{"id":70500,"date":"2026-01-14T17:09:24","date_gmt":"2026-01-14T20:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/reducao-da-jornada-a-vida-contra-a-mais-valia\/"},"modified":"2026-01-14T17:09:24","modified_gmt":"2026-01-14T20:09:24","slug":"reducao-da-jornada-a-vida-contra-a-mais-valia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/reducao-da-jornada-a-vida-contra-a-mais-valia\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o da jornada, a vida contra a mais-valia\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mais-valia-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mais-valia-1.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mais-valia-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mais-valia-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto foi escrito por <strong>Edivaldo Ramos de Oliveira<\/strong>, com o t\u00edtulo original <strong>\u201cO resgate da vida do trabalhador, subtra\u00edda pela apropria\u00e7\u00e3o da mais-valia capitalista\u201d<\/strong>, e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o\u00a0<em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Este artigo pretende contribuir para o debate sobre a pertin\u00eancia e a tempestividade da luta pelo fim da escala 6\u00d71, bem como a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, resgatando bandeiras hist\u00f3ricas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A campanha pelo fim da escala 6\u00d71 percorreu o pa\u00eds e se expandiu de forma acelerada, conseguindo atingir imensos contingentes de pessoas, ainda que n\u00e3o diretamente envolvidas com a tem\u00e1tica abordada, mas tamb\u00e9m foi objeto de campanhas depreciativas, promovidas pelos aparelhos privados de repress\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es populares, representantes de fra\u00e7\u00f5es destacadas do conservadorismo neoliberal brasileiro.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-2.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O prop\u00f3sito do artigo \u00e9 oferecer subs\u00eddios para o fortalecimento da campanha pelo fim da escala extenuante de trabalho e a eleva\u00e7\u00e3o da qualidade de vida dos trabalhadores atingidos por ela, apresentando elementos cr\u00edticos voltados para a conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas e a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade contra a excessiva extra\u00e7\u00e3o de mais-valia dos trabalhadores, movidos pela acumula\u00e7\u00e3o capitalista desmedida.<\/p>\n<p>Como metodologia, realizou-se uma revis\u00e3o da literatura sobre o tema, recorrendo a obras e autores reconhecidos como essenciais para o debate sobre tema e promoveu-se uma ampla pesquisa em peri\u00f3dicos e s\u00edtios eletr\u00f4nicos de not\u00edcias, visando incorporar elementos da contemporaneidade e informa\u00e7\u00f5es recentes ao conjunto da pesquisa, com uma abordagem h\u00edbrida, portanto, trabalhando elementos de reflex\u00e3o e dados emp\u00edricos publicizados por diferentes atores e ve\u00edculos sociais.<\/p>\n<p>A pesquisa, de natureza b\u00e1sica e cujos objetivos podem ser classificados como um misto de descritivo e explicativo, demandou a an\u00e1lise de artigos e de not\u00edcias alusivas ao tema, bem como a avalia\u00e7\u00e3o de casos pr\u00e1ticos relatados pela m\u00eddia e entendidos como importantes para a fundamenta\u00e7\u00e3o da necessidade de se extinguir a escala 6\u00d71, compondo um mosaico de argumenta\u00e7\u00e3o baseado tanto na bibliografia de refer\u00eancia analisada quanto na avalia\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de medidas implementadas.<\/p>\n<p>Como crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o das fontes referenciais adotadas, tanto para a abordagem qualitativa quanto para a quantitativa, considerou-se o potencial de conte\u00fados que pudessem embasar a constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de uma fundamenta\u00e7\u00e3o, bem como os dados que assegurassem consist\u00eancia f\u00e1tica aos argumentos elaborados, delimitando o recorte temporal, majoritariamente, ao per\u00edodo que se pode identificar como de influ\u00eancia decorrente da campanha pelo fim da escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>O trabalho tem a perspectiva de colaborar para o reposicionamento da classe trabalhadora como protagonista da resist\u00eancia \u00e0s agendas pol\u00edtica e econ\u00f4mica impostas pelo neoliberalismo, buscando estimular a reflex\u00e3o em torno do tema da jornada de trabalho de importantes segmentos da economia.<\/p>\n<h3><strong>O despertar das lutas dos trabalhadores pela humaniza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>O desejo de reduzir a jornada de trabalho e melhor aproveitar a disponibilidade de tempo resultante est\u00e1 no embri\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o trabalhista, remontando \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, na Inglaterra setecentista e se disseminando por meio de movimentos articulados como o Ludismo e o Cartismo[i], no in\u00edcio do S\u00e9culo XIX (Monte J\u00fanior, 2021).<\/p>\n<p>Mesmo o Dia do Trabalhador, celebrado em 1\u00ba de maio, remete a uma greve geral que tinha dentre suas principais reivindica\u00e7\u00f5es a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 8 horas di\u00e1rias, em contraposi\u00e7\u00e3o a um sistema que impunha jornadas de at\u00e9 17 horas por dia.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1Semana-289-410-Descontos-e-parcerias-editoras-2-2.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1.Semana-28.9-4.10-Descontos-e-parcerias-editoras-2-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ocorrida em Chicago, no dia 1\u00ba de Maio de 1886, a greve evoluiu para um confronto com a pol\u00edcia, que interveio de forma extremamente violenta, resultando em pris\u00e3o e morte de trabalhadores (DIEESE, 2006), o que acirrou ainda mais as tens\u00f5es e o clima de guerra entre os sindicatos e o establishment, em um pa\u00eds que j\u00e1 se diferenciava pelo crescimento econ\u00f4mico vertiginoso, o aumento significativo da acumula\u00e7\u00e3o de capital e o surgimento de grandes empresas privadas em setores estrat\u00e9gicos, como petr\u00f3leo, a\u00e7o e ferrovias.<\/p>\n<p>Meses depois, cinco l\u00edderes do movimento[ii], todos anarquistas, foram condenados \u00e0 morte (pela forca), reacendendo as tens\u00f5es sindicais e consolidando o epis\u00f3dio como heroico para a classe trabalhadora, elevando de tal forma a intensidade da luta dos oper\u00e1rios que o Congresso estadunidense acabou por aprovar a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, de 16 horas para 8 horas di\u00e1rias, em 1890.<\/p>\n<p>Em homenagem \u00e0s lutas de Chicago, em 20 de junho de 1889, durante reuni\u00e3o em Paris, a II Internacional Socialista convocou um conjunto de manifesta\u00e7\u00f5es pela jornada de 8 horas di\u00e1rias de trabalho, escolhendo o dia 1\u00ba de Maio como refer\u00eancia e nesta data, em 1891, uma manifesta\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios na Fran\u00e7a foi brutalmente dispersada pela pol\u00edcia, tendo por saldo 10 manifestantes mortos, o que potencializou o simbolismo da data e a sua proclama\u00e7\u00e3o como dia internacional de reivindica\u00e7\u00e3o de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Desde os prim\u00f3rdios do capitalismo, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho tem se constitu\u00eddo em elemento central da trajet\u00f3ria de lutas dos trabalhadores, como algo essencialmente indispens\u00e1vel para a conquista de uma vida pautada por perspectivas emancipat\u00f3rias e de combate \u00e0 explora\u00e7\u00e3o (Marx e Engels, 2023).<\/p>\n<p>A forma mais comumente identific\u00e1vel de atua\u00e7\u00e3o na economia de pa\u00edses capitalistas dependentes, como o Brasil, consiste na recorrente mobiliza\u00e7\u00e3o para o desmonte da legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o do trabalho (Antunes, 2009), flexibilizando-a de forma a permitir uma segura subsun\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, potencializando exponencialmente os mecanismos de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia, produzindo e confiscando o sobretrabalho, enfraquecendo a classe trabalhadora enquanto sujeito da rela\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n<h3><strong>Os direitos trabalhistas e as jornadas de trabalho no Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>Uma economia desenvolvida no per\u00edodo colonial e assentada sobre o trip\u00e9 \u201clatif\u00fandio-monocultura-m\u00e3o de obra escravizada\u201d, haveria de atravessar quase todo o S\u00e9culo XIX sob o jugo da articula\u00e7\u00e3o entre o Estado Imperial e as representa\u00e7\u00f5es da elite agr\u00e1ria, construindo uma sociedade para poucos, extremamente restritiva e socialmente est\u00e1tica (Prado J\u00fanior, 1981), voltada prioritariamente para fortalecer estruturas estatais destinadas a integrar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola nacional aos mercados internacionais, com o \u00fanico prop\u00f3sito da apropria\u00e7\u00e3o da renda resultante das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando esse quadro pol\u00edtico ruiu com a destitui\u00e7\u00e3o do Imperador e o advento da Rep\u00fablica, quase nada se alterou efetivamente, uma vez que a estrutura olig\u00e1rquica de poder se moveu apenas para um lugar distinto do anterior, por\u00e9m, estruturalmente convergente com a cultura do privil\u00e9gio e as delimita\u00e7\u00f5es de classe, mantendo a ordem social vigente (Fernandes, 2006). Nos 50 anos seguintes ao Censo de 1872, haveria um esbo\u00e7o de mudan\u00e7a desse perfil, que vivenciaria um refluxo posteriormente, mas a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cresceria vertiginosamente, como demonstra a Tabela 1:<\/p>\n<p><strong>Tabela 1: Popula\u00e7\u00e3o ocupada no Brasil (em milhares).<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\"><strong>Setores<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\"><strong>1872<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\"><strong>1900<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\"><strong>1920<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Quantidade<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>%<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Quantidade<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>%<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Quantidade<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>%<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1. Agricultura<\/td>\n<td>3.671<\/td>\n<td>64,1<\/td>\n<td>5.071<\/td>\n<td>53,4<\/td>\n<td>6.377<\/td>\n<td>69,7<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2. Ind\u00fastria<\/td>\n<td>282<\/td>\n<td>4,9<\/td>\n<td>321<\/td>\n<td>3,4<\/td>\n<td>1.264<\/td>\n<td>13,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>3. Servi\u00e7os<\/td>\n<td>1.773<\/td>\n<td>31,0<\/td>\n<td>4.111<\/td>\n<td>43,2<\/td>\n<td>1.509<\/td>\n<td>16,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total<\/td>\n<td>5.726<\/td>\n<td>100,0<\/td>\n<td>9.503<\/td>\n<td>100,0<\/td>\n<td>9.150<\/td>\n<td>100,0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Fausto (2016).<\/figcaption><\/figure>\n<p>No per\u00edodo compreendido entre 1917 e 1920, o pa\u00eds vivenciaria uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es que, incorporadas \u00e0 vida cotidiana, seriam determinantes para consolidar a caracteriza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora brasileira, protagonista de lutas hist\u00f3ricas ao longo do S\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Em 1917, quando as jornadas de trabalho nas f\u00e1bricas n\u00e3o raro se estendiam por at\u00e9 14 horas di\u00e1rias, inclusive para o trabalho de crian\u00e7as, eclode um movimento grevista em S\u00e3o Paulo, organizado e comandado por imigrantes anarquistas que no in\u00edcio se restringia aos cotonif\u00edcios, mas que rapidamente evoluiu para uma greve geral, envolvendo diversas categorias de trabalhadores, como ferrovi\u00e1rios, sapateiros, padeiros, gr\u00e1ficos, t\u00eaxteis, lixeiros, metal\u00fargicos e mar\u00edtimos (Fausto, 2016), que se espraiou para o interior do Estado e atingiu o Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital federal.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1934 contemplou o limite da jornada di\u00e1ria de 8 horas e a semanal de 60 horas, no entanto, institucionalizou a possibilidade de descumprimento na medida em que admitiu a possibilidade de extens\u00e3o das jornadas por meio de horas-extras (DIEESE, 2006), a depender da livre delibera\u00e7\u00e3o da classe empresarial, o que logo se tornaria pr\u00e1tica comum.<\/p>\n<p>Com o advento da CLT (Consolida\u00e7\u00e3o da Leis do Trabalho), em 1943, a jornada di\u00e1ria foi estabelecida em 8 horas e a limita\u00e7\u00e3o de sua expans\u00e3o a no m\u00e1ximo 2 horas, introduzindo a novidade de um adicional de 20% para as horas extras e possibilidade do gozo de f\u00e9rias remuneradas.<\/p>\n<p>O regime institu\u00eddo pelo Golpe Militar de 1964 suspenderia direitos e garantias constitucionais da sociedade como um todo e sufocaria especialmente um v\u00edvido movimento sindical, mantendo a CLT quase intacta, o que representaria um respiro provis\u00f3rio para os trabalhadores, que se rebelariam somente em fins dos anos de 1970, com um ciclo de greves que ganharia tra\u00e7\u00e3o e manteria seu apogeu de 1978 a 1980, iniciando-se no ABC[iii] paulista e se irradiando pela maioria dos Estados, atingindo um n\u00famero de grevistas estimado em mais de 4 milh\u00f5es de trabalhadores (Schwarcz e Starling, 2018).<\/p>\n<p>Com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, portanto, mais de meio s\u00e9culo depois do estabelecimento de 48 horas, a limita\u00e7\u00e3o da jornada semanal foi estabelecida em 44 horas, o que n\u00e3o seria alterado, mas sim relativizado nos marcos da legisla\u00e7\u00e3o vigente, por conta das investidas neoliberais que se instalariam no Brasil dos anos de 1990, instituindo uma ampla abertura comercial que, dentre outras consequ\u00eancias, alimentaria um progressivo processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a novidade da flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, emergiu um movimento possivelmente articulado entre o Governo e as Empresas, com o prop\u00f3sito de implementar um amplo processo de desregulamenta\u00e7\u00e3o ou mesmo da regulamenta\u00e7\u00e3o enviesada da economia e das rela\u00e7\u00f5es de trabalho (DIEESE, 2006), representadas, por exemplo, pela especificidade da remunera\u00e7\u00e3o e a forma de contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio movido por for\u00e7as destrutivas para economias da periferia do capitalismo se revelaria tr\u00e1gico, pois, nos 10 anos posteriores \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o pa\u00eds constataria a extin\u00e7\u00e3o de cerca de 1,7 milh\u00e3o de postos de trabalho na ind\u00fastria, 500 mil nos bancos, 450 mil nas empresas estatais objeto de privatiza\u00e7\u00e3o e 900 mil na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (considerando os tr\u00eas n\u00edveis, federal, estadual e municipal), consolidando um cen\u00e1rio de devasta\u00e7\u00e3o inimagin\u00e1vel (Cardoso, 2019).<\/p>\n<p>Em meio a esse ambiente de eros\u00e3o de empregos erigido pelo neoliberalismo fortalecido dos anos de 1990, o S\u00e9culo XXI parecia destinado a destruir a estrutura econ\u00f4mica nacional, a come\u00e7ar pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, tida como paternalista e arcaica.<\/p>\n<p>A fragiliza\u00e7\u00e3o da estrutura industrial do pa\u00eds e a submiss\u00e3o do pa\u00eds a uma condi\u00e7\u00e3o de plataforma de financeiriza\u00e7\u00e3o ampliada, elevou o contingente de massa sobrante da for\u00e7a de trabalho (Pochmann e Silva, 2023), deixando-o \u00f3rf\u00e3o do processo produtivo e dependente da aten\u00e7\u00e3o social atribu\u00edda ao Estado brasileiro.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o do sobretrabalho assumiu a dupla condi\u00e7\u00e3o da espolia\u00e7\u00e3o desmedida, promovendo uma simbiose perfeita para o capital, ao aliar o prolongamento da jornada de trabalho \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, resultando na agrega\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel das dimens\u00f5es absoluta e relativa da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho (Antunes, 2009) o que, adicionando-se sal\u00e1rios extorsivos, revelou o prop\u00f3sito de relegar o trabalhador \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mero instrumento de gera\u00e7\u00e3o de lucro, portanto, impessoal e irrelevante, facilmente substitu\u00edvel.<\/p>\n<h3><strong>A emerg\u00eancia do fim da Escala 6\u00d71 e a resist\u00eancia dos trabalhadores \u00e0 explora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Nesse contexto de explora\u00e7\u00e3o exacerbada dos trabalhadores, em fins de 2023, surge um movimento que revelaria enorme potencial para reacender a classe trabalhadora em sua hist\u00f3ria de lutas, \u00e0quela altura fragilizada pelo enfraquecimento e distanciamento dos sindicatos e pelo conciliacionismo das esquerdas com o capital, t\u00e3o profundamente consumidas pela ordem institucional que se tornaram ap\u00e1ticas a um envolvimento mais intenso com as lutas sociais (Mattos, 2017), como outrora.<\/p>\n<p>Surgido \u00e0 margem dos partidos de esquerda e constitu\u00eddo por jovens trabalhadores, o movimento VAT (Vida Al\u00e9m do Trabalho) surgiu pela iniciativa de Rick Azevedo nas redes sociais, propondo altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira, visando a assegurar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para enormes contingentes de trabalhadores, sintetizando o prop\u00f3sito na objetividade da ins\u00edgnia \u201cFim da Escala 6\u00d71\u201d.<\/p>\n<p>Sendo impulsionado pela imediata identifica\u00e7\u00e3o com a causa por parte de trabalhadores de baixa renda e ocupantes de vagas em atividades desenvolvidas em hor\u00e1rios distintos do expediente comercial e que cumprem escalas extenuantes de trabalho que se estendem por seis dias consecutivos, seguidos de apenas um dia de folga.<\/p>\n<p>Em 2024, a exposi\u00e7\u00e3o proporcionada pelas redes sociais conferiria \u00e0 campanha uma dimens\u00e3o nacional, registrando a constitui\u00e7\u00e3o de comit\u00eas em diversas localidades do pa\u00eds, extrapolando os limites geogr\u00e1ficos do Rio de Janeiro, onde come\u00e7ou e ampliando o debate sobre os temas da humaniza\u00e7\u00e3o da atividade profissional e da redu\u00e7\u00e3o da precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, essencialmente propondo o fim da Escala de Trabalho 6\u00d71 sem redu\u00e7\u00e3o salarial e a implanta\u00e7\u00e3o de uma Escala 4\u00d73 (trabalhando 4 dias e folgando 3 dias).<\/p>\n<p>Propugnando por mais tempo livre para que os trabalhadores pudessem ter melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e reduzir os males causados pelo excesso de trabalho, a campanha pelo fim da Escala 6\u00d71 trouxe \u00e0 tona uma s\u00e9rie de quest\u00f5es silenciadas ao longo dos anos e que nunca tiveram a visibilidade devida, mas que revelam uma latente tens\u00e3o entre as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e as condi\u00e7\u00f5es em que se d\u00e1 o desempenho profissional di\u00e1rio, altamente gerador de adoecimento ps\u00edquico.<\/p>\n<p>Segundo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em 2022, mais de 209 mil afastamentos do trabalho ocorreram por transtornos mentais de causas associadas a fatores laborais, como jornadas exaustivas, ass\u00e9dios diversos, falta de perspectiva profissional, press\u00e3o ininterrupta por resultados, inseguran\u00e7a financeira e medo constante de perda do emprego.<\/p>\n<p>Por outro lado, a OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho), tamb\u00e9m em 2022, apontou uma eleva\u00e7\u00e3o de 13% de pessoas com algum problema de sa\u00fade mental no mundo em 2019, gerando custos de cerca de 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares \u00e0 economia mundial, atribuindo uma rela\u00e7\u00e3o direta entre as jornadas de trabalho extenuantes e o adoecimento do trabalhador (Borsari et Al., 2024).<\/p>\n<p>Com uma peti\u00e7\u00e3o online, denominada <em>Por um Brasil que vai al\u00e9m do trabalho: VAT e Ricardo Azevedo na vanguarda da mudan\u00e7a<\/em> e que, em outubro de 2024, ultrapassaria marca de 2 milh\u00f5es de assinantes, Rick Azevedo concorreria a uma vaga de vereador na cidade do Rio de Janeiro, pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), tendo por plataforma de campanha a intensifica\u00e7\u00e3o do VAT. Seria o vereador mais bem votado do partido, eleito com 29.364 votos, demonstrando a for\u00e7a do movimento que iniciou e da relev\u00e2ncia do tema para as pessoas.<\/p>\n<p>Com elevado n\u00edvel de aceita\u00e7\u00e3o, a proposta de fim da Escala 6\u00d71 despertou ampla simpatia da popula\u00e7\u00e3o, como demonstrou a pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro[iv], apontando dados interessantes sobre o tema:<\/p>\n<p>\u2022 que 57% dos brasileiros concordaram com o fim da Escala 6\u00d71;<\/p>\n<p>\u2022 65% acreditavam que essa medida pode aumentar a oferta de empregos;<\/p>\n<p>\u2022 42% entendiam que haveria aumento da produtividade;<\/p>\n<p>\u2022 40% afirmavam que a economia n\u00e3o seria afetada com o fim da Escala 6\u00d71;<\/p>\n<p>\u2022 54% tinham certeza de que a Escala 6\u00d71 afeta negativamente a sa\u00fade mental dos trabalhadores;<\/p>\n<p>\u2022 65% estavam seguros de que a qualidade de vida de quem a cumpre melhoraria; e,<\/p>\n<p>\u2022 69% acreditavam que o fim da Escala 6\u00d71 resultaria em mais tempo para descanso, lazer e fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Poucos dias depois, entre 12 e 13 de dezembro (ouvindo 2.002 pessoas, acima de 16 anos, em 113 munic\u00edpios do pa\u00eds e com margem de erro de 2 pontos percentuais) , o Instituto Datafolha tamb\u00e9m faria uma pesquisa[v] e identificaria uma aprova\u00e7\u00e3o popular de 64% para a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho (Gavras, 2024), com uma maior aprova\u00e7\u00e3o entre as mulheres (70%) do que entre os homens (58%) e mais expressiva entre os jovens com idades entre 16 e 24 anos (81%), assim como entre as pessoas que ganham at\u00e9 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos (68%) e tamb\u00e9m entre 2 e 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos (64%), o que caracteriza a op\u00e7\u00e3o pela aprova\u00e7\u00e3o como sendo uma pauta que dialoga diretamente com os trabalhadores de baixa renda, potenciais protagonistas da jornada extenuante. Em 25\/02\/2025, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolaria, na C\u00e2mara dos Deputados, a PEC 08\/2025 (Proposta de Emenda Constitucional), propugnando pelo fim da Escala 6\u00d71, obtendo expressivo apoio de seus pares (dos mais diversos partidos do espectro pol\u00edtico), colhendo 226 assinaturas, um n\u00famero muito acima do m\u00ednimo necess\u00e1rio (171 assinaturas), denotando o apelo que o tema desperta (CONGRESSO EM FOCO, 2025).<\/p>\n<p>Tamanha empatia popular e ades\u00e3o dos trabalhadores n\u00e3o demoraria a despertar rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias do empresariado refrat\u00e1rio ao bem-estar das pessoas, ocupando as m\u00eddias de orienta\u00e7\u00e3o conservadora e impondo uma narrativa economicista de teor altamente falacioso, na tentativa de desestabilizar o movimento e desarticular seus adeptos, reproduzindo a tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica brasileira de desprest\u00edgio da classe trabalhadora, at\u00e9 mesmo criminalizando-a.<\/p>\n<p>Diversos estudos t\u00e9cnicos surgiram como decorr\u00eancia dessa campanha de desacredita\u00e7\u00e3o p\u00fablica do VAT, apontando supostos aumentos do desemprego, da infla\u00e7\u00e3o, da informalidade e do d\u00e9ficit das contas p\u00fablicas, que resultariam em desacelera\u00e7\u00e3o da economia e recess\u00e3o, compondo um mosaico catastrofista apocal\u00edptico.<\/p>\n<p>Exercendo seu leg\u00edtimo papel de representa\u00e7\u00e3o do empresariado mineiro, coube \u00e0 FIEMG (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais) elaborar um material de pesquisa acerca do tema da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, buscando se inserir nesse debate e se contrapor ao clima de ades\u00e3o crescente que se disseminava na sociedade, suscitando o debate.<\/p>\n<p>Contudo, o relat\u00f3rio elaborado apresentou lacunas nas caracteriza\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises efetuadas, transmitindo a impress\u00e3o de ocorr\u00eancia de omiss\u00f5es dirigidas, em raz\u00e3o dos interesses que advogava, adicionalmente projetando suspei\u00e7\u00e3o sobre o documento.<\/p>\n<p>Durante o evento \u201cJornada 6\u00d71 e os impactos nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, em 16\/04\/2025, a FIEMG (2025) divulgaria um estudo[vi] em que afirmava que o fim da escala 6\u00d71 causaria um impacto negativo de 16% no PIB (Produto Interno Bruto) do pa\u00eds, elevando custos, amea\u00e7ando a competitividade e aumentando os n\u00edveis de informalidade do mercado de trabalho, totalizando uma queda de estratosf\u00e9ricos R$ 2,9 trilh\u00f5es no faturamento dos setores econ\u00f4micos envolvidos.<\/p>\n<p>Afirmaria tamb\u00e9m que a redu\u00e7\u00e3o da carga de trabalho sem aumento da produtividade causaria a perda de at\u00e9 18 milh\u00f5es de empregos e uma redu\u00e7\u00e3o da massa salarial de at\u00e9 R$ 480 bilh\u00f5es, al\u00e9m de elevar a n\u00edveis incalcul\u00e1veis a informalidade do mercado de trabalho \u2013 que hoje j\u00e1 atingiria 38,3% dos trabalhadores brasileiros \u2013, pois essa seria a alternativa para as pequenas e m\u00e9dias contratarem.<\/p>\n<p>Ao final, revelaria o que entendia ser o principal obst\u00e1culo impeditivo da viabilidade do fim da Escala 6\u00d71: a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, correspondente, em m\u00e9dia, a apenas 23% da produtividade de um trabalhador dos Estados Unidos \u2013 sem mencionar, contudo, qualquer estudo comparativo dos n\u00edveis salariais entre ambos.<\/p>\n<p>Em nenhum momento se refere \u00e0 poss\u00edvel melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e sequer menciona qualquer benef\u00edcio advindo da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, ainda que sua implementa\u00e7\u00e3o demandasse ajustes na din\u00e2mica de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em suma, aparentemente culpabilizava o pr\u00f3prio trabalhador, v\u00edtima das extenuantes jornadas de trabalho, pela suposta incontorn\u00e1vel necessidade de manuten\u00e7\u00e3o do status quo por meio da Escala 6\u00d71, revelando uma eloquente manifesta\u00e7\u00e3o de classe da burguesia industrial mineira.<\/p>\n<p>Passou ao largo, tamb\u00e9m, do fato de que o custo do trabalho no Brasil \u00e9 baixo, havendo margem para uma eleva\u00e7\u00e3o de forma comedida, sem oferecer risco \u00e0s empresas, quer seja de queda do faturamento ou de perda de competitividade no mercado exterior.<\/p>\n<p>Contudo, ainda assim, esse valor tem registrado queda, como a apurada em 2012 e 2019, em que a redu\u00e7\u00e3o atingiu 3,6% e, segundo a CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias), a causa teria sido exatamente o aumento da produtividade (Borsari et Al., 2024), com crescimento m\u00e9dio de 2,9%, aliado \u00e0 queda de 1,3% do sal\u00e1rio real.<\/p>\n<p>O fato concreto \u00e9 que a jornada de trabalho no Brasil \u00e9 uma das mais elevadas no mundo, no momento em que diversos pa\u00edses registram queda no n\u00famero de horas trabalhadas e a brasileira se posiciona acima de muitas das na\u00e7\u00f5es constantes da tabela elaborada pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico), abaixo:<\/p>\n<p><strong>Tabela 2: Horas trabalhadas anuais (por pa\u00eds).<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Pa\u00eds<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Horas<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Pa\u00eds<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Horas<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Pa\u00eds<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<td><strong>Horas<\/strong><strong><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>M\u00e9xico<\/td>\n<td>2.128<\/td>\n<td>Estados Unidos<\/td>\n<td>1.791<\/td>\n<td>Reino Unido<\/td>\n<td>1.497<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Costa Rica<\/td>\n<td>2.073<\/td>\n<td>Austr\u00e1lia<\/td>\n<td>1.694<\/td>\n<td>Fran\u00e7a<\/td>\n<td>1.490<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Col\u00f4mbia<\/td>\n<td>1.964<\/td>\n<td>Canad\u00e1<\/td>\n<td>1.685<\/td>\n<td>Su\u00e9cia<\/td>\n<td>1.444<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brasil<\/td>\n<td>1.936<\/td>\n<td>It\u00e1lia<\/td>\n<td>1.669<\/td>\n<td>Noruega<\/td>\n<td>1.427<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Chile<\/td>\n<td>1.916<\/td>\n<td>Portugal<\/td>\n<td>1.649<\/td>\n<td>Holanda<\/td>\n<td>1.417<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cor\u00e9ia do Sul<\/td>\n<td>1.910<\/td>\n<td>Espanha<\/td>\n<td>1.641<\/td>\n<td>Alemanha<\/td>\n<td>1.349<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>R\u00fassia<\/td>\n<td>1.874<\/td>\n<td>Jap\u00e3o<\/td>\n<td>1.607<\/td>\n<td>Isl\u00e2ndia<\/td>\n<td>1.433<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gr\u00e9cia<\/td>\n<td>1.872<\/td>\n<td>Turquia<\/td>\n<td>1.572<\/td>\n<td>Dinamarca<\/td>\n<td>1.363<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption>Fonte: OCDE, Hours worked (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jornadas excessivas, al\u00e9m de precarizar a qualidade de vida dos trabalhadores, representam riscos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a, como aponta mat\u00e9ria elaborada pela revista Rep\u00f3rter Brasil[vii], em 2024, a partir de dados de bases do governo federal (INSS e RAIS \u2013 Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais), compilados pelo Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a e Sa\u00fade no Trabalho (SmartLab), descrevendo as categorias que possuem jornadas semanais de 41 horas ou mais e as correlacionando com registros de acidentes do trabalho.<\/p>\n<p>Embora a intensifica\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o internacional pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho seja relativamente recente e muitos estudos pilotos ainda estejam em curso, j\u00e1 h\u00e1 resultados positivos a convalidar a urg\u00eancia da mudan\u00e7a, como o caso do Reino Unido, em que um grupo de 61 empresas participaram de um programa-piloto de mudan\u00e7a (Serrano, 2024), em 2022, adotando semanas de 4 dias de trabalho e 3 dias de folga para seus empregados, com 82% de seus executivos apontando melhoria no bem-estar da equipe, 50% relatando queda da taxa de abandono e 32% afirmando que o novo modelo se consagrou como apelo positivo para o recrutamento de novos profissionais. A experi\u00eancia foi mantida, sobre a forma de ado\u00e7\u00e3o permanente da jornada reduzida, por 54 empresas.<\/p>\n<p>Contudo, o caso mais expressivo \u00e9 o da Isl\u00e2ndia, em que houve a ado\u00e7\u00e3o nacionalmente de uma semana de 4 dias de trabalho, n\u00e3o afetou negativamente a economia, ao contr\u00e1rio, resultando em crescimento econ\u00f4mico de 5% em 2023, simplesmente a segunda maior taxa dentre as mais avan\u00e7adas economias da Europa e o modelo de jornada semanal 4\u00d73 j\u00e1 atende a 51% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Pensar a redu\u00e7\u00e3o da semana de trabalho para quatro dias ultrapassa a simples redu\u00e7\u00e3o das horas trabalhadas e sugere a oportunidade de ampla reestrutura\u00e7\u00e3o da forma como se concebe o trabalho, das estruturas socioecon\u00f4micas que o cercam e da ado\u00e7\u00e3o de um modelo sustent\u00e1vel de trabalho, que n\u00e3o afete negativamente as pessoas j\u00e1 vulnerabilizadas pelo sistema capitalista e que a ele se dedicam.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 uma demanda recorrente da classe trabalhadora, desde os prim\u00f3rdios do capitalismo, como prop\u00f3sito de conquista de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de qualidade de vida, mas tamb\u00e9m de resist\u00eancia enquanto classe explorada e destitu\u00edda de diversos direitos elementares.<\/p>\n<p>A luta pelo fim da Escala 6\u00d71 se reveste de especial relev\u00e2ncia, na medida em que resgata a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e reacende a possibilidade de reestrutura\u00e7\u00e3o da economia e do elemento trabalho no Brasil, a partir da perspectiva dos sujeitos efetivos da atividade econ\u00f4mica, os enormes contingentes de pessoas descartadas pelo processo de acumula\u00e7\u00e3o primitiva potencializado pelo neoliberalismo.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ANTUNES, R. <strong>Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirma\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2009.<\/p>\n<p>BORSARI, P.; Et AL. 6\u00d71: a insustentabilidade dos argumentos econ\u00f4micos. <strong>Portal do DIAP<\/strong>. Publicado em 17 de novembro de 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.diap.org.br\/index.php\/noticias\/agencia-diap\/92040-6-1-a-insus-tentabilidade-dos-argumentos-economicos.<\/p>\n<p>CARDOSO, A. M. <strong>A constru\u00e7\u00e3o da sociedade do trabalho no Brasil. Uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a persist\u00eancia secular das desigualdades<\/strong>. Rio de Janeiro: Amazon, 2019.<\/p>\n<p>CONGRESSO EM FOCO. Saiba quais deputados votaram na PEC pelo fim da escala 6\u00d71. <strong>Portal de not\u00edcias Congresso em Foco<\/strong>. Mat\u00e9ria publicada em 25 de fevereiro de 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/no-ticia\/106563\/saiba-quais-deputados-assinaram-a-pec-pelo-fim-da-escala-6\u00d71.<\/p>\n<p>DIEESE. Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil. <strong>Nota T\u00e9cnica<\/strong>, n. 16, mar\/2006.<\/p>\n<p>GAVRAS, Douglas. 64% dos brasileiros defendem fim da escala 6\u00d71, aponta pesquisa Datafolha. <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>. Mat\u00e9ria publicada no s\u00edtio eletr\u00f4nico do jornal, em 27 de dezembro de 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2024\/12\/64-dos-brasileiros-defendem-fim-da-es-cala-6\u00d71-aponta-pesquisa-datafolha.shtml.<\/p>\n<p>FAUSTO, B. <strong>Trabalho urbano e conflito social: 1890-1920<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016.<\/p>\n<p>FERNANDES, F. <strong>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil: ensaio de interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Globo, 2006.<\/p>\n<p>FIEMG. Estudo da FIEMG aponta que fim da escala 6\u00d71 pode causar impacto de at\u00e9 16% no PIB. <strong>S\u00edtio eletr\u00f4nico da FIEMG<\/strong>. Publica\u00e7\u00e3o de 16 de abril de 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.fiemg.com.br\/noticias\/estudo-da-fiemg-aponta-que-fim-da-escala-6\u00d71-pode-causar-impacto-de-ate-16-no-pib\/.<\/p>\n<p>MONTE J\u00daNIOR, W. C. 1\u00b0 de Maio: 135 anos de hist\u00f3ria e desafios da classe trabalhadora. <strong>Sinpojud<\/strong>. Artigo postado no s\u00edtio eletr\u00f4nico da entidade em 30.abr. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sinpojud.org.br\/subpage.php?i-d=17478_30-04-2021_1-de-maio-135-anos-de-hist-ria-e-desafios-da-classe-trabalhadora.<\/p>\n<p>POCHMANN, M.; SILVA, L. C. <strong>O Brasil no capitalismo do S\u00e9culo XXI: desmoderniza\u00e7\u00e3o e desencadeamento intersetorial<\/strong>. Campinas: Editora da Unicamp, 2023.<\/p>\n<p>PRADO J\u00daNIOR, C. <strong>Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora Brasiliense, 1981.<\/p>\n<p>MARX, K.; ENGELS, F. <strong>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023.<\/p>\n<p>MATTOS, M. B. <strong>Sete notas: introdut\u00f3rias como contribui\u00e7\u00e3o ao debate da esquerda socialista no Brasil<\/strong>. Rio de Janeiro: Consequ\u00eancia, 2017.<\/p>\n<p>OCDE. (2025) <strong>Hours Worked. Acessado em 15 de maio de 2025<\/strong>. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.oecd.org\/en\/data\/indicators\/hours-worked.html<\/p>\n<p>SCHWARCZ, L. M.; STARLING, H. M. <strong>Brasil: uma biografia<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018.<\/p>\n<p>SERRANO, L. \u00c9 o fim da Escala 6\u00d71 no Brasil? Veja em quais pa\u00edses ela j\u00e1 \u00e9 ilegal. <strong>Revista Exame<\/strong>. Mat\u00e9ria publicada no s\u00edtio eletr\u00f4nico da revista, em 13 de novembro de 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/exame.com\/carreira\/e-o-fim-da-escala-6\u00d71-no-brasil-veja-em-quais-paises-ela-ja-e-ilegal\/?utm_source=copiaecola&amp;utm_medium=compartilhamento.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[i] Ambos surgiram em meio \u00e0s tens\u00f5es acentuadas pelo avan\u00e7o do capitalismo p\u00f3s-Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, na Inglaterra das primeiras d\u00e9cadas do S\u00e9culo XIX. O Ludismo foi um movimento de trabalhadores do ramo de fia\u00e7\u00e3o e tecelagem que se notabilizou por destruir m\u00e1quinas utilizadas na produ\u00e7\u00e3o, como forma de protesto contra a explora\u00e7\u00e3o a que se viam submetidos. O Cartismo constituiu-se em um movimento oper\u00e1rio radical, de orienta\u00e7\u00e3o claramente pol\u00edtica e dedicado \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para pautas como a democratiza\u00e7\u00e3o do Estado e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>[ii] Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg. Lingg cometeu suic\u00eddio na pris\u00e3o e os outros quatro foram executados em 11 de novembro de 1887, em um dia que passaria \u00e0 posteridade como Black Friday.<\/p>\n<p>[iii] Refer\u00eancia \u00e0 regi\u00e3o geogr\u00e1fica do ABC paulista, inserida da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo e composta por sete munic\u00edpios: Santo Andr\u00e9, S\u00e3o Bernardo do Campo, S\u00e3o Caetano, Diadema, Mau\u00e1, Rio Grande da Serra e Ribeir\u00e3o Pires.<\/p>\n<p>[iv] Pesquisa realizada entre os dias 2 e 4 de dezembro de 2024, por meio de 1.461 entrevistas com pessoas acima de 18 anos, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e publicada de forma sint\u00e9tica no site do portal de not\u00edcias CNN Money Brasil, em 04\/02\/2025, dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/ma-croeconomia\/57-dos-brasileiros-sao-favoraveis-ao-fim-da-escala-de-trabalho-6-por-1-mostra-pesquisa\/.<\/p>\n<p>[v] Para consultar a pesquisa completa, acesse: https:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/opiniao-e-sociedade\/2025\/01\/64-acreditam-que-carga-maxima-de-trabalho-no-bra-sil-deveria-ser-reduzida.shtml.<\/p>\n<p>[vi] Para consultar o estudo completo, denominado Impactos socioecon\u00f4micos da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u2013 Fim da Escala 6\u00d71, acessar https:\/\/www.fiemg.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/E202503_01_Impactos-Economicos-e-Sociais-_FIM-Jornada-6-x-1.pdf.<\/p>\n<p>[vii] Dispon\u00edvel em: https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2024\/11\/escala-6\u00d71-empregos-com-jornada-excessiva-causam-mais-acidentes-de-trabalho\/.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Redu\u00e7\u00e3o da jornada, a vida contra a mais-valia\u00a0 appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/08\/audiencia-publica-do-novo-plano-diretor-e-suspensa-pela-justica\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Audi\u00eancia p\u00fablica do novo Plano Diretor \u00e9 suspensa...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/resultado-da-mega-sena-2892-acumulada-premio-de-35-milhoes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mega-Sena-novamente-sem-ganhador-premio-sobe-para-R-55-milhoes--4-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Resultado da Mega Sena 2892 acumulada; pr\u00eamio de 3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-bolsonaro-condenado-e-inelegivel-trump-elogiando-lula-milei-afundando-a-argentina-bolsonaritas-estao-orfaos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Com Bolsonaro condenado e ineleg\u00edvel, Trump elogia...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/confianca-dos-brasileiros-no-governo-atinge-maior-nivel-desde-2012\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Captura-de-Tela-2025-11-11-as-145909-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Confian\u00e7a dos brasileiros no governo atinge maior ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Inglaterra industrial \u00e0s lutas de Chicago, seguido pela Fran\u00e7a at\u00e9 \u00e0s greves no Brasil, reduzir a o tempo de trabalho est\u00e1 no cerne das resist\u00eancias trabalhistas. O que dizem as pesquisas atuais? Por que o apoio ao fim da escala 6&#215;1 \u00e9 t\u00e3o amplo? <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/reducao-da-jornada-a-vida-contra-a-mais-valia\/\">Redu\u00e7\u00e3o da jornada, a vida contra a mais-valia\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":70501,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[33410,27204,2008,756,33411,9189,5301,2482,474,5834,25323],"tags":[],"class_list":["post-70500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-batalha-de-chicago","category-cesit-jornada","category-fim-da-escala-6x1","category-greve","category-greve-de-1917","category-luta-trabalhista","category-mais-valia","category-reducao-da-jornada","category-sindicatos","category-trabalho-e-precariado","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70500\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}