base do eleitorado da esquerda est\u00e1 tendendo a se afastar da pol\u00edtica. Portanto h\u00e1 mais insatisfa\u00e7\u00e3o, desilus\u00e3o e rebeldia do que modera\u00e7\u00e3o e conservadorismo na sociedade brasileira e no eleitorado.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o indica que qualquer movimento, do governo Lula ou das for\u00e7as da esquerda, em dire\u00e7\u00e3o ao centro e \u00e0 modera\u00e7\u00e3o, pode ter como resultado um aprofundamento do distanciamento do partido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas bases sociais. O apelo \u00e0 modera\u00e7\u00e3o tende a levar a um resultado inverso ao que se prop\u00f5e. Uma maior aproxima\u00e7\u00e3o ao status quo, um discurso mais moderado e mais alinhado ao que seria este pensamento supostamente majorit\u00e1rio, tender\u00e1 apenas a aprofundar a desilus\u00e3o e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que \u201cos partidos s\u00e3o todos iguais\u201d. O eleitorado n\u00e3o se tornou conservador, o que aconteceu \u00e9 que uma parte significativa do eleitorado rebelde e inconformista est\u00e1 se apartando do processo eleitoral.<\/p>\n<p>Portanto estas <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/10\/06\/as-eleicoes-se-descolaram-da-propria-politica-diz-jorge-branco-ao-analisar-resultado-em-porto-alegre\">elei\u00e7\u00f5es<\/a> est\u00e3o muito longe de apontar para um contexto de estabiliza\u00e7\u00e3o, onde os setores mais moderados se tornam preponderantes e deslocam o eixo da pol\u00edtica para o centro. Pelo contr\u00e1rio, o que os resultados mostram \u00e9 um quadro de eros\u00e3o da estabilidade do sistema pol\u00edtico, com um contingente crescente de eleitores se distanciando da participa\u00e7\u00e3o eleitoral ou optando por fortalecer aquelas alternativas que se declaram favor\u00e1veis a transforma\u00e7\u00f5es mais profundas da realidade em que se vive hoje no pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p><em>* Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela UFRGS, pesquisador do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles<\/em><\/p>\n<p><em>** Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/contra-ofensiva-do-congresso-sobre-iof-governo-estuda-acao-junto-ao-stf\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/camara-iof_Bruno-Spada_Camara-dos-Deputados-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Estas avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o meramente exerc\u00edcios jornal\u00edsticos ou acad\u00eamicos, porque o balan\u00e7o dos resultados tamb\u00e9m incide sobre o processo pol\u00edtico. 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